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domingo, 4 de outubro de 2015

EDUCAÇÃO CRISTÃ -ESTUDO 009 - A Igreja Cristã no Brasil no Século XXI — PARTE 004



Ministérios da Igreja


CONTINUAÇÃO

IV – Consumismo e o Culto de Celebridades (Celebritismo)

O último, porém não menos importante que os três anteriores, é o consumismo e o culto de celebridades que se instalou em nossas igrejas como fruto da nossa perene dependência cultural, principalmente à forma do cristianismo como praticado nos Estados Unidos da América. Uma rápida folheada em nossas revistas evangélicas mais representativas (Defesa da Fé, Eclésia, Enfoque Gospel, Ultimato e Cristianismo Hoje) nos mostra o uso abusivo de celebridades evangélicas —pastores, professores, missionários, líderes denominacionais, autores, músicos e etc. — sendo usados para vender de tudo que se possa imaginar: livros, cadeiras e bancospara igrejas; seminários e conferências inclusive no exterior; cartões de crédito, cds, Dvds, softwares para computadores e jogos; cursos de teologia para qualquer nível de educação que os candidatos tenham; bíblias, livrarias, revistas, materiais educacionais para escola dominical e materiais para discipulado; candidatos a cargos eletivos, lojas e shoppings evangélicos, feiras e exposições; serviços de duplicação de Cds e Dvds e material escolar; hotéis, acampamentos e estâncias para realização de conferências, encontros e etc.; aparelhos de som e instrumentos; viagens para Israel, Disney e até lua de mel no Havaí; sítios da Internet e hospedagem de sítios, portais e provedores de Internet; agendas, papéis de carta e marcadores; tanques batismais e um curso de teologia Judaico Messiânico (seja lá o que isto quer dizer); mensagens de pastores que são celebridades em forma de DVD, cds e entrevistas; editoras, brinquedos e cirurgia plástica; filmes de média e longa metragem, desenhos animados, animadores e apresentadores de programas; perfumarias, cosméticos e medicamentos; camisetas e bonés, adesivos e stickers; louças manuscritas, quadros e fotos; emissoras de rádio e televisão, clinicas pastorais, jornais e festivais de musica; diversas organizações são vendidas sob o título “MINISTÉRIO”; preletores, dramatizações em áudio, treinamento missionário e faculdades; serviços bancários, vitrais e mosaicos decorativos; planos de saúde e serviços médicos; projetores e retroprojetores, serviços gráficos, móveis, devocionais diários e cruzeiros marítimos. Ah, e não se esqueça: “aceitamos dinheiro, cheque, VISA, Mastercard, American Express e Diners”! Acredite, nada do que foi listado acima é fruto de invenção. Está tudo anunciado nas revistas chamadas evangélicas.  Entre o que se vende gostaria de destacar três itens porque os mesmos possuem características especiais e servem como fetiches ou elementos de mistificação. Eles são:

A - Viagens para Israel – Começando com Caio Fábio na década de 80 e ainda bastante forte neste dias, salvo por uma ou outra “intifada” que mata milhares de pessoas, a maioria esmagadora de palestinos, apesar de a mídia insistir em mostrar Israel como sendo a vítima, este é um dos produtos mais vendáveis e mais rentáveis. Funciona mais ou menos assim: primeiro você descobre alguém que tenha um público, alguma celebridade e a convida para ministrar um curso em Israel. Depois você inventa um título pomposo —“Amigos de Sião” ou “Caravana Teológica” servem perfeitamente. Depois é só negociar com uma agência de viagens e pronto.  Todas as propagandas que promovem tais viagens deixam transparecer inúmeras mentiras tais como: “Deus vai ficar muito contente com você se você for visitar a terra santa” ou “Você atingirá um nível de espiritualidade incomparável ao visitar a terra santa” ou ainda “A Bíblia terá outro sabor se você visitar a terra santa” ou “Você será completamente mudado se você for batizado no rio Jordão, igualzinho a Jesus”. Tais mentiras, inferem claramente, que aqueles que não dispõe dos recursos para fazer tais viagens não agradam a Deus, que são inferiores espiritualmente, que não conseguem aproveitar a Bíblia como deveriam e que receberam um batismo de terceira comparado com o batismo no rio Jordão. Não, ir a Israel não faz de ninguém um cristão melhor. Pelo contrário, a ida a Israel, no esquema citado acima, normalmente transforma os viajantes em pessoas esnobes e arrogantes que passam a tratar os outros com desprezo. Se você não viajou e conhece alguém que viajou sabe muito bem do que estou falando.

