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quinta-feira, 8 de junho de 2017

EDUCAÇÃO CRISTÃ — ESTUDO 023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002


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O propósito deste estudo é traçar um paralelo entre o batismo com o Espírito Santo com outros ministérios realizados por esse mesmo Espírito.

Antes de prosseguir na leitura, recomendamos a todos que leiam os artigos alistados abaixo, onde fazemos uma apresentação coerente e compreensiva do significado do Batismo com o Espírito Santo. Tal compreensão ajudará a entender melhor o que vamos tratar em nosso estudo de hoje. Os dois artigos poderão ser acessados por meio dos links abaixo:

020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?
021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?

Não deixe de ler também a parte 001 desse estudo por meio do link abaixo:


Falemos então da variedade de ministérios realizados pelo Espírito Santo no Meio do Povo de Deus.

III. O Batismo com ou no Espírito Santo não é o mesmo que ser selado com o Espírito Santo

A. Todo filho de Deus tem sido selado com o Espírito até o tempo da redenção final que é a glorificação do corpo físico —

2 Coríntios 1:22

Que também nos selou e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.

Efésios 1:13—14

13 Em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa;

14 O qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.


B. O Espírito Santo como aquele que habita é o que sela. O selo é a garantia de possessão divina, é a faixa de segurança eterna.

Resumo:

Pela regeneração Ele nos dá sua própria vida.

Pelo Batismo com O Espírito Santo Ele nos une de forma indissolúvel e vital consigo mesmo.

Pela Habitação Ele nos dá sua presença constante.

Pela Selagem Ele nos carimba como pertencendo a Ele mesmo por toda a eternidade.

IV. O Batismo com ou no Espírito Santo não é o enchimento

A. O batismo é uma só vez ao passo que enchimento pode ocorrer diversas vezes.

1. Aquele que, uma vez “em Cristo” quanto à sua posição, nunca pode, em hipótese alguma, achar-se “fora de Cristo“ posicionalmente, uma vez que tal posicionamento depende de forma integral sobre a eficiência da obra redentora completada por Cristo, o Filho de Deus, e não depende de méritos humanos ou de nossa fidelidade.

2. O enchimento com o Espírito Santo é uma experiência renovável —

Atos 2:4

Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem.

Atos 4:8, 31

8 Então, Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: Autoridades do povo e anciãos.

31 Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.

Atos 9:17

Então, Ananias foi e, entrando na casa, impôs sobre ele as mãos, dizendo: Saulo, irmão, o Senhor me enviou, a saber, o próprio Jesus que te apareceu no caminho por onde vinhas, para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo.

Atos 13:9

Todavia, Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse:

Efésios 5:18

E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito.

B.     O batismo não é experimental ao passo que o enchimento é experimental.

1. O batismo com o Espírito Santo não é uma experiência que afeta os sentimentos.

2. Já o ser cheio do Espírito é uma experiência bem definida. Ela produz o seguinte na vida do cristão:

a.  Fruto — Gálatas 5:22—23

b. Poder  - Atos 1:8

c. Coragem  -  Atos 4;31

d. Obtenção de vitória. vitória  -  Gálatas 5:16

e.  Atividade de louvor e adoração -  Efésios 5;18-20

f. Direção divina  -  Romanos 8:14

g. Oração efetiva  -  Romanos 8:27

C. Não existe mandamento para sermos batizados com o Espírito Santo, porém existe para sermos enchidos com o Espírito Santo — Efésios 5:18.
D. O batismo com o Espírito Santo foi um acontecimento único, que não se repete e é universal, ao passo que o enchimento com o Espírito Santo se repete e pode tornar-se realidade na vida de todos os crentes.

1. Todos os cristãos são batizados, mesmo os cristãos imaturos —


1 Coríntios 3:13

Manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará.

1 Coríntios 5:1—10


1 Coríntios 12:13

Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

2. Que nem todos os cristãos estão cheios com o Espírito Santo é evidente pela imaturidade e vida pecaminosa de certos cristãos de Corinto.

