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sábado, 10 de janeiro de 2015

ÊXODO: DEUSES E REIS: A ILUSÃO E AS MENTIRAS DE RIDLEY SCOTT


 
Atores que representam Moisés e o Ramsés no filme Êxodo;Deuses e Reis

No final do mês de dezembro de 2014 estreou mundo afora o novo filme dirigido por Ridley Scott, que, SUPOSTAMENTE, pretende recontar, à moda de Hollywood, a história bíblica do livro do Êxodo. O filme tem o seguinte título: Êxodo: Deuses e Reis.

Quando paramos para analisar essa nova produção de Hollywood voltada, como sempre, para desmentir e descaracterizar as Escrituras Sagradas existe uma pergunta que logo nos vem à mente: a pessoa que está assistindo ao filme acredita em coincidências? Essa pergunta é importante, porque sabemos que a maior parte da audiência não acredita na Bíblia, mas talvez acredite em coincidências. Nem mesmo a maioria do chamado povo evangélico, que consome avidamente esse lixo sem refletir nas consequencias, acredita nas Sagradas Escrituras. Dizemos isso porque são incapazes de reconhecer qualquer coisa de errado no filme, e põe erros nisso.

No filme, o pai do personagem Josué acredita que seu encontro casual com Moisés foi algo ordenado pelo próprio Deus. Nesse momento estamos bem no início do Filme e seu diretor faz questão de nos apresentar um Moisés cético diante das revelações feitas por Num, revelações que, diga-se de passagem, não estão no texto bíblico.. Mas as coincidências vão se multiplicando até o ponto em que, mesmo de forma inconsciente, a audiência começa a aceitar que as mesmas são fruto de algum tipo de projeto intencional, como algo organizado por um ser inteligente.

Em outros momentos, quando algo incomum acontece somos, imediatamente, levados a pensar que estamos apenas diante de uma coincidência mesmo, pura e simples. Nem todo desastre natural é resultado de algum juízo de Deus e nem todos os sonhos trazem alguma mensagem do Altíssimo.


Coincidência ambíguas são estabelecidas desde o início do filme com o intuito de criar profundas dúvidas na mente da audiência acerca do ensino assertivo das Escrituras Sagradas. Dessa forma, aquilo que está solidamente apresentado na Bíblia torna-se aberto a qualquer tipo de interpretação que a que o leitor esteja inclinado. Mas existe uma armadilha nisso tudo que é: o próprio filme torna-se também aberto a qualquer tipo de interpretação a que o expectador esteja inclinado. E isso é uma possibilidade real de suceder tanto com o crente como com o incrédulo. Os crentes tendem a aceitar de forma passiva a inserção de conceitos e ideias que não podem ser encontradas na história original. Para os incrédulos nada é mesmo relevante. E isso faz com que eles, por não terem conhecimento da verdadeira narrativa, aceitem o filme como se fosse compatível com a narrativa bíblica ou pior, como se o mesmo fosse a própria narrativa bíblica. E nada poderia estar mais longe da verdade.

Ridley Scott se autodefine como um ateu, portanto, sua abordagem ao texto bíblico irá, obviamente, refletir o fato de que ele não crê na existência do Deus ETERNO. É aí que a ambiguidade entra com toda sua força. Ela é usada como argumento para atrair o universo de evangélicos que não iriam assistir ao filme, de nenhuma forma, se os críticos avisassem o público que o filme nega o que as Escrituras dizem, apesar do resultado final ser esse mesmo. Mas tudo é feito de modo camuflado e sutil como bem descreveu Paulo ser a atuação dos enganadores, quando disse:

Efésios 4:14

Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.  

Hoje estamos vivendo em dias em que a adesão às religiões está em declínio conforme uma pesquisa recente do Instituto Gallup e o ateísmo está em alta. Ver nosso artigo acerca dessa questão por meio desse link aqui:


Então o filme de Ridley Scott capitaliza sobre essa condição, que é mais notória em seu próprio pais — os EUA — onde ele se aproveita para enfatizar e reforçar a ideia de que, em nossos dias, as religiões de modo geral, são apenas superstições irracionais e que o Deus da Bíblia, como já defendiam os inimigos das Escrituras Holbach[1] no século XVIII e Feuerbach[2] no século XIX, não passa de uma criatura monstruosa, do ponto de vista moral. Nesse aspecto Ridley Scott se aproveita da nova roupagem das idéias dos séculos passados, supridas pelo nigeriano Richard Dawkins — autor de Deus, Um Delírio — para criar seu próprio delírio e embuste.

Assim o filme de Ridley Scott é uma produção segura para o cientifismo contemporâneo. O Faraó do Egito acredita na tolice de que a vontade dos deuses egípcios pode ser adivinhada pela análise das entranhas de um animal sacrificado com esse propósito — ter suas entranhas lidas e interpretadas por um sacerdote ou uma sacerdotisa. Durante esse tempo, na ilusão patética de Ridley Scott, Moisés que ainda acredita que é apenas o filho ilegítimo da filha do Faraó, zomba daqueles que abandonam a razão para seguirem presságios. Isso é claro, é uma evidente zombaria sobre todos os crentes que acreditam nas Sagradas Escrituras. É a genialidade a serviço da maldade suprema: Fazer o próprio Moisés zombar dos crentes do tempo presente com suas palavras, mesmo que as mesmas estejam sendo dirigidas ao Faraó dos seus dias!

