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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

ESTUDOS PARA CASAIS - ESTUDO 040 — COMO O EVANGELHO TRANSFORMA CASAMENTOS


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Estes estudos são parte de uma série de palestras que estamos ministrando nas reuniões de casais da nossa igreja. Os estudos anteriores podem ser encontrados nos links mais abaixo:


O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora FIEL. O mesmo é da autoria de Erik Raymond.

3 maneiras pelas quais o evangelho muda o casamento

Quando um novo líder é nomeado em uma organização, a mudança é inevitável. O novo chefe definirá a política, estabelecerá o tom e refletirá uma atitude em sua organização. O mesmo é verdade quanto aos nossos casamentos. O novo líder a quem me refiro aqui não é um novo marido, mas sim o verdadeiro marido, o Senhor Jesus Cristo.

Pelas Escrituras, nós sabemos que um casamento cristão nunca é simplesmente uma união de duas pessoas, mas duas pessoas unidas em Jesus Cristo. Esta é outra maneira de dizer que Jesus é a nossa cabeça, o Senhor e o que concede vida ao nosso casamento. Quando um homem e uma mulher abraçam a verdade do evangelho, seja na conversão ou na santificação, sempre há mudanças correspondentes relacionadas a Jesus ser o cabeça do casamento. Abaixo estão três das mudanças mais comuns que Cristo opera em um casamento enquanto o governa por meio do evangelho.

1. Do egoísmo ao serviço

Cada pecado flui do reservatório do eu. Nós abandonamos Deus e os outros em favor de nós mesmos. Isso é desastroso e doloroso. Em nenhum lugar essa inversão é mais evidente e prejudicial do que no casamento. Porém, quando o evangelho alcança o lar, há nítidas mudanças nesse contexto. A esposa irritável se torna paciente e bondosa com seu marido porque Jesus foi paciente e bondoso com ela. O marido autocentrado encontra mais alegria em aprender sobre os interesses da sua esposa do que sobre a história dos seus atletas favoritos. Isso é porque ele percebe que ela foi feita por Deus e para Deus, bem como a verdade que o Espírito continua a operar poderosamente mais de Cristo na vida da sua esposa. Isso é atraente e animador de uma forma que dribles e gols nunca podem ser. O evangelho alcança o lar e afasta os nossos corações de nós mesmos (egoísmo) em direção ao nosso cônjuge (serviço).

2. Da preguiça ao comprometimento

Se você não acha que a preguiça é um problema na América, considere o fato de que temos uma cadeira chamada La-Z-boy que é adaptada e comercializada para o homem americano. E ela vende! A preguiça, assim como o egoísmo, é inclinada para o eu, mas recebe as suas instruções de ação a partir do comando do conforto. Nós desejamos a comodidade e nos recusamos a fazer qualquer coisa difícil porque poderia ser desconfortável. A preguiça se relaciona principalmente sobre a preservação e promoção da percepção de conforto pessoal. E a preguiça mente muito. Sabemos que há um problema em nosso casamento, mas também sabemos que isso exige uma mudança, talvez até mesmo uma mudança dolorosa. Então, o que acontece? A preguiça diz: “Oh, eu farei isso em outro momento”. Ou a preguiça diz convincentemente: “Isso não é tão ruim. Eu ficarei bem”. Mas isso é a preguiça falando e não Jesus, o governador das nossas vidas. Sem dúvida, você pode imaginar como isso poderia minar o plano de Jesus para o crescimento e mudança em você e seu casamento. Mas quando o evangelho da graça alcança o lar, nos tornamos comprometidos em nosso casamento. Não somos mais espectadores passivos esperando manter uma cultura de conforto e segurança através da mediocridade disfarçada. Em vez disso, nos aproximamos do que Jesus é: buscamos a semelhança com Cristo por meio de, dolorosamente, mortificar o pecado.

