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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ESTUDO DA VIDA DE JESUS – PARTE 2 – ESTUDO 035 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 002



Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida do Senhor Jesus como apresentada nos quatro Evangelhos. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Jesus Confronta a Religião, a Sociedade e a Cultura.

Jesus Confronta a Religião, a Sociedade e a Cultura.

Lição 035 – OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 009.

II. O Prólogo do Evangelho de João – João 1:1—18 — Continuação

C. Exposição de João 1:1—18 — Continuação.


2. João 1:2 - Ele estava no princípio com Deus.

A. Como uma espécie de reafirmação da divindade do Senhor Jesus, a apóstolo João nos oferece o verso 2. Neste verso temos numa frase apenas, a repetição de todo o conteúdo de João 1:1. Precisamos nos lembrar que a expressão “princípio” aqui, como no verso 1, não está fazendo referência ao momento quando as coisas e os seres começaram a ser criados. Mas, pelo contrário, ela faz referência à eternidade que existia antes da criação. E João, de forma mais simples possível, nos diz que o verbo já estava lá com Deus. Ele não veio a estar com Deus, como se houvesse sido criado, mas já estava com Deus na eternidade. Essa verdade é afirmada pelo Senhor Jesus em —

João 17:5

E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo.

Este autor não entende o exercício insano de todos aqueles que querem negar o fato de que o Senhor Jesus Cristo é Deus.

B. As implicações teológicas da afirmação Joanina no verso 2 são como seguem:

1. Com respeito à essência e substância: O Verbo era Deus, mas ao mesmo tempo uma pessoa distinta em substância porque o Verbo estava com Deus. Mas como o Verbo era também o próprio Deus, então possuía a mesma substância. Não pretendemos, realmente, entender estas coisas, porque achamos que seria muita pretensão tentar “entender” Deus —

Hebreus 1:3

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas.

2. Com respeito à felicidade ou gozo: Pai e Verbo são idênticos no gozo ou alegria que desfrutavam antes da criação – ver João 17:5 acima.

3. Com respeito ao “conselho” ou “desígnio”: o apóstolo Paulo nos diz que a salvação era um mistério que estava oculto em Deus antes da criação dos mundos —

Efésios 3:9

E manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas.


No tempo determinado por Deus, o Verbo em forma de Jesus veio para nos conduzir a Deus —

1 Pedro 3:18

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito.

de tal forma que o Pai e Verbo mantêm plena afinidade nesta questão —

Zacarias 6:12—13

12 E dize-lhe: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é Renovo; ele brotará do seu lugar e edificará o templo do SENHOR.

13 Ele mesmo edificará o templo do SENHOR e será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono, e dominará, e será sacerdote no seu trono; e reinará perfeita união entre ambos os ofícios.

Mateus 11:27

Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

O motivo principal porque a Bíblia nos ensina que o Messias — Jesus vinha da parte de Deus é exatamente porque “Ele estava no princípio com Deus”.

C. Mas João 1:2 cumpre outro propósito. Ele serve de transição na discussão entre o ser pessoal representado pelo Verbo e Sua manifestação na obra da criação. Para João, inspirado pelo Espírito Santo, as coisas são bem naturais e lógicas: Se esse mesmo Verbo e não outro, era Deus mesmo, e se esse Verbo estava em plena comunhão com Deus no princípio, então nada mais evidente do que a conclusão que segue de que “todas as coisas foram feitas por Ele” — ver João 1:3. De forma sutil o evangelista atribui ao Verbo a vontade, a sabedoria, o conhecimento e a força necessárias para implementar a criação. Como criador fica evidenciado seu estreito relacionamento com as coisas e os seres criados, especialmente os seres humanos. É a criação que faculta a encarnação e trabalho redentor do Verbo na forma de Jesus. A relação entre criação e redenção muitas vezes não é enfatizada o suficiente no nosso meio, mas está implícita em versos tais como —

Isaías 46:4

Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregar-vos-ei e vos salvarei.

A redenção só é possível por causa da criação. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e está destinado a ter esta imagem plenamente restaurada mediante a obra redentora do Verbo em forma de Jesus.

