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sábado, 9 de abril de 2016

VOCÊ SABE QUEM FOI DIETRICH BONHOEFFER? PARTE 001


Dietrich Bonhoeffer e adolescentes alemães

Nascido na riqueza Dietrich Bonhoeffer caminhava para uma carreira brilhante como teólogo, até passar a ver a vida sob a perspectiva daqueles que sofrem, na Alemanha nazista. Isso lhe custou a vida.

O artigo abaixo é de autoria de Geffrey B. Kelly e foi publicado no Brasil pelo site da revista Cristianismo Hoje.

A vida e a morte de um mártir moderno

Por Geffrey B. Kelly

Em 1942, o pastor luterano Dietrich Bonhoeffer enviou um presente de Natal à sua família e amigos que estiveram envolvidos em um fracassado plano para matar Hitler. Era um ensaio intitulado After Ten Years (Depois de dez anos). Nele, Bonhoeffer lembrou a seus companheiros de conspiração dos ideais pelos quais eles estavam dispostos a dar suas vidas. Em suas palavras: “Nós aprendemos, de uma vez por todas, a ver os grandes eventos da história do mundo de baixo para cima, das perspectivas dos proscritos, suspeitos, maltratados, impotentes, oprimidos e injuriados – em resumo, da perspectiva daqueles que sofrem”.

Conforme ele analisava as várias razões pelas quais eles tinham que matar Hitler e derrubar o governo nazista, Bonhoeffer lhes falava do exemplo de Cristo. Jesus, de boa vontade, arriscou sua vida defendendo os pobres e proscritos de sua sociedade – mesmo ao custo de uma violenta morte.

Na época de sua prisão, a vida de Bonhoeffer tinha se tornado uma jornada de entrelaçamento, na qual ele tinha entrado por causa desta “visão de baixo para cima”. Sua opção de vida lhe tirou de uma confortável posição de professor universitário à liderança isolada de uma oposição minoritária dentro de sua igreja contra seu governo. Ele saiu da segurança de um refúgio fora do país para a vida perigosa de um conspirador. Ele desceu dos privilégios do ministério eclesiástico e o respeito dado a uma família nobre, para sua árdua prisão e mais tarde sua morte como traidor de seu país.

Determinação de aço — Poucas pessoas teriam predito que o jovem Bonhoeffer terminaria como um conspirador político. Nascido em Breslau, em 1906, Dietrich era o quarto filho homem e sexto filho dentre todos (sua irmã gêmea, Sabine, nasceu momentos depois). Sua mãe, Paula von Hase, era filha de um pregador da corte do Kaiser Wilhelm II. O pai de Dietrich, Karl Bonhoeffer, era um famoso médico psiquiatra e professor universitário.

Quando era um rapazinho de 14 anos, Dietrich surpreendeu sua família declarando que não queria nada mais do que ser um ministro da igreja. Este anúncio provocou uma pequena consternação entre seus irmãos homens. Um estava destinado a ser físico, o outro, advogado; ambos eram pessoas de sucesso, para quem o serviço na igreja parecia um trabalho que não simbolizava uma alta responsabilidade para a burguesia, era algo inferior a eles e sua capacidade. Seu pai sentiu-se da mesma forma, mas ficou em silêncio, preferindo conceder a seu filho a liberdade de cometer seus próprios erros. Quando sua família criticou a igreja como egoísta e covarde, um lampejo da determinação de aço de Dietrich surgiu dele a frase: “Neste caso, eu a reformarei!”.

Um “milagre teológico” — Seguindo um costume de família, o jovem Dietrich estudou na Universidade de Tübingen por um ano antes de mudar para a Universidade de Berlim, onde morava a família. Na universidade, ele veio a estar sob a influência do conhecido historiador da igreja Adolf von Harnack e Karl Holl, um estudioso sobre Lutero. Von Harnack considerou Bonhoeffer como um grande historiador da igreja em potencial, capaz de um dia subir no seu próprio pódio.

Para tristeza de von Harnack, Bonhoeffer dirigiu suas energias do mundo acadêmico para o campo dogmático. Seu maior interesse ficava nos assuntos da Cristologia e da Eclesiologia. Sua dissertação, The Communion of Saints (A comunhão dos santos), foi completada em 1927, quando ele tinha apenas 21 anos. Karl Barth a celebrou com um “milagre teológico”.


Nesta dissertação, Bonhoeffer declara numa sonora frase que a igreja é “Cristo existindo em comunidade”. A igreja para ele não é nem uma sociedade ideal, sem necessidade de reforma, nem o ajuntamento de uma elite cheia de dons. Pelo contrário, ela é tanto uma comunhão de pecadores capazes de seres infiéis ao evangelho, quando é uma comunhão de santos para quem servir um ao outro deve ser uma alegria.

Triste encontro com a pobreza — Como ainda não estava na idade mínima para ordenação e precisava de experiência prática, Bonhoeffer interrompeu sua carreira acadêmica. Ele aceitou uma indicação como pastor-assistente numa igreja em Barcelona que tendia para as necessidades espirituais da comunidade de negócios alemã.

