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terça-feira, 15 de novembro de 2016

PARÁBOLAS DE JESUS - MATEUS 18:12—14 E LUCAS 15:4—7 — A PARÁBOLA DA OVELHA PERDIDA — PARTE 006 — SERMÃO 037F


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Esse artigo é parte da série "Parábolas de Jesus" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa série, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará links para os outros artigos dessa série.

A Parábola da Ovelha perdida

A EXPLICAÇÃO DA PARÁBOLA

4. O que a parábola nos ensina acerca do arrependimento? Algumas pessoas não precisam de arrependimento?

A primeira coisa que devemos registrar quando tentamos responder as perguntas acima é que a posição de Jesus no que diz respeito ao arrependimento é frontalmente contrária à posição sustentada pelo judaísmo e pelo nacionalismo judaico da época, que viam o arrependimento como mérito da parte dos judeus[1].

Mas a parábola trata do tema do arrependimento? Temos que admitir que, a parábola em si mesma, não trata da questão do arrependimento. A parábola não nos apresenta uma definição de arrependimento e nem culpa a ovelha por ter se extraviado. O que a parábola faz é nos apresentar uma analogia do modo como Deus age, ou reage, com respeito às atitudes dos que estão perdidos. A ideia do arrependimento é mencionada apenas no texto de Lucas e a mesma está ausente do texto de Mateus. Nesse último a ênfase está colocada na alegria experimentada no céu pela restauração dos perdidos. Já para Lucas, a restauração do perdido está relacionada ao arrependimento. De qualquer forma que seja, a ideia do arrependimento não pode ser minimizada, independentemente do que falamos na abertura desse parágrafo.

Ainda nessa questão envolvendo o arrependimento, a pergunta mais intrigante diz respeito aos noventa e nove justos que não necessitam do mesmo, conforme Lucas 15:7. Uma vez que, da perspectiva teológica, assume-se que tais pessoas justas não existem e que os evangelhos entendem que os próprios fariseus precisavam de arrependimento, então a afirmação de Jesus é vista como sendo: irônica, exagerada ou, até mesmo, sarcástica. Mas analisando bem o texto não creio que essa seja a solução mais viável para a dificuldade apresentada pelo mesmo. É fato que o judaísmo atribuía uma ausência absoluta de pecado a certos personagens. Por outro lado, a expressão justo não indicava a ausência absoluta de pecado na vida duma pessoa descrita dessa maneira. Ela se refere a todas as pessoas que, de alguma maneira, acertaram sua condição diante de Deus. O arrependimento era algo tão central no pensamento judaico que é difícil de imaginar que os judeus pensassem que eles ou até mesmo a maioria das pessoas não necessitavam de arrependimento. A ideia que poderiam existir, entre eles, 99 pessoas que não necessitavam de arrependimento era incabível no pensamento judaico. Todavia, uma ideia semelhante é apresentada em —

Lucas 5:31—31

31 Respondeu-lhes Jesus: Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes.

32 Não vim chamar justos, e sim pecadores, ao arrependimento.

E em Lucas 15, na parábola dos dois filhos perdidos, o mais velho alega nunca ter transgredido nem mesmo um mínimo mandamento de seu pai. Era, portanto, junto nesse sentido — Lucas 15:29.

Por outro lado, temos as palavras de Jesus que ensinam, com clareza, que todos precisam se arrepender ou perecerão.

Lucas 13:3

Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.

Os pais da Igreja procuraram evitar a dificuldade alegando que o número noventa e nove fazia referência aos anjos.

Já o renomado autor I. Howard Marshall[2] sugere que falta no texto uma palavra que precisa ser suprida. Para ele, então, a leitura em vez de ser:

“do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”

Deveria ser:

“Mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento”

Com isso, os noventa e nove justos são relativizados e é como se os mesmos fossem citados apenas como uma ilustração e não algo real. Todavia, nesse caso devemos ponderar dois importantes aspectos:

1. Modificações no texto original não devem ser bem-vindas, independentemente de onde tenham se originado.

2. Nossa necessidade é centrarmos o foco na função exercida pelas palavras utilizadas pelo Senhor Jesus. A intenção primordial de Jesus é valorizar os perdidos e os desprezados pela sociedade daqueles dias, especialmente pelos fariseus, e não devemos centrar nosso foco nos noventa e nove chamados justos. A importância de entendermos as palavras de Jesus de modo adequado em Lucas 15:7 é perceptível pelo fato das últimas palavras serem a consequência natural duma escalada que se inicia com a expressão digo-vos utilizada por Jesus, para enfatizar a verdade de sua afirmação.

