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sábado, 13 de agosto de 2016

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 012

Concepção artística dos vinte quatro anciãos ao redor do Trono de Deus 

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato, queremos incentivar que todos possam ler esses artigos e compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

ESTUDO 012 — ESCRIBAS E OS MANUSCRITOS QUE PRODUZIRAM — PARTE 004

CONTINUAÇÃO...

Com o objetivo de garantir o mais alto grau de eficiência e acuidade na produção de manuscritos, certas regras pertinentes ao trabalho dos escribas foram adotadas nos scriptoria monásticos. As seguintes regras, que servem de exemplo, foram desenvolvidas pelo monastério Estudium, em Constantinopla. Por volta do ano 800 o abade chefe do monastério, um homem chamado Teodoro, o Estudita e que era, ele mesmo, capaz de escrever em grego utilizando um belo e elevado estilo, incluiu nas regras do monastério diversas punições que deveriam ser aplicadas a todos os escribas que não fossem cuidadosos o suficiente em suas cópias manuscritas.

1. Uma dieta de pão e água deveria ser aplicada a todo escriba que demonstrasse interesse maior no assunto que estava copiando do que no próprio ato de copiar.

2. Os monges deveriam manter suas folhas de pergaminho em bom estado e desamassadas sob a pena de terem que pagar 130 atos de penitência.

3. Para qualquer monge que tomasse o material de escrita pertencente a outro monge teria que pagar 50 anos de penitência.

4. A mesma pena era aplicada para qualquer um que produzisse mais cola do que iria utilizar causando a perda da mesma por meio do endurecimento natural.

5. O escriba que quebrava sua pena era penalizado com 30 penitências.

II. AUXÍLIOS PRA OS LEITORES DO NOVO TESTAMENTO

Muitos manuscritos do Novo Testamento contêm uma variedade do que podemos chamar de “Auxílios para os leitores”. Esse material adicional visava auxiliar o leitor tanto em suas devoções pessoais quanto nas leituras públicas do material do Novo Testamento. Esses auxílios surgiram em diversos lugares e das formas mais diversas. Os mesmo foram sendo passados de geração em geração e, como não poderia deixar de acontecer, os mesmos foram se avolumando com o passar do tempo. A seguir apresentamos uma lista dos auxílios mais comuns que encontramos no Novo Testamento:

A. A Divisão por Capítulos


Codex Vaticanus

O sistema mais antigo de separação por capítulos que conhecemos encontra-se em certas notas feitas nas margens do Codex B — Vaticanus — datado dos primórdios do século IV — anos 300. De acordo com essas anotações temos:

1. Mateus está dividido em 170 seções.

2. Marcos está dividido em 62 seções.

3. Lucas está dividido em 152 seções.

4. João está dividido em 50 seções.


Codex Alexandrinus

Outro método pode ser encontrado no Codex A — Alexandrinus — datado do V século. Uma grande quantidade de outros manuscritos — a maior parte deles — do Novo Testamento adotam esse sistema também. De acordo com esse sistema, temos:

1. Mateus está dividido em 68 seções.

2. Marcos está dividido em 48 seções.

3. Lucas está dividido em 83 seções.

4. João está dividido em 18 seções.

Normalmente, a seção de número 1 não estava colocada ao lado do início do texto, porque os escribas consideravam o início dos livros como uma espécie de prefácio da Antiguidade. Dessa forma, a seção ou capítulo 1 de Marcos está posicionado ao lado de Marcos 1:23.

Já para o livro de Atos existem várias divisões adotadas. Assim, o Codex Vaticanus adota uma medida contendo 36 capítulos e outra, contendo 69 capítulos. De acordo com os estudiosos a primeira divisão que acabamos de mencionar foi produzida por um copista mais antigo ou por alguém responsável pela revisão. Já a segunda divisão teria sido acrescentada depois por outro indivíduo. No Codex Sinaiticus do século IV um sistema de 69 divisões foi adicionado à primeira parte de Atos — capítulos 1 até 15 em nossas traduções modernas. Por motivos que desconhecemos essa divisão não foi levada adiante até ao final do livro.