Mais adiante, uma invencionice inominável: a cena nos mostra Moisés numa discussão religiosa com os anciãos dos escravos hebreus. Moisés diz que deseja “convencê-los” que a religião deles é falsa, porque “crenças falsas conduzem ao fanatismo” e isso pode conduzir a uma rebelião. Em seguida Moisés diz para Zípora, sua esposa, que “acreditar em si mesmo” é preferível a acreditar em alguma religião e, mais adiante ainda, em uma conversa com um de seus filhos, Moisés parece dizer que religião é apenas “dizer aquilo que o povo quer ouvir”. E, desse modo sutil e insidioso, a mentira vai sendo infiltrada nas mentes de toda a audiência e até mesmo dos chamados evangélicos que saíram da sala de cinema elogiando o filme!

À medida que o filme avança é fácil notar que o roteiro foi escrito de modo a lançar dúvidas sobre o próprio conteúdo do filme. Como exemplo disso podemos citar a cena em que uma pedra bate na cabeça de Moisés, pouco antes de avistar a sarça ardente. Nada poderia estar mais distante da verdade da narrativa bíblica. Até mesmo Zípora “duvida” de Moisés alegando que a tal visão da sarça poderia ser apenas uma alucinação devido à pancada sofrida na cabeça pouco antes. Essa ideia largada no meio do filme é fortalecida pelo fato de ninguém mais, a não ser Moisés, ouvir ou perceber qualquer manifestação vinda de Deus, o que é uma evidente mentira, quando comparada com o texto bíblico. A intenção de Ridrley Scott é apresentar Moisés como um personagem esquizofrênico, como afirmou o ator Christian Bale que fez o papel do legislador.  

A forma de contar uma história sem mostrar nenhuma cena e ter, tempos depois, tal história também confirmada apenas de modo verbal é uma técnica cinematográfica conhecida, para indicar que não se trata de uma história verdadeira. E é isso mesmo que é feito com a história do nascimento de Moisés.

Os próprios milagres são mostrados seguindo as teorias antigas — de Werner Keller “E A Bíblia tinha Razão” — e modernas — como o filme de Stephen Miller — como sendo apenas acidentes da natureza, sem nenhuma intervenção divina verdadeira. Também como poderia? O diretor do filme não acredita em Deus! Mesmo os momentos hilários oferecidos pelos idiotas conselheiros do Faraó servem apenas para plantar ainda mais fundo as dúvidas nas mentes dos espectadores.

Mas o mais curioso é o seguinte. No texto bíblico depois de Deus convencer Moisés a retornar ao Egito e apavorar o Faraó e seu povo com o poder de Deus mediante o uso do bastão que Moisés usava, mas que Moisés já estava deixando para trás, quando Deus lhe diz:

Êxodo 4:17 na NTLH

Leve este bastão porque é com ele que você vai fazer os milagres.

o filme, de forma estranha, não mostra Moisés em nenhuma das cenas usando o bastão — seja na produção das pragas ou mesmo às margens do Mar Vermelho. Tais eventos simplesmente acontecem sem nenhum envolvimento de Moisés. Essa é a forma entediante de Hollywood sempre contar as histórias bíblicas. Mais duas curiosidades: o bastão de Moisés é substituído por uma espada — Moisés é transformado num “espadachim medieval” — e o Mar Vermelho se abre pela força da queda de um meteorito no mesmo, que cria um tsunami formado por duas ondas gigantescas!

As pragas são apresentadas como uma técnica de terrorismo religioso. Tudo é feito de modo a criar nas pessoas uma falsa ideia que o verdadeiro relacionamento com Deus, como ensinado na Bíblia — e não a religião como apresentada no filme — é a razão de muito da violência que existe no mundo nos dias de hoje. Apesar disso não ser verdadeiro, já que a grande parte do mal que existe no mundo tem sua origem na política e nas injustiças econômicas, com a religião sendo apenas manipulada para ocupar esse espaço. Além do mais, isso não tem nada a ver com a narrativa do Êxodo, das Bíblia nem com os cristãos verdadeiros.

A maior afronta do filme fica por conta da decisão de Ridley Scott, de caracterizar Deus como um menino de onze anos, petulante, irracional e raivoso por não ver seus desejos atendidos. Quão longe essa representação está da verdadeira encarnação de Deus na pessoa de Jesus Cristo, só pode ser medida pela distância entre o glorioso céu onde Moisés está e o pavoroso inferno e lago de fogo onde Ridley Scott irá terminar, se não se arrepender e se voltar para o nosso Deus.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.




[1] Paul-Henri Dietrich, barão d’Holbach enciclopedista (contribui com nada menos do que 376 artigos para a grande enciclopédia publicada por Diderot) e filósofo alemão naturalizado francês nascido em Dezembro de 1723 em Edesheim próximo a Landau e tendo falecido em Paris em 21 de Julho de 1789. Suas duas obras mais significativas com relação à crítica da Cristandade são: 1)”O Sistema da Natureza” publicada em 1770 sob o pseudônimo de J. B. Mirabaud e; 2) “Le Christianisme Dévoilé” de 1761 publicado sob o nome de um amigo já falecido, N. A. Boulanger. Nas duas obras d’Holbach ataca a Cristandade como sendo contrária tanto à natureza quanto à razão. Em tempos mais recentes um inglês chamado M. D. Magee tem publicado um site na Internet com o título “Christianity Revealed” o que é uma inegável cópia da obra do barão d’Holbach.

