quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SERMÃO PARA O DIA DA REFORMA DE 2012 - MARCOS 7:1-13


RELEMBRANDO A REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVI



A REFORMA PROTESTANTE SOB A PERSPECTIVA DO TRADICIONALISMO

Marcos 7:1—13

Introdução –

• Quando Jesus andou entre nós:

 Ele mesmo escolheu doze homens para acompanhá-lo de perto. Esses homens foram designados pelo próprio Senhor como ἀπόστολος – apóstolos. Esta expressão possui os seguintes significados.

 Geral: Um delegado, mensageiro, alguém enviado com ordens.

 Exclusivo, como nesse caso: alguém enviado com as mesmas prerrogativas daquele que o enviou – ver Lucas 6:13.

 Além desses doze o SENHOR também tinha outros setenta discípulos, também designados por ele, mas não como apóstolos – ver Lucas 10:1.

 Os doze tiveram a oportunidade de conviver com Jesus, de acompanhá-lo, ouvir seus ensinamentos, e foram testemunhas dos seus milagres e da sua poderosa ressurreição. E essas eram as condições “sine qua non” ninguém poderia assumir o lugar deixado vago por Judas – ver Atos 1:20—22.

 Jesus não teve tempo para ensinar tudo que precisava aos seus apóstolos, mas prometeu que lhes enviaria outro παράκλητος – paráckletos – Consolador – ver João 14:16. “Outro” aqui significa outro do mesmo tipo, da mesma qualidade. Alguém que poderia substituí-lo com perfeição.

 Jesus prometeu aos apóstolos o seguinte com relação a esse outro consolador, que também é chamado de ἅγιον πνεῦμα – Ágion Pneuma – Santo Espírito, quando ele viesse: esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito – ver João 14:26.

• E assim foi. O Senhor ascendeu ao céu de onde o aguardamos – ver Atos 1:11; Filipenses 3:20—21 – e seus apóstolos seguiram suas instruções e receberam o Espírito Santo como prometido – ver João 20:22. Mais tarde o Espírito Santo foi derramado sobre todos os crentes, criando a Igreja, conforme a promessa de Deus feita através do profeta Joel – ver Joel 2:28—29 e comparar com Atos 2:16—20. O Espírito Santo nos une com Cristo em Seu Corpo que é a Igreja e também nos une uns aos outros – ver 1 Coríntios 12:13.

• O Espírito Santo então, foi instruindo aos apóstolos não apenas na propagação do Evangelho, mas também inspirou vários deles para que escrevessem um corpo variado de literatura – Evangelhos, Livro de História, Cartas endereçadas a igrejas locais e a indivíduos, e um livro profético que foi chamado de Apocalipse.

• Nesse material encontra-se compilado o que chamamos de Novo Testamento. Jesus ensinou sua Igreja tudo o que ela precisava para crescer forte e fiel à sua vontade.

• Mas, como o próprio Senhor nos ensinou a Igreja visível seria sempre uma mistura de crentes verdadeiros e pessoas incrédulas – ver a parábola do “Joio e do Trigo” em Mateus 13:24—30 e 36—43.

• Essa mistura causou e tem causado muitas dificuldades dentro da igreja, especialmente quando homens incrédulos passaram a assumir posições de liderança dentro de estruturas humanas, que foram se tornando cada vez mais sofisticadas e longe da simplicidade do Evangelho. Uma dessas dificuldades tem a ver com o problema causado pelas tradições – ou invenções – humanas, que foi um dos fatores que levou nossos irmãos do passado a promover aquilo que chamamos de Reforma Protestante do Século XVI que teve início no dia 31 de Outubro de 1517 na cidade de Wittenberg. Naquele dia um monge agostiniano pregou nas portas da catedral da cidade uma série de 95 teses disputando certas práticas tradicionais da religião católica romana. Esse é o motivo porque queremos falar hoje da

REFORMA PROTESTANTE SOBRE A PERSPECTIVA DO TRADICIONALISMO

I. A Igreja se Institucionaliza e Inventa Tradições

• O primeiro grande erro e distanciamento dos ensinamentos de Jesus veio através da institucionalização da igreja. Em vez de se manter como um organismo vivo, a igreja foi transformada em uma instituição, geralmente confundida com edifícios que passaram a ser chamados de “igreja”, algo que é completamente estranho aos ensinamentos do novo testamento.