Seus meses na Espanha (1928–29) coincidiram com as primeiras repercussões da Grande Depressão, dessa forma a vida de pastor em Barcelona deu a Bonhoeffer seu primeiro triste encontro com a pobreza. Ele ajudou a organizar um programa que sua igreja estendeu aos desempregados. Em desespero, ele mesmo implorou por dinheiro à sua família para este propósito. Num sermão memorável, ele lembrou ao seu povo que “Deus caminha entre nós em forma humana, falando a nós naqueles que cruzam nosso caminho, sejam eles estranhos, mendigos, doentes, ou mesmo naqueles mais perto de nós em nosso dia a dia, tornando-se a ordem de Cristo em nossa fé nele”.

De volta à Alemanha, Bonhoeffer voltou sua atenção para sua “segunda dissertação” – exigida para conseguir uma designação na universidade. Publicada como um livro em 1931, Act and Being (Ser e agir) externamente parece ser um rápido tour de filosofias e teologias de revelação. Se a revelação é “agir”, então a Palavra eterna de Deus interrompe a vida da pessoa de um modo direto, intervindo muitas vezes quando menos se espera. Se a revelação é “ser”, então é a presença contínua de Cristo na igreja. Através de todas as análises cruzadas deste livro, nós também detectamos a luta profunda de Bonhoeffer entre o conforto do status acadêmico e o perturbador chamado de Cristo para ser um cristão genuíno.

Primeira visita à América - Tendo assegurada sua indicação para a universidade, Bonhoeffer decidiu então aceitar uma bolsa de pesquisa Sloane. Esta lhe ofereceu um ano de estudos adicionais no Union Theological Seminary, em Nova York. Mais tarde ele descreveu este ano acadêmico de 1930–31 como “uma grande libertação”.

A princípio, Bonhoeffer olhou preocupadamente para o Seminário de Teologia União, julgando que ele fosse tão permeado de humanismo liberal que tivesse perdido suas amarras teológicas. Mas cursos com Reinhold Niebuhr e longas conversas com seu amigo mais próximo, o americano Paul Lehmann, trouxeram sensibilidade aos problemas sociais.

As amizades de Bonhoeffer no Union Seminary influenciaram-no profundamente. Elas alimentaram sua crescente paixão pelas preocupações do Sermão do Monte. Através de um aluno negro do Alabama, o reverendo Frank Fisher, Bonhoeffer experimentou em primeira mão o racismo opressivo sofrido pela comunidade negra do Harlem.

Admirando os serviços desta igreja, que valorizavam a vida, ele levou gravações dos negro spirituals para a Alemanha para tocar para seus alunos e seminaristas. Ele falou aos alunos frequentemente sobre a injustiça racial na América, prevendo que o racismo se tornaria “um dos problemas futuros mais críticos para chamada igreja branca”.

Outro amigo, o pacifista francês Jean Lasserre, levou Bonhoeffer a transcender sua ligação natural à Alemanha para assumir um compromisso maior com a causa da paz mundial. Bonhoeffer tornou-se devoto da resistência pacífica ao mal, e mais tarde ele defendeu com veemência a paz em encontros ecumênicos. Para Bonhoeffer, a guerra claramente negava o evangelho; nela os cristãos matavam uns aos outros para ideais alardeados que só mascaravam objetivos políticos mais sinistros.

As pessoas perceberam as mudanças na perspectiva de Bonhoeffer em sua volta à Universidade de Berlim. Seus alunos o descreveram como diferente de seus colegas, estes mais enfadonhos e desinteressados. Tentando explicar o que houve com ele, Bonhoeffer disse simplesmente que tinha se tornado cristão. Como ele mesmo disse, ele esteve pela primeira vez na sua vida “no trilho certo”, dizendo ainda: “Eu sei que por dentro serei realmente claro e honesto somente quando eu tiver começado a levar a sério o Sermão do Monte”.
Palestrante universitário eletrizante — Retornando da América, Bonhoeffer fez uma pausa na Universidade de Bonn, onde ele finalmente conheceu o teólogo Karl Barth. Os escritos de Barth tinham impressionado o mundo teológico e cativado Bonhoeffer durante seus anos de estudante em Berlim. Os dois ficaram amigos, então. Barth apreciava os alertas incisivos de Bonhoeffer sobre a acomodação das ideologias políticas na religião organizada. Bonhoeffer começou a usar Barth como um meio de divulgação de suas opiniões, confiando nas avaliações maduras de Barth sobre como contra-atacar as concessões da igreja ao nazismo.

Sendo o professor mais jovem da faculdade, Bonhoeffer ficou conhecido pelo seu jeito de ir até o fundo de uma questão e abordar os assuntos na sua relevância atual. Um aluno escreveu que sob a direção de Bonhoeffer “cada frase encontrava seu lugar; havia uma preocupação pelo que me perturbava, e de fato, todos nós jovens, o que perguntávamos e o que queríamos saber”. Mas a carreira de ensino de Bonhoeffer foi ofuscada pela ascensão de Hitler ao poder. Os alunos atraídos pelo nazismo o evitavam.

