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domingo, 25 de janeiro de 2015

UM ESTUDO SOBRE O PECADO — PARTE 013A — PECADO E CASTIGO — PARTE A



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

13A. Pecado e Castigo — PARTE A

I. O pecado exige uma satisfação, um castigo. Como uma afronta à infinita majestade de Deus, o pecado demanda um castigo também infinito e sem limites. É por esse motivo que a Bíblia fala de que o salário do pecado é a morte e de punição eterna no inferno. Este castigo é o reflexo da santidade de Deus onde Ele se mantém a Si mesmo em oposição aos pecados do homem. Em resposta ao pecado, a santidade de Deus assume a forma de justiça expressa em ira infinita e julgamento ilimitado —

Salmos 7:11—17

11 Deus é justo juiz, Deus que sente indignação todos os dias.

12 Se o homem não se converter, afiará Deus a sua espada; já armou o arco, tem-no pronto;

13 para ele preparou já instrumentos de morte, preparou suas setas inflamadas.

14 Eis que o ímpio está com dores de iniquidade; concebeu a malícia e dá à luz a mentira.

15 Abre, e aprofunda uma cova, e cai nesse mesmo poço que faz.

16 A sua malícia lhe recai sobre a cabeça, e sobre a própria mioleira desce a sua violência.

17 Eu, porém, renderei graças ao SENHOR, segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do SENHOR Altíssimo.

II. A resposta de Deus ao pecado, entretanto, acontece do modo como descrito acima na história, apenas na cruz de Cristo, onde o próprio filho se torna o objeto tanto do julgamento quanto da ira de Deus. Como o salário do pecado é a morte, Jesus morre. Como a consequência de se ofender a infinita majestade de Deus é receber infinito castigo, Jesus experimenta exatamente este tipo de castigo a nosso favor. Em todas as outras instâncias, com exceção da Cruz, a ira de Deus e Sua justiça punitiva são sempre corretivas, uma forma de ira em benefício da graça de Deus bem como uma forma de julgamento que pode ser mudado ou evitado se o homem se arrepender e responder de maneira apropriada à graça de Deus. O exemplo bíblico mostrado no livro de Jonas contém todos estes elementos: AQUI RECOMENDA-SE QUE O LEITOR ABRE SUA BÍBLIA NO LIVRO DE JONAS E ACOMPANHE, PORÇÃO POR PORÇÃO, NAS PRÓPRIAS PAGINAS DAS ESCRITURAS SAGRADAS A NARRATIVA A SEGUIR PARA UMA MELHOR APRECIAÇÃO DAQUILO QUE ESTAMOS DIZENDO:

A. Deus chama Jonas e o manda ir a Nínive clamar contra ela a mensagem do Senhor — Jonas 1:1—2.

B. Jonas decide desobedecer a Deus, pois quer evitar que a graça de Deus alcance os Ninivitas — Jonas 1:2—3. Ver Jonas 4:2 onde Jonas explica os motivos porque fugiu em vez de ir a Nínive como Deus lhe havia ordenado.

C. Deus vai atrás de Jonas e o alcança em julgamento visando o benefício da Sua graça. Deus não queria castigar Jonas, queria conduzi-lo ao arrependimento — Jonas 1:4, 11, 13.

D. Jonas sugere que os marinheiros o lancem para fora do barco — Jonas 1:12.

E. Os marinheiros em desespero, eles não eram assassinos, clamam pela misericórdia e perdão Divinos pelo que irão fazer e ato contínuo lançam Jonas ao mar — Jonas 1:14—15.

F. Deus torna uma situação ruim em um testemunho positivo e seu terrível julgamento, a serviço da Sua graça, faz com que os marinheiros temam a Deus — Jonas 1:16.

G. Deus resgata graciosamente a Jonas da tormenta do mar — Jonas 1:17.

H. Jonas se arrepende e se lembra que Deus é um Deus misericordioso e que a salvação pertence a Deus — único lugar em toda a Bíblia onde aparece a frase “Ao SENHOR pertence a salvação!”. Deus ouve sua oração de arrependimento e lhe restitui a vida na terra — Jonas 2:1—10.

I. Novamente a justiça de Deus em benefício da sua graça, ordena a Jonas que vá e proclame a mensagem do Senhor em Nínive. Jonas vai e prega em Nínive. Sua má vontade é bem evidente. Seu sermão contém somente 7 palavras: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida”. Jonas 3:1—4.

J. Jonas sabia que com aquele tipo de mensagem pregada, a reação mais provável dos ninivitas, seria de incredulidade e zombaria. Por esse motivo ele sai da cidade mais não vai embora. Fica ali perto. Ele queria ver a destruição anunciada! — Jonas 4:5.