• O segundo grande erro veio através da criação de uma casta sacerdotal que criou um terrível abismo entre essa casta e o resto dos irmãos. Criou-se e foi perpetuada uma divisão, verdadeiramente diabólica, entre “o nós e o eles”. Mas o Novo Testamento é claro: Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz; vós, sim, que, antes, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia – 1 Pedro 1:9—10. A casta sacerdotal, como não poderia deixar de ser, veio rigidamente verticalizada, como se fosse um exército e não uma comunidade de irmãos.

• A Institucionalização e a hierarquização da igreja facilitaram, na maior parte das vezes, que a igreja visível fosse controlada por homens incrédulos cujas práticas nos enchem de vergonha e nem é apropriado mencionar muitas das mesmas em um sermão.

• Um dos pecados mais sérios inventados pelos homens incrédulos no seio da santa igreja do Senhor tem a ver com aquilo que chamamos de tradições humanas.

• O nosso propósito é responder, com essa mensagem, às seguintes questões:

 1. O que são tradições?

 2. As tradições são sempre erradas?

 3. Se não, quando uma tradição se torna errada?

 4. Olhando para nossas próprias vidas, de que forma nós podemos nos tornar culpados de praticar o pecado do tradicionalismo?

• Bem vamos começar:

I. O Significado das Tradições.

• As tradições humanas surgiram cedo na história da igreja e quando a Igreja Católica Apostólica Romana se estabeleceu – entre os séculos V e VI d.C. inúmeras tradições já estavam em voga entre os cristãos espalhados pelo Oriente, pelo norte da África e pela Europa.

• Mas nem todos os grupos cristãos aceitavam essas tradições de forma pacífica. Havia forte resistência tanto no Oriente, quanto na África e na Europa.

• Na Europa, de modo especial, surgiram nos vales dos Alpes franceses, italianos e suíços diversos grupos que não aceitavam muitas das tradições humanas patrocinadas pelo Catolicismo. Entre esses grupos vamos encontrar os Valdenses e os Albigenses.

• Entre as tradições contra as quais esses grupos se insurgiam podemos citar:

 A doutrina do purgatório. Doutrina que ensina que depois de morto um cristão precisa, antes de ser admitido no céu, purgar pelos seus pecados. Na prática essa doutrina nega a eficácia do sacrifício de Jesus sobre a cruz do Calvário a nosso favor.

 A venda de perdão para vivos e mortos, com o propósito de libertar as almas do purgatório através das chamadas indulgências.

 O desprezo da igreja pela revelação de Deus através de Jesus e da Bíblia para se apegarem cada vez mais às suas próprias invencionices e tradições humanas.

 O chamado sacrifício da Missa.

• Muitas das tradições cristãs foram derivadas das tradições judaicas. O próprio apóstolo Paulo era, antes da sua conversão, um aficionado das traduções judaicas – ver Gálatas 1:13—14.

• Quem conhece a história do judaísmo e olha para dentro da ICAR não tem como não perceber que muitas das suas tradições e invenções foram mesmo copiadas das tradições judaicas.

• Existe inclusive uma “Teoria Conspiratória” que alega que um bando de judeus, pretendendo ser cristãos, se infiltrou na Igreja Católica Romana, tomou o poder e assim voltou a ter uma espécie de controle sobre a vida das pessoas muito semelhante àquela que eles tinham quando controlavam a religião de Israel em Jerusalém.