3. Da justiça própria à humildade

A justiça própria é aquela mentalidade diabólica de que possuímos mérito em nós mesmos que nos recomenda diante de Deus e dos homens. Enquanto o egoísmo ama se retrair para o eu, a justiça própria ama se gloriar do eu. Em sua essência, isso se opõe ao evangelho que gira em torno da nossa necessidade e recebimento da justiça imputada de Cristo. A justiça própria em um casamento é tão sutil quanto uma sobrancelha erguida, enquanto a humildade é tão perceptível quanto a feição alegre. Durante uma discussão, uma esposa pode comunicar algumas preocupações ao seu marido. Se ele é justo em si mesmo, pode começar a contradizê-la com “dura” evidência. Se as coisas ficarem difíceis, seu ousado advogado interior articulará poderosamente a sua inocência enquanto também apresenta acusações contra sua esposa. A justiça própria no casamento está sempre na defensiva porque percebemos que sempre estamos sob ataque. Isso deve ser contrastado com o evangelho que nos ensina que já fomos suficientemente atacados, criticados e julgados. A cruz é o veredito. Nós somos culpados. Mas a beleza do evangelho é que, enquanto éramos infinitamente pecaminosos, também fomos profundamente amados. Isso produz humildade e segurança. Quando o evangelho alcança o lar em um casamento, nós silenciaremos mais rapidamente nossos advogados internos, enquanto desfrutamos a verdade do evangelho. É somente aqui que nós podemos, humildemente, crescer juntos na semelhança de Cristo.

Quando o evangelho vem ao lar e ao casamento há uma mudança definitiva no modo de funcionamento, tom e atitude. O casamento começa a ter as características do seu líder. No caso do evangelho, não pode haver melhor líder e nenhuma mudança mais importante para nós e nosso casamento.

Por: Erik Raymond. © Ligonier Ministries.Website: ligonier.org. Traduzido com permissão. Fonte: 3 Ways the Gospel Changes Marriage

Original: 3 maneiras pelas quais o evangelho muda o casamento. © Ministério Fiel. Website: MinisterioFiel.com.br. Todos os direitos reservados. Tradução: Camila Rebeca Teixeira. Revisão: William Teixeira.

Erik Raymond
O rev. Erik Raymond é o pastor titular da Emmaus Bible Church em Omaha, Nebraska. Ele escreve no site The Gospel Coalition e em ordinarypastor.com.

O artigo original poderá ser visto por meio do link abaixo:


ESTUDOS ANTERIORES SOBRE O RELACIONAMENTO A DOIS

000 – NÃO DEIXE SEU CASAMENTO NAUFRAGAR

001 – DIFERENÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER – PARTE 1

002 – DIFERENÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER – PARTE 2

003 – NECESSIDADES E PROBLEMAS DA MULHER – PARTE 1

004 – NECESSIDADES E PROBLEMAS DA MULHER – PARTE 2

005 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 1

006 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 2
007 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 3

008 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 4

009 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 5

010 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 6

011 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 7 — Final

012 — O HOMEM COM GUARDADOR E CULTIVADOR DO CASAMENTO

013 — ENTENDENDO A SUBMISSÃO DO PONTO DE VISTA BÍBLICO

014 — ENTENDENDO QUE HOMENS E MULHERES SÃO IGUAIS, MAS DIFERENTES

015 — SEGREDOS, SEGREDOS, SEGREDOS: O MAIOR DE TODOS ELES

016 — COMO OS MARIDOS MAGOAM AS ESPOSAS – PARTE 1

017 — COMO OS MARIDOS MAGOAM AS ESPOSAS – PARTE 2

018 — COMO SER A MULHER QUE DEUS DESEJA QUE VOCÊ SEJA — PARTE 1

019 — COMO SER A MULHER QUE DEUS DESEJA QUE VOCÊ SEJA — PARTE 2

020 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 1

021 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 2

022 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 3

023 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 001 — O CIÚME

024 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 002 – AS MULHERES E O RELACIONAMENTO COM SEUS PAIS

025 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 003 – ELEVANDO NOSSO GRAU DE TOLERÂNCIA

026 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 004 – CUIDANDO DAS NECESSIDADES DO OUTRO PARA EVITAR O DIVÓRCIO

027 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 001 — LIDANDO COM O CIÚME

028 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 002

029 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 003

030 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 004

031 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 005

032 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 001

033 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 002
034 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 003

035 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 004

036 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 005 — OS MALES QUE O ADULTÉRIO TRAZ

037 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 006 — A NECESSIDADE DE VERDADEIRO ARREPENDIMENTO EM CASOS DE ADULTÉRIO

038 — DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS ENTRE AS NECESSIDADES DOS HOMENS E DAS MULHERES

039 — A IMPORTÂNCIA DA AUTOIMAGEM NO CASAMENTO — PARTE 001 — COMO VOCÊ SE VÊ?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/10/estudo-040-importancia-da-autoimagem-no.html