Lucas 15:7

Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

Leituras parafraseadas do verso acima, tentando entender a intenção de Jesus — algo muito subjetivo — apresentam as seguintes possibilidades:

1. Um pecador arrependido traz mais alegria para Deus, que noventa e nove pessoas que já estão reconciliadas com Deus.

Ou,

2. Um pecador arrependido traz mais alegria para Deus do que noventa e nove pessoas que estão reconciliadas com Deus.
Que a ênfase de Jesus está no valor colocado sobre os perdidos fica mais evidente na passagem paralela de Mateus onde lemos o seguinte, já no início da passagem:

Mateus 18:10

Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste.

As palavras de Jesus acima são uma forma metafórica de indicar a grande importância dos chamados pequeninos. Desse modo, a ênfase de Jesus está na importância dos perdidos que precisam de salvação e não tanto na ideia de arrependimento. Esse último é crucial para a salvação, mas não é o elemento principal da parábola da ovelha perdida.  

CONTINUA...



OUTRAS PARÁBOLAS DE JESUS PODEM SER ENCONTRADAS NOS LINKS ABAIXO:

001 – O Sal

002 – Os Dois Fundamentos

003 – O Semeador

004 – O Joio e o Trigo =

005 – O Credor Incompassivo

006 — O Grão de Mostarda e o Fermento

007 — Os Meninos Brincando na Praça

008 — A Semente Germinando Secretamente

009 e 010 — O Tesouro Escondido e a Pérola de Grande Valor

011 — A Eterna Fornalha de Fogo

012 — A Parábola dos Trabalhadores na Vinha

013 — A Parábola dos Dois Irmãos

014 — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 1

014A — A Parábola dos Lavradores Maus — Parte 2

015 — A Parábola das Bodas —

016 — A Parábola da Figueira

017 — A Parábola do Servo Vigilante

018 — A Parábola do Ladrão

019 — A Parábola do Servo Fiel e Prudente

020 — A Parábola das Dez Virgens

021 — A Parábola dos Talentos

022 — A Parábola das Ovelhas e dos Cabritos

023 — A Parábola dos Dois Devedores

024 — A Parábola dos Pássaros e da Raposa

025 — A Parábola do Discípulo que Desejava Sepultar Seu Pai

026 — A Parábola da Mão no Arado

027 — A Parábola do Bom Samaritano — Completo

027A — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 1

027B — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 2 — Os Ladrões e o Sacerdote

027C — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 3 — O Levita

027D — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 4 — O Samaritano

027E — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 5 — O Socorro

027F — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 6 — O transporte até a hospedaria

027G — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 7 — O pagamento final

027H — A Parábola do Bom Samaritano — Parte 8 — O diálogo final entre Jesus e o doutor da Lei

028 — A Parábola do Rico Tolo —

029 — A Parábola do Amigo Importuno —

030 — A Parábola Acerca de Pilatos e da Torre de Siloé

031 — A Parábola da Figueira Estéril

032 — A Parábola Acerca dos Primeiros Lugares

033 — A Parábola do Grande Banquete

034 — A Parábola do Construtor da Torre e do Grande Guerreiro

035 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 001

036 — Introdução a Lucas 15 — Parábolas Acerca da Condição Perdida da Raça Humana — Parte 002

037A — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 001

037B — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 002

037C — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 003

037D — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 004 — A Influência do Antigo Testamento

037E — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 005 — Características Cristológicas da Parábola da Ovelha Perdida

037F — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 006 — A importância das pessoas perdidas.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/parabolas-de-jesus-mateus-181214-e.html

037H — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Parte 008 — Conclusão.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/parabolas-de-jesus-sermao-037h-parabola.html

037 — Parábolas de Jesus — Mateus 18:12—14 e Lucas 15:4—7 — A Parábola da Ovelha Perdida — Completa
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/parabolas-de-jesus-sermao-037-parabola.html



038A — PARÁBOLAS DE JESUS — A PARÁBOLA DA DRACMA PERDIDA — LUCAS 15:8—10 —— PARTE 001
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Para maiores detalhes a esse respeito ver as seguintes obras de Kenneth Bailey: Finding the Lost: Cultural Keys to Luke 15. Concordia Publishing, St. Loius, 1992; Jacob & the Prodigal: How Jesus Retold Israel´s Story. IVP Academics, Downers Grove, 2003.

