Mostrando postagens com marcador Povo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Povo. Mostrar todas as postagens

sábado, 10 de junho de 2017

VIVENDO A VIDA CRISTÃ — ESTUDO 014 — EMPECILHOS PARA VIVER A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 016 A 017


Resultado de imagem para quebrantamento

A vida Cristã é um dos maiores mistérios da humanidade. Trata-se da própria presença do Espírito Santo habitando nos crentes verdadeiros para transformá-los, dia a dia, em pessoas cada vez mais parecidas com a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Essa série de estudos pretende discutir a fundo essa questão e esperamos que a mesma possa não apenas abençoar, mas também impactar poderosamente a vida de cada um dos leitores.

II. EMPECILHOS PARA A VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 016 e 017

Empecilhos a Vida Cristã

É sempre possível, mesmo tendo as melhores das intenções, sermos enganados em alguma área vital da nossa crença — convicções. Esses tipos de enganos certamente irão produzir ações incorretas. Essas ações estarão em desacordo com a perfeita vontade de Deus. Cedo ou tarde esses enganos tornam-se verdadeiras barreiras à Vida Cristã.

Se vamos ser cristãos bem sucedidos nós precisamos honestamente procurar e, ao encontrarmos, derrubarmos essas barreiras. Deus só pode nos livrar através da verdade e para isto Ele exige de nós honestidade. Não é à toa que Satanás, nosso inimigo, é chamado de “aquele que barra o caminho” — 1 Tessalonicenses 2:18 — e de mentiroso, conforme — João 8:44. Abaixo segue uma pequena lista das mentiras e barreiras mais comuns levantadas pelo nosso adversário. Junto com as mentiras de Satanás fornecemos uma série de versículos bíblicos os quais constituem a resposta — verdade — de Deus para aquelas.

16. Que fé e amor podem existir sem obras.

João 14:15, 21, 23

15 Se me amais, guardareis os meus mandamentos.

21 Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele.

23 Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.

Tiago 2:17—20

17 Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.

18 Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé.

19 Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.

20 Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?

1 João 5:3

Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos.

2 João 6

E o amor é este: que andemos segundo os seus mandamentos. Este mandamento, como ouvistes desde o princípio, é que andeis nesse amor.

17. Que Deus precisa me quebrantar com uma profunda convicção antes que eu possa agir.

Jeremias 5:3

Ah! SENHOR, não é para a fidelidade que atentam os teus olhos? Tu os feriste, e não lhes doeu; consumiste-os, e não quiseram receber a disciplina; endureceram o rosto mais do que uma rocha; não quiseram voltar.

Jeremias 6:19

Ouve tu, ó terra! Eis que eu trarei mal sobre este povo, o próprio fruto dos seus pensamentos; porque não estão atentos às minhas palavras e rejeitam a minha lei.

Jeremias 7:13—14, 23—28

13 Agora, pois, visto que fazeis todas estas obras, diz o SENHOR, e eu vos falei, começando de madrugada, e não me ouvistes, chamei-vos, e não me respondestes,

14 farei também a esta casa que se chama pelo meu nome, na qual confiais, e a este lugar, que vos dei a vós outros e a vossos pais, como fiz a Siló.

23 Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos ordeno, para que vos vá bem.

24 Mas não deram ouvidos, nem atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante.

25 Desde o dia em que vossos pais saíram da terra do Egito até hoje, enviei-vos todos os meus servos, os profetas, todos os dias; começando de madrugada, eu os enviei.

26 Mas não me destes ouvidos, nem me atendestes; endurecestes a cerviz e fizestes pior do que vossos pais.

27 Dir-lhes-ás, pois, todas estas palavras, mas não te darão ouvidos; chamá-los-ás, mas não te responderão.

28 Dir-lhes-ás: Esta é a nação que não atende à voz do SENHOR, seu Deus, e não aceita a disciplina; já pereceu, a verdade foi eliminada da sua boca.

Jeremias 13:10—11

10 Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração e anda após outros deuses para os servir e adorar, será tal como este cinto, que para nada presta.

