segunda-feira, 16 de maio de 2016

ATOS DOS APÓSTOLOS - SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO - Atos 6:8—12

Disputa de Estéfano - Pinacoteca de Brera - Milão

Esse material é parte de uma série de mensagens pregadas no Livro dos Atos dos Apóstolos. As mensagens cobrem todos os 28 capítulos do Livro de Atos e no final de cada mensagem, você poderá encontrar links para outras mensagens.


Introdução

A. Logo após o derramamento do Espírito Santo, registrado em Atos 2, em cumprimento à profecia de Joel 2, Lucas nos informa que mal a Igreja cristã começou, também começaram as perseguições externas e os problemas internos.

B. Esses fatos fazem ruir, por completo, a pretensão de muitos que dizem que precisamos retornar aos dias e às práticas da Igreja Cristã Primitiva, como se ela fosse um modelo isento de dificuldades. Não era! E, como já tivemos oportunidade de perceber, aqueles irmãos além de sofrerem ataques externos, estavam também sujeitos a problemas internos, tais como:

1. A prática de mentira e de atitudes hipócritas como no caso de Ananias e Safira — ver Atos 5:1—11.

2. A prática da murmuração como no caso das viúvas dos gregos que estavam sendo desprezadas na distribuição diária de alimentos – ver Atos 6:1.

C. Temos que entender que o fato de sermos justificados — declarados justos em Cristo — não equivale a dizer que nos tornamos moralmente perfeitos. Nós somos pecadores e, onde existem pecadores, sempre haverá pecado e suas tristes consequências.  
D. Mas a existência do pecado na vida dos indivíduos e das comunidades cristãs nunca foi empecilho para o Senhor fazer Sua obra. Nem naqueles dias. Nem nos dias de hoje.

1. Assim, a missão cristã de levar avante a mensagem do Evangelho prosseguiu, apesar dos problemas internos.

2. O evangelho chegou à Samaria — ver Atos 8:4—40 — alcançou o fariseu Saulo de Tarso — ver Atos 9:1—31 — e, por fim chegou aos gentios através da conversão de Cornélio — ver Atos 10:1—11.18.

E. E toda essa expansão teve início com... 

UM HOMEM CHAMADO Στέφανος — Stéfanos — ESTÊVÃO = COROADO

I. Estêvão – verso 8.

A. Estêvão é caracterizado nas páginas do livro de Atos como um homem: ver Atos 6:3 e 8

1. De boa reputação.

2. Cheio do Espírito Santo.

3. Cheio de Sabedoria.

4. Cheio de graça, i. e., de uma personalidade graciosa parecida com a do próprio Senhor Jesus.

5. Cheio de poder que era capaz de fazer prodígios e sinais entre o povo.

B. Lucas deixa claro que o exercício do poder para praticar sinais e prodígios era algo exclusivo dos apóstolos —

Atos 2:43

Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos.

Atos 5:12

Muitos sinais e prodígios eram feitos entre o povo pelas mãos dos apóstolos. E costumavam todos reunir-se, de comum acordo, no Pórtico de Salomão.

— mas é óbvio que Estêvão e Felipe — dois dos sete escolhidos pela comunidade para conduzir a distribuição diária dos alimentos — eram exceções à essa regra —

Atos 6:8

Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.

Atos 8:6

As multidões atendiam, unânimes, às coisas que Filipe dizia, ouvindo-as e vendo os sinais que ele operava.

C. A alegação de que tamanha manifestação de poder deve ser exibida nos dias de hoje por todos os pastores não se sustenta nem pelas Escrituras nem pela realidade dos fatos.

D. É óbvio que as ações de Estêvão — suas pregações e milagres — despertavam nos judeus o mesmo tipo de antipatia e inveja que o Sinédrio já tinha manifestado pelos apóstolos —

Atos 5:17—18

17 Levantando-se, porém, o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, isto é, a seita dos saduceus, tomaram-se de inveja,

18 prenderam os apóstolos e os recolheram à prisão pública.

E. A pregação da verdade vai sempre incomodar as pessoas e não foi diferente no caso de Estêvão com relação aos judeus que frequentavam a Sinagoga dos Libertos, em Jerusalém. Estêvão ia lá para pregar a salvação em Cristo e estava enfrentando oposição de muitos naquele ambiente.

F. Tal oposição é ilustrativa do que aconteceu muitas outras vezes na história da igreja e do que tem acontecido, inclusive, até mesmo nos dias de hoje.  

