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sábado, 30 de janeiro de 2016

PADRE GAY QUE FOI EXCOMUNGADO PELA IGREJA CATÓLICA ROMANA CELEBRA CASAMENTOS HOMOAFETIVOS

Padre Beto em cerimônia - foto: divulgação.

O material abaixo foi publicado pelo site do jornal Tribuna da Bahia via IG.

Padre excomungado celebra casamento gay em Trancoso
Casal de médicos se casa no próximo dia 23 e escolhem padre excomungado

No próximo dia 23, Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como Padre Beto, excomungado pela Igreja Católica, vai à Bahia realizar o quarto casamento homoafetivo de sua carreira.

Dessa vez, a cerimônia será celebrada em Trancoso, unindo dois médicos. Os noivos, Alberto Cordeiro e Augusto Romão conheceram Beto através de pesquisas na Internet e se interessarem pelo perfil do padre.

‘’Sempre fomos muito religiosos e buscávamos alguém para celebrar nosso casamento, mas por causas óbvias tivemos negativas da Igreja Católica’’, disse o casal.

Padre Beto foi excomungado em abril de 2013 pela Diocese de Bauru (SP), por ter se recusado a pedir o perdão exigido por seu bispo, após discutir abertamente a moral sexual cristã. O sacerdote defende pensamentos condenados pela Igreja Católica, como homossexualidade.

Segundo Beto, o amor pode surgir entre todos os seres humanos. Para o casal, deve-se celebrar o amor e não ter medo da exposição.

‘’Nós optamos em celebrar porque achamos que nosso amor não é menor do que qualquer outro casal e merecemos celebrar a nossa união com quem amamos – amigos e família – e não temos medo da exposição porque nosso sentimento é natural e verdadeiro’’, completam.
Após a excomunhão, Padre Beto celebrou outros casamentos entre pessoas homossexuais. O primeiro foi realizado em Jaú, interior de São Paulo, segundo em Belém (PA), terceiro em Vitória (ES) e o último em Vitória (ES).

Sobre Padre Beto

Formado em Radialismo, Direito, História e Teologia, Roberto Francisco Daniel, mais conhecido como Padre Beto, atuou na Igreja Católica por 14 anos até ser excomungado em abril de 2013 pela Diocese de Bauru.

Sua última graduação aconteceu na Universidade Estadual de Ludwig-Maximilian, de Munique, onde também concluiu doutorado em Ética. Antes da excomunhão, celebrava missas aos domingos na Paróquia de Santo Antônio, em Bela Vista, e também na Paróquia de São Benedito, na Vila Falcão.

No início de 2015, com o intuito de prosseguir suas ideias e reflexões, Beto criou sua própria igreja, nomeada ‘’Humanidade Livre’’, que tem como princípio fundamental apresentar uma religião sem preconceitos e doutrinas.

Além de pregar valores e ações que acredita, o sacerdote dedica-se também à escrita. Sua obra mais recente foi lançada no fim de 2015, ‘’Coragem para Pensar Diferente’’, da Editora Alto Astral, em que fala sobre felicidade, sexualidade, consumismo e intimidade.

O arquivo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

SPOTLIGHT: NOVO FILME TRAZ MAIS DENÚNCIAS DE PEDOFILIA DENTRO DA IGREJA CATÓLICA ROMANA, INCLUSIVE NO BRASIL

SPOTLIGHT: TRAGAM A HISTÓRIA PARA A LUZ. QUEBREM O SILÊNCIO.

O artigo abaixo foi publicado pelo site Gnotícias e é de autoria de Tiago Chagas. Por favor, ao ler o mesmo, note os números que são citados.

Filme “Spotlight” narra bastidores da pedofilia na Igreja Católica; Casos brasileiros são citados.

Publicado por Tiago Chagas em 8 de janeiro de 2016

O escândalo que revelou a prática de pedofilia por dezenas de padres ao redor do mundo começou com uma investigação jornalística que terminou em uma premiada reportagem. E a história dessa reportagem agora ganhou as telonas.

O filme “Spotlight – Segredos Revelados” estreou nos cinemas brasileiros na última quinta-feira, 07 de janeiro, narrando a história que resultou na acusação de 249 padres por abusarem sexualmente de mais de 1500 vítimas somente na região de Boston, além da renúncia de um cardeal, que terminou transferido para o Vaticano.

No filme, casos de abusos sexuais em quatro cidades brasileiras também são mencionados: Franca (SP), Arapiraca (AL), Mariana (MG) e Rio de Janeiro (RJ).