11 Porque, como o cinto se apega aos lombos do homem, assim eu fiz apegar-se a mim toda a casa de Israel e toda a casa de Judá, diz o SENHOR, para me serem por povo, e nome, e louvor, e glória; mas não deram ouvidos.

Jeremias 14:10—12

10 Assim diz o SENHOR sobre este povo: Gostam de andar errantes e não detêm os pés; por isso, o SENHOR não se agrada deles, mas se lembrará da maldade deles e lhes punirá o pecado.

11 Disse-me ainda o SENHOR: Não rogues por este povo para o bem dele.

12 Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste.

Romanos 10:17

E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo.

2 Coríntios 7:1

Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DE “VIVENDO A VIDA CRISTÔ
ESTUDO 001 — COMO RECONCILIAR O PASSADO

ESTUDO 002 — INTRODUÇÃO GERAL

ESTUDO 003 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 001

ESTUDO 004 — UMA DESCRIÇÃO DA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 002

ESTUDO 005 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 001

ESTUDO 006 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 002

ESTUDO 007 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTE 003

ESTUDO 008 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA —PARTE 004

ESTUDO 009 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 005 e 006

ESTUDO 010 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 007 e 008

ESTUDO 011 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 009 e 010

ESTUDO 012 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 011 e 012

ESTUDO 013 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 013 a 015

ESTUDO 014 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 016 a 017
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/vivendo-vida-crista-estudo-014.html

ESTUDO 015 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 018 a 019

ESTUDO 016 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 020 a 021

ESTUDO 017 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 022 a 023

ESTUDO 018 — EMPECILHOS PARA UMA VIDA CRISTÃ NAS PALAVRAS DA PRÓPRIA BÍBLIA — PARTES 024 a 026


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:

Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 005 — O SERVO DE NOSSAS TRANSGRESSÕES


Resultado de imagem para isaías 53:7

CONTINUAÇÃO... PARTE 005

53:7—9: A submissão do Servo

Os v.7—9 focalizam a morte voluntária do Servo. Apesar das humilhações sofridas, o Servo seria honrado por ETERNO. 

7 Foi oprimido,50 mas livremente ele se humilhou,51 e não abriu a boca;
como cordeiro foi levado ao matadouro;
e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores,
não abriu a boca.52

8 Depois do aprisionamento e do julgamento, foi arrebatado,53
e de sua linhagem, quem dela cogitou?
Porquanto foi cortado da terra dos viventes;
por causa da transgressão do meu povo,54, 55 foi ferido.56

9 Designaram57  a sua sepultura com os ímpios,
mas com o rico58  esteve na sua morte,59
ainda que não praticasse violência,
e nem engano se achasse em sua boca.

O v.7 descreve a morte submissa do Servo, que, como um “cordeiro” conduzido ao “matadouro”, “não abriu a boca”. O termo “oprimido” é a tradução da forma verbal niggas, nifal perfeito de nagas, “ser duramente pressionado”. Apresenta o sentido de ser “maltrato” (BJ). A mesma forma verbal é empregada em Êxodo 3.7, referindo-se à opressão dos egípcios sobre os israelitas. “Não era apenas uma coerção ou uma leve angústia emocional. Denota uma situação real, concreta, de sofrimento pesado.”60 A sentença seguinte inicia-se pela partícula adversativa “mas61 ele livremente se humilhou”. Enfatiza-se assim que o maltrato sofrido é voluntário. No texto hebraico, o sujeito da ação verbal é o pronome independente terceira pessoa masculina hu’, “ele”, que precede o nifal partícipio ‘anah “ser humilhado”, “ser afligido”. Normalmente a língua hebraica não utiliza o pronome pessoal antes das formas verbais. Quando utiliza, é porque focaliza o sujeito da ação. No caso, o pronome aqui em Isaías 53.7 enfatiza a voluntariedade do Servo; ou seja, se sofreu, é porque “ele livremente se humilhou”.  A terceira sentença, por sua vez, descreve o silêncio do Servo: “e não abriu a boca”.