040 — COMO O EVANGELHO TRANSFORMA OS CASAMENTOS

041 — ENTENDENDO O CHAMADO DE DEUS PARA A VIDA A DOIS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/estudo-041-importancia-da-autoimagem-no.html

042 — A IMPORTÂNCIA DA AUTOACEITAÇÃO NO RELACIONAMENTO A DOI
Shttp://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/09/estudos-para-casais-estudo-042.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos 

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.             

terça-feira, 22 de novembro de 2016

ENCONTROS DE PODER — ESTUDO 042 — VENCENDO OS RUDIMENTOS DO MUNDO


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Rene Magritte - Diaporama

A EVIDÊNCIA DO NOVO TESTAMENTO — PARTE 25 — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010 — UMA EXPOSIÇÃO DE COLOSSENSES 2:9—10 — CONTINUAÇÃO.

Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

COLOSSENSES 2:9—10

9 Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade.

10 Também, nele, estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

Vamos imaginar o desenvolvimento do debate entre Paulo e os falsos mestres que existiam em Colossos dentro do seu contexto mais amplo, que se estende de Colossenses 2:8 até Colossenses 3:11. Dizemos isso, porque não é possível entender a posição de Paulo acerca dos poderes separada do seu contexto mais amplo. Nossa compreensão da dinâmica atribuída aos poderes em seu contexto ampliado irá nos ajudar, no futuro, a enfrentar esses mesmos poderes quando percebermos alguma manifestação que possa ser identificada com eles.

Paulo certamente conhecia bem seus adversários e podemos imaginar o embate entre eles e Paulo da seguinte maneira:

Falsos mestres: A Lei de Moisés exige que as pessoas do sexo masculino sejam circuncidadas.

Paulo: Não, pois já passamos por uma circuncisão que não foi feita por mãos humanas, que é circuncisão de Cristo — Colossenses 2:11.

Falsos mestres: Mas a Lei de Moisés é parte dos elementos primários da criação do Universo, e foi criada até mesmo antes da fundação do mundo, já que a mesma foi utilizada na Criação desse mesmo mundo[1]. Por esse motivo, a Lei não pode ser abolida, mas precisa ser obedecida.

Paulo: Não! Cristo é o princípio e a verdadeira causa do Universo criado —

Colossenses 1:15—16

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

E mais: se nós morremos e fomos sepultados juntamente com Cristo por meio do batismo, fomos então libertados de todos os nossos pecados por meio de Cristo e não por meio da Lei de Moisés. Nossa confissão de dívida, atestada pelos nossos próprios pecados, foi completamente removida e pregada na cruz de Cristo e, dessa forma, nossa dívida foi plenamente quitada por Jesus e não pela obediência à Lei de Moises. Todos os principais sacerdotes e os escribas, que procuraram por todos os meios a condenação do Senhor Jesus estão, agora, completamente desmascarados como aqueles que amam mais a religião que controlam, do que a verdade que exigia transformação de vida. Pilatos, o soldado, e a própria Roma a quem ele servia, também estão desmascarados como verdadeiros adoradores do poder em vez do Deus Santo. Por trás desses todos estão a Lei de Moisés, o templo em Jerusalém e o Estado romano, como elementos que justificam o status quo. Mas todos esses elementos também estão desmascarados, pois está revelado que os mesmos resistem à legitimidade do Reino de Deus. Todos esses poderes foram despojados pela vitória alcançada por Jesus na Cruz, e isso está visível para qualquer um que queira enxergar. Desse modo, é impossível conceder a esses elementos qualquer valor —

Colossenses 2:12—15

12 Tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos.

13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;

14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz;

15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

Falsos mestres: Mas a Lei de Moisés impõe a adoção de regras alimentares judaicas e que o todo da vida duma pessoa deve ser organizado pela adoção do calendário especial judaico. É necessária a celebração anual de festivais concernentes às luas novas e à guarda semanal do sábado. A fé em Cristo não é suficiente em si mesma para tudo isso. Ela precisa estar integrada a um sistema de práticas religiosas que envolvam todos os aspectos da vida duma pessoa. A igreja não pode evitar essas coisas se deseja atingir a totalidade da vida das pessoas.

Paulo: Sim, isso era assim mesmo, mas todas essas coisas não passavam de sombras apenas. Cristo é realidade única e suficiente para todas as pessoas.

