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domingo, 26 de março de 2017

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 004


Resultado de imagem para a busca pelo jesus histórico

Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — O FIM DA VELHA ESCOLA — PARTE 004

c. DIVERSIDADE DENTRO DO MOVIMENTO DA VELHA ESCOLA DA BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO

De acordo com o estudioso Karl Adams em sua obra The Christ of Faith[1] depois dos ensinamentos de Strauss — ver estudo anterior na lista abaixo — nós podemos observar o surgimento de três tipos diferentes de abordagens quanto à busca pelo Jesus Histórico pela velha escola:

1. A abordagem mitológica.

2. A abordagem representada pelas chamadas vidas liberais de Jesus.

3. A abordagem escatológica.

Apesar do próprio Strauss ter abandonando a abordagem mitológica na segunda edição de sua obra em 1864, a mesma ainda continuou como uma abordagem básica para a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Isso foi possível devido à continuada influência da ideia representada pelo filósofo Hegel que defendia o conceito que a força criativa seminal da história não estava centrada em qualquer personagem histórico, e sim em ideias. Desse modo, o cristianismo não é o resultado da vida e da obra de Jesus de Nazaré, mas da ideia da união entre Deus e o homem. Todavia, a abordagem mitológica não teve muitos adeptos depois de Strauss. A mesma ficaria aguardando o surgimento do teólogo Rudolf Karl Bultmann — 1884 a 1976 — para ser, novamente, explorada sob a ótica do existencialismo.

A segunda imagem de Cristo que emergiu da escola velha da busca pelo Jesus histórico foi aquela representada pelas vidas liberais de Cristo. Ao contrário da visão mitológica de Strauss e da ênfase hegeliana, esse grupo enfatizava que a história não é feita de ideias, mas de personalidades. Desse modo, para esse pessoal, o fator mais importante para explicar a existência do cristianismo era a personalidade de Jesus. Mas, diziam eles, para que a verdadeira personalidade de Jesus possa vir à tona é necessário que a mesma seja redescoberta pela utilização das ferramentas da moderna ciência da história. Afinal, não podemos nos esquecer que eles ainda representavam a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Qualquer elemento sobrenatural ou miraculoso precisava ser descartado. Era necessário que Jesus fosse entendido como um ser humano comum — independentemente de quão extraordinário ou único ele pareça ter sido. Daí, podemos entender o alvo principal da escola liberal de teologia, de provar como não histórico qualquer coisa que seja sobrenatural ou misteriosa na vida de Jesus. Como resultado disso, a imagem de Jesus que surge é típica do liberalismo teológico: Jesus se parece mais com o filósofo grego Sócrates do que consigo mesmo. Os autores de maior destaque dessa bordagem são facilmente identificáveis como sendo: Adolf Von Harnack, Wilhelm Herrmann e Ernst Troeltsch.

A terceira abordagem é representada pela chamada imagem escatológica de Jesus. Essa escola rejeitou tanto a abordagem mitológica quanto a da visão liberal, porque percebia nas mesmas pressuposições dogmáticas, que fazia com seus proponentes enxergassem naquilo que produziam suas próprias pressuposições. Por seu lado, eles defendiam que uma leitura objetiva e factual das fontes conduziria o leitor — mais é uma pressuposição! — a enxergar a Jesus de uma perspectiva escatológica. Apesar da evidente pressuposição, essa escola se considerava como a única verdadeiramente fiel à pesquisa histórica em busca de Jesus. Representantes importantes dessa escola são:Willhelm Bousset, Albert Schweitzer, Julius Wellhausen e outros. Como afirma Karl Adam na obra mencionada acima: “com a ajuda espinhosa de uma crítica textual, eles tentaram descobrir a pedra fundamental livrando-se, com isso, de todo e qualquer extrato secundário ou terciário”. Mas, de forma patética, muito pouco de qualquer pedra fundamental foi descoberta. Não demorou muito para que o valor da abordagem escatológica fosse reconhecido pelo fato de chamar a atenção para um elemento negligenciado, mas à mesma faltava autenticidade em sua exagerada ênfase que pendia rigorosamente para um lado. Alguns elementos da abordagem escatologia, estão reaparecendo nas teologias de Wolfhart Pannenberg e Jürgen Moltmann.