K. Enquanto isso, dentro da cidade os ninivitas se arrependeram e clamaram pela misericórdia de Deus. Jonas 3:5—9.

M. Deus se arrepende e não leva a cabo o mal anunciado. Sua graça triunfa sobre Seu julgamento anunciado — Jonas 3:10. O “arrependimento de Deus” reflete, na literatura bíblica, apenas que Deus mudou a forma de tratar determinada situação. Não é como o arrependimento humano que envolve atitudes ou pensamento errados.

N. Jonas fica desgostoso com o perdão que Deus concedeu aos ninivitas e Deus o questiona acerca desta ira. Jonas 4:1 e 4. Note a diferença da ira de Deus a serviço da graça de Deus e a ira de Jonas a serviço da vingança.

O. Deus ensina uma lição objetiva a Jonas acerca de como a ira e o julgamento de Deus estão a serviço da graça de Deus. Enquanto Jonas sente compaixão de uma planta que nunca fez nenhum mal, Deus sente compaixão pelos pecadores perdidos — Jonas 4:6—11.

III. O único julgamento Divino que Deus não pode evitar nem se arrepender é aquele que ocorreu na cruz do Calvário. Que todas as outras manifestações de julgamento da parte de Deus sobre o pecado, são sempre contingentes — que podem ou não suceder; eventuais, incertas — e não absolutos; corretivos e não definitivos devem ser um indicativo claro de que toda a justiça administrada pelas sociedades humanas deve visar sempre remediar e corrigir e nunca ser meramente punitiva nem, em nenhuma hipótese, final — como a aplicação da pena de morte.

IV. Voltemos agora ao julgamento de Deus, que Ele levou a cabo na cruz do Calvário que foi, como dissemos o único julgamento definitivo na história da humanidade. O que se passou nos momentos que se referem às últimas horas da vida do nosso Senhor sobre esta terra e até que Ele clamou “está consumado”, não pode se descrito em palavras e muito menos mostrado em película cinematográfica. Todavia, dentro do possível, Deus nos concede através de Sua palavra, uma visão suficiente — suficiente dentro daquilo que Deus mesmo intencionava para nós — do que se passou. Os evangelhos sinóticos — Mateus, Marcos e Lucas — descrevem os acontecimentos passados no jardim do Getsêmani em mais detalhes que João, que se ocupa, por sua vez, muito mais com as horas passadas no Cenáculo — João 13 a 17. Para este estudo vamos nos valer da versão de Marcos — considerada a mais antiga — e fazer referências a Mateus e Lucas quando necessárias.

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS SOBRE O PECADO

O PECADO — ESTUDO —001 — TERMOS GREGOS E HEBRAICOS E PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

O PECADO — ESTUDO —002 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 1

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O PECADO — ESTUDO —004 — A QUEDA PROPRIAMENTE DITA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 3 — FINAL

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O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

UM ESTUDO ACERCA DO PECADO - PARTE 012 - O PECADO E A GRAÇA DE DEUS



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

12. Pecado e a Graça de Deus

Pecado, como falamos no primeiro estudo dessa séria, o pecado é a transgressão da lei, mas nunca fica só nisso. Como o propósito da lei era nos conduzir à graça de Deus e por consequência a Jesus, o pecado é sempre um ato contra a bondade e a graça de Deus.

Gálatas 3:16—25

16 Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: E ao teu descendente, que é Cristo.

17 E digo isto: uma aliança já anteriormente confirmada por Deus, a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não a pode ab-rogar, de forma que venha a desfazer a promessa.

18 Porque, se a herança provém de lei, já não decorre de promessa; mas foi pela promessa que Deus a concedeu gratuitamente a Abraão.

19 Qual, pois, a razão de ser da lei? Foi adicionada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador.

20 Ora, o mediador não é de um, mas Deus é um.

21 É, porventura, a lei contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Porque, se fosse promulgada uma lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade, seria procedente de lei.

22 Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que creem.

23 Mas, antes que viesse a fé, estávamos sob a tutela da lei e nela encerrados, para essa fé que, de futuro, haveria de revelar-se.

24 De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé.

25 Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio.

Essa qualidade do pecado como um ato contra a graça de Deus, nos mostra que o pecado não é nunca algo individual e sim algo coletivo e social. A graça de Deus é uma expressão da vontade de Deus onde Ele deseja estar em comunhão com o homem, fazendo com que este mesmo homem seja a favor tanto de Deus como do próximo —os dois grandes mandamentos —

Mateus 22:36—40

36 Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?

37 Respondeu-lhe Jesus: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento.

38 Este é o grande e primeiro mandamento.

39 O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.

40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.

O aspecto social da graça de Deus pode ser visto exatamente na demanda que devemos obedecer aos dois grandes mandamentos —

1 João 4:7—8

7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.

Aquele que ama a Deus não pode odiar a seu próximo. E todo aquele que odeia a seu próximo não pode amar a Deus.