Colossenses 2:17—19

17 Porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.

18 Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal,

19 e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.

Falsos mestres: Mas não somos tão tolos a ponto de substituirmos o ritual pela realidade divina. A adoração é apenas um meio e não um fim em si mesma. Nosso alvo é tentar alcançar a visão do divino trono-carruagem visto por Ezequiel, Daniel, Enoque e também outras coisas grandiosas que foram contempladas por meio de visões. Nós mortificamos a carne por meio do jejum; nós silenciamos os clamores da carne pecaminosa e matamos de fome os apetites carnais de tal modo, que podemos ansiar pelo verdadeiro alimento celestial. Nosso único desejo é unir nossas vozes com a dos anjos e cantar o tríplice “Santo, Santo, Santo”.

Paulo: Quanta falsidade! Aqueles dentre vocês que têm sido agraciados com tais visões consideram que as mesmas são apenas o resultado direto de algum esforço ou empenho pessoal, pela prática de rituais de autossacrifício heroicos. Vocês ostentam suas experiências diante da igreja orgulhando-se de coisas que deveriam ter, isso sim, destruído vosso orgulho por completo. Vocês julgam os outros como sendo inferiores, indignos e deficientes em suas vidas cristãs, uma vez que eles ainda não alcançaram as tais propaladas visões que vocês alegam terem tido. Vocês ameaçam dividir a igreja em cidadãos de primeira e de segunda classe. Vocês transformaram a vida religiosa numa escada mística de ascensão para níveis espirituais mais elevados. Por isso, vocês não estão mais vinculados àquele que é o Cabeça, que é Cristo, que é a única coisa que realmente importa em termos de Salvação. Cristo também deseja que Sua igreja seja apenas uma, um organismo vivo, onde cada parte cuida de edificar as outras partes. A pretensa espiritualidade de vocês não edifica a igreja como Corpo de Cristo, mas colabora para que a mesma seja dividida e destruída, já que tudo o que vocês fazem não passa dum autocentrado egoísmo —

Colossenses 2:18—19

18 Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal,

19 e não retendo a cabeça, da qual todo o corpo, suprido e bem vinculado por suas juntas e ligamentos, cresce o crescimento que procede de Deus.

Falsos mestres: Mas Paulo, note que você está apenas criticando o mau uso de experiências válidas e práticas indispensáveis. Todas as religiões ensinam o valor da autodisciplina, da mortificação da carne, e da liquidação do ego. Por outro lado percebemos que você tem diminuído as exigências da verdadeira religião fazendo com que a fé esteja disponível a qualquer pessoa. Você abandona a Lei de Moisés com o único objetivo de abrir uma larga porta de acesso para os gentios convertidos, os quais não chegam sequer a adotar os padrões mínimos de decência. Os gentios precisam se submeter ao jugo da Lei de Moisés se desejam conformar o todo de suas vidas à vontade de Deus como revelada em Jesus Cristo.

Paulo: De modo algum! Vocês confundem a batalha contra a carne com a luta contra os prazeres do corpo. A arrogância com que vocês exibem a pretensa piedade que têm, mostra apenas que o asceticismo de vocês não passa dum exercício de orgulho. Vocês não reconhecem a corrupção que os domina, pelo contrário, vocês alegam que são capazes de dominar a mesma. No entanto, a carne representa o todo da vida centrada no EU. As proibições que vocês impõem do tipo: 1) Não manuseie isto; 2) Não proves aquilo; 3) Não toques aquiloutro e etc., não contribuem em nada para quebrar o jugo do domínio do EU sobre suas vidas. Vocês não são em nada diferentes de qualquer outro hedonista e, até mesmo, dos gentios, aos quais desprezam alegando que falta aos mesmos um mínimo padrão de decência —

Colossenses 2:20—23

20 Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças:

21 não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro,

22 segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem.

23 Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.

