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terça-feira, 16 de agosto de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 004 — SERMÃO 037E


Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

4. As características da parábola representam realidades teológicas? O pastor deve ser identificado com Deus, com Jesus, com os discípulos ou com qualquer pessoa que esteja buscando o reino de Deus? E, acima de tudo, existem implicações cristológicas nessa parábola?

Na parte anterior nós tivemos a oportunidade de destacar que os Pais da Igreja enxergavam a encarnação do Filho de Deus na narrativa dessa parábola. Além disso, vimos que o professor K. Bailey, em seu comentário nas Parábolas de Jesus em Lucas, visualizou a expiação no empenho demonstrado pelo pastor[1]. Outros autores, como J. Bengel chegaram à conclusão que o retorno do pastor para sua casa, na narrativa, corresponde ao retorno de Jesus para o lar celestial[2]. Para nós esse tipo de interpretação alegórica está fora dos limites que nos impomos, mas entendemos que, quando estamos lidando com parábolas, especialmente com essa parábola, as mesmas ensinam teologia sim. Se não for assim, elas seriam inúteis para qualquer propósito, salvo o mero entretenimento dos ouvintes.

Isso nos leva para a pergunta número um quando abordamos uma parábola, qualquer parábola: quanto da parábola possui importância teológica? A chave para isso é determinar de que maneira a analogia funciona dentro da parábola. Precisamos também tomar muito cuidado com a linguagem utilizada pelo autor: primeiro Jesus, depois Lucas. A parábola da ovelha perdida não afirma que Deus é um pastor, do mesmo modo que as duas parábolas seguintes não afirmam que Deus é uma mulher ou um pai. Essas três parábolas são analogias implícitas. As ações e as atitudes descritas — e não as pessoas envolvidas — refletem as ações e as atitudes do próprio Deus e do Senhor Jesus. A parábola da ovelha perdida é uma analogia que leva em conta o argumento que diz: se as coisas são assim, então quanto mais elas serão se... O pastor não é Deus, nem Jesus nem qualquer outra pessoa. E a ovelha não é representativa duma pessoa ou de um grupo de pessoas. Todas essas figuras encontram-se na história e devem permanecer, estritamente, dentro da história. Por outro lado, é mais certo ainda que as montanhas, o deserto e os vizinhos não representam nada mesmo. Mas ao mesmo tempo, as imagens selecionadas para compor as narrativas não são escolhidas ao acaso. Elas são escolhidas para provocarem certas reações, pois ao mencionarem o pastor e as ovelhas auxiliam as pessoas com imagens do Deus do Antigo Testamento, da liderança do Povo de Israel no passado e da esperança prometida ao povo de Deus — ver parte anterior.

Não existe absolutamente nada na parábola que nos possa fazer acreditar que a mesma descreve uma pessoa que está buscando o reino de Deus, conforme alega o pessoal do chamado Seminário de Jesus, na pessoa de seu mentor John Dominic Crossan. A opinião de Crossan é a grande responsável pelo surgimento da grande onda de pessoas correndo atrás da salvação — chamados de seeker ou buscadores — como defendida pelos papas do evangelismo de passado recente, como Rick Warren e Carlos Castellanos. Como acontece com todos os que não sabem nadar, eles acabaram se afogando na própria onda que tentaram surfar. Mas ganharam muito dinheiro com isso.

Dessa forma podemos afirmar que a lógica da parábola, mais coerente com a narrativa é: Como deve ser do entendimento geral, em condições normais, um pastor sempre irá em busca duma ovelha perdida, e irá se alegrar muito quando conseguir encontrá-la. Se isso é assim entre os homens, então quanto mais tais condições serão verdadeiras a respeito de Deus, que veio buscar e salvar o perdido? Tanto Mateus quanto Lucas procuram nos mostrar a pessoa de Deus como sendo análoga à pessoa do pastor na forma como estruturam suas narrativas. Com isso, se aproveitam das imagens já conhecidas pelas pessoas acerca do que afirmam as Escrituras do Antigo Testamento com respeito a esses fatos.

E a parábola é sim importante do ponto de vista cristológico. As associações com as narrativas do Antigo Testamento estabelecem, fortemente, a esperança que Deus irá estabelecer um descendente de Davi como pastor sobre seu povo.

Jeremias 23:4—5

4 Levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e elas jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o SENHOR.

5 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra.

Ezequiel 34:23—24

23 Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor.

24 Eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse.

Ezequiel 37:24

O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.

Miquéias 5:2—4

2 E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

3 Portanto, o SENHOR os entregará até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz; então, o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel.