Até aqui vimos como a velha escola da busca pelo Jesus histórico desejava ser objetiva e desprovida de pressuposições com o objetivo de redescobrir o verdadeiro Jesus da história. Para realizar seus intentos, essas pessoa tiveram que romper com a ortodoxia e abandonarem os dogmas das igrejas patrísticas, medievais e da Reforma. Foi o iluminismo que trouxe a mudança radical da perspectiva dogmática para a perspectiva histórica. Mas o resultado obtido foi muito diversificado e bastante contraditório. Os diversos tipos de abordagem foram apresentadas acima, mas, por falta de tempo, não podemos analisar as subdivisões dentro de cada uma dessas abordagens. Como disse Joachim Jeremias: “A imagem racionalista de Jesus como um pregador da moralidade; a visão dos idealista acerca do homem ideal; os estetas exaltaram a Jesus como mestre das palavras e os socialistas como um amigo dos pobres e um reformador social; ao mesmo tempo em que pretensos estudioso o transformaram apenas num personagem de ficção”[2] Jeremias prossegue dizendo que:”Jesus foi modernizado. Essas vida de Jesus são fruto exclusivo da criatividade dos seus autores. ... O dogma foi substituído pela psicologia e pela fantasia”. Além disso, Carl Braaten em sua obra History e Hermeneutics[3], nos apresenta uma análise devastadora da velha escola da busca pelo Jesus histórico. Ele diz:

“Os biógrafos de Jesus do século XIX eram como cirurgiões plásticos reconstruindo a face de seus pacientes às suas imagens e semelhanças, ou como um artista que pinta a si mesmo no quadro que está criando. Existia, em muitos casos, uma semelhança inequívoca entre o que escreviam acerca da religião de Jesus com suas próprias condições religiosas. Também acontecia do autor geralmente conseguir encontrar o que estava procurando. Quer dizer, ele descobria muitas coisas acerca de Jesus, alegadamente em cima da sua pesquisa puramente histórica, na justa medida em que necessitava das informações para fazer avançar sua própria teologia. Não existe nada que possa promover mais o ceticismo de uma pessoa quando considera os estudos do Novo Testamento, do que a comparação, facilmente feita, entre aquilo que o pesquisador alega ter descoberto historicamente, com sua necessidade teológica daquele mesmo momento”.

Nessa parte final da nossa análise acerca da busca pelo Jesus histórico realizada pela velha escola, nós ignoramos intencionalmente o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, apesar dele ter vivido naquele período, entre 1813—1855. Assim procedemos porque Kierkegaard não teve sobre a velha escola nenhum impacto que possamos considerar como sendo notável. Sua influência só foi plenamente sentida durante o período chamado de neo-ortodoxia, no qual se sobressai a pessoa do teólogo Karl Barth. Outro importante autor que não foi mencionado é o russo Martin Kähler que escreveu O Jesus Histórico e o Cristo Bíblico Histórico. O título original na língua alemã as duas palavras — historie e geschichte — que se tornaram muito importantes nas fases subsequentes da busca pelo Jesus histórico. Os dois, todavia, serão citados na próxima fase da busca.

A busca pelo Jesus histórico da velha escola demonstrou o verdadeiro espírito do Iluminismo e do início da chamada ciência histórico-crítica aplicada à teologia. Hoje fica evidente — como demonstramos nos artigos dessa série —que a alegação de que eles desejavam ser objetivos e sem desposarem nenhuma pressuposição, era de fato, o único mito nessa história toda. Tudo o que a velha escola da busca pelo Jesus histórico conseguiu fazer foi criar um Cristo ebionita, o que é equivalente a dizer o seguinte: eles criaram um Cristo humano. A divindade de Jesus foi negada com base na PRESSUPOSIÇÃO com a qual o movimento se originou. Jesus foi considerado apenas como um ser humano natural típico, do qual todos os elementos divinos e sobrenaturais foram retirados logo de cara. Desse modo o termo histórico foi substituído na velha escola da busca pelo Jesus histórico por mero historicismo. Ou seja, uma história distorcida sem a presença da pregação.

A velha escola da busca pelo Jesus histórico criou o ambiente necessário para os desenvolvimentos posteriores da busca numa espécie de gangorra teológica. É praticamente impossível entendermos Karl Barth e Rudolf Bultman, se não levarmos em conta o background na velha escola e do liberalismo.Os dois tentaram fugir do impasse representado pelas posições da velha escola e do liberalismo, mas tudo o que conseguiram foi apenas desenvolver uma visão do evangelho que paira sobre a história como um disco voador que nunca aterrissa na História.