CONTINUA...
Outros estudos acerca da vida de Jesus podem ser encontrados nos links abaixo:

001 — Estudos Na Vida de Jesus — Porque Jesus Veio a Este Mundo

002 — Estudos na Vida de Jesus — O Registro Escrito Acerca de Jesus — Parte 001

003 — Estudos na Vida de Jesus — O Registro Escrito Acerca de Jesus — Parte 002.

004 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões —

005 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 2.

006 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 3.

007 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 4.

008 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 5.

009 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 6.

010 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 7.

011 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 8.

012 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 9.

013 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 10.

014 — Estudos Na Vida de Jesus — A Revelação de Jesus e o Fim das Religiões — Parte 11.

015 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 12

016 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 13

017 A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14A

017 B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14B

017 C — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14C

017 D — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 14D

018 A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 15A

018 B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 15B

019A — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 16A

019B — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 16B

020 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 17

021 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 18

022 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 19

023 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 20

024 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 21

025 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 22

026 — Estudos na Vida de Jesus — A Revelação de Deus e o Fim das Religiões — Parte 23
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/04/estudo-da-vida-de-jesus-parte-1-estudo.html

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA VIDA DE JESUS — PARTE 2 PODEM SER ENCONTRADOS NOS LINKS ABAIXO:
001 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 027 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 001 — A PLENITUDE DO TEMPO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/05/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
002 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 028 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 002 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE LUCAS — LUCAS 1:1—4
003 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 029 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 003 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/07/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
004 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 030 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 004 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
005 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 031 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 005 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/09/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
006 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 032 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 006 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 004
007A — A DIVINDADE DE JESUS E A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS OU IGREJA DOS MÓRMONS.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
007C —  A DIVINDADE DE JESUS E OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_30.html
007D — A DIVINDADE DE JESUS E  IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA — PARTE 001http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
007E — A DIVINDADE DE JESUS E  IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA — PARTE 002http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_3.html
008 — A DIVINDADE DE JESUS COMO APRESENTADA PELO EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_31.html
009 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
010 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/03/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
011 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 004http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/05/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
012 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 005http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
013 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 006
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/07/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
014 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 007
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
015 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 008
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/09/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
016 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 009
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
017 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 010
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
018 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 011
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
019 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 012
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
020 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 013
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
21 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 014
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
022 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 015 — A LUZ DOS HOMENS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/10/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
023 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 016 — JESUS VEIO TRAZER O PERDÃO E A SALVAÇÃO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_8.html
024 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 017 — JESUS É O MESSIAS PROMETIDO NA PROFECIA DAS 70 SEMANAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_11.html
025 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 018 — JESUS É O SOL DA JUSTIÇA PROMETIDO NA PROFECIA DE MALAQUIAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
26 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 019 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
27 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 020 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 002

Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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domingo, 26 de outubro de 2014

CHARLES SPURGEON: A APARÊNCIA DA PIEDADE SEM PODER – UM SERMÃO – PARTE 003 — O FORMALISMO RELIGIOSO


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O material abaixo é parte de um sermão pregado por Charles Spurgeon que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: Spurgeongems.org - Título Original: The Form Of Godliness Without The Power

OEstandarteDeCristo.com

Tradução: Camila Rebeca Almeida

Revisão: William Teixeira

A Aparência de Piedade Sem Poder

(Sermão Nº 2088)

Pregado na manhã do Dia do Senhor, 2 de junho de 1889,

por C.H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“Tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. Afasta-te também desses.” (2 Timóteo 3:5 – tradução literal do inglês)

II. Em segundo lugar, devemos observar a TOLICE ÍMPIA desta conduta hipócrita. Aqueles que descansam na mera demonstração de piedade estão agindo de uma forma impudente e vou tentar expô-la.

