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sexta-feira, 22 de julho de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004



ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA, A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

1 Coríntios 1:12—19

12 Ora, se é corrente pregar-se que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?

13 E, se não há ressurreição de mortos, então, Cristo não ressuscitou.

14 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé;

15 e somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque temos asseverado contra Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é certo que os mortos não ressuscitam.

16 Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.

17 E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados.

18 E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram.

19 Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens.

Uma leitura cuidadosa de 1 Coríntios 15 irá demonstrar que a totalidade do argumento de Paulo a favor de ressurreição reside, por completo, em sua tese acerca dos primeiros frutos como indicado no estudo anterior que tratou de 1 Coríntios 15:20. Aquele estudo poderá ser visto por meio desse link aqui:

1 Coríntios 15 é uma discussão acerca da ressurreição de Cristo e a forma como a ressurreição do Senhor se relaciona com a ressurreição dos cristãos.

Essa ênfase pode ser vista na passagem que estamos estudando agora de 1 Coríntios 15:12—19. Até o verso 19 Paulo ainda não chegou à sua afirmação “mais de fato”  feita em —1 Coríntios 15:20

Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

Esse é o motivo porque em nosso texto principal Paulo argumenta, de forma hipotética. Ele parte da premissa da ressurreição de Jesus para chegar na ressurreição dos crentes. Se Cristo ressuscitou, então a ressurreição geral não pode ser colocada em dúvida, como alguns estavam fazendo — 1 Coríntios 15:12. De modo semelhante, negar a ressurreição de Cristo é negar a ressurreição dos próprios crentes. Se tal negação for verdadeira indica que a pregação de Paulo é vazia, o mesmo acontecendo com a fé dos cristãos, que se torna algo vão e inútil — 1 Coríntios 15:14, 17.

A maior consequência de negar a ressurreição de Jesus é que os crentes continuam mortos em seus próprios pecados e sem nenhuma esperança. E mais, os que morreram em Cristo, não têm nenhuma esperança de voltarem a viver, mas pereceram por completo — 1 Coríntios 15:17, 19. Por outro lado, Paulo também argumenta de modo reverso, partindo da negação da ressurreição dos crentes até chegar à negação da ressurreição do Senhor Jesus — 1 Coríntios 15:13, 15—16.

Existem dois fatores da maior importância em todo esse argumento para os quais desejamos chamar a atenção dos nossos leitores:

1. O primeiro é que em toda a extensão de 1 Coríntios 15 nos deparamos com a pressuposição dominante que trata da unidade entre a ressurreição do Senhor Jesus e  ressurreição dos crentes. Uma não pode existir sem a outra. De fato uma depende da outra. Desse modo, crer numa delas implica, de forma automática, a crença na outra. Sem esse entendimento básico da união existente entre as duas ressurreições, as palavras de Paulo soariam apenas com retórica sem fundamento.

2. O argumento de Paulo está estruturado para que possa funcionar nos dois sentidos: pode começar com a ressurreição de Jesus e terminar com a ressurreição dos crentes ou de forma reversa. A negação da ressurreição de Jesus também funciona, exatamente, da mesma forma e também pode ser revertida. Isso demonstra a maneira firme como essas ideias encontram-se unidas na mente de Paulo, não existindo nenhum espaço para qualquer outra alternativa. Para Paulo a ressurreição do Senhor Jesus e a ressurreição dos Crentes não são dois acontecimentos separados, mas apenas dois episódios de um único evento.

Outras duas referências importantes dentre desse contexto são:
  
2 Coríntios 4:14

Sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará convosco.

1 Tessalonicenses 4:14

Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, mediante Jesus, trará, em sua companhia, os que dormem.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

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terça-feira, 14 de junho de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003



ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA, A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

Colossenses 1:15—20

15 Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;

16 pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele.

17 Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste.

18 Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,

19 porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude

20 e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

Como vimos no estudo anterior, Jesus é considerado com relação à ressurreição como os primeiros frutos e nós representamos a totalidade da colheita futura. Essa mesma realidade nos é apresentada nos versos acima, onde Cristo é referido como sendo o primogênito dos mortos. Nesse caso, nós somos os outros irmãos daquele que é o filho primogênito. A mesma verdade é referida por Paulo em —

Romanos 1:4

E foi designado Filho de Deus com poder, segundo o espírito de santidade pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor.