Rever a história da velha escola acerca da busca pelo Jesus histórico nos ensina uma importante lição. Existe um relacionamento inevitável entre a Palavra e Cristo, entre a Escritura e o Cristo revelado na Palavra. Não é difícil notarmos como a chamada alta crítica — do Iluminismo — minou a autoridade das Escrituras e influenciou a busca pelo Jesus histórico pela escolha velha. Sempre que alguém perde a fé na Palavra revelada de Deus, o passo seguinte é também a perda do reconhecimento do Cristo da Palavra.

É nossa convicção que nós podemos aprender a lição da história e pela graça de Deus alcançarmos uma convicção ainda maior da estratégica interrelação entre a história e a pregação. Jesus de Nazaré e os eventos acerca da sua pessoa como revelados nas Escrituras têm um significado eterno. O próprio Evangelho, a pregação, está arraigada na história: na própria pessoa de Jesus, o Filho encarnado de Deus que morreu na cruz por nós naquela sexta-feira e que ressuscitou para nossa justificação no domingo da ressurreição.
  
CONTINUA...

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012

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[1] Adam, Katl. The Christ of Faith. Pantheon, New York, 1957.
[2] Jeremias, Joachim. The Problem of the Historical Jesus. Fortress Press, Philadelphia, 1972.
[3] Braaten, Carl. New Directions in Theology Today: Volume II History and Hermeneutics. Westminster Press, Philadelphia, 1974.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 003


1-S6840-C1837 David F.Strauss / Holzstich Strauss, David Friedrich evang. Theologe (Leben-Jesu-Forschung) ...
David F. Strauss tentou explicar o Jesus histórico associando-o a mitos variados. 

Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — A VELHA ESCOLA — PARTE 003

b. A VISÃO MÍTICA DE DAVID FRIEDRICH STRAUSS

David Friedrich Strauss representa a abordagem acerca do Jesus histórico da perspectiva mítica — Jesus como mito — ainda na velha escola. Por meio duma interpretação mítica, Strauss procurou romper a barreira representada pelos naturalistas, por um lado e, pelos supernaturalistas, pelo outro. Em certo sentido, Strauss foi o precursor das ideias de Rudolph Bultmann conhecidas como a “demitologização” do Novo Testamento. Strauss viveu entre os anos 1808 — 1874 e morreu um século depois da publicação dos chamados Fragmentos de Reimarus. Seu trabalho mais importante intitulado Leben Jesu — Vida de Jesus — foi publicado originalmente entre os anos 1835—36, e recebeu sucessivas edições posteriores. Entre Reimarus e Strauss muitos livros intitulados ”Vida de Jesus” tinham sido publicados, pois a antiga escola da busca pelo Jesus histórico se via na obrigação de explicar os acontecimentos narrados nos evangelhos que tinham sido desfigurados pelo iluminismo e pelo naturalismo. Tal explicação era devida, para o período que cobria, principalmente, os primeiros trinta anos da vida de Jesus, numa tentativa de justifica o modo pelo qual o menino tinha se tornado o pai do homem Jesus. Strauss estudou sob a direção de F. C. Baur e foi influenciado pela teologia liberal e evolutiva de Schleiermacher e acabou abraçando a filosofia de Hegel.