É difícil não identificar aqui o Servo apresentado na nova aliança. As páginas do Novo Testamento apresentam tanto a submissão,
 
Lucas 9:51
Aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém

como o silêncio,  

Mateus 27:11, 14

11 Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.

14 Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.

do Servo. O seu silêncio evidencia sua submissão. Cristo entregou-se voluntariamente. É verdade que Ele foi condenado à cruz por meio de um julgamento injusto e calunioso —

Mateus 26:59—61

59 Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.

60 E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:
61 Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.

Lucas 23:2—4, 13—16.

2 E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei.

3 Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
4 Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum.

13 Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,

14 disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais.

15 Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.
16 Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei.

Contudo, não foram essas coisas que levaram Jesus à morte. Ele morreu porque se entregou a si mesmo —

1 Pedro 2:23

Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente.

Alguém já disse que não foi o ódio dos judeus que matou Jesus, nem o poder dos romanos. Foi Deus, o Pai, que entregou o Filho, e este voluntariamente se entregou como oferta pelos nossos pecados.

Na primeira frase do v.8, é difícil saber o sentido da preposição min “de”, prefixada no substantivo ‘oser “aprisionamento”. Neste texto, ela pode apresentar três sentidos: o sentido separativo (o Servo foi arrebatado/ “separado da terra”[grifo nosso]62 /libertado da opressão e do juízo – ou seja, foi liberto da morte e levado ao céu pela ressurreição, após sua morte), o sentido causativo (Servo foi libertado por causa dessas coisas) ou sentido temporal (o Servo foi libertado depois dessas coisas). Possivelmente o texto indica a prisão e o julgamento seguidos da prisão. A tradução da Bíblia de Jerusalém apoia essa interpretação: “Após detenção e julgamento, foi preso”. O termo ‘oser “aprisionamento” também apresenta o sentido de sofrimento ou angústia,63 sugerindo um aprisionamento acompanhado de torturas; o significado de ‘oser é “restrição”, “coerção” (Strong) ou “encerrar”, “aprisionar”.64 Esta palavra hebraica só ocorre em outras duas passagens do Antigo Testamento: Pv 30:16 (referindo à esterilidade); Salmos 107:39 (possivelmente referindo ao “aprisionamento”, como em Isaías 53:8). Na sequência do texto isaiano, lê-se o substantivo mixpat “julgamento”. No fim da frase, o verbo traduzido pela BJ como “foi preso” é o hebraico luqah qal perfeito, de laqah “arrebatar”, “tomar e levar embora”, traduzido mais literalmente como “foi arrebatado” (como na ARA). O sentido dessa primeira frase do v.8 é que após a detenção violenta (‘oser) e após o processo de julgamento (mixpat), o Servo foi condenado (luqah).

A sentença seguinte é uma indagação: “e de sua linhagem, quem dela cogitou?”. A palavra hebraica dor “significa geração que está viva num determinado período de tempo” 65 Dessa forma, o texto de Isaías refere-se aos contemporâneos de Jesus que não entenderam a razão de sua morte.66  O significado teológico da morte do Servo só é possível mediante a iluminação do Senhor.67  A sabedoria deste mundo é incapaz de reconhecer a cruz —

1 Coríntios 2:8

Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória;

A frase seguinte afirma que o Servo “foi cortado da terra dos viventes”. A raiz verbal gazar “cortar”, empregada em outros textos para o corte de árvores (2 Reis 6:4), descreve uma morte violenta. Isso é evidenciado na última frase do v.8: “foi ele ferido”, literalmente “um golpe para ele” (nega’ lamo). A morte do Servo é evidenciada na tradução da LXX: “ele foi levado à morte” (sugerindo a retroversão para o hebraico lammawet “para a morte”, em lugar lamo “para ele” ).68 O hebraico nega‘ “golpe”, “ferida”, é um ato de Deus (Êxodo 11:1) contra o Servo. Muitos comentaristas salientam que a violência descrita nesse texto é semelhante ao Salmo 22. Portanto, o “golpe” “representava mais que mera doença, ou mera violência, ou mera perseguição, mas seria a combinação de tudo que é mais terrível em todas elas: o total abandono da parte de Deus (Salmos 22:1 [TM: 22:2]) que o Novo Testamento chama de ‘segunda morte’ (Ap 2.11)”.69

Pela frase “por causa da transgressão do meu povo”, o texto novamente reitera, como em 53:4—6, que a morte do Servo é substitutiva. Foi a “transgressão/rebelião” (pexa‘) do seu “povo” que conduziu o Messias à morte.