No entanto, nessa passagem de Colossenses acima, o verso 15 usa a mesma expressão πρωτότοκοςprotótokos — primogênito, para se referir a Cristo como o primogênito de toda a criação. Existem duas qualificações atreladas à interpretação dessa frase, independentemente de como a mesma deve ser interpretada de forma correta. A primeira é que a expressão πρωτότοκοςprotótokos — primogênito no verso 15 está focada no relacionamento de Cristo com a criação. A segunda é que Jesus não pode ser, em nenhuma hipótese, o primeiro ser a ter sido criado. Dizemos em nenhuma hipótese, pois tal afirmação é duramente negada pelo restante do texto. Cristo é o primogênito exatamente porque todas as coisas foram criadas por ele, conforme o verso 16.

Mantendo esses limites bem estabelecidos devemos entender a expressão primogênito em Colossenses 1:15 como derivada do uso que o Antigo Testamento faz dos termos primeiro e nascido que, na expressão primogênito, são usados no sentido de indicar a singularidade, o status especial e a dignidade de alguém, fazendo-o por esses motivos, recipiente de favores e bênção excepcionais. Tal uso é claramente demonstrado em —

Êxodo 4:22

Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito.

No verso acima a expressão primogênito indica que Israel, enquanto nação, pertence ao SENHOR no sentido de ser seu primogênito. O mesmo é verdadeiro acerca da afirmação do SENHOR que irá tornar Davi em Seu primogênito —

Salmos 89:27

Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.

Esse aspecto da expressão primogênito explica bem o contexto imediato de Colossenses 1:15, pois coloca a ênfase sobre a atividade criadora de Cristo e Sua consequente exaltação sobre toda a Criação. Também serve bem ao propósito geral da epístola no sentido em que destaca a singularidade de Cristo, seja na redenção, seja na Criação[1].

Num primeiro momento, todavia, alguns argumentam que a expressão primogênito do verso 18 deve ser interpretada à luz de seu uso no verso 15. Argumentam que isso deve ser assim, não apenas pela proximidade dos dois usos, mas também pela estrutura paralela da passagem onde o primogênito de toda a criação corresponde a o primogênito de entre os mortos. Dessa forma, o verso 18 destaca a autoridade de Cristo sobre os mortos que serão ressuscitados.      

Todavia, existem diferenças notáveis nos dois versos onde as expressões estão inseridas. O paralelismo mencionado também precisa ser melhor observado. De modo específico, devemos notar, no verso 18, a existência da preposição grega ἐκek — traduzida por de, como uma identificação que não encontramos no verso 15. Tal expressão aponta tanto para uma identificação, quanto para uma solidariedade. Essas realidades existem apenas porque o próprio Jesus vem, ele mesmo, dentre os mortos, dos quais é o primogênito. Jesus experimenta essa condição elevada, porque ele mesmo procede dentre os mortos. Desse modo, é fácil perceber a relação de primogênito com primeiros frutos.

As outras expressões que encontramos no verso 18 confirmam esse entendimento de primogênito, ao mesmo tempo em que aprofundam sua ênfase principal. A expressão grega ἀρχήarché — princípio, que precede, imediatamente a expressão πρωτότοκοςprotótokos — primogênito, funciona como algo que vai muito além duma mera indicação de prioridade. A mesma possui grande força, no sentido de indicar cabeça e primado. Isso é especialmente verdadeiro quando a expressão princípio está relacionada com a expressão primogênito e as duas fazem referência à ressurreição de Cristo: Ele é o princípio desse gigantesco evento, a ressurreição de todos os mortos. Por isso, ele recebe a primazia e é o cabeça de todos os que serão resuscitados. Consequentemente, a proposta apresentada na clausula seguinte que diz ἐν πᾶσιν αὐτὸς πρωτεύωνpâsin autòs proteúon — para em todas as coisas ter a primazia, significa, literalmente, ser o primeiro e ocupar o primeiro lugar. Essas duas implicações, dificilmente, fariam referência a algo meramente temporal. Aqui estamos diante, na verdade, duma noção plena de preeminência e duma situação especial e extraordinária.