Alguns dos cursos de Bonhoeffer na universidade durante este período foram publicados como livros desde então. Em The Nature of the Church, (A natureza da igreja), Bonhoeffer observou que a igreja ficou à deriva; ela, com muita frequência, buscou o conforto dos privilegiados. A igreja, ele disse aos seus alunos, tinha que confessar a fé em Jesus com coragem incomum e rejeitar sem hesitação toda idolatria secular.

Em suas palestras sobre Cristologia, publicada como Christ the Center (Cristo o centro), Bonhoeffer insistiu com seus alunos a responder perguntas perturbadoras: Quem é Jesus, no mundo de 1933? Onde Ele pode ser achado? Para ele, o Cristo de 1933 era o judeu perseguido e o dissidente na luta da igreja.

Durante os anos na universidade, Bonhoeffer também achou tempo para ensinar em uma favela de Berlin. Para ser mais envolvido na vida destes alunos, ele se mudou para a sua vizinhança, visitou suas famílias e os convidou a passar finais de semana num chalé alugado na montanha. Depois da guerra, um destes alunos lembrou que “a turma dificilmente ficava agitada”.

Crescente luta da igreja — Durante este período, muitos cristãos dentro da Alemanha adotaram o Socialismo Nacional de Hitler como parte de seu credo. Conhecidos como “cristãos alemães”, seu porta-voz Hermann Grüner, deixou claro o que eles defendiam:

“O tempo se completou em Hitler para as pessoas na Alemanha. É por causa de Hitler que Cristo, Deus, o ajudador e remidor, tornou-se eficaz entre nós. Portanto, o Socialismo Nacional é cristianismo positivo em ação... Hitler é o modo do Espírito e da vontade de Deus para o povo alemão entrar na igreja de Cristo”.

Ordenado em 15 de novembro de 1931, Bonhoeffer, com seu grupo de “Jovens Reformadores”, tentou persuadir delegados nos sínodos da igreja a não votar em candidatos pró-Hitler. Num sermão memorável, logo antes das eleições na igreja em julho de 1933, Bonhoeffer apelou: “Igreja, permaneça uma igreja! Confesse, confesse, confesse!” Apesar dos seus esforços, os cristãos alemães elegeram como Bispo Nacional um simpatizante do nazismo, Ludwig Müller. Numa carta à sua avó, em agosto daquele ano, Bonhoeffer afirmou com franqueza: “O conflito é realmente ser Alemão ou ser Cristão e o quanto antes este conflito ficar às claras, melhor”.

Em setembro de 1933, o conflito ficou às claras. No “Sínodo Marrom” naquele mês (chamado assim porque muitos dos religiosos usavam uniformes nazistas marrons e faziam a saudação nazista), a igreja adotou a “Fase Ariana”, que negava o púlpito a ministros ordenados que tivessem sangue judeu. O amigo mais próximo de Bonhoeffer, Franz Hildebrandt, foi afetado pela legislação (junto com muitos outros). A Fase Ariana dividiu a Igreja Protestante alemã.

Defesa aberta dos judeus — A primeira reação pública de Bonhoeffer à legislação antissemita chegou logo. Em abril de 1933, ele falou a um grupo de pastores sobre “A Igreja e a questão judaica”. Neste sermão, ele pediu as igrejas para, em primeiro lugar, desafiar com ousadia o governo que justifica tais leis, obviamente imorais. Segundo, ele exigiu que a igreja viesse em socorro das vítimas — batizadas ou não. Finalmente, ele declarou que a igreja devia “travar as rodas” do governo se a perseguição aos judeus continuasse. Muitos dos que ali estavam saíram correndo, convencidos de que tinham ouvido a incitação para um motim.

Logo após o Sínodo Marrom, Bonhoeffer e um herói da Primeira Guerra Mundial, o pastor Martin Niemöller, formaram a “Liga de Emergência dos Pastores”. Eles defendiam a luta para repelir a Fase Ariana, e no fim de setembro, tinham obtido 2.000 assinaturas. Mas, para decepção de Bonhoeffer, mais uma vez os bispos da igreja continuaram em silêncio.

No Sínodo de Barmen, de 29 a 31 de maio de 1934, entretanto, a nova “Igreja Confessante” (aqueles pastores que se opuseram à Fase Ariana e outras políticas nazistas) afirmaram a agora famosa Confissão de Fé de Barmen. Concebida em grande parte por Karl Barth, sua associação do Hitlerismo com idolatria fez simpatizantes entre os homens marcados pela Gestapo, e dentre outras coisa dizia: “Nós repudiamos o falso ensino de que há áreas em nossa vida que não pertencem a Jesus Cristo, mas a outros senhores…”

Abandonando uma carreira promissora — Uma vez que os cristãos alemães estavam agora entrincheirados em posições de liderança na igreja, Bonhoeffer foi rejeitado para um pastorado em uma igreja local. Os comentários contra ele apontaram sua posição radical e intempestiva às políticas governamentais. E ele foi considerado muito ligado ao seu amigo cristão-judeu, Franz Hildebrandt. A assustadora “nazificação” das igrejas deixou Bonhoeffer sentindo-se isolado e incapaz de esboçar uma oposição destemida a Hitler dentre os pastores.