O pecado, como a rejeição do desejo gracioso de Deus para a vida em comunidade, é, portanto, algo coletivo. É um ato social mesmo na sua forma negativa como um ato anti-social. Por esse motivo, por ser o pecado um ato social, é que ele não é cometido somente individualmente, mas é também cometido por grupos sociais e pode ser personificado em estruturas sociais. Um país pode e, geralmente, peca tanto quanto o indivíduo. Existem pecados nacionais e países inteiros são chamados ao arrependimento e mudança de vida nas páginas da Bíblia, como encontramos, por exemplo, no livro de Jonas, onde Deus envia o profeta para anunciar um desastre (Jonas 3:4), mas em função do arrependimento dos Ninivitas Deus decide não levar adiante a destruição anunciada. De maneira semelhante a igreja pode pecar e ser ordenada a se arrepender e mudar de atitude, mas temos que admitir que muito raramente as igrejas fazem aquilo que exigem de seus membros. Existe muito abuso espiritual cometido pelas lideranças da igreja chamadas cristãs.

Esse caráter comunitário do pecado que reflete o aspecto comunitário da graça de Deus nos ajuda a entender porque a justiça não é um conceito individual, mas é sempre um conceito social. De fato não existe justiça individual separada da justiça social ou coletiva. Toda justiça é justiça social, porque a mesma é a expressão da santidade divina à medida que mantêm o propósito gracioso de Deus para o homem contra os assaltos do homem pecaminoso contra aquele mesmo proposto divino.

Ainda porque o pecado possui esta dimensão social e coletiva a distinção ética entre o “pessoal” e o “social” está arraigada em uma compreensão equivocada do pecado. Toda ética “pessoal” acaba sempre se tornando a ética do indivíduo versus a ética coletiva. Todo pecado é de fato pessoal, seja ele cometido por um indivíduo ou por uma coletividade, seja uma nação ou uma igreja. O mesmo é verdadeiro acerca do amor e do fazer aquilo que é certo. Mas não existe nada que possamos chamar de ética pessoal individual (que diz respeito ou é peculiar a uma só pessoa) da mesma maneira que não existe graça de Deus individual nem justiça individual. As ideias Bíblicas de graça, amor e justiça, bem como os ensinos Bíblicos de que o pecado original de Adão é o pecado de todas as pessoas e o ato de justiça praticado por Jesus que podem se transformar em um ato de justiça de todas as pessoas são completamente destruídos quando o pecado é definido individualmente com referência a uma compreensão legalista da lei, sem se fazer referência ao caráter social da graça de Deus.

Esse aspecto corporativo do pecado pode ser visto claramente nas páginas do Novo Testamento. Tomemos como exemplo a chamada “oração do Pai Nosso”. Note as palavras de Jesus especialmente no que diz respeito à “pessoa” dos verbos:

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;

venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;

o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;

e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;

e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém! – Mateus 6:9—13.

A mesma verdade foi expressa em outra passagem do sermão do monte em —

Mateus 5:23 – 24 onde lemos:

Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.

Nós só podemos orar a Deus como Pai, pedir pelo pão diário, pedir perdão por nossos pecados e livramento do maligno se usarmos pronomes plurais como vós e nós. Só podemos trazer nossas ofertas a Deus se estivermos em paz com nosso próximo. Só podemos adorar a Deus se fizermos justiça ao nosso próximo. É bobagem pensar que Deus vai nos aceitar quando temos ciência de que ofendemos alguém. Este é o maior motivo porque nossas orações não são ouvidas e nem nossa adoração é aceita por Deus. É nossa responsabilidade buscarmos viver em paz com todas as pessoas —


Romanos 12:18

Se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens.

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

ESTUDO DA VIDA DE JESUS – PARTE 1 – ESTUDO 014



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida do Senhor Jesus como apresentada nos quatro Evangelhos. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Jesus Confronta a Religião, a Sociedade e a Cultura.

Lição 014 – A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — 11.

d. O Louvor de Zacarias – Lucas 1:67—79 — continuação.

iv. Para nos libertar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam - Verso 71.

Os judeus do Antigo Testamento estavam acostumados, por causa das experiências passadas, a entender as profecias concernentes ao Messias como se as mesmas se referissem à libertação do povo de Israel do jugo de dominadores estrangeiros. Durante o período de silêncio profético, entre os profetas Malaquias e João Batista, uma complexa teologia escatológica havia sido desenvolvida pelos judeus baseada exatamente nesta expectativa. Quando analisamos tais expectativas Messiânicas existentes no judaísmo rabínico, a primeira coisa que notamos é que existe um lado positivo e outro negativo nas mesmas. O lado positivo tinha a ver com o cumprimento das expectativas judaicas que fantasiavam acerca de um domínio soberano do povo judeu como “cabeça das nações”. O negativo, por sua vez, estava relacionado com o juízo que viria junto com o advento da era Messiânica e que destruiria os ímpios, que como inimigos do povo de Deus, eram também inimigos do próprio Deus[1]. Esta inimizade traria sobre os ímpios a ira e a vingança de Deus de uma maneira avassaladora. Estes dois lados estão tão intimamente relacionados que é impossível separá-los.