Na primeira frase do v.9, o verbo “designaram” é tradução de yiten “ele designou”, qal com waw consecutivo imperfeito terceira pessoa masculina singular, de natan “dar”, “pôr”, “estabelecer”. Provavelmente trata-se do singular coletivo daqueles que crucificaram o Servo. A segunda frase, “mas com o rico esteve na sua morte”, apresenta problemas de tradução. Seguimos aqui o TM: ‘axir,“rico” (adjetivo) e bemotayw  “em sua morte”.  Os inimigos do Servo planejaram uma morte desonrosa para Ele. Crucificaram-no entre dois salteadores —

Lucas 23:32—33

32 E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.

No entanto, a profecia de Isaías haveria de se cumprir. Por isso, Deus levantou um homem rico de Arimateia, chamado José, que sepultou o Servo num túmulo novo, entre os ricos. Assim o Servo foi honrado, mesmo em sua humilhante morte.

As duas últimas frases do v.9 descrevem a inocência do Servo. Ele foi morto, “ainda que não” (‘al lo’ )70 tenha praticado (verbo ‘asah “fazer”) nenhuma “violência” (hamas). A palavra hamas “violência”, “injustiça” (ARA), essencialmente apresenta a ideia de violência pecaminosa, denotando maldade extrema.71 Também, não havia “engano” em sua boca. O substantivo mirmah, “engano”, “traição”, comumente é empregado no Antigo Testamento para se referir às palavras traiçoeiras e enganosas (Gn 27.35; 34.13; Sl 10.7; 17.1; 24.4; etc.).72  Quer dizer, somente os malfeitores, enganadores e traidores é que mereciam a morte violenta descrita nesses versos. No entanto, o Servo inocente esteve entre os “ímpios”. Foi tratado como um malfeitor. É assim que Cristo foi considerado por seus algozes. 

Portanto, a estrofe composta por 53.7—9 apresenta a entrega voluntária do Servo (v.7), sua prisão, julgamento, condenação e morte (v.8, 9).

OUTROS ARTIGOS DESSA SÉRIE

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 001

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 002 — O SERVO SOFREDOR É O PRÓPRIO DEUS

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 003 — O SERVO SOFREDOR É HOMEM DE DORES QUE SABE O QUE PADECER

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 004 — O CASTIGO QUE NOS TRAZ A PAZ

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 005 —  O SERVO DE DEUS MORREU POR CAUSA DAS NOSSAS TRANSGRESSÕES

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 006 —  O SERVO DE DEUS, O JUSTO, JUSTIFICARÁ A MUITOS


O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica. 

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos. 

NOTAS

50 nagas nifal perfeito “ser duramente pressionado”.

51 wehu’ na‘aneh “mas ele livremente se humilhou”: pronome independente terceira pessoa masculina hu’ “ele”, com ‘anah nifal particípio “ser humilhado”.

52 BHS: provavelmente esta frase precisa ser deletada.

53 laqah qal perfeito “arrebatar”, “tomar e levar embora”.

54 TM: ‘ammi “meu povo”. 1QIsa: ‘amo “seu povo”. Westermann sugere a primeira pessoa comum plural “nosso povo”. Claus Westermann, Isaiah 40-66, p. 254.

55 TM: mippexa‘ ‘ammi “por causa da transgressão do meu povo”.  BHS: provavelmente mippix‘am “por causa da transgressão deles”.

56 TM: nega‘ lamo “um golpe para ele”. 1QIsa: nugga‘ ou nigga‘ (pual?) “ele é ferido”. LXX: “ele foi levado à morte”, propondo a retroversão para o hebraico lammawet “para a morte” em lugar de lamo “para ele”.  