Em sua posição de ensino, ele sentiu que a universidade tinha se ligado indesculpavelmente ao sentimento popular que exaltava Hitler como salvador político. Ele ficou perturbado também pela falta de protesto diante do afastamento de professores judeus. Estas frustrações facilitaram a decisão de deixar a Alemanha. No outono de 1933, ele assumiu o pastorado de duas igrejas de língua alemã em Londres.

Por causa desta atitude Bonhoeffer foi severamente repreendido por Karl Barth, que achou que ele estivesse fugindo de cena quando ele era mais necessário. Barth acusou Bonhoeffer de privar a luta da igreja de seu “esplêndido arsenal teológico” e de sua “correta figura alemã”.

Mas Bonhoeffer ainda não estava abandonando a luta contra o nazismo. De Londres, ele pretendia trazer pressão externa sobre a igreja do Reich Alemão. Numa carta ao líder do Ministério Eclesiástico Estrangeiro, Bonhoeffer recusou a se abster de criticar o governo alemão.

Dietrich Bonhoeffer e outros delegados foram a uma conferência ecumênica em Fano, na Dinamarca, em 1934. Na conferência, Bonhoeffer pregou um sermão aos líderes cristãos de mais de 15 nações. “O mundo está sufocando com armas”, ele disse, “e a desconfiança que salta dos olhos de cada ser humano é assustadora. As trombetas da guerra podem tocar amanhã”. Nesta ocasião, ele insistiu para que os cristãos falassem contra a guerra e ousassem pelo “grande empreendimento” da paz.

Buscando para o mundo o apoio da igreja — Era no nível ecumênico que Bonhoeffer esperava continuar mais efetivamente na luta da igreja. Ele tinha sido indicado secretário da juventude para a Aliança Mundial para Promover a Amizade Internacional através das Igrejas (um precursor do Conselho Mundial das Igrejas). Neste papel, ele ajuntou as igrejas internacionais para fazer um forte protesto antinazismo, para apoiar a Igreja Confessante e para expulsar a igreja do Reich do movimento ecumênico.

Suas atividades levaram a uma amizade duradoura com o bispo inglês George Bell. Bell era presidente do Conselho Universal Cristão para a Vida e Trabalho, que trabalhava de perto com a Aliança Mundial. Ele apoiava a luta de Bonhoeffer para que a Igreja Confessante fosse reconhecida como a única representante da igreja protestante na Alemanha.

Os esforços de Bonhoeffer alcançaram um clímax na conferência de 1934 em Fano, na Dinamarca. A Comissão Ecumênica de Jovens, da qual Bonhoeffer fazia parte, surpreendeu os delegados por sua recusa em expressar resoluções em uma polida linguagem diplomática. Além disso, Bonhoeffer queria que as igrejas declarassem não cristã qualquer igreja que tivesse se tornado meramente uma audiência neutra nas questões políticas. Todos os delegados sabiam que a Igreja do Reich era o alvo de tais resoluções.

A contribuição mais duradoura de Bonhoeffer para esta conferência, entretanto, foi um sermão matinal inesquecível sobre a paz, chamado “A Igreja e os povos do mundo”. Seu aluno, Otto Dudzus relatou que as palavras de Bonhoeffer deixaram os delegados “prendendo a respiração de tanta tensão”. Como poderiam as igrejas justificar sua existência, ele perguntou, se elas não tomavam medidas para impedir a marcha em direção à outra guerra? Ele exigiu que o conselho ecumênico se levantasse “para que o mundo, embora esteja rangendo os dentes, tenha que ouvir, para que as pessoas se alegrem por que a igreja de Cristo, no nome de Cristo, tomou as armas das mãos dos seus filhos, proibiu a guerra, proclamou a paz de Cristo contra o mundo irado”. Uma frase deste sermão ficou para sempre marcada nas memórias dos alunos de Bonhoeffer: “Temos que nos atrever pela paz. Este é o grande empreendimento!”. Até mesmo Dudzus lembrou que “Bonhoeffer tinha seguido tanto à frente que a conferência não podia segui-lo”.

CONTINUA...

Leia a parte 002 por meio do link abaixo:

http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/voce-sabe-quem-foi-dietrich-bonhoeffer_10.html

Dr. Geffrey B. Kellyé professor de teologia sistemática na La Salle University, na Filadélfia, e autor de “Liberating Faith: Bonhoeffer's Message for Today” (Augsburg, 1984 - Liberando a fé: a mensagem de Bonhoeffer para hoje)

Copyright © 2011 por Christianity Today International

O artigo original poder ser acessado por meio do link abaixo:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

PECADOS QUE PODEM NOS DESTRUIR POR COMPLETO – PARTE 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 002

Essa é uma série na qual pretendemos, dentro do possível, discutir alguns dos mais insidiosos pecados que ameaçam nossas almas. Trata-se de ações ou reações que caracterizam um coração perverso diante de Deus, algo com o que muitos personagens bíblicos tiveram que lutar, mas que pela graça de Deus conseguiram vencer. Nós também, como seres humanos iguais a eles estamos sujeitos a enfrentar esses mesmos pecados e temos que entender como essas situações funcionam, para poder lançar mão da graça de Deus e vencer as mesmas. A SÉTIMA questão que devemos analisar é:


7. A IMPACIÊNCIA — PARTE 002


Isaías 40:29

Faz forte ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor.