[2] Marshall, I. Howard. The Gospel of Luke: A Commentary on the Greek Text. William B. Eerdmans, Grand Rapids, 1978.


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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

JESUS E AS CRIANÇAS: UMA EXEGESE DE MARCOS 10:13—16


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O material abaixo tem o propósito de chamar nossa atenção para o verdadeiro sentido do relacionamento de Jesus com as crianças.

MARCOS 10:13—16

13 Então, lhe trouxeram algumas crianças para que as tocasse, mas os discípulos os repreendiam.

14 Jesus, porém, vendo isto, indignou-se e disse-lhes: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus.

15 Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira nenhuma entrará nele.

16 Então, tomando-as nos braços e impondo-lhes as mãos, as abençoava.

EXEGESE

Verso 13

De início devemos notar que a narrativa de Jesus abençoando os pequeninos ou as crianças é apropriada, como continuação da narrativa anterior, que tratou da santidade do casamento — Marcos 10:2—12. Em dias quando os próprios pastores estão dando péssimos exemplos divorciando de suas esposas para, geralmente, desposarem outras mulheres mais novas, é importante associarmos a santidade do casamento com o verdadeiro bem estar das crianças.

Apesar da narrativa ser simples ao extremo e elementos quanto ao tempo e o lugar em que mesma se passa estarem completamente ausentes, ainda assim a situação é bastante clara: crianças estavam sendo trazidas para Jesus com o intuito de que Ele proferisse uma bênção sobre suas vidas futuras. O ato subsequente de Jesus de tomar as crianças em seus braços sugere que, até mesmo, crianças bem pequenas lhe foram trazidas. Todavia, o verbo utilizado por Marcos e traduzido por trouxeram, não implica necessariamente que as crianças vieram carregadas. Ainda acerca disso, também devemos notar que a expressão crianças usada aqui é a mesma que utilizada em Marcos 5:39—49 para se referir a uma menina de 12 anos de idade.

Mesmo que seja natural pensarmos que tais crianças fora trazidas por suas mães o uso do pronome masculino na língua original quando se diz que os discípulos os repreendiam parece apontar para os pais ou, até mesmo, para as próprias crianças. Nesse caso último caso, teríamos crianças maiores trazendo as crianças menores. Essa ideia parece ser confirmada pelo verso 14, onde as palavras de Jesus não os embaraceis é uma referência clara às crianças. Marcos não nos informa porque os discípulos interferiram nesse processo e por que os mesmos não consideravam as crianças importantes. A atitude dos discípulos era, na realidade, um verdadeiro abuso da autoridade que tinham. Tal abuso é derivado da mesma atitude que eles tiveram quando interferiram com o trabalho dum exorcista desconhecido, o qual exercia o poder do nome de Jesus de modo eficiente — Marcos 9:38. De modo bastante significativo, também naquela ocasião, Jesus disse para seus discípulos não proibirem aquele homem de realizar a obra —

Marcos 9:39

Mas Jesus respondeu: Não lho proibais; porque ninguém há que faça milagre em meu nome e, logo a seguir, possa falar mal de mim.

Verso 14

A referência à indignação de Jesus contra a atitude imprópria de repreensão das crianças por parte dos discípulos é algo que aparece apenas na narrativa de Marcos estando, portanto, ausente das narrativas paralelas que encontramos em Mateus 19:16—22 e Lucas 18:18—23. A manifestação da emoção de indignação por parte de Jesus é comum em outras passagens do Evangelho de Marcos, como podemos ver em: Marcos 1:41, 43; 3:5; 7:34 e 9:19. A sugestão da indignação de Jesus manifestada em forma de impaciência e irritação é fortalecida pela forma pausada e contrastante como Ele fala: Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis. A atitude dos discípulos em tentar impedir a aproximação das crianças, porque consideravam as mesmas pouco importantes, nos revela a tendência que tinham, em diversas ocasiões, de pensar dos seres humanos apenas em categorias de pessoas caídas, algo que Jesus combateu diversas vezes, conforme: Marcos 8:33; 9:33—37. O Reino de Deus pertence às crianças  ou pequeninos, e também a outros que, como crianças, parecem não ter nenhuma importância. Isso é assim, porque essa é a vontade de Deus. Esse é o motivo porque as crianças precisam ter livre acesso a Jesus, porque é em Jesus que o Reino de Deus se aproxima dos seres humanos — Marcos 1:15. Diferentemente dos adultos que não gostam que nada lhes seja dado, as crianças são humildes e receptivas ao que lhes é oferecido. O Reino pertence a esse tipo de pessoas porque o mesmo é sempre recebido como um dom, um verdadeiro presente. A raiz das palavras de Jesus não deve ser procurada em qualquer valor subjetivo que as crianças possuem e sim, na humildade objetiva das mesmas, além da manifestação surpreendente da graça de Deus, que se dispõe a conceder o Reino, gratuitamente, a todos que não possuem nenhum tipo de reivindicação sobre o mesmo, por méritos próprios.

