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terça-feira, 30 de agosto de 2016

JONATHAN EDWARDS: UMA BREVE BIOGRAFIA


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O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

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Uma Biografia de Jonathan Edwards

Jonathan Edwards (5 de outubro de 1703 - 22 de março de 1758)

Jonathan Edwards nasceu em East Windsor, Connecticut, em 5 de outubro de 1703, sendo seu pai um piedoso ministro congregacional. Jonathan Edwards foi uma das personalidades religiosas mais destacadas da história da igreja nos últimos três séculos. Os estudiosos de sua vida e obra o têm considerado o maior filósofo e teólogo já produzido pelos Estados Unidos, e especialmente o mais importante e influente dos calvinistas estadunidenses1.

Benjamin B. Warfield cita o testemunho do filósofo francês Georges Lyon, segundo o qual, tivesse Edwards permanecido apenas no campo da filosofia e da metafísica, sem enveredar pela teologia, ele talvez viesse a ocupar “um lugar ao lado de Leibnitz e Kant entre os fundadores de sistemas imortais”2.

O fato é que, tendo sido inicialmente, durante a sua juventude, atraído pela filosofia, notadamente sob a influência de grandes empiristas e cientistas ingleses como John Locke (1632-1704) e Isaac Newton (1642-1717), eventualmente as preocupações de ordem religiosa tornaram-se poderosamente dominantes em sua vida e pensamento, e tais preocupações o levaram ao ministério pastoral e à teologia.

Precoce e religioso desde a sua meninice, aos 12 anos ele escreveu a uma de suas irmãs:
“Pela maravilhosa bondade e misericórdia de Deus, houve neste lugar uma extraordinária atuação e derramamento do Espírito de Deus... tenho razões para pensar que agora diminuiu em certa medida, mas espero que não muito. Cerca de treze pessoas uniram-se à igreja num estado de plena comunhão3.”

Depois de dar os nomes dos convertidos, ele acrescentou: “Acho que muitas vezes mais de trinta pessoas se reúnem às segundas-feiras para falar com o Pai acerca da condição das suas almas”.

O lar de Edwards estimulou de maneira poderosa a sua vida espiritual e intelectual. Ele começou a estudar latim aos seis anos e aos treze também já havia adquirido um respeitável conhecimento de grego e hebraico. Após quatro anos de estudos no Colégio de Yale, em New Haven, Edwards obteve o seu grau de bacharel em 1720. Logo em seguida, encetou seus estudos teológicos na mesma instituição, obtendo o grau de mestre em 1722. Após pastorear uma igreja presbiteriana em Nova York por oito meses (1722-23) e atuar como professor assistente em Yale por dois anos, em 1726, aos 23 anos de idade, Edwards passou a trabalhar como pastor-assistente do seu avô, Solomon Stoddard (1643-1729), o famoso ministro da igreja de Northampton, Massachusetts. Essa igreja era provavelmente a maior e a mais influente da província, à exceção de Boston. Houve uma época em que chegou a ter seiscentos e vinte membros, incluindo quase toda a população adulta da cidade.

Jonathan Edwards considerava-se um jovem introvertido, tímido, quieto e de pouco falar. Iniciou seus estudos na faculdade aos treze anos e formou-se como orador oficial. Considerava que lhe faltava cordialidade.

Em 1723, aos dezenove anos, Jonathan Edwards formou-se em Yale, e foi pastor em Nova York, por um ano. Quando terminou seu período de pastorado naquela igreja, começou a trabalhar como professor em Yale e voltou para New Haven, onde morava Sarah Pierrepont, que seria sua futura esposa. Em seu retorno, em 1723, Jonathan tinha vinte anos e Sarah treze.

Enquanto Sarah crescia, Jonathan tornava-se, de certa forma mais gentil, e os dois começaram a passar mais tempo juntos. Gostavam de caminhar e conversar juntos, e ele aparentemente encontrou nela uma mente que combinava com sua beleza. De fato, ela lhe apresentou um livro de Peter van Mastricht, o qual mais tarde muito influenciaria o pensamento de Jonathan. Eles ficaram noivos na primavera de 1725.

