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sexta-feira, 14 de julho de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — CARACTERÍSTICAS — 001

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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

II. O EVANGELHO DE MARCOS

O Evangelho de Marcos atravessou os séculos praticamente ignorado, até tronar-se central nas discussões levantadas pela chamada crítica textual do século XIX. Comentários antigos em Marcos são raros, o que indica claramente que o mesmo tinha um apelo muito pequeno. Mateus era considerado bem mais importante e, como Marcos era visto apenas como uma reprodução menor de Mateus, não é à toa que o mesmo era ignorado. Todavia, essa abordagem não era parte da postura da igreja primitiva acerca de Marcos já que o mesmo era considerado como sendo o registro feito por Marcos das reminiscências do apóstolo Pedro. Marcos alcançou uma posição de destaque nas discussões acerca dos evangelhos ao ser colocado no centro do chamado Problema Sinótico — falaremos acerca desse problema mais adiante.

A. CARACTERÍSTICAS

1. Um Evangelho de Ação

Não é difícil para nenhum leitor perceber que para Marcos a ação é mais importante que o discurso. Os ensinamentos de Cristo são sempre apresentados no contexto de algum tipo de narrativa. A história se move em passos rápidos até culminar na crucificação de Jesus. Alguns exemplos do que estamos falando serão suficientes para estabelecer esse fato:
a. Marcos descreve como o telhado de uma casa foi removido para que um paralítico pudesse ser colocado diante de Jesus — Marcos 2:4.

b. Marcos descreve Jesus dormindo com sua cabeça sobre um travesseiro dentro de um barco em meio a uma forte tormenta — Marcos 4:37—38.

c. Marcos nos fala de como a multidão foi ordeiramente dividida e assentada quando da multiplicação dos pões e dos peixes — Marcos 6:39.

d. Marcos descreve a forma como um surdo-mudo foi curado por Jesus, isto é, como Jesus colocou seu dedo no ouvido e também na língua do homem — Marcos 7:33.

e. Marcos descreve a restauração gradual da vista a um cego — Marcos 8:23—25.

f. Marcos descreve como Pedro estava se aquecendo junto com os servos da casa do sumo sacerdote — Marcos 14:54.

É óbvio que todas estas descrições são fruto de alguém que, certamente, foi testemunha ocular do que está sendo dito, mas existem opiniões ao contrário, que discutiremos adiante.

Marcos não tem um prólogo, ou melhor, tem um prólogo brevíssimo — Marcos 1:1 — e já inicia seu evangelho com o aparecimento de João Batista. Depois da narrativa envolvendo João Batista, inclusive o relacionamento dele com Jesus por ocasião do batismo do Senhor, Marcos mergulha imediatamente no ministério de Jesus e nos confrontos com mos fariseus que se estenderão por todo o evangelho, culminando com a crucificação de Jesus. O Evangelho de Marcos tem as seguintes divisões principais:

PRÓLOGO E A MISSÃO DE JOÃO BATISTA — MARCOS 1:1—13.

A FASE INICIAL DO MINISTÉRIO DE JESUS — MARCOS 1:14  — 3:6.

A FASE TARDIA DO MINISTÉRIO NA GALILEIA — MARCOS 3:7 — 6:13.

JESUS SE RETIRA DA GALILEIA — MARCOS 6:14 — 8:30.

A VIAGEM ATÉ JERUSALÉM — MARCOS 8:31 — 10:52.

MINISTÉRIO EM JERUSALÉM — MARCOS 11:1 — 13:37.

A NARRATIVA DA PAIXÃO — MARCOS 14:1 — 15:47

A RESSURREIÇÃO DE JESUS — MARCOS 16

Usando o esboço acima sugerimos que os leitores leiam o Evangelho de Marcos. A leitura do evangelho completa leva cerca de 90 minitos.