Primeiro, eles degradam o próprio nome de Cristo. Irmãos, se não há poder espiritual na piedade, ela não vale nada. Queremos ausência de nuvens sem chuva. De fingidos e meros pretensos temos mais do que suficiente. Aqueles que não têm o poder da piedade mostram-nos uma imagem muito prejudicial da religião. Eles fazem a religião de nosso Senhor ser comparável a um espetáculo em uma feira, com figuras refinadas e alta percussão do lado de fora e interiormente nada digno de consideração por um momento. O melhor do espetáculo está do lado de fora.

Ou se há algo dentro, é um baile de máscaras, onde todos atuam com peças emprestadas, mas ninguém é o que parece ser. Gracioso Senhor, nunca permita que nós possamos agir de modo a fazer com que o mundo pense que o nosso Redentor não é nada mais do que um hábil diretor de teatro, onde nada é real, mas tudo é pantomima[1]1. Irmãos e irmãs, se vocês oram em absoluto, orem a Deus para torná-los completamente verdadeiros. Que vocês sejam feitos de metal verdadeiro! Seria melhor para vocês que nunca tivessem nascido do que vocês desonrarem a Cristo entre os filhos dos homens, levando-os a concluírem que a religião é toda uma peça de atuação.

A tolice disto é ilustrada pelo fato de que não existe um valor em tal forma morta. A aparência de piedade sem o poder não é digna da dificuldade que esta apresenta para ser elaborada e mantida. Joias de imitação são bonitas e brilhantes. Mas se você as leva ao joalheiro, ele não dará nada por elas. Há uma religião que é toda colar de joias, uma piedade que brilha, mas não é ouro. E no dia em que vocês desejarem realizar algo a partir dela, serão miseravelmente desapontados.

Uma aparência de piedade unida a um coração profano não tem valor para Deus. Eu li que o cisne não era autorizado a ser oferecido sobre o altar de Deus, porque, apesar de suas penas serem brancas como a neve, sua pele é escura. Deus não aceitará aquela moralidade externa que esconde impureza interior. Deve haver um coração puro, bem como uma vida limpa. O poder da piedade deve trabalhar interiormente, ou então Deus não aceitará a nossa oferta. Não há nenhum valor para o homem ou para Deus em uma religião que é uma aparência morta.

Consequentemente, não há utilidade em mera formalidade. Se a sua religião não tem vida espiritual, qual é o uso dela? Você poderia ir para casa em um cavalo morto? Será que você caça com cachorros mortos? Alguém gostaria de ir para a batalha com um capacete de papelão? Quando a espada cair sobre ele, qual seria o uso de um capacete assim? Que clamor foi levantado por espadas ruins! A falsa religião é em algo melhor? No profundo inverno, vocês podem se aquecer diante de um fogo pintado? Poderiam jantar a imagem de uma festa quando vocês estão com fome? Deve haver vitalidade e substancialidade ou então a aparência é totalmente inútil. E pior do que inútil, pois ela pode lisonjeá-los em mortal presunção. Além disso, não há nenhum conforto nela. A aparência sem o poder não tem nada nela para aquecer o coração, para elevar os espíritos, ou para fortalecer a mente no dia da doença, ou na hora da morte. Ó Deus, se a minha religião tem sido uma mera aparência, o que farei na enchente do Jordão? Minha confissão refinada desaparecerá em absoluto e nada virá dela com o que eu possa enfrentar o último inimigo. Pedro chamou os hipócritas de “fontes sem água” [2 Pedro 2:17]. Vocês estão com sede e alegremente espionam um poço, ele é bem cercado com um meio-fio e equipado com um guincho e um balde. Vocês se apressam para retirar água. O que foi? Será que o balde veio vazio? Vocês tentam de novo. Como é amargo o vosso desapontamento! Um poço sem água é um escárnio. É um mero poço de destruição, uma ilusão mortal. São alguns de vocês possuidores de uma religião que nunca lhes rende uma gota de consolo? Ela é uma escravidão para vocês? Vocês seguem a Cristo como um escravo segue o seu mestre? Fora com essa religião!

A piedade que é digna de se ter é uma alegria para um homem, é a sua escolha, o seu tesouro, seu tudo. Quando ela não lhe rende regozijo deliberado, ainda assim ele a valoriza como a única fonte de onde a alegria dele é esperada. Ele segue a Cristo com amor, a partir do desejo de seu coração por Ele e não a partir da força do hábito, ou pelo poder do medo.