E. O resultado do batismo e do enchimento são diferentes:

1. O batismo diz respeito a posição.

2. O enchimento diz respeito ao nosso andar.


F. As condições do batismo são diferentes das do enchimento —

1. O Batismo com o Espírito Santo é um acontecimento histórico do qual nos apropriamos pela fé

João 3:16

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Atos 16:31

Responderam-lhe: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa.
Gálatas 3:26—27

27 Porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes.

28 Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

2. Enchimento

a. Não entristeçais o Espírito —

Efésios 4:30

E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

b. Não apagueis o Espírito —

1 Tessalonicenses 5:19

Não apagueis o Espírito.

c. Andai no Espírito —

Gálatas 5:16

Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.

Colossenses 2:6

Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele,

Pelo enchimento, o Espírito Santo nos controla e nos dá poder para vivermos a vida espiritual de tal forma que mantenhamos um procedimento condigno com a nossa posição —

Efésios 4:10

Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2013/04/a-excelencia-da-vida-pessoal-daqueles.html
002 — A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2013/04/a-excelencia-da-vida-pessoal-daqueles_5.html
003 —A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 003
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006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/06/educacao-crista-igreja-crista-no-brasil.html
007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/07/a-igreja-crista-no-brasil-no-seculo-xxi.html
008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/educacao-crista-igreja-crista-no-brasil.html
009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/educacao-crista-igreja-crista-no-brasil.html
012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/03/educacao-crista-estudo-012-nossa.html
014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/07/educacao-crista-estudo-014-o-que-novo.html
015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/09/educacao-crista-estudo-015-o-que-o-ovo.html
016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/educacao-crista-estudo-016-o-que-o-novo.html
017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-017-o-que-o-novo.html
018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-018-o-que-o-novo.html
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/educacao-crista-estudo-019-o-que-o-novo.html
020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-020-o-que-o-novo.html
021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-021-o-que-o-novo.html
022 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/educacao-crista-estudo-022-os.html
023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/functionisogramigoogleanalyticsobjectri.htm

024 — A DISCIPLINA DA IGREJA — PARTE 001 — O DISCIPULADO

Que Deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis
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quinta-feira, 9 de março de 2017

JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO — ESTUDOS 045 — JOSÉ SE MANIFESTA COMO MARAVILHOSO CONSELHEIRO


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Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida de José como um Tipo do Senhor Jesus Cristo. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: José como Tipo de Cristo.

45. José Se Manifesta Como um Maravilhoso Conselheiro.

Depois de ter revelado o significado dos sonhos do Faraó do Egito, José assumiu a responsabilidade de orientar o monarca acerca do melhor curso a ser seguido, com o objetivo de enfrentar a calamidade que estava se aproximando e fazer provisões adequadas para o futuro.

De acordo com os sonhos, primeiro viriam sete anos de abundância os quais seriam, imediatamente, seguidos por sete anos de fome. Por esse motivo, José orientou o faraó a estocar a abundante produção dos próximos sete anos, como a única forma deles conseguirem sobreviver durante a terrível fome que se estenderia por outros sete anos. Por meio da graça de Deus em sua vida, José foi capaz de demonstrar uma sabedoria incomum e manifestar uma superioridade imensurável sobre os sábios do Egito.

Novamente, temos uma analogia perfeita entre José e Jesus. Quando Jesus teve sua vinda profetizada pelo profeta Isaías, o mesmo disse que o Messias seria chamado de:

Isaías 9:6

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.      
Jesus foi o Maravilhoso Conselheiro enviado pelo próprio Deus para a humanidade com a mensagem de como a mesma deveria se preparar para o futuro, e garantir o melhor de seus interesses futuros. Conforme podemos ler em colossenses 2:3 é em Jesus Cristo que nós podemos encontrar todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento:

Colossenses 2:3

Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.

Jesus é aquela pessoa única, exclusiva, que todos precisamos conhecer, porque é nele, na sua pessoa, que todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão “estocados”. A expressão sabedoria é σοφία — sofía — e conhecimento é γνω̂σις — gnôsis. Unidas como se encontram em Colossenses 2:3 pelo artigo τη̂ς — tês —, são consideradas, virtualmente como uma entidade única, como era comumente entendida na literatura judaica não bíblica.

