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sexta-feira, 8 de abril de 2016

PECADOS QUE PODEM NOS DESTRUIR POR COMPLETO – PARTE 008 — A APATIA E DESÂNIMO — PARTE 004

Essa é uma série na qual pretendemos, dentro do possível, discutir alguns dos mais insidiosos pecados que ameaçam nossas almas. Trata-se de ações ou reações que caracterizam um coração perverso diante de Deus, algo com o que muitos personagens bíblicos tiveram que lutar, mas que pela graça de Deus conseguiram vencer. Nós também, como seres humanos iguais a eles estamos sujeitos a enfrentar esses mesmos pecados e temos que entender como essas situações funcionam, para poder lançar mão da graça de Deus e vencer as mesmas. A OITAVA questão que devemos analisar é:
8. A Apatia e o Desânimo


CONTINUAÇÃO

Outra passagem importante nesse contexto é —
Mateus 11:28—30
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Mateus é o único dos três evangelistas sinóticos a apresentar esses versículos. Mas antes de fazer Seu convite, Jesus se apresenta como o único que pode revelar o pai, o Deus ETERNO — ver Mateus 11:27. Jesus também é o único que pode oferecer alívio para os cansados e sobrecarregados e não os sábios e os instruídos — ver Mateus 11:25. Mas é importante dizer, que o Filho não revela o Pai para satisfazer a curiosidade dos cultos e entendidos, nem para reforçar a autossuficiência dos arrogantes, mas para fazer com que os “pequeninos” venham a conhecer o Pai — versos 25 e 27 — e também para poder oferecer ao cansado e sobrecarregado o descanso escatológico — final e eterno — conforme o verso 28.
Essa atividade de Jesus já havia sido profetizada pelo anjo, quando falou com José ainda antes do nascimento de Jesus dizendo que aquele menino viria para “salvar o povo dos seus pecados —
Mateus 1:21
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Diversos autores, com base nesse convite feito por Jesus e por algumas ligações superficiais, identificam o Senhor Jesus com as palavras que encontramos em –
Eclesiástico 51:31—35
31 Aproximai-vos de mim, ó ignorantes, e reuni-vos na casa da instrução
32 Por que ainda tardais nestas coisas, enquanto vossas almas sentem tanta sede?
33 Por isso abri minha boca e falei: “Vinde comprá-la sem dinheiro
34 e submetei vosso pescoço ao seu jugo; receba vossa alma a instrução, pois aí está a oportunidade de encontrá-la.
35 Vede com vossos olhos que eu pouco trabalhei, e no entanto encontrei grande repouso.
onde a sabedoria  convida os seres humanos a receberem seu jugo, exatamente como Cristo faz aqui.
Todavia, os contrastes entre Eclesiástico 51 e a passagem de Mateus são bem mais evidentes que as similaridades.
No verso 31, Siraque está apenas convidando os seres humanos a tomarem o seu respectivo jugo de ter que estudar a Torá — ensinamento ou lei — como um meio de conseguirem o descanso e serem também aceitos por Deus.
Já na passagem de Mateus, Jesus não oferece nenhum tipo de descanso temporário, mas sim o descanso escatológico eterno e definitivo, e isso, não para os que se esfalfam estudando a Torá e sim para todos aqueles que se encontram cansados e sobrecarregados pelo reconhecimento de que é impossível levar o fardo representado pela Lei de Moisés. Isso fica bem claro quando lemos os versículos de Mateus 12, onde encontramos o bem-vindo alívio à terrível compreensão legalista do Antigo Testamento —
Mateus 12:1—14
1  Por aquele tempo, em dia de sábado, passou Jesus pelas searas. Ora, estando os seus discípulos com fome, entraram a colher espigas e a comer.
2  Os fariseus, porém, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado.
3  Mas Jesus lhes disse: Não lestes o que fez Davi quando ele e seus companheiros tiveram fome?
4  Como entrou na Casa de Deus, e comeram os pães da proposição, os quais não lhes era lícito comer, nem a ele nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes?
5  Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? Pois eu vos digo:
6  aqui está quem é maior que o templo.
7  Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes.
8  Porque o Filho do Homem é senhor do sábado.
9  Tendo Jesus partido dali, entrou na sinagoga deles.
10 Achava-se ali um homem que tinha uma das mãos ressequida; e eles, então, com o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus: É lícito curar no sábado?
11 Ao que lhes respondeu: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo o esforço, tirando-a dali?
12 Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem.
13 Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra.
14 Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida.
A expressão “mim” encontrada em Mateus 11:28, do ponto de vista gramatical não apresenta nenhuma ênfase, mas quando olhamos para a mesma a partir do rastro do verso 27, ela torna-se extremamente importante. Por quê? Porque aqui temos o próprio Senhor Jesus Cristo convidando o cansado — o particípio grego sugere todos aqueles que ficaram cansados por causa da luta, da labuta pesada do dia a dia.  Já a expressão “sobrecarregados” indica o cansaço passivo de alguém que se sente sobrecarregado como uma animal de carga.
