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terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 004 — O CASTIGO QUE NOS TRAZ A PAZ



CONTINUAÇÃO... PARTE 004

53:4—6: A morte vigária do Servo

Os v.3—6 descrevem a morte substitutiva do Servo. O texto apresenta a primeira pessoa do plural (“nós”). É a comunidade que fala, como em 53:1—3. O Servo foi castigado no lugar das pessoas dessa comunidade.

4 Certamente, ele carregou os nossos sofrimentos37
e as nossas dores ele38  levou;
e o reputávamos como machucado, ferido por Deus e oprimido.

5 Mas ele foi traspassado39  pelas nossas transgressões
e moído pelas nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele,40
e suas feridas foram cura para nós.41

6 Todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados;
cada um se desviava pelo seu caminho,
mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.

No v.4, a linguagem das duas primeiras frases aproxima-se da segunda frase do v.3 (“homem de dores e que conhece o sofrimento”). Novamente o profeta emprega os termos mak’obot “dores” e holi “sofrimento”, “doença”. Como já foi observado na análise do v.3, o termo holi não somente refere-se aos males físicos relacionados à doença, mas abrange todo tipo de sofrimento humano. mak’obot “dores” inclui sofrimentos físicos e mentais. Portanto, o Servo não sofre de alguma doença infectocontagiosa. O texto simplesmente realça sua dor e o seu sofrimento, tanto no âmbito emocional como no físico.  A análise dos verbos utilizados aqui revela que a morte do Servo seria vigária.  O verbo nasa’ “carregar” (“levantar”, “erguer”, “tomar”) apresenta o sentido da morte substitutiva do Servo. O mesmo verbo é empregado em Levítico16:22 em referência ao bode vivo, que, no “dia da expiação” (yom kippur), carregava sobre si as “iniquidades” de Israel, e as levava para o deserto: “aquele bode levará (nasa’) sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária”.  O verbo sabal “carregar” apresenta o sentido de “carregar uma carga”, “arrastar-se”. No caso, era o ‘fardo’ do sofrimento da comunidade que pesava sobre o Servo. Ele “tomou sobre si” e “levou sobre si”; “consequentemente, carregou-o vicariamente como alguém que toma um fardo pesado do ombro de outrem e o carrega para aquela pessoa”.42

A última frase do v.4 continua a descrever o sofrimento do Servo. Ele é considerado pela comunidade como “machucado”, tradução de naga‘qal particípio “tocar”, “alcançar”, “bater”. A expressão seguinte o descreve como “ferido por Deus e oprimido”. O primeiro verbo, nakah hofal particípio “ser ferido”, “ser golpeado”, apresenta “Deus” como sujeito da ação. O segundo verbo, ‘anah poal particípio, pode ser traduzido como “ser oprimido”, “ser afligido”, “ser humilhado”, e, à semelhança do verbo anterior, a ação apresentada por ele é praticada por “Deus”. Quer dizer, não são homens que levam o Servo ao sofrimento, mas o próprio Deus. O plano não é humano; é divino.

Se no v.4 o Servo carrega sobre Si o sofrimento da comunidade, o v.5 explicitará que sua morte substitutiva não ocorre somente para suportar as dores do seu povo, mas, principalmente, para proporcionar o perdão dos pecados para ele. No TM/Texto Massorético, a forma verbal meholal “foi transpassado” é o poal particípio de halal “profanar”. Segundo a BHS, provavelmente trata-se de mehullal “profanado”, corroborado por Aquila e pelo Targum. No poal, grau em que se encontra o verbo hebraico, o sentido é de “ser ferido” (Strong’s Hebrew), e a raiz halal alude ao perfurar do corpo com um instrumento afiado — Isaías 51:9; Salmos 109:22).43  Trata-se, pois, de uma morte violenta — Isaías 22:2; 66:16 —, resultante de uma perfuração. É impossível não identificar aqui aquilo que é descrito por

Mateus 27:35

Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte.

O verbo grego utilizado por Mateus para “crucificar” é stauroo, que significa “fixar” ou “fincar com estacas”. A palavra “cruz” literalmente significa “estaca”, porque originalmente, no antigo Israel, era uma estaca usada em fortificações, e depois passou a ser usada como instrumento de tortura e morte. Num período posterior, possivelmente na época dos romanos, adicionou-se uma travessa horizontal (patibulum), na qual a pessoa era amarrada ou cravada. Notadamente o texto isaiano já antevia a crucificação do Messias, exatamente nos termos em que é descrita no NT.