Nosso imaginário Paulo, prossegue: Agora, vamos deixar que uma pessoa morra com Cristo para todas essas regras e princípios básicos de comportamento — os rudimentos do mundo — e essa pessoa saberá em seu coração o que significa amar a Deus e ao próximo. Vocês buscam visões? Então procurem se concentrar na pessoa de Cristo no céu — Colossenses 3:1. Nenhum crente precisa desse tipo de visão, porque já se encontra assentado, ao lado de Cristo, nas regiões celestiais. Se nosso velho ego já está crucificado e morto, então nossa vida está escondida com Cristo em Deus e será manifestada quando Jesus se manifestar — Colossenses 3:3. Façam morrer aquilo que é terreno em vocês e não terão mais nenhuma necessidade de fingir ser um virtuoso espiritual — Colossenses 3:5. Visões não são importantes e sim um novo comportamento de pessoas realmente transformadas. Todos os que se despem do velho homem e se revestem do novo homem sabem que o crescimento na fé não vem por esforço próprio, mas pela ação de Deus — Colossenses 3:6—10. Como deve ser evidente, diante de Deus não pode existir mais nenhum tipo de distinção —

Colossenses 3:11

No qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.

Diante de toda essa imaginária argumentação, ficamos com a nítida impressão que a preocupação de Paulo, não era proteger seus leitores em Colossos de espíritos malignos no céu e sim de: filosofias humanas, tradições humanas, regras e rituais, leis envolvendo alimentos, usos e costumes e práticas ascéticas que representam o núcleo de toda religião institucionalizada. Nenhuma dessas coisas é ruim em si mesma, podendo até mesmo, serem úteis em certos casos. Mas elas se tornam extremamente perigosas quando se tornam um fim em si mesmas, ou causam divisões no corpo, ou tornam-se egocêntricas ou afastam o crente da sua união com Cristo. Certamente essas coisas podem ser tão perniciosas para a fé cristã como tinha sido para o judaísmo do Antigo Testamento.

O Novo Testamento não parece apreciar o reducionismo espiritual adotado pelo cristianismo posterior, que limitava os Poderes a espíritos hostis pairando no ar. O mesmo é verdadeiro em nossos dias, onde tais espíritos são onipresentes e responsabilizados por todas as mazelas existentes na vida dos evangélicos. Por outro lado, o Novo Testamento prefere falar dos Poderes de forma concreta atingindo sua inércia estrutural e a forma encorpada como se manifestam na história humana. Os Poderes que preocupavam o apóstolo Paulo não voavam, mas se manifestavam em estruturas físicas.

CONTINUA...

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html



044 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 28 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 012 — AS FORÇAS ESPIRITUAIS DO MAL — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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[1] Davies, W. D. Paul and Rabbinic Judaism – Some Rabbinic Elements in Pauline Thology. Fortpress Press, Philadelphia, fourth printing 1980. Nessa obra, Davies diz que existia no pensamento judaico a ideia onde a Lei de Moisés era identificada com a sabedoria e, desse modo, era vista como sendo o agente ativo da Criação. Davies oferece evidências que esse ensinamento era comum entre os judeus dispersos pela bacia do Mediterrâneo.

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 004 — O CASTIGO QUE NOS TRAZ A PAZ



CONTINUAÇÃO... PARTE 004

53:4—6: A morte vigária do Servo

Os v.3—6 descrevem a morte substitutiva do Servo. O texto apresenta a primeira pessoa do plural (“nós”). É a comunidade que fala, como em 53:1—3. O Servo foi castigado no lugar das pessoas dessa comunidade.

4 Certamente, ele carregou os nossos sofrimentos37
e as nossas dores ele38  levou;
e o reputávamos como machucado, ferido por Deus e oprimido.

5 Mas ele foi traspassado39  pelas nossas transgressões
e moído pelas nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele,40
e suas feridas foram cura para nós.41

6 Todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados;
cada um se desviava pelo seu caminho,
mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.

No v.4, a linguagem das duas primeiras frases aproxima-se da segunda frase do v.3 (“homem de dores e que conhece o sofrimento”). Novamente o profeta emprega os termos mak’obot “dores” e holi “sofrimento”, “doença”. Como já foi observado na análise do v.3, o termo holi não somente refere-se aos males físicos relacionados à doença, mas abrange todo tipo de sofrimento humano. mak’obot “dores” inclui sofrimentos físicos e mentais. Portanto, o Servo não sofre de alguma doença infectocontagiosa. O texto simplesmente realça sua dor e o seu sofrimento, tanto no âmbito emocional como no físico.  A análise dos verbos utilizados aqui revela que a morte do Servo seria vigária.  O verbo nasa’ “carregar” (“levantar”, “erguer”, “tomar”) apresenta o sentido da morte substitutiva do Servo. O mesmo verbo é empregado em Levítico16:22 em referência ao bode vivo, que, no “dia da expiação” (yom kippur), carregava sobre si as “iniquidades” de Israel, e as levava para o deserto: “aquele bode levará (nasa’) sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária”.  O verbo sabal “carregar” apresenta o sentido de “carregar uma carga”, “arrastar-se”. No caso, era o ‘fardo’ do sofrimento da comunidade que pesava sobre o Servo. Ele “tomou sobre si” e “levou sobre si”; “consequentemente, carregou-o vicariamente como alguém que toma um fardo pesado do ombro de outrem e o carrega para aquela pessoa”.42