Mas no contexto do Novo Testamento nós somos ensinados que os verdadeiros inimigos do povo de Deus não são nem os estrangeiros em geral e nunca, em nenhuma hipótese, um irmão na fé, em particular. De acordo com a revelação que temos no Novo Testamento os verdadeiros inimigos do homem, aqueles dos quais Jesus veio nos libertar, são tanto internos quanto externos, como podemos ver a seguir, mas não são, definitivamente, outro seres humanos:

O inimigo interno: O pecado impregnado em nossa natureza carnal que nos leva a cometer o desatino de não fazermos o que preferimos e sim o que detestamos. Mas Jesus veio para nos libertar do pecado i.e., das nossas práticas perversas e pervertidas, de nossas cobiças e etc.
Romanos 7:15 – 25.

21 Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.

22 Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus;

23 mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.

24 Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?

25 Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado.

O pecado é nosso maior inimigo, pois age de dentro para fora, e este foi o principal motivo porque Jesus veio:

Mateus 1:21

Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.

Hebreus 9:26

Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.

Outro inimigo interno é a morte que é conseqüência direta do pecado. A Bíblia chama a morte de nosso último inimigo:

1 Coríntios 15:26

O último inimigo a ser destruído é a morte.

Mas Jesus também já cuidou deste inimigo e um dia nós também seremos revestidos de imortalidade

1 Coríntios 15:53 – 57
53 Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade.

54 E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.

55 Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?

56 O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.

57 Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo.

O inimigo externo: O diabo ou satanás é chamado, literalmente, de nosso ἀντίδικος antídikos – o adversário ou inimigo por excelência. Talvez o maior embuste satânico seja nos fazer acreditar que nossos inimigos sejam outros seres humanos e não ele e suas hostes

Gênesis 3:15

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.


Efésios 6:12.

Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.

Estes são os verdadeiros inimigos dos quais o Messias veio salvar seu povo. Estes são aqueles que verdadeiramente nos odeiam: o pecado, a morte e o diabo e suas hostes.

v. Para usar de misericórdia com os nossos pais e lembrar-se da sua santa aliança- Verso 72.

Este versículo mantém estreita relação com a promessa feita no passado de que Deus faz ou usa de misericórdia até mil gerações para com aqueles que guardam os Seus mandamentos

Êxodo 20:6.
E faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.

A aliança referida certamente diz respeito a todas as alianças feitas entre Deus e aqueles a quem ele escolheu – Noé, Abraão, Isaque, Jacó, o Povo de Israel e os crentes do Novo Testamento – mas acima de tudo, faz referência à aliança eterna, feita entre as pessoas da Trindade. O autor da Epístola aos Hebreus capturou de maneira perfeita esta idéia ao se referir à obra planejada pelo Pai desde a eternidade passada, realizada por Jesus Cristo neste nosso mundo e aplicada pelo Espírito Santo no coração daqueles que creem da seguinte maneira: note especialmente a repetição da expressão αἰωνίου aioníou – eterna:

  • Hebreus 5:9 - E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem. 

  • Hebreus 9:12 - Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção. 

  • Hebreus 9:15 - Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. 

  • Hebreus 13:20 - Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança, vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém! 

Assim temos que em Jesus, o Messias, Deus cumpre sua promessa de ser um Deus misericordioso bem como sua promessa com relação à Sua aliança:

Jeremias 32:40

Assim diz o SENHOR: Se puderdes invalidar a minha aliança com o dia e a minha aliança com a noite, de tal modo que não haja nem dia nem noite a seu tempo.

vi. E do juramento que fez a Abraão, o nosso pai - Verso 73.


Este verso faz referência a uma das passagens mais dramáticas, senão a mais dramática, de todo o Antigo Testamento. Aqui estamos nos referindo ao momento quando Deus pediu que Abraão oferecesse sue filho, seu único filho, Isaque, em sacrifício. A história completa está registrada em Gênesis 22 e a mesma constitui uma narrativa ímpar na história da humanidade. No final daquele momento de provação da sua fé, amor e obediência a Deus, Abraão ouviu do próprio Senhor as seguintes palavras: Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho, que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz — Gênesis 22:16—17.

Para Zacarias não havia a menor dúvida de que o juramento feito a Abraão encontrava, no Messias, pleno cumprimento. O apóstolo João nos diz que através do Messias, Deus não somente cumpriu sua promessa a Abraão, como também tivemos pleno acesso tanto à verdade, na própria pessoa do Messias

João 14:6

Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

bem como à graça de Deus

João 1:17

Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.

Romanos 5:20—21.

20 Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado, superabundou a graça,

21 a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.

