terça-feira, 10 de novembro de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 007



Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

ESTUDO 007 — ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

O ARQUÉTIPO

O arquétipo é o ancestral direto do qual um grupo de cópias manuscritas é derivado. Como exemplo, podemos dizer que: Dabs1 e Dabs2 foram copiado do manuscrito D/06 — Claromontanus. Sendo assim, o manuscrito maiúsculo D/06 — Claromontanus é o arquétipo dos grupos D/06, Dabs1 e Dabs2.

 Na maioria dos casos, infelizmente, o arquétipo de um determinado grupo de manuscritos encontra-se perdido. Mas isso não quer dizer que tal documento não exista, mas apenas, que não temos conhecimento do mesmo. Como exemplo do que estamos citando, podemos dizer o seguinte: Nós não temos o arquétipo da chamada Família 1 ou da Família 13, e muito menos algo tão vago como o chamado Texto Alexandrino — o qual é possível que nem tenha tido um arquétipo, uma vez que tipos textuais são coleções de leituras diversas, soltas o suficiente, onde nem todo manuscrito pertencente ao grupo ou Família guarda qualquer relação de proximidade com um possível arquétipo.

Por outro lado, quando analisamos as obras clássicas da Antiguidade é, geralmente possível, identificar o arquétipo de algumas e até mesmo de todas as cópias sobreviventes. Da obra de Ariano sobre Alexandre, o Grande da Macedônia, existem 40 manuscritos. Todos eles têm uma lacuna óbvia, exatamente no mesmo ponto — no livro 8. Por outro lado temos o seguinte fato: no manuscrito Viena História da Grécia 4 notamos a falta de uma página quem corresponde, exatamente à lacuna que temos notados nos manuscritos citados logo acima. Desse modo, podemos dizer que esse manuscrito — Viena — é o arquétipo de todas as cópias sobreviventes do manuscrito produzido por Ariano.

Por outro lado temos alguns casos excepcionalmente raros, onde é possível determinar o arquétipo mesmo diante do fato do mesmo estar perdido. No caso específico que desejamos discutir, estamos falando do fato que todas as cópias existentes da Vida dos Doze Césares de Suetônio não têm, por exemplo, as páginas iniciais da vida de Júlio César. Partindo desse fato e de outras evidências, incluindo material suprido por editores diversos, citações e dados de catalogação da obra, é aparentemente possível provar que todas as cópias mencionadas fazem referência ao perdido Código Fuldensis.

Todas as situações citadas nesse artigo servem para nos ensinar a diferença que existe entre autógrafos e arquétipos. Outro exemplo é a obra produzida Geoffrey Chaucer, conhecida como Boece e baseada na obra de Boetius A Consolação da Filosofia. Nós temos um bom conhecimento das fontes latinas e também das versões francesas pelo que Chaucer nos informa. Nós sabemos que Chaucer traduziu o texto para o latim de forma literal, na maioria das vezes. Com isso, nós podemos reconstruir seu autógrafo original com bastante precisão. Assim, podemos provar que o arquétipo existente das cópias sobreviventes foi simplificado em diversos pontos.

É possível falarmos de arquétipos para o texto do Novo Testamento. Mas temos que entender que quando falamos de arquétipos não estamos nos referindo aos autógrafos. Analise a estrutura a seguir
          A
          |
          B
          |
          C
          |
 -------------------
 |     |     |     |
 D     E     F     G
Levando em conta que todas as cópias sobreviventes são descendentes de D, E, F e G. Nesse caso o autógrafo é A, mas o arquétipo é C. Todos os manuscritos sobreviventes são descendentes diretos de C, com A distante um número impreciso de gerações. É digno de nota que a crítica textual é capaz de reconstruir o caminho direto que nos conduz até C. Quanto ao autógrafo A não está disponível nem ao nosso alcance, e todas as diferenças que podemos encontrar entre A e C só podem ser reconstruídas por meio de “emendas”. Falaremos mais acerca disso quando analisarmos a Crítica Textual Clássica.

Diante desse fato deve ficar claro que não podemos reconstruir todos os ancestrais de nenhuma parte do Novo Testamento com todos seus pequenos detalhes. Mas já desenvolvemos o conhecimento necessário para nos aproximar bastante desse alvo. Já no século XIX os estudiosos do grego do Novo Testamento Westcott e Hort, por exemplo, propuseram a seguinte estrutura de raiz —

              Autógrafo
                  |
       ---------------------
       |                   |
       D                   E
       |\                 /|
       | \               / |
       |  \             /  |
       |   \           /   |
       |    \         /    |
       |     \       /     |
       |      \     /      |
       |       \   /       |
       |        \ /        |
       |         |         |
     Texto     Texto      Texto
  Alexandrino Bizantino Ocidental
Todavia, devemos ter a capacidade de notar que não existe meio de separar o esquema acima desse outro abaixo —

              Autógrafo
                  |
                  B
                  |
                  C
                  |
       ---------------------
       |                   |
       D                   E
       |\                 /|
       | \               / |
       |  \             /  |
       |   \           /   |
       |    \         /    |
       |     \       /     |
       |      \     /      |
       |       \   /       |
       |        \ /        |
       |         |         |
     Texto     Texto      Texto
  Alexandrino Bizantino Ocidental

De fato, Westcott e Hort suspeitavam da existência de algumas cópias que já existiam antes de recuperarmos as cópias que hoje temos por mais antigas. Eles deixaram isso bem claro em várias anotações feitas no Texto Grego do Novo Testamento que publicaram.

CONTINUA....

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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 001 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 002 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 004 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — OS PERGAMINHOS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 005 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — PAPEL E BARRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 006 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 001
COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 007 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 009 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/como-o-novo-testamento-chegou-ate-nos.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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