É muito importante notarmos, todavia, que esses dois termos estão vinculados também em

Romanos 11:33

Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!

Note que nesse verso os dois termos estão, diretamente, associados com a noção da verdadeira riqueza πλου̂τος — ploûtos — conforme também podemos ler em Colossenses 1:27 e 2:2; onde Paulo louva a Deus pela maneira como seu magnificente propósito para a raça humana tem sido colocado em prática, mediante o derramamento de sua graça — favor imerecido — sobre judeus e gentios. Assim, podemos repetir as palavras de Paulo e dizer: Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria!

A expressão υησαυρός — uesaurós — tesouro foi usada no Antigo Testamento para se referir não apenas a riquezas materiais — ver Josué 6:19, 24; Provérbios 10:2 — mas também para bens espirituais como podemos ler em:

Isaías 33:6

Haverá, ó Sião, estabilidade nos teus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento; o temor do SENHOR será o teu tesouro.

Note como sabedoria, conhecimento e temor do SENHOR são chamados de tesouro!  

Paulo afirma em Colossenses 2:3, de forma relativamente pouco comum, que todos esses tesouros da sabedoria e do conhecimento — a expressão grega πάντες — pántes — todos, exclui qualquer exceção: são todos mesmo! — que existem estão ὰπόκρυφοι — apócrifoi — ocultos em Cristo. Isso indica a maneira como essas coisas existem. Aqui devemos deixar claro que não existe nenhuma contradição entre Colossenses 2:3 e 1:26 onde Paulo afirma que o mistério, previamente, άποκεκρυμμένον — apokekrimménon — escondido, νυ̂ν σέ — nûn sé  — foi agora, numa dramática mudança de eventos, revelado por Deus aos seus santos. Entretanto, os tesouros estão ὰπόκρυφοι — apócrifoi — ocultos, não no sentido de que os mesmos estão “escondidos”, que é o sentido do particípio perfeito passivo de άποκεκρυμμένον — apokekrimménon — e sim, que os mesmos εὶσιν — eìsin — estão, como acontecia com os mantimentos no Egito, “depositados” ou “armazenados” em Cristo — ver Tiago 1:5; 3:13—18. Buscar sabedoria e conhecimento verdadeiro fora da pessoa de Cristo é pura perda de tempo. É o mesmo que procurar alimento em qualquer outro lugar que não fosse o Egito administrado por José.

Vários autores cristãos têm indicado que nos escritos da literatura apocalíptica judaica encontramos, ocasionalmente, a imagem de “tesouros escondidos” como uma forma de desafio para homens e mulheres se empenharem mais na busca do verdadeiro conhecimento — Livro dos Segredos de Enoque 46:3: Ou se um homem se faz de bom a outro pelo ardil de sua língua, porém, com a maldade no coração, será que o outro não perceberá a maldade que vem do coração, desde que sua mentira ficou visível? Mas no nosso caso, Paulo está encorajando seus leitores a olharem para Cristo como o único “lugar” onde os tesouros da sabedoria e do conhecimento podem ser encontrados.

Em Colossenses 1:15—20 nós estamos diante de um hino onde Cristo é identificado com a Sabedoria de Deus, e onde lhe são atribuídas atividades que são predicados da Sabedoria personificada do Antigo Testamento e do Judaísmo — ver Provérbios 8:1—9. Em Colossenses, Paulo ao afirmar que todo o “estoque” do conhecimento e da sabedoria de Deus estão “depositados” na pessoa de Cristo, está indicando, mais uma vez, de uma forma realmente avassaladora, que “Cristo Jesus, se nos tornou, da parte de Deus, sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção, para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor — 1 Coríntios 1:30—31”. Porque Cristo ocupa essa posição exaltada, existem boas razões para incentivar esses crentes que habitavam o vale do Rio Lico a se voltarem para o Senhor Jesus, em quem podem encontrar toda a percepção, entendimento, sabedoria e conhecimento.

A questão importante para nós é determinarmos se o uso que Paulo faz dessa expressão do verso 3 — todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento — tem origem nos inimigos gnósticos que estavam perturbando a igreja ou se a mesma se origina do Antigo Testamento.