A última frase do v.4 continua a descrever o sofrimento do Servo. Ele é considerado pela comunidade como “machucado”, tradução de naga‘qal particípio “tocar”, “alcançar”, “bater”. A expressão seguinte o descreve como “ferido por Deus e oprimido”. O primeiro verbo, nakah hofal particípio “ser ferido”, “ser golpeado”, apresenta “Deus” como sujeito da ação. O segundo verbo, ‘anah poal particípio, pode ser traduzido como “ser oprimido”, “ser afligido”, “ser humilhado”, e, à semelhança do verbo anterior, a ação apresentada por ele é praticada por “Deus”. Quer dizer, não são homens que levam o Servo ao sofrimento, mas o próprio Deus. O plano não é humano; é divino.

Se no v.4 o Servo carrega sobre Si o sofrimento da comunidade, o v.5 explicitará que sua morte substitutiva não ocorre somente para suportar as dores do seu povo, mas, principalmente, para proporcionar o perdão dos pecados para ele. No TM/Texto Massorético, a forma verbal meholal “foi transpassado” é o poal particípio de halal “profanar”. Segundo a BHS, provavelmente trata-se de mehullal “profanado”, corroborado por Aquila e pelo Targum. No poal, grau em que se encontra o verbo hebraico, o sentido é de “ser ferido” (Strong’s Hebrew), e a raiz halal alude ao perfurar do corpo com um instrumento afiado — Isaías 51:9; Salmos 109:22).43  Trata-se, pois, de uma morte violenta — Isaías 22:2; 66:16 —, resultante de uma perfuração. É impossível não identificar aqui aquilo que é descrito por

Mateus 27:35

Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte.

O verbo grego utilizado por Mateus para “crucificar” é stauroo, que significa “fixar” ou “fincar com estacas”. A palavra “cruz” literalmente significa “estaca”, porque originalmente, no antigo Israel, era uma estaca usada em fortificações, e depois passou a ser usada como instrumento de tortura e morte. Num período posterior, possivelmente na época dos romanos, adicionou-se uma travessa horizontal (patibulum), na qual a pessoa era amarrada ou cravada. Notadamente o texto isaiano já antevia a crucificação do Messias, exatamente nos termos em que é descrita no NT.

Na sequência, o verbo “moído” é a tradução do hebraico dakah pual particípio “ser esmagada”, “ser despedaçado”. A razão de tamanha violência são as “iniquidades” da comunidade. O hebraico ‘awon “iniquidade” apresenta o sentido de “perversidade”, “depravação”. Já o termo pesha’ “transgressão”, na primeira frase do v.5, enfatiza a rebelião contra a autoridade de Deus.44

Os termos “transpassado” e “moído”, juntos, descrevem a terrível violência de Deus contra o Seu Servo. Afinal, é assim que Deus trata o pecado: com morte violenta. Nota-se aqui a seriedade da rebelião contra Deus. Não há outro jeito de lidar com o pecado, senão através da morte que é o salário do pecado. Assim, a morte violenta do Servo sinaliza a seriedade do pecado.

É importante também notar que os antigos israelitas acreditavam que todo sofrimento é resultado do pecado (veja a história de Jó; também João 9:2). Segundo esse ponto de vista, muitos achavam que o Servo estava sendo castigado por Deus por causa de algum pecado por ele cometido, quando, na verdade, estava sofrendo por causa das nossas transgressões.45

O final do v.5 ressalta que a morte do Servo trouxe “paz” para a comunidade: musar xelomenu ‘alayw “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”, literalmente “o castigo da nossa paz”. No hebraico trata-se de um genitivo que indica propósito: a punição sobre o Servo apresenta o propósito de trazer a “nossa paz”, implicando que a paz com Deus foi obtida mediante a morte do Servo que sofreu a justa punição requerida pelo próprio Deus.46  O termo musar “castigo” evoca a “disciplina” de um pai aplicada ao filho —

Jó 5:17

Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso.