57 TM: wayyiten “e ele designou”, qal com waw consecutivo imperfeito terceira pessoa masculina singular de natan “dar”, “pôr”, “estabelecer”. 1QIsa: wayitnu “eles designaram”. BHS: wayuttan.

58 TM: ‘axir adjetivo masculino singular “rico”. BHS: provavelmente se‘irim  “demônios”. No entanto, tanto a LXX como o Targum traduzem “rico”, e, portanto, o TM não precisa ser alterado. Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 456.

59 TM: bemotayw “em sua morte”.  1QIsa: bwmtw “o seu túmulo” ou “seu lugar alto”. Para uma defesa da tradução “seu lugar alto”, veja Betty Bacon, Estudos na Bíblia Hebraica, São Paulo, Vida Nova, 1991, p. 258.

60 Isaltino Gomes Coelho Filho. Isaías, p. 172.

61 Waw conjuntivo, aqui no sentido adversativo.

62 J. Ridderbos, Isaías, p. 433. 

63 Joseph Addison Alexander, Commentary on Isaiah, Grand Rapids, Kregel Publications, 1982, p. 300.

64 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 478.

65 J. Ridderbos. Isaías, p.434, nota 30.

66 Isaltino Gomes Coelho Filho. Isaías, p. 172.

67 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 454.

68 Veja BHS.

69 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 477.

70 A preposição ‘al “sobre”, seguida pelo advérbio de negação lo’ “não”, essencialmente significa “porque não”. Nelson Kirst et. al., Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 179. Abre-se assim a possibilidade de as duas últimas frases serem traduzidas como “porque não praticou violência, nem dolo algum se achou em sua boca”, indicando que a honraria que o Servo receberia por ocasião de sua morte (“com o rico esteve na sua morte”) ocorreria em virtude de sua inocência.

71 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p. 485.

72 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p. 1431.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 004 — SERMÃO 037E


Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

4. As características da parábola representam realidades teológicas? O pastor deve ser identificado com Deus, com Jesus, com os discípulos ou com qualquer pessoa que esteja buscando o reino de Deus? E, acima de tudo, existem implicações cristológicas nessa parábola?

Na parte anterior nós tivemos a oportunidade de destacar que os Pais da Igreja enxergavam a encarnação do Filho de Deus na narrativa dessa parábola. Além disso, vimos que o professor K. Bailey, em seu comentário nas Parábolas de Jesus em Lucas, visualizou a expiação no empenho demonstrado pelo pastor[1]. Outros autores, como J. Bengel chegaram à conclusão que o retorno do pastor para sua casa, na narrativa, corresponde ao retorno de Jesus para o lar celestial[2]. Para nós esse tipo de interpretação alegórica está fora dos limites que nos impomos, mas entendemos que, quando estamos lidando com parábolas, especialmente com essa parábola, as mesmas ensinam teologia sim. Se não for assim, elas seriam inúteis para qualquer propósito, salvo o mero entretenimento dos ouvintes.

Isso nos leva para a pergunta número um quando abordamos uma parábola, qualquer parábola: quanto da parábola possui importância teológica? A chave para isso é determinar de que maneira a analogia funciona dentro da parábola. Precisamos também tomar muito cuidado com a linguagem utilizada pelo autor: primeiro Jesus, depois Lucas. A parábola da ovelha perdida não afirma que Deus é um pastor, do mesmo modo que as duas parábolas seguintes não afirmam que Deus é uma mulher ou um pai. Essas três parábolas são analogias implícitas. As ações e as atitudes descritas — e não as pessoas envolvidas — refletem as ações e as atitudes do próprio Deus e do Senhor Jesus. A parábola da ovelha perdida é uma analogia que leva em conta o argumento que diz: se as coisas são assim, então quanto mais elas serão se... O pastor não é Deus, nem Jesus nem qualquer outra pessoa. E a ovelha não é representativa duma pessoa ou de um grupo de pessoas. Todas essas figuras encontram-se na história e devem permanecer, estritamente, dentro da história. Por outro lado, é mais certo ainda que as montanhas, o deserto e os vizinhos não representam nada mesmo. Mas ao mesmo tempo, as imagens selecionadas para compor as narrativas não são escolhidas ao acaso. Elas são escolhidas para provocarem certas reações, pois ao mencionarem o pastor e as ovelhas auxiliam as pessoas com imagens do Deus do Antigo Testamento, da liderança do Povo de Israel no passado e da esperança prometida ao povo de Deus — ver parte anterior.