B - Seminários, Convenções e Encontros — Esta é a versão mais barata do turismo evangélico. Existem hoje no Brasil tantos seminários e conferências e encontros oferecidos que a impressão que se tem é que toda semana tem um evento desses acontecendo em algum lugar do pais. As propagandas são sempre muito parecidas. Além de promoverem o evento, dão destaque para os preletores — alguns são verdadeiros arroz de festa—, para as acomodações, e fazem apelos singelos a favor do louvor e da comunhão. Muitos não escondem suas verdadeiras intenções e oferecem preços especiais para pastores que liderarem grupos para o evento. Um desses seminários comandados por um pastor estadunidense (a colonização continua firme), oferecia um regalo especial para o que eles chamavam de “pastor nota 10”. Na minha ingenuidade achei que pastor nota 10 fosse aquele homem que realmente servia a Deus e ao próximo seguindo o exemplo de Jesus Cristo. Eu estava enganado. O pastor nota 10 a que a propaganda se referia era o pastor que conseguisse inscrever pelo menos 10 pessoas para ouvirem o pastor estadunidense falar. E qual era o presente? Um workshop — a palavra oficina não servia? — com o próprio pastor estadunidense. Lembre-se, para participar deste encontro oferecido para um seleto grupo com a celebridade era necessário inscrever 10 pessoas no seminário. A pobreza do que se é apresentado em muitos destes seminários é tão absurda que ao retornar de um destes encontros as pessoas só falam das acomodações, do lazer, da alimentação e claro, do turismo local que tiveram oportunidade de fazer. Não lembram muita coisa do que foi falado, mas o louvor foi muito bom! Rever os amigos também foi ótimo. Existem verdadeiras confrarias de irmãos que se encontram todos os anos nos mesmos seminários. Frequentam os seminários para encontrar os amigos e para por as notícias em dia! Como não poderia ser diferente, nestes encontros se vende de tudo que foi alistado acima.

C – Bíblias – Este é um fenômeno novo. Até bem pouco tempo a única diferença que existia entre as Bíblias disponíveis no Brasil era o tamanho físico e a versão de Almeida, corrigida ou atualizada. De repente, aconteceu uma verdadeira inundação de bíblias de todos os tipos e para todos os gostos. Esse processo é chamado de segmentação e nas palavras de Russel Shedd: “esta segmentação veio para ficar”. Lembrando tudo que falamos até agora não será difícil imaginar de onde nós importamos a grande maioria das Bíblias que agora ilustram de maneira tão clara, até onde vai a ganância humana. Se você está pensando que nós importamos essas Bíblias dos Estados Unidos da América, você está absolutamente certo! A dominação que comentamos no início se mantém e agora da maneira mais perversa que é a representada por esta mercantilização descarada da palavra de Deus. Esta questão é da maior importância, pois é neste campo que uma enorme manipulação está acontecendo. Responda depressa: Você acha que é possível menos de 20 tupiniquins e estrangeiros, produzirem uma tradução completa da Bíblia (Antigo e Novo Testamentos), partindo do zero e utilizando somente os manuscritos originais, em 10 anos, sabendo que uma mesma tradução para a língua inglesa ocupou mais de 100 tradutores e demorou 25 anos para ser terminada? Desculpe-me, mas eu não acho possível. Todavia isto é o que os editores da Nova Versão Internacional (NVI) querem nos fazer acreditar. Aliás, diga-se de passagem, quem publica a NVI é uma organização estadunidense chamada de International Bible Society. Os problemas com esta tradução em português são vários.