Deus além de não se cansar, ainda tem toda a capacidade para fortalecer aqueles que se encontram sem vigor. Todos aqueles que estão cansados e exaustos por causa de seus sofrimentos são os que precisam do אוֹנ `own — vigor ou força física que apenas Deus pode conceder. Mas isso não diz respeito apenas aos crentes. Mesmo não sendo reconhecido como tal, Deus é a única fonte verdadeira de todo o vigor. Note que Deus faz forte ao cansado e multiplica — no sentido de abundância — as forças daqueles que não têm nenhum vigor.

As palavras do profeta nos fazem lembrar as palavras do próprio Senhor Jesus quando diz:

Mateus 11:28—30

28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.

29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.

30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.

Como em Isaías, o convite de Cristo é feito para todos os que estão κοπιῶντες kopiôntes — cansados — por causa de um trabalho intenso unido ao aborrecimento e à fadiga e — πεφορτισμένοι pefortisménoi — e sobrecarregados ou oprimidos pelo peso da carga, que muitas vezes é representada por regras religiosas pesadas e despropositadas.

Ir até Cristo, representa encontrar plena satisfação para nossas necessidades mais profundas, nossas necessidades verdadeiras. É o próprio Jesus que diz:

João 6:35

Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.

Jesus se identifica plenamente com o pão que sacia a verdadeira fome espiritual e a água que sacia a verdadeira sede espiritual. Ele é o doador e o próprio elemento doado. Para participar, basta aceitar o convite e vir. Quem se aproxima de Jesus crendo que Ele é aquilo que Ele diz ser experimenta a vida eterna, e plena satisfação de todas suas mais profundas necessidades como pessoa. E você? Vai aceitar o convite que Ele faz?

Isaías 40:30

Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem.

O profeta Isaías apresenta agora, a contrapartida daquilo que tinha afirmado em 40:28, acerca do fato de Deus não se cansar nem se fatigar. Deus não se cansa, mas os homens sim. E isso não acontece apenas com alguns seres humanos, mas com todos eles, mesmo os chamados super atletas ou super homens: todos eles se cansam, mais cedo ou mais tarde.

Os jovens são mencionados porque sempre que pensamos em força e vigor, relacionamos essas qualidades com a juventude em si mesma. São os jovens que fazem parte do seleto grupo dos melhores atletas. Também são os jovens, quase meninos ainda, que são escolhidos para servir nos exércitos de todos os países. Mas apesar de todo vigor e treinamento, eles ainda assim se cansam. Eles não conseguem manter o nível de força constante de forma perene. Precisam parar, precisam descansar. Quando não param para descansar ficam tão exaustos que acabam caindo. O verbo usado aqui por Isaías é כָּשׁוֹל kasholtropeçar, cambalear ou andar tropegamente. O mesmo está no infinitivo absoluto no hebraico, com a intenção de transmitir ao leitor uma ênfase naquilo que está sendo dito: os jovens, apesar da juventude e do vigor, caem exaustos. Porém existe algo mais grave do que isso, como sabemos. Em muitos casos, os jovens não apenas caem, mas chegam mesmo a falecer, ainda em idade precoce. Calvino comenta nesse versículo que isso talvez aconteça pelo execesso de pressão dos exercícios ou de treinamento. Independentemente de qual seja o motivo, qualquer pessoa pode perceber que tal exaustão é apenas parte do fato de que nossa vida é apenas transitória. Não estamos aqui para sempre. Por isso devemos confiar no Senhor todos os nossos fardos para que Ele possa carregá-los para nós. Mas quando não temos fé, não confiamos que Deus é capaz de fazer isso, apesar do Senhor afirmar:

Salmos 68:19

Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.

1 Pedro 5:7

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.

Nossa fé cristã é a única no mundo inteiro que ensina que o SENHOR nosso Deus cuida daqueles que são Seus. Seu cuidado é tão imenso que, como acabamos de ler, Ele nos orienta a levarmos até Ele todas as nossas ansiedades. A Bíblia está cheia de versículos com esse tipo de conteúdo —

Salmos 37:5—6

5 Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.

6 Fará sobressair a tua justiça como a luz e o teu direito, como o sol ao meio-dia.

Salmos 55:22

Confia os teus cuidados ao SENHOR, e ele te susterá; jamais permitirá que o justo seja abalado.

Mateus 6:25 e 32

25 Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?

32 Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas.

Filipenses 4:6

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

Isaías 40:31

Mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam.