“Spotlight” revela os bastidores do jornal norte-americano The Boston Globo, que descobriu o esquema de acobertamento de casos de pedofilia na Igreja Católica, incluindo acordos judiciais sem registro e com imposição de silêncio às partes.

A produção foi indicada a três prêmios no Globo de Ouro, como “Melhor Filme – Drama”, “Melhor Diretor” e “Melhor Roteiro”, além de já ter sido premiada como “Filme do Ano” pelas entidades American Film Institute e National Board of Review, além de prêmios equivalentes pelas associações de críticos de cinema de Nova York e Los Angeles.

O ator Mark Ruffalo (conhecido pelo papel de Hulk nos filmes de “Os Vingadores”) interpreta o protagonista da história, jornalista Mike Rezende, que foi criado na tradição católica. “Antes, padres eram dispensados da obrigação legal de ter de reportar abusos sexuais, mas hoje a lei estadual mudou”, disse o jornalista em entrevista à Folha de S. Paulo, revelando que a reportagem da qual participou gerou impacto social e legal na cidade.

Veja o trailer legendado em português por meio do link abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=I7TYGRwZbE4

Brasil

Sobre os casos brasileiros mencionados no filme, a Folha apurou que o padre de Franca, José Afonso Dé, 82 anos, foi condenado a 82 anos de prisão pelo abuso de quatro adolescentes nos anos 2010, mas recorre da sentença em liberdade.

Na cidade de Arapiraca, o monsenhor Luiz Marques Barbosa, 87 anos, recebeu sentença de 21 anos de prisão. Durante o processo, um vídeo em que ele aparecia fazendo sexo oral em um adolescente vazou, o que ampliou a revolta popular. Após a condenação, Barbosa passou apenas 15 dias preso, porque a Justiça aceitou seu pedido para recorrer em liberdade da condenação.

Outros dois padres de Arapiraca, Edilson Duarte e Raimundo Gomes foram condenados a quatro anos e quatro meses de prisão cada um. O primeiro ainda recorre em liberdade, enquanto o segundo morreu em 2014 após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


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domingo, 24 de maio de 2015

IRLANDA APROVA CASAMENTO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO


População comemorou no centro de Dublin a vitória do 'sim'; homossexualidade era crime no país até 1993 

O artigo abaixo foi publicado no site da BBC Brasil.

Em votação histórica, Irlanda aprova casamento gay

A Irlanda aprovou, na tarde deste sábado, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Com o resultado confirmado, o país, que tem forte tradição católica, se tornou o primeiro a legalizar a união por voto popular.

Uma multidão se reuniu no centro da capital Dublin para acompanhar a contagem dos votos - e casais começaram a celebrar e a se beijar à medida que os resultados mostravam a vitória do "sim".

Mais de 62% dos eleitores votaram a favor de uma mudança constitucional para permitir que casais gays possam se casar.

Ativistas pró-casamento gay disseram que esse é um dia histórico para o país onde a homossexualidade era crime até 1993.

Políticos gays, incluindo ministros, que lideraram campanhas pela causa disseram que o resultado marca uma mudança de geração em um país que era conservador.

"Somos um pequeno país com uma grande mensagem para o mundo", disse o primeiro-ministro Enda Kenny.

Mais de 3,2 milhões de pessoas foram às urnas - muitos irlandeses que não moram no país voltaram só para participar da votação.

Segundo o correspondente da BBC na Irlanda Chris Bukler o clima no Castelo de Dublin, onde milhares de pessoas se reuniram para acompanhar a apuração, se parecia mais com o de um festival do que de um referendo.

Batalha

Representantes da campanha do "não" reconheceram a derrota no plebiscito.

O arcebispo católico de Dublin, Diarmuid Martin, disse que o referendo era uma afirmação dos jovens e que, agora, a igreja tem "uma imensa missão diante de si".

"Eu acho que a igreja precisa fazer uma revisão da realidade", disse o líder religioso.

"Eu fico feliz de ver como os gays e lésbicas estão se sentindo hoje, pelo fato de que isso seja algo que enriquece a maneira como vivem. Eu acho que é uma revolução social."

David Quinn, do Instituto Iona, um grupo católico, disse que foi "obviamente uma vitória muito impressionante do 'sim'".

Credito: AFP
País pode ser o primeiro no mundo a aprovar casamento gay por voto popular

"Obviamente há um certo grau de decepção, mas sou filosófico sobre o resultado", disse ele ao canal irlandês RTE.