[2] Andréas Lwdwig Feuerbach filósofo e humanista alemão que exerceu enorme influência sobre Karl Marx com suas idéias teológicas centradas no homem e não em Deus. Feuerbach abandonou os estudos teológicos e tornou-se discípulo de G. W. F. Hegel durante dois anos em Berlim. Publicou seu primeiro livro acerca da morte e da imortalidade — “Gedanken über Tod und Unsterblichkeit” em 1832 – de forma anônima. Em 1839 publica “Über Philosophie und Christentum” onde defende a idéia de que a Cristandade já havia desaparecido não somente da razão, mas da própria existência humana e que não passava de uma idéia fixa somente. Sua obra mais importante, todavia, “Das Wesen des Christentums” foi publicada em 1841. Feuerbach, mesmo negando ser ateísta, defendia a idéia de que o “deus” da Cristandade não passava de uma ilusão. Ele exerceu profunda influência sobre o editor anticristão David Friedrich Strauss, que escreveu um dos livros mais controvertidos dos quais se tem notícia “Das Leben Jesu Kritisch Bearbeitet” entre 1835-36 bem como sobre Bruno Bauer, outro severo crítico da Cristandade. 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

OS EUA E ISRAEL SÃO MESMO PROTEGIDOS DE DEUS?


 

A entrevista abaixo foi publicada pela Revista Carta Capital.

EUA e Israel: protegidos por Deus?

O elo bíblico entre EUA e Israel explica a ligação entre Washington e Tel-Aviv. A previsível vitória da direita nas próximas eleições americanas reforça a perspectiva

Por Gianni Carta  

Bush Jr.
Bush Jr. remou no sentido oposto de Jimmy Carter, que desejava o fim do massacre entre Israel e Palestina

Inspirados pelo livro do Êxodo, os protestantes americanos cimentaram paralelos entre a fuga dos judeus do Egito e a dos puritanos da Inglaterra. Na origem, a fundação da Igreja Anglicana por Henrique VIII: pretendia casar-se com Ana Bolena, mas o divórcio lhe era negado pela religião católica. Somente um século depois os puritanos ingleses, inconformados com a criação forçada de uma igreja que entendiam herética, partiram para a América do Norte. Em Le Protestantisme Évangélique Nord-Américain en Mutation (Publisud, 2014, 277 págs., 24 euros), o professor de história e civilização americana Mokhtar ben Barka, da Universidade de Valenciennes, contrapõe, talvez pela primeira vez de forma detalhada, a diferença entre os evangélicos conservadores, eleitores de Jimmy Carter, Ronald Reagan e George W. Bush, e os evangélicos de esquerda, eleitores de Barack Obama em 2008. Os primeiros são conservadores teológica e politicamente. Por sua vez, os evangélicos de esquerda são progressistas do ponto de vista político, mas conservadores no que toca à teologia. Obama foi o candidato ideal em 2008, após o fracasso total de W. Bush. Resta saber, porém, se os evangélicos de esquerda terão algum peso na próxima eleição presidencial nos EUA. O balanço dos dois mandatos de Obama, deixa claro Ben Barka, é bastante fraco.

CartaCapital: Por que os Estados Unidos cultivam esse mito de ser um país abençoado por Deus e, portanto, têm uma ligação com Israel? Além do Brasil, que também é abençoado por Deus...

Mokhtar ben Barka: Essa ligação com Israel tem uma explicação teológica, política e estratégica. Para a direita evangélica, Israel sempre foi considerado como parte do cenário do fim do mundo.

CC: O Apocalipse?

MBB: Sim. Jesus vai voltar a Jerusalém. As batalhas do fim dos tempos, e o combate final entre o bem e o mal, Armagedom, acontecerão lá. A vitória será de Cristo. O que os evangélicos conservadores não dizem aos judeus é que terão de se converter ao cristianismo, ou perecerão. No entanto, a própria esquerda israelense se incumbe de colocar os crentes judeus a par desse importante detalhe. A esquerda israelense, diga-se, é contra o partido de direita Likud. Ao contrário do Likud e da direita evangélica, a esquerda evangélica é favorável à paz entre israelenses e palestinos. Portanto, posiciona-se contra os evangélicos conservadores. A esquerda israelense tem ligações com a esquerda evangélica.

CC: E qual é o aspecto estratégico dessa visão de que os Estados Unidos são um país abençoado por Deus?

MBB: O acesso ao petróleo no Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Arábia Saudita. Após a queda do Império Otomano no fim da Primeira Guerra Mundial, a Grã-Bretanha e a França eram as duas potências dominantes. No entanto, esses países já não tinham os meios para cuidar da região. Não fossem os EUA, a União Soviética os substituiria. Os Estados Unidos preencheram o vazio. E o argumento político dos EUA para apoiar Israel é de que é a única democracia na região.

CC: Mas quando Benjamin Netanyahu declara Israel Estado Judeu, nos perguntamos se o premier não quer relegar árabes israelenses, um quarto da população, a cidadãos de segunda classe.

MBB: Isso é evidente. Segundo essa lógica, o cidadão árabe israelense se torna de segunda classe. Essa é uma equação irrefutável e implacável. Árabes israelenses são de fato excluídos.

CC: Essa medida parece tão arrogante quanto a crença de que os Estados Unidos são um país escolhido por Deus?