Verso 15

A afirmação solene que encontramos nesse versículo é dirigida aos discípulos, mas tem implicações para todos os seres humanos confrontados pelo Evangelho, porque a mesma fala da condição para alguém — qualquer um — entrar no Reino de Deus. A exigência que um homem adulto torne-se como uma criança chama a nossa atenção para o fato que, com relação ao Reino de Deus, todos nós nos encontramos numa situação de mais completo desespero. O Reino é aquilo que Deus dá e o ser humano recebe. Essencial para a comparação apresentada no verso 15 é a fraqueza e a total falta de capacidade duma criança, que também são pressupostas no verso 14. Só podem entrar no Reino de Deus aqueles que estão plenamente conscientes de que são pequenos e precisam de ajuda e que, não apresentam nenhum tipo de reivindicação sobre o mesmo baseado em méritos próprios ou boas obras, de qualquer natureza. As palavras que Jesus usa na comparação o dizer como uma criança, encontram sua força na natureza da criança, de aceitar de modo aberto e confiante, o que lhe está sendo oferecido gratuitamente. As palavras de Jesus são enfáticas; todo aquele que não receber o Reino de Deus agora, de forma simples e natural como uma criança, não poderá entrar nele quando o mesmo se tornar plena realidade no final dos tempos. O que está sendo afirmado, de modo claro, é a necessidade que todos têm de receber o Evangelho e o próprio Senhor Jesus, como aquele por meio de quem o Reino foi aproximado de todos — Marcos 8:35, 38; 9:1.

Verso 16

A ação de Jesus descrita nesse verso é tão significativa quanto suas palavras mencionadas antes. Jesus demonstra um amor genuíno e Sua ternura pelas crianças das seguintes maneiras: 1) Jesus toma as crianças em seus braços; 2) Jesus abençoa as crianças por meio duma oração. As atitudes de Jesus só podem ser entendidas quando consideramos a dureza de coração, com relação às crianças, que prevalecia nas sociedades helenísticas do século 1.

A ação de Jesus em honrar as crianças nos apresenta uma ilustração concreta da forma como o Reino de Deus é concedido gratuitamente. Dentro desse contexto fica evidente que, a invocação da bênção por parte de Jesus sobre as cabeças das crianças, constitui uma renovação do chamado para o verdadeiro discipulado e obediência à vontade manifesta de Deus.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 8 de abril de 2016

PECADOS QUE PODEM NOS DESTRUIR POR COMPLETO – PARTE 008 — A APATIA E DESÂNIMO — PARTE 004

Essa é uma série na qual pretendemos, dentro do possível, discutir alguns dos mais insidiosos pecados que ameaçam nossas almas. Trata-se de ações ou reações que caracterizam um coração perverso diante de Deus, algo com o que muitos personagens bíblicos tiveram que lutar, mas que pela graça de Deus conseguiram vencer. Nós também, como seres humanos iguais a eles estamos sujeitos a enfrentar esses mesmos pecados e temos que entender como essas situações funcionam, para poder lançar mão da graça de Deus e vencer as mesmas. A OITAVA questão que devemos analisar é:
8. A Apatia e o Desânimo