Muitos têm argumentado que o vocabulário é dos opositores gnósticos que existiam em Colossos. Dessa forma, o verso 3 é, algumas vezes, entendido como algo que dá apoio ao caráter gnóstico dos opositores. De acordo com o professor Lightfoot o termo ἀπόκρυφοι — apócrifoi — era um termo favorito dos mestres gnósticos e Paulo teria usado o mesmo como uma forma de refutar uma doutrina favorita desses falsos mestres. Outros acreditam que Paulo emprestou esse termo dos ensinamentos do judaísmo tardio.[1]

Todavia, em tempos mais recentes, Friedrick Hauck, analisando a literatura gnóstica disponível, notou que a mesma se refere a “tesouros de luz” em vez de falar de tesouros da sabedoria e do conhecimento. Com isso sobrou pouca evidência direta para apoiar a ideia do caráter gnóstico da expressão como usada por Paulo.

Como mencionamos acima, existem outros estudiosos ainda que se voltaram tanto para o Antigo Testamento como para o meio social judaico, como a fonte mais provável das ideias de Paulo. Desse modo, Ralph Martin, considera que todo grupo de termos e motivos “sugerem uma dívida consciente à figura da sabedoria como encontrada em Provérbios 2:1—6. Paulo está fazendo um apelo as fonte judaicas, parcialmente, por causa dos falsos ensinamentos que existiam em Colossos, especialmente entre os judeus — era uma mistura de elementos judaicos com outros vindos do paganismo —, que insistia que Jesus Cristo era apenas um mediador e apenas uma das fontes da revelação entre muitas outras existentes” — ver 1 Timóteo 2:5.

O teólogo francês J. Dupont em sua obra “La connaissance religieuse dans les épîtres de saint Paul“[2] já tinha chamado a atenção de todos quanto ao aparecimento do uso, aqui em Colossenses, de termos usados pelo judaísmo com relação à Lei de Moisés — ver Isaías 33:5—6. Os judeus tinham plena confiança que, na Lei que possuíam, todos os tesouros da σοφία — sofía — sabedoria, e associado com ela, também estava a ideia de γνω̂σις — gnôsis — que teria sido adicionada à Lei por elementos judaizantes. De acordo com Dupont, Paulo une as duas expressões, substitui a Lei de Moisés por Cristo e, com isso, ele tem a intenção de mostrar que o único ἐπίγνωσις — epígnosis — conhecimento que um crente deve buscar é aquele que só pode ser encontrado no mistério de Cristo. É óbvio que para essa reconstrução feita por J. Dupont, o elemento judaico dos falsos ensinamentos existentes em Colossos são os responsáveis pela ação tão combativa de Paulo nesse contexto.

O professor Andrew Bandstra do Calvin Seminary em Grand Rapids ampliou as ideias de Dupont, à medida que novas porções de literatura pseudoepigráfica foram sendo descobertas e tornaram-se disponíveis para análise. Para ele também, as palavras de Paulo em Colossenses demonstram o caráter da oposição aos ensinamentos gnósticos desposados pelos judeus em Colossos. O professor Bandstra se baseou, principalmente, nos escritos pseudoepigráficos conhecidos como 2 Apocalipse de Baruque. Nesse livro, em uma passagem definitivamente escatológica, que faz referência ao “novo mundo”, “o mundo porvir”, e “ao tempo prometido”, o falso Baruque  sugere que a posse de tesouros de sabedoria e do conhecimento, destinados para aqueles que haverão de herdar o “tempo prometido”, poderão ser garantidos se os anciãos de Israel seguirem as recomendações do falso Baruque e instruírem os israelitas a permanecerem fiéis à Lei de Deus. Mas Paulo, não deixa nenhuma dúvida, que o lugar onde os tesouros da sabedoria e do conhecimento podem ser encontrados é apenas em Cristo e em nenhum outro. Isso é afirmado, previamente, por Paulo em Colossenses 2:18—19.    