Em primeiro lugar ela não é uma tradução completa do Antigo e do Novo Testamento baseada exclusivamente nos originais hebraico, aramaico e grego, por mais que os editores insistam em dizer que é. O diagrama de tempo apontado acima não permite tal proeza no prazo e com os recursos disponíveis. Ela é, quando muito, uma tradução do inglês com eventuais referências aos manuscritos originais. Uma leitura, mesmo superficial do capítulo 1 do livro de Gênesis em inglês e português da NVI, não deixa dúvidas acerca da afirmação anterior. A equivalência — palavra/idéia em um idioma que corresponde a uma outra palavra/idéia em outro idioma) — e, especialmente a sequência das palavras, como encontradas em português e inglês são inaceitáveis para uma tradução alegadamente independente e feita diretamente dos manuscritos originais. Basta ler qualquer outra tradução seja a Almeida Revista e Atualizada ou mesmo a Bíblia de Jerusalém e compará-las com a NVI para ficar bem evidente o que estamos falando.

Em segundo lugar esta tradução está sendo alardeada como a bíblia do século XXI e a propaganda deixa claro que outras traduções estão velhas e ultrapassadas.

Em terceiro lugar, é óbvio que, excluídos os interesses financeiros —porque os negócios envolvendo a produção e venda de bíblias são multimilionários —, não existe nenhuma necessidade da produção de uma nova tradução da bíblia em português já que a tricentenária tradução de João Ferreira de Almeida, iniciando com a chamada Tradução Brasileira de 1902 e através de suas revisões —revista, corrigida, atualizada, contemporânea, segunda edição e etc. — tem servido muito bem ao povo brasileiro. Além do mais, a própria Sociedade Bíblica do Brasil já tem produzido uma nova tradução visando atualizar a linguagem que é a Bíblia na Linguagem de Hoje (BLH)[1]. É inaceitável a promoção de uma tradução à custa de outras. As políticas mercadológicas de produção e venda de bíblias, especialmente dessas novas que estão surgindo, são tão descaradas que deveriam nos fazer corar de vergonha. A imposição da NVI, com as práticas mercadológicas condenáveis que a promovem, é mais um elemento na longa lista do que temos que engolir como resultado do abuso do poder econômico que estadunidenses, em nome do Senhor, tem utilizado para nos explorar. Não bastasse este embuste chamado NVI em português, temos sido brindados com algumas jóias da invencionice estadunidense tais como “A Bíblia de Estudo em Cores”, “A Bíblia Devocional da Mulher” — que existe também na sua versão para homens —, “A Bíblia Apologética” e uma multidão de bíblias “anotadas” começando com a de C. I. Scofield, passando pela de C. Ryrie e terminando com a indefectível Bíblia Shedd. Isso para não falar de Bíblias positivamente heréticas como a “A Bíblia do Expositor”” do imoral Jimmy Swaggart, a “Bíblia Apostólica” do contrabandista de divisas confesso, Estevam Hernandes, cujas notas são as mesmas utilizadas na “Bíblia do Thalles”, etc.  Quem poderia querer mais? A grande verdade é que apesar desta multiplicidade de bíblias, a palavra de Deus continua sendo ignorada e pessoas usam tais volumes como fetiches para indicarem algum tipo de superioridade por estarem apenas portando tais volumes. É lógico que os editores não estão preocupados se o povo está lendo tais bíblias. A preocupação deles está concentrada no volume das vendas. Visitando uma livraria evangélica nos Estados Unidos, é possível contar mais de 100 “segmentações” da bíblia. Então já dá para saber a quantidade de “segmentação” que estará vindo por aí e nos será imposta pelos nossos dominadores.

Depois da versão bíblica chamada “A Rocha”, que foi a primeira bíblia de estudos utilizando o texto da NVI, agora temos a Life Application Study Bible, que usa a versão do texto de Almeida Revista e Corrigida e que está sendo promovida com os seguinte dizeres: “Agora em Português, a Bíblia de Estudo número 1 em vendas. Mais de 40 milhões — imagine o lucro! — de Bíblias impressas no mundo”. A própria NVI tem uma versão com notas lançada no Brasil e como não poderia deixar de ser é alardeada com as seguintes palavras: “A Bíblia NVI é reconhecidamente a maior e mais completa do gênero em todo o mundo”. Ou seja, cada uma é melhor e maior que a outra. Isto além de constituir uma aberração é uma deslavada mentira, já que as duas não podem ser a “melhor” nem a “maior”!

