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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — MATEUS — PARTE 008 - ESTRUTURA - PARTE 002


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Concepção Renascentista do "Chamado de Mateus" - o cobrador de taxas. Obra de Caravaggio.

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

G. Estrutura do Evangelho de Mateus — CONTINUAÇÃO.

O Evangelho de Mateus apresenta uma estrutura bem mais elaborada que os outros Evangelhos, o que possibilitou seu uso mais amplo Igreja Primitiva. Por sua estrutura, não é difícil percebermos que estamos diante dum autor que possui uma mente extremamente ordeira como os detalhes a seguir irão deixar claro.

2. O Uso de Grupos Numéricos

Como sabemos Mateus era um coletor de taxas trabalhando a favor do império romano. Sua forma metódica de pensar também pode ser vista em sua capacidade de agrupar várias palavras de Jesus ou eventos ocorridos na vida do Senhor. Seu número favorito é três, apesar dos números 5 e 7 também ocorrerem.[1] Exemplos do agrupamento de três podem ser vistos em:
a. A divisão da genealogia de Jesus em três partes — ver Mateus 1:17.

b. As três tentações sofridas por Jesus — Mateus 4:1—11.

c. As três ilustrações acerca da justiça, as três proibições e os três mandamentos em Mateus 6:1 — 7:20.

d. O agrupamento de três grupos de milagres envolvendo cura, manifestações de poder e restauração em Mateus 8:1 — 9:34.

e. Várias outras instâncias onde Mateus agrupa três parábolas, três perguntas, três orações e três negações.

Devemos insistir que isso não indica que Mateus atribuía qualquer importância simbólica ao numeral 3, mas que tal uso apenas demonstra a forma organizada como sua mente de contador funcionava. Tal uso também distingue Mateus dos outros autores dos evangelhos — Marcos, Lucas e João — pois demonstra a forma metódica como ele organizava seu material. É possível que Mateus ao usar, de forma tão característica o numeral 3, estivesse influenciado pela palavras da Lei de Moisés que afirmava que todos os fatos deveriam ser confirmados pelas palavras e duas ou três testemunhas. Para Mateus a multiplicação do número de testemunhas — cada grupo de três — deveria funcionar como uma verdadeira autenticação do material incorporado.

2. O agrupamento geral do material utilizado

Dentro da narrativa e dos discursos como organizados por Mateus em seu Evangelho é possível percebermos que seu objetivo é ilustras vários aspectos do ministério de Jesus. Desse modo nós podemos observar o seguinte:
a. Mateus 5 — 7 servem para ilustrar os ensinamentos de Jesus.

b. Mateus 8 — 9:34 servem para ilustrar a obra de Jesus.

c. Em Mateus 12:1—45 encontramos vários dos embates intelectuais travados entre Jesus e os fariseus, o que é imediatamente seguido em Mateus 13 por um brupos de ensinamentos em forma de parábolas.

Por detrás desse objetivo consciente não é difícil notarmos uma estrutura bem pensada que é fácil de ser comparada com textos paralelos encontrados nos evangelhos de Marcos e Lucas. Tal habilidade da parte de Mateus resulta numa apresentação sólida e unificada daquilo que ele nos revela em seu material. Uma vez que compreendemos os procedimentos literários de Mateus fica fácil compreender porque seu trabalho não pode ser classificado dentro das categorias conhecidas daquilo que chamamos de biografia. Pelo contrário, a estrutura literária adotada por Mateus tem a intenção de nos fornecer uma visão tão abrangente quanto possível, das múltiplas facetas da vida e do caráter de Jesus.

Uma última palavra acerca do que acabamos de falar: è importante notarmos que nas narrativas envolvendo a chamada paixão Mateus apresenta um alto nível de convergência com o que está apresentando em Marcos e Lucas tanto no conteúdo, quanto na sequência dos eventos. Isso nos faz pensar que no princípio existia uma estrutura relativamente fixa de relatar esses solenes eventos envolvendo a manifestação do Filho de deus entre os seres humanos.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-novo-testamento-estudo_3.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/introducao-ao-novo-testamento-estudo.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/introducao-ao-novo-testamento-estudo_14.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.


[1] Note os cinco blocos de discursos, os grupos de quatorze — 2x7 — na genealogia de Jesus, as sete parábolas citadas Mateus 13 e os sete “ais” em Mateus 23.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 — MATEUS — PARTE 007 - ESTRUTURA - PARTE 001



Resultado de imagem para as palavras de jesus

Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

G. Estrutura do Evangelho de Mateus

O Evangelho de Mateus apresenta uma estrutura bem mais elaborada que os outros Evangelhos, o que possibilitou se mais amplo uso pela Igreja Primitiva. Por sua estrutura, não é difícil percebermos que estamos diante dum autor que possui uma mente extremamente ordeira como os detalhes a seguir irão deixar claro.