Finalmente, as perspectivas eclesiológicas e cósmicas, as quais governam o pensamento de Paulo nessa passagem, devem ser reconhecidas. Cristo é o princípio e o primogênito dentre os mortos e tem, em tudo, a preeminência. Essas ideias estão, solidamente, conectadas ao fato que Cristo é o cabeça do corpo, a igreja.

CONCLUSÃO: Colossenses 1:8, especialmente na parte em que designa Cristo como primogênito dentre os mortos, contém o mesmo pensamento básico que encontramos na expressão sendo ele as primícias dos que dormem. Ou seja, a união que existe entre Cristo e os crentes está representada pela ressurreição, da qual os dois participam. Além disso, aqui em Colossenses temos uma afirmação mais definida do que aquela que encontramos em 1 Coríntios 15:20—23, acerca da singularidade, da preeminência e do fato de Cristo ser o cabeça do corpo, com o qual está, solidariamente, vinculado. 
Vista em conjunto, essas duas passagens, nos ensinam que:

1. As primícias dos que dormem.

2. O primogênito dentre os mortos.

3. O princípio.

4. Aquele que é o primeiro.

5. O cabeça.

Se referem à pessoa de Cristo, como o segundo Adão, ressuscitado.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

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[1] Ver o comentário de F. F Bruce Commentary on Ephesians and Colossians  na série New International Commentary of the New Testament publicado por Eerdmans Publishing House de Grande Rapids. 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002



ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

1 Coríntios 15:20—28

20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

21 Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos.

22 Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.

23 Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.

24 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.

25 Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.

26 O último inimigo a ser destruído é a morte.

27 Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou.

28 Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

Cristo representa as primícias as quais, por sua vez, possuem uma força que transcende o tempo. As mesmas servem para trazer à luz a porção inicial da colheita, mas apenas como uma parte da totalidade da mesma. O foco das mesmas está centrado nas ovelhas recém-nascidas apenas com pertencentes ao todo do rebanho. As primícias manifestam a noção da conexão orgânica e da verdadeira unidade que representam o fato que as mesmas são inseparáveis do todo. É esse aspecto que, de modo especial, dá ao sacrifício das primícias seu significado.

Tais formas de representação e de unidade orgânica encontra plena expressão em —

1 Coríntios 15:20

20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

A expressão primícias não se refere exclusivamente a algum aspecto de prioridade temporal como defende D. Dealing em seu artigo para o Theologica Dictionary of The New Testament editado por Kitel e Friedrich. Pelo contrário, o que essa expressão faz é apresentar a própria ressurreição de cristo como sendo os primeiros frutos de uma colheita plena que está para acontecer. A ressurreição de Jesus é uma parte de um processo bem mais amplo e abrangente. A ressurreição de Cristo é representativa da ressurreição, especialmente de todos os crentes — bem como de todos os seres humanos sem distinção. Desse modo, a escolha do termo primícias é deliberada da parte do apóstolo Paulo como uma forma clara de indicar que existe uma conexão precisa entre as duas ressurreições — de Jesus e dos crentes.

No contexto de 1 Coríntios 15 a tese do apóstolo Paulo contra seus oponentes — que repudiavam a ressurreição do corpo — é que a ressurreição de Jesus traz em si mesma a garantia da ressurreição, não apenas dos crentes, mas de todas as pessoas. A ressurreição de Jesus não é apenas uma garantia, mas constitui-se em uma promessa de continuidade, já que a mesma é apenas o início de um evento. Para Paulo as duas ressurreições são dois episódios dum mesmo evento e não dois eventos separados, ao mesmo tempo em que sustenta que os dois estão separados no tempo.

Quando Paulo usa a expressão primícias ou primeiros frutos em outras passagens ele mantém a ideia de conexão orgânica. Isso fica claro em sua afirmação encontrada em —

Romanos 11:16

E, se forem santas as primícias da massa, igualmente o será a sua totalidade; se for santa a raiz, também os ramos o serão.