Outro aspecto que temos que destacar também é o surgimento de bíblias voltadas para uma ou outra denominação como a “Bíblia de Estudos Pentecostal” que foi produzida para atender, de forma específica, aos conceitos teológicos das Assembleias de Deus. Os presbiterianos também já podem ser vistos portando garbosas “Bíblias de Genebra”, que é uma versão, sob encomenda, contendo a interpretação calvinista das escrituras. Será que não se percebe que a chamada segmentação zomba e menospreza da Bíblia como a palavra inspirada do soberano Deus? Precisamos de uma Bíblia só. Podemos até discordar em como interpretá-la em um ou outro ponto — cada um dará conta de si mesmo a Deus —, mas daí a criarmos e nos submetermos a esta miríade de versões é inaceitável. E promovermos uma versão em detrimento de outras, além de deixar bem claro a intenção mercantilista, é imoral para dizer o mínimo. [2] É importante destacar aqui, como não poderia deixar de ser, que a grande maioria dos missionários estadunidenses, trabalhando atualmente no Brasil, endossam e fomentam de forma entusiástica a NVI, e isto não é mera coincidência. Ele preferem uma tradução mais próxima da versão inglesa da NVI contra as versões de Almeida produzidas pela Sociedade Bíblica do Brasil.

Mas seriam esses problemas típicos somente da igreja brasileira? Conhecendo a história da igreja chamada cristã espalhada ao redor do mundo, temos profunda convicção de que esses problemas não são exclusivos da igreja brasileira. De fato a igreja chamada cristã no Brasil está inserida no contexto mundial e faz parte dum problema que transcende nossas fronteiras. A igreja chamada cristã no Brasil faz parte de uma civilização chamada cristã que é em muitos, senão em todos os aspectos, a negação completa daquilo que é o ensino claro das Escrituras.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 001

002 — A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 002

003 —A EXCELÊNCIA DA VIDA PESSOAL DAQUELES QUE DESEJAM ENSINAR — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA

014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002

015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/09/educacao-crista-estudo-015-o-que-o-novo.html
016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/educacao-crista-estudo-016-o-que-o-novo.html
017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-017-o-que-o-novo.html
018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-018-o-que-o-novo.html
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/educacao-crista-estudo-019-o-que-o-novo.html
020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-020-o-que-o-novo.html
021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-021-o-que-o-novo.html
Que Deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis

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[1] Existem ainda outras traduções como a promovida por um ministério que se autodenomina “educacional cristão” e responde pelo nome de Alfalit, bem como a tradução denominada TEB que quer dizer Tradução Ecumênica da Bíblia.