Provérbios 22:15

A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.

Provérbios 23:13

Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.

A “paz”, xalom, é o bem-estar resultante de relações pessoais equilibradas e saudáveis. Quando o filho se rebela, o pai é ofendido, e o xalom/”bem-estar” é rompido; somente o “castigo/disciplina” pode satisfazer a justiça e restabelecer o xalom.47  Assim também, Deus não poderia se relacionar com o homem, até que sua justiça fosse satisfeita. Foi justamente a obra de Cristo que tornou possível a paz entre Deus e o homem —

Romanos 5:1

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

A última frase do v.5 afirma que “suas feridas foram cura para nós”. O verbo rapa’ “curar” não se refere somente à cura física. Isaltino Gomes afirma que, em Isaías 6:10, o verbo está relacionado com a conversão, e em 1 Pedro 2:24 “este texto é aplicado à obra de Jesus e a questão de ser sarado está ligado a ser salvo... ‘Sarar’ ou ‘curar’ é mais amplo que não ter doenças. É ter a maior de todas as curas, a saúde de relacionar-se bem com Deus.”48  Em Isaías 19:22, o mesmo verbo também está relacionado com a conversão. Portanto, é possível afirmar que rapa’ alude tanto à cura física quanto à espiritual, indicando a restauração holística do ser humano, que, aliás, é um conceito soteriológico muito importante no Antigo Testamento.49

As duas primeiras frases do v.6 ilustram a rebelião do pecado humano. Aqueles que cometem “iniquidade” (hebr. ‘awon) são como ovelhas desgarradas. Na segunda frase, a palavra ledarko pode ser traduzida como “pelo seu caminho” ou “para o seu caminho”. O termo derek “caminho” está prefixado com a preposição le, “para”, “em direção a”, e sufixado com o pronome na terceira pessoa “seu”, “dele’. Ou sentido da frase é: “cada um queria seguir o seu próprio caminho”. Aqui está o cerne do pecado. É o egoísmo. É a busca pela realização pessoal elaborada a partir de uma vida que trilha seus próprios caminhos independentemente da vontade de Deus. É a rebelião contra Deus em nome da realização de sonhos pessoais.

A última frase do v.6, à semelhança do v.5, descreve a morte vigária do Servo. Mas há um enfoque especial nela: “mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós”. A morte do Servo efetiva a expiação da “iniquidade de todos nós”. A palavra hebraica kullanu “todos nós” ocorre no início do v.6 e no seu final. É a primeira e a última palavra do verso. No início, todos se rebelam contra Deus. No final, todos são perdoados pela morte do Servo. Então, todos pecaram, mas o perdão alcançado pela morte do Servo está disponível para todos. É preciso explicar, contudo, que o “todos”, no contexto do quarto Cântico do Servo, são o conjunto de pessoas que compõem a comunidade de ETERNO.

Nossa análise dos v.4-6 constatou que o “servo” mencionado nesses versos de modo algum pode ser aplicado a Israel. O povo de Israel e o de Judá sofreram merecidamente os exílios. Pecaram. Diferente de Israel, o Servo era inocente. O Servo enfrenta o sofrimento cruel por causa dos pecados dos outros.

CONTINUA...

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O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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NOTAS

37 holayenu “nossos sofrimentos”. É mesmo termo do v.3, holi “doença, sofrimento”. Nelson Kirst et. al., Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 69.

38 BHS: A Siríaca, a Vulgata e aproximadamente 20 manuscritos medievais apresentam o pronome na terceira pessoa hu’ “ele”.

39 meholal poal partícipio “transpassado”, de halal “profanar”. BHS: provavelmente mehullal “profanado”, corroborado por Aquila e pelo Targum.

40 musar xelomenu ‘alayw “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”, literalmente “o castigo da nossa paz”; um genitivo de propósito: “castigo designado para nossa paz”. John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 468.

41 rapa’ nifal perfeito singular seguindo pela preposição le (“para) com o pronome da primeira pessoa plural nu (nós).

42 J. Ridderbos, Isaías,p. 428.

43 Shalom M. Paul, Isaiah 40-66: Translation and Commentary, Grand Rapids, Eerdmans Publishing, 2012, p. 405 (Eerdmans Critical Commentary).

44 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

45 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías, p. 168-169.

46 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

47 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 473.

48 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías, p. 170.

49 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

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