Não existe absolutamente nada na parábola que nos possa fazer acreditar que a mesma descreve uma pessoa que está buscando o reino de Deus, conforme alega o pessoal do chamado Seminário de Jesus, na pessoa de seu mentor John Dominic Crossan. A opinião de Crossan é a grande responsável pelo surgimento da grande onda de pessoas correndo atrás da salvação — chamados de seeker ou buscadores — como defendida pelos papas do evangelismo de passado recente, como Rick Warren e Carlos Castellanos. Como acontece com todos os que não sabem nadar, eles acabaram se afogando na própria onda que tentaram surfar. Mas ganharam muito dinheiro com isso.

Dessa forma podemos afirmar que a lógica da parábola, mais coerente com a narrativa é: Como deve ser do entendimento geral, em condições normais, um pastor sempre irá em busca duma ovelha perdida, e irá se alegrar muito quando conseguir encontrá-la. Se isso é assim entre os homens, então quanto mais tais condições serão verdadeiras a respeito de Deus, que veio buscar e salvar o perdido? Tanto Mateus quanto Lucas procuram nos mostrar a pessoa de Deus como sendo análoga à pessoa do pastor na forma como estruturam suas narrativas. Com isso, se aproveitam das imagens já conhecidas pelas pessoas acerca do que afirmam as Escrituras do Antigo Testamento com respeito a esses fatos.

E a parábola é sim importante do ponto de vista cristológico. As associações com as narrativas do Antigo Testamento estabelecem, fortemente, a esperança que Deus irá estabelecer um descendente de Davi como pastor sobre seu povo.

Jeremias 23:4—5

4 Levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e elas jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o SENHOR.

5 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra.

Ezequiel 34:23—24

23 Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor.

24 Eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse.

Ezequiel 37:24

O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.

Miquéias 5:2—4

2 E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

3 Portanto, o SENHOR os entregará até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz; então, o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel.

4 Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do SENHOR, na majestade do nome do SENHOR, seu Deus; e eles habitarão seguros, porque, agora, será ele engrandecido até aos confins da terra.

Se Jesus defende seu ato de se alimentar junto com pecadores apontando para o caráter de Deus e afirmando que Deus é como um pastor em busca dos perdidos, então o Senhor Jesus está, de modo implícito, afirmando que ele está fazendo a vontade de Deus. Pelo menos na parábola narrada em Lucas, nós temos plena certeza que a menção do pastor aponta tanto para o caráter de deus, como para as atividades de Jesus. Sem o entendimento ou a aceitação desses aspectos cristológicos, qualquer explicação da parábola torna-se superficial.

CONTINUA...



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.      



[1] Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. Edições Vida Nova, São Paulo, 1995.

[2] Bengel, Jonh Albert.  Gnomon of the New Testament  — 3 Volumes. T. & T. Clark, Edimburgh, 1873.


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

EFÉSIOS - SERMÃO 020 – A RELEVÂNCIA DA IGREJA - UM ALERTA AOS DESIGREJADOS - EFÉSIOS 3:1—13



Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.

EXPOSIÇÃO DA EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS


Introdução.

A. Nas três mensagens anteriores nós vimos o seguinte:

1. A Igreja como constituída de:

a. Cidadãos do Reino de Deus.

b. Família de Deus.

c. Templo de Deus.

B. A Igreja como parte do μυστήριον mistérion – mistério de Deus oculto deste a eternidade e revelado através dos ministérios de Jesus e dos apóstolos.

C. Paulo como um instrumento usado por Deus para nos revelar Seu plano, especialmente naquilo que é concernente à Igreja.