[2] Gostaria de ilustrar o mercantilismo corrente com o seguinte. A revista Vidamix, que é parte da nova mentalidade mercadológica que procura dissimular a propaganda em outras formas, editada pela Editora Vida para promover seus produtos, traz na capa da sua edição de número 7 do ano 4 a seguinte chamada: “Doce como mel – Texto fiel e claro da Bíblia NVI conquista leitores de Norte a Sul do pais, abrindo espaços inusitados para a evangelização”. A Editora Vida é parceira da International Bible Society na publicação e distribuição da Nova Versão Internacional da Bíblia no Brasil. No corpo da “matéria”, dentro da revista, a título de reportagem — mas que não passa de propaganda pura e simples — nós temos inúmeras citações de apoio ao produto: 1. “Com a NVI, a intenção é desconstruir impressões equivocadas sobre a Bíblia, mostrando que esta é a palavra de Deus hoje” (Robson Ramos, Diretor Executivo da Sociedade Bíblica Internacional). Aqui se infere que outras traduções causam impressões equivocadas e que não podem ser a palavra de Deus para hoje; 2. “O texto bíblico na Nova Versão Internacional foi escolhido oficialmente pela Associação Evangelística Billy Graham para a evangelização no Brasil” (Idem). A associação Evangelística Billy Graham teve inúmeras de suas campanhas financiadas pelos Rockfellers e fez parte do grande esquema de relações inconfessáveis citadas na primeira parte dessa introdução. E o próprio Billy Graham endossou — pelo seu silêncio e conivência — o genocídio de povos latino americanos e do sudeste asiático na década de 60,— ver obra citada: Thy Will Be Done – The Conquest of the Amazon: Nelson Rockfeller and Evangelism in the Age of Oil —,  bem como o genocídio, de mais de um milhão — 1.000.000 — de Iraquianos, a maioria crianças abaixo de 10 anos de idade — ver documentário produzido pelo jornalista australiano John Pilger para a BBC de Londres intitulado “Killing the Children of Iraq” — Matando as Crianças do Iraque —; 3. “Com a linguagem da NVI é mais fácil de entender a bíblia” — suposto presidiário encarcerado no complexo desativado do Carandiru na cidade de São Paulo —. Teria este presidiário tido a oportunidade de ler outra tradução e podido compará-las?; 4. “O texto da NVI é mais adequado tanto para evangelizar quanto para o uso nas igrejas, entre os crentes” — José Bernardo, Diretor da Associação de Missionários Mantenedores da Evangelização. É claro, as outras traduções são menos adequadas. 5. “A NVI é muito mais fácil de ser entendida pela garotada do que as versões mais tradicionais da bíblia” — Secretária de Educação da cidade de Custódia no interior do Pernambuco. A inferência é óbvia; 6. Temos que reconhecer que existem “muitas tribos indígenas no Brasil que nunca terão as Escrituras completas em sua língua. A melhor tradução da palavra que eles poderão ter acesso será a NVI, que é a melhor do mundo” — Jaime Carlos dos Santos, estadunidense radicado no Brasil a serviço da Missão Cristã Evangélica. Se é tão boa assim vamos levar a tradução em português para o mundo inteiro; 7. “A NVI é um ponto de referência para tirar dúvidas entre todas as versões que possuo. Ela garante uma interpretação melhor, pois sua tradução é mais clara e direta” — Alexandre Fonseca da Igreja Batista de Lauzane Paulista. As implicações são óbvias, as outras traduções não são claras e diretas e não servem como ponto de referência.  8. “Leio a NVI do púlpito e vejo que as pessoas compreendem melhor a mensagem” — Alexandre Ferreira Casimiro, vice-presidente da Igreja Batista Bíblica Nacional. A NVI é melhor compreendida, o pastor vê isto do púlpito, não se trata de estudo científico; 9. “Tenho várias Bíblias, mas a que mais me toca é a NVI” — Erwiton Edgar Briljants de São Paulo. Essa é uma opinião pessoal e totalmente irrelevante. Diante de tanta propaganda, perguntamos como o editor da revista não se envergonha de apresentar a matéria como reportagem? Não tem nada de reportagem. Uma “reportagem” que endossa 100% um determinado produto é como um conto da carochinha. No começo da pretensa reportagem ainda é contada a estória duma tal de “Edna” visando indicar a superioridade de NVI. Na estória de Edna, se colocam as seguintes palavras na boca de um marginal “devidamente maquinado”: “Minha mulher também é estudante de direito. Ganhou duas Bíblias na Nova Versão Internacional. E a minha?” Seria realmente cômico se não fosse trágica a pretensão embusteira. Até poderíamos aceitar que o ladrão pedisse uma Bíblia para a Edna. Mas daí a dizer “eu quero uma Bíblia, mas tem que ser na versão NVI” já é demais. Temos que ter muita santa paciência para lidar com estes manipuladores inescrupulosos! 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

COMO A IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS DESEJA CONTROLAR A PRÁTICA ESPORTIVA NO BRASIL

Ministro dos Esportes vinculado ao PRB que é controlado pela IURD

O artigo abaixo foi publicado pelo site Gnotícias e é de autoria de Johnny Bernardo