II. A Tradição no Novo Testamento

• No grego a expressão παράδοσις – parádosis – literalmente refere-se a uma dádiva. Por esse motivo, deveria ser sempre ser algo muito positivo.

• Essa palavra aparece 13 vezes no Novo Testamento:

 Três vezes a mesma se refere aos “ensinamentos dos apóstolos” – ver 1 Coríntios 11:2; 2 Tessalonicenses 2:15; 3:6.

 As outras dez vezes a expressão é usada para se referir à “tradição dos anciãos” ou a tradições de homens de uma maneira perigosa – ver Mc 7:3—13; Mateus 15:2—6; Colossenses 2:8; 1 Pedro 1:18 e Gálatas 1:14.

• Jesus jamais se sentiu obrigado a seguir a “tradição dos anciãos”. E isso pelo seguinte motivo:

 Segundo os sábios judeus, Deus revelou a Lei contida no Pentateuco a Moisés, mas além disso, Deus lhe revelou uma quantidade 20 ou 30 vezes maior que o Pentateuco como revelação oral. Essa era para os falsos judeus dos dias de Cristo a verdadeira tradição transmitida a Moisés. Mas Cristo não aceitava essa bobagem.

 Por fim a tradição oral dos anciãos foi colocada por escrito através dos chamados Talmudes de Jerusalém e da Babilônia. Os talmudes ensinam o que se deve fazer para não obedecer aos mandamentos ordenados por Deus no Pentateuco. O produzido em na Palestina – chamado de Talmud de Jerusalém foi escrito por volta do século III e IV d.C. Já o Talmude Babilônico, mais extenso e mais respeitado foi finalizado na Babilônia por volta do ano 500 d.C. Em dias modernos existem versões do Talmude escritas para serem vendidas especificamente para cristãos. Dessas versões foram, removidas todas as passagens ofensivas a Cristo, Maria e aos cristãos em geral.

• Jesus não tinha problemas com certas tradições:

 Ele frequentava festas de casamento – ver João 2:1—2.

 Ele estava em Jerusalém para a celebração da Festa da Dedicação – ver João 10:22—23 - uma festa inventada pela tradição humana durante o período dos Macabeus entre os dois testamentos – 164 a.C – para celebrar a renovação do Templo em Jerusalém após o mesmo ter sido profanado por Antíoco Epifanes que sacrificou uma porca sobre o altar do templo em Jerusalém.

• Por outro lado Jesus não dava a mínima importância para outras tradições orais ou dos anciões:

 Colher espigas no dia do sábado – Marcos 2:23—28.

 Comer sem lavar as mãos – Marcos 7:1—5.

• Cristo não aprovava nem aceitava as tradições orais:

 Ele nunca apelou para a tradição dos anciãos.

 Ele sempre apelou para a autoridade da Palavra de Deus – Antigo Testamento – e para Sua própria autoridade.

III. Os Perigos das Tradições Humanas

A. Elas Podem nos Conduzir a uma Adoração Hipócrita.

• Tradições humanas acabam sempre nos conduzido para práticas ritualistas às quais começamos a atribuir valor.

• Esses ritualismos tornam-se fins em si mesmos e nos afastam da verdadeira adoração.

• É muito fácil atravessar esses rituais com a mente e o coração em outras coisas.

• Adorar a Deus sem estar concentrado na pessoa do Senhor não passa da mais grossa hipocrisia – ver Marcos 7:6.

B. Elas Podem nos Conduzir a uma Adoração Vazia de Significado.

• Quando tradições humanas são colocadas no mesmo nível da Palavra de Deus nossa adoração torna-se vazia de significado – ver Marcos 7:7.

• Tal adoração pode ser muito pomposa e impressionante, mas ela é, de fato vazia e totalmente sem valor.

 Primeiro devemos nos lembrar que Deus não ordenou nada dessas coisas.