No prefácio de seu livro Leben Jesu, Strauss fez questão de frisar que a ortodoxia supernaturalista sustentava duas pressuposições básicas: 1) os evangelhos relatam a história; e 2) tal história é uma história sobrenatural. No primeiro movimento da busca pelo Jesus Histórico da velha escola, Reimarus defendeu a ideia que o Cristianismo não tinha se originado a partir duma série de eventos sobrenaturais e sim dum conjunto de circunstâncias naturais. Para Reimarus, isso “provava” que a fé cristã era uma fraude. Strauss concordava com Reimarus acerca do fato do Cristianismo ser uma religião natural, mas discordava quanto ao caráter fraudulento da mesma. Strauss também discordava dos racionalista de sua época os quais, a um só tempo, rejeitavam o caráter da história sobrenatural dos evangelhos, mas mantinha a ideia que os mesmos registravam a história do ponto de vista natural. Segundo Strauss a ciência dos seus dias não podia sentir-se satisfeita com essas medidas paliativa e de acomodação. As perguntas precisavam continuar com o propósito de identificar se os evangelhos eram históricos e, exatamente em que medida, eram históricos. Strauss admitia que não se sentia adequadamente qualificado para oferecer as respostas necessárias, mas sabia que não existia ninguém tão qualificado quanto ele para essa missão. Diante dessa afirmação de autoexaltação, Strauss sentiu-se confortável com a ideia e a autoridade para abolir, por completo, a pressuposição de número 1 mencionada acima! De acordo com Strauss os racionalistas e os naturalistas não tinham sido críticos o suficiente nessa questão. A abordagem histórica, segundo Strauss, exigia — como pressuposto???? — que os evangelhos fossem vistos como literatura mitológica em vez de história natural. Dessa forma, Strauss entendia que sua própria abordagem sacrificava a realidade histórica dos evangelhos — considerados mitológicos —, mas preserva a verdade religiosa contida nos mesmos.

Strauss também enfatizava o objetivo básico do Iluminismo de praticar a mais pura ciência, sem adotar nenhum tipo de pressuposto. Strauss pretendia que não desejava evitar a seriedade da verdadeira busca científica, caracterizada por ser uma busca objetiva e sem pressuposições. Ele afirmava que havia aprendido cedo em seus estudos filosóficos a libertar seus sentimentos e seu intelecto dos dogmas e das pressuposições religiosas. Para os teólogos que consideravam algo absurdo alguém declara-se cristão enquanto abria mão das pressuposições mais básicas da fé, Strauss dizia que aquelas pessoas defendiam pressuposições que não eram científicas.   

A introdução de considerações mitológicas na discussão acerca do Jesus histórico na velha escola é a contribuição singular de Strauss na mesma. Como discípulo de Hegel, Strauss procurava enfatizar ideias em vez de eventos ou personalidades como a verdadeira chave para se entender a história. De acordo com essa abordagem, uma pessoa é importante para introduzir uma ideia na história, mas uma veze que uma ideia foi introduzida na mesma, a pessoa já não mais importante. A ilustração que podemos usar para explicar como essa ideia de Strauss funciona na prática está relacionada com a ideia mitológica relacionada ao chamado Papai Noel. Mesmo que nunca tenha existido um verdadeiro Papai Noel, o fato é que a ideia por trás do mito tem vida própria, independentemente de quem pretende fingir ser o próprio velhinho. Para Strauss, a fé cristã deveria ser entendida, exatamente dessa maneira. É uma ideia baseada em mitos e não história verdadeira.

Para Strauss a existia de Jesus se explica apenas como o elemento que surgiu para introduzir as ideias acerca do cristianismo na história da humanidade. Desse modo, são as ideias e não a pessoa de Jesus que deve ocupar o lugar central na chamada fé cristã. Uma vez que as ideias de Jesus foram projetadas para dentro da história, o próprio Jesus já não é mais relevante nem para mensagem e nem mesmo para as ideias em si. Na abordagem mitológica da velha escola na busca pelo Jesus histórico, a fé cristã pode ser explicada sem necessitar de nenhuma referência à pessoa de Jesus. De repente, como num passe de mágica, a fé cristã torna-se anônima!  

Como discípulo de Hegel, Strauss também concebeu a essência do Cristianismo como a união entre Deus e o ser humano. Uma vez que essa ideia acerca da união entre Deus e o ser humano entrou na história, torna dispensável o evento que deu origem à mesma. O conceito da união entre Deus e o ser humano entrou no consciente da humanidade por meio de Jesus de Nazaré. Mas agora que a mesma está projetada na história, Jesus e sua história não são mais necessários.  

E foi desse modo que a interpretação mitológica de Jesus e do Cristianismo foi oferecida por Strauss como a solução para a investigação histórica acerca de Jesus. Para Strauss, a capacidade de acessarmos a verdadeira história acerca da pessoa de Jesus encontra-se muito prejudicada porque a mesma está coberta de mitos. Strauss duvidava da confiabilidade dos quatro evangelhos. Dessa forma ele apelava para que os estudos à busca do Jesus histórico prosseguissem. Ele admitia que sua resposta não era definitiva. O surgimento da chamado hipótese do documento “Q” — do alemão quelle que significa fonte — alimentou a busca da escola antiga na busca pelo Jesus histórico como Strauss desejava.