MBB: É pretensão. Por que Deus deve abençoar os EUA? Dois: é arrogante dizer “somos abençoados por Deus e, sendo assim, podemos impor nossos valores”. Isso é chamado de “excepcionalismo americano”. É errado, é estúpido. O problema dessa crença nos EUA é sua forte convicção. Remonta ao século XVII, com a chegada dos primeiros puritanos. Tratava-se de cristãos, perseguidos na Inglaterra, após o nascimento da Igreja Anglicana. Assim, esses cristãos ao fugir da Inglaterra, comparavam-se aos hebreus do Êxodo. Por isso os EUA são chamados de “a nação escolhida”. Assim, os puritanos ingleses estabeleceram paralelos entre eles e os hebreus, que, em busca da Terra Prometida, atravessaram o Deserto do Sinai quando expulsos do Egito.

CC: A Bíblia é muito importante para compreender os Estados Unidos.

MBB: A Bíblia e a religião têm importância essencial na compreensão e leitura da história dos EUA. E, desse fundo puritano, nasce a ideia de que a América, por ser uma nação escolhida, tem o dever de ser modelo para os outros. Ler os discursos de George W. Bush é como ler os sermões dos primeiros puritanos. Há uma semelhança extraordinária.

CC: De que forma os acontecimentos do século XX marcam o país?

MBB: Os EUA são a única superpotência, após o colapso do comunismo. Eles são a primeira potência militar, política e econômica. E a história lhes dá razão, porque é preciso não esquecer: os EUA salvaram o mundo nas duas guerras mundiais. Se eles não marcassem presença, não sei onde estaríamos. Tudo isso reforçou essa noção de superioridade, de povo excepcional. Mas será que a China em breve não assumirá a posição dos EUA?

CC: No seu livro, o senhor diz que os evangélicos se aproximaram de Israel somente após a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Motivo: foi o ano em que Israel conquistou Jerusalém. Mas por que apenas em 1967, se levarmos em conta que Israel e a Palestina são lugares bíblicos?

MBB: Para os evangélicos americanos, a vitória era sinônimo de cumprir a profecia bíblica sobre a vinda do Messias. Profecia presente no livro do Apocalipse, no de Daniel, no de Ezequiel, onde jaz Gog e Magog, a batalha entre as forças do bem e do mal, e a vitória do bem. Voltamos sempre à Bíblia para dizer que essa vitória confirma a tendência e o movimento rumo à vitória de Israel contra os árabes. Há sempre essa transposição bíblica na prática. Trata-se de passos rumo ao fim dos tempos, um cenário escatológico. A direita conservadora evangélica é pessimista. Vamos para o fim do mundo, rumo à guerra, à morte. É um cenário sombrio.

CC: A esquerda evangélica não é sombria.

MBB: De fato, a perspectiva da esquerda evangélica é otimista. Falam em progresso. Progressistas devem lutar, é preciso encontrar melhores situações, temos de ajudar, curar. Jimmy Carter, em seu livro Palestine: Peace Not Apartheid, quer colocar um fim a esse massacre: israelenses e palestinos precisam chegar a um acordo. Para os conservadores, o conflito precisa piorar. O fogo deve devorar tudo. Os conservadores evangélicos detestavam até o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon. Disseram que Deus o havia punido com um AVC porque ele retirou colonos israelenses da Faixa de Gaza. Para eles, qualquer resolução vai contra o cenário do fim do mundo.

CC: Barak Obama parece acreditar na solução de dois Estados, mas não faz nada contra a colonização da Cisjordânia. Foi diplomaticamente cauteloso por ocasião do recente massacre de palestinos em Gaza. Por que não reagiu durante as provocadoras visitas de políticos da legenda direitista Likud na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém?

MBB: O conflito israelo-palestino é um dos pontos negros da presidência de Obama. No início, queria agir. Conseguiu fazer Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, e Ehud Olmert, então premier israelense, dialogarem. No entanto, um grande problema para Obama foi a eleição logo após a dele, de Netanyahu, este determinado a enfrentá-lo. O ódio entre os dois homens causou o fracasso de Obama. Obama não pode fazer nada, porque o Partido Republicano domina o Senado e o Congresso. Em termos de política externa, o presidente americano tem mais poder. Mesmo assim, suas iniciativas são bloqueadas pelos republicanos. A meu ver, Obama é uma decepção. A política dele para o Oriente Médio é um fracasso total. E fiquei surpreso após a absolvição de um policial branco em novembro que matou Michael Brown, um adolescente afro-americano desarmado, em Ferguson, no Missouri. Obama esteve completamente ausente. Há quem diga: “Não é o papel do presidente estar presente em cada morte”. Mas existe uma visibilidade mínima, um mínimo de testemunho.

CC: Por que essa ausência de Obama?

MBB: Outro ponto fraco dele é não ser afro-americano ou branco. Isso lhe custou caro. Ele não quis cair na armadilha de afro-americano de “movimento dos direitos civis”, da década de 1960. Mas Obama também não é branco. Quando se apresentou candidato presidencial, os afro-americanos não deram a mínima para ele. Motivo? Não tinha antepassados escravos. Não pertencia à comunidade negra. É um mestiço. Os afro-americanos o apoiaram mais tarde. O fato de que ele não fez nada durante o evento Ferguson e outros mostram que a sua posição é muito frágil.

CC: Mas o senhor diz que Obama tem as mãos amarradas.