4 Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do SENHOR, na majestade do nome do SENHOR, seu Deus; e eles habitarão seguros, porque, agora, será ele engrandecido até aos confins da terra.

Se Jesus defende seu ato de se alimentar junto com pecadores apontando para o caráter de Deus e afirmando que Deus é como um pastor em busca dos perdidos, então o Senhor Jesus está, de modo implícito, afirmando que ele está fazendo a vontade de Deus. Pelo menos na parábola narrada em Lucas, nós temos plena certeza que a menção do pastor aponta tanto para o caráter de deus, como para as atividades de Jesus. Sem o entendimento ou a aceitação desses aspectos cristológicos, qualquer explicação da parábola torna-se superficial.

CONTINUA...



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.      



[1] Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. Edições Vida Nova, São Paulo, 1995.

[2] Bengel, Jonh Albert.  Gnomon of the New Testament  — 3 Volumes. T. & T. Clark, Edimburgh, 1873.


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS — SERMÃO 037D- MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 004



Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

3. A Parábola da Ovelha Perdida foi Moldada com Base em Textos do Antigo Testamento?

Já tivemos a oportunidade de mencionar em outra parte dessa mesma parábola que imagens dum pastor conduzindo seu rebanho no Antigo Testamento fazem referência a Deus e aos líderes do povo de Israel. Ezequiel 34 é uma dessas passagens, porque ali encontramos um vocabulário muito parecido com o que temos na parábola que estamos estudando. Ezequiel 34 se refere a uma ovelha que se perdeu ou que se extraviou que são as duas expressões utilizadas por Mateus e Lucas na narrativa da Ovelha Perdida — ver Ezequiel 34:4 e 16 e comparar com Mateus 18:2 e Lucas 15:4.

O texto de Ezequiel 34 diz mais ainda. Nele temos afirmado o seguinte:

a. Ovelhas desgarradas por todos os montes — Ezequiel 34:6.

b. O próprio Deus irá procurar e buscar suas ovelhas — Ezequiel 34:11.

c. O próprio Deus irá cuidar de suas ovelhas — Ezequiel 34:16.

d. Deus irá julgar os que oprimem suas ovelhas — Ezequiel 34:17, 20—22.

e. O texto afirma que Deus levantará a Davi para cuidar de suas ovelhas — Ezequiel 34:23—24.

Outros textos também têm essas mesmas ênfase: Que Deus irá cuidar de seu povo e que levantará a Davi como pastor sobre elas. Algumas das outras passagens são:

Jeremias 23:1—6

1 Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto! —diz o SENHOR.

2 Portanto, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, contra os pastores que apascentam o meu povo: Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; mas eu cuidarei em vos castigar a maldade das vossas ações, diz o SENHOR.

3 Eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; serão fecundas e se multiplicarão.

4 Levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e elas jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o SENHOR.

5 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra.

6 Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa.

Zacarias 11:3—17

3 Eis o uivo dos pastores, porque a sua glória é destruída! Eis o bramido dos filhos de leões, porque foi destruída a soberba do Jordão!

4 Assim diz o SENHOR, meu Deus: Apascenta as ovelhas destinadas para a matança.

5 Aqueles que as compram matam-nas e não são punidos; os que as vendem dizem: Louvado seja o SENHOR, porque me tornei rico; e os seus pastores não se compadecem delas.

6 Certamente, já não terei piedade dos moradores desta terra, diz o SENHOR; eis, porém, que entregarei os homens, cada um nas mãos do seu próximo e nas mãos do seu rei; eles ferirão a terra, e eu não os livrarei das mãos deles.

7 Apascentai, pois, as ovelhas destinadas para a matança, as pobres ovelhas do rebanho. Tomei para mim duas varas: a uma chamei Graça, e à outra, União; e apascentei as ovelhas.

8 Dei cabo dos três pastores num mês. Então, perdi a paciência com as ovelhas, e também elas estavam cansadas de mim.

9 Então, disse eu: não vos apascentarei; o que quer morrer, morra, o que quer ser destruído, seja, e os que restarem, coma cada um a carne do seu próximo.

10 Tomei a vara chamada Graça e a quebrei, para anular a minha aliança, que eu fizera com todos os povos.

11 Foi, pois, anulada naquele dia; e as pobres do rebanho, que fizeram caso de mim, reconheceram que isto era palavra do SENHOR.

12 Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata.