Marcos é, fundamentalmente, uma narrativa concreta da fida de Jesus. Ele nos conta as ações do Mestre de uma forma bastante objetiva. O evangelho está, praticamente, desprovido de apelos emocionais e o conteúdo dos ensinamentos de Jesus é bem menor do que aquele que encontramos nos outros evangelhos sinóticos de Mateus e Lucas. Os ensinamentos de Jesus em Marcos são breves afirmações que sempre fazem parte de alguma narrativa. E apesar de termos muitos desses ensinamentos nesse evangelho, é bem evidente que Marcos está bem mais interessado nas ações do que nos ensinamentos de Jesus propriamente ditos. Por esse motivo, o conteúdo de Marcos não está muito envolvido em debates teológicos. Para os que tiverem interesse nesse tipo de abordagem de Marcos, recomendamos o excelente livro de Ralph Martin Mark Evangelist and Theologian da série Contemporary Evagelicals Perspectives, publicado pela Zondervan Publishing House.  

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 2 de junho de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO A MATEUS — PARTE 012 — O IDIOMA EM QUE MATEUS FOI ESCRITO


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

J. O Idioma em que o Evangelho Mateus Foi Escrito.

O debate que trata da busca para se determinar em que idioma o Evangelho de Mateus foi escrito originalmente prossegue. As duas propostas que permanecem são:
1. Mateus teria escrito seu evangelho originalmente na língua aramaica.

2. Mateus teria produzido seu evangelho no idioma grego.

Entre os defensores que propõem a língua aramaica como o idioma original, nenhum se sobressai tanto quanto o teólogo alemão Joachin Jeremias, morto em 1979.

Jeremias, tomando como base uma discussão anterior a ele mesmo e que continua presente em nossos dias acerca das chamadas Impssissima Vox — o que Jesus falou como está registrado nos evangelhos — e a Ipssissima Verba — a próprias palavras que Jesus teria usado em aramaico — se deu ao trabalho de traduzir o Evangelho de Mateus do grego de volta para o que alegava ser o original em aramaico, com o intuito de descobrir as próprias palavras que Cristo teria utilizado durante seus muitos ensinamentos.

Dentro do grupo de proponentes de um original em aramaico estão outros teólogos[1] que também defendem que o Evangelho de Mateus em aramaico teria sido o primeiro evangelho a ser escrito, do qual Marcos e Lucas estariam dependentes. Uma discussão mais abrangente quanto ao primeiro evangelho que foi escrito será apresentada quando discutirmos a questão envolvendo o que chamado de Problema Sinótico.

Para nós, pessoalmente, achamos que Mateus escreveu seu texto originalmente em grego mesmo, apesar dele não demonstrar amplo domínio da sintaxe literária. Todavia, Mateus foi muito cuidadoso ao evitar o uso de expressões vulgares, algo que poderia ter facilmente acontecido com alguém que não dominava o idioma no qual estava escrevendo. Por outro lado, temos que admitir que como Jesus ensinava em aramaico, existe sim, um background aramaico perceptível no Evangelho de Mateus. Mas não ao ponto defendido por Jeremias e outros.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL
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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 018 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MARCOS — PARTE 001 — CARACTERÍSTICAS — PARTE 001.
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[1] Charles, Fox Burney, R. A. Torrey e Mathew Black.

sábado, 12 de novembro de 2016

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 013


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Tabelas de Eusébio para Harmonia das Passagens dos Evangelhos

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato, queremos incentivar que todos possam ler esses artigos e compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

ESTUDO 013 — ESCRIBAS E OS MANUSCRITOS QUE PRODUZIRAM — PARTE 005

CONTINUAÇÃO...

II. AUXÍLIOS PRA OS LEITORES DO NOVO TESTAMENTO

B. Os Títulos dos Capítulos

Os títulos dos capítulos foram primeiro chamados de kefálaia — cabeçalhos — e foram registrados pela primeira vez no Código Alexandrino. Em manuscritos posteriores passaram a ser chamados de títlos — títulos. Tais cabeçalhos ou títulos eram, na realidade, breves anotações colocadas na margem do texto principal — geralmente acima do texto — e descreviam o conteúdo do capítulo. Tais títulos geralmente começavam com expressões tais como: acerca de ou a respeito de e eram, frequentemente, escritos com tinta vermelha. Desse modo, o cabeçalho do Evangelho de João que está registrado antes de João 2:1 tem o seguinte texto: A respeito do casamento em Caná. Todos os títulos de um determinado livro encontram-se agrupados numa lista colocada antes do livro e servem como índice e também como um resumo da obra inteira.