Por outro lado, aquilo que pode acontecer com jovens fortes e vigorosos, não acontece com os que eperam no Senhor. Com aqueles que confiam que Deus é capaz de resolver cada um de todos os problemas, que estejam enfrentando. Aqui o contraste é entre os jovens e os que esperam no Senhor. Aqueles que acreditam plenamente que Deus é poderoso para livrá-los e que manifestam a confiança que têm em Deus, por meio de uma espera paciente que o Senhor cumpra o que tem prometido. E olha que Deus tem feito muitas e muitas promessas em Sua palavra —

2 Pedro 1:3—4

3 Visto como, pelo seu divino poder, nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo conhecimento completo daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude,

4 pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis co-participantes da natureza divina, livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo.

As promessas de Deus em si mesmas são uma parte importante desses versículos, pois Pedro descreve as mesmas de forma superlativa ao dizer: “preciosas e mui grandes promessas”. A expressão grega δεδώρηται dedóretai — traduzida por “doadas” está no tempo perfeito que, na língua grega, indica que Deus não apenas nos deu suas promessas, mas já cumpriu cada uma delas na pessoa e na obra de Jesus Cristo e, se nós estamos em Cristo, então as mesmas estão cumpridas em nós também. Há muito no que pensar diante dessa afirmação.

Agora queremos chamar a atenção de todos para essa frase usada por Pedro: vos torneis co-participantes da natureza divina. A mesma tem sido muito mal compreendida e muitos pregadores e professores cristãos ensinam com base nessa frase que nos, meras criaturas, de alguma forma nos tornamos verdadeiras divindades como o próprio Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo são divinos. Mas será que Pedro está fazendo esse tipo de afirmação. Note que ele escolhe as palavras de modo muito cuidadoso. O que ele está afirmando é que nós participamos da natureza de Deus e não do SER de Deus. A expressão grega φύσεως físeos — traduzida por natureza, não significa “essência do ser” como muitos têm imaginado e sim, de acordo com o Dicionário Teológico do Novo Testamento tal expressão indica:

1. Natureza das coisas, força, leis, ordem da natureza.

2. Como oposto ao que é monstruoso, anormal, perverso.

3. Como oposto ao que foi produzido pela arte do homem: os ramos naturais, i.e., ramos por obra da natureza.[1]

Diante disso, podemos afirmar que Pedro escolheu esse vocábulo grego, porque o mesmo representa crescimento, desenvolvimento e caráter. Já o termo “ser” pende para o lado da essência ou da substância. Nós jamais poderemos fazer parte da essência do SER de Deus, porque somos e continuaremos sendo apenas criaturas desse mesmo Deus. O que Pedro nos revela é que participamos da santidade de Deus, a qual experimentamos por meio do Espírito Santo que habita em nós —

1 Coríntios 6:19

Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?

Qual é então o propósito de Deus em nos fazer participantes da sua natureza? Calvino responde, apesar de não concordarmos com tal resposta: Notemos que o propósito do Evangelho é nos fazer, algum dia, conforme a Deus e, se assim podemos dizer, nos deificar.[2]

Por outro lado, acreditamos que as palavras do apóstolo Paulo estão mais em linha com a afirmação de Pedro quando diz o seguinte em –

2 Coríntios 3:18 na NTLH

Portanto, todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor, que é o Espírito.

Note a forte distinção entre a afirmação de Calvino “nos deificar” e a de Paulo “cada vez mais parecidos”. Meditemos bem nessa distinção.

Pedro toma emprestada a expressão θείας κοινωνοὶ φύσεως  — theías koivonoì fúseos — traduzida por  participantes da natureza divina do vocabulário dos filósofos gregos. Pedro combate os falsos mestres dentro do cristianismo  usando a terminologia dos gregos, mas dando à mesma uma conotação visivelmente cristã:

2 Pedro 2:1

Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição.

Os filósofos da Grécia antiga ensinavam que um ser humano vivendo num mundo repleto de corrupções causadas pelos prazeres físicos, deve procurar tornar-se como os deuses. Por isso orientavam seus seguidores a procurarem compartilhar da natureza divina. Pedro, então lança mão exatamente dessa expressão “natureza divina”. A diferença entre o ensinamento dos filósofos gregos e o de Pedro reside no fato que: enquanto os primeiros, tomavam como ponto de partida o próprio ser humano e se apossavam de uma parte da natureza dos deuses, Pedro enxerga tudo isso à luz das promessas de Deus. Promessas essas que têm sido objeto dos nossos estudos já há algum tempo. Deve fircar bem claro que existe uma diferença enorme entre essas duas abordagens. A primeira é completamente humanista e reflete a exaltação do ser humano em seu estado natural. Já a abordagem de Pedro é cristã e exalta a graciosa e abundante provisão de Deus a nosso favor.

É apenas mediante as muitas e preciosas promessas de Deus que nos tornamos co-participantes da santidade do Senhor Jesus Cristo. Nós somos chamados para participar desse círculo íntimo de santidade pelo próprio Deus —

1 João 1:3

Que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo.