"Era uma batalha difícil - havia muito menos organizações no lado do 'não', enquanto todos os grandes partidos políticos apoiavam o 'sim' e tivemos grandes corporações vindo a público pela primeira vez para dizer como deveríamos votar em um assunto particular", afirmou.

Avalanche

O ministro da Igualdade, Aodhan O Riordain, disse no Twitter: "É isso. Urnas chaves já foram abertas. Deu sim. E foi uma avalanche em Dublin. Estou tão orgulhoso de ser irlandês hoje."

O ministro da Saúde, Leo Varadkar, que no início do ano foi o primeiro ministro na história da Irlanda a se assumir abertamente como gay, disse que a campanha foi "quase uma revolução social".

Nas urnas, os eleitores tiveram que responder se concordavam com a frase "O casamento pode ser contraído de acordo com a lei por duas pessoas, sem distinção do seu sexo".


Credito: BBC
Contagem dos votos foi iniciada na manhã de sábado

Em 2010, o governo aprovou uma lei de união civil que deu reconhecimento legal a casais gays.

Mas há diferenças entre união civil e casamento. A principal delas é que o casamento é protegido pela Constituição, enquanto a união civil não é.

Na Irlanda, qualquer emenda constitucional tem de ser aprovada pelo Parlamento e levada à votação popular.

Igreja

Mesmo com a medida aprovada, as igrejas católicas ainda vão poder decidir se celebram este tipo de casamento.

O líder da Igreja Católica na Irlanda, Eamon Martin, disse que a igreja poderá analisar se continuará a fazer a parte civil da cerimônia se a mudança for aceita.

Atualmente, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é legal em 20 países do mundo, inclusive no Brasil.

O artigo do site da BBC poderá ser visto por meio do seguinte link:


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sexta-feira, 1 de maio de 2015

PADRE FÁBIO DE MELO PEDE DESCULPAS POR FRASE DITA EM PROGRAMA DE TV



Palavras de Padre Fábio de Melo

Queridos amigos,

Em virtude da polêmica que envolveu minha fidelidade à Ortodoxia Católica, venho esclarecer alguns pontos.

Em nenhum momento da minha vida atentei contra a sacralidade da Igreja Católica Apostólica Romana. Sou Mestre em Teologia Dogmática e zelo muito para que minha pregação esteja de acordo com os ensinamentos da Igreja. Este é o credo que professo: “Creio na Santa Igreja Católica Una, Santa, Católica e Apostólica.” Nunca inventei uma crença particular, ou um modo diferente de compreender esta profissão de fé.

A expressão que usei no programa de “De frente com Gabi”, “Jesus queria o Reino de Deus, mas nós demos a Ele a Igreja” é uma expressão muito usada nos bastidores acadêmicos que frequentei em minha vida, e está distante da proposta herética que ela já representou em outros tempos. O significado evoluiu.

Nossa Fundação é Santa, pois fomos instituídos pelo Cristo. “A Igreja é um corpo, em que nós somos os membros e Jesus Cristo é a cabeça (Col 1,18; I Cor 12,27). Na cabeça o Reino já está estabelecido. Em Cristo, o Reino já está plenamente manifestado. Mas os membros do corpo ainda estão no contexto da busca, pois continuamos arrastando as consequências adâmicas do nosso pecado. E por isto, mesmo que em Cristo o Reino já esteja plenamente manifestado, em nós, Igreja, povo de Deus, ele continua sendo a meta que nunca deixamos de buscar.

O Concílio Vaticano II, através de sua Constituição Dogmática Lumen Gentium, enfatizou que a Igreja é povo de Deus. O povo é errante, pois apesar de estar mergulhado nas graças do batismo, ainda sofre as consequências da fragilidade que o pecado lhe deixou. O mesmo Concílio declarou "O Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus..." (LG 3).

Presente em mistério. Isto é, cabe a nós, membros deste corpo, apressar a sua chegada. A Igreja é triunfante, mas também é peregrina, penitente, pois que carrega em sua carne a fragilidade de seus membros.

Sim, a Igreja é santa, mas comporta em seu seio os pecadores que somos nós. E por isso dizemos, também com o perigo da imprecisão teológica: “A Igreja é Santa e pecadora”. Bento XVI sugeriu modificar a expressão. “A Igreja é Santa, mas há pecado na Igreja”. Notem que ele salvaguarda a santidade na essência.