C. Os Cânones de Eusébio

Um sistema bastante criativo para se localizar passagens paralelas nos evangelhos foi desenvolvido por Eusébio de Cesareia — 263 a 339. Aparentemente o mesmo era bastante útil uma vez que o mesmo encontra-se reproduzido em muitos manuscritos em grego e também em muitos manuscritos traduzidos para outros idiomas como o lati, o siríaco, o copta, o gótico, o armênio e etc.

A sinopse ou harmonia dos evangelhos foi preparada por Eusébio da seguinte maneira: cada um dos evangelhos foi dividido em seções curtas ou longas, de acordo com seções paralelas encontradas nos outros evangelhos. Em seguida as seções foram numeradas de forma contínua referente a cada um dos evangelhos. Assim, Mateus tinha 355 seções, Marcos 233, Lucas 342 e João 232. Em seguida Eusébio preparou dez listas ou kánones — cânones.

1. A primeira tabela continha uma lista numerada com passagens paralelas encontradas em todos os quatro evangelhos. 

2. A segunda tinha uma lista com as passagens paralelas encontradas em Mateus, Marcos e Lucas.

3. A terceira com passagens em Mateus, Lucas e João.

4—9. E assim em diante, até que todas as possibilidades estivessem, praticamente, esgotadas.

10. Uma última tabela apresentava uma lista do material exclusivo a cada um dos quatro evangelhos.

As tabelas de Eusébio eram reproduzidas em colunas paralelas e ocupavam as primeiras páginas dos manuscritos dos evangelhos. Em seguida, na margem manuscrita do texto do evangelho ou logo abaixo duma seção sequencial escrevia-se o numeral da tabela dos cânones onde tal seção podia ser encontrada. Uma vez acessada a tabela apropriada o leitor tinha acesso às referências paralelas nos outros evangelhos.

Em alguns casos, quando as folhas eram numeradas, uma determinada referência apresentava o exato número da página onde passagens paralelas poderiam ser encontradas sem necessidade de consultar nenhuma tabela.

Eusébio explicou suas criativas tabelas numa carta dirigida para outro cristão chamado Carpiano. Uma cópia dessa carta junto com as tabelas é comum nas primeiras páginas de muitos manuscritos na língua grega. Algumas edições modernas do Novo Testamento grego trazem copias da carta e das tabelas de Eusébio. Desse modo, sua criação continua servindo os cristãos até o dia de hoje.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS DE COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 001 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 002 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 004 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — OS PERGAMINHOS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 005 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — PAPEL E BARRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 006 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 001
COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 007 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 009 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006
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COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 015 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 007
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 — MATEUS — PARTE 007 - ESTRUTURA - PARTE 001



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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

G. Estrutura do Evangelho de Mateus

O Evangelho de Mateus apresenta uma estrutura bem mais elaborada que os outros Evangelhos, o que possibilitou se mais amplo uso pela Igreja Primitiva. Por sua estrutura, não é difícil percebermos que estamos diante dum autor que possui uma mente extremamente ordeira como os detalhes a seguir irão deixar claro.