Ainda em outra passagem de Romanos a mesma verdade é enfatizada —

Romanos 16:5b

Saudai meu querido Epêneto, primícias da Ásia para Cristo.

Para Paulo, Epêneto, referido como primícias representava os muitos convertidos resultantes da pregação do Evangelho da Graça de Deus. O mesmo era verdadeiro com relação a Estéfanas —

1 Coríntios 16:15

E agora, irmãos, eu vos peço o seguinte (sabeis que a casa de Estéfanas são as primícias da Acaia e que se consagraram ao serviço dos santos).

A ideia mais abrangente representada pela expressão as primícias do Espírito que encontramos em Romanos 8:23, será objeto da nossa atenção mais adiante. Agora basta dizer que o privilégio desfrutado pelos crentes no tempo presente — de serem habitados pelo Espírito Santo — é apenas um sinal do que nos aguarda por termos sido adotados como filhos na família de Deus —

Romanos 8:15

Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.

Retornando agora ao texto de 1 Coríntios 15 — ver acima — não é difícil notarmos que o mesmo confirma o que dissemos até aqui com reação às  primícias. As ligações sintáticas entre a ressurreição de Jesus e a nossa própria ressurreição são especialmente notáveis. Notemos —

O verso 21 nos apresenta a razão para a firmação que encontramos no verso 20. O verso 22, por sua vez serve para arraigar o verso 21. Assim temos que: a ressurreição dos mortos por meio de um homem — verso 21 — e a ressurreição de todas as pessoas por meio de Cristo — verso 22 — explica, plenamente, o sentido da expressão primícias encontrada no verso 20. Além disso, o verso 20 expressa a solidariedade que existe na ração humana ao contrastar a pessoa de Cristo com a de Adão —

1 Coríntios 15: 45, 47—49

45 Pois assim está escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente. O último Adão, porém, é espírito vivificante.

46 Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual.

47 O primeiro homem, formado da terra, é terreno; o segundo homem é do céu.

48 Como foi o primeiro homem, o terreno, tais são também os demais homens terrenos; e, como é o homem celestial, tais também os celestiais.

49 E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial.

Ainda outra passagem elabora sobre essas verdades relativas a questão da solidariedade que existe entre os membros da raça humana —

Romanos 5:12—17

12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

13 Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.

14 Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.

15 Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.

16 O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.

17 Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.

Retornando a 1 Coríntios 15 temos que: o verso 22b, de modo especial, confirma as ideias de solidariedade e de conexão orgânica como indicadas no verso 20. Cristo é as primícias daqueles que dormem, porque ele foi ressuscitado como o segundo Adão. E nossa união com Cristo, pois estamos EM CRISTO, nos garante que nós também seremos ressuscitados.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

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Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001




ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS. NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA SOTERIOLOGIA DE PAULO

Existe uma dificuldade especial que envolve a interpretação do material produzido pelo apóstolo Paulo, apesar de seus escritos e pregações nos apresentarem um corpo de ensinamentos claro e coerente. Todavia, as amarras de tal coerência encontram-se, frequentemente, por baixo da superfície do texto em si mesmo. Como resultado disso é possível que o intérprete perceba certos relacionamentos entre os elementos daquilo que Paulo ensina, mas sem perceber, exatamente como, os mesmo se relacionam ou a prioridade de cada elemento relativamente a outros. Assim temos que: enquanto essa falta de entendimento persistir uma compreensão imprópria dos conceitos paulinos será inevitável. O resultado disso será, em maior ou menor escala, uma imposição arbitrária duma estrutura estranha ao material paulino ou a experiência duma confusão, que se torna cada vez mais desconcertante e ilusória, apenas porque o indivíduo se deixou confundir com várias linhas de interpretação que lhe pareceram bastante verdadeiras. 

Esse problema torna-se ainda maior quando o assunto estudado é a ressurreição do Senhor Jesus dentre os mortos. Quando o assunto é esse existe uma gigantesca teia de ideias que é tão variada e complexa, que a perspectiva do apóstolo Paulo fica sujeita a todo tipo de distorções. Em outras palavras, o que estamos querendo dizer é que: nessa questão, o intérprete deve ser muito sensível à estrutura com a qual está lidando. Dessa maneira, nós sentimos que é essencial começar demonstrando que existe um fio contínuo que percorre toda a extensão dos ensinos de Paulo acerca do tema que trata da ressurreição do Senhor Jesus, bem como de todos os verdadeiros crentes. Tal abordagem pode, num primeiro momento, dar a impressão que foi apenas inventada pelo autor, mas sua validade e valor irão tornar-se cada vez mais aparentes à medida que a discussão é ampliada.