O leitor poderá ainda ver o comentário feito pelo autor da Epístola aos Hebreus concernente a este juramento de Deus feito a Abraão e que relaciona aquele evento à obra realizada pelo Messias Jesus de maneira bastante direta e com profundas implicações para nossas vidas, como podemos constatar em

Hebreus 6:13—20
13 Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, visto que não tinha ninguém superior por quem jurar, jurou por si mesmo,

14 dizendo: Certamente, te abençoarei e te multiplicarei.

15 E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa.

16 Pois os homens juram pelo que lhes é superior, e o juramento, servindo de garantia, para eles, é o fim de toda contenda.

17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento,

18 para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta;

19 a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu,

20 onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.



OUTROS ESTUDOS ACERCA DA VIDA DE JESUS PODEM SER ENCONTRADOS NOS LINKS ABAIXO:

001 — Estudos Na Vida de Jesus — Porque Jesus Veio a Este Mundo

002 — Estudos na Vida de Jesus — O Registro Escrito Acerca de Jesus — Parte 001

003 — Estudos na Vida de Jesus — O Registro Escrito Acerca de Jesus — Parte 002.

004 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões —

005 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 2.

006 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 3.

007 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 4.

008 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 5.

009 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 6.

010 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 7.

011 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 8.

012 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 9.

013 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 10.

014 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 11.

015 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 12

016 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 13

017 A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14A

017 B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14B

017 C — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14C

017 D — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14D

018 A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 15A

018 B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 15B

019A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 16A

019B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 16B

020 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 17

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 


[1] É fácil entendermos porque os judeus recusaram a aceitar a Jesus como o Messias de Israel. Jesus não veio destruir os inimigos do povo como os judeus imaginavam. Veio para, entre outras coisas, derrubar a parede de separação que existia e fazia distinção entre judeus e não judeus – ver Efésios 2:1 — 3:13 — especialmente Efésios 3:6 que diz:a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho”.esmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho”.

sábado, 24 de março de 2012

O PECADO, A QUEDA E A GRAÇA DE DEUS[1] - Parte 1




Esse material é um estudo dividido em quatro partes. No final de cada parte você encontrará um link para o estudo seguinte. Não deixe de ler as três partes.

Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus - Romanos 8:1.

Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça – Romanos 6:14.

Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu-lhe a mulher: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais. Então, a serpente disse à mulher: É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal. Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu – Gênesis 3:1 – 6.

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor - Romanos 6:23.
Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado - Hebreus 9:26.

SENHOR, SENHOR Deus compassivo, clemente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a iniqüidade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocenta o culpado, e visita a iniqüidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até à terceira e quarta geração! – Êxodo 34:6 – 7.

O motivo porque o autor se sentiu impelido a escrever este artigo, tem a ver com as inúmeras acusações que tem sofrido de ser muito exclusivista nas suas posições acerca da salvação pela graça, mediante a fé em Jesus somente. Nestes dias de “igrejas emergentes”, onde um autor[2] alega ter, finalmente, descoberto a “mensagem secreta de Jesus Cristo”, e onde muito pastores têm defendido idéias de que é possível para um muçulmano, um hinduísta, um animista etc serem salvos por Deus, sem, necessariamente, aceitarem a obra redentora de Jesus, torna-se imperioso falar em defesa da verdade como revelada nas páginas das Escrituras Sagradas contidas no Antigo e Novo Testamento.

É convicção deste autor que toda esta discussão que está aí com respeito à ”igreja emergente”, bem como à chamada “teologia relacional” é fruto da ignorância pura ou proposital por parte daqueles que se recusam aceitar a verdade revelada acerca do pecado, da queda e da graça redentora de Deus através de Jesus Cristo.

Introdução

Ah! O pecado. Palavra pequena, mas tão cheia de força. Força capaz de pegar seres humanos, criados à imagem do próprio Deus, e reduzi-los a meros escravos de toda sorte de paixões e concupiscências. O propósito deste estudo é falar acerca desta questão do pecado, desde a queda de nossos primeiros pais até as implicações que esta mesma queda tem sobre cada um de nós. Mas nossa intenção não é parar por aí e sim, demonstrar como a nossa vida “em Cristo” representa, acima de tudo, completa libertação tanto da condenação, como do poder e culminando com a libertação da própria presença do pecado. A Bíblia nos ensina que através da obra realizada por Jesus somos:

·       Libertos da condenação do Pecado – ver Romanos 8:1.

·       Libertos do poder do pecado sobre nossas vidas – Romanos 6:14.

De fato, a obra de Jesus é tão avassaladora sobre o pecado que o autor da Epístola aos Hebreus nos diz: “Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado - Hebreus 9:26.