Apesar de tudo, Strauss ainda acreditava que os evangelhos, apesar de estarem imersos em diversas camadas de mitos, ainda continham conceitos religiosos e ideias aproveitáveis. Sendo assim, apesar dos evangelhos serem considerados como documentos não históricos, ainda assim e, apesar da mitologia que envolve os mesmos, possuem um significado religioso por causa das ideias que encontramos nos mesmos. E, o Cristianismo não passa da ideia da união de Deus com a raça humana. Com isso Strauss desejava destruir o valor da pregação derivada da história.  

CONTINUA...

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segunda-feira, 5 de setembro de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 002

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Concepção artística do Cristo Pantocrator ou Todo Poderoso

Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — A VELHA ESCOLA — PARTE 002

b. A VISÃO NATURALISTA DE Hermann Samuel Reimarus

A velha escola da busca pelo Jesus histórico teve seu início com Hermann Samuel Reimarus, que viveu entre os anos de 1694 e 1768. Seus escritos mais importantes acerca do Jesus histórico circularam durante sua vida entre seus conhecidos como manuscritos anônimos. Fragmentos desses materiais começaram a ser publicados entre 1774 e 1778. Existe uma versão moderna disponível em língua inglesa[1].

Reimarus era filho de um estudioso de teologia e neto de um clérigo. Durante certo tempo Reimarus ensinou na faculdade de filosofia da Universidade de Wittenberg, mas a maior parte de sua vida acadêmica foi dedicada ao ensino de línguas orientais no Hamburg Acadeic Gymnasium entre de 1727 até 1768. Reimarus foi contemporâneo de grandes luminares da filosofia, tais como: Leibniz, Wolff, Locke, Berkeley e Hume. As influências desses homens podem ser percebidas com facilidade em seus escritos, principalmente a do deísmo inglês e do racionalismo de Wollf. Quando o material original atribuído a Wollf foi publicado — Wolfenbüttel Frangments — pela primeira vez, o mesmo causou certa agitação nos meios acadêmicos, pois havia um forte antagonismo e grande oposição quanto à publicação do mesmo. Em seguida, quando descobriu-se que o verdadeiro autor daquele material era o próprio Reimarus, sua família desaprovou a continuidade da publicação do mesmo, para salvaguardar a reputação da própria família, a salvaguarda dos bens familiares e pelo bem estar geral de todos seu parentes. Estudantes que estavam se preparando para o ministério viram-se perplexos e acabaram desistindo de seus estudos voltando-se para outras profissões.

O que Reimarus fez em seus escritos foi causar uma divisão entre a Cristandade e Jesus deixando apenas um pequeno quadro deísta da pessoa de Jesus. Esse Jesus, como não poderia ser diferente, era um Jesus conforme a religião natural. Ver o artigo anterior onde falamos acerca dos conceitos de religião natural e sobrenatural. Para ajudar o leitor a entender melhor a posição de Reimarus, segue um resumo de suas posições: Seu ponto de partida foi o conteúdo das pregações feitas por Jesus. Ele, então, chegou à conclusão que uma distinção profunda precisava ser feita entre a intenção e mensagem, ou seja, entre os ensinamentos de Jesus e os ensinamentos de seus apóstolos. A mensagem de Jesus foi reduzida a apenas duas frase: 1) Arrependei-vos e crede no Evangelho; e 2) Arrependei-vos porque o Reino de Deus está próximo. Partindo do pressuposto que Jesus não ofereceu nenhuma explicação acerca do que ele queria dizer ao utilizar essas duas frases, então as mesmas devem ser, obrigatoriamente, entendidas de acordo com os termos aceitos pelo judaísmo da época. Isso se deve ao fato de Jesus ter sido um judeu religioso na plenitude dessa expressão. Não era sua intenção criar uma nova religião. Seu único objetivo em vida era restabelecer a independência da nação judaica. Nesse sentido ele era o Messias. Um Messias judeu e político. Jesus desejava despertar os judeus para um levante político que o conduzisse à posição de líder supremo do povo de Israel. Uma vez que a nação de Israel era vista como o Filho de Deus, a reivindicação de Jesus de ser o Messias era algo, restrito aos limites da humanidade. Um entendimento histórico dos ensinamentos de Jesus requer que abandonemos todos os dogmas referentes à metafísica filiação divina de Jesus, bem como acerca da trindade e outros conceitos dogmáticos similares.

