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terça-feira, 16 de agosto de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 004 — SERMÃO 037E


Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

4. As características da parábola representam realidades teológicas? O pastor deve ser identificado com Deus, com Jesus, com os discípulos ou com qualquer pessoa que esteja buscando o reino de Deus? E, acima de tudo, existem implicações cristológicas nessa parábola?

Na parte anterior nós tivemos a oportunidade de destacar que os Pais da Igreja enxergavam a encarnação do Filho de Deus na narrativa dessa parábola. Além disso, vimos que o professor K. Bailey, em seu comentário nas Parábolas de Jesus em Lucas, visualizou a expiação no empenho demonstrado pelo pastor[1]. Outros autores, como J. Bengel chegaram à conclusão que o retorno do pastor para sua casa, na narrativa, corresponde ao retorno de Jesus para o lar celestial[2]. Para nós esse tipo de interpretação alegórica está fora dos limites que nos impomos, mas entendemos que, quando estamos lidando com parábolas, especialmente com essa parábola, as mesmas ensinam teologia sim. Se não for assim, elas seriam inúteis para qualquer propósito, salvo o mero entretenimento dos ouvintes.

Isso nos leva para a pergunta número um quando abordamos uma parábola, qualquer parábola: quanto da parábola possui importância teológica? A chave para isso é determinar de que maneira a analogia funciona dentro da parábola. Precisamos também tomar muito cuidado com a linguagem utilizada pelo autor: primeiro Jesus, depois Lucas. A parábola da ovelha perdida não afirma que Deus é um pastor, do mesmo modo que as duas parábolas seguintes não afirmam que Deus é uma mulher ou um pai. Essas três parábolas são analogias implícitas. As ações e as atitudes descritas — e não as pessoas envolvidas — refletem as ações e as atitudes do próprio Deus e do Senhor Jesus. A parábola da ovelha perdida é uma analogia que leva em conta o argumento que diz: se as coisas são assim, então quanto mais elas serão se... O pastor não é Deus, nem Jesus nem qualquer outra pessoa. E a ovelha não é representativa duma pessoa ou de um grupo de pessoas. Todas essas figuras encontram-se na história e devem permanecer, estritamente, dentro da história. Por outro lado, é mais certo ainda que as montanhas, o deserto e os vizinhos não representam nada mesmo. Mas ao mesmo tempo, as imagens selecionadas para compor as narrativas não são escolhidas ao acaso. Elas são escolhidas para provocarem certas reações, pois ao mencionarem o pastor e as ovelhas auxiliam as pessoas com imagens do Deus do Antigo Testamento, da liderança do Povo de Israel no passado e da esperança prometida ao povo de Deus — ver parte anterior.

Não existe absolutamente nada na parábola que nos possa fazer acreditar que a mesma descreve uma pessoa que está buscando o reino de Deus, conforme alega o pessoal do chamado Seminário de Jesus, na pessoa de seu mentor John Dominic Crossan. A opinião de Crossan é a grande responsável pelo surgimento da grande onda de pessoas correndo atrás da salvação — chamados de seeker ou buscadores — como defendida pelos papas do evangelismo de passado recente, como Rick Warren e Carlos Castellanos. Como acontece com todos os que não sabem nadar, eles acabaram se afogando na própria onda que tentaram surfar. Mas ganharam muito dinheiro com isso.

Dessa forma podemos afirmar que a lógica da parábola, mais coerente com a narrativa é: Como deve ser do entendimento geral, em condições normais, um pastor sempre irá em busca duma ovelha perdida, e irá se alegrar muito quando conseguir encontrá-la. Se isso é assim entre os homens, então quanto mais tais condições serão verdadeiras a respeito de Deus, que veio buscar e salvar o perdido? Tanto Mateus quanto Lucas procuram nos mostrar a pessoa de Deus como sendo análoga à pessoa do pastor na forma como estruturam suas narrativas. Com isso, se aproveitam das imagens já conhecidas pelas pessoas acerca do que afirmam as Escrituras do Antigo Testamento com respeito a esses fatos.