II. Os Inimigos de Estêvão – verso 9—10.

A. Os inimigos de Estêvão estavam centrados em uma sinagoga chamada Sinagoga dos Libertos.

B. Sinagoga — As sinagogas foram idealizadas pelos judeus como uma forma de compensação pela destruição do Templo em Jerusalém pelos babilônios.

1. Nelas era possível ler as Escrituras Sagradas e ouvir uma exposição das mesmas, inclusive com tradução para outros idiomas. Era um fórum democrático e qualquer mestre, reconhecido como tal, podia fazer uso da palavra — ver Lucas 4:16—30.

2. Era também possível oferecer orações e participar de eventos comunitários. Não havia a apresentação de nenhum tipo de sacrifício como acontecia no Templo.

3. A sinagoga foi um passo importante na transformação da fé judaica, de uma fé centrada no 
sacerdócio, no Templo em Jerusalém e nas Escrituras do Antigo Testamento, para uma fé centrada nos rabinos, na sinagoga e no Talmude — essa horrorosa invenção dos rabinos judeus escrita para descaracterizar o texto do Antigo Testamento.

4. Ela também serviu de modelo para a forma adotada pela Igreja Cristã com seus “prédios”, chamados de “igreja” e seus líderes, chamados de “pastores”.  

C. Libertos. Essa é uma palavra curiosa. Ela nos é apresentada no Novo Testamento como Λιβερτίνων Libertínon — e é uma transliteração do termo latino equivalente: “libertini”. Eram chamados de “libertos” todos aqueles que, alguma vez em suas vidas, haviam sido escravos dos romanos e que haviam sido postos em liberdade.

D. Aparentemente, muitos desses escravos libertados eram judeus da diáspora e alguns se mudaram para Jerusalém vindo de regiões distantes, como o norte da África — Cirenaica e Alexandria — do norte da Palestina — Cilícia, onde estava localizada a cidade de Tarso — e da Ásia. Eles retornavam para: 1) se aposentar em Jerusalém; 2) morrer e ser sepultado próximo do templo de Deus, pois consideravam isso, de forma supersticiosa, um privilégio que os distinguia das outras pessoas.

E. Era nessa sinagoga que Estêvão costumava congregar e, como era mestre, ensinar acerca de Jesus e da ressurreição. O texto de Atos nos diz que aqueles homens não podiam resistir “à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava” – ver Atos 6:10 e comparar com Lucas 12:11—12 e 21:14—15.

III. As Táticas Utilizadas Pelos Inimigos de Estêvão – versos 11—15.

A. Tudo começou com um questionamento acerca daquilo que Estêvão estava ensinando.

B. Não tendo argumentos para discutir — grego συζητέω suzetéo = procurar ou examinar algo juntos; no Novo Testamento é usado no sentido de: discutir, disputar e questionar — os inimigos de Estêvão resolveram apelar para a ignorância. 

C. Quando faltam argumentos sobram atos de violência e crueldade. Alguns desses atos são sutis, mas outras vezes, são bem acintosos. Nesse caso, para os inimigos de Estêvão, não havia nada que “um pouco de lama” não fosse suficiente para resolver o problema.

1. Eles subornaram alguns homens para inventarem mentiras contra Estêvão, alegando que ele havia proferido blasfêmias — denegrido — contra Moisés e contra Deus — verso 11.

2. Com isso eles conseguiram criar um movimento de oposição a Estêvão e seus ensinamentos, que era suficiente para sublevar o povo, os anciãos e os escribas — verso 12a.

D. Dessa forma, com toda essa mobilização, eles foram capazes de prender Estêvão e arrastá-lo para o Sinédrio — verso 12b.

E. Assim, a oposição ao nível teológico degenerou em falsas acusações e mentiras até culminar com a violência da prisão.

Conclusão

A. A Comunidade Boas Novas é uma comunidade de pessoas justificadas — declaradas justas por Deus — mas não pretende que seus membros sejam moralmente perfeitos. Somos todos pecadores e se alguém está aqui à procura da igreja perfeita, queremos deixar claro que esse não é o lugar certo para você.

B. Nós somos como a Igreja Cristã Primitiva, somos uma comunidade de pessoas imperfeitas que luta contra o pecado no indivíduo, na comunidade cristã e na sociedade. Não temos, em nenhum momento que seja, a pretensão de sermos moralmente perfeitos. Nós somos todos pecadores.