Facsímile do Codex Sinaiticus

A maioria das cópias do Livro dos Atos possui uma divisão de 49 capítulos ou seções. Em algumas cópias o texto foi subdividido em subpartes ou subcapítulos. Dessa forma o Livro de Atos tem, em alguns casos, 88 seções ou capítulos. Para evitar confusões entre capítulos e subcapítulos, em alguns manuscritos, decidiu-se adotar um sistema de numeração único.
Tanto as Epístolas paulinas como as Epístolas gerais foram divididas em capítulos e subdivididas em porções menores. O Codex Vaticanus apresenta duas divisões em capítulos: uma mais antiga e outra mais recente. Nas Epístolas paulinas o sistema mais antigo enumera todas elas de modo sequencial, como se fossem um único livro.

O livro do Apocalipse foi suprido com um sistema muito artificial de divisão por capítulos. No final do século VI, André, arcebispo de Cesareia na Capadócia, escreveu um comentário no apocalipse onde procura apresentar uma exegese espiritual do mesmo. Em vez de se perguntar acerca do material apresentado no livro, nosso arcebispo dividiu o Apocalipse em 24 seções ou discursos, de acordo com o número dos anciãos que se encontrava sentados ao redor do trono de Deus conforme —

Apocalipse 4:4

Ao redor do trono, há também vinte e quatro tronos, e assentados neles, vinte e quatro anciãos vestidos de branco, em cujas cabeças estão coroas de ouro.

A seguir ele concluiu que: como cada ancião era composto de corpo, alma e espírito, então ele dividiu cada discurso em três, chegando, finalmente, a um número total de 72 capítulos.

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006
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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 015 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 007

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 2 de janeiro de 2016

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 008



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ESTUDO 008 — ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 — FINAL

CONTINUAÇÃO...

Uma complicação adicional é que o arquétipo de um documento do Novo Testamento específico pode divergir, quando comparado, ao seu autógrafo. A melhor ilustração que temos para isso pode ser encontrada nas epístolas paulinas. Podemos afirmar, quase com certeza absoluta que, muito cedo — certamente antes do tempo do surgimento dos papiros mais antigos — a maioria das cartas de Paulo já estavam agregadas em algum tipo de coleção — com Hebreus e as Pastorais sendo exceções possíveis. Mas a maioria das epístolas já estavam agregadas em coleções, no máximo, durante a metade do século II d.C. — por esse motivo é, perfeitamente possível — talvez até mesmo provável — que essa coleção seja o arquétipo e que a próprias epístolas individuais  não são sequer a fonte da qual corre o rio textual.

Desse modo temos a afirmação de Gunther Zuntz[1], onde ele afirma que tanto Inácio quanto Policarpo aparentemente estavam familiarizados com o corpus paulino, mas o autor de 1 Clemente não. Isso o leva a concluir o seguinte: Assim temos que, mais ou menos, o ano 100 d.C, é a data provável em que o corpus paulino foi reunido e publicado, com tal, pela primeira vez. Isto é, de quarenta a cinquenta anos depois que as epistolas foram originalmente escritas. Nesse caso, como acontece de forma tão comum na tradição que envolve autores da antiguidade, ‘Arquétipo’ e ‘Original’ não são documentos idênticos.

Mesmo que esse não seja o caso aqui, e cada uma dessas cartas possua um arquétipo individual, isso não quer dizer que o arquétipo seja um descendente puro do original. Diversos documentos são considerados, pelo menos por alguns críticos de forma, como sendo documentos compostos. Esse é, aparentemente, o caso de 2 Coríntios, acerca da qual, muitas autoridades acreditam que duas cartas distintas foram utilizadas para produzir o documento que temos diante de nós conhecido como 2 Coríntios. Dessa forma, se isso for mesmo verdade, a cópia mais antiga que temos e chamamos de 2 Coríntios não se trata de um autógrafo e sim de algo que é chamado de fusão ou mistura. Falando francamente, mesmo que conseguíssemos recuperar os textos completos que foram usados para criar 2 Coríntios, estaríamos diante da inusitada situação que, as passagens de 2 Coríntios, que não fossem encontradas nos textos originais, dificilmente poderiam ser consideradas canônicas. Aqui teríamos muito material para longos debates. Mas, no momento tudo não passa de suposição.