Entretanto, a intenção de Jesus de Jesus de despertar os judeus para que o declarassem como seu Messias terrestre e, com isso, alcançar uma completa e definitiva libertação do jugo romano, não se materializou. Jesus esperou em vão pelo levante popular. Jerusalém recusou revoltar-se. Dessa forma a vida de Jesus terminou numa enorme tragédia. Antes de sua prisão Jesus foi tomado de pavor e seu grito de desespero na cruz — “Deus meu, Deus Meu! Porque me Desamparaste?” — indicam o completo fracasso de sua missão. Como os judeus não corresponderam, Deus abandonou a Jesus.

Ainda de acordo com Reimarus, depois desses acontecimentos, os alvos e as intenções dos discípulos assumiram um papel preponderante. Primeiro os discípulos enfrentaram um período de melancolia. Eles não dispunham de nenhum tipo de recursos. Durante os três anos seguindo a Jesus, eles havia se esquecido como era ter que trabalhar. Eles não gostariam de voltar aos velhos e conhecidos caminhos de antes. De que maneira eles iriam se sustenta daqui para frente? A única forma que eles conheciam era por meio da pregação. Reimarus considerava as narrativas da ressurreição contraditórias. Além disso, Reimarus defendia a ideia que Jesus nunca falou nenhuma palavra aos discípulos acerca de sua morte e ressurreição. Desse modo, Reimarus sugeriu uma versão naturalista da ressurreição: os discípulos teriam roubado o corpo morto do Senhor Jesus. Eles então esperaram por um longo período de tempo — 50 dias — que pudesse lhes servir de cobertura para o que tinham feito.  A seguir eles inventaram a mensagem da ressurreição e começaram a proclamar o iminente retorno de Jesus como o Messias. Mas os fatos da história contradizem uma volta rápida de Jesus e, por isso, tal volta não pode ser verdadeira. Desse modo, o cristianismo repousa sobre uma fraude.

Essa foi a primeira tentativa de se descobrir quem, exatamente, foi Jesus, por meio duma alegada abordagem histórica objetiva e isenta de pressupostos. Foi assim que teve início a chamada “velha escola” da busca pelo Jesus histórico.

Em nossos dias, apesar dos postulados de Reimarus continuarem sendo repetidos por falsos mestres — alguns são verdadeiros sabichões — os mesmos são considerados absurdo e muito, mas muito amadores mesmo. Jesus nunca foi um revolucionário político, apesar dessa história ser periodicamente reciclada quando surge uma nova oportunidade de faturar com esse tema. A vasta maioria dos teólogos dos nossos dias, reconhecem que Reimarus não fez justiça ao texto do Novo Testamento. Suas PRESSUPOSIÇÕES deístas e naturalistas criaram uma nova imagem do Senhor Jesus. A velha escola da busca pelo Jesus histórico teve seu início com Reimarus. O grito de batalha do movimento era: vamos voltar para Jesus, o homem de Nazaré. O completo abandono dos dogmas cristãos e a procura da personalidade e da religião de Jesus seriam decisivas. O PRESSUPOSTO básico — da tentativa sem pressupostos — era que o Jesus da história e o Cristo das pregações feitas pela igreja eram pessoas distintas. História e dogma são duas coisas diferentes. E foi assim que o problema acerca da busca pelo Jesus histórico teve seu início.

Muitos outros, naqueles dias, se empenharam em descobrir quem era Jesus. Inúmeros livros com o título de ”Vida de Jesus” fora escritos e publicados. Uma excelente abordagem histórica do que de mais importante foi escrito e produzido naqueles dias pode ser encontrada na monumental obra de Albert Schweitzer, A Busca do Jesus Histórico — Um Estudo Crítico de Seu Progresso de Reimarus até Wrede. Esse material está disponível em português. Por ora, nos basta analisar a posição do teólogo e crítico da Bíblia Heinrich Eberhard Gottlob Paulus que viveu entre 1761 e 1851. Paulus, que veio a falecer em Heidelberg aos noventa anos de idade, apresentou Jesus como um homem exemplar do ponto de vista moral e que ensinou as eternas verdades da religião racional. Ele deu uma interpretação completamente naturalista para os milagres de Jesus. Tais interpretações são comuns em todos os comentários escritos por liberais até os nossos dias. A alimentação dos cinco mil, por exemplo, começou com Jesus compartilhando sua própria refeição dando, desse modo, início a uma reação em cadeia. Dessa forma descobriu-se que havia mais comida do que era realmente necessária. É óbvio que estamos diante de, ainda outra, interpretação superficial e ingênua apresentada em nome da ciência histórica e acompanhada duma genuína objetividade.