Mas a obra de Jesus não para por aí, pois além de aniquilar o pecado, a morte também é vencida através da Sua ressurreição, os pecadores são transformados em santos e aquele que tinha o poder da morte, a saber, o diabo, é também destruído conforme podemos ler em Hebreus 2:14 – 15: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também Ele, igualmente, participou, para que, por Sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida”.

Um dia, nós temos esta promessa, nossos próprios corpos serão glorificados i.e. serão revestidos de imortalidade e então estaremos, também, na própria presença de Deus, livres de toda e qualquer presença do pecado. Ver, por exemplo:

·       Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo – 1 Coríntios 15:53—57.

·       Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas – Filipenses 3:20—21.

·       Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho – Apocalipse 21:3—7.

·       Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela, estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o servirão, contemplarão a sua face, e na sua fronte está o nome dele – Apocalipse 22:3—4.

O que acabamos de escrever fala acerca do final da história. Vamos, então, ver como tudo isto começou.

I. A Queda

Os crentes, independente da denominação a que pertencem, e até mesmo muitos incrédulos, concordam que nós temos na história do Antigo Testamento, que descreve a queda de Adão e Eva, um relato eternamente verdadeiro da maneira como o pecado entrou no mundo - ver Gênesis 3:1 a 6. O próprio Senhor Jesus reconheceu a veracidade histórica de Adão e Eva – ver Marcos 10:6 - 8 - onde Jesus repete as palavras que encontramos Gênesis 1:27; 2:24 e 5:2. O autor não consegue entender, e acha muito difícil aceitar, o argumento de pessoas que, chamando-se de cristãs, ensinam que a história de Adão e Eva não é verdadeira e sim apenas uma lenda ou mito. As palavras de Jesus contradizem completamente esta “estranha teoria”. Como veremos, se a história de Adão e Eva não for 100% verídica, então a própria história da salvação não faz absolutamente nenhum sentido. 

A essência de Gênesis 3:1—6 é que tanto o homem como sua mulher desobedeceram a uma ordem expressa de Deus, apesar de a ordem ter sido dada diretamente ao homem somente – ver Gênesis 2:16 - 17. A sedução da tentação não é mostrada, de maneira mais enfática, em nenhum outro lugar da Bíblia do que nesta passagem. Vamos analisar este texto mais profundamente:

Verso 1: Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o SENHOR Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

Este capítulo não se refere explicitamente a Satanás. O tentador é simplesmente chamado de נְחַשׁ nehash - que na sua forma substantiva é a palavra comumente usada para descrever uma serpente no idioma hebraico - ver Números 21:7 – 9; Deuteronômio 8:15 e Provérbios 23:32. Esta palavra ocorre 31 vezes no Antigo Testamento. A palavra נְחַשׁnehash – ocorre 31 vezes no Antigo Testamento de acordo com a concordância de J. Strong[3]. Possivelmente existe uma relação entre nehash - serpente e a expressão נְחֹשֶׁת - nehoset - bronze. De fato, em Números 21:9 nós lemos que Moisés fez uma serpente de bronze נְחֹשֶׁת נְחַשׁ - nehash nehoset. Séculos depois de Moisés e da geração que havia saído do Egito, nos dias de Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá, nós vamos descobrir que aquela “serpente de bronze” ainda existia e que as pessoas se referiam a ela comoנְחֻשְׁתָּן  nehushetan - Neustã – ver 2 Reis 18:4. A relação entre as palavras “serpente e bronze”, no original hebraico, parece querer indicar certa aparência luminosa e brilhante. Esta aparência, tão significativa, certamente serviu para atrair a atenção de Eva.

Neste contexto existe, todavia, uma nuança que possui implicações bem mais sinistras. A expressão hebraica נַחֵשׁ nahash - pode também funcionar como verbo e, neste sentido, significa - praticar adivinhação, agourar etc - ver Gênesis 44:5 e 15; Levítico 19:26 e Deuteronômio 18:10. Este verbo aparece 11 vezes no Antigo Testamento sempre no Piel que é a forma ativa intensa dos verbos no hebraico. Para entender melhor esta idéias vejam o exemplo a seguir: vamos tomar como ilustração, o verbo שְׁבָּר - shebad – quebrar. Na forma Qal, que faz o ativo simples, seria traduzido por “ele quebrou”. Já no Piel, que faz o ativo intenso, seria traduzido por “ele destruiu completamente, esmagou etc.” O substantivo relacionado ao verbo nahash significa adivinhação - ver Números 23:23 e 24:1. Estudos de outras culturas do Oriente Médio[4] nos ensinam que era comum, entre as práticas adivinhatórias, o uso freqüente de procedimentos que incluíam serpentes.

No relato que temos em Gênesis 3:1, nós não encontramos nenhum nome atribuído à serpente. Em vez disso, o texto nos fornece dois outros tipos de informação. Neste versículo nós somos informados tanto acerca do caráter da serpente, bem como recebemos alguma informação acerca da sua origem.

