domingo, 26 de março de 2017

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA — A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — PARTE 004


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Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO E A HISTÓRIA

A BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO — O FIM DA VELHA ESCOLA — PARTE 004

c. DIVERSIDADE DENTRO DO MOVIMENTO DA VELHA ESCOLA DA BUSCA PELO JESUS HISTÓRICO

De acordo com o estudioso Karl Adams em sua obra The Christ of Faith[1] depois dos ensinamentos de Strauss — ver estudo anterior na lista abaixo — nós podemos observar o surgimento de três tipos diferentes de abordagens quanto à busca pelo Jesus Histórico pela velha escola:

1. A abordagem mitológica.

2. A abordagem representada pelas chamadas vidas liberais de Jesus.

3. A abordagem escatológica.

Apesar do próprio Strauss ter abandonando a abordagem mitológica na segunda edição de sua obra em 1864, a mesma ainda continuou como uma abordagem básica para a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Isso foi possível devido à continuada influência da ideia representada pelo filósofo Hegel que defendia o conceito que a força criativa seminal da história não estava centrada em qualquer personagem histórico, e sim em ideias. Desse modo, o cristianismo não é o resultado da vida e da obra de Jesus de Nazaré, mas da ideia da união entre Deus e o homem. Todavia, a abordagem mitológica não teve muitos adeptos depois de Strauss. A mesma ficaria aguardando o surgimento do teólogo Rudolf Karl Bultmann — 1884 a 1976 — para ser, novamente, explorada sob a ótica do existencialismo.

A segunda imagem de Cristo que emergiu da escola velha da busca pelo Jesus histórico foi aquela representada pelas vidas liberais de Cristo. Ao contrário da visão mitológica de Strauss e da ênfase hegeliana, esse grupo enfatizava que a história não é feita de ideias, mas de personalidades. Desse modo, para esse pessoal, o fator mais importante para explicar a existência do cristianismo era a personalidade de Jesus. Mas, diziam eles, para que a verdadeira personalidade de Jesus possa vir à tona é necessário que a mesma seja redescoberta pela utilização das ferramentas da moderna ciência da história. Afinal, não podemos nos esquecer que eles ainda representavam a velha escola da busca pelo Jesus histórico. Qualquer elemento sobrenatural ou miraculoso precisava ser descartado. Era necessário que Jesus fosse entendido como um ser humano comum — independentemente de quão extraordinário ou único ele pareça ter sido. Daí, podemos entender o alvo principal da escola liberal de teologia, de provar como não histórico qualquer coisa que seja sobrenatural ou misteriosa na vida de Jesus. Como resultado disso, a imagem de Jesus que surge é típica do liberalismo teológico: Jesus se parece mais com o filósofo grego Sócrates do que consigo mesmo. Os autores de maior destaque dessa bordagem são facilmente identificáveis como sendo: Adolf Von Harnack, Wilhelm Herrmann e Ernst Troeltsch.

A terceira abordagem é representada pela chamada imagem escatológica de Jesus. Essa escola rejeitou tanto a abordagem mitológica quanto a da visão liberal, porque percebia nas mesmas pressuposições dogmáticas, que fazia com seus proponentes enxergassem naquilo que produziam suas próprias pressuposições. Por seu lado, eles defendiam que uma leitura objetiva e factual das fontes conduziria o leitor — mais é uma pressuposição! — a enxergar a Jesus de uma perspectiva escatológica. Apesar da evidente pressuposição, essa escola se considerava como a única verdadeiramente fiel à pesquisa histórica em busca de Jesus. Representantes importantes dessa escola são:Willhelm Bousset, Albert Schweitzer, Julius Wellhausen e outros. Como afirma Karl Adam na obra mencionada acima: “com a ajuda espinhosa de uma crítica textual, eles tentaram descobrir a pedra fundamental livrando-se, com isso, de todo e qualquer extrato secundário ou terciário”. Mas, de forma patética, muito pouco de qualquer pedra fundamental foi descoberta. Não demorou muito para que o valor da abordagem escatológica fosse reconhecido pelo fato de chamar a atenção para um elemento negligenciado, mas à mesma faltava autenticidade em sua exagerada ênfase que pendia rigorosamente para um lado. Alguns elementos da abordagem escatologia, estão reaparecendo nas teologias de Wolfhart Pannenberg e Jürgen Moltmann.

Até aqui vimos como a velha escola da busca pelo Jesus histórico desejava ser objetiva e desprovida de pressuposições com o objetivo de redescobrir o verdadeiro Jesus da história. Para realizar seus intentos, essas pessoa tiveram que romper com a ortodoxia e abandonarem os dogmas das igrejas patrísticas, medievais e da Reforma. Foi o iluminismo que trouxe a mudança radical da perspectiva dogmática para a perspectiva histórica. Mas o resultado obtido foi muito diversificado e bastante contraditório. Os diversos tipos de abordagem foram apresentadas acima, mas, por falta de tempo, não podemos analisar as subdivisões dentro de cada uma dessas abordagens. Como disse Joachim Jeremias: “A imagem racionalista de Jesus como um pregador da moralidade; a visão dos idealista acerca do homem ideal; os estetas exaltaram a Jesus como mestre das palavras e os socialistas como um amigo dos pobres e um reformador social; ao mesmo tempo em que pretensos estudioso o transformaram apenas num personagem de ficção”[2] Jeremias prossegue dizendo que:”Jesus foi modernizado. Essas vida de Jesus são fruto exclusivo da criatividade dos seus autores. ... O dogma foi substituído pela psicologia e pela fantasia”. Além disso, Carl Braaten em sua obra History e Hermeneutics[3], nos apresenta uma análise devastadora da velha escola da busca pelo Jesus histórico. Ele diz:

“Os biógrafos de Jesus do século XIX eram como cirurgiões plásticos reconstruindo a face de seus pacientes às suas imagens e semelhanças, ou como um artista que pinta a si mesmo no quadro que está criando. Existia, em muitos casos, uma semelhança inequívoca entre o que escreviam acerca da religião de Jesus com suas próprias condições religiosas. Também acontecia do autor geralmente conseguir encontrar o que estava procurando. Quer dizer, ele descobria muitas coisas acerca de Jesus, alegadamente em cima da sua pesquisa puramente histórica, na justa medida em que necessitava das informações para fazer avançar sua própria teologia. Não existe nada que possa promover mais o ceticismo de uma pessoa quando considera os estudos do Novo Testamento, do que a comparação, facilmente feita, entre aquilo que o pesquisador alega ter descoberto historicamente, com sua necessidade teológica daquele mesmo momento”.

Nessa parte final da nossa análise acerca da busca pelo Jesus histórico realizada pela velha escola, nós ignoramos intencionalmente o filósofo dinamarquês Sören Kierkegaard, apesar dele ter vivido naquele período, entre 1813—1855. Assim procedemos porque Kierkegaard não teve sobre a velha escola nenhum impacto que possamos considerar como sendo notável. Sua influência só foi plenamente sentida durante o período chamado de neo-ortodoxia, no qual se sobressai a pessoa do teólogo Karl Barth. Outro importante autor que não foi mencionado é o russo Martin Kähler que escreveu O Jesus Histórico e o Cristo Bíblico Histórico. O título original na língua alemã as duas palavras — historie e geschichte — que se tornaram muito importantes nas fases subsequentes da busca pelo Jesus histórico. Os dois, todavia, serão citados na próxima fase da busca.

A busca pelo Jesus histórico da velha escola demonstrou o verdadeiro espírito do Iluminismo e do início da chamada ciência histórico-crítica aplicada à teologia. Hoje fica evidente — como demonstramos nos artigos dessa série —que a alegação de que eles desejavam ser objetivos e sem desposarem nenhuma pressuposição, era de fato, o único mito nessa história toda. Tudo o que a velha escola da busca pelo Jesus histórico conseguiu fazer foi criar um Cristo ebionita, o que é equivalente a dizer o seguinte: eles criaram um Cristo humano. A divindade de Jesus foi negada com base na PRESSUPOSIÇÃO com a qual o movimento se originou. Jesus foi considerado apenas como um ser humano natural típico, do qual todos os elementos divinos e sobrenaturais foram retirados logo de cara. Desse modo o termo histórico foi substituído na velha escola da busca pelo Jesus histórico por mero historicismo. Ou seja, uma história distorcida sem a presença da pregação.

A velha escola da busca pelo Jesus histórico criou o ambiente necessário para os desenvolvimentos posteriores da busca numa espécie de gangorra teológica. É praticamente impossível entendermos Karl Barth e Rudolf Bultman, se não levarmos em conta o background na velha escola e do liberalismo.Os dois tentaram fugir do impasse representado pelas posições da velha escola e do liberalismo, mas tudo o que conseguiram foi apenas desenvolver uma visão do evangelho que paira sobre a história como um disco voador que nunca aterrissa na História.

Rever a história da velha escola acerca da busca pelo Jesus histórico nos ensina uma importante lição. Existe um relacionamento inevitável entre a Palavra e Cristo, entre a Escritura e o Cristo revelado na Palavra. Não é difícil notarmos como a chamada alta crítica — do Iluminismo — minou a autoridade das Escrituras e influenciou a busca pelo Jesus histórico pela escolha velha. Sempre que alguém perde a fé na Palavra revelada de Deus, o passo seguinte é também a perda do reconhecimento do Cristo da Palavra.

É nossa convicção que nós podemos aprender a lição da história e pela graça de Deus alcançarmos uma convicção ainda maior da estratégica interrelação entre a história e a pregação. Jesus de Nazaré e os eventos acerca da sua pessoa como revelados nas Escrituras têm um significado eterno. O próprio Evangelho, a pregação, está arraigada na história: na própria pessoa de Jesus, o Filho encarnado de Deus que morreu na cruz por nós naquela sexta-feira e que ressuscitou para nossa justificação no domingo da ressurreição.
  
CONTINUA...

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Alexandros Meimaridis

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[1] Adam, Katl. The Christ of Faith. Pantheon, New York, 1957.
[2] Jeremias, Joachim. The Problem of the Historical Jesus. Fortress Press, Philadelphia, 1972.
[3] Braaten, Carl. New Directions in Theology Today: Volume II History and Hermeneutics. Westminster Press, Philadelphia, 1974.

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