Todavia devemos notar que não é responsabilidade, nem parte da missão do crítico textual desembaraçar as partes de 2 Coríntios ou de qualquer outro documento antigo que se encontre na mesma situação. A missão do crítico textual é procurar reconstruir o arquétipo. Se formos afortunados nosso trabalho acabará por produzir um documento que é idêntico ao autógrafo original — ou então tão próximo que realmente não faz nenhuma diferença. Mas não faz mesmo nenhuma diferença se o autógrafo e o arquétipo são muito próximos ou muito distantes um do outro? Nossa missão é reconstruir o texto mais antigo que esteja disponível. O crítico textual precisa estar consciente que o arquétipo pode não ser o autógrafo original. Além disso, ele deve considerar como é possível, por exemplo, que a existência de um corpus paulino, possa afetar a leitura de qualquer uma das epistolas contidas no mesmo. É muito possível que certas cartas tenham sido ajustadas para se encaixarem numa antologia, assim como certas passagens foram adaptadas para se encaixar em certos lecionários.  

Existem muitas possibilidades que em todo o Novo Testamento, mas apenas o corpo paulino sofre com esse problema. O livro dos Atos dos Apóstolos e o Apocalipse são livros isolados e únicos, que nunca foram incorporados a nenhum tipo de corpus. As chamadas epístolas católica ou gerais, não foram agregadas em um corpus até bem mais tarde. Chegamos a essa conclusão pelo fato de 1 Pedro e 1 João serem universalmente aceitas logo, mas as outras 5 demoraram bastante para receberem o reconhecimento devido — 2 Pedro, 2 e 3 João, Judas e Tiago. Um exemplo típico disso pode ser encontrado, por exemplo, no chamado Papiro 72 que tem as cartas de 1 e 2 Pedro e Judas, junto com materiais não canônicos. Mas esse mesmo documento não tem 1 João, apesar dessa epístola já ser considerada canônica quando o documento P72 foi compilado, e Judas ainda se encontrava entre as epistolas questionadas. Os evangelhos foram agrupados, muito provavelmente, bem antes das epístolas católicas ou gerais. Eles foram aceitos como uma coleção canônica produzida lá pelo final do século III d.C., quando o documento Papiro 45 foi escrito. Mas todos os quatro evangelhos circulavam amplamente antes dessa data final. Assim temos que: enquanto é possível que a coleção final dos quatro evangelhos tivesse certa influência em tempos posteriores, a mesma não pode ser considerada como um arquétipo.

Por outro lado, cada documento do Novo Testamento pode ter sofrido do problema que chamamos de “qual cópia”. Isso é mais óbvio no corpus paulino. Pelo que sabemos Paulo ditou a maioria, senão todas as suas cartas. Note bem o que é possível de acontecer numa situação como essa, pois a mesma é muito semelhante ao que vimos na primeira parte dessa série acerca de autógrafos e arquétipos. Paulo ditava um primeiro manuscrito. Aqui estamos diante de duas possibilidades:

1. Paulo usava dois escribas para escreverem o que ditava, apesar dele fazer referência constante a apenas um, chamado Tércio.

2. Se existia apenas uma cópia, então era necessário que alguém, poderia ser o próprio Tércio, fizesse uma segunda cópia, que certamente teria pequenas variações, para ser distribuída ou mesmo para ser arquivada por Paulo.

A segunda cópia, certamente tinha uma aparência melhor, e certamente deveria conter certas correções de erros causados pelo ditado e pela forma como as palavras eram entendidas por Tércio. Então resta perguntar: qual cópia Paulo enviava aos destinatários? A carta ditada originalmente ou a cópia? Não sabemos, mas podemos supor que ele optaria por enviar a cópia que tinha uma aparência melhor. Então surge a questão: qual das duas cópias pode ser considerada como autógrafo original? E qual delas foi usada como base para a edição canônica posterior? Realmente, creio que ninguém sabe a resposta correta quanto a essas questões.

Outros autores do Novo Testamento escreveram cartas, que foram patrocinadas por terceiros. Devemos mesmo acreditar que Lucas teria entregue o Evangelho de Lucas e o Livro de Atos para Teófilo sem guardar um cópia de cada para si mesmo? Isso seria mesmo algo inacreditável. Mas qual dessas duas primeiras cópias tornou-se o Evangelho Canônico? E as diversas cópias do mesmo sofreram algum tipo de contaminação cruzada? A resposta não é óbvia. Mas é, todavia, muito importante.