Primeiro, seu caráter. A serpente é definida como sendo עָרוּם earum - mais sagaz que todos os animais selváticos. עָרוּם - earum - mais sagaz não aparece em nenhuma outra passagem do livro de Gênesis mas é muito freqüente no livro de Provérbios onde é traduzido na ARA[5], de forma consistente, por “prudente”. A pessoa que possui esta qualidade, sagacidade, é elogiada e contrastada:

·       com o אֱוִיל ewil - insensato - ver Provérbios 12:16.

·       com כְּסִיל kesil – estulto – ver  Provérbios 12:23; 13:16; 14:8.

·       e com os chamados infiéis que são chamados de  פֶּתִי peti – simples – ver Provérbios 14:15, 18; 22:3 e 27:12.

De forma contrastante, as duas vezes que a palavra עָרוּם - earum - mais sagaz aparece no livro de Jó – ver 5:12 e 15:5 - são pejorativas. Desta maneira temos que a expressão hebraica עָרוּם - earum - mais sagaz é ambivalente e pode descrever tanto características desejáveis como indesejáveis.

Mas, porque teria Moisés, o autor do livro de Gênesis, usado esta expressão tão ambivalente? Talvez o motivo esteja exatamente na própria ambivalência da expressão earum - mais sagaz. Esta palavra era neutra, isto é, não tinha nenhuma conotação moral especial definida – ver versos de provérbios acima. A intenção do autor e o contexto indicavam o sentido que a palavra deveria ter. Isto torna nossa pergunta ainda mais pertinente: por que aplicar uma palavra que não tem conotação moral definida a um ser que é consistentemente mau, nas páginas das Escrituras? Talvez a melhor maneira de entendermos o porquê de Moisés, o autor do capítulo 3 de Gênesis, ter se utilizado de uma expressão ambivalente, no hebraico, seja aceitarmos o fato de que, ao se utilizar da expressão earum - mais sagaz, sua intenção fosse apenas descrever, de maneira mais simples possível e isenta de conotações morais, a estratégia realmente “prudente” adotada pela serpente, ao engajar um diálogo com a mulher.

No que diz respeito à origem da serpente, nós somos informados, de maneira bem clara, que ela era um animal criado por Deus. Tal afirmativa remove, de forma completa e imediata, qualquer possibilidade da serpente ser vista como algum ser sobrenatural ou mesmo com poderes divinos, apesar do fato de que existem muitos defensores destas idéias. Não, a serpente é uma criatura do único Deus. Nem aqui em Gênesis 3:1, bem como em nenhum outro lugar da Escrituras Sagradas, existe qualquer espaço, por menor que seja, para a mais ínfima possibilidade de um conceito dualista de bem e mal. Os capítulos 1 a 3 do livro de Gênesis não admitem nenhuma idéia de que no princípio havia duas forças opostas. Somente Deus existia “no princípio”. A serpente, como de resto todas as coisas, é criatura!

A serpente dirige, então, suas primeiras palavras à mulher. Por que ela fala com a mulher em primeiro lugar em vez de falar com o homem, ou com ambos, não está claro. Em certo sentido a serpente, apesar de estar falando diretamente à mulher, faz referência aos dois - homem e mulher. E isto é tacitamente reconhecido pela mulher como pode ser visto pelo uso dos verbos – no plural - em:

·       Não comereis de toda árvore do jardim – verso 1.

·       Do fruto das árvores do jardim podemos comer – verso 2.

·       Dele não comereis, nem tocareis nele, para que não morrais – verso 3.

·       É certo que não morrereis – verso 4.

·       Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal – verso 5.

Nos versículos acima podemos notar que as formas verbais estão todas no plural, portanto, a conversa entre a serpente e a mulher inclui o homem. E a mulher, aparentemente com o consentimento do homem, age como porta-voz deles dois. Opiniões acerca do por que a serpente falou com a mulher variam grandemente. Estas opiniões podem ser agrupadas em dois campos básicos. De um lado, há aqueles que defendem a idéia de que a serpente procurou a mulher por ser a mesma mais fraca ou mais vulnerável. No outro extremo, nós encontramos aqueles que dizem que a mulher era, pelo menos neste capítulo, mais atraente, e não estamos falando de beleza somente. Para estes últimos, “assim como a serpente era o mais sagaz dos animais, a mulher era mais bonita, mais inteligente, mais agressiva e muito mais sensível do que seu parceiro do sexo masculino”[6].

De qualquer maneira, as intenções das primeiras palavras da serpente são bem evidentes. As palavras usadas pela serpente quando disse: “É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”, expressam muito mais choque e surpresa do que questionamento. Para tentar manter a expressão de surpresa por parte da serpente, como acabamos de mencionar, a Nova Tradução na Linguagem de Hoje, traduz Gênesis 3:1 da seguinte maneira: “A cobra era o animal mais esperto que o SENHOR Deus havia feito. Ela perguntou à mulher: — É verdade que Deus mandou que vocês não comessem as frutas de nenhuma árvore do jardim?”. Como pode ser facilmente constatado, para traduzir o aspecto de “choque e surpresa”, mencionado logo acima, uma considerável quantidade de palavras – são 7 palavras na ARA contra 16 na NTLH[7] - precisam ser colocadas na “boca da serpente”.