D. Mas naquelas mensagens anteriores nossa ênfase não estava concentrada na Igreja em si.

E. Por esse motivo desejo dedicar mais uma mensagem ao contexto de Efésios 1:1—13 para que possamos procurar entender, da melhor forma possível,

A RELEVÂNCIA DA IGREJA

I. No que diz Respeito à Relevância da Igreja, existem dois abismos que precisam ser evitados.

A. Confundir Relevância com Pompa, Riqueza e Institucionalização.

1. Este é um abismo em que muitas denominações têm mergulhado de cabeça. Estas denominações gostam de:

a. Riquezas

b. Pompa

c. Luxo

d. Construções imponentes reluzindo a ouro e prata seja por fora seja por dentro.

2. Baseadas em uma convicção equivocada estas denominações precisam dar ouvidos às palavras de Jesus quando disse ao moço rico:

Marcos 10:21

E Jesus, fitando-o, o amou e disse: Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me.

3. É uma verdadeira afronta à vasta maioria da população da terra a opulência e as riquezas exibidas por algumas denominações que se dizem cristãs. E agora a opulência pode ser vista em cores e ao vivo ao redor do mundo, seja via TV ou via internet.

4. Já dissemos, mas vale à pena repetir que — a verdadeira igreja de Deus não pode ser confundida com nenhuma das denominações existentes.

5. Existem algumas denominações que estão tão enfatuadas consigo mesmas que julgam que elas são idênticas a Jesus. São elas que “salvam”. São elas que “emendam” as vidas das pessoas. São elas que resgatam as almas perdidas, etc.

B. Considerar a Igreja Irrelevante.

1. Este é outro abismo. Mas ao contrário do anterior é um abismo em que milhões de cristãos desiludidos com as denominações têm mergulhado de cabeça.

2. Igreja? Pra que serve? Para muitos a palavra igreja traduz dor, sofrimento, angústia, desassossego e etc.

3. Muitos cristãos sinceros, mas equivocados, acreditam que podem seguir servindo e adorando ao Senhor de maneira solitária. Mas a grande verdade é que: “A alma virtuosa que está só é como a brasa que está só. Em vez de esquentar, ela torna-se cada vez mais fria — João da Cruz”.

4. A fé cristã não é mera fé intelectual. A fé cristã só pode ser vivida dentro de um contexto de comunidade.  

II. Por que a Igreja é Relevante?

A. A Igreja é Central à História da Humanidade.

1. A Igreja existe segundo o eterno propósito de Deus —

Efésios 3:10—11

10 para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais,

11 segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor,

2. Como tal ela era parte do grande mistério oculto desde os tempos eternos —

Efésios 3:9

E manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas

3. No que consistiam tanto o eterno propósito como este mistério de Deus? Consistia em:

a. Criar uma nova humanidade.

b. Humanidade esta que pudesse experimentar paz com Deus e paz uns com os outros.

3. Qual é a nossa visão da história?

a. Visão dialética — materialista como proposta por Karl Marx. Neste caso a história não faz absolutamente nenhum sentido. Ela pode ser explicada pela análise dos fatos passados que explicam o presente.

b. Visão ateísta — como proposta pelo biólogo nigeriano Richard Dawkins. No caso de Dawkins a história se resume ao desenvolvimento alcançado pelas espécies mais capazes, mas ainda assim a história não faz absolutamente o menor sentido.

c. Visão bíblica — Deus controla os desenvolvimentos históricos e está conduzindo a história para o ponto exato que Ele deseja. É isto que Efésios quer nos ensina —

Efésios 1:11

Nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade.

Efésios 2:10

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

Efésios 3:9

E manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas,

B. A Igreja é Central para a Mensagem do Evangelho.

1. Uma vez perguntaram ao filósofo alemão Friedrich Nietzsche porque ele odiava tanto a fé cristã. Sua resposta foi: Eu até creria na salvação em Cristo se os cristãos se parecessem um pouco mais com pessoas que foram salvas.

2. Foi para isto que Cristo veio: derrubar as paredes da separação. Para criar uma nova humanidade com pessoas de todas as raças, línguas, povos e nações.

