quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

PARÁBOLAS DE JESUS - LUCAS 12:13—21 — A PARÁBOLA DO RICO TOLO — SERMÃO 028



Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

Sermão 028

A PARÁBOLA DO RICO TOLO

Lucas 12:13—21

13 Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança.

14 Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?

15 Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.

16 E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância.

17 E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?

18 E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.

19 Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.

20 Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

21 Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.

Introdução

A. A Parábola do Rico Tolo quando retirada dos seus contextos imediatos acaba se tornando apenas uma lição de moral para ser usada contra pessoas ricas.

B. De fato esta palavra não fala tanto de pessoas ricas quanto fala da atitude basicamente humana de buscar e confiar em bens materiais para realização pessoal e segurança.


I. O Diálogo Inicial

13 Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança.

14 Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?

A. Os judeus de modo geral esperavam que os rabinos fossem conhecedores da lei e que passassem julgamentos quando necessário.

B. Esse homem na multidão vem exigir seus direitos e quer que o rabino — Mestre — Jesus passe a sentença. Ele não quer uma mediação ele quer ver seu desejo atendido.

C. Esse homem ainda não havia aprendido o significado do

Salmo 133:1

Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!

Ou viverem em paz sobre o mesmo teto.

D. O pedido deste homem é para que a divisão que já existia entre ele e seu irmão fosse finalizada com a partilha do bem em questão. Isto separaria para sempre os dois irmãos.

E. Não temos certeza absoluta do que é o bem em questão, mas muito provavelmente trata-se de um pedaço de terra que era e continua sendo o mais sensível problema do Oriente Médio.

F. Este fato estava se passando entre o povo que era chamado de Povo de Deus. O Povo do Deus da Bíblia é aquele que exige que justiça seja feita, especialmente em benefício daqueles que são mais pobres e que, exatamente por este motivo, estão sujeitos a serem oprimidos.

G. Jesus enfrenta o pedido desse homem com a coragem que lhe era peculiar. Na resposta de Jesus existe a implicação clara de que aquele homem deveria olhar para si mesmo em primeiro lugar. O centro do problema não era o irmão dele e sim ele mesmo. Se Jesus não veio como partidor a implicação é óbvia: Jesus veio para reconciliar e unir! As palavras no grego são muito interessantes: partidor — meristes e reconciliador — mesites.  

H. Jesus não se esquiva de fazer a justiça solicitada. Ele quer, antes de tudo, mostrar que existem bens que podem ser ganhos, que são maiores que heranças e que também existem bens que podem ser perdidos que também são maiores do que heranças. A comunhão entre irmãos é um desses bens. A saúde é outro e certamente a salvação eterna é o maior.

II. A Primeira Expressão de Sabedoria

15 Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui.

A. A primeira implicação desta frase de Jesus é que o homem que lhe fez o pedido não teria seu verdadeiro problema resolvido se seu irmão lhe concedesse o que desejava.

B. Vivemos em um mundo caído onde estamos permanentemente infectados pelo desejo insaciável de possuir bens materiais em número cada vez maior. O padrão de classes A, B, C. D, e E é determinado não somente pelo quanto se ganha, mas também pelos bens que as pessoas possuem incluído-se imóvel, quantos banheiros, quantos automóveis, rádios, televisores, máquinas de lavar, secar, fornos de micro ondas e vai por aí afora.

C. Esta infecção faz com que procuremos possuir cada vez mais coisas porque acreditamos que se conseguirmos um determinado número delas estas mesmas coisas irão nos garantir uma vida que seja realmente abundante.

D. Mas se isso fosse verdade o assim chamado primeiro mundo — Estados Unidos, Japão e a Europa — estariam plenamente satisfeitos. Mas a realidade é bem diferente:

1. Em primeiro lugar o que percebemos claramente é que este desejo de buscar a realização através da posse de bens materiais é insaciável. Nunca se satisfaz.

2. Em segundo lugar temos a certeza de que o sonho da vida abundante e segura nunca ira se concretizar se depender do acúmulo de bens materiais.

E. Com os suprimentos do planeta sendo rapidamente dilapidados —petróleo, por exemplo) precisamos realmente começar a repensar nossas escolhas, de como poderemos ser realmente felizes.

III – Jesus conta uma Parábola – Primeira Parte – Os Bens que são Dados por Deus

16 E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância.

A. Como acontece com muitas outras parábolas contadas pelo Senhor essa também é, literariamente, dependente de textos anteriores. O pano de fundo dessa parábola é, sem sombra de dúvida, o Salmo 49 que discute a questão da riqueza e de que como ela nada significa diante da finitude humana. Outro texto bíblico que certamente estava nas mentes dos ouvintes de Jesus era o de Eclesiastes 2:1—11 onde Salomão narra sua desventura com a esperança de encontrar realização em bens materiais.

B. A parábola que Jesus começa a contar nos fala de bens que são recebidos como empréstimo da parte de Deus. São bens que Deus fez chegar até este homem. A pergunta que este homem precisava se fazer é: O que devo fazer com estes bens que ganhei de Deus? Bens pelos quais não me esforcei?

C. Da mesma maneira que a parábola se inicia com a revelação de que esse homem havia recebido, “como empréstimo”, abundantes bens da parte de Deus a parábola termina nos informando que a própria alma humana está no homem como um mero empréstimo da parte de Deus.

IV – Jesus conta uma Parábola – Segunda Parte – O Problema que Surge com os Bens não Esperados

17 E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos?

A. Uma vez ricamente abençoado por Deus o homem, já rico da parábola, não se pergunta acerca do que deveria fazer com os bens recebidos. Pelo contrário ele se refere aos bens recebidos como sendo “os meus frutos” e se mostra preocupado em preservá-los exclusivamente para si.