CONTINUA...

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[1] Reimarus, Hermann Samuel. Reimarus: Fragments. Wipf & Stock Publishers, Eugene, 2009.


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quarta-feira, 6 de julho de 2016

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 — A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 001



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 001

Os problemas que existem entre a História e a Teologia são da maior importância no contexto dos estudos relativos à Teologia do Novo Testamento. Uma das maiores acusações que são feitas contra a nossa fé cristã tem a ver com a alegação que a mesma não está fundamentada em fatos históricos. Como iremos demonstrar, tal acusação não passa duma grande bobagem, pois os argumentos usados para defender tal ponto de vista são muito mais frágeis do que os argumentos usados para defender a verdade e a historicidade da Bíblia.

Como acontece na grande maioria dos casos, os maiores ataque feitos contra a fé cristã não se originam do lado de fora da Igreja, mas do lado de dentro. Eles partem de pessoas, geralmente incrédulas — o joio — que se encontram dentro da própria Igreja. Não é diferente quando o assunto é a historicidade dos Evangelhos e, principalmente, a historicidade da pessoa e da obra do Senhor Jesus Cristo. O debate é antigo e iremos ver, de modo geral, como através dos séculos a Igreja combateu os erros ensinados por inúmeros hereges. Todavia, foi apenas a partir do século XVIII com Hermann Samuel Reimarus que a discussão moderna teve início. Essa discussão se estende até os nossos dias. Velhos argumentos dos séculos XVIII e XIX são, periodicamente, reciclados e apresentados como novos fazendo a alegria de autores, editores e leitores que entendem pouco, ou até mesmo, quase nada acerca da verdade como revelada nas Escrituras Sagradas.

A. ANTECEDENTES HISTÓRICOS DA BUSCA MODERNA PELO JESUS HISTÓRICO

Com o surgimento do Racionalismo, a capacidade de raciocínio humano foi entronizada como o elemento mais importante para a descoberta e o entendimento do mundo ao nosso redor. Um dos desdobramentos naturais do Racionalismo foi o Iluminismo cuja pretensão era explicar, nos mínimos detalhes, a “verdade” sobre todas as áreas do conhecimento humano. É óbvio que, sendo a religião cristã uma área importante desse conhecimento, a mesma tenha sido analisada por essa ótica defeituosa do raciocínio humano. A premissa básica do Iluminismo era secularizar — remover tudo o que era sobrenatural — de todas as áreas do pensamento e da vida humana. Tudo precisava ser explicado de forma natural sem nenhuma interferência sobrenatural. As consequências de tal abordagem sobre a revelação bíblica e a fé cristã devem ser claras.

Os pressupostos filosóficos adotados pelo Iluminismo podem ser facilmente encontrados no Racionalismo de descartes, Espinosa e Leibniz e também no Empirismo de Locke, Berkeley, Hume e outros. Essa duas escolas filosófica que eram opostas entre si foram como que, miraculosamente, unidas pelo filósofo Alemão Immanuel Kant, o maior expoente do Iluminismo. Foi Kant — viveu entre 1724 e 1804 — quem criou a distinção entre o que ele chamou de universo não fenomenal e universo fenomenal. Em outros termos podemos dizer que essa distinção era entre o que é metafísico daquilo que é físico. Ele também estabeleceu uma distinção entre a razão prática — a fé — e a razão pura. Essas distinções formuladas por Kant são a base de todo o pensamento moderno e são fundamentais para a nossa compreensão da fé e da história em nossos dias. Apesar de rejeitar as distinções de Kant, não deixamos de reconhecer sua importância para o entendimento da Teologia em nossos dias e, especialmente, para o entendimento das questões relacionadas à busca do Jesus histórico.