Independentemente da situação de cansaço, Jesus convida todos a se aproximarem dele e o próprio Jesus — não o Pai — promete lhes conceder o descanso que almejam e necessitam.  
Aqui, certamente temos um eco daquilo que lemos em —
Jeremias 31.25
Porque satisfiz à alma cansada, e saciei a toda alma desfalecida.
Essa promessa de Jeremias seria cumprida por meio da Nova Aliança que seria celebrada entre Jesus e os discípulos durante a celebração da Santa Ceia, poucas horas antes de Jesus ser feito prisioneiro. Apesar de não termos nenhuma necessidade de restringir a expressão “jugo” e não podemos ignorar, em nenhuma hipótese, as palavras de Jesus que encontramos em —
Mateus 23:4
Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.
O descanso mencionado — conforme o uso cognato que encontramos em Hebreus 3—4 — é escatológico, de acordo com —
Apocalipse 6:11
Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.
Apocalipse 14:13
Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.
Em Mateus 11:29—30 temos a expressão “jugo” — v. 29 — que é uma canga colocada sobre animais para puxar cargas pesadas, e serve como uma metáfora para a disciplina do discipulado. Embora Jesus não esteja oferecendo essas coisas, nem por meio da adoção da lei mosaica e muito menos pela libertação de todas as restrições. Como crentes não temos obrigações com a Lei de Moisés, mas temos obrigações com a lei de Cristo que é representada, em sua essência, pelo amor.
Desse modo temos que o jugo de Jesus está diretamente relacionado com o verdadeiro discipulado cristão. Quando Jesus diz — aprendei de mim, conforme Mateus 11:27 — ele não está dizendo para os cristãos imitá-lo, ou para que aprendam da Sua própria experiência. O que Ele está dizendo é que Seus discípulos têm a responsabilidade de aprenderem por meio da revelação que apenas Jesus pode conceder, porque recebeu a mesma do Pai.
A característica maravilhosa desse convite de Jesus, tem sua base na Sua autoridade extraordinária — Mateus 11:27 — por meio da qual somos encorajados, mesmo estando sobrecarregados, a ir até Ele porque Jesus é manso e humilde de coração. Mateus enfatiza a mansidão de Jesus em diversas passagens, tais como —
Mateus 18:1—10
1 Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus?
2 E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.
3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
5 E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.
6 Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!
8 Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.
9 Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
10 Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste.
Mateus 19:13—15
13 Trouxeram-lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam.
14 Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali.
Toda essa linguagem de Jesus acerca das crianças e de como ele se relacionava com elas e da advertência que nos faz, certamente estão relacionadas com a linguagem acerca do servo messiânico que encontramos em passagens tais como —
Isaías 42:2—3
2 Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça.
3 Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito.
Isaías 53:1—2
1 Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR?
2 Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.
Zacarias 9:9
Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.
Essa passagem é citada em Mateus 21:5 e retorna em Mateus 12:15—21.
Jesus é o único que tem autoridade para revelar o Pai e ele faz isso aproximando-se de nós com a maior mansidão possível. Verdadeira mansidão de um servo obediente ao Pai e Senhor. Em nossos dias seu reinado messiânico não deve ser entendido como algo que é exclusivamente real e pertinente apenas ao nosso tempo. O reino messiânico de Jesus se estende a cada dia mais para cobrir todo o Universo, até que o Pai coloque todos os seus inimigos por estrado de Seus pés —
Salmos 110:1
Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.
E seu reino não terá fim —
Daniel 7:13—14
13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.
14 Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.
Lucas 1:33
Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
E é esse reino que foi tirado do povo judeu e dado ao novo povo de Deus, a Igreja, conforme a promessa de Jesus em —
Lucas 20:13—19
13 Então, disse o dono da vinha: Que farei? Enviarei o meu filho amado; talvez o respeitem.
14 Vendo-o, porém, os lavradores, arrazoavam entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança venha a ser nossa.
15 E, lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o dono da vinha?
16 Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. Ao ouvirem isto, disseram: Tal não aconteça!
17 Mas Jesus, fitando-os, disse: Que quer dizer, pois, o que está escrito: A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular?
18 Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.
19 Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera essa parábola; mas temiam o povo.
A respeito da expressão “descanso”, as palavras que encontramos em Mateus 11:28 são, na realidade uma citação direta daquelas que encontramos em
Jeremias 6:16
Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos.