Na sequência, o verbo “moído” é a tradução do hebraico dakah pual particípio “ser esmagada”, “ser despedaçado”. A razão de tamanha violência são as “iniquidades” da comunidade. O hebraico ‘awon “iniquidade” apresenta o sentido de “perversidade”, “depravação”. Já o termo pesha’ “transgressão”, na primeira frase do v.5, enfatiza a rebelião contra a autoridade de Deus.44

Os termos “transpassado” e “moído”, juntos, descrevem a terrível violência de Deus contra o Seu Servo. Afinal, é assim que Deus trata o pecado: com morte violenta. Nota-se aqui a seriedade da rebelião contra Deus. Não há outro jeito de lidar com o pecado, senão através da morte que é o salário do pecado. Assim, a morte violenta do Servo sinaliza a seriedade do pecado.

É importante também notar que os antigos israelitas acreditavam que todo sofrimento é resultado do pecado (veja a história de Jó; também João 9:2). Segundo esse ponto de vista, muitos achavam que o Servo estava sendo castigado por Deus por causa de algum pecado por ele cometido, quando, na verdade, estava sofrendo por causa das nossas transgressões.45

O final do v.5 ressalta que a morte do Servo trouxe “paz” para a comunidade: musar xelomenu ‘alayw “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”, literalmente “o castigo da nossa paz”. No hebraico trata-se de um genitivo que indica propósito: a punição sobre o Servo apresenta o propósito de trazer a “nossa paz”, implicando que a paz com Deus foi obtida mediante a morte do Servo que sofreu a justa punição requerida pelo próprio Deus.46  O termo musar “castigo” evoca a “disciplina” de um pai aplicada ao filho —

Jó 5:17

Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso.

Provérbios 22:15

A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.

Provérbios 23:13

Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.

A “paz”, xalom, é o bem-estar resultante de relações pessoais equilibradas e saudáveis. Quando o filho se rebela, o pai é ofendido, e o xalom/”bem-estar” é rompido; somente o “castigo/disciplina” pode satisfazer a justiça e restabelecer o xalom.47  Assim também, Deus não poderia se relacionar com o homem, até que sua justiça fosse satisfeita. Foi justamente a obra de Cristo que tornou possível a paz entre Deus e o homem —

Romanos 5:1

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

A última frase do v.5 afirma que “suas feridas foram cura para nós”. O verbo rapa’ “curar” não se refere somente à cura física. Isaltino Gomes afirma que, em Isaías 6:10, o verbo está relacionado com a conversão, e em 1 Pedro 2:24 “este texto é aplicado à obra de Jesus e a questão de ser sarado está ligado a ser salvo... ‘Sarar’ ou ‘curar’ é mais amplo que não ter doenças. É ter a maior de todas as curas, a saúde de relacionar-se bem com Deus.”48  Em Isaías 19:22, o mesmo verbo também está relacionado com a conversão. Portanto, é possível afirmar que rapa’ alude tanto à cura física quanto à espiritual, indicando a restauração holística do ser humano, que, aliás, é um conceito soteriológico muito importante no Antigo Testamento.49

As duas primeiras frases do v.6 ilustram a rebelião do pecado humano. Aqueles que cometem “iniquidade” (hebr. ‘awon) são como ovelhas desgarradas. Na segunda frase, a palavra ledarko pode ser traduzida como “pelo seu caminho” ou “para o seu caminho”. O termo derek “caminho” está prefixado com a preposição le, “para”, “em direção a”, e sufixado com o pronome na terceira pessoa “seu”, “dele’. Ou sentido da frase é: “cada um queria seguir o seu próprio caminho”. Aqui está o cerne do pecado. É o egoísmo. É a busca pela realização pessoal elaborada a partir de uma vida que trilha seus próprios caminhos independentemente da vontade de Deus. É a rebelião contra Deus em nome da realização de sonhos pessoais.

A última frase do v.6, à semelhança do v.5, descreve a morte vigária do Servo. Mas há um enfoque especial nela: “mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós”. A morte do Servo efetiva a expiação da “iniquidade de todos nós”. A palavra hebraica kullanu “todos nós” ocorre no início do v.6 e no seu final. É a primeira e a última palavra do verso. No início, todos se rebelam contra Deus. No final, todos são perdoados pela morte do Servo. Então, todos pecaram, mas o perdão alcançado pela morte do Servo está disponível para todos. É preciso explicar, contudo, que o “todos”, no contexto do quarto Cântico do Servo, são o conjunto de pessoas que compõem a comunidade de ETERNO.