Em 28 de julho de 1727, Edwards casou-se com Sarah Pierrepont, então com 17 anos, filha de James Pierrepont, o conhecido pastor da igreja de New Haven, e bisneta do primeiro prefeito de Nova York. Os historiadores destacam a grande harmonia, amor e companheirismo que caracterizou a vida do casal4. Eles gostavam de andar a cavalo ao cair da tarde para poderem conversar e antes de se recolherem sempre tinham juntos os seus momentos devocionais.
Temos apenas vislumbres do grande amor entre os dois. Certa vez, Jonathan usou o exemplo do amor entre um homem e uma mulher para exemplificar o amor de Deus. “Quando temos uma ideia do amor de alguém por determinada coisa, se for o amor de um homem por uma mulher [...] não conhecemos completamente o amor dele; temos apenas uma ideia de suas ações que são efeitos do amor [...] Temos uma leve e vaga noção de suas afeições.”

Relata-se sobre a amável influência de Sarah no ministério de Jonathan. Ele era comparado a uma “máquina de pensar”, um pensador que mantinha ideias firmes em sua mente, ponderando-as, separando-as, juntando-as a outras ideias, testando-as contra outras partes da verdade de Deus. Tal homem alcança o auge quando as ideias separadas juntam-se numa verdade maior. Mas, é também o tipo de homem que pode encontrar-se em covas profundas, no caminho à verdade. Não é fácil viver com um homem assim, mas Sarah encontrou meios de construir um lar feliz para ele. Ela o assegurou de seu amor constante e criou uma atmosfera e rotina, nas quais ele gozava de liberdade para pensar. Ela entendia, por exemplo, que quando ele estava absorto em um pensamento, não gostaria de ser interrompido para o jantar. Compreendia que suas sensações de alegria ou tristeza eram intensas. Edwards escreveu em seu diário: “Frequentemente tenho visões muito comoventes de minha própria pecaminosidade e perversidade, a ponto de me levar ao choro alto... que sempre me força a ficar a sós.”

Samuel Hopkins escreveu sobre Sarah: “Enquanto ela tratava seu marido com acatamento e inteiro respeito, não poupava esforços para conformar-se às inclinações dele e tornar tudo em família agradável e prazeroso, fazendo disso a sua maior glória e o modo como poderia melhor servir a Deus e à sua geração [e à nossa, podemos acrescentar]; e isso tornava-se o meio de promover o benefício e a felicidade de seu marido.”

Assim, a vida no lar dos Edwards era moldada, em sua maior parte, pelo chamado de Jonathan. Uma das notas de seu diário dizia: “Penso que ao ressuscitar de madrugada, Cristo nos recomendou levantar bem cedo pela manhã”. Levantar-se cedo era um hábito de Jonathan. Durante anos, a rotina da família era acordar cedo, junto com ele, ler um capítulo da Bíblia à luz de velas e orar, pedindo a bênção de Deus para aquele novo dia.

Com frequência, Jonathan estudava treze horas por dia. Isto incluía muita preparação para os domingos, com o ensino bíblico. Mas também incluía os momentos em que Sarah ia conversar, ou quando os membros da igreja paravam para uma oração ou aconselhamento.

Jonathan e Sarah tiveram 11 filhos, todos os quais chegaram à idade adulta, fato raro naqueles dias. Em 1900, um repórter identificou 1400 descendentes do casal Edwards. Entre eles houve 15 dirigentes de escolas superiores, 65 professores, 100 advogados, 66 médicos, 80 ocupantes de cargos públicos, inclusive 3 senadores e 3 governadores de estados, além de banqueiros, empresários e missionários. Diz-se que a afeição de Jonathan e Sarah um pelo outro e a rotina devocional regular em família foram alicerces firmes para os onze filhos; o que também teve doce e piedoso efeito em alguns dos visitantes da família Edwards, como em George Whitefield, que sobre eles comentou: “Senti grande satisfação por estar na casa dos Edwards. Ele é um filho de Abraão e tem uma filha de Abraão como esposa. Que casal agradável! Seus filhos não se vestiam de cetim e seda, mas de trajes simples, como os filhos daqueles que, em todas as coisas, devem ser exemplos da simplicidade de Cristo. Ela é uma mulher adornada de um espírito manso e tranquilo, alguém que fala de maneira firme e franca das coisas de Deus; parece ser tão auxiliadora para seu marido, que isto me fez renovar aquelas orações, as quais por muitos meses tenho feito a Deus, para que se agrade em me enviar uma filha de Abraão para ser minha esposa.” [No ano seguinte, Whitefield casou-se].