 Depois, nós sabemos que essas práticas não satisfazem as verdadeiras necessidades que temos – ver Colossenses 2:18—23.

C. Elas Podem Tornar a Palavra de Deus Inútil.

• O Exemplo que Jesus deu para provar esse ponto está relacionado com o mandamento de honrar pai e mãe – ver Marcos 7:10—12.

 Conforme dissemos acima a lei oral tinha o propósito de abolir os verdadeiros mandamentos de Deus. Sendo assim ela ensinava que os bens de uma pessoa podiam, por um preço, serem consagradas a Deus, ficando assim indisponíveis para socorrer os pais de alguém que estivessem em necessidade.

 Com isso, o mandamento de Deus de Êxodo 20:12, tornava-se inútil para todos os propósitos.

• Existem tradições semelhantes nos dias de hoje.

 Jesus ordenou que todos os cristãos comessem do pão e bebessem do cálice na celebração da Santa Ceia – ver Mateus 26:26—30.

 Todavia existe uma Igreja gigantesca, que se diz cristã, mas que proíbe seus membros de participarem do cálice alegando que um biscoito feito de farinha e água quando manipulado magicamente pelo sacerdote torna-se no verdadeiro corpo, sangue e essência daquilo que o próprio Jesus é. Esse é o motivo porque quando o sacerdote dessa religião levanta o biscoito de farinha e diz “eis o cordeiro de Deus” a congregação se coloca de joelhos para adorar a hóstia. Quanta ignorância.

• Através da obediência a tais tradições as pessoas estão, na realidade, rejeitando os mandamentos de Deus e isso terá sérias consequências – ver Marcos 7:8—9, 13.

Conclusão

1. A primeira conclusão que precisamos tirar de tudo o que dissemos é que: NENHUMA DENOMINAÇÃO ATUALMENTE PODE SER IDENTIFICADA COM A VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO. TODAS AS DENOMINAÇÕES CRISTÃS ESTÃO CONTAMINADAS E MUITAS ESTÃO COMPLETAMENTE PODRES.

2. Em segundo lugar temos que entender que existem muitas tradições que nos foram passadas pelo Senhor Jesus e pelos apóstolos, através da Palavra Escrita de Deus, e que são absolutamente necessárias para a nossa salvação.

3. Já as tradições humanas, como dissemos, podem nos conduzir:

• A uma adoração hipócrita.

• A uma adoração vazia e sem significado.

• A uma situação onde a palavra de Deus torna-se nula.

4. Tradições humanas são inócuas, mas tornam-se pecaminosas se:

• Forem ensinadas como verdades bíblicas e forem feitas equivalentes à palavra de Deus – ver Marcos 7:7.

• Anularem a verdade de Deus quando as observamos – ver Marcos 7:9, 13.

5. O Tradicionalismo está, hoje em dia, presente no Judaísmo, na Igreja Católica Romana, na Igreja Grego Ortodoxa, nas Igrejas Protestantes, nas Igreja Pentecostais de todos os matizes, etc.

6. Não devemos nos apegar a absolutamente nada que não seja ensinado na palavra de Deus. Devemos aprender a desfrutar a liberdade que o Espírito Santo nos concede.

7. Só podemos vencer o tradicionalismo se estivermos arraigados na Palavra de Deus. Assim podemos perguntar como Jesus: Isso vem de Deus ou trata-se de invenção humana – ver Mateus 21:25.

8. Muitas das diferenças que mantém as igrejas separadas não têm nada a ver com os ensinamentos da Palavra de Deus e sim com tradições humanas. Precisamos tomar cuidado para que nossas tradições não nos afastem dos irmãos da nossa igreja, e de outros irmãos com os quais poderíamos viver em paz e comunhão e ajudar uns aos outros como verdadeiros irmãos e cooperadores na seara do SENHOR.



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Que Deus abençoe a todos.


Alexandros Meimaridis 

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