Mas o pecado existe na Igreja. Por isto rezamos nas liturgias diárias pelo Santo Padre, pelos bispos, pelo clero, pelo povo de Deus. Clamamos por purificação, luzes em nossas decisões, pois sabemos que é missão do Espírito encaminhar na terra a Igreja que ainda não é Reino de Deus (porque maculada pelos nossos pecados), e que ao Cristo damos diariamente. Mas nós caminhamos na esperança. Sabemos que um dia todas as partes do corpo estarão agindo em perfeita harmonia com a cabeça. Seremos a “Jerusalém Celeste”.

Eu assumo que errei ao usar a expressão. Eu não estava numa sala de aula, lugar onde a Ortodoxia convive bem com a dialética. Não considerei que muitos telespectadores poderiam não entender o contexto da comparação. E por isso peço desculpas. E junto às desculpas, faço minha retratação. Nunca tive problema em assumir meus equívocos. Usei uma expressão que carece ser contextualizada com outras explicações, para que não pareça irresponsável, nem tampouco herética.

Repito. Eu não nego nem neguei a definição dogmática expressa na Lumem Gentium, Número 5.

“O mistério da santa Igreja manifesta-se na sua fundação. O Senhor Jesus deu início à Sua Igreja pregando a boa nova do advento do Reino de Deus prometido desde há séculos nas Escrituras: «cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo» (Mc. 1,15; cfr. Mt. 4,17). Este Reino manifesta-se na palavra, nas obras e na presença de Cristo. A palavra do Senhor compara-se à semente lançada ao campo (Mc. 4,14): aqueles que a ouvem com fé e entram a fazer parte do pequeno rebanho de Cristo (Luc. 12,32), já receberam o Reino; depois, por força própria, a semente germina e cresce até ao tempo da messe (cfr. Mc. 4, 26-29). Também os milagres de Jesus comprovam que já chegou à terra o Reino: «Se lanço fora os demônios com o poder de Deus, é que chegou a vós o Reino de Deus» (Luc. 11,20; cfr. Mt. 12,28). Mas este Reino manifesta-se sobretudo na própria pessoa de Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, que veio «para servir e dar a sua vida em redenção por muitos» (Mt. 10,45).”

E quando Jesus, tendo sofrido pelos homens a morte da cruz, ressuscitou, apareceu como Senhor e Cristo e sacerdote eterno (cfr. Act. 2,36; Hebr. 5,6; 7, 17-21) e derramou sobre os discípulos o Espírito prometido pelo Pai (cfr. Act. 2,33). Pelo que a Igreja, enriquecida com os dons do seu fundador e guardando fielmente os seus preceitos de caridade, de humildade e de abnegação, recebe a missão de anunciar e instaurar o Reino de Cristo e de Deus em todos os povos, e constitui o germe e o princípio deste mesmo Reino na terra. Enquanto vai crescendo, suspira pela consumação do Reino e espera e deseja juntar-se ao seu Rei na glória.”

Agradeço pela prece dos que me acompanharam neste momento tão sofrido.

Com minha benção,

Padre Fábio de Melo.

O artigo original do Padre Fábio de Melo poderá ser visto por meio desse link aqui:


NOSSO COMENTÁRIO

O padre Fábio de Melo é um homem cheio de contradições. Essa não foi a primeira nem a última declaração controversa que fez.

Na própria carta em que procura se justificar ele apresenta uma dicotomia inaceitável e pecaminosa: trata-se da ideia de que podemos falar de certo modo em sala de aula, mas diante do povo devemos falar de outro modo. Ora isso tem nome e sobrenome: por um lado trata-se de grossa hipocrisia e por outro do velho casuísmo tão ao gosto do clero católico romano onde os fins justificam os meios.

Vamos esperar o próximo passo de padre Fábio, enquanto ele procura conciliar suas contradições.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 7 de abril de 2015

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001 – INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS



Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos aproveitando a oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. OS EVANGELHOS

A. INTRODUÇÃO GERAL

Desde o princípio da fé cristã os evangelhos canônicos — os evangelhos que foram aceitos pelos Pais da Igreja como sendo legítimos — ocupam um lugar de interesse bastante especial no coração de todos crente verdadeiro.

Os inimigos da fé cristã têm acusado a Igreja cristã — eles realmente se referem à Igreja Católica Romana — de ter impedido a aceitação de centenas de outros evangelhos no cânon oficial do Novo Testamento. Mas tais agressores nunca leram esses evangelhos alternativos, e por incrível que pareça, nunca lerem sequer os quatro evangelhos que encontramos no Novo Testamento.