Devemos notar, incidentalmente, que estudiosos clássicos, criaram um esquema de notas que usam para distinguir o que eles consideram o autógrafo de um arquétipo. O autógrafo é indicado pelo uso de algum tipo de símbolo. Algumas vezes usa-se a letra “o” para distinguir o autógrafo original e o símbolo de aspas simples para indicar um arquétipo. No caso do Novo Testamento a maioria dos estudiosos não se atreve a ir além de reconhecer algum arquétipo. Isso nunca foi tentado com um possível original. O consenso é que os originais estão, definitivamente, perdidos.       

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006
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[1] Zuntz, Gunther. Text of the Epistles: Disquisition Upon the Corpus Paulinum (Schweich Lectures on Biblical Archaeology). Oxford University Press, Oxford, 1946.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 004


Concepção artística



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

O movimento histórico descobriu um brilhante defensor na pessoa de Heinrich Julius Holtzmann — que viveu de 1837 a 1910. Seus escritos podem ser considerados como a expressão clássica da teologia liberal relativa ao Novo Testamento. Sua obra[1] fundamental foi publicada em 1897. Esse mesmo material recebeu diversas edições e agora está em domínio público. As duas edições mais recentes são uma de 2012 e outra de 2014. Holtzmann rejeita de maneira absoluta qualquer abordagem da teologia do Novo Testamento da perspectiva dogmática e também rejeita qualquer ideia ou até mesmo a possibilidade da existência duma revelação. Apesar de toda essa resistência, ele ainda assim lançou mão de tópicos teológicos para classificar seu próprio material. A posição assumida por Holtzmann é interessante para o estudante de da Bíblia, porque ele decidiu basear sua abordagem da literatura bíblica numa análise hitórica-crítica onde ele não mantinha nenhuma convicção referente à autenticidade dos textos. Nesse mesmo período, outros estudiosos desenvolveram suas teologias em bases mais conservativas. Entre esses nos podemos citar:

1. Johann Christian Konrad von Hofmann — viveu entre 1810 e 1877.

2.  Friedrich August Gottreu Tholuck — viveu entre 1799 e 1877.

3. Bernhard Weiss — viveu entre 1827 a 1918.

4. Theodor Von Zahn — viveu entre 1838 a 1933

5. Paul Feine — viveu entre 1859 a 1933.   

Todos esse cinco alistados acima tinham a inclinação para uma abordagem mais histórica do que os dogmatistas adotavam, mas ainda mantinham que o próprio texto das Escrituras era o veiculo por meio do qual a revelação chegou até nós. A obra mais importante desse período, da perspectiva conservadora foi a teologia escrita por A. Schlatter[2], o qual apesar de reconhecer a necessidade de adotar certa orientação histórica, ainda assim  mantinha seu interesse dogmático. Suas opiniões serão consideradas um pouco mais adiante. Do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos da América, uma teologia no Novo Testamento foi escrita por G. B. Stevens[3], no final do século XIX. Essa teologia procurou se distanciar da dogmática e se concentrou numa narrativa descritiva do vários tipos de literatura existentes.

Em 1897 o surgimento do artigo intitulado The Task and Method of The New Testament Theology — A tarefa e método da Teologia do Novo Testamento — da autoria de W. Wrede causou grande euforia entre os estudiosos em 1897. Esse artigo se esforçava para fazer prevalecer o método histórico sobre o dogmático. Seu argumento básico era que O Novo Testamento não estava interessado em religião e sim apenas em teologia. Falaremos disso mais adiante. Sem dúvida o artigo de Wrede era uma reação extrema contra as considerações dogmáticas em sua abordagem ao pensamento do Novo Testamento. A conclusão de suas ideias era que a Teologia do Novo Testamento encontrava sua solução na história da religião cristã primitiva. A influência de Wrede nos estudos posteriores relacionados à teologia do Novo Testamento é inegável.