MBB: Além da oposição dos republicanos, do Tea Party, e de assuntos estratégicos, econômicos e financeiros, ele lida com o lobby judaico. Nenhum candidato pode fazer campanha sem um discurso ao Aipac. O Aipac é muito forte financeiramente porque mobiliza o eleitorado judaico: 80% deles vão às urnas. Além de ter se beneficiado do dinheiro do lobby judeu, recebeu apoio de Wall Street. Por isso, Obama não foi capaz de regular Wall Street. O fracasso do Partido Democrata na próxima eleição presidencial é garantido.

*Reportagem publicada originalmente na edição 830 de CartaCapital, com o título "Protegidos por Deus?" A mesma poderá ser lida no original por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 25 de novembro de 2012

INTRODUÇÃO AO PENTATEUCO – PARTE 3


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Este estudo é parte de uma breve introdução ao Antigo Testamento. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da Antiga Aliança. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo 

Capítulo 4 – Introdução ao Pentateuco – Parte 3

O Nascimento do Povo de Deus

שְׁמַע יִשְׂרָאֵל יְהוָה אֱלֹהֵינוּ יְהוָה אֶחָד
                    Ehad   Adonai  Eloheinu   Adonai   Israel     Shemá
              
                   Um é  O SENHOR Nosso Deus O SENHOR Israel Ouve

Deuteronômio 6:4

III. Quais são os principais temas do Pentateuco? - Continuação

G. Aliança.


Aliança de Deus com Noé

Para a maioria de nós a palavra aliança está mais relacionada ou ao objeto circular que colocamos nos dedos ou a acordos e tratados entre empresas e países. Mas para os judeus do Antigo Testamento a expressão בְרִית – berit – aliança englobava todos os tipos de relações humanas. As alianças eram o elemento que unia as pessoas em obrigações comuns, fossem essas a de um casamento, comerciais ou mesmo a simples palavra empenhada. Dessa maneira é apenas natural que o relacionamento com Deus fosse visto como o estabelecimento de uma aliança entre Deus e os seres humanos.

No Pentateuco nós encontramos claramente o estabelecimento de três destas alianças:

·       A aliança feita a Noé de que Deus nunca mais iria destruir a terra por meio de um dilúvio — Gênesis 9:9.


·       A aliança feita por Deus a Abraão — Gênesis 15:18 e 17:4.


·       A aliança estabelecida no Monte Sinai com Moisés e o os Israelitas e que está registrada no assim chamado “livro da aliança” — Êxodo 24:7.


Apesar de alianças serem estabelecidas entre “iguais” de forma geral, quando falamos de alianças no contexto religioso existe sempre a implicação de que se trata de uma relação entre alguém maior e outro menor. A forma de aliança utilizada entre Deus e o povo de Israel como descrita nos livros do Êxodo e do Deuteronômio foi grandemente iluminada pela arqueologia moderna ao descobrir como funcionavam as alianças de suseranidade que existiam entre os reis e seus vassalos no meio dos Hititas. Estas alianças possuíam os seguintes elementos:

·       Uma introdução Histórica.


·       Uma lista de estipulações.


·       Bênçãos e Maldições invocadas sobre as partes.


·       Um juramento solene.


·       Uma cerimônia religiosa destinada a selar a aliança.


A grande maioria desses elementos que acabamos de alistar podem ser vistas nas alianças que encontramos no Pentateuco e por extensão em todo o Antigo Testamento. Mas, para nós, muito mais importante do que a “forma” é o significado teológico das alianças. Entre as alianças que encontramos no Pentateuco nós podemos notar as seguintes características:

1. Todas elas foram ou estão baseadas em uma iniciativa da parte de Deus.


Arco-Íris Wallpaper
O arco da aliança entre Deus e Noé


Deus decidiu agir de forma misericordiosa e soberana. No caso da aliança com Noé, Deus fez uma promessa incondicional de nunca mais julgar a humanidade mediante um dilúvio — ver Gênesis 9:11. Deus também escolheu soberanamente a Abraão e aos seus descendentes para serem o meio através do qual a misericórdia de Deus poderia alcançar toda a raça humana decaída. Esta eleição do povo de Israel foi como que cimentada através do que Deus disse em Êxodo 6:7.

2. Todas elas implicavam em uma revelação especial da parte de Deus.


Moisés vê a Glória de Deus

Deus se apresentou a Abraão dizendo para ele não temer, pois o próprio Deus era seu מָגֵן – magen - escudo – ver Gênesis 15:1. Deus também se apresentou a Abraão em Gênesis 17:1 como sendo o אֵל שַׁדַּי – El Shadday – o Deus Todo-Poderoso – ver também Gênesis 28:3; 35:11; 48:3. Para Moisés, em um primeiro momento, Deus se apresentou, em Êxodo 3:14 como אֶהְיֶה אֲשֶׁר אֶהְיֶה - eheyeh asher eheyeh – EU SOU O QUE EU SOU. Mais adiante, em Êxodo 6:3 Deus se revelou como sendo o SENHOR que é representado no texto hebraico por יְהוָה. Este nome é composto por quatro consoantes em hebraico que correspondem às seguintes letras em português YHVH. As vogais que combinavam com estas consoantes, como sabemos[1] não são conhecidas. As marcas vogais vistas em associação às consoantes acima pertencem realmente à palavra hebraica אֲדֹנָי – Adonay – Deus[2]. Mais adiante ainda, Deus diz a Moisés: “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão – Êxodo 20:2[3]”. Este versículo resume de maneira perfeita o sentido da revelação especial de Deus acerca dos eventos que haviam culminado com a saída do povo de Israel do Egito. E daí em diante, esse seria um dos nomes mais utilizados por Deus mesmo para lembrar o povo de Israel o tipo de relacionamento — via Aliança — que eles tinham com Deus. Mais adiante, em outro capítulo, faremos um estudo acerca dos Nomes de Deus no Antigo Testamento.