A oposição em Colossos, basicamente um perigo vindo de fora, podia ter sua origem numa associação de místicos ascetas judeus que afirmavam que o conhecimento dos mistérios de Deus podia ser alcançado pelas pessoas, sem a necessidade de um mediador divino. Para eles, Cristo não era realmente necessário, para podermos conhecer os mistérios escatológicos e cósmicos de Deus.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE JOSÉ COMO TIPO DE CRISTO

Estudo 001 — José como Tipo De Cristo — Introdução

Estudo 002 — José como Tipo De Cristo — A Infância de José

Estudo 003 — José como Tipo De Cristo — Os Irmãos e Os Nomes de José

Estudo 004 — José como Tipo De Cristo — José Como Pastor dos Seus Irmãos

Estudo 005 — José com Tipo De Cristo — José Como o Filho Amado de Seu Pai

Estudo 006 — José com Tipo De Cristo — Jesus, o Filho e Deus Pai

Estudo 007 — José com Tipo De Cristo — José e a Túnica Talar de Distinção

Estudo 008 — José com Tipo De Cristo — O Ódio que os Irmãos de José Tinham Dele

Estudo 009 — José com Tipo De Cristo — José era Odiado por Causa de Suas Palavras

Estudo 010 — José com Tipo De Cristo — José Estava Destinado a Um Futuro Extraordinário

Estudo 011 — José com Tipo De Cristo — José Antecipa Sua Glória Futura

Estudos 012 e 013 — José como Tipo de Cristo — José Sofre nas Mãos de Seus Irmãos e Vai a Busca Deles a Pedido de Jacó

Estudos 014 e 015 — José como Tipo de Cristo — José Busca Fazer o Bem a Seus Irmãos, e É Enviado De Hebrom Para a Região de Siquém

Estudo 016 — José como Tipo de Cristo — José Vai Até a Região de Siquém

Estudos 017 e 018 — José como Tipo de Cristo — José se Torna um Viajante Errante Nos Campos e Campinas da Palestina

Estudos 019 — José como Tipo de Cristo — A Conspiração contra José

Estudos 020 — José como Tipo de Cristo — As palavras de José são Desacreditadas

Estudos 021 e 022 — José como Tipo de Cristo — José é Insultado e Humilhado e José é Lançado num Poço

Estudos 023 e 024 — José como Tipo de Cristo — José é Retirado Vivo do Poço e Os Irmãos de José Misturam Ódio com Hipocrisia

Estudos 025 e 026A — José como Tipo de Cristo — José é Vendido por Seus Irmãos e o Sangue de José é Derramado

Estudos 026B — José como Tipo de Cristo — O Futuro de Israel Profetizado em Gênesis 38

Estudos 027 e 028 — José se Torna um Servo — Jose se Torna Próspero

Estudos 029 — O Senhor de José Estava Muito Feliz com Ele

Estudos 030 — José Como Servo Foi Uma Bênção Para os Outros

Estudos 031 — José Era Uma  Pessoa Consagrada aos Outros

Estudos 032 — José Foi Duramente Tentado, Mas Resistiu à Tentação

Estudos 033 — José Foi Acusado Falsamente

Estudos 034 — José Não Tentou Se Defender das Falsas Acusações

Estudos 035 — José Sofreu nas Mãos dos Gentios

Estudo 036 e 37 — José Ganha o Reconhecimento do Carcereiro e José Foi Numerado com outros Transgressores.

Estudo 038 — José Como Instrumento de Bênção e de Condenação.

Estudo 039 — José Dá Evidências De Seu Conhecimento Quanto Ao Futuro.

Estudo 040 — As Predições de Jose se Tornam Realidades.

Estudo 041A — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 041B — José Gostaria de Ser Lembrado

Estudo 042 — José Foi Libertado na Hora Certa

Estudo 043 — José Como Revelador dos Mistérios de Deus

Estudo 044 — José Faz Advertências Contra o Perigo Futuro

Estudo 045 — José Se Revela como Maravilhoso Conselheiro
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.



[1] Kittel, Gerhard, Editor. Theological Dictionary of the New Testament, traduzido por Geoffrey W. Bromiley. WM. B.Eerdmans Publishing Company, Grand Rapids, Reimpressão de 1995.

[2] Dupont, J. Gnosis. O Conhecimento Religioso nas Epístolas do Apóstolo Paulo. Gabalda, Paris, 1949.

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