C. Infelizmente, temos que compreender que:

1. Sempre existirão aqueles que usam as dificuldades causadas pelo pecado, como uma desculpa que acham aceitável, para se afastarem da comunhão cristã. No fundo essas pessoas se acham “boas demais” para se misturar com reles pecadores. É fácil identificar essas pessoas:

a. Elas não aceitam que cometem erros também e nunca pedem perdão por seus pecados.

b. Sendo assim “perfeitos”, essas pessoas além de não reconhecerem seus erros e pedir perdão pelos mesmos, não admitem o pecado na vida dos outros e não estão dispostos a perdoar quando alguém lhes é ofensivo. Tudo isso não passa de grossa hipocrisia.

c. Sempre existirão aqueles que não irão aceitar os ensinamentos das Escrituras e irão preferir se apegar às suas tradições e aos ensinamentos a que estão acostumados. Para esses também é mais fácil largar mão de tudo e se afastar da comunhão ou, quando possuem o poder em suas mãos, agir de forma truculenta.

D. Temos que entender, de uma vez por todas que:

1. A expressão “igreja” em grego se refere sempre ao um grupo de pessoas e nunca é usada no Novo Testamento para se referir a nenhum tipo de construção.

2. As palavras gregas “pastor”, “bispo” e “presbítero” são meros descritores de função e nunca foram usadas no Novo Testamento com títulos para indicar a importância de uma pessoa ou destacar e diferenciar um irmão dentre os outros.

E. Nossa força deve centrada em Deus e na Sua Palavra — a Bíblia. É dela que devemos derivar todos os nossos argumentos e depender de Deus para vê-los triunfar.

F. Não podemos em nenhuma hipótese ou circunstância e, sob nenhum tipo de alegação, lançar mão de meios escusos ou violentos para fazer prevalecer nosso ponto de vista ou forma como entendemos algo.

G. Que outros façam uso desses recursos contra nós. E que nós possamos sempre confiar em Deus para que Ele nos livre de fazer uso de tais coisas perversas.

Que Deus ilumine e abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

OUTRAS MENSAGENS DO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS

SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 002 — INTRODUÇÃO AO LIVRO DOS ATOS DOS APÓSTOLOS — PARTE 2 — Lucas 1:1—4 e Atos 1:1—2

SERMÃO 003 — A TRANSIÇÃO DO VOLUME ANTERIOR — Atos 1:1—5

SERMÃO 004 — A NOVA DIREÇÃO EXPLICADA — Atos 1:6—8

SERMÃO 005 — A ASCENSÃO DE JESUS — Atos 1:9—11

SERMÃO 006 — PERSEVERANDO UNÂNIMES — Atos 1:12—26

SERMÃO 007 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 001 — Atos 2:1—4

SERMÃO 008 — O DIA DO PENTECOSTES – PARTE 002 — Atos 2:5—15

SERMÃO 009 — A PROFECIA DE JOEL — Atos 2:14—21

SERMÃO 010 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 001 — Atos 2:22—36

SERMÃO 011 — O PRIMEIRO SERMÃO — PARTE 002 — Atos 2:37—41

SERMÃO 012 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47

SERMÃO 013 — A VIDA DOS PRIMEIROS CRISTÃOS — Atos 2:42—47 — PARTE 002

SERMÃO 014 — A CURA DE UM PARALÍTICO DE NASCENÇA — Atos 3:1—10

SERMÃO 015 — A EXALTAÇÃO DE JESUS E A CONDENAÇÃO DOS HOMENS — Atos 3:11—21

SERMÃO 016 — SALVAÇÃO E REFRIGÉRIO: BÊNÇÃOS DAS DUAS VINDAS DE JESUS— Atos 3:17—21

SERMÃO 017 — JESUS CUMPRE AS PROFECIAS DO ANTIGO TESTAMENTO — Atos 3:22—26

SERMÃO 018 — INÍCIO DAS PERSEGUIÇÕES — Atos 4:1—22

SERMÃO 019 — A IGREJA ORA EM COMUNHÃO — Atos 4:23—31

SERMÃO 020 — A IGREJA VIVE EM COMUNHÃO — Atos 4:32—37

SERMÃO 021 — ANANIAS E SAFIRA — Atos 5:1—11

SERMÃO 022 — A COMUNIDADE DOS CRENTES — Atos 5:12—16

SERMÃO 023 — PRISÃO, JULGAMENTO, AÇOITES = ALEGRIA E O PARECER DE GAMALIEL — Atos 5:17—42

SERMÃO 024 — DIVERSIDADE DE DONS = CRESCIMENTO DA IGREJA — Atos 6:1—7

SERMÃO 025 — UM HOMEM CHAMADO ESTÊVÃO — Atos 6:8—12
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