CONTINUAÇÃO

Outra passagem importante nesse contexto é —
Mateus 11:28—30
28 Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.
29 Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma.
30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
Mateus é o único dos três evangelistas sinóticos a apresentar esses versículos. Mas antes de fazer Seu convite, Jesus se apresenta como o único que pode revelar o pai, o Deus ETERNO — ver Mateus 11:27. Jesus também é o único que pode oferecer alívio para os cansados e sobrecarregados e não os sábios e os instruídos — ver Mateus 11:25. Mas é importante dizer, que o Filho não revela o Pai para satisfazer a curiosidade dos cultos e entendidos, nem para reforçar a autossuficiência dos arrogantes, mas para fazer com que os “pequeninos” venham a conhecer o Pai — versos 25 e 27 — e também para poder oferecer ao cansado e sobrecarregado o descanso escatológico — final e eterno — conforme o verso 28.
Essa atividade de Jesus já havia sido profetizada pelo anjo, quando falou com José ainda antes do nascimento de Jesus dizendo que aquele menino viria para “salvar o povo dos seus pecados —
Mateus 1:21
Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos pecados deles.
Diversos autores, com base nesse convite feito por Jesus e por algumas ligações superficiais, identificam o Senhor Jesus com as palavras que encontramos em –
Eclesiástico 51:31—35
31 Aproximai-vos de mim, ó ignorantes, e reuni-vos na casa da instrução
32 Por que ainda tardais nestas coisas, enquanto vossas almas sentem tanta sede?
33 Por isso abri minha boca e falei: “Vinde comprá-la sem dinheiro
34 e submetei vosso pescoço ao seu jugo; receba vossa alma a instrução, pois aí está a oportunidade de encontrá-la.
35 Vede com vossos olhos que eu pouco trabalhei, e no entanto encontrei grande repouso.
onde a sabedoria  convida os seres humanos a receberem seu jugo, exatamente como Cristo faz aqui.
Todavia, os contrastes entre Eclesiástico 51 e a passagem de Mateus são bem mais evidentes que as similaridades.
No verso 31, Siraque está apenas convidando os seres humanos a tomarem o seu respectivo jugo de ter que estudar a Torá — ensinamento ou lei — como um meio de conseguirem o descanso e serem também aceitos por Deus.
Já na passagem de Mateus, Jesus não oferece nenhum tipo de descanso temporário, mas sim o descanso escatológico eterno e definitivo, e isso, não para os que se esfalfam estudando a Torá e sim para todos aqueles que se encontram cansados e sobrecarregados pelo reconhecimento de que é impossível levar o fardo representado pela Lei de Moisés. Isso fica bem claro quando lemos os versículos de Mateus 12, onde encontramos o bem-vindo alívio à terrível compreensão legalista do Antigo Testamento —
Mateus 12:1—14
1  Por aquele tempo, em dia de sábado, passou Jesus pelas searas. Ora, estando os seus discípulos com fome, entraram a colher espigas e a comer.
2  Os fariseus, porém, vendo isso, disseram-lhe: Eis que os teus discípulos fazem o que não é lícito fazer em dia de sábado.
3  Mas Jesus lhes disse: Não lestes o que fez Davi quando ele e seus companheiros tiveram fome?
4  Como entrou na Casa de Deus, e comeram os pães da proposição, os quais não lhes era lícito comer, nem a ele nem aos que com ele estavam, mas exclusivamente aos sacerdotes?
5  Ou não lestes na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo violam o sábado e ficam sem culpa? Pois eu vos digo:
6  aqui está quem é maior que o templo.
7  Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero e não holocaustos, não teríeis condenado inocentes.
8  Porque o Filho do Homem é senhor do sábado.
9  Tendo Jesus partido dali, entrou na sinagoga deles.
10 Achava-se ali um homem que tinha uma das mãos ressequida; e eles, então, com o intuito de acusá-lo, perguntaram a Jesus: É lícito curar no sábado?
11 Ao que lhes respondeu: Qual dentre vós será o homem que, tendo uma ovelha, e, num sábado, esta cair numa cova, não fará todo o esforço, tirando-a dali?
12 Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito, nos sábados, fazer o bem.
13 Então, disse ao homem: Estende a mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como a outra.
14 Retirando-se, porém, os fariseus, conspiravam contra ele, sobre como lhe tirariam a vida.
A expressão “mim” encontrada em Mateus 11:28, do ponto de vista gramatical não apresenta nenhuma ênfase, mas quando olhamos para a mesma a partir do rastro do verso 27, ela torna-se extremamente importante. Por quê? Porque aqui temos o próprio Senhor Jesus Cristo convidando o cansado — o particípio grego sugere todos aqueles que ficaram cansados por causa da luta, da labuta pesada do dia a dia.  Já a expressão “sobrecarregados” indica o cansaço passivo de alguém que se sente sobrecarregado como uma animal de carga.
Independentemente da situação de cansaço, Jesus convida todos a se aproximarem dele e o próprio Jesus — não o Pai — promete lhes conceder o descanso que almejam e necessitam.  
Aqui, certamente temos um eco daquilo que lemos em —
Jeremias 31.25
Porque satisfiz à alma cansada, e saciei a toda alma desfalecida.
Essa promessa de Jeremias seria cumprida por meio da Nova Aliança que seria celebrada entre Jesus e os discípulos durante a celebração da Santa Ceia, poucas horas antes de Jesus ser feito prisioneiro. Apesar de não termos nenhuma necessidade de restringir a expressão “jugo” e não podemos ignorar, em nenhuma hipótese, as palavras de Jesus que encontramos em —
Mateus 23:4