A IURD e o Esporte como estratégia de crescimento

Por Johnny Bernardo

Com pouco mais de 2 milhões de membros – oito milhões, segundo a IURD – a Igreja Universal do Reino de Deus elegeu o esporte como uma de suas várias estratégias de crescimento. Articulada pela Força Jovem Universal, a iniciativa ganhou contornos federais com a indicação de George Hinton (PRB-MG) como o novo ministro do Esporte, no lugar de Aldo Rebelo (PCB-SP). Além do governo federal, o PRB assume quatro secretarias de esporte: São Paulo, com Jean Madeira; Minas Gerais, com Carlos Henrique; Ceará, com David Durand; e Distrito Federal, com Leila Barros. Além de Brasília e Estados o PRB ampliou sua presença em diversos municípios a pouco menos de um ano para os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Existente desde a fundação da IURD, em 1977, mas com crescimento expressivo apenas na última década, a Força Jovem Universal (FJU) é uma das apostas do crescimento da Igreja em um seguimento pouco explorado pela Igreja Católica. Grande parte do quadro eclesiástico da IURD advém de jovens alcançados e formados pela FJU – o que inclui ex-detentos. Edir Macedo foi sagaz ao perceber a baixa presença de jovens em seminários católicos e a sua capacidade de produção, quando direcionada. De fato, os jovens constituem hoje uma das maiores forças da IURD e com tendência de crescimento. A guinada Universal se dá em um momento de efervescência juvenil, com as Jornadas de Junho, os movimentos de inclusão da juventude brasileira. Uma estratégia!

Atuando em cinco frentes, a FJU diz ter “beneficiado mais de dois milhões de jovens em todo o país”. Além dos projetos Arcanjo, VPR (Visão, Planejamento e Realização), Uniforça e o Força Jovem Universitários (FJUni), a FJU possui o projeto Esportes. Segundo a organização, “quem faz parte do grupo Força Jovem Universal tem a oportunidade de praticar diversas atividades esportivas”. As atividades incluem exercícios físicos, futebol, basquete, vôlei, boxe, judô entre outras modalidades esportivas. Nas eleições 2014, a Igreja Universal – por meio de seu braço político, o PRB – promoveu uma expressiva articulação com a finalidade de uma possível participação no ministério e secretarias do esporte, respectivamente. O objetivo é colar a imagem da Igreja Universal nos Jogos Olímpicos e expandir sua presença entre os jovens, em uma tentativa de consolidação internacional.

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."

Por Johnny Bernardo
Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da religiosidade brasileira e das relações entre religião e sociedade, autor de dois livros (dentre os quais a Enciclopédia Temática de Religião), colunista do Gnotícias e do Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC), e está em fase de conclusão do licenciamento em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP).

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


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Alexandros Meimaridis

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sábado, 20 de junho de 2015

HOMOSSEXUAIS CONTINUAM BUSCANDO PRIVILÉGIOS



A entrevista abaixo foi publicada no site da revista Cristianismo Hoje,

Entrevista com o jurista Uziel Santana

Governo e movimento homossexual tentam aprovar medidas aumentando conceito de homofobia

Escrito por  Por Carlos Fernandes

Muitos evangélicos comemoraram o anúncio de que o Projeto de Lei (PL) 122/06 – a famigerada lei anti-homofobia – foi arquivado no Senado Federal. Mera questão regimental, que obriga ao arquivamento toda matéria em tramitação há mais de duas legislaturas, a medida não encerra a delicada questão sobre até que ponto a discriminação aos homossexuais pode ser considerada crime. Muito pelo contrário. Já estão em andamento duas outras propostas – uma no próprio Congresso, e outra, no Supremo Tribunal Federal – que retomam a discussão da matéria. Em ambas, o risco ao direito de opinião sobre a homossexualidade continua presente, de acordo com o advogado Uziel Santana, presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure). A entidade, que promove a defesa das liberdades civis fundamentais, como a religiosa e a de expressão, tem atuado na linha de frente no enfrentamento do que considera riscos à livre expressão da fé e à defesa dos valores cristãos, perante a sociedade e nas esferas jurídica e política.
Crente batista, Uziel acredita que o sentimento anticristão que cresce na sociedade brasileira tem como um de seus protagonistas a militância gay. “O movimento homossexual tem sido atuante junto ao governo”, acredita. Segundo ele, há uma predisposição para aprovar a criminalização da homofobia, e o perigo é a ausência de salvaguardas à livre expressão religiosa e à objeção de consciência, previstos constitucionalmente. “O movimento gay ganhou a cultura. Juridicamente, a família brasileira, do ponto de vista como a conhecemos, já foi desconstruída. Hoje, é a homofobia. Amanhã, o que será tipificado? O crime de opinião?”, questiona.