Ter a aparência de piedade sem o poder dela é falta de constância em sua religião. Vocês nunca viram uma miragem, talvez. Mas aqueles que têm viajado no Oriente, quando voltam para casa, certamente falam sobre elas. É um dia muito quente e sedento e vocês estão andando em um camelo. De repente, levantam-se diante de uma cena bonita. Bem perto de vocês estão ribeiros de águas, fluindo entre camas de vimes e bancos de canas e juncos. Acolá estão palmeiras e laranjeiras. Sim, e uma cidade ergue-se em uma colina, coroada com minaretes e torres. Vocês estão alegres e pedem ao seu guia para levá-los mais perto da água, que brilha no sol. Ele severamente responde: “Não faça caso, é uma miragem. Não há nada ali, senão areia ardente”. Vocês mal podem acreditar nele. Parece tão real! Mas eis que tudo se foi, como um sonho noturno. E assim é a esperança que é construída sobre a aparência de piedade sem o poder. As formigas brancas comerão toda a substância de uma caixa e ainda a deixam de pé até que um toque faz com que toda a estrutura caia em pó, cuidado com uma confissão da qual a substância tenha sido devorada. Não acreditem em nada que não tenha o selo da eternidade sobre ele.

Tenha cuidado, pobre Criança, você pode soprar a sua bolha e a luz do sol pode pintá-la com o arco-íris. Mas em um instante ela se vai, e nem um traço dela permanece. Seu mundo transitório de beleza é para você e suas crianças companheiros e não para os homens. Na realidade, este tipo de religião está em oposição a Cristo. É Janes e Jambres mais uma vez, o mago da hipocrisia está tentando fazer milagres que pertencem apenas a Deus. Na aparência, ele produziria as mesmas maravilhas como o dedo de Deus. Mas ele falha. Queira Deus que nós nunca sejamos culpados de resistir à Verdade de Deus por meio de uma profissão [de fé] mentirosa. Os homens falsos produzem graves prejuízos à verdadeira piedade. Pois, como Eúde, eles vêm com uma pretensa mensagem de Deus e com sua espada afiada em ambos os lados, eles atacam a piedade vital em seu próprio coração. Ninguém pode fazer tanto dano à Igreja de Deus, quanto o homem que está dentro de seus muros, mas não dentro de sua vida.

Esta piedade nominal, que é desprovida de poder, é uma coisa vergonhosa. Eu concluo com isso. É uma coisa vergonhosa para esta vida, pois o Senhor Jesus a abomina. Quando passou pela figueira, que era tão precoce com suas folhas, mas tão vazia de frutos, Ele ali viu a semelhança do professo vanglorioso que não tem santidade real e Ele disse: “Nunca mais nasça fruto de ti!” [Mateus 21:19]. Sua Palavra murchou-a de uma vez, isso permaneceu como um terrível emblema do fim de uma falsa confissão. Quanta vergonha estará sobre um infrutífero professo sem vida na eternidade, quando os segredos de todos os corações serão revelados! Que vergonha e desprezo eterno o aguardarão quando sua falsidade for detectada e sua baixeza deverá preencher todas as santas mentes com horror! Ó, acautelai-vos do Inferno do falso professo!

Eu terei acabado quando eu adicionar algumas palavras de instrução. A aparência de piedade é mui preciosa. Que aqueles que sentem o poder da piedade o honrem e o usem. Não desprezem isso, porque os outros o têm danificado. Venham adiante e façam uma confissão aberta da religião. Mas assegurem que vocês têm o poder dela. Clamem a Deus para que vocês nunca usem uma luva que seja maior do que sua mão, quero dizer, que nunca possam ir além do que é real e verdadeiramente seu próprio. Será melhor para vocês irem a Deus como uma alma perdida e clamarem por misericórdia, do que professarem a si mesmos salvos quando vocês não o são.