Nossa análise dos v.4-6 constatou que o “servo” mencionado nesses versos de modo algum pode ser aplicado a Israel. O povo de Israel e o de Judá sofreram merecidamente os exílios. Pecaram. Diferente de Israel, o Servo era inocente. O Servo enfrenta o sofrimento cruel por causa dos pecados dos outros.

CONTINUA...

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O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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NOTAS

37 holayenu “nossos sofrimentos”. É mesmo termo do v.3, holi “doença, sofrimento”. Nelson Kirst et. al., Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 69.

38 BHS: A Siríaca, a Vulgata e aproximadamente 20 manuscritos medievais apresentam o pronome na terceira pessoa hu’ “ele”.

39 meholal poal partícipio “transpassado”, de halal “profanar”. BHS: provavelmente mehullal “profanado”, corroborado por Aquila e pelo Targum.

40 musar xelomenu ‘alayw “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”, literalmente “o castigo da nossa paz”; um genitivo de propósito: “castigo designado para nossa paz”. John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 468.

41 rapa’ nifal perfeito singular seguindo pela preposição le (“para) com o pronome da primeira pessoa plural nu (nós).

42 J. Ridderbos, Isaías,p. 428.

43 Shalom M. Paul, Isaiah 40-66: Translation and Commentary, Grand Rapids, Eerdmans Publishing, 2012, p. 405 (Eerdmans Critical Commentary).

44 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

45 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías, p. 168-169.

46 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

47 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 473.

48 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías, p. 170.

49 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO — Estudo 8 - Termos Usados No Antigo Testamento - Parte 001 - A ALMA



Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, 

Termos Usados no Antigo Testamento – Parte 001 

I. נֶפֶשׁ   nepesh: sopro, vida, desejo, alma.

A. Evidencia Exegética 

B. Em primeiro lugar, a palavra נֶפֶשׁ   nepesh se refere àquele principio invisível e imaterial que anima os corpos físicos de homens e animais. Os animais são chamados נֶפֶשׁ   nepesh enquanto estão vivos conforme podemos ler em — Gênesis 1:20, 21, 24, 30 etc. Um animal morto nunca e chamado de נֶפֶשׁ   nepesh. Neste mesmo sentido, uma vez que o fôlego de vida foi soprado no corpo de Adão, ele se tornou um נֶפֶשׁ   nepesh, i.e. uma criatura viva — Gênesis 2:7. 

1. Quando  o fôlego da vida parte dos corpos dos animais ou dos seres humanos, eles morrem. Assim o Antigo Testamento utiliza a expressão נֶפֶשׁ   nepesh para se referir ao principio de vida físico cerca de 150 vezes. 

2. Em segundo lugar, a palavra נֶפֶשׁ   nepesh é utilizada em linguagem figurada. Os autores bíblicos faziam uso duma sinédoque, que é uma figura de linguagem que usa, entre outras coisas, uma parte para representar o todo: 

Exemplos: 
i. Gênesis 36:6 ® todas as pessoas ® נַפְשׁוֹת napeshim. 
ii. Levítico 21:1 e 11 ® Mesmo que o principio de vida já estava ausente das pessoas mortas, a expressão נֶפֶשׁ   nepesh e utilizada nestes versos para representar a pessoa integral. 

iii. Levítico 17:10,11 ® Como o sangue simboliza a vida, נֶפֶשׁ   nepesh e utilizado figurativamente como sangue—vida. 

3. Em terceiro lugar, נֶפֶשׁ   nepesh e utilizada para descrever a parte do homem que transcende o principio da vida e separa o homem dos animais e o aproxima de Deus! 

         
a. Deus é um Ser autoconsciente que pode dizer: “Eu Sou". Assim Deus jura por si mesmo — i.e., pelo seu נֶפֶשׁ   nepesh 
Jeremias 51:14

Jurou o SENHOR dos Exércitos por si mesmo, dizendo: Encher-te-ei certamente de homens, como de gafanhotos, e eles cantarão sobre ti o eia! dos que pisam as uvas. 

Amós 6:8 
Jurou o SENHOR Deus por si mesmo, o SENHOR, Deus dos Exércitos, e disse: Abomino a soberba de Jacó e odeio os seus castelos; e abandonarei a cidade e tudo o que nela há. 

b. O נֶפֶשׁ   nepesh de Deus é a parte transcendente de Deus que odeia o pecado — 

Salmos 11:5 

O SENHOR põe à prova ao justo e ao ímpio; mas, ao que ama a violência, a sua alma o abomina. 

c. Assim temos: O נֶפֶשׁ   nepesh de Deus não pode ser reduzido ao principio físico da vida porque Deus não possui um corpo físico! Da mesma forma, quando נֶפֶשׁ   nepesh é aplicado ao homem descreve aquela parte que transcende o principio da vida física.