13 Então, o SENHOR me disse: Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do SENHOR.

14 Então, quebrei a segunda vara, chamada União, para romper a irmandade entre Judá e Israel.

15 O SENHOR me disse: Toma ainda os petrechos de um pastor insensato,

16 porque eis que suscitarei um pastor na terra, o qual não cuidará das que estão perecendo, não buscará a desgarrada, não curará a que foi ferida, nem apascentará a sã; mas comerá a carne das gordas e lhes arrancará até as unhas.

17 Ai do pastor inútil, que abandona o rebanho! A espada lhe cairá sobre o braço e sobre o olho direito; o braço, completamente, se lhe secará, e o olho direito, de todo, se escurecerá.

Diante dessas passagens não temos como contra-argumentar acerca da influência de passagens do Antigo Testamento na criação da parábola da Ovelha Perdida.

Tudo isso nos leva outros dois aspectos muito importantes na narrativa da parábola da Ovelha Perdida:

a. A parábola é uma severa crítica contra as lideranças daqueles dias por falharem em cuidar das ovelhas representadas pelo povo de Israel. Eles não estavam fazendo nada no sentido de buscar e salvar as ovelhas perdidas.

b. Jesus, por sua vez, assume o papel de pastor do povo e se declara como aquele que faz a vontade de Deus colocando-se a serviços das ovelhas.

Outras implicações de textos do Antigo Testamento poderá ser vista na longa defesa que Kenneth Bailey faz acerca do uso de imagens do Salmo 23 no contexto da Parábola da Ovelha Perdida[1].

A contribuição singular de Bailey na discussão da parábola da Ovelha Perdida e seu relacionamento com o Salmo 23 está em seu argumento que a afirmação “refrigera-me a alma” em Salmos 23:3 pode ser traduzida pela expressão “resgata minha alma”. Nesse sentido a mesma teria então os seguintes sentidos: a) Ele me faz voltar; b) Ele me faz com que me arrependa. Para Bailey o arrependimento representa a “aceitação de ter sido encontrado”.

Concluindo essa parte, podemos afirmar o seguinte: O uso de figuras retiradas do Antigo Testamento suprem as palavras do Senhor Jesus com imagens poderosas e facilmente compreendidas pelos ouvintes que apontam para: a) uma acusação direta de Jesus contra os líderes judeus de sua época no que diz respeito ao cuidado que deveriam ter com as ovelhas; b) o caráter amoroso de Deus e seu próprio ministério caracterizado pelas palavras buscar e salvar:

Lucas 19:10

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.

CONTINUA...




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001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

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025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

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028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
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037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
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037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. Edições Vida Nova, São Paulo, 1995

quinta-feira, 21 de maio de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 004



O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida 
Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo

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A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”
– Lucas 22:44 –

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão” (Lucas 22:44)