Todas as vezes que fixamos nosso olhar e mentes em Jesus, nos tornamos então, co-participantes tanto do chamado celestial quanto da pessoa do Senhor Jesus —

Hebreus 3:1, 14

1  Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial, considerai atentamente o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus.

14 Porque nos temos tornado participantes de Cristo, se, de fato, guardarmos firme, até ao fim, a confiança que, desde o princípio, tivemos.

Por fim, o propósito de Deus ao nos conceder suas muitas e preciosas promessas é:  livrar-nos da corrupção que existe no mundo. E essa corrupção, certamente, inclui a impaciência que se manifesta em ansiedade, nervosismo e outras coisas mais. Mas o crente verdadeiro, que tem plena consciência que participa da santidade de Deus deve sempre buscar refletir as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz —

1 Pedro 2:9

Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.

Isso faz com que o crente se afaste de todo pecado e mal, porque sabe que não pertence mais a esse mundo e sim a Deus —

João 17:14—18

14 Eu lhes tenho dado a tua palavra, e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, como também eu não sou.

15 Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.

16 Eles não são do mundo, como também eu não sou.

17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

E temos ainda as seguintes palavras em —

1 Tessalonicenses 5:22

Abstende-vos de toda forma de mal.

Tiago 1:27

A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.

Quando viramos as costas para o mundo e deixamos que a luz divina ilumine não apenas nossos passos e caminho, mas que ilumine, em toda plenitude, nossas próprias vidas, então poderemos demonstrar diante de todos, a verdadeira santidade de Deus. Enquanto estamos na terra vivemos no mundo, mas não pertencemos a ele. Somos, novas criaturas, completamente, revestidos da própria pessoa do Senhor Jesus —

Efésios 4:24

E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.

Colossenses 3:10

E vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.

Hebreus 12:10

Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade.

1 João 3:2

Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

Votando para o texto de Isaías 40:31, nós podemos afirmar que durante o tempo do Antigo Testamento, a expressão — os que esperam no SENHOR — se aplicava a todos que aguardavam pacientemente pelo cumprimento das promessas referentes ao Messias, conforme podemos ler em —

Lucas 2:25, 38

25 Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; homem este justo e piedoso que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele.

38 E, chegando naquela hora, — a profetisa Ana — dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.

Mas independentemente disso tudo, o profeta também deseja estabelecer uma verdade geral, afirmando que a força de Deus está disponível para todos aqueles que, a qualquer tempo, esperam com paciência para que o propósito de Deus seja plenamente cumprido.

O verbo usado para descrever aqueles que esperam pelo SENHOR קְָוָהqavah — aguardar, buscar e esperar, também pode transmitir a ideia de que tais pessoas serão mudadas ou transformadas. Nesse contexto a ideia principal é a de mudança ou troca da força que alguém possui por uma força maior ou melhor. Desse modo, nossa tradução como “renovarão as suas forças é bastante satisfatória. Implícito nesse contexto todo temos a condição de fraqueza ou de falta de força. Qualquer que seja a força que alguém possa possuir, se essa pessoa estiver esperando no SENHOR, tal força será trocada por outra, bem mais real e palpável. Em vez de se cansarem e tropeçarem, os que esperam no SENHOR serão cada vez mais fortalecidos.

OUTROS ARTIGOS DE PECADOS QUE PODEM DESTRUIR NOSSAS ALMAS
Estudo 001 — A FALSA CULPA

Estudo 002 — A ANSIEDADE

Estudo 003 — O REMORSO

Estudo 004 — A AMBIÇÃO

Estudo 005 — A AMARGURA

Estudo 006 — A INVEJA E O CIÚME

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 001

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 002

Estudo 007 — A IMPACIÊNCIA — PARTE 003

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Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 001

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 002

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 003

Estudo 008 — APATIA E DESÂNIMO — PARTE 004

Estudo 009 — A AUTOADULAÇÃO — PARTE 001

Estudo 009 — A AUTOADULAÇÃO — PARTE 002

Estudo 010 — DESEJOS INDULGENTES OU PECAMINOSOS
Que Deus nos abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis

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[1]Strong, J., e Sociedade Bíblica do Brasil. Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (H8679). Sociedade Bíblica do Brasil, Barueri, 2002—2005.

[2] Calvin, John. Hebrews, 1 and 2 Peter in Calvin’s New Testament Commentaries. Wm. B. Eerdmans Publishing Co., Grand Rapids, 1994.

domingo, 6 de dezembro de 2015

JOÃO 17 - ESTUDO 009 - O SENHOR JESUS E SUA COMISSÃO — PARTE 001


Essa é série de estudos baseada em João capítulo 17 que é conhecido como: “A ORAÇÃO SACERDOTAL DE CRISTO” a favor de todos os seus discípulos de todas as épocas. É um estudo bastante aprofundado de João 17 e de todas as suas implicações. É bastante conveniente que o leitor prossiga nesses estudos até o final para poder usufruir melhor do conteúdo dos mesmos. No final de cada estudo o leitor encontrará links para os outros estudos.  



Introdução

A. Uma das facetas mais importantes desta oração do nosso Senhor diz respeito às muitas indicações que encontramos acerca da maneira como Ele conduziu Seu ministério.