E a parábola é sim importante do ponto de vista cristológico. As associações com as narrativas do Antigo Testamento estabelecem, fortemente, a esperança que Deus irá estabelecer um descendente de Davi como pastor sobre seu povo.

Jeremias 23:4—5

4 Levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e elas jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o SENHOR.

5 Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra.

Ezequiel 34:23—24

23 Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor.

24 Eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse.

Ezequiel 37:24

O meu servo Davi reinará sobre eles; todos eles terão um só pastor, andarão nos meus juízos, guardarão os meus estatutos e os observarão.

Miquéias 5:2—4

2 E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade.

3 Portanto, o SENHOR os entregará até ao tempo em que a que está em dores tiver dado à luz; então, o restante de seus irmãos voltará aos filhos de Israel.

4 Ele se manterá firme e apascentará o povo na força do SENHOR, na majestade do nome do SENHOR, seu Deus; e eles habitarão seguros, porque, agora, será ele engrandecido até aos confins da terra.

Se Jesus defende seu ato de se alimentar junto com pecadores apontando para o caráter de Deus e afirmando que Deus é como um pastor em busca dos perdidos, então o Senhor Jesus está, de modo implícito, afirmando que ele está fazendo a vontade de Deus. Pelo menos na parábola narrada em Lucas, nós temos plena certeza que a menção do pastor aponta tanto para o caráter de deus, como para as atividades de Jesus. Sem o entendimento ou a aceitação desses aspectos cristológicos, qualquer explicação da parábola torna-se superficial.

CONTINUA...



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.      



[1] Bailey, Kenneth E. As Parábolas de Lucas. Edições Vida Nova, São Paulo, 1995.

[2] Bengel, Jonh Albert.  Gnomon of the New Testament  — 3 Volumes. T. & T. Clark, Edimburgh, 1873.


Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sábado, 3 de janeiro de 2015

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO - PARTE 001



Reprodução de Paulo em uma de suas pregações

ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

ATENÇÃO: O material contido nesses estudos foi, em grande parte, adaptado da notas de aula e da apostila fornecida pelo professor Dr. Richard B. Gaffin em sua aula de teologia que explorou a importância da ressurreição de Jesus para a Teologia Paulina. Todas as vezes que o material mostrou-se insuficiente devido os anos que já se passaram, os lapsos foram preenchidos pelo editor do Grande Diálogo. O Dr. Gaffin, além de professor tornou-se um amigo a quem tivemos a oportunidade de receber em nossa casa, acompanhado de sua esposa, quando morávamos na cidade da Filadélfia nos EUA.

INTRODUÇÃO

Ao contrário do que muitos imaginam e praticam, especialmente no meio chamado evangélico, e até mesmo no meio de muitas igreja históricas e inclusive reformadas, com pastores formados em instituições periféricas e em cursos de 1 ano ou 1 ano e meio de duração, com aulas somente aos sábados, ou aulas exclusivamente à distância, a interpretação das Sagradas Escrituras nunca acontece em uma espécie de vácuo. Existe de fato um conjunto de variáveis de todas as ordens que fazem sentir seu peso apropriado, todas as vezes que nos dedicamos com respeito ao trabalho da hermenêutica e exegese.

De tudo o que podemos mencionar, existem dois fatores fundamentais e muito importantes nesse processo todo.

1. A teologia Reformada sempre foi encarada como sendo distintivamente paulina em sua essência. Como isso, queremos dizer que, no que diz respeito à teologia Reformada e sua relação com os ensinamentos paulinos a mesma é sempre mais sensível ao que o apóstolo Paulo produziu do que outras tradições. Isso é espacialmente verdadeiro quando falamos da profundidade dos motivos e das tendências dos ensinamentos de Paulo bem como de uma maior consistência da expressão desses mesmos ensinamentos.