O motivo porque a vasta maioria das pessoas se recusa a ouvir a Palavra de Deus é bem simples. Eles não gostam da Palavra de Deus, conforme podemos ler em —
Jeremias 6:10 —
A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela.
Adicione-se a isso o fato que todas as Escrituras dizem respeito a um personagem central, que é o Senhor Jesus Cristo —
João 5:39 —
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.
Além de não desejarem ouvir a Palavra de Deus, a maioria das pessoas também se recusa a aceitar tomar sobre si mesmas, o jugo de Cristo. Mas o ζυγός zugós — jugo de Cristo é χρηστὸς chrestòs — suave, bem confortável. A expressão grega ainda significa: gentil, agradável — como oposto a difícil, duro, rígido, amargo. Por outro lado, para completar a ideia, o φορτίον fortíon — fardo de Cristo é leve. Ainda assim, o coração empedernido dos seres humanos resiste a tão amável convite, porque prefere manter pleno domínio sobre suas vidas, mesmo que essas vidas sejam muito miseráveis e cheias de sofrimentos sem fim.
Como mencionamos antes, o descanso que Cristo promete, não é apenas para a vida futura, na eternidade, mas também para ser desfrutado agora, nesse mundo. O contraste que existe entre o jugo e o fardo de Jesus, e aqueles de outras pessoas, não se refere a algum tipo de embate entre antinomianismo — falsa doutrina que alega que os cristãos são completamente livres da obediência que devem às leis civis e constitucionais nos países onde habitam — e o legalismo. Isso é impossível, porque num sentido mais profundo, as leis de Jesus apresentam exigências maiores e mais radicais do que aquelas que podemos encontrar em qualquer outro sistema. Como exemplo podemos citar os mandamentos que tratam do amor que devemos nutrir com relação a nossos inimigos, a não resistência e as leis do divórcio.
Tal contraste também não é entre a salvação pela lei e a salvação pela graça uma vez que, como diz o apóstolo Paulo —
Gálatas 2:16
Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
Também não é entre as duras disputas ocorridas entre mestres judeus na Lei de Moisés e a abordagem humana e humilde de Jesus. Pelo contrário, o contraste que temos diante de nós é entre o fardo da submissão representado pelo Antigo Testamento e a tradição oral dos anciãos, em termos da regulamentação farisaica com suas regras para cada mínimo aspecto da vida dos indivíduos e a verdadeira libertação de se colocar sob a tutela de Jesus, que é também o manso revelador, para quem o Antigo Testamento, realmente aponta. 
Para encerrar esse tópico que trata da apatia e do desânimo, devemos olhar também as palavras que encontramos vindas da parte de Deus, que nos advertem contra a tendência, tão humana de, muitas vezes ou sempre, querer desistir de viver a vida cristã conforme —
Hebreus 10:35—39
35 Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão.
36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará;
38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.
39 Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.
Para o autor da Epístola aos Hebreus, depois de terem suportado severas aflições e grandes perdas por amor ao Senhor Jesus Cristo, abandonar a confiança que tinham, como se fosse algo desprezível, não faria o menor sentido. De todas as formas de deserção que um cristão pode praticar, a apostasia[1] é, sem dúvida nenhuma, a menos razoável de todas. Dizemos isso, por causa do seu significado original que indica voltar as costas — no sentido de abandonar — aquele a quem uma vez professamos — Jesus Cristo — diante de homens e mulheres, como sendo nossa única fonte e fundamento de toda nossa confiança, e por meio do sangue de quem nos foi garantido livre acesso, em plena certeza de fé, até a presença de Deus no santuário celestial conforme lemos em Hebreus 10:19—23.
Movidos pelo desencorajamento representado pelos perigos e dificuldades do deserto, os ancestrais desses a quem a Epístola aos Hebreus foi enviada, foram tomados de um espírito de apostasia tão grande, que chegaram a se questionar dizendo —
Números 14:3
E por que nos traz o SENHOR a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?
De modo semelhante esses cristãos do primeiro século coriam o risco de seguir o mau exemplo de seus ancestrais — Hebreus 3:12 — abandonado o Deus que os criou e desprezando a Rocha da sua salvação — Deuteronômio 32:15. Agindo desse modo eles estariam dando uma prova cabal de que estavam mesmo abandonando a confiança que tinham no Senhor. Além disso, eles estariam retornado para a temporalidade dos bens materiais, os quais eles havia professado “lançar fora”. Isso seria um verdadeiro desastre conforme lemos em —
Hebreus 6:11—12
11 Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança;
12 para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas. 
Os cristãos são relembrados do fato que a confiança deles tem grande galardão — Hebreus 10:35. Desse modo, abandonar nossa confiança no Senhor por causa da intensidade da batalha, equivale a também abandonar nossa grande recompensa. Essa recompensa ou galardão, de glória incomparável, aguarda a todos que permanecerem fiéis até o final —