I. A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO FUTURA DE TODO CRENTE VERDADEIRO

O fato da união solidária que existe entre a pessoa de Cristo e os crentes verdadeiros no que diz respeito à ressurreição dentre os mortos encontra-se na superfície de muitos textos paulinos e nós precisamos analisar cada um deles com profundidade razoável. É o que iremos começar afazer em seguida.
1 Coríntios 15:20—28

20 Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

21 Visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos.

22 Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.

23 Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda.

24 E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder.

25 Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés.

26  O último inimigo a ser destruído é a morte.

27 Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou.

28 Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.

A noção da nossa unidade com Cristo é expressa de forma absolutamente clara e até mesmo gráfica em 1 Coríntios 15:10. Nesse verso nó vemos Paulo afirmar que Cristo, por causa da virtude de sua própria ressurreição é chamado de: sendo ele as primícias dos que dormem. A ideia é complementada a afirmação de Paulo em 1 Coríntios 15:23. A expressão grega ἀπαρχὴ — aparchè — que é traduzida como primícias merece nossa especial atenção, pois como disse Johannes Weiss, a mesma contém uma tese[1]. Existe pouca dúvida, se é que, de fato existe alguma, que tal expressão encontra sua base no uso que a Septuaginta — LXX — faz da mesma. Na Septuaginta, com poucas exceções, a expressão primícias possui um significado claramente atrelado ao culto do Antigo Testamento. A mesma faz uma referência direta às primícias referentes às ofertas de grãos, vinho, gado e outras ofertas, conforme a orientação de Moisés, como podemos ver em —

Êxodo 23:19

As primícias dos frutos da tua terra trarás à Casa do SENHOR, teu Deus.

Levítico 23:10

Fala aos filhos de Israel e dize-lhes: Quando entrardes na terra, que vos dou, e segardes a sua messe, então, trareis um molho das primícias da vossa messe ao sacerdote.

Números 15:20—21

20 Das primícias da vossa farinha grossa apresentareis um bolo como oferta; como oferta da eira, assim o apresentareis.

21 Das primícias da vossa farinha grossa apresentareis ao SENHOR oferta nas vossas gerações.

Números 18:8, 11—12

8 Disse mais o SENHOR a Arão: Eis que eu te dei o que foi separado das minhas ofertas, com todas as coisas consagradas dos filhos de Israel; dei-as por direito perpétuo como porção a ti e a teus filhos.

11 Também isto será teu: a oferta das suas dádivas com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, dei-as por direito perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa as comerá.

12 Todo o melhor do azeite, do mosto e dos cereais, as suas primícias que derem ao SENHOR, dei-as a ti.

Deuteronômio 18:4

Dar-lhe-ás as primícias do teu cereal, do teu vinho e do teu azeite e as primícias da tosquia das tuas ovelhas.

Deuteronômio 26:2, 10

2 Tomarás das primícias de todos os frutos do solo que recolheres da terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o seu nome.

10 Eis que, agora, trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó SENHOR, me deste. Então, as porás perante o SENHOR, teu Deus, e te prostrarás perante ele.

O aspecto principal das primícias é que as mesmas, enquanto sacrifícios, não eram oferecidas por si mesmas, e sim como representativas da colheita inteira que havia de seguir, do rebanho inteiro e etc. Elas serviam como um sinal de reconhecimento e gratidão que toda a colheita havia sido produzida e disponibilizada pelo próprio Deus. Exemplos cristalinos disso podem ser visto em passagens tais como —

Números 18:30

Portanto, lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira e produto do lagar, se contará aos levitas.