As Seções que Tratam dos Cinco Grandes Discursos

A característica mais óbvia do Evangelho de Mateus é que o mesmo alterna grandes porções de ensinamentos de Jesus com seções narrativas históricas. Após as narrativas iniciais que incluem as histórias acerca do nascimento de Jesus, a preparação do ministério de Jesus por meio de João Batista e os primeiro incidentes da obra de pregação do Senhor. A seguir, Mateus apresenta os ensinamentos de Jesus que chamamos de Sermão da Montanha — Mateus 5—7. Não é nossa intenção discutir aqui, se Jesus proferiu todas essas palavras numa mesma sequência ou se autor organizou várias falas da forma com temos no texto. Independentemente de qual tenha sido a situação, o fato é que Mateus decidiu colocar todo esse material numa única sequência pelo valor intrínseco do mesmo.
Em seguida temos outras narrativas que consistem, principalmente, dum grande número de milagres, que é imediatamente seguida por um novo discurso — Mateus 10. Nesse capítulo temos as instruções entregues aos discípulos, também de forma contínua. A próxima seção narrativa descreve várias situações que ilustram a crescente oposição enfrentada por Jesus e mostra também seu próprio método em tratar com as controvérsias, que preparam o próximo seguimento que apresenta uma série de parábolas acerca do Reino de Deus — Mateus 13.

A seguir temos outra sequência de narrativas — Mateus 14 a 17 — que culminam com a transfiguração e o anúncio dos sofrimentos, morte e ressurreição do Senhor. Esses elementos preparam o caminho para as palavras de Jesus que tratam da comunidade cristã — Mateus 18. A partir desse último capítulo a narrativa se move para além do rio Jordão, para voltar-se, rapidamente, a fim de descrever a volta de Jesus para Jerusalém e sua entrada triunfal de na cidade e a subsequente narrativa das dramáticas controvérsias entre Jesus e as lideranças religiosas dos judeus, em Jerusalém. De uma dessas controvérsias surge a severa condenação de Jesus sobre os escribas e os fariseus — Mateus 23. Essas palavras ao seguidas pelo disscurso escatológico de Jesus registrado em Mateus 24 e 25. O Evangelho de Mateus se encerra com as narrativas da paixão e da ressurreição de Jesus, acompanhadas pelas últimas palavras do Senhor no final de Mateus 28.

A estrutura do Evangelho de Mateus como descrita nos parágrafos acima, dificilmente, poderá ser considerada como algo meramente acidental. Dizemos isso porque encontramos uma mesma fórmula no final de cada bloco de palavras de Jesus, fórmulas essas que criam as condições ideais para a apresentação dos textos das narrativas que vêm logo em seguida. Um exemplo disso é o que encontramos em

Mateus 7:28—29

28 Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;

29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

Em Mateus 11:1 vemos Jesus ainda falando com grandes multidões — Mateus 11:7 —ao passo que logo após as parábolas acerca do Reino de Deus — Mateus 13 — a fórmula nos apresenta Jesus se dirigindo para a região onde tinha nascido — no norte do país em Mateus 17 — para, logo em seguida dirigir-se para a região da Judeia, onde Jerusalém estava localizada. A apresentação final da fórmula pode ser vista em

Mateus 26:1

Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos:

As palavras de cristo registradas na sequência de Mateus 26 antecipam a celebração da páscoa judaica por Jesus e seus discípulos e falam também da prisão, coisas bem apropriadas para apresentar as informações contidas nas narrativas envolvendo a paixão do Senhor. Cada vez que essas fórmulas são apresentadas, nós estamos diante de ligações literárias que ajudam o texto a fluir de modo para outro e ilustram bem a grande habilidade literária do autor. Todavia, devemos destacar que nenhum dos evangelistas pertencia a qualquer tipo de classe literária. Portanto, o que temos diante de nós no Evangelho de Mateus é a clara ação do Espírito Santo guiando qualquer habilidade que Mateus possuía, para conduzi-lo a alcançar o mais elevado objetivo.