Romanos 8:18

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

Pedro se refere a nossa herança como algo incorruptível, sem mácula e imarcescível — que nunca murcha —

1 Pedro 1:3—4

3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

A mesma também é referida como uma coroa de justiça com a qual o próprio Senhor irá coroar todos os que amam sua vinda —
2 Timóteo 4:8

Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.

A relação da presente peregrinação com a recompensa futura é paralela a relação da fé com a esperança conforme —

Hebreus 10:37—38

37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará;

38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.

O capítulo 11 de Hebreus alarga o horizonte dessa mesma verdade — fé e esperança — até onde é possível. A grande recompensa prometida serve como um incentivo gigantesco para a perseverança, mas a mesma — a recompensa — está longe de ser o prêmio atribuído a qualquer mérito humano, como se os seres humanos fossem capazes de estabelecer qualquer tipo de merecimento diante da pessoa de Deus. A confiança que nos coroa não tem nada a ver com autoconfiança, isto é, a confiança que uma pessoa pode ter em si mesma e em seu próprio valor. Muito pelo contrário, estamos falando da confiança que alguém tem em Deus e que é a perfeita antítese do mérito humano e da autoconfiança. O sangue de Jesus, oferecido em sacrifício a nosso favor representa a substância da nossa confiança —

Hebreus 10:19—20

19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,

20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.

O único mérito no qual o crente confia é o mérito de Cristo.

OUTROS ARTIGOS DE PECADOS QUE PODEM DESTRUIR NOSSAS ALMAS
Estudo 001 — A FALSA CULPA

Estudo 002 — A ANSIEDADE

Estudo 003 — O REMORSO

Estudo 004 — A AMBIÇÃO

Estudo 005 — A AMARGURA

Estudo 006 — A INVEJA E O CIÚME

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 001

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 002

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 003

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 004 – FINAL

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 001

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 002

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 003

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 004

Estudo 009 — A AUTOADULAÇÃO — PARTE 001

Estudo 009 — A AUTOADULAÇÃO — PARTE 002

Estudo 010 — DESEJOS INDULGENTES OU PECAMINOSOS
Que Deus nos abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis 

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 
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Desde já agradecemos a todos. 


[1] A expressão grega  ἀποστασία — apostasía — é equivalente a divórcio, repúdio ou carta de divórcio. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PECADOS QUE PODEM NOS DESTRUIR POR COMPLETO – PARTE 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 002

Essa é uma série na qual pretendemos, dentro do possível, discutir alguns dos mais insidiosos pecados que ameaçam nossas almas. Trata-se de ações ou reações que caracterizam um coração perverso diante de Deus, algo com o que muitos personagens bíblicos tiveram que lutar, mas que pela graça de Deus conseguiram vencer. Nós também, como seres humanos iguais a eles estamos sujeitos a enfrentar esses mesmos pecados e temos que entender como essas situações funcionam, para poder lançar mão da graça de Deus e vencer as mesmas. A SÉTIMA questão que devemos analisar é:


7. A IMPACIÊNCIA — PARTE 002


Isaías 40:29

Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.