Não é difícil explicar e é mais fácil ainda entender e aceitar os motivos porque a Igreja Cristã se recusou a levar á sério essa multidão de documentos. Um único exemplo basta. Esse exemplo é ótimo, porque existe um consenso entre muitos estudiosos da Bíblia e especialmente do Novo Testamento, que acreditam que o chamado Evangelho de Tomé deveria estar dentro do conjunto de livros que compõem o Novo Testamento.

O Evangelho de Tomé é um material pseudoepigráfico, ou seja, o autor do livro não é quem alega ser. Isso já um grande problema. Livros pseudoepigráficos são uma volumosa coleção de materiais produzidos em diversos idiomas durante vários séculos, mas cujo verdadeiro autor, não é quem o livro apresenta como autor. Normalmente, esses livros poderiam ser classificados numa espécie de “Biblioteca de Literatura Fantástica”, que é, por sinal, de onde Hollywood retira a vasta maioria dos roteiros de seus filmes que falam de demônios, anjos, anjos caídos e coisas do gênero. Quando a igreja resolveu dispensar esses livros o fez porque os mesmos não tinham nada que pudesse justificar sua inclusão no Cânon das Sagradas Escrituras. 

Como mencionamos acima, talvez o exemplo mais marcante que podemos oferecer e um dos meus favoritos é uma passagem do chamado “Evangelho de Tomé”, um livro sem a mínima condição, mas que muitos fazem questão de afirmar que o tal evangelho deveria, com certeza, pertencer ao corpo de Evangelhos do Novo Testamento. De que jeito se o pseudo autor escreveu pérolas como essa: por favor, note que: Simão = Simão Pedro, Jesus = o Próprio e Maria = Maria Madalena.


Segue o texto de falso Tomé:

114 Simão Pedro disse a eles: "Maria deveria deixar-nos, pois as mulheres não são dignas da vida". Jesus disse: "Eu a guiarei para fazer dela homem, de modo que também ela possa tornar-se um espírito vivo semelhante a vocês homens. Pois toda mulher que se torna homem entrará no reino do céu".

Ora isso não passa da mais grossa misoginia. Como poderiam nossos irmãos permitir que tal idiotice fosse colocada ao lado da sobriedade de Marcos ou da sublimidade de João? Vamos falar sério.

Creio que esse único exemplo, por sua relevância, é suficiente para deixarmos de lado todas as malvadas acusações de que a Igreja proibiu a colocação de dezenas de outros evangelhos por motivos escusos. Quem tiver tempo que vá ler esses evangelhos para enxergar com toda clareza por que os mesmos foram deixados de fora.

Mas os quatro evangelhos canônicos, esse tem um lugar especial na vida e no coração de todo crente verdadeiro, porque são eles que nos apresentam em seu sentido mais objetivo, a vida e a obra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sem esses evangelhos tudo o que teríamos seria um conjunto de informações periféricas e praticamente sem nenhuma relevância.

Os quatro Evangelhos canônicos estão, sem sombra de dúvida, entre as peças literárias mais desconcertantes com as quais alguém pode entrar em contato. Essa condição é a grande responsável pela gigantesca discussão em torno de Jesus que faz a alegria dos “estudiosos” que vira e mexe escrevem e reescrevem velhas mentiras como se fossem grandes novidades acerca de Jesus. Eles costumam faturar alto com essas alegações, já muitas vezes recicladas desde os séculos XVII e XVIII em diante.

Todavia, nós podemos afirmar que as críticas mais contundentes e violentas já foram completamente ultrapassadas e abandonadas. O próprio blog O Grande Diálogo tem diversos artigos discutindo essas questões e o leitor pode ficar a vontade para conhecer os argumentos dos dois lados.



Mesmo assim, ainda queremos discutir alguns aspectos envolvendo os Evangelhos nesse material, especialmente no que diz respeito à FORMA dos mesmos. Isso se faz necessário porque é inegável que os Evangelhos canônicos causaram e continuam causando uma profunda impressão em todos que entram em contato com os mesmos. Como Reformados, cremos na veracidade das Escrituras Sagradas em geral e dos Evangelhos canônicos em particular, ao contrário dos críticos modernos que preferem abordar o texto dos Evangelhos a partir de certos pressupostos. As ideias críticas serão todas avaliadas e, na medida do possível, procuraremos dar uma resposta apropriada a todas as críticas que tenham um mínimo de honestidade intelectual e se baseiem, tanto quanto possível em fatos, e não em especulações vazias inventadas por seus proponentes.

Para nós basta dizer que temos a mais sólida convicção que foram os próprios evangelhos e não qualquer “fonte” ou “origem” alegada por muitos estudiosos, que moldou a história cristã.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002



INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO

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Alexandros Meimaridis

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