3. Todas as Alianças apresentavam exigências religiosas — rituais — e morais ao povo de Deus.


Leis rituais da Antiga Aliança

O estabelecimento das alianças como encontradas no Pentateuco apresentam estas duas características: exigências religiosas e morais são feitas ao povo de Deus. As exigências rituais ou religiosas podem ser vistas na prática da circuncisão — ver Gênesis 17:10; na guarda do Sábado — ver Êxodo 20:8—11; e por todas as detalhadas exigências acerca da adoração e dos sacrifícios devidos.

H. A Lei.
 
A lei de Deus representada pelos 10 Mandamentos

A idéia da Lei de Deus é central no Pentateuco e como vimos os próprios judeus chamaram os escritos de Moisés de תּוֹרָה — toráh — instrução, ensino ou lei. Na sua forma mais simples a Lei de Deus encontra-se, de forma resumida, em Êxodo 20 e Deuteronômio 5. Mas existem várias outras coleções associadas aos 10 mandamentos. Entre estas coleções podemos citar:

·       O Livro da Aliança – Êxodo 21 — 23.


·       O Código de Santidade – Levítico 17 — 26.


·       As leis de Deuteronômio – Deuteronômio 12 — 26.

 

Código de Hamurabi

Muitas comparações têm sido feitas entre a Lei de Deus e outros códigos legais que existiam no Antigo Oriente Próximo. Entre estes códigos o mais notório é o código conhecido como “Código de Hamurabi”[4]. Existem diversas similaridades entre o Código de Hamurabi e a Lei dada por Deus a Moisés. Estas similaridades têm levado muitos críticos a duvidarem da inspiração da revelação concedida a Moisés. Mas será mesmo que as similaridades provam que Deus não se revelou a Moisés? Ou será que tais similaridades provam apenas que o povo de Israel era um povo inserido no contexto global do Antigo Oriente Próximo? Israel não era um povo constituído de seres alienígenas, como extraterrestres. Era um povo inserido na cultura e na experiência comum de todos os habitantes daquela região. Isto, por si só, explica as similaridades. Os críticos que são tão rápidos em apontar as similaridades procuram ignorar por completo as diferenças que são realmente cruciais nesta questão. O que torna a Lei concedida ao povo de Israel através do legislador Moisés distinta de outros códigos legais da época pode ser resumido como segue:

·       Um monoteísmo (crença em um único Deus) absoluto — Deuteronômio 6:4. 

·       A preocupação absoluta pelos menos privilegiados — escravos, órfãos, viúvas, estrangeiros, mulheres, pobres etc. 

·       O espírito comunitário que existia baseado no בְרִית – berit – aliança e que devia governar todas as relações entre o povo e Deus e uns com os outros. Os Dez Mandamentos, por exemplo, podem ser divididos entre as obrigações para com Deus — os quatro primeiros mandamentos — e as obrigações para com o próximo — os seis últimos mandamentos. Era a aliança com Deus que vinculava os judeus uns aos outros e todos eles com Deus. Este fato não existe em nenhuma outra cultura e se repete somente na igreja cristã mediante a Nova Aliança em Cristo Jesus. 

Outra distinção característica da Lei de Deus quando comparada a outras leis do Antigo Oriente Próximo pode ser vista no fato de que muitos mandamentos são ordenados em uma forma que é chamada de apodíctica[5], que consiste na afirmação do tipo “Amarás o SENHOR teu Deus” ou na negação do tipo “Não terás outros deuses diante de mim”. Todas as outras leis do Antigo Oriente Próximo estão baseadas em cláusulas chamadas casuístas do tipo “Quando um homem.... então...”. A forma apodíctica é então peculiar aos Israelitas e os Dez Mandamentos são considerados um exemplo único!

Alguns cristãos têm visto as palavras de Jesus no Sermão da Montanha — ver Mateus 5 — 7 — como sendo uma rejeição da Lei de Deus a favor da Sua nova lei baseada no amor. Mas esta interpretação é equivocada. Jesus não estava criticando a Lei de Deus e sim a forma como os rabinos judeus estavam interpretando esta mesma Lei. A fórmula “ouvistes o que foi dito aos antigos” não é uma referência à Lei do Antigo Testamento. É antes uma referência aos rabinos que iniciavam suas próprias interpretações do que a Lei queria dizer com algo que dizia respeito ao que havia sido dito aos antigos, seguida da sua própria interpretação. Jesus usa a mesma fórmula dos rabinos, que o povo já estava acostumado a ouvir, para descortinar a motivação que existia por trás dos mandamentos dados por Deus, motivação esta, que havia passado de toda despercebida pelos intérpretes da Sua época.