Atam fardos pesados e difíceis de carregar e os põem sobre os ombros dos homens; entretanto, eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.
O descanso mencionado — conforme o uso cognato que encontramos em Hebreus 3—4 — é escatológico, de acordo com —
Apocalipse 6:11
Então, a cada um deles foi dada uma vestidura branca, e lhes disseram que repousassem ainda por pouco tempo, até que também se completasse o número dos seus conservos e seus irmãos que iam ser mortos como igualmente eles foram.
Apocalipse 14:13
Então, ouvi uma voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham.
Em Mateus 11:29—30 temos a expressão “jugo” — v. 29 — que é uma canga colocada sobre animais para puxar cargas pesadas, e serve como uma metáfora para a disciplina do discipulado. Embora Jesus não esteja oferecendo essas coisas, nem por meio da adoção da lei mosaica e muito menos pela libertação de todas as restrições. Como crentes não temos obrigações com a Lei de Moisés, mas temos obrigações com a lei de Cristo que é representada, em sua essência, pelo amor.
Desse modo temos que o jugo de Jesus está diretamente relacionado com o verdadeiro discipulado cristão. Quando Jesus diz — aprendei de mim, conforme Mateus 11:27 — ele não está dizendo para os cristãos imitá-lo, ou para que aprendam da Sua própria experiência. O que Ele está dizendo é que Seus discípulos têm a responsabilidade de aprenderem por meio da revelação que apenas Jesus pode conceder, porque recebeu a mesma do Pai.
A característica maravilhosa desse convite de Jesus, tem sua base na Sua autoridade extraordinária — Mateus 11:27 — por meio da qual somos encorajados, mesmo estando sobrecarregados, a ir até Ele porque Jesus é manso e humilde de coração. Mateus enfatiza a mansidão de Jesus em diversas passagens, tais como —
Mateus 18:1—10
1 Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus?
2 E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles.
3 E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus.
4 Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
5 E quem receber uma criança, tal como esta, em meu nome, a mim me recebe.
6 Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar.
7 Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!
8 Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno.
9 Se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida com um só dos teus olhos do que, tendo dois, seres lançado no inferno de fogo.
10 Vede, não desprezeis a qualquer destes pequeninos; porque eu vos afirmo que os seus anjos nos céus veem incessantemente a face de meu Pai celeste.
Mateus 19:13—15
13 Trouxeram-lhe, então, algumas crianças, para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreendiam.
14 Jesus, porém, disse: Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus.
15 E, tendo-lhes imposto as mãos, retirou-se dali.
Toda essa linguagem de Jesus acerca das crianças e de como ele se relacionava com elas e da advertência que nos faz, certamente estão relacionadas com a linguagem acerca do servo messiânico que encontramos em passagens tais como —
Isaías 42:2—3
2 Não clamará, nem gritará, nem fará ouvir a sua voz na praça.
3 Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega; em verdade, promulgará o direito.
Isaías 53:1—2
1 Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do SENHOR?
2 Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.
Zacarias 9:9
Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.
Essa passagem é citada em Mateus 21:5 e retorna em Mateus 12:15—21.
Jesus é o único que tem autoridade para revelar o Pai e ele faz isso aproximando-se de nós com a maior mansidão possível. Verdadeira mansidão de um servo obediente ao Pai e Senhor. Em nossos dias seu reinado messiânico não deve ser entendido como algo que é exclusivamente real e pertinente apenas ao nosso tempo. O reino messiânico de Jesus se estende a cada dia mais para cobrir todo o Universo, até que o Pai coloque todos os seus inimigos por estrado de Seus pés —
Salmos 110:1
Disse o SENHOR ao meu senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés.
E seu reino não terá fim —
Daniel 7:13—14
13 Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele.
14 Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído.
Lucas 1:33
Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
E é esse reino que foi tirado do povo judeu e dado ao novo povo de Deus, a Igreja, conforme a promessa de Jesus em —
Lucas 20:13—19
13 Então, disse o dono da vinha: Que farei? Enviarei o meu filho amado; talvez o respeitem.
14 Vendo-o, porém, os lavradores, arrazoavam entre si, dizendo: Este é o herdeiro; matemo-lo, para que a herança venha a ser nossa.
15 E, lançando-o fora da vinha, o mataram. Que lhes fará, pois, o dono da vinha?
16 Virá, exterminará aqueles lavradores e passará a vinha a outros. Ao ouvirem isto, disseram: Tal não aconteça!
17 Mas Jesus, fitando-os, disse: Que quer dizer, pois, o que está escrito: A pedra que os construtores rejeitaram, esta veio a ser a principal pedra, angular?
18 Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.
19 Naquela mesma hora, os escribas e os principais sacerdotes procuravam lançar-lhe as mãos, pois perceberam que, em referência a eles, dissera essa parábola; mas temiam o povo.
A respeito da expressão “descanso”, as palavras que encontramos em Mateus 11:28 são, na realidade uma citação direta daquelas que encontramos em
Jeremias 6:16
Assim diz o SENHOR: Ponde-vos à margem no caminho e vede, perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andai por ele e achareis descanso para a vossa alma; mas eles dizem: Não andaremos.