Deuteronômio 26:1—4

1 Ao entrares na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá por herança, ao possuí-la e nela habitares,

2 tomarás das primícias de todos os frutos do solo que recolheres da terra que te dá o SENHOR, teu Deus, e as porás num cesto, e irás ao lugar que o SENHOR, teu Deus, escolher para ali fazer habitar o seu nome.

3 Virás ao que, naqueles dias, for sacerdote e lhe dirás: Hoje, declaro ao SENHOR, teu Deus, que entrei na terra que o SENHOR, sob juramento, prometeu dar a nossos pais.

4 O sacerdote tomará o cesto da tua mão e o porá diante do altar do SENHOR, teu Deus.

Desse modo, as primícias possuem uma força que transcende o tempo. As mesmas servem para trazer à luz a porção inicial da colheita, mas apenas como uma parte da totalidade da mesma. O foco das mesmas está centrado nas ovelhas recém-nascidas apenas com pertencentes ao todo do rebanho. As primícias manifestam a noção da conexão orgânica e da verdadeira unidade que representam o fato que as mesmas são inseparáveis do todo. É esse aspecto que, de modo especial,dá aos sacrifício das primícias seu significado.

CONTINUA...

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

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[1] Weiss, Johannes. Der erste Korintberbrief. Vandenhoeck & Ruprecht, Göttingen, 1925.

domingo, 26 de agosto de 2012

Romanos 8:18—27:A GLÓRIA DOS FILHOS DE DEUS




I- Introdução – Versos 18—19

18    Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

19    A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.

O texto que vamos estudar é decorrente da afirmação de Paulo feita em Romanos 8:17 quando alude ao fato de "se sofremos com Cristo, com ele também seremos glorificados." As idéias de sofrimento e glória são o tema principal do nosso texto. O sofrimento e a glória da criação de Deus — versos 19—22 — e o sofrimento e glória dos filhos de Deus — versos 23—27.

A - Sofrimento e Glória estão unidos de maneira indissolúvel — verso 17.

B - Sofrimento e Glória caracterizam duas eras ou épocas. Contrastam a época presente com a que há de vir. A época presente é caracterizada por παθήματα pathémata — sofrimento — ou o que nos acontece — e a futura por δόξα dóxa — glória. Ver 2 Tessalonicenses 1:10; 1 João 3:2.

C - Sofrimento e Glória apesar de estarem unidos de forma indissolúvel não devem ser comparados — verso 18.

D - O sofrimento e a glória dizem respeito tanto à criação de Deus como aos filhos de Deus — verso 19. Veremos mais adiante que as duas criações sofrem e gemem agora, mas as duas serão libertadas. A expressão bíblica "a ardente expectativa" traduz a palavra grega ἀποκαραδοκία Apokaradokía — que indica a atitude de "esperar, com a cabeça levantada e com os olhos fixos naquele ponto do horizonte de onde se espera virá o objeto aguardado

II - O Sofrimento e a Glória da Criação de Deus — Versos 20—22.


20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou,

21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.

Paulo personifica a Criação da mesma maneira que nos personificamos a natureza. Paulo faz três afirmações acerca da Criação ou Natureza referentes ao passado, presente e futuro da mesma.

A - O Passado - A Criação está (foi) sujeita(da) à vaidade. Certamente por causa do pecado de Adão, a Terra foi amaldiçoada e produz ervas daninhas e espinhos e somente com árduo trabalho pode o homem tirar dela o seu sustento. Paulo usa a expressão ματαιότητι mataiotes — que é traduzida por vaidade. Essa palavra significa: Vazio, Futilidade, Falta de Propósito ou Sentido e Transitoriedade. O livro de Eclesiastes  é um comentário acerca desta palavra. Nele temos expressado o absurdo que é a vida "debaixo do sol", presos no tempo e no espaço sem nenhuma referência que seja a Deus ou à eternidade.

Note porém que a Criação está sujeita à vaidade não porque quis mas pela vontade daquele (Deus) que a sujeitou na esperança!(20)

B - O Futuro - A Criação será ἐλευθερωθήσεται eleutherothésetai — redimida ou libertada. Paulo expressa esta idéia de duas maneiras – verso 21a:

Negativamente - A Criação será libertada "do cativeiro da corrupção", verso 21b. A expressão grega é φθορᾶς phthorâs — corrupção, destruição ou algo que perece. Representa um ciclo interminável onde concepção, nascimento e crescimento são seguidos obrigatoriamente por declínio, morte e decomposição. A Criação está cativa desse ciclo.