Um dos aspectos mais profundos do que estamos falando tem a ver com a teologia da ressurreição, cujas principais obras, até o dia de hoje foram e continuam sendo produzidas por indivíduos de fé solidamente reformada. Entre esses nomes podemos citar:  Herman Bavink, Rudolf Bultmann, Kurt Deissner,  N. Q.Hamilton, Johann Wilhelm Hermann, Charles Hodge, Werner Kramer, Abraham Kuyper, John Murray, Herman Ridderbos, Enrich Schäder, Albert Schweitzer, Geerhardus Vos e Benjamin  Warfield.

Talvez alguém se pergunte, por que no meio de tantos teólogos, de tantas denominações, tão pouco está escrito acerca da “Ressurreição de Cristo”? Um dos principais motivos é que a ressurreição de Cristo, quase sempre foi entendida como parte do todo do processo soteriológico — processo de salvação. Ou seja, como parte daquilo se aplica ao indivíduo para sua salvação pessoal. Aspectos forenses, especialmente a doutrina da justificação pela fé, têm sido considerados como centrais em todo o processo envolvendo a ressurreição de Jesus.

Por outro lado, o foco da Cristologia — o ensino acerca da vida e obra da pessoa do Senhor Jesus Cristo — foi sendo entendido, quase que exclusivamente, como fazendo apenas referências ao seu sofrimento e morte como expiação pelos nossos pecados. O interesse acerca da ressurreição de Jesus, em sua maior parte, só pode ser encontrado atrelado a idéias apologéticas — ensinamentos relativos à defesa da fé — e como um estímulo para a fé. Uma vez tendo recebido tão pouco interesse em si mesma, não foi difícil para a ressurreição de Jesus ser vista apenas como um selo que permite aplicar, com maior facilidade, a redenção produzida pela morte de Cristo.

O segundo aspecto tem a ver com o fato que nas últimas décadas a abordagem bíblico-teológica no meio dos círculos Reformados foi marcada por uma negação da validade da inspiração e da unidade das Escrituras. Isso também aconteceu com a teologia pentecostal, de modo geral, e assim criou-se o vácuo que mencionamos no início do artigo, mas que não passa apenas de uma grande ilusão. Um engano mortal e destruidor que aos poucos vai se revelando devastador tanto para a teologia pentecostal quanto para a teologia reformada.

São bem poucos os estudiosos ortodoxos que têm reconhecido que a revelação bíblica tem chagado até nós por meio de um processo de desenvolvimento orgânico, como verdadeira história em seus fatos e acompanhada da palavra de revelação de Deus que explica os fatos históricos. O êxodo dos judeus deixando o Egito, talvez seja um dos momentos mais emblemáticos do que estamos afirmando. Temos o evento histórico – o êxodo — e temos a revelação divina que explica o mesmo! Isso nos obriga a tratar tanto os autores bíblicos como o material escrito na Bíblia com a mais profunda reverência, totalmente isenta de afirmações absurdas — geralmente vindas do meio reformado — bem como do besteirol sem fim produzido pelo meio pentecostal e evangélico.

No meio Reformado nós só podemos encontrar dois livros que tratam a obra de Paulo de forma compreensiva. Por favor, não confunda a tradição Reformada com outras tradições que também produziram obras nessa mesma linha. Mas da perspectiva Reformada nós só podemos citar as seguintes obras:

1. The Pauline Eschatology – Twin Brooks Series. Geerhardus Vos, Baker Book House, Grand Rapids, 1979.

2. Paulus: Ontwerp van zinj theologie. Norman Ridderbos, J. H. Kok, Kampen, 1966.

Outras obras produzidas por outras tradições incluem:

1. The Theology of Paul. James d. Dunn, William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1998.

2. Life and the Epistles of St. Paul. W. J. Conybeare e J. S. Howson,William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1953.