CRISTIANISMO HOJE – Com o arquivamento do PL 122/06, no começo de janeiro, o assunto está encerrado?

UZIEL SANTANA – Não. Este é um tema muito importante de ser esclarecido. O arquivamento é previsto no regimento do Congresso Nacional toda vez que começa uma Legislatura. A ameaça ainda existe. Há uma grande pressão dos movimentos sociais – e, particularmente, do movimento gay, que tem uma visão anticristã – para que o tema da homofobia volte a ser discutido.
Mas ele seria discutido nos mesmos termos do projeto?
A primeira versão do PL 122/06 era horripilante, draconiana mesmo, e foi completamente inspirada pela militância. O movimento homossexual, naquela época, já estava presente em ministérios do governo federal e atuante desde que o então presidente Lula implementou a política pública Brasil sem Homofobia. Foi tudo muito bem tramado, tanto que a iniciativa do projeto partiu de uma então deputada petista, a Iara Berrnardi.

Se havia todo esse panorama favorável, por que o PL 122/06 não foi aprovado?

A reação a isso começou antes mesmo que pastores como [Silas] Malafaia aparecessem gritando na mídia. Primeiramente, foi uma ação técnica, e mais tarde, de pressão mesmo, depois que o assunto ferveu. Só que a reação da igreja foi desproporcional, e acabou fazendo com que o nosso discurso se tornasse intolerante. Assim, a ação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) foi facilmente enquadrado como um discurso de ódio, de preconceito homofóbico, e alguns deputados acabaram caindo nisso. Muitos evangélicos comemoraram o arquivamento do PL 122, mas já existe outro projeto, o de nº 7583/14, da deputada Maria do Rosário [PT/RS], que visa a tornar crime os atos de intolerância contra LGBT e outros grupos vulneráveis. Uma das reivindicações é a inserção dos termos “orientação sexual e identidade de gênero” na lei antirracismo em vigor. Essa vai ser a versão que o governo vai defender no Congresso na atual Legislatura.

O governo tem interesse na aprovação?

Como o governo atual foi reeleito sem o apoio maciço dos evangélicos, ele não será light no tratamento da questão, como aconteceu no mandato passado. Entre 2010 e 2014, houve concessões, como na questão do kit-gay [N. da Redação: o chamado kit-gay era um conjunto de apostilas e materiais de estudo destinado às escolas de ensino fundamental sobre diversidade sexual e tolerância à homoafetividade, interpretado por muitos como apologia ao comportamento homossexual. Por pressão política e precisando de apoio da base parlamentar para manter a governabilidade, o governo recuou na intenção de distribuí-lo aos estudantes da rede pública]. Agora, não haveria mais freios, e o governo está disposto a aprovar o projeto como está. Mas isso não é tudo. Lá atrás, houve uma manobra da Frente Parlamentar Evangélica para que o PL 122 entrasse na reforma do Código Penal, como uma estratégia para enfraquecê-lo. A Anajure entende que não foi uma boa manobra, porque, caso a matéria venha a ser aprovada no novo Código Penal, isso dará mais força à questão do que será considerado crime de homofobia. Uma coisa é uma lei penal qualquer; outra é o próprio Código Penal tipificando esse crime.

O projeto que vai para o Congresso restaura os principais – e mais preocupantes, para os evangélicos – pontos do PL 122?

Sim, quase todos os pontos, inclusive com uma técnica legislativa bem sutil e sofisticada, de maneira que um leigo, ao lê-lo, não entenda exatamente o que está ali proposto. Um deles é a questão das escolas e seminários teológicos. Pela proposta original, se um desses estabelecimentos não admitirem um aluno pelo fato de ele se declarar homossexual, seria crime: o reitor poderia ser penalizado e a instituição, fechada por até três meses. Isso é algo que voltou na nova versão de Maria do Rosário. Outro aspecto muito comentado na época também está incluído, o que trata da chamada discriminação no trabalho. Se uma dona de casa dispensar a babá por ela ser lésbica e a mãe entender que isso não é uma boa influência para seus filhos, isso também seria crime, com pena de prisão e estabelecimento de multa – o que fere um direito garantido na Constituição, que é a questão da objeção de consciência.