Outros há que têm criticado os Dez Mandamentos alegando que os mesmos são negativos demais. Mas estes críticos se esquecem que os mandamentos alistados em Êxodo 20 são precedidos pelas muito positivas palavras que dizem: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão – Êxodo 20:1—2”. O motivo negativo dos mandamentos está plenamente explicado pelo aspecto positivo de Quem o SENHOR era e do que Ele esperava do Seu povo. Todos aqueles que foram beneficiários da grandiosa libertação representada pela saída do Egito — ver Deuteronômio 4:20 — e que estavam agora vivendo sob a soberana vontade do Eterno — ver Êxodo 19:4 —  tinham a obrigação de demonstrar um comportamento que fosse completamente distinto de todos os outros povos. Este é o motivo porque os Dez Mandamentos são introduzidos pelas majestosas palavras de “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão – Êxodo 20:2”.

Os Dez Mandamentos são constituídos de ordens relativas a situações específicas que envolvem: adoração, trabalho, vida familiar, casamento, respeito pela vida e pela propriedade e uma justiça elementar. Para todas estas áreas da vida humana Deus tem uma palavra que é tanto explícita como inescapável. Jesus não se opôs a estas verdades. Pelo contrário Ele cumpriu os mandamentos e ao mesmo tempo os expandiu!

O mesmo não pode ser dito da Lei Cerimonial com seus elaborados rituais e que ocupa a maior parte do Livro do Levítico e de outras partes do Pentateuco. A diferença entre a Lei Moral e a Lei Cerimonial pode ser vista no propósito que existia para cada uma delas. A Lei Cerimonial tinha o propósito de ensinar tanto a forma como os judeus deveriam se comportar i.e. como um povo santo, quanto à forma como deveria adorar a um Deus que era também santo – ver Levítico 19:2 e Números 15:40. Por estes motivos além de fornecer detalhada instrução acerca de como adorar a Deus — sistema sacrificial, de purificação, os festivais, etc. Deus também supriu Seu povo com formas específicas de como manter a pureza dos rituais, para não contaminar os rituais, o que tornaria os mesmos inúteis, os judeus deveriam se manter livres de qualquer contaminação advinda de fontes externas, especialmente aquelas originárias das religiões que existiam em Canaã nos dias do Êxodo e da conquista sob Josué.


A Cruz de Cristo como o fim da Lei do Antigo Testamento

Estas normas e regulamentos não se aplicam mais à igreja cristã, apesar de terem muitos princípios a nos ensinar, porque em Cristo toda a Lei Cerimonial foi cumprida e abolida — ver Hebreus 9:1—12. De forma semelhante todo o sistema sacrificial foi abolido pelo sacrifício oferecido pelo Senhor Jesus — ver Hebreus 10:1—18. O mesmo também é verdade para todo o restante da Lei, uma vez que depois de cumprida em Cristo a mesma foi definitivamente abolida conforme Romanos 10:4 — Porque o τέλος — télos — fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê. τέλος — télos — fim, aqui significa: término, o limite no qual algo deixa de ser (sempre do fim de um ato ou estado, mas não do fim de um período de tempo)[6]

I. O Êxodo.


O Êxodo

O Êxodo, descrito no Pentateuco nos primeiros 12 capítulos do livro do Êxodo é um destes eventos mais marcantes e recorrentes da Bíblia. Foi através deste acontecimento que numa só noite Deus forjou a nação de Israel. Para os judeus este foi o maior ato salvífico de Deus para o qual todos os judeus de todas as épocas olham com reverência e gratidão. O Êxodo foi uma intervenção direta de Deus na História da Humanidade visando livrar o povo de Israel da situação de opressão em que se encontrava sob o jugo do Faraó no Egito — ver Êxodo 3:7. O Êxodo foi realmente um ato onde o poder de Deus se manifestou de uma maneira verdadeiramente inusitada — ver Êxodo 6:6. Foi uma demonstração de poder sobre os falsos deuses egípcios, uma demonstração de supremacia.

 
A celebração da Páscoa

Deus ordenou que o Êxodo fosse relembrado anualmente através da פֶּסַח — pesach — Festa da Páscoa ou do “passar por ciam” — ver Êxodo 12:1—14; 26—27. Todas as gerações posteriores ao Êxodo deveriam se lembrar que eles pertenciam a um povo que havia sido redimido de forma misericordiosa pelo SENHOR de uma perversa escravidão. Eles foram encorajados a se lembrarem do passado e advertidos dos perigos acerca de esquecerem o que Deus havia feito por eles — ver Deuteronômio 6:10—12.

Como evento histórico o Êxodo foi único e definitivo. Mas o fato de que Deus fez tal ato uma vez é prova bastante de que Ele pode fazê-lo novamente. Quando o povo de Israel encontrava-se exilado na terra da Babilônia muitos ansiavam por um segundo êxodo — ver Isaías 51:9—12. Por modo semelhante quando o Senhor Jesus veio a este mundo Sua obra redentora foi descrita em termos do Êxodo — ver Lucas 9:31 onde encontramos literalmente a expressão ἔξοδον - êxodon – partida.

Esses são os principais temas do Pentateuco e estão presentes, de uma maneira ou de outra, em praticamente toda sua extensão. Existe, todavia, outro tema que também ocorre com tão grande regularidade, que chega a ser até deprimente — ver Deuteronômio 31:26—27 — que é a pecaminosidade e a dureza de coração do povo de Israel. Entre suas atitudes mais perturbadoras podemos destacar as seguintes:

Sua dureza e lerdeza em aceitar Moisés como o libertador enviado da parte de Deus. 