Deus além de não se cansar, ainda tem toda a capacidade para fortalecer aqueles que se encontram sem vigor. Todos aqueles que estão cansados e exaustos por causa de seus sofrimentos são os que precisam do אוֹנ `own — vigor ou força física que apenas Deus pode conceder. Mas isso não diz respeito apenas aos crentes. Mesmo não sendo reconhecido como tal, Deus é a única fonte verdadeira de todo o vigor. Note que Deus faz forte ao cansado e multiplica — no sentido de abundância — as forças daqueles que não têm nenhum vigor.

As palavras do profeta nos fazem lembrar as palavras do próprio Senhor Jesus quando diz:

Mateus 11:28—30

28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.

30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

Como em Isaías, o convite de Cristo é feito para todos os que estão κοπιῶντες kopiôntes — cansados — por causa de um trabalho intenso unido ao aborrecimento e à fadiga e — πεφορτισμένοι pefortisménoi — e sobrecarregados ou oprimidos pelo peso da carga, que muitas vezes é representada por regras religiosas pesadas e despropositadas.

Ir até Cristo, representa encontrar plena satisfação para nossas necessidades mais profundas, nossas necessidades verdadeiras. É o próprio Jesus que diz:

João 6:35

Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.

Jesus se identifica plenamente com o pão que sacia a verdadeira fome espiritual e a água que sacia a verdadeira sede espiritual. Ele é o doador e o próprio elemento doado. Para participar, basta aceitar o convite e vir. Quem se aproxima de Jesus crendo que Ele é aquilo que Ele diz ser experimenta a vida eterna, e plena satisfação de todas suas mais profundas necessidades como pessoa. E você? Vai aceitar o convite que Ele faz?

Isaías 40:30

Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem.

O profeta Isaías apresenta agora, a contrapartida daquilo que tinha afirmado em 40:28, acerca do fato de Deus não se cansar nem se fatigar. Deus não se cansa, mas os homens sim. E isso não acontece apenas com alguns seres humanos, mas com todos eles, mesmo os chamados super atletas ou super homens: todos eles se cansam, mais cedo ou mais tarde.

Os jovens são mencionados porque sempre que pensamos em força e vigor, relacionamos essas qualidades com a juventude em si mesma. São os jovens que fazem parte do seleto grupo dos melhores atletas. Também são os jovens, quase meninos ainda, que são escolhidos para servir nos exércitos de todos os países. Mas apesar de todo vigor e treinamento, eles ainda assim se cansam. Eles não conseguem manter o nível de força constante de forma perene. Precisam parar, precisam descansar. Quando não param para descansar ficam tão exaustos que acabam caindo. O verbo usado aqui por Isaías é כָּשׁוֹל kasholtropeçar, cambalear ou andar tropegamente. O mesmo está no infinitivo absoluto no hebraico, com a intenção de transmitir ao leitor uma ênfase naquilo que está sendo dito: os jovens, apesar da juventude e do vigor, caem exaustos. Porém existe algo mais grave do que isso, como sabemos. Em muitos casos, os jovens não apenas caem, mas chegam mesmo a falecer, ainda em idade precoce. Calvino comenta nesse versículo que isso talvez aconteça pelo execesso de pressão dos exercícios ou de treinamento. Independentemente de qual seja o motivo, qualquer pessoa pode perceber que tal exaustão é apenas parte do fato de que nossa vida é apenas transitória. Não estamos aqui para sempre. Por isso devemos confiar no Senhor todos os nossos fardos para que Ele possa carregá-los para nós. Mas quando não temos fé, não confiamos que Deus é capaz de fazer isso, apesar do Senhor afirmar:

Salmos 68:19

Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.

1 Pedro 5:7

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

Nossa fé cristã é a única no mundo inteiro que ensina que o SENHOR nosso Deus cuida daqueles que são Seus. Seu cuidado é tão imenso que, como acabamos de ler, Ele nos orienta a levarmos até Ele todas as nossas ansiedades. A Bíblia está cheia de versículos com esse tipo de conteúdo —

Salmos 37:5—6

5 Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.