Wrede era o representante de um movimento denominado Religiongeschichte — História da Religião — o qual, como o próprio nome já diz, estava baseado numa abordagem histórica dos textos. O interesse em estabelecer uma narrativa da religião cristã, criava por sua vez, a necessidade imediata um estudo comparativo com outras religiões para demonstrar de que formas a primeira teria sido influenciada pelas outras. Dessa forma, o Novo Testamento deixou de ser visto como um documento autoritativo, no sentido de ser a fonte para a teologia. Pelo contrário, o mesmo tornou-se apenas parte do quadro total da religião que existia no primeiro século d.C. De acordo com o estudioso R. Morgan[4] em sua obra The nature of New Testament theology. The contribution of William Wrede and Adolf Schlatter, a tarefa necessária da teologia do Novo Testamento continua incompleta, enquanto a mesma viver de guinadas ora para cima e ora para baixo, pequisando a imensa frente de estatísticas e história de todas as religiões. Isso numa tentativa de se estabelecer o ponto da antiguidade que antecipou e as analogias que correspondem ao que encontramos no Novo Testamento. Ou seja, com a retirada de seu caráter autoritativo, o Novo Testamento transformou-se num livro imprestável, servindo apenas como ponto comparativo com outras religiões. Essa forma de tratar o Novo Testamento foi, sem dúvida, o elemento mais forte numa ênfase sobre apocalíptica judaica que dura até os dias de hoje. Nenhuma dessas propostas conduziu a um verdadeiro quadro da teologia do Novo Testamento. De igual modo, nenhuma das duas cumpriu a exigência do artigo de Wrede de uma abordagem histórica, pois as duas apresentaram apenas reconstruções que eram óbvias demais para serem aceitas.

Nesse contexto entra em cena o Dr. Albert Schweitzer — medido, musico, teólogo e ganhador do prêmio Nobel da Paz, que vivei entre 1875 a 1965 — que reagiu com todas as suas forças ao movimento a favor do Jesus histórico, dissociado do Cristo da Fé. Sua oposição devia-se ao fato de tal movimento estar completamente baseado em um numa abordagem não escatológica da pessoa de Jesus. Outra tendência ainda desses movimentos era a de contrastar o alegado background helenístico do apóstolo Paulo com o alegado background do judaísmo apocalíptico atribuído a Jesus. Nenhum tipo unificado de teologia do Novo Testamento era possível diante de tais circunstâncias. Assim, todas as teologias do Novo Testamento daqueles dias estavam destinadas a darem uma ênfase exagerada ou na pessoa de Jesus ou nas de Paulo e João. Foi aí que surgiu o entendimento cético da crítica da forma do Novo Testamento contra o Jesus histórico, especialmente na pessoa de Rudolf Karl Bultmann que viveu entre 1884 a 1976 e que, apesar de ser alemão, considerava a si mesmo como a maior autoridade na paleografia grega, algo difícil de engolir. Bultmann não aceitava, praticamente nada registrado nos Evangelhos, como se fossem palavras originais de Jesus. Com isso a teologia do Novo Testamento da sua época se concentrou, grandemente, nas epístolas paulinas e no quarto Evangelho — o atribuído a João. Tanto os escritos de Paulo quanto o quarto Evangelho eram considerados como sendo, marcadamente, como parte da literatura helenística. A teologia do Novo Testamento de Bultmann[5] é um exemplo clássico dessa abordagem.   

Mas o que as Escrituras dizem acerca delas mesmas, independentemente do que os homens pensam dela?

Números 11:23

Porém o SENHOR respondeu a Moisés: Ter-se-ia encurtado a mão do SENHOR? Agora mesmo, verás se se cumprirá ou não a minha palavra!

Salmos 119:89

Para sempre, ó SENHOR, está firmada a tua palavra no céu.     

Salmos 119:105

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos.

Salmos 119:140

Puríssima é a tua palavra; por isso, o teu servo a estima.

Jeremias 1:12

Disse-me o SENHOR: Viste bem, porque eu velo sobre a minha palavra para a cumprir.

Jeremias 23:29

Não é a minha palavra fogo, diz o SENHOR, e martelo que esmiúça a penha?

2 Timóteo 3:16 na NTLH

Pois toda a Escritura Sagrada é inspirada por Deus e é útil para ensinar a verdade, condenar o erro, corrigir as faltas e ensinar a maneira certa de viver.

2 Pedro 1:21

Porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

CONTINUA...


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[1] Holtzmann, H. J.  Lehbuch der neutestamentichen Theologie 2 Vols. Nabu Press/Amazon, Reprinted, 2012.
[2] Schlatter, A. Der Glauber im Neuen Testament. Wissenschafliche Buchgesellschaft, Darmstadt, 1963.
[3] Stevens, G. B. A Theology of the New Testament. Edimburgh, T and T Clark, 1899
[4] Morgan, R. The nature of New Testament theology. The contribution of William Wrede and Adolf Schlatter. A. R. Allenson, Editora Virtual, 1973.
[5] Bultmann, Rudolf Karl. Teologia do Novo Testamento. Editora Academia Cristã, Santo André, 2008.