C. Que o homem possui uma alma que transcende o mero principio da vida física que é compartilhado pelos animais pode ser visto nas seguintes passagens, mas apesar do mesmo termo ser usado eles não são idênticos. Apenas o ser humano é chmado de נֶפֶשׁ חַיָּה nepesh chayiah — alma vivente:


1.  Se a alma do homem não é diferente da dos animais porque as Escrituras falam da necessidade da expiação — satisfação pelo pecado — para redimir a alma dos homens (Levítico 16). E ainda, se ests for o caso, como explicar as palavras de Cristo em —

Marcos 8:36

Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 

2.  O que significava a expressão "afligireis as vossas almas” em Levítico 16? Significa “afligireis vosso corpo físico?" Não, e sim a experiência da dor, tristeza na parte transcendente do ser humano.


3. Note como certos relacionamentos expressados por נֶפֶשׁ   nepesh não podem ser aplicados aos animais, mas quando aplicados ao homem transcendem o princípio físico da vida.

Deuteronômio 10:12 ® Servir a Deus

Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR requer de ti? Não é que temas o SENHOR, teu Deus, e andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração e de toda a tua alma. 

Levítico. 16:29 ®   Aflição

Isso vos será por estatuto perpétuo: no sétimo mês, aos dez dias do mês, afligireis a vossa alma e nenhuma obra fareis, nem o natural nem o estrangeiro que peregrina entre vós. 


I Samuel. 1:10 ®  Amargura

Levantou-se Ana, e, com amargura de alma, orou ao SENHOR, e chorou abundantemente.


I Samuel. 2:33®   Tristeza

O homem, porém, da tua linhagem a quem eu não afastar do meu altar será para te consumir os olhos e para te entristecer a alma; e todos os descendentes da tua casa morrerão na flor da idade.


Ezequiel  23:17—18®  Alienação

17 Então, vieram ter com ela os filhos da Babilônia, para o leito dos amores, e a contaminaram com as suas impudicícias; ela, após contaminar-se com eles, enojada, os deixou.

18 Assim, tendo ela posto a descoberto as suas devassidões e sua nudez, a minha alma se alienou dela, como já se dera com respeito à sua irmã.


Salmos 42:2 ® e pode o principio de vida física que existe nos homens e nos animais ter sede de Deus?

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?

4.  O ensino do Antigo Testamento, tanto quanto possível, é consistente com a idéia de que o lado imaterial do homem parte na morte, habita em outro lugar e retorna na ressurreição. 


Gênesis. 35:18

Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni; mas seu pai lhe chamou Benjamim.


1 Reis 17:21—22

21 E, estendendo-se três vezes sobre o menino, clamou ao SENHOR e disse: Ó SENHOR, meu Deus, rogo-te que faças a alma deste menino tornar a entrar nele.

22 O SENHOR atendeu à voz de Elias; e a alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.


5. O contínuo problema com necromancia — consultar os mortos — que Israel enfrentou indica que alguns judeus acreditavam na sobrevivência da parte imaterial do homem —

Deuteronômio. 18:9—14

9 Quando entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te der, não aprenderás a fazer conforme as abominações daqueles povos.

10 Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro;

11 nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos;

12 pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti.

13 Perfeito serás para com o SENHOR, teu Deus.

14 Porque estas nações que hás de possuir ouvem os prognosticadores e os adivinhadores; porém a ti o SENHOR, teu Deus, não permitiu tal coisa.

B. A Septuaginta


A Septuaginta — tradução das escrituras do Antigo Testamento para o grego, no século III  antes de Cristo — traduz a palavra נֶפֶשׁ   nepesh por ψυχὴ psichè 810 vezes. Esta palavra se refere à parte transcendente do homem que e capaz de pensar, sentir e ter vontade. A palavra psichè é também utilizada para traduzir as palavras רוּחַ ruwach — espírito em  Gênesis 1:28 e Êxodo 35:21e por לְב — leb — cpração em  Isaías 7:2, 4.


É marcante o fato que os gregos tinham uma palavra bem clara (ao contrário dos hebreus) para representar a vida física. Esta palavra é βίος Bios — vida, e adivinha o que? Ela não é usada nenhuma vez sequer para traduzir a palavra נֶפֶשׁ   nepesh! Mas é usada inúmeras vezes nas paginas da Septuaginta.