Positivamente - A Criação será libertada "para a liberdade da glória dos filhos de Deus" — verso 21c. Assim o círculo se fecha. A Criação irá compartilhar da Glória dos filhos de Deus, que por sua vez irão compartilhar a Glória de Cristo – ver os versos 17—18.

C - P Presente - A Criação "geme e suporta angústias até agora" — verso 22. Este gemer da criação não é um gemer e sofrimento de alguém que não vê uma saída, de alguém que está desesperado. Este gemer e sofrimento é igual ao de uma mulher com as dores do parto. Ela sabe — como a criação também sabe — que os gemidos e o sofrimento trarão à luz uma nova situação. Cristo mesmo usou esta expressão "dores de parto" para ilustrar a o período que antecede a chegada da época futura. 

III - O Sofrimento e a Glória dos filhos de Deus — Versos 23—27.

23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.

24 Porque, na esperança, fomos salvos. Ora, esperança que se vê não é esperança; pois o que alguém vê, como o espera?

25 Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos.

Os versos 22 e 23 traçam um paralelo importante entre a Criação e os filhos de Deus. Ambos "gemem". Nós, como filhos de Deus somos pegos entre o que Deus inaugurou — dando-nos o Espírito Santo — e o que ele irá consumar — quando da nossa completa adoção e redenção — e por este motivo gememos. O Espírito Santo que habita em nós nos dá alegria, a expectativa da glória vindoura nos enche de esperança, mas o suspense entre o agora e o amanhã nos enche de dor!!

Paulo alista 5 aspectos da nossa condição atual nos versos 23—27.

A - Nós temos "as primícias do Espírito" — verso 23a. A expressão grega é ἀπαρχὴν aparchèn — os primeiros frutos representam o início da colheita, bem como a promessa de que a colheita plena se seguirá no tempo certo. Paulo certamente tinha em mente a Festa das Semanas — chamada em grego de Pentecostes — que foi exatamente quando o Espírito Santo foi dado. Em outras passagens tais como — 2 Coríntios 1:22; 5:5; Efésios 1:14 — Paulo usa a expressão ἀρραβὼν arrabòn — penhor, para ilustrar a certeza do nosso resgate ou o cumprimento da colheita integral.

B - Durante este tempo nós "gememos em nosso íntimo" — verso 23b. A presença do Espírito Santo nas nossas vidas é um lembrete do fato de que nossa salvação não está terminada, pois ainda compartilhamos com o resto da Criação a frustração causada pelo ciclo de decadência e sofrimento. Um dos motivos porque gememos é nossa fragilidade e mortalidade. Como disse o poeta Belchior "sei que estou vivo, mas porque posso sangrar".  Paulo mesmo expressou este sentimento quando disse "E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial... Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida" — 2 Cor. 5:2 e 4. Mas não é somente nosso frágil σωμά somá — corpo, que nos faz gemer. Nossa natureza caída — σαρκὸςsarkòs — que nos impede de agirmos como deveríamos e nos impediria, de maneira completa, não fosse a presença do Espírito Santo nas nossas vidas, também nos faz gemer — ver Romanos 7:17, 20. Note o grito de angústia do verso 24 e a compreensão expressa da libertação no verso 25. Nós gememos porque ansiamos pela destruição da nossa natureza caída — σαρκὸςsarkòs — e pela transformação do nosso σωμά somá — corpo! Hoje em dia, muitos que se intitulam cristãos não querem gemer nem um pouco. Querem e demandam imediata libertação de todos os males e sofrimentos.

C - Nós estamos "aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo" — ver 23c. É claro que nós já fomos adotados na família de Deus — verso 15 — e temos assegurado pelo Espírito Santo que somos filhos de Deus — verso 16. Mas ansiamos pela plena revelação do que seremos — verso 19, pois sabemos que seremos "conformes a imagem do seu fIlho" — verso 29.