As Seções que Tratam dos Cinco Grandes Discursos

A característica mais óbvia do Evangelho de Mateus é que o mesmo alterna grandes porções de ensinamentos de Jesus com seções narrativas históricas. Após as narrativas iniciais que incluem as histórias acerca do nascimento de Jesus, a preparação do ministério de Jesus por meio de João Batista e os primeiro incidentes da obra de pregação do Senhor. A seguir, Mateus apresenta os ensinamentos de Jesus que chamamos de Sermão da Montanha — Mateus 5—7. Não é nossa intenção discutir aqui, se Jesus proferiu todas essas palavras numa mesma sequência ou se autor organizou várias falas da forma com temos no texto. Independentemente de qual tenha sido a situação, o fato é que Mateus decidiu colocar todo esse material numa única sequência pelo valor intrínseco do mesmo.
Em seguida temos outras narrativas que consistem, principalmente, dum grande número de milagres, que é imediatamente seguida por um novo discurso — Mateus 10. Nesse capítulo temos as instruções entregues aos discípulos, também de forma contínua. A próxima seção narrativa descreve várias situações que ilustram a crescente oposição enfrentada por Jesus e mostra também seu próprio método em tratar com as controvérsias, que preparam o próximo seguimento que apresenta uma série de parábolas acerca do Reino de Deus — Mateus 13.

A seguir temos outra sequência de narrativas — Mateus 14 a 17 — que culminam com a transfiguração e o anúncio dos sofrimentos, morte e ressurreição do Senhor. Esses elementos preparam o caminho para as palavras de Jesus que tratam da comunidade cristã — Mateus 18. A partir desse último capítulo a narrativa se move para além do rio Jordão, para voltar-se, rapidamente, a fim de descrever a volta de Jesus para Jerusalém e sua entrada triunfal de na cidade e a subsequente narrativa das dramáticas controvérsias entre Jesus e as lideranças religiosas dos judeus, em Jerusalém. De uma dessas controvérsias surge a severa condenação de Jesus sobre os escribas e os fariseus — Mateus 23. Essas palavras ao seguidas pelo disscurso escatológico de Jesus registrado em Mateus 24 e 25. O Evangelho de Mateus se encerra com as narrativas da paixão e da ressurreição de Jesus, acompanhadas pelas últimas palavras do Senhor no final de Mateus 28.

A estrutura do Evangelho de Mateus como descrita nos parágrafos acima, dificilmente, poderá ser considerada como algo meramente acidental. Dizemos isso porque encontramos uma mesma fórmula no final de cada bloco de palavras de Jesus, fórmulas essas que criam as condições ideais para a apresentação dos textos das narrativas que vêm logo em seguida. Um exemplo disso é o que encontramos em

Mateus 7:28—29

28 Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;

29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas.

Em Mateus 11:1 vemos Jesus ainda falando com grandes multidões — Mateus 11:7 —ao passo que logo após as parábolas acerca do Reino de Deus — Mateus 13 — a fórmula nos apresenta Jesus se dirigindo para a região onde tinha nascido — no norte do país em Mateus 17 — para, logo em seguida dirigir-se para a região da Judeia, onde Jerusalém estava localizada. A apresentação final da fórmula pode ser vista em

Mateus 26:1

Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos:

As palavras de cristo registradas na sequência de Mateus 26 antecipam a celebração da páscoa judaica por Jesus e seus discípulos e falam também da prisão, coisas bem apropriadas para apresentar as informações contidas nas narrativas envolvendo a paixão do Senhor. Cada vez que essas fórmulas são apresentadas, nós estamos diante de ligações literárias que ajudam o texto a fluir de modo para outro e ilustram bem a grande habilidade literária do autor. Todavia, devemos destacar que nenhum dos evangelistas pertencia a qualquer tipo de classe literária. Portanto, o que temos diante de nós no Evangelho de Mateus é a clara ação do Espírito Santo guiando qualquer habilidade que Mateus possuía, para conduzi-lo a alcançar o mais elevado objetivo.

CONTINUA...

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 — MATEUS — PARTE 005 - PROPÓSITO, DESTINATÁRIOS E ORIGEM - PARTE 001



Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

F. O Propósito, os Destinatários e o Lugar de Origem

1. O propósito — Quanto ao propósito do Evangelho de Mateus, nós precisamos destacar que em nenhum lugar do Evangelho nós encontramos uma afirmação inequívoca acerca do seu propósito. Caso o leitor já tenha ouvido que o propósito desse Evangelho é do tipo A ou do Tipo B e etc., precisa ser lembrado que essas afirmações são produzidas por meio da comparação de como Mateus e os outros evangelhos sinóticos tratam temas semelhantes. Os temas que encontramos em Mateus são diversos, complexos e, muitas vezes, contestados sem grandes dificuldades. Por esses motivos todas as tentativas de determinar o propósito do livro estão fadadas ao fracasso.
Isto posto, existem certas características bem marcantes em Mateus, quando comparado como os outros dois sinóticos, que devemos alistar para o conhecimento de todos:
1. Mateus não tem nenhuma preocupação em explicar usos e costumes, preceitos e termos judaicos. Exemplos disso podem ser encontrados nas seguintes passagens:

Mateus 15:2 — ver Marcos 7:1—13

Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem.