C.  Outros Testemunhos


Flávio Josefo — historiador judaico da antiguidade — declara que todos os judeus com exceção dos saduceus acreditavam na imortalidade da alma — Guerras dos judeus, Livro II, Secções 154-159 e 163,166).


O historiador cristão, Eusébio, no seu livro Historia Eclesiástica — Livro VI, C37 — declara que a doutrina do sono da alma é uma invenção de heréticos do século terceiro.

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Estudo 012 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 002 — πνεῦμα — pneûma — espírito, καρδίᾳ — Kardía — Coração, διανοίᾳ — dianoíaφρόνημα — frónemaνοήμα — noémaνοῦς  nous — Mente.
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Estudo 014 A — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Conclusão: A Crença na Imortalidade como algo Universal.
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Estudo 014 B — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 002



Estudo 014 C — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — A Crença na Imortalidade como algo Universal — Parte 003.
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 2 de julho de 2015

ANDREW MURRAY - ESTUDO 006 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — SACRIFICANDO MINHA PRÓPRIA VONTADE



ESSA SÉRIE DE ARTIGOS ESTÁ BASEADA EM UM LIVRO ESCRITO POR ANDREW MURRAY CUJO TÍTULO ORIGINAL É: NOT MY WILL OU NÃO A MINHA VONTADE. ESPERAMOS E ORAMOS QUE TODOS POSSAM SER RICAMENTE ABENÇOADOS POR MEIO DESSAS MEDITAÇÕES

João 5:30 e João 6:38

30 Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou.

38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.

Será que Jesus tinha Sua própria vontade? Uma vontade diferente daquela do Pai e que, por isso, ele podia dizer: não para fazer a minha própria vontade? Ele tinha uma vontade que precisava ser negada? Absolutamente sim

A coroa da Criação era exatamente esta: que os seres humanos foram dotados de individualidade, personalidade e de uma vontade própria, que governam suas decisões e escolhas, como acham que deve ser. Ter desejos, anseios e uma vontade própria não eram algo pecaminoso. Sem essas características o ser humano nãos seria um ser racional. Os seres humanos tinham uma vontade pela qual poderiam decidir se desejariam viver ou não de acordo com a vontade de Deus. O pecado entrou na raça humana apenas quando essa decidiu fazer sua própria vontade, indo contra a vontade de Deus. E, como ser humano igual a nós em todas as coisas, o Senhor Jesus também tinha sua própria vontade — Ele podia escolher quando comer, por exemplo, ou agir de modo a evitar o sofrimento. Sua obediência perfeita consistia em Sua completa submissão em fazer a vontade de Seu Pai: Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.

Foi por esse motivo que Jesus tornou-se humano e tornando-se humano, Ele foi capaz de trazer a redenção para toda a raça caída.

A decisão dos seres humanos de fazerem suas próprias vontades, de modo contrário a vontade de Deus é a verdadeira raiz de todo o pecado. O Senhor Jesus veio para nos libertar de fazer nossa própria vontade. Ele, o Criador, tornou-se uma criatura, para nos ensinar o quão necessário e quão abençoado é sacrificar nossa própria vontade para fazermos a vontade de Deus. Jesus demonstrou para nós a absoluta harmonia com a vontade de Deus e uma vida de completa submissão ao Pai a caminho da glória eterna. De fato, a Sua submissão da Sua vontade para fazer a vontade de Seu Pai é a verdadeira essência de Sua obra redentora. Foi isso que deu significado tanto para Sua morte, quanto Sua expiação. E é nisso que reside o segredo daquilo que Ele representa para nós. É o que Ele deseja produzir em nossas vidas por meio da ação do Seu Espírito: não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. Jesus não apenas estabeleceu um exemplo para nós por meio de Sua vida e morte, mas agora que Ele está no céu, essa continua sendo Sua vontade para cada um dos Seus redimidos.