D - Foi "na esperança que fomos salvos" — 24a. O termo grego ἐσώθημεν esothémen — está no aoristo, o que indica que de uma forma completa fomos resgatados da culpa e da escravidão dos nossos pecados, bem como do justo castigo de Deus sobre os mesmos. Mas tudo isto aconteceu na esperança de que a nossa σαρκὸςsarkòs — carne será completamente obliterada e nosso σωμά somá — corpo será completamente redimido i.e., revestido de imortalidade. Essa esperança olha para frente, para aquilo que não temos ainda, pois "esperamos o que não vemos" — 25a.

E - Enquanto isto "com paciência o aguardamos" — verso 25b. O quê? A satisfação plena da nossa esperança. Que é qual? A confiança que temos nas promessas de Deus de que os primeiros frutos serão seguidos pela colheita integral, que o cativeiro será seguido pela liberdade, que a corrupção será seguida por aquilo que é incorruptível e que as dores e o sofrimento do tempo presente trarão à luz um novo mundo!!!  Diante daquilo que somos e daquilo que seremos a atitude cristã correta é aguardar com uma ardente expectativa — ver verso 23 e conferir com o verso 19 — por um lado, e com ὑπομονῆςupomonês — paciência — i.e., permanecendo firmes no meio das nossas tribulações — ver 2 Coríntios 4:17!! — pelo outro lado. Não devemos aguardar com tanta expectativa que percamos nossa paciência, nem com tanta paciência que percamos nossa expectativa. E sim, de maneira equilibrada com expectativa e paciência. Este equilíbrio é difícil. Alguns que se intitulam cristão tem enfatizado a chamada para sermos pacientes. Falta-lhes entusiasmo e, por este motivo, caem em estados de letargia, apatia e pessimismo. Se esquecem das promessas de Deus e são culpados de falta de fé. Outros que também se intitulam cristãos estão cansados de esperar. Querem aquilo que Deus prometeu para o futuro, hoje, agora. Se arrogam o direito de mover a mão de Deus. Estes querem experimentar, agora, libertação total de fraquezas, doenças, dor e decadência. São presunçosos e arrogantes e estão em frontal desafio ao Deus que controla a história e faz as coisas acontecerem no Seu devido tempo.

IV – A Presença do Espírito Santo em Nós  

26 Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós  sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.

27 E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

Nesta ardente e paciente expectativa não estamos sós — ver os versos 26—27. Da mesma maneira como nossa esperança em Deus nos sustenta, assim também "o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza" — verso 26a. Nossa fraqueza é nossa ignorância "porque não sabemos orar como convém" — verso 26b. Assim "o Espírito intercede por nós" — verso 26c. E a intercessão do espírito é feita "por nós sobremaneira e com gemidos inexprimíveis" — verso 26d. Nossa dificuldade em oração é fruto da nossa situação presente. Não sabemos se devemos orar para nos ver livres do sofrimento presente ou para termos forças para enfrentá-lo. Mas o Espírito sabe.

Note que a Criação geme, nós gememos e o Espírito Santo de Deus também geme! A Criação e nós gememos por causa do nosso estado atual. O Espírito geme porque se identifica conosco!! Apesar dos gemidos do Espírito serem inexprimíveis, Deus que é "aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos Santos". Assim temos que o Espírito Santo:

·          Nos assiste em nossas fraquezas.

·          Intercede por nós sobremaneira.

·         Intercede por nós segundo a vontade de Deus!

V – Conclusão

A – Vivemos em um mundo caído. O Homem caiu e arrastou toda a Criação para um estado de futilidade e vazio.

B – Cristo veio para nos livrar da culpa e da escravidão do pecado e do justo castigo que merecíamos.

C – Recebemos o Espírito Santo da parte de Deus como as primícias e o penhor de que nossa salvação apenas começou. A mesma será completada quando nos livrarmos definitivamente da natureza pecaminosa  σαρκὸςsarkòs — carne, e quando nosso corpo mortal — σωμά somá — corpo for revestido de imortalidade.

D – Até aquele dia devemos aguardar com grande expectativa e paciente esperança.

E – Nessa nossa espera não estamos sozinhos. O Espírito Santo está conosco.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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