O motivo porque a vasta maioria das pessoas se recusa a ouvir a Palavra de Deus é bem simples. Eles não gostam da Palavra de Deus, conforme podemos ler em —
Jeremias 6:10 —
A quem falarei e testemunharei, para que ouçam? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos e não podem ouvir; eis que a palavra do SENHOR é para eles coisa vergonhosa; não gostam dela.
Adicione-se a isso o fato que todas as Escrituras dizem respeito a um personagem central, que é o Senhor Jesus Cristo —
João 5:39 —
Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.
Além de não desejarem ouvir a Palavra de Deus, a maioria das pessoas também se recusa a aceitar tomar sobre si mesmas, o jugo de Cristo. Mas o ζυγός zugós — jugo de Cristo é χρηστὸς chrestòs — suave, bem confortável. A expressão grega ainda significa: gentil, agradável — como oposto a difícil, duro, rígido, amargo. Por outro lado, para completar a ideia, o φορτίον fortíon — fardo de Cristo é leve. Ainda assim, o coração empedernido dos seres humanos resiste a tão amável convite, porque prefere manter pleno domínio sobre suas vidas, mesmo que essas vidas sejam muito miseráveis e cheias de sofrimentos sem fim.
Como mencionamos antes, o descanso que Cristo promete, não é apenas para a vida futura, na eternidade, mas também para ser desfrutado agora, nesse mundo. O contraste que existe entre o jugo e o fardo de Jesus, e aqueles de outras pessoas, não se refere a algum tipo de embate entre antinomianismo — falsa doutrina que alega que os cristãos são completamente livres da obediência que devem às leis civis e constitucionais nos países onde habitam — e o legalismo. Isso é impossível, porque num sentido mais profundo, as leis de Jesus apresentam exigências maiores e mais radicais do que aquelas que podemos encontrar em qualquer outro sistema. Como exemplo podemos citar os mandamentos que tratam do amor que devemos nutrir com relação a nossos inimigos, a não resistência e as leis do divórcio.
Tal contraste também não é entre a salvação pela lei e a salvação pela graça uma vez que, como diz o apóstolo Paulo —
Gálatas 2:16
Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado.
Também não é entre as duras disputas ocorridas entre mestres judeus na Lei de Moisés e a abordagem humana e humilde de Jesus. Pelo contrário, o contraste que temos diante de nós é entre o fardo da submissão representado pelo Antigo Testamento e a tradição oral dos anciãos, em termos da regulamentação farisaica com suas regras para cada mínimo aspecto da vida dos indivíduos e a verdadeira libertação de se colocar sob a tutela de Jesus, que é também o manso revelador, para quem o Antigo Testamento, realmente aponta. 
Para encerrar esse tópico que trata da apatia e do desânimo, devemos olhar também as palavras que encontramos vindas da parte de Deus, que nos advertem contra a tendência, tão humana de, muitas vezes ou sempre, querer desistir de viver a vida cristã conforme —
Hebreus 10:35—39
35 Não abandoneis, portanto, a vossa confiança; ela tem grande galardão.
36 Com efeito, tendes necessidade de perseverança, para que, havendo feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa.
37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará;
38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.
39 Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma.
Para o autor da Epístola aos Hebreus, depois de terem suportado severas aflições e grandes perdas por amor ao Senhor Jesus Cristo, abandonar a confiança que tinham, como se fosse algo desprezível, não faria o menor sentido. De todas as formas de deserção que um cristão pode praticar, a apostasia[1] é, sem dúvida nenhuma, a menos razoável de todas. Dizemos isso, por causa do seu significado original que indica voltar as costas — no sentido de abandonar — aquele a quem uma vez professamos — Jesus Cristo — diante de homens e mulheres, como sendo nossa única fonte e fundamento de toda nossa confiança, e por meio do sangue de quem nos foi garantido livre acesso, em plena certeza de fé, até a presença de Deus no santuário celestial conforme lemos em Hebreus 10:19—23.
Movidos pelo desencorajamento representado pelos perigos e dificuldades do deserto, os ancestrais desses a quem a Epístola aos Hebreus foi enviada, foram tomados de um espírito de apostasia tão grande, que chegaram a se questionar dizendo —
Números 14:3
E por que nos traz o SENHOR a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos para o Egito?
De modo semelhante esses cristãos do primeiro século coriam o risco de seguir o mau exemplo de seus ancestrais — Hebreus 3:12 — abandonado o Deus que os criou e desprezando a Rocha da sua salvação — Deuteronômio 32:15. Agindo desse modo eles estariam dando uma prova cabal de que estavam mesmo abandonando a confiança que tinham no Senhor. Além disso, eles estariam retornado para a temporalidade dos bens materiais, os quais eles havia professado “lançar fora”. Isso seria um verdadeiro desastre conforme lemos em —
Hebreus 6:11—12
11 Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança;
12 para que não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas. 
Os cristãos são relembrados do fato que a confiança deles tem grande galardão — Hebreus 10:35. Desse modo, abandonar nossa confiança no Senhor por causa da intensidade da batalha, equivale a também abandonar nossa grande recompensa. Essa recompensa ou galardão, de glória incomparável, aguarda a todos que permanecerem fiéis até o final —