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001




ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

Existe uma dificuldade especial que envolve a interpretação do material produzido pelo apóstolo Paulo, apesar de seus escritos e pregações nos apresentarem um corpo de ensinamentos claro e coerente. Todavia, as amarras de tal coerência encontram-se, frequentemente, por baixo da superfície do texto em si mesmo. Como resultado disso é possível que o intérprete perceba certos relacionamentos entre os elementos daquilo que Paulo ensina, mas sem perceber, exatamente como, os mesmo se relacionam ou a prioridade de cada elemento relativamente a outros. Assim temos que: enquanto essa falta de entendimento persistir uma compreensão imprópria dos conceitos paulinos será inevitável. O resultado disso será, em maior ou menor escala, uma imposição arbitrária duma estrutura estranha ao material paulino ou a experiência duma confusão, que se torna cada vez mais desconcertante e ilusória, apenas porque o indivíduo se deixou confundir com várias linhas de interpretação que lhe pareceram bastante verdadeiras. 

Esse problema torna-se ainda maior quando o assunto estudado é a ressurreição do Senhor Jesus dentre os mortos. Quando o assunto é esse existe uma gigantesca teia de ideias que é tão variada e complexa, que a perspectiva do apóstolo Paulo fica sujeita a todo tipo de distorções. Em outras palavras, o que estamos querendo dizer é que: nessa questão, o intérprete deve ser muito sensível à estrutura com a qual está lidando. Dessa maneira, nós sentimos que é essencial começar demonstrando que existe um fio contínuo que percorre toda a extensão dos ensinos de Paulo acerca do tema que trata da ressurreição do Senhor Jesus, bem como de todos os verdadeiros crentes. Tal abordagem pode, num primeiro momento, dar a impressão que foi apenas inventada pelo autor, mas sua validade e valor irão tornar-se cada vez mais aparentes à medida que a discussão é ampliada.

I. A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO FUTURA DE TODO CRENTE VERDADEIRO

O fato da união solidária que existe entre a pessoa de Cristo e os crentes verdadeiros no que diz respeito à ressurreição dentre os mortos encontra-se na superfície de muitos textos paulinos e nós precisamos analisar cada um deles com profundidade razoável. É o que iremos começar afazer em seguida.
1 Coríntios 15:20—28

20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

21 Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos.

22 Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.

23 Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.

24 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.

25 Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.

26  O último inimigo a ser destruído é a morte.

27 Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou.

28 Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

A noção da nossa unidade com Cristo é expressa de forma absolutamente clara e até mesmo gráfica em 1 Coríntios 15:10. Nesse verso nó vemos Paulo afirmar que Cristo, por causa da virtude de sua própria ressurreição é chamado de: sendo ele as primícias dos que dormem. A ideia é complementada a afirmação de Paulo em 1 Coríntios 15:23. A expressão grega ἀπαρχὴ — aparchè — que é traduzida como primícias merece nossa especial atenção, pois como disse Johannes Weiss, a mesma contém uma tese[1]. Existe pouca dúvida, se é que, de fato existe alguma, que tal expressão encontra sua base no uso que a Septuaginta — LXX — faz da mesma. Na Septuaginta, com poucas exceções, a expressão primícias possui um significado claramente atrelado ao culto do Antigo Testamento. A mesma faz uma referência direta às primícias referentes às ofertas de grãos, vinho, gado e outras ofertas, conforme a orientação de Moisés, como podemos ver em —

Êxodo 23:19

As primícias dos frutos da tua terra trarás à Casa do SENHOR, teu Deus.

Levítico 23:10

Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, e segardes a sua messe, então, trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote.

Números 15:20—21

20 Das primícias da vossa farinha grossa apresentareis um bolo como oferta; como oferta da eira, assim o apresentareis.

21 Das primícias da vossa farinha grossa apresentareis ao SENHOR oferta nas vossas gerações.

Números 18:8, 11—12

8 Disse mais o SENHOR a Arão: Eis que eu te dei o que foi separado das minhas ofertas, com todas as coisas consagradas dos filhos de Israel; dei-as por direito perpétuo como porção a ti e a teus filhos.

11 Também isto será teu: a oferta das suas dádivas com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, dei-as por direito perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa as comerá.

12 Todo o melhor do azeite, do mosto e dos cereais, as suas primícias que derem ao SENHOR, dei-as a ti.

Deuteronômio 18:4

Dar-lhe-ás as primícias do teu cereal, do teu vinho e do teu azeite e as primícias da tosquia das tuas ovelhas.

Deuteronômio 26:2, 10

2 Tomarás das primícias de todos os frutos do solo que recolheres da terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o seu nome.