3. Paul: Apostle of the Herat Set Free. F. F. Bruce, William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1977.

4. Paulo: Vida e Pensamento. Udo Schnelle, PAULUS e Editora Academia Cristã, São Paulo e Santo André, 2010.

Voltando a Vos e Ridderbos, é importante notarmos que, de forma independente, os dois chegaram a uma mesma conclusão. É óbvio que Ridderbos tinha conhecimento da obra de Vos cuja primeira edição foi publicada em 1930, mas sua dependência do material produzido décadas antes é mínima. A conclusão que eles alcançaram marcou profundamente o entendimento Reformado desde então no que diz respeito ao todo da Teologia Paulina. De acordo com Vos e Ridderbos o centro da mensagem paulina não pode ser encontrado na doutrina da justificação pela fé, nem em qualquer outro aspecto soteriológico que envolva o ser humano. Pelo contrário: o interesse primário de Paulo revolve ao redor da realização escatológica da vida de Cristo, especialmente no que diz respeito à sua morte e, principalmente, à sua ressurreição.

Com Vos essa mudança não é tão evidente, apesar de sua obra chamar-se: Escatologia Paulina. Esse título pode enganar facilmente o leitor, especialmente no Brasil, que está muito acostumado a relacionar o termo “escatologia” com as inúmeras interpretações alucinadas acerca do fim dos tempos. Isso é uma prova de quão estreita é nossa visão acerca da dogmática, de modo geral. Nossa visão da escatologia se resume à segunda vinda de Cristo e todos os eventos que tal acontecimento irá desencadear. Mas para Vos, só podemos entender a “escatologia” de Paulo de entendermos o todo de seu pensamento teológico.

Ridderbos também mantém que é a história da redenção ou a orientação escatológica que dirige Paulo em seus pensamentos. Essa ideia é repetida inúmeras vezes em seu livro. De fato Ridderbos nos dá a impressão que está apresentando uma nova ênfase com respeito à tradição — Reformada — à qual pertence. Ele usa, de forma deliberada, a expressão heilshistorisch em uma variedade de contextos para sublinhar que o interesse do apóstolo Paulo está no processo de redenção histórica e não na salvação do indivíduo.

Dessa forma, tanto Vos quanto Ridderbos nos oferecem uma apresentação aprofundada da Ressurreição de Cristo como o objeto central da teologia Paulina. Para Ridderbos a ressurreição de Cristo não é apenas o evento central na teologia paulina, mas é o evento central de toda a história da redenção. Sem a ressurreição de Cristo nada que ficou para trás teria qualquer valor, assim como não teríamos nenhuma esperança para o futuro. Esse é o motivo porque Paulo transforma a ressurreição de Cristo no elemento central de sua pregação — ver como ilustração típica sua pregação em Atenas em Atos 17. Para Vos, o todo da teologia de Paulo está sublinhado pela idéia da ressurreição do Senhor.

Diante desses fatos nós só iremos falar de coisas importantes, tais como: a natureza da ressurreição do corpo, o túmulo vazio e do debate acerca do alegado desenvolvimento de seus — Paulo — ensinamentos acerca da ressurreição, apenas na medida em que essas questões tiverem alguma importância para o nosso tema central.

Como afirmamos desde o início nosso interesse estará focado na interpretação Reformada da ressurreição, mas atenção também será dada a outras tradições à medida do possível. Mas como já mencionamos a literatura acerca desse assunto continua escassa. Uma única exceção, que gostaríamos de destacar é o longo estudo escrito pelo estudioso católico romano D. M. Stanley e publicado na revista “Anacleta Bíblica # 13” em Roma pelo Instituto Bíblico Pontifício.
Em nosso próximo estudo daremos início à discussão de como devemos abordar esse assunto que é tão importante para nós.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA SOTERIOLOGIA DO APÓSTOLO PAULO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002



A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.