6 Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia.

Salmos 55:22

Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.

Mateus 6:25 e 32

25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?

32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas.

Filipenses 4:6

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

Isaías 40:31

Mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.

Por outro lado, aquilo que pode acontecer com jovens fortes e vigorosos, não acontece com os que eperam no Senhor. Com aqueles que confiam que Deus é capaz de resolver cada um de todos os problemas, que estejam enfrentando. Aqui o contraste é entre os jovens e os que esperam no Senhor. Aqueles que acreditam plenamente que Deus é poderoso para livrá-los e que manifestam a confiança que têm em Deus, por meio de uma espera paciente que o Senhor cumpra o que tem prometido. E olha que Deus tem feito muitas e muitas promessas em Sua palavra —

2 Pedro 1:3—4

3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude,

4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.

As promessas de Deus em si mesmas são uma parte importante desses versículos, pois Pedro descreve as mesmas de forma superlativa ao dizer: “preciosas e mui grandes promessas”. A expressão grega δεδώρηται dedóretai — traduzida por “doadas” está no tempo perfeito que, na língua grega, indica que Deus não apenas nos deu suas promessas, mas já cumpriu cada uma delas na pessoa e na obra de Jesus Cristo e, se nós estamos em Cristo, então as mesmas estão cumpridas em nós também. Há muito no que pensar diante dessa afirmação.

Agora queremos chamar a atenção de todos para essa frase usada por Pedro: vos torneis co-participantes da natureza divina. A mesma tem sido muito mal compreendida e muitos pregadores e professores cristãos ensinam com base nessa frase que nos, meras criaturas, de alguma forma nos tornamos verdadeiras divindades como o próprio Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo são divinos. Mas será que Pedro está fazendo esse tipo de afirmação. Note que ele escolhe as palavras de modo muito cuidadoso. O que ele está afirmando é que nós participamos da natureza de Deus e não do SER de Deus. A expressão grega φύσεως físeos — traduzida por natureza, não significa “essência do ser” como muitos têm imaginado e sim, de acordo com o Dicionário Teológico do Novo Testamento tal expressão indica:

1. Natureza das coisas, força, leis, ordem da natureza.

2. Como oposto ao que é monstruoso, anormal, perverso.

3. Como oposto ao que foi produzido pela arte do homem: os ramos naturais, i.e., ramos por obra da natureza.[1]

Diante disso, podemos afirmar que Pedro escolheu esse vocábulo grego, porque o mesmo representa crescimento, desenvolvimento e caráter. Já o termo “ser” pende para o lado da essência ou da substância. Nós jamais poderemos fazer parte da essência do SER de Deus, porque somos e continuaremos sendo apenas criaturas desse mesmo Deus. O que Pedro nos revela é que participamos da santidade de Deus, a qual experimentamos por meio do Espírito Santo que habita em nós —

1 Coríntios 6:19

Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Qual é então o propósito de Deus em nos fazer participantes da sua natureza? Calvino responde, apesar de não concordarmos com tal resposta: Notemos que o propósito do Evangelho é nos fazer, algum dia, conforme a Deus e, se assim podemos dizer, nos deificar.[2]

Por outro lado, acreditamos que as palavras do apóstolo Paulo estão mais em linha com a afirmação de Pedro quando diz o seguinte em –

2 Coríntios 3:18 na NTLH

Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito.

Note a forte distinção entre a afirmação de Calvino “nos deificar” e a de Paulo “cada vez mais parecidos”. Meditemos bem nessa distinção.