10 Eis que, agora, trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó SENHOR, me deste. Então, as porás perante o SENHOR, teu Deus, e te prostrarás perante ele.

O aspecto principal das primícias é que as mesmas, enquanto sacrifícios, não eram oferecidas por si mesmas, e sim como representativas da colheita inteira que havia de seguir, do rebanho inteiro e etc. Elas serviam como um sinal de reconhecimento e gratidão que toda a colheita havia sido produzida e disponibilizada pelo próprio Deus. Exemplos cristalinos disso podem ser visto em passagens tais como —

Números 18:30

Portanto, lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira e produto do lagar, se contará aos levitas.

Deuteronômio 26:1—4

1 Ao entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança, ao possuí-la e nela habitares,

2 tomarás das primícias de todos os frutos do solo que recolheres da terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o seu nome.

3 Virás ao que, naqueles dias, for sacerdote e lhe dirás: Hoje, declaro ao SENHOR, teu Deus, que entrei na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a nossos pais.

4 O sacerdote tomará o cesto da tua mão e o porá diante do altar do SENHOR, teu Deus.

Desse modo, as primícias possuem uma força que transcende o tempo. As mesmas servem para trazer à luz a porção inicial da colheita, mas apenas como uma parte da totalidade da mesma. O foco das mesmas está centrado nas ovelhas recém-nascidas apenas com pertencentes ao todo do rebanho. As primícias manifestam a noção da conexão orgânica e da verdadeira unidade que representam o fato que as mesmas são inseparáveis do todo. É esse aspecto que, de modo especial,dá aos sacrifício das primícias seu significado.

CONTINUA...

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Weiss, Johannes. Der erste Korintberbrief. Vandenhoeck & Ruprecht, Göttingen, 1925.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus – ESTUDO 006 — Unidade na Variedade, mas com Harmonia.


NESSA SÉRIE NÓS VAMOS TRATAR DE DOIS ASPECTOS IMPORTANTES ACERCA DA VERDADEIRA IGREJA: 1) A IGREJA COMO CORPO DE CRISTO; E 2) A IGREJA NO PLANO ETERNO DE DEUS. CONVIDAMOS TODOS OS NOSSOS LEITORES A ACOMPANHAREM ESSA SÉRIE E COMPARTILHAREM A MESMA COM TODOS OS SEUS CONHECIDOS, AMIGOS E IRMÃOS. OUTROS ESTUDOS DESSA SÉRIE PODERÃO SER ENCONTRADOS POR MEIO DE LINKS NO FIM DE CASA ESTUDO.

E. Unidade na Variedade, mas com Harmonia.

A. O Espírito de Deus nos une em um só  σῶμά sômá — corpo do Senhor, distribui a cada um de nós seus χαρίσματα charísmata — dom ou dons mediante Sua cháris — graça e harmoniza tudo isto de tal maneira que a ἐκκλησία ekklissía — igreja, pode manifestar e compartilhar a vida que recebe diretamente de Deus.

B. Para funcionar como deve, a ἐκκλησία ekklissía — Igreja, precisa que cada membro seja atuante. Precisamos que cada membro funcione de modo correto e apropriado. A última coisa de que precisamos é de mais estrutura e de mais organização.

C. A unidade cristã é aquela do πνεῦμα pneûma — Espírito e não da denominação ou da organização.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA IGREJA COMO CORPO DE CRISTO E NO PLANO ETERNO DE DEUS

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 001 — A Igreja

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 002 — A Unidade de Igreja

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 003 — Como a Unidade Funciona na Prática

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 004 — Como o Amor Funciona na Prática

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 005 — Unidade em Meio à Diversidade
A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 006 — Unidade Com Variedade Mas com Harmonia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 007 — A Igreja Como o “Mistério” de Deus e Uma Introdução a Efésios 1:3—14

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 008 — Uma Introdução a Efésios 1:3—14

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 009 — A Bênção Espiritual — Efésios 1:3

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 010 — As Regiões Celestiais — Efésios 1:3

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 011 — Nossa Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — Parte 001
A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 012  A —Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 002

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 013 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 003

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 014 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 004

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 015 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 005

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 016 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 006

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 017 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 007 — O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 018 — A Escolha ou Eleição Divina — Efésios 1:4 — PARTE 008 — Por que O Mundo Nos Odeia

A Igreja Como Corpo de Cristo e No Plano Eterno de Deus — ESTUDO 019 — As Desculpas para Rejeitar a Jesus e o Evangelho da Graça — PARTE 001

Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

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Desde já agradecemos a todos.