Relata-se que quando Jonathan escrevia aos filhos, sempre os alertava – não de maneira mórbida, mas como um fato – de quão próxima a morte poderia estar. Para Jonathan, a realidade da morte levava automaticamente à necessidade de vida eterna. Ele escreveu ao filho de dez anos, Jonathan Jr., a respeito da morte de um coleguinha do menino: “Este é um chamado altissonante para que você se prepare para a morte [...] Nunca dê a si mesmo até que haja uma boa evidência de que você é convertido e nascido de novo.”

Em 1729, com a morte do seu avô, Jonathan tornou-se o pastor titular da igreja de Northampton, na qual, através de sua poderosa pregação, ocorreu um grande avivamento cinco anos mais tarde (1734-35)5. O Grande Despertamento, que tivera os seus primórdios alguns anos antes entre os presbiterianos e reformados holandeses na Pensilvânia e Nova Jersey, cresceu com as pregações de Edwards e atingiu o seu apogeu no ano de 1740, com o trabalho itinerante do grande avivalista inglês George Whitefield (1714-1770)6.

Em 1750, após 23 anos de pastorado, Jonathan Edwards foi despedido pela sua igreja, a razão principal sendo a sua insistência de que somente pessoas convertidas participassem da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô. No seu sermão de despedida, depois de advertir a igreja sobre as contendas que nela havia e os perigos que isso representava, ele concluiu:

“Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (1 Pedro 3:10—11). Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a maior, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em 2 Coríntios 13:11: “Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco”7.

No ano seguinte, Edwards foi para Stockbridge, uma região remota da colônia de Massachusetts, onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário entre os índios. Em 1757, a sua excelência como educador e sua fama como teólogo e filósofo fizeram com que ele fosse convidado para ser o presidente do Colégio de Nova Jersey, a futura Universidade de Princeton.

Logo que Jonathan chegou a Princeton, foi vacinado contra rubéola. Este ainda era um procedimento experimental. Ele contraiu a doença e morreu, em 22 de março de 1758, enquanto Sarah ainda estava em Stockbridge, na atividade de fazer as malas da família para a mudança para Princeton. Menos de três meses se passaram, desde que Jonathan se despedira dela. Durante os seus últimos minutos de vida, seus pensamentos e palavras foram para sua amada esposa. Ele sussurrou a uma de suas filhas:
“Parece-me ser a vontade do Senhor que eu vos deixe em breve, por isso, transmita o meu amor mais sincero à minha querida esposa e diga-lhe que a união incomum, que tanto tempo houve entre nós, foi de tal natureza, que creio ser espiritual, e que, portanto, continuará para sempre: espero que ela encontre suporte sob tão grande tribulação e submeta-se alegremente à vontade de Deus.”

Alguns dias depois, Sarah escreveu à sua filha Esther (cujo marido havia morrido apenas seis meses antes):

“Minha querida filha, que posso dizer? O Santo e Bom Deus nos cobriu com uma nuvem escura. Que aceitemos a correção e fiquemos em silêncio! O Senhor o fez. Deus me faz adorar a Sua bondade, porque tivemos o seu pai por tanto tempo. Mas o meu Deus vive; e Ele possui meu coração. Oh! Que legado meu marido, seu pai nos deixou! Estamos todos entregues a Deus; e aí estou, e gosto de estar.”
Edwards destaca-se por outros fatores, além da sua notável produção filosófica e teológica. Ele foi também um extraordinário pregador, cujos sermões, proferidos com a mais sincera convicção, causavam um poderoso impacto8. Em virtude disso, ele veio a ser um dos protagonistas do célebre avivamento religioso americano que ficou conhecido como o Grande Despertamento (1735-44). Mais ainda, com sua pena habilidosa, Edwards tornou-se o principal estudioso e intérprete do avivamento, registrando descrições e análises sobre os seus fenômenos espirituais e psicológicos que até hoje não foram superadas.