Mas o Congresso não aprovou o PL 122. A tendência não é a mesma em relação à outra proposta?

Há outro caminho aí. No Supremo Tribunal Federal [STF], tramita a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade por Omissão [ADO] 26, proposta ano passado pelo PPS. Ela pede para o Supremo julgar, lá em cima, se o Congresso está sendo omisso ao legislar sobre a matéria da homofobia. Então, diante da urgência da questão social, a Corte assume a função do Congresso e pode passar a considerar que existe o crime de homofobia em determinadas situações. Isso já aconteceu em 2011, quando o SFT reconheceu a união civil homossexual. Como o Congresso não legislou sobre o matrimônio gay, o Supremo avocou para si o papel, e o resultado foi uma grande conquista do movimento homossexual. Agora, a estratégia é a mesma, e até a Procuradoria Geral da República se manifestou a favor. A Anajure já fez um parecer mostrando aos líderes o grande perigo disso.

Qual é o perigo?

Se isso passar, vai se criar uma enorme insegurança jurídica. É ponto pacífico na academia que um tribunal não pode legislar em matéria penal. Além disso, o que a sociedade precisa entender é que o tema não afeta apenas a liberdade dos religiosos, que podem ser tolhidos de manifestar sua opinião sobre a homossexualidade de acordo com seus princípios de fé. O que vier a se tipificar como discriminação contra gays pode afetar também o trabalho e a independência de opinião de professores, pesquisadores, historiadores, jornalistas… Hoje, é o crime de homofobia. Amanhã, o que será tipificado? O crime de opinião?

Na sua opinião, o STF é simpático à proposta?

Totalmente. O advogado que defendeu a causa da união homossexual, Luis Roberto Barroso, é hoje ministro do Supremo. Ele está lá dentro, e há outros que podem defender a tese. Essa briga jurídica tende a crescer. O que nós vamos defender, além da impossibilidade de o STF legislar sobre matéria penal, é que, ainda no caso de a proposta passar, que se exclua o discurso religioso do que vier a se considerar crime de homofobia. Vamos pedir que, na mesma decisão, seja estabelecido que não se pode interpretar como crime de homofobia a simples pregação de um religioso, no espaço público ou privado, de que a homossexualidade é pecado.

Essa ideia tem recebido apoio do segmento evangélico?

Já temos mobilizado convenções denominacionais, como a Convenção Batista Brasileira e a Convenção Batista Nacional, além da Aliança Cristã Evangélica, para subscrever uma petição a fim de que também possamos participar desse julgamento na condição de interessados na causa.

O senhor acha que a chamada heterofobia está crescendo?

O movimento gay já ganhou a cultura. Na época da II Guerra Mundial, a Alemanha nazista criou o termo Jüdische Schuld, para culpar os judeus por tudo. Existe no país, hoje, uma noção de que tudo é culpa dos cristãos. E isso não é só por conta do movimento gay, claro. Existem outros inimigos aí – o secularismo, o feminismo, o laicismo entendido como a ausência total de religião. Juridicamente, a família brasileira, do ponto de vista como a conhecemos, já foi desconstruída com a possibilidade do divórcio instantâneo, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays. Agora, o foco está nas crianças e nos adolescentes, predispondo-os ao comportamento gay. Como jurista cristão, entendo que todas as pessoas devem ter direitos e liberdades individuais na opção sexual. Isso está dentro do espectro de liberdade constitucional, assim como a questão dos direitos patrimoniais. O problema é que, no Brasil, a militância homossexual quer ir além. Em nenhum lugar do mundo, o movimento LGBT tentou fazer algo parecido. A ênfase dos projetos de lei é mais na possibilidade de prisão do que na educação da sociedade. A equação tem de ser bem feita. De um lado, a gente não pode impor a nossa moral cristã a ninguém; por outro lado, não podemos aceitar que a nossa liberdade religiosa e de expressão venha a ser atacada por qualquer que seja a militância, minoria ou maioria.

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:

http://www.cristianismohoje.com.br/entrevistas/entrevistas-nacionais/entrevista-uziel-ch45

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Que Deus dê discernimento aos evangélicos para lutarem pela justiça e não tentarem colocar a culpa de tudo nos homossexuais.

Alexandros Meimaridis

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