Pedro toma emprestada a expressão θείας κοινωνοὶ φύσεως  — theías koivonoì fúseos — traduzida por  participantes da natureza divina do vocabulário dos filósofos gregos. Pedro combate os falsos mestres dentro do cristianismo  usando a terminologia dos gregos, mas dando à mesma uma conotação visivelmente cristã:

2 Pedro 2:1

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

Os filósofos da Grécia antiga ensinavam que um ser humano vivendo num mundo repleto de corrupções causadas pelos prazeres físicos, deve procurar tornar-se como os deuses. Por isso orientavam seus seguidores a procurarem compartilhar da natureza divina. Pedro, então lança mão exatamente dessa expressão “natureza divina”. A diferença entre o ensinamento dos filósofos gregos e o de Pedro reside no fato que: enquanto os primeiros, tomavam como ponto de partida o próprio ser humano e se apossavam de uma parte da natureza dos deuses, Pedro enxerga tudo isso à luz das promessas de Deus. Promessas essas que têm sido objeto dos nossos estudos já há algum tempo. Deve fircar bem claro que existe uma diferença enorme entre essas duas abordagens. A primeira é completamente humanista e reflete a exaltação do ser humano em seu estado natural. Já a abordagem de Pedro é cristã e exalta a graciosa e abundante provisão de Deus a nosso favor.

É apenas mediante as muitas e preciosas promessas de Deus que nos tornamos co-participantes da santidade do Senhor Jesus Cristo. Nós somos chamados para participar desse círculo íntimo de santidade pelo próprio Deus —

1 João 1:3

Que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

Todas as vezes que fixamos nosso olhar e mentes em Jesus, nos tornamos então, co-participantes tanto do chamado celestial quanto da pessoa do Senhor Jesus —

Hebreus 3:1, 14

1  Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.

14 Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos.

Por fim, o propósito de Deus ao nos conceder suas muitas e preciosas promessas é:  livrar-nos da corrupção que existe no mundo. E essa corrupção, certamente, inclui a impaciência que se manifesta em ansiedade, nervosismo e outras coisas mais. Mas o crente verdadeiro, que tem plena consciência que participa da santidade de Deus deve sempre buscar refletir as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz —

1 Pedro 2:9

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Isso faz com que o crente se afaste de todo pecado e mal, porque sabe que não pertence mais a esse mundo e sim a Deus —

João 17:14—18

14 Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.

15 Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.

16 Eles não são do mundo, como também eu não sou.

17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

E temos ainda as seguintes palavras em —

1 Tessalonicenses 5:22

Abstende-vos de toda forma de mal.

Tiago 1:27

A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.

Quando viramos as costas para o mundo e deixamos que a luz divina ilumine não apenas nossos passos e caminho, mas que ilumine, em toda plenitude, nossas próprias vidas, então poderemos demonstrar diante de todos, a verdadeira santidade de Deus. Enquanto estamos na terra vivemos no mundo, mas não pertencemos a ele. Somos, novas criaturas, completamente, revestidos da própria pessoa do Senhor Jesus —

Efésios 4:24

E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Colossenses 3:10

E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.

Hebreus 12:10

Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.

1 João 3:2

Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

Votando para o texto de Isaías 40:31, nós podemos afirmar que durante o tempo do Antigo Testamento, a expressão — os que esperam no SENHOR — se aplicava a todos que aguardavam pacientemente pelo cumprimento das promessas referentes ao Messias, conforme podemos ler em —

Lucas 2:25, 38

25 Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.

38 E, chegando naquela hora, — a profetisa Ana — dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Mas independentemente disso tudo, o profeta também deseja estabelecer uma verdade geral, afirmando que a força de Deus está disponível para todos aqueles que, a qualquer tempo, esperam com paciência para que o propósito de Deus seja plenamente cumprido.

O verbo usado para descrever aqueles que esperam pelo SENHOR קְָוָהqavah — aguardar, buscar e esperar, também pode transmitir a ideia de que tais pessoas serão mudadas ou transformadas. Nesse contexto a ideia principal é a de mudança ou troca da força que alguém possui por uma força maior ou melhor. Desse modo, nossa tradução como “renovarão as suas forças é bastante satisfatória. Implícito nesse contexto todo temos a condição de fraqueza ou de falta de força. Qualquer que seja a força que alguém possa possuir, se essa pessoa estiver esperando no SENHOR, tal força será trocada por outra, bem mais real e palpável. Em vez de se cansarem e tropeçarem, os que esperam no SENHOR serão cada vez mais fortalecidos.

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Que Deus nos abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis

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[1]Strong, J., e Sociedade Bíblica do Brasil. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (H8679). Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, 2002—2005.

[2] Calvin, John. Hebrews, 1 and 2 Peter in Calvin’s New Testament Commentaries. Wm. B. Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids, 1994.