Romanos 8:18

Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

Pedro se refere a nossa herança como algo incorruptível, sem mácula e imarcescível — que nunca murcha —

1 Pedro 1:3—4

3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

4 para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.

A mesma também é referida como uma coroa de justiça com a qual o próprio Senhor irá coroar todos os que amam sua vinda —
2 Timóteo 4:8

Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.

A relação da presente peregrinação com a recompensa futura é paralela a relação da fé com a esperança conforme —

Hebreus 10:37—38

37 Porque, ainda dentro de pouco tempo, aquele que vem virá e não tardará;

38 todavia, o meu justo viverá pela fé; e: Se retroceder, nele não se compraz a minha alma.

O capítulo 11 de Hebreus alarga o horizonte dessa mesma verdade — fé e esperança — até onde é possível. A grande recompensa prometida serve como um incentivo gigantesco para a perseverança, mas a mesma — a recompensa — está longe de ser o prêmio atribuído a qualquer mérito humano, como se os seres humanos fossem capazes de estabelecer qualquer tipo de merecimento diante da pessoa de Deus. A confiança que nos coroa não tem nada a ver com autoconfiança, isto é, a confiança que uma pessoa pode ter em si mesma e em seu próprio valor. Muito pelo contrário, estamos falando da confiança que alguém tem em Deus e que é a perfeita antítese do mérito humano e da autoconfiança. O sangue de Jesus, oferecido em sacrifício a nosso favor representa a substância da nossa confiança —

Hebreus 10:19—20

19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,

20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.

O único mérito no qual o crente confia é o mérito de Cristo.

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Que Deus nos abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis 

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[1] A expressão grega  ἀποστασία — apostasía — é equivalente a divórcio, repúdio ou carta de divórcio.