Só poderemos entender o que segue, se entendermos a maneira astuta e sagaz com que a serpente se aproximou de Adão e Eva, manifestando “verdadeira” surpresa diante do mandamento de Deus que, literalmente, dizia o seguinte: “E o SENHOR Deus lhe – a Adão - deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás – Gênesis 2:16 - 17. Esta realidade sozinha deve chamar nossa atenção para o fato de que a serpente exagera, de maneira grosseira e proposital, a proibição dada por Deus. Note como a serpente, apesar do tom interrogativo faz, realmente, uma afirmação de que Deus não lhes havia permitido ter acesso às árvores do pomar!

Como poderiam se alimentar então? A mulher não levou em conta que a afirmação da serpente não passava de uma distorção proposital das palavras do Deus Eterno. A intenção final da serpente, ao manifestar aquela atitude de “choque e surpresa”, visava algo muito mais abrangente do que apenas as palavras usadas não dão a entender. As palavras da serpente queriam causar, como de fato causaram, na mente da mulher, uma impressão de que o Deus Criador é um ser cheio de malícia, maldoso até e, obsessivamente ciumento e auto-protetor de Si mesmo. Isto pode ser visto e, trataremos deste aspecto nos próximos parágrafos com maiores detalhes, na tentativa que percebemos em Eva de defender o Senhor Deus. Tal tentativa é um claro indicativo de que a isca lançada havia sido abocanhada.

Como dissemos logo acima, a primeira afirmação da serpente dá a Eva uma perigosa oportunidade de defender Deus. De tomar, por assim dizer, “Seu partido” e, com isto, de tentar esclarecer, para a serpente, as posições de Deus. Uma tentação permanente entre os humanos é esta: Tentação # 1 = falar em nome de Deus! Pelas palavras da serpente, em uma fração de segundos, a realidade de que Deus era um criador e provedor gracioso e beneficente, deixa de ser verdade e precisa ser defendida. Eva assume que a inferência feita pela serpente, de que Deus era, realmente, um ser cruel e opressor de suas criaturas – pois não deixava as mesmas sequer se alimentarem - precisava ser rebatida. Eva sai em defesa do Deus Todo-Poderoso, mas de maneira que pode ser caracterizada, apenas como canhestra. Em Gênesis 3:2 – 5 nós temos aquilo que o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer chamou, de forma bastante apropriada, de “a primeira conversa acerca de Deus”[8].

A Segunda Parte desse estudo poderá ser alcançada através desse link:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2012/03/o-pecado-queda-e-graca-de-deus-parte-2.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no facebook através do seguinte link:

Desde já agradecemos a todos.
NOTAS



[1] Todas as referências bíblicas neste trabalho são da Versão de Almeida Revista e Atualizada no Brasil – ARA – segunda edição, da Sociedade Bíblica do Brasil, a menos que outra versão seja explicitamente mencionada.

[2] Aqui me refiro ao estadunidense Brian McLaren e ao seu livro “The Secret Message of Jesus”, que também está disponível em português como “A Mensagem Secreta de Jesus”. Como um embuste deste tamanho pode despertar admiração e criar um séquito de apaixonados seguidores, incluindo alguns pastores que são considerados verdadeiros “chapa branca” no meio cristão brasileiro, escapa à compreensão do autor deste artigo. Então quer dizer que, somente agora, depois de 20 séculos, nós finalmente e, através de um estadunidense, temos acesso à verdadeira mensagem de Jesus. Não, obrigado, prefiro ficar com a revelação bíblica. O Senhor McLaren apenas repete, em nova roupagem, as mesmas tolices que já foram propaladas pelo movimento chamado “Liberalismo” do século XIX. Sua mensagem não tem absolutamente nada que seja novo. 

[3] Strong, J. An Analytical Concordance of the Old and the New Testament. Hendrickson Publishers, Peabody, 1996.

[4] Joines, K. R. Serpent Symbolism in the Old Testament. Haddonfield House, Haddonfield, 1974.

[5] ARA – Versão de Almeida Revista e Atualizada no Brasil da Sociedade Bíblica do Brasil.

[6] Tribble, P. Depatriarchalizing in Biblical Interpretation. Em “Journal of the American Academy of Religion”, Volume 41, 1973.

[7] Bíblia Sagrada. Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, 2001.

[8] Bonhoeffer, Dietrich. Creation and Fall. Traduzido do alemão por J. C. Fletcher. SCM Press Limited, London, 1959.