Nosso Senhor Jesus Cristo, em Sua natureza original, estava infinitamente acima de todo o sofrimento, pois Ele era “Deus sobre todos, bendito eternamente”; mas, quando Ele se tornou homem, Ele não foi somente capaz de sofrer, mas participou dessa natureza que é extremamente débil e exposta ao sofrimento. A natureza humana, por causa de Sua fraqueza, é nas Escrituras comparada com a erva do campo, que facilmente murcha e se deteriora. Assim, é comparada com uma folha; e ao restolho seco; e uma rajada de vento, e da natureza do homem fraco é dito ser pó e cinza, por ter o Seu fundamento em pó, e por ser esmagada pela traça. Foi esta natureza, com toda a Sua fraqueza e exposição aos sofrimentos, que Cristo, que é o Senhor Deus onipotente, tomou sobre si. Ele não tomou a natureza humana para Ele em Seu primeiro, mais perfeito e vigoroso estado, mas nesse estado desesperadamente fraco em que Ele está desde a queda; e, assim, Cristo é chamado de “renovo”, e “a raiz de uma terra seca”, Isaías 53:2: Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos. Desta forma, como a principal missão de Cristo no mundo foi sofrer, assim, ele cumpriu de forma consagrada a sua incumbência, Ele veio com tal natureza e, em tais circunstâncias feitas para abrir caminho para o Seu sofrimento; por isso, toda a Sua vida foi repleta de sofrimento, Ele começou a sofrer em Sua infância, mas Seu sofrimento aumentou à medida que Ele se aproximava do fim de Sua vida. Seu sofrimento após o início de Seu ministério público era provavelmente muito maior do que antes; e a última parte do tempo de Seu ministério público parece ter sido distinguido pelo sofrimento. Quanto mais Cristo viveu no mundo, quanto mais os homens viram e ouviram dEle, mais eles O odiavam. Seus inimigos estavam cada vez mais enfurecidos pela continuação da oposição que Ele fez às suas concupiscências; e o Diabo tendo sido muitas vezes confundido por ele, cresceu mais e mais em fúria, e cada vez mais reforçou a batalha contra Ele, de modo que a nuvem sobre a cabeça de Cristo crescia mais e mais escura, enquanto Ele vivia no mundo, até que estivesse em Sua maior escuridão, quando Ele foi pendurado na cruz e clamou: Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste! Antes disso, estava extremamente escuro, no momento de Sua agonia no jardim; do que temos um relato nas palavras agora lidas; as quais proponho-me a fazer o tema do discurso presente. A palavra agonia significa propriamente um conflito sério, como é testificado em batalhar, correr ou lutar. E, portanto, em Lucas 13:24. Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão. A palavra no original, traduzida como porfiai é Ἀγωνίζεσθε. “Agonize, para entrar pela porta estreita”. A palavra é usada especialmente para esse tipo de luta, que na época era exibida nos jogos Olímpicos, em que os homens se esforçavam pela maestria na corrida, luta, e outros tipos tais de exercícios; e um prêmio era estabelecido, o qual era concedido ao vencedor. Aqueles que, assim, sustentaram, foram, na linguagem então usada, referidos com agonizantes. Assim, o apóstolo em Sua epístola aos Cristãos de Corinto, uma cidade da Grécia, onde tais jogos eram exibidos anualmente, diz em alusão aos esforços dos combatentes: “E todo aquele que luta”, no original, todo aquele que agoniza, “de tudo se abstém”. O local onde foram realizados os jogos foi chamado Ἀγων, ou o lugar da agonia; e a palavra é particularmente usada nas Escrituras para aquele esforço em fervorosa oração onde as pessoas lutam com Deus; elas dão ditas agonizarem, ou estarem em agonia, em oração. Assim, a palavra é usada em Romanos 15:30: E rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que combatais comigo nas vossas orações por mim a Deus; no original, συναγωνίσασθαί, que vós agonizeis comigo. Assim em Colossenses 4:12: [...]combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus”. No original ἀγωνιζόμενος, agonizando por vós. De modo que quando é dito no texto que Cristo estava em agonia, o significado é, que a Sua alma estava em uma grande e séria luta e conflito. Isto foi assim em dois aspectos:

1. À medida que Sua alma estava em um grande e doloroso conflito com aquelas terríveis e incríveis visões e apreensões, as quais Ele tinha naquela ocasião.

2. À medida que Ele estava, ao mesmo tempo, em grande labor e séria luta com Deus em oração.

Proponho, portanto, ao discursar sobre o tema da agonia de Cristo, distintamente desdobrá-lo nestas duas proposições,

I. Que a alma de Cristo em Sua agonia no jardim tinha com aquelas terríveis e incríveis visões e apreensões, das quais Ele era então sujeito.

II. Que a alma de Cristo em Sua agonia no jardim tinha um grande e sério labor e luta com Deus em oração.

I. A alma de Cristo em Sua agonia no jardim tinha um doloroso conflito com aquelas terríveis, incríveis visões e apreensões surpreendentes, das quais Ele era então sujeito.
Ao ilustrar essa proposição me esforçarei para mostrar:

1. O que eram aquelas visões e apreensões.

2. Que o conflito ou a agonia da alma de Cristo foi ocasionado por aquelas visões e apreensões.

3 Que esse conflito era peculiarmente grandioso e angustiante; e,

4. O que podemos supor ser o plano especial de Deus em dar a Cristo aquelas terríveis visões e apreensões, e levá-Lo a sofrer esse conflito terrível, antes de ser crucificado.
Proponho mostrar,

I. Quais eram aquelas terríveis e incríveis visões e apreensões que Cristo tinha em Sua agonia. Isto pode ser explicado considerando:

1 A causa daquelas visões e apreensões; e,

2. A maneira pela qual elas foram então experimentadas.

1. A causa daquelas visões e apreensões, que Cristo teve em Sua agonia no jardim, foi o cálice amargo que Ele deveria em breve beber, posteriormente, na Cruz. Os sofrimentos aos quais Cristo se submeteu em Sua agonia no jardim, não foram Seus maiores sofrimentos; embora fossem mui grandes. Mas Seus últimos sofrimentos sobre a Cruz foram os Seus principais sofrimentos; e, portanto, eles são chamados de “o cálice que Ele tinha de beber”. Os sofrimentos da cruz, sob a qual Ele foi morto, estão sempre nas Escrituras representados como os principais sofrimentos de Cristo; especialmente aqueles em que “Ele levou os nossos pecados em Seu próprio corpo”, e fez expiação pelo pecado. Seu suportar a cruz, Seu humilhar-se e tornar-se obediente até à morte e morte de cruz, é dito como a principal coisa pela qual os Seus sofrimentos evidenciaram-se. Este é o cálice que Cristo havia colocado diante de Si em Sua agonia. É manifesto que Cristo tinha isso em vista, neste momento, a partir das orações que Ele então ofereceu. De acordo com Mateus, Cristo fez três orações naquela noite enquanto no jardim do Getsêmani, e todas sobre este assunto, o cálice amargo que Ele devia beber. Da primeira, temos um relato em Mateus 26:39: E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o Seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres; sobre a segunda no versículo 42: E, indo segunda vez, orou, dizendo: Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade; e da terceira no versículo 44: E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. A partir disso, parece claramente que se tratava de que Cristo tinha tais visões e apreensões terríveis naquele momento. O que Ele insistiu, portanto, em Suas orações, mostra no que Sua mente tão profundamente se concentrava. Foi Seu sofrimento na cruz, que devia ser suportado no dia seguinte, quando haveria trevas sobre toda a terra, e ao mesmo tempo uma escuridão mais profunda sobre a alma de Cristo, do que Ele tinha agora tais vigorosas visões e apreensões angustiantes.

2. A maneira pela qual este cálice amargo foi agora definido na visão de Cristo.
(1). Ele tinha uma apreensão vigorosa disso impressa em Sua mente, naquele momento. Antes, Ele teve uma apreensão do cálice que devia beber. Sua principal missão no mundo era beber esse cálice, e, portanto, Ele nunca deixou de pensar sobre isso, mas sempre o carregou em Sua mente, e muitas vezes falou disso aos Seus discípulos. Assim, em Mateus 16:21: Desde então começou Jesus a mostrar aos Seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia. Novamente em Mateus 20:17-19: E, subindo Jesus a Jerusalém, chamou à parte os Seus doze discípulos, e no caminho disse-lhes: Eis que vamos para Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos príncipes dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte. E o entregarão aos gentios para que dEle escarneçam, e o açoitem e crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará. O mesmo foi o tema da conversa no monte com Moisés e Elias, quando Ele foi transfigurado. Assim, Ele fala de Seu batismo de sangue, Lucas 12:50: Importa, porém, que seja batizado com um certo batismo; e como me angustio até que venha a cumprir-se! Ele fala disso novamente para filhos de Zebedeu em Mateus:20:22: Jesus, porém, respondendo, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber, e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado? Dizem-lhe eles: Podemos. Ele falou dEle sendo levantado, João 8:28: Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis que eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas isto falo como meu Pai me ensinou. João 12:34: Respondeu-lhe a multidão: Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem? Assim, Ele falou sobre a destruição do templo de Seu corpo, João 2:19: Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. E Ele falou muito sobre isso um pouco antes de Sua agonia, em Seus conselhos agonizantes aos Seus discípulos nos capítulos 12 e 13 de João. Desta forma, esta não foi a primeira vez que Cristo tinha este cálice amargo em Sua visão. Pelo contrário, Ele parece sempre ter tido ele em vista. Mas parece que neste momento Deus lhe deu uma percepção extraordinária sobre ele. Um senso da Ira que devia ser derramada sobre Ele, e dos incríveis sofrimentos aos quais Ele devia se submeter, foi fortemente imprimido em Sua mente pelo poder imediato de Deus, de modo que Ele teve apreensões muito mais plenas e vigorosas da amargura do cálice que Ele devia beber do que Ele já houvera tido antes, e essas apreensões eram tão terríveis, que a Sua fraca natureza humana afundou com a visão, e esteve prestes a sucumbir.

2. O cálice de amargura foi representado neste momento como exatamente à mão. Ele tinha não somente uma visão mais clara e viva disso do que antes; mas isso foi agora estabelecido diretamente à Sua frente, para que Ele pudesse, sem demora, tomá-lo e bebê-lo; pois, em seguida, dentro dessa mesma hora, Judas estava por vir com o Seu bando de homens, e Ele devia, então, entregar a si mesmo em Suas mãos a fim de que Ele pudesse beber o cálice no dia seguinte; a não ser que, de fato, Ele se recusasse a tomá-lo, e assim fizesse a Sua fuga daquele lugar para onde Judas viria; o que Ele teve oportunidade suficiente para fazer se Ele estivesse assim disposto. Tendo, então, demonstrado que essas terríveis visões e apreensões foram as que Cristo teve no momento de Sua agonia; tentarei demonstrar...

CONTINUA...



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