Caro leitor, esse é o Cristo que você encontrou e conhece? O Cristo que você ama? O Cristo que tem um mesmo motto tanto para si quanto para aqueles que Ele ama? Fazer a vontade de Deus em tudo e em todas as coisas? Você tem certeza que não está enganado no que diz respeito ao teu relacionamento com Jesus? Muitos pensam que podem confiar em Cristo e continuarem a viver suas vidas satisfazendo seus próprios desejos. Essas são pessoas que nunca disseram: “Senhor Deus, eu irei viver para Ti, por meio do Teu Filho Jesus e como verdadeiro filho Teu. E, como o próprio Senhor Jesus, eu gostaria de dizer que: nunca, mesmo na menor coisa que seja, eu desejo fazer minha própria vontade; seja nas coisas grandes ou pequenas o meu desejo será sempre dizer: a vontade de Deus é o que eu desejo fazer. Eu não nasci de novo para fazer minha própria vontade e sim para fazer a vontade dAquele que me salvou.   

Talvez você ouça alguém dizer: “Mas Deus deu ao homem uma vontade, e é óbvio que o ser humano pode fazer escolhas. Pedir para que esse ser humano abra mão de sua vontade é humilhá-lo, é privá-lo de sua independência e sua personalidade. Mas será que Cristo e até mesmo Paulo perderam suas personalidades? A verdade é que nós nos esquecemos quem Deus É e quanto Ele significa para nós. Será que uma criança perde sua personalidade ao submeter sua vontade para fazer a vontade de um pai amoroso? É claro que não! Ao submeter sua vontade à vontade de seu pai, a criança aprende como controlar sua própria vontade, a dominá-la e a usá-la de modo apropriado. Também não se trata de uma perda, mas de um grande ganho para qualquer pessoa submeter sua vontade à vontade do Deus Todo Poderoso. Trata-se da própria glória de Deus trabalhar para nosso próprio bem em todas as coisas. E é a glória do ser humano servir a Deus em todas as coisas, conhecer Sua vontade e obedecê-la em todas as coisas. Eu espero que você possa enxergar que é, exatamente isso, o significado do ser humano ter sido criado à imagem e semelhança de Deus — entregando-se de uma maneira tão completa a Deus, de tal forma que o Senhor pode cumprir Sua própria vontade na Sua criatura. Não pode existir nenhuma honra maior, nem satisfação maior do que fazer a vontade de Deus.   

Cristo veio para nos revelar essa verdade por meio de sua própria vida e exemplo. Ele veio para nos libertar da escravidão representada pela nossa própria vontade, por meio de Sua morte e também para implantar, em cada um de nós, um poderoso desejo de fazermos a vontade de Deus enviando Seu Espírito Santo do céu para nos ensinar a ter a “mente de Cristo”.

1 Coríntios 2:16

Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir? Nós, porém, temos a mente de Cristo.

Caro leitor, é esse o Cristo que você conhece? É esse Cristo que habita em teu coração? O Cristo que te ensina a dizer: Nunca, em nenhuma circunstância e em nada eu irei buscar fazer minha própria vontade, mas em todas as coisas buscarei fazer a vontade do meu Pai celestial. Diga isso para Deus. Diga a Ele como você deseja aprender essas realidades dEle mesmo. Aproxime-se do Senhor, confiando completamente nEle e tendo a coragem de afirmar: “Em nada eu buscarei fazer minha própria vontade; mas em todas as coisas eu farei a vontade de Deus”. Todos os que puderem afirmar isso com sinceridade, certamente serão ensinados pelo próprio Senhor.

OUTROS ESTUDOS DA SÉRIE “NOT MY WILL” — NÃO A MINHA VONTADE

Estudo 001 – A VONTADE DE DEUS — A GLÓRIA DO CÉU

Estudo 002 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O CAMINHO PARA CÉU

Estudo 003 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — NOSSA UNIDADE COM O SENHOR JESUS

Estudo 004 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — QUE OS PERDIDOS SEJAM SALVOS

Estudo 005 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O ALIMENTO CELESTIAL

Estudo 006 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — SACRIFICANDO MINHA PRÓPRIA VONTADE

Estudo 007 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O CAMINHO PARA ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL

Estudo 008 — A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A TUA VONTADE

Estudo 009 — A VONTADE DE DEUS — SENHOR QUE QUERES QUE EU FAÇA?

Estudo 010 — A VONTADE DE DEUS — CONHECENDO E FAZENDO A VONTADE DE DEUS

Estudo 011 — A VONTADE DE DEUS — SENDO UMA PESSOA DE ACORDO COM O CORAÇÃO DE DEUS

Estudo 012 — A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A VONTADE DE DEUS

Estudo 013 — A VONTADE DE DEUS — PRATICANDO A VONTADE DE DEUS

Estudo 014 — A VONTADE DE DEUS — A RENOVAÇÃO DA MENTE E A VONTADE DE DEUS

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis.

Traduzido do original e adaptado por Alexandros Meimaridis

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