No entanto, confessem a Cristo, sem falta ou medo. Não tenham vergonha de Jesus por causa dos maus modos dos Seus discípulos. Considerem o mau cheiro dos falsos professos como parte da cruz que vocês devem suportar por seu Senhor. Pois, estar associado a alguns que não são verdadeiros parece inevitável nesta vida, no entanto, escolhamos cuidadosamente nossa companhia.

Agora, uma palavra de discriminação. Aqueles a quem o meu texto não tem nada a dizer serão os primeiros a levá-lo para casa para si. Quando eu anuncio com meu coração um sermão fiel, certas almas trêmulas, a quem eu de bom grado consolo, estão seguras em pensar que eu quero me destinar a elas. A pobre mulher, em profunda aflição, vem a mim, clamando: “Senhor, eu não tenho nenhum sentimento”. Caro coração, ela tem dez vezes mais sentimento. Outro suspira: “Eu tenho certeza que eu sou um hipócrita”. Eu nunca encontrei com um hipócrita que se achava assim. E eu nunca encontrarei.

“Ó”, disse outro, “Eu me sinto condenado”. Aquele que se sente condenado pode esperar por perdão. Se vocês têm medo de si mesmos eu não tenho receio de vocês. Se vocês tremem diante da Palavra de Deus, vocês têm uma das mais seguras marcas de eleitos de Deus. Aqueles que temem estar enganados raramente estão enganados. Se vocês se examinarem e permitirem que a Palavra de Deus vos examine, está tudo bem convosco. O comerciante falido teme ter seus livros examinados. O homem sensato ainda paga um contador para revisar seus negócios. Use a discriminação e nem se absolvam e nem se condenem sem razão.

Se o Espírito de Deus o leva a chorar em segredo pelo pecado e a orar em segredo por Graça Divina; se Ele o leva a buscar santidade; se Ele o leva a confiar somente em Jesus, então você conhece o poder da piedade e nunca a negou. Você que clama: “Ó, que eu sentisse mais do poder do Espírito Santo, pois sei que Ele pode me consolar, santificar e fazer-me viver a vida do Céu na terra!” Você não é atingido pelo texto ou sermão. Pois, você não tem negado o poder. Não, não, este texto não pertence a você, mas para outra classe completamente diferente de pessoas.

Deixe-me dar-lhes uma palavra de admoestação. Aprendam com o texto que há algo na piedade que vale a pena aspirar. A “aparência” da piedade não é tudo, há um “poder” bendito. O Espírito Santo é o poder e Ele pode operar em vocês para que queiram e efetuem a boa vontade de Deus. Venham a Jesus Cristo, queridas almas. Não venham ao ministro, nem à Igreja, em primeiro lugar. Mas venham a Jesus. Venham e prostrem-se aos Seus pés e digam: “Senhor, eu não serei consolado, se que Tu me consoles”. Venham e levem tudo em primeira mão de Seu Senhor crucificado. Em seguida, vocês conhecerão o poder da piedade. Acautelai-vos da religião de segunda mão, ela nunca é digna de ser carregada para casa. Obtenham a vossa piedade direto do Céu, pelo lidar pessoal de sua própria alma com o seu Salvador. Professem apenas o que vocês possuem e descansem apenas no que vos foi dado do alto. Sua vida celeste, ainda pode ser muito débil, mas o grão de mostarda crescerá. Você pode ser o menor em Israel, mas é melhor do que ser o maior na Babilônia.

[Adaptado de The C. H. Spurgeon Collection, Version 1.0, Ages Software. Veja todos os 63 volumes de sermões CH Spurgeon em Inglês Moderno, e mais de 525 traduções em espanhol, acesse: www.spurgeongems.org. (até página 22 do livro original)

OUTRAS PARTES DESSA MENSAGEM PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

Charles Spurgeon – A APARÊNCIA DA PIEDADE SEM PODER – PARTE 001


Charles Spurgeon – A APARÊNCIA DA PIEDADE SEM PODER – PARTE 002 — OS FALSOS IRMÃOS



Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] Pantomima: é um teatro gestual que faz o menor uso possível de palavras e o maior uso de gestos através da mímica. Fonte: pt.wikipedia.org