Estavam sempre reclamando das dificuldades da viagem. 

Chegaram ao ponto de desejar retornar ao Egito — aquela fornalha ardente — o qual glamourizaram com palavras – ver Números 11:4—6. 

Recusaram-se terminantemente a entrar na terra prometida — ver Números 14:1— 4.

Outros artigos acerca da Introdução ao Antigo Testamento

A. O Texto do Antigo Testamento

001 – O CÂNON DO ANTIGO TESTAMENTO

002 – A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA

003 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 1 = Os Escribas e O Texto Massorético — TM

004 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 2 = O Texto Protomassorético e o Pentateuco Samaritano

005 – A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 3 = Os Manuscritos do Mar Morto e os Fragmentos da Guenizá do Cairo

006 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 4 = A Septuaginta ou LXX

007 - A TRANSMISSÃO TEXTUAL DA BÍBLIA — Parte 5 = Os Targuns e Como Interpretar a Bíblia

B. A Geografia do Antigo Testamento

001 – INTRODUÇÃO E MESOPOTÂMIA

002 – O EGITO

003 – A SÍRIA—PALESTINA

C. A História do Antigo Testamento

001 — OS PATRIARCAS DA NAÇÃO DE ISRAEL

002 — NASCE A NAÇÃO DE ISRAEL

003 — A NAÇÃO DE ISRAEL: O REINO UNIDO

004 — O REINO DIVIDIDO E O CATIVEIRO BABILÔNICO

D. A Introdução ao Pentateuco

001 — O PENTATEUCO — O QUE É E DO QUE TRATA O PENTATEUCO


002 — O PENTATEUCO — PARTE 2 — OS TEMAS PRINCIPAIS DO PENTATEUCO — PARTE 1


003 — O PENTATEUCO — PARTE 2 — OS TEMAS PRINCIPAIS DO PENTATEUCO — PARTE 2

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

O material contido neste estudo foi, em parte, adaptado e editado das seguintes obras, que o autor recomenda para todos os interessados em aprofundar os conhecimentos acerca do Antigo Testamento:

Bibliografia


Arnold, Bill T. e Beyer, Bryan E. Descobrindo o Antigo Testamento. Editora Cultura Cristã, São Paulo, 2001.

Archer, Gleason L. Jr. A Survey of the Old Testament. The Zondervan Corporation, Grand Rapids, 1980.

Champlin, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia, e Filosofia. Editora Hagnos, São Paulo, 6ª Edição, 2002.

Francisco, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica – Introdução ao Texto Massorético. Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, São Paulo, 1ª Edição, 2003.

Harrison, Roland Kenneth. Introduction to the Old Testament. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, 1979.

The Fundamentals. Edição Eletrônica disponível na Internet, 2006.

Walton, John H. Chronological Charts of The Old Testament. The Zondervan Corporation, Grand Rapids, 1978.

Würthwein, Ernst. The Text of the Old Testament. William B. Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Reprinted, 1992.

Enciclopédias e Softwares

__________Biblioteca Digital da Bíblia. Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, 2006.

__________The Lion Handbook to the Bible. Lion Publishing, Herts, 1978.

__________The New Encyclopaedia Brtannica. Encyclopaedia Britannica Inc., Chicago, 15th Edition, 1995.


[1] Ver a primeira parte série “O TEXTO DO ANTIGO TESTAMENTO” onde discutimos os detalhes acerca de como a língua hebraica foi vocalizada.

[2] Ver nosso artigo separado que explica como o tetragrama hwhy – YHVH virou o curioso nome Jeová. O mesmo pode ser acessado através do seguinte link: http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2012/11/como-o-tetragrama-yhvh-virou-o-curioso.html

[3] אָנֹכִי יְהוָה אֱלֹהֶיךָ אֲשֶׁר הוֹצֵאתִיךָ מֵ‍אֶרֶץ מִצְרַיִם מִ‍בֵּית עֲבָדִים

[4] O Código de Hamurabi — Amu é grande — é a mais completa coleção de leis da antiga Babilônia e foi compilado durante o reino de Hamurabi entre os anos de 1792—1750 a.C. — com uma margem de erro de 60 anos para mais ou para menos. O reino de Hamurabi foi o sexto reino da primeira dinastia babilônica. Esse código é composto de decisões legais tomadas durante o reinado de Hamurabi. Essa compilação foi por sua vez gravada, em escrita cuneiforme acádica, em uma estela — pedra — de diorito negro medindo cerca de 2,10m de altura. Essa pedra foi colocada no templo do deus Marduk na cidade de Babilônia. Marduk era o único deus verdadeiramente nacional de todo o império Babilônico. O Código de Hamurabi compreende 282 decisões envolvendo questões relacionadas a provisões econômicas — preços, tarifas, comércio local e internacional; leis relativas à família — casamento e divórcio; leis criminais — assaltos, roubos — e leis civis — débitos, escravatura, etc. As penas fixadas, curiosamente, variavam de acordo com a posição social dos ofensores além das circunstâncias envolvidas. A pedra contendo o Código de Hamurabi foi roubada do povo iraniano pelos franceses em 1902 e encontra-se atualmente em exposição no Museu do Louve em Paris.

[5] Diz-se do que é demonstrável ou do que é evidente, valendo, pois, de modo necessário.

[6]Strong, J., & Sociedade Bíblica do Brasil. (2002; 2005). Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (H8679). Sociedade Bíblica do Brasil.