B. O livro do Eclesiastes descreve bem este tipo de pessoa:

Eclesiastes 5:10

Quem ama o dinheiro jamais dele se farta; e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade.

C. Este texto diante de nós faz referência direta aos lucros excessivos da sociedade capitalista em que vivemos e ao conceito de “mais valia” como proposto por Karl Marx onde o esforço coletivo gera a riqueza de uns poucos que os exploram.

D. A Bíblia diz que os crentes devem trabalhar por dois motivos:

1. Em primeiro lugar devemos trabalhar para não sermos pesados aos irmãos —

2 Tessalonicenses 3:7—12

7 pois vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos, visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós,

8 nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós;

9 não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo em nós mesmos, para nos imitardes.

10 Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma.

11 Pois, de fato, estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia.

12 A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão.

2. Em segundo lugar devemos trabalhar para podermos ajudar àqueles que necessitam de ajuda —

Efésios 4:28

Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.

3. Em nenhum lugar no Novo Testamento somos exortados a trabalhar para enriquecer ou para acumular bens materiais. Muito pelo contrário.

E. O homem na parábola de Jesus fala consigo mesmo. Ao contrário da mulher que acha a moeda perdida, do pastor que encontra a ovelha perdida e do pai na parábola do filho pródigo que convidam seus conhecidos, vizinhos e servos para se alegrarem com eles, esse homem está completamente só. Ele não tem ninguém com quem conversar.

F. Ao mencionar que o homem conversava consigo mesmo nós começamos a compreender a visão que Jesus tinha do tipo de prisão que a busca insaciável por bens materiais produz. A vida neste tipo de vazio costuma criar suas próprias realidades e dentro dessa realidade onde nos ouvimos este homem anunciar sua solução para o problema.

V – Jesus conta uma Parábola – Terceira Parte – O Plano do Homem para Resolver o Problema.

18 E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens.

A. Note a centralização de suas idéias. Tudo era seu. Não havia gratidão em seu coração, nem a intenção de repartir o que era seu com ninguém. Os dons de Deus, como que num passe de mágica se tornaram:

1. Meus frutos

2. Meus celeiros

3. Meu produto
4. Meus bens

VI – Jesus conta uma Parábola – Quarta Parte – O Futuro na Perspectiva do Homem

19 Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te.

A. Este diálogo entre homem e si mesmo não é apenas triste. Ele é miserável!

B. Aqui estamos diante de um homem autoconfiante que realmente acha que chegou lá! Ele é o que podemos chamar de o verdadeiro “Rei da Cocada Branca e Preta”.

C. Mas apesar de todo este sucesso ele só pode se referir à sua própria alma.

D. O diálogo mantido entre o homem e sua ALMA indica que esse homem acreditava que a totalidade das necessidades da pessoa total poderiam ser satisfeitas pelo excesso de bens materiais, os quais deveriam ser bem preservados para o uso exclusivo do proprietário.

VII – Jesus conta uma Parábola – Quinta Parte – Os Bens tão Queridos são Abandonados.

20 Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?

A. A língua grega usada por Lucas tinha 4 palavras diferentes para caracterizar um tolo:


1. Anoétos — negligente

2. Ásofos — sem sabedoria

3. Móros — tolo

4. Áfron — estúpido, tolo.

B. Lucas escolhe a palavra Áfron – estúpido, tolo para caracterizar o homem descrito na parábola.

C. Quando olhamos o texto em grego percebemos o intricado jogo de palavras: O homem descrito na parábola pensa que o excesso de bens materiais — euforéuo — irá produzir a vida abundante — eufrón —, mas pensando assim ele não passa de um tolo — áfron.

D. Ele é um tolo porque o verbo “pedirão” indica claramente que lhe será pedido de volta algo que está somente emprestado: sua própria alma!

E. Da mesma maneira que os bens mencionados no início da parábola lhe haviam sido dados por empréstimo, assim também sua própria alma era emprestada.

F. Como já vimos, apesar de todos os seus bens ele era um solitário. No meio dessa solidão a voz de Deus ressoa vigorosa: Olhe para você mesmo. Veja o que você fez consigo mesmo. Você planejou tudo sozinho, construiu tudo sozinho, indulgiu em tudo sozinho e agora você vai morrer sozinho.

G. A pergunta de Deus, “e o que tens preparado, para quem será?”, é pertinente porque aquele que morre nunca pode ter certeza do que irá acontecer com seus bens.

VIII – Segunda Palavra de Sabedoria

21 Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus.

A. Essas palavras ecoam as palavras de Jesus encontradas no Sermão da Montanha que dizem:

Mateus 6:19—21

Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

B. Jesus nos coloca diante de um desafio. O que faremos com nossas vidas? Iremos entesourar para nós mesmos ou seremos ricos para com Deus?

Lucas 9:23—25

Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?

Conclusão: os ouvintes originais desse diálogo são desafiados a considerar as seguintes verdades:

A. Nenhum clamor de justiça que não esteja revestido de autocriticismo será ouvido por Jesus.

B: Jesus se recusa terminantemente a contribuir com qualquer tipo de juízo que irá causar o rompimento final entre irmãos.  Jesus não veio para dividir e sim para reconciliar.

C. Quando clamamos por justiça muitas vezes estamos precisando de socorro. Nós estamos enfermos e precisando de ajuda.

D. Bens materiais são dons de Deus. A própria alma humana é emprestada!

E. A pessoa que acha que a vida abundante e a segurança estão em bens materiais é um tolo e um estúpido.

F. A vida abundante é fruto de sermos ricos para com Deus.



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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