Mateus 23:5

Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens; pois alargam os seus filactérios e alongam as suas franjas.

Mateus 23:24

Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo!

Mateus 23:27

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!

Mateus 5:22 na Almeida Revista e Corrigida — ARC

Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão será réu de juízo, e qualquer que chamar a seu irmão de raca será réu do Sinédrio; e qualquer que lhe chamar de louco será réu do fogo do inferno.

Mateus 27:6

E os principais sacerdotes, tomando as moedas, disseram: Não é lícito deitá-las no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.

2. Mateus tem a tendência de adotar formulações argumentativas tipicamente rabínicas em vez de adotar formas mais diretas como encontramos no Evangelho de Marcos.

Mateus 19:3

Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?

Marcos 10:2

E, aproximando-se alguns fariseus, o experimentaram, perguntando-lhe: É lícito ao marido repudiar sua mulher?

Mateus 19:9

Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério.

Marcos 10:11

E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela.

3. Mateus também apresenta uma série de afirmações que parecem apoiar a ideia da permanência e continuidade da Lei de Moisés.

Mateus 5:19

Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.

Mateus 23:3

Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem.

4. Mateus favorece as palavras de Jesus que circunscrevem suas atividades ao povo de Israel, mas não sempre.

Mateus 10:5—6

5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos;

6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel;

Mateus 15:24 — esse verso está ausente na narrativa de Marcos

Mas Jesus respondeu: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

5. Mateus prefere usar a expressão Reino dos Céus — 30 vezes — contra Reino de Deus — apenas 4 vezes. A expressão Reino de Deus nunca aparece nos Evangelhos de Marcos e Lucas.

6. Mateus também está carregado de citações do Antigo Testamento quando coparado com os outros sinóticos.

Essas características de Mateus têm levado muitos ao conceito que Mateus escreveu seu evangelho, prioritariamente, para os judeus. Mas cremos que tal convicção se sustenta apenas se fizermos uma enorme violência aos contextos onde os textos mencionados acima aparecem, isso para não falar no contexto maior do próprio Evangelhos de Mateus que tem seu ponto central na afirmação de —

Mateus 21:43

Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado — dos judeus — e será entregue a um povo — os gentios — que lhe produza os respectivos frutos.

E cujo final é completamente universalista em seu tom —

Mateus 28:19—20

19 Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

20 ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Muitos outros intérpretes de Mateus preferem ver esse Evangelho como tendo o propósito específico de apresentar uma defesa da pessoa e da obra de Jesus Cristo. Certamente s narrativas da infância de Jesus tinham esse propósito contra as falsas acusações da parte de judeus despeitados. O mesmo pode ser dito acerca de certos aspectos da narrativa da ressurreição de Jesus que podem ser encontrados apenas em Mateus. Mas esses são pequenos aspectos dentro do quadro maior representado pelo Evangelho.

Para concluir podemos adotar dois comedimentos sugeridos por D. A. Carson em seu comentário acerca do Evangelho de Mateus. Ele diz:

1. Não é sábio especificar com muita precisão um motivação e propósito , pois aumenta a probabilidade de erro e de direção quando deixamos de lado evidências concretas para adotar suposições.

2. Não é sábio especificar apenas um propósito; o reducionismo não faz justiça à diversidade de temas em Mateus.[1]

CONTINUA...

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

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INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-novo-testamento-estudo_3.html

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 017 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 012 — IDIOMA ORIGINAL

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.



[1] Carson, D. A. O Comentário de Mateus. Shedd Publicações, São Paulo, 2010.