3. Talvez nesta perspectiva as palavras de Jesus façam sentido quando disse —

João 17:20 - 21

Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.

4. A mensagem do Evangelho culmina com a conversão do pecador e sua inclusão na Igreja que é o Corpo de Cristo onde o crente está ligado, de maneira indissolúvel, com:

a. Cristo.

b. Todos os outros crentes.

5. Mas o que temos visto são divisões em cima de divisões. Temos transformados até o momento de comunhão mais significativo — a participação na comunhão da mesa do Senhor — em uma verdadeira farsa. Falamos muito de comunhão, mas nutrimos uma animosidade permanente contra nossos irmãos. Como isto pode ser possível?

6. Nos fechamos em pequenos grupos e “panelas” e nos tornamos insensíveis à dor  e ao sofrimento daqueles que estão lá fora.

7. Essas verdades, por sua vez, nos conduzem à terceira afirmação do porque a Igreja é relevante:

C. A Igreja é Central para a Vida Cristã.

1. O apóstolo Paulo tinha profunda convicção das verdades que anunciava. Por esse motivo ele enfrentou todo tipo de antagonismo e perseguição, mas nunca esmoreceu.

2. Paulo não desejava que seus leitores desanimassem diante das dificuldades que o apóstolo estava enfrentando —

Efésios 3:13

Portanto, vos peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória.

3. É a união que o Senhor Jesus nos oferece que nos proporciona a possibilidade de nos identificar uns com os outros, tanto nos momentos de alegria quanto naqueles de tristeza.

4. E esta união testifica para o mundo acerca da nossa fé em Cristo.

5. Nunca podemos nos esquecer que: Como Igreja de Deus nós somos:

a. A nova sociedade humana criada por Deus.

b. Parte da família de Deus.

c. O verdadeiro templo no qual Deus habita e somos Seus instrumentos neste mundo.

6. Por estes motivos nós devemos:

a. Produzir uma adoração que seja mais autêntica e menos afetada.

b. Manifestar uma comunhão que seja mais cuidadosa e carinhosa uns para com os outros.

c. Demonstrar uma atitude plena de compaixão para aqueles que estão lá fora, sofrendo sem Deus, sem paz, sem ninguém.

Conclusão:

A. Perguntas para ponderar:

1. Como nos atrevemos a considerar irrelevante aquilo que Deus considera relevante — a Igreja que é o Corpo de Cristo — e pelo que Jesus morreu e ressuscitou?

2. Como nos arrogamos a tratar com desdém aquilo que Deus considera central?

B. Todos nós, que somos crentes genuínos, precisamos tomar uma decisão diante de Deus e nos tornar membros responsáveis e ativos em nossa comunidade.

C. Nossa própria comunidade oferece inúmeras possibilidades de serviço. Existem muitas oportunidades para servir a Deus e ao próximo aqui mesmo. Quem se habilita?

D. Precisamos entender que Deus nos chamou para um patamar de vida mais elevado. Uma vida de serviço e de sacrifício segundo o exemplo estabelecido pelo próprio Senhor Jesus.

E. Se estivermos fracassando em alcançar esses objetivos, aqui está um bom lugar para recomeçar. Que possamos confessar a Deus nosso pecado de não conformidade e pedir que ele nos ajude a sermos o espelho que ele deseja que sejamos. Afinal, nosso Deus é rico em perdoar e especialista em usar pecadores como nós para expandir Seu reino.


OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 — A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS
EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

EFÉSIOS 4:4—6 — SERMÃO 025 — A IGREJA É UNA PORQUE DEUS É UM

EFÉSIOS 4:7—10 — SERMÃO 026 — UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 027 — OS DONS DE EDIFICAÇÃO DA IGREJA

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 028 — OS DOM DE PASTORES E MESTRES
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/efesios-sermao-028-o-dom-de-pastores-e_6.html

EFÉSIOS 4:12—16 — SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/efesios-sermao-029-o-proposito-dos-dons.html

Que Deus Abençoe a Todos

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.