B. Existiam três ênfases no ministério de nosso Senhor. A primeira tinha a ver com a vontade de Seu Pai, a segunda com Sua preocupação compassiva com as necessidades dos seres humanos e a terceira trata da apresentação e da implementação da verdade.

C. Nesta lição gostaríamos de considerar o trabalho do nosso Salvador e de modo particular observar como nós temos sido envolvidos em Seu ministério, não somente como recipientes, mas também como participantes.

D. O estudo irá se basear em

João 17:18 que diz:

Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

I. O Modelo do Ministério de Jesus Cristo: “Assim como tu me enviaste”.

A. O Alvo do Ministério de Jesus: A Glória de Seu Pai.

João 12:23—28

Respondeu-lhes Jesus: É chegada a hora de ser glorificado o Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará. Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei.

João 13:31

Quando ele saiu, disse Jesus: Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele.

João 14:13

E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho.

João 17:4
Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer.

Esses versículos nos mostram a razão principal que levou Jesus vir a este mundo para morrer como nosso substituto. Seu alvo primordial era trazer glória ao nome do Pai. Em cada aspecto do ministério de Jesus, seja sua vida, sua morte e sua ressurreição nós podemos ver a glória de Deus. Em tudo o que o Senhor Jesus fez nós podemos reconhecer o amor de Deus, a fidelidade de Deus bem como o poder de Deus. O Salvador atingiu em cheio o alvo que se propusera trazendo louvor, honra, respeito e reconhecimento ao Seu Pai.

B. A Base para o Ministério de Jesus: A Vontade de Seu Pai.

João 4:34
Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.

João 5:36

Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou.

João 9:4

É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

João 17:4

Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

Esses versos apresentam os alicerces do ministério de nosso Senhor — a vontade de Seu Pai. Esta foi Sua opção quando entrou no mundo —

Hebreus 10:5—9

5 Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um corpo me formaste;

6 não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado.

7 Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade.

8 Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei),

9 então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo.

e foi a base de cada decisão que tomou — ver especialmente o verso 8 acima.

C. A Capacitação para Seu Ministério — A Capacitação vinda de Seu Pai.

João 1:32—34

E João testemunhou, dizendo: Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo. Pois eu, de fato, vi e tenho testificado que ele é o Filho de Deus.

João 3:34

Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida.

João 14:10

Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.

João 17:8

Porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste.

Em Seu ministério o Senhor Jesus deixou bem claro que as palavras que Ele falava e as obras que Ele fazia podiam ser traçadas de volta à presença do Deus que nEle habitava —

João 5:19, 30

Então, lhes falou Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que o Filho nada pode fazer de si mesmo, senão somente aquilo que vir fazer o Pai; porque tudo o que este fizer, o Filho também semelhantemente o faz.

João 14:10

Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.

O apóstolo Pedro nos relembra que tudo que Jesus fez foi pelo poder do Espírito Santo que nele habitava.

Atos10:38

Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judeia, tendo começado desde a Galileia, depois do batismo que João pregou, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.

D. O Conteúdo do Ministério de Jesus Cristo: A verdade relacionada com o Pai.

João 1:17—18

Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.

João 8:12

De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida.

João 8:31—32

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

João 17:8

Porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste.

João 18:37

Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

A importância da verdade nunca pode ser demasiadamente enfatizada na vida e ministério do Senhor Jesus. Ele veio como um profeta — para nos trazer a palavra de Deus. Todos aqueles que Lhe foram dados pelo Seu Pai, respondem de maneira apropriada à revelação —

João 10:25—29

25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito.

26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.

27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.

28 Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.

29 Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar.

O Senhor Jesus se referiu às palavras que proferia como “espírito e vida” —

João 6:63

O espírito é o que vivifica; a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida.

Era através da Sua palavra que a graça de Deus fluía para dentro das vidas daqueles que acreditavam nEle —

João 5:24

Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.

OUTROS ESTUDOS EM JOÃO 17

JOÃO 17 — ESTUDO 001 — O SENHOR JESUS — O GRANDE SUMO SACERDOTE — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 001 — O SENHOR JESUS — O GRANDE SUMO SACERDOTE — PARTE 002

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JOÃO 17 — ESTUDO 005 — O SENHOR JESUS E AQUELES QUE CREEM NELE — PARTE 003 – FINAL

JOÃO 17 — ESTUDO 006 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 006 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 002


JOÃO 17 — ESTUDO 007 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 003

JOÃO 17 — ESTUDO 007 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 004

JOÃO 17 — ESTUDO 008 — O SENHOR JESUS E O MUNDO — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 008 — O CRENTE E O MUNDO — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 009 — O SENHOR JESUS E SEU SERVIÇO A DEUS — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 009 — O SENHOR JESUS E SEU SERVIÇO A DEUS — PARTE 002 — SOMOS EMBAIXADORES JUNTO COM CRISTO

JOÃO 17 — ESTUDO 010 — O SENHOR JESUS E A REVELAÇÃO DE DEUS — PARTE 001— 

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