Para Kant o universo metafísico é o de Deus, da liberdade e da imortalidade. Apenas a razão prática ou a fé tem acesso a esse universo. O universo físico, por sua vez, está acessível aos sentidos humanos e pode ser controlado pelo exercício da razão pura. Todas as ciências humanas se ocupam, exclusivamente, do mundo físico, daquilo que pode ser percebido pelos sentidos. De fato, todas as ciências, a partir de Kant, adotaram essa forma de pensamento e aceitaram a distinção de Kant entre o universo não fenomenal do universo fenomenal. Foi exatamente essa forma de raciocínio que permitiu o surgimento de uma distinção fundamental no campo da Teologia. Estamos falando da distinção dicotômica ente Historie e Geschichte. Essa dicotomia por sua vez, nos remete para a filosofia dos gigantes gregos: Sócrates, Platão e Aristóteles.

A distinção ensinada por Kant dissociou Deus e Sua revelação de todos os aspectos do pensamento humano e, claro, não deixou de afetar a própria Teologia. As pressuposições da história foram mudadas para rejeitar e excluir qualquer elemento considerado sobrenatural. E esse fato está na raiz do que estamos chamando da busca moderna pelo Jesus histórico. A partir de Kant a ênfase dos estudos da história foi completamente colocada sobre a base que todos os fenômenos históricos precisavam ser avaliados, puramente, a partir de elementos naturais, numa relação direta de causa e efeito. Todos os elementos relacionados com a revelação e as ações divinas na história são excluídas como ponto de partida. De posse das ferramentas modernas supridas pelo Iluminismo o historiador precisa fazer duas perguntas: O que realmente aconteceu?  O que realmente aconteceu? Começando com essas perguntas esperava-se que o historiador pudesse respondê-las de modo objetivo deixando de lado todas as pressuposições. A ideia era simples: vamos retirar todos os dogmas antigos da Igreja cristã. Vamos excluir todas as afirmações previamente feitas pela Igreja e pela Teologia. Vamos examinar as escrituras como sendo apenas um livro humano. Colocando de lado toda e qualquer pressuposição o historiador tem a responsabilidade de descobrir quem, na realidade, foi esse tal de Jesus. Desse modo, alegava-se que o historiador objetivo poderia nos dizer, exatamente, como as coisas aconteceram. Mas logo alguém afirmou o seguinte: a ideia de que é possível entramos na história sem nenhum pressuposto é tão ingênua que se parece mais com a ideia que um historiador pode ser neutro em sua abordagem. Mas, à medida que avançarmos em nossa análise ficará claro que tais pressuposições mostraram-se completamente falsas.

Quando o Iluminismo começou a influenciar as áreas do conhecimento humano não demorou muito para que tal influência atingisse a Teologia e os teólogos em cheio. No século XIX teólogos como Friedrich Schleiermacher e Albrecht Ritschl abandonaram os estudos teológicos para mergulhar de cabeça na história com a intenção de tornar a teologia aceitável no meio científico à luz da filosofia kantiana. Todavia, ainda nos dias de Kant, o filósofo Gotthold Lessing — viveu entre 1729 e 1891 — levantou a seguinte questão: É possível que um fato acidental da história humana tenha significado eterno? Essa pergunta é extremamente importante, especialmente para nós os cristãos. Não podemos negligenciar a mesma nem aceitar os pífios argumentos desenvolvidos para ofuscá-la. E não existe nenhum modo de respondermos a essa pergunta, senão por meio de afirmações relacionadas com a fé. Por exemplo, a cruz de Cristo é um exemplo típico do que estamos falando. O mesmo foi um evento tremendamente importante. Nossa salvação eterna depende desse fato glorioso acerca de Cristo —

Romanos 4:25

O qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.

De fato, todos os eventos relacionados à pessoa de Jesus foram tremendos — sua encarnação, sua crucificação e sua ressurreição. E tudo isso aconteceu na história da Palestina duma vez por todas e, como diz Karl Barth, o que Deus fez não pode ser modificado por ninguém. Está feito e ponto. Dessa forma, todos os que se propõem abordar a história a partir de pressuposições iluministas — isto é, pressuposições meramente humanas — precisam responder à seguinte pergunta: de que maneira um avento acontecido na história passada na longínqua Palestina pode ter importância eterna? Não é difícil perceber que ao fazermos tal pergunta, nós estamos dirigindo nossa atenção para o coração da fé cristã. A pergunta de Lessing é, de fato, a pergunta que os proponentes originais da busca histórica pelo verdadeiro Jesus se propuseram a responder.

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