Finalmente, Edwards impressiona por sua grande síntese entre fé e razão, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção literária. Dotado de uma mente inquiridora e disciplinada, e acostumado a refletir sobre um tema até as suas últimas implicações, ele também foi um homem de espiritualidade profunda e transbordante, que teve como a maior das suas preocupações a celebração da graça e da glória de Deus.

No Brasil, a vida e contribuição de Edwards ainda são essencialmente desconhecidas nos meios evangélicos, até mesmo nos círculos acadêmicos9. A única coisa que muitos associam com ele é o célebre sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado”10, que, embora aborde um tema importante da sua teologia, está longe de ser representativo da sua obra como um todo e certamente não expressa algumas das principais ênfases da sua reflexão.

OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

NOTAS
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[1] Jonathan Edwards passou a despertar enorme interesse entre os estudiosos a partir da início da década de 1930, graças ao trabalho de pesquisadores como Perry Miller, que o caracterizou como “o maior filósofo-teólogo que já adornou o cenário americano”. Ver Paul Helm, “Edwards, Jonathan”, em The New International Dictionary of the Christian Church, gen. ed. J.D. Douglas (Grand Rapids: Zondervan, 1978).

[2] Benjamin B. Warfield, “Edwards and the New England Theology”, Encyclopedia of Religion and Ethics, 1912. Também em The Works of B.B. Warfield, Vol. 9 (Studies in Theology), 515-538.

[3] “The Earliest Known Letter of Jonathan Edwards”, Christian History, Vol. IV, nº 4, p. 34. Minha tradução. A carta também menciona as últimas mortes que ocorreram na cidade e dá informações sobre a saúde dos membros da família, inclusive a sua própria dor de dente.

[4] Elisabeth S. Dodds, “My Dear Companion”, Church History 4, nº 4, pp. 15-17. George Whitefield narra em seu diário a profunda impressão que a vida familiar dos Edwards lhe causou e como isso o levou a renovar suas orações por uma boa esposa para si mesmo. George Whitefield’s Journals (Londres: Banner of Truth, 1960), 476-77, citado em Edwin S. Gaustad, ed., A Documentary History of Religion in America: To the Civil War, 2ª ed. (Grand Rapids: Eerdmans, 1993), 196.

[5] O reavivamento ocorreu quando Edwards pregou uma série de sermões sobre a justificação pela fé.

[6] Sobre o avivamento entre os presbiterianos, ver o artigo do Rev. Frans Leonard Schalkwijk, “Aprendendo da História dos Avivamentos”, em Fides Reformata II:2, 61-68.

[7] Christian History IV, nº 4, p. 4. Minha tradução.

[8] Segundo Warfield, foi em seus sermões que os estudos de Edwards produziram seus frutos mais ricos. Ibid. Os sermões de Jonathan Edwards constituem o maior conjunto de manuscritos originais desse autor ainda disponíveis.

[9] Uma exceção é o trabalho de Luiz Roberto França de Mattos, “Jonathan Edwards and the Criteria for Evaluating the Genuineness of the ‘Brazilian Revival’”, Dissertação de Mestrado, São Paulo, Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 1997.

[10] Jonathan Edwards, Pecadores nas Mãos de um Deus Irado, 3ª ed. (São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, c.1993). Esse sermão foi pregado por Edwards na cidade de Enfield, Connecticut, em 1741.

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Esta Biografia é baseada nas seguintes fontes:

MATOS, Alderi Souza de. Jonathan Edwards: teólogo do coração e do intelecto. Disponível em: . (Acesso em 18 de abril de 2014). Editado e Adaptado.

PIPER, Noël. Sarah Edwards. Fiel em meio ao mundano. In: PIPER, Noël. Mulheres Fiéis e seu Deus Maravilhoso. História de Cinco Mulheres de Fé. São Paulo: Editora Fiel: São Paulo, p. 17-46.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002 — FINAL


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O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

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A AGONIA DE CRISTO
Por Jonathan Edwards
Lucas 22:44

E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.

APLICAÇÃO — FINAL

4. De que maneira os Cristãos devem prosseguir no trabalho que está diante deles? Cristo tinha uma grande obra diante dEle quando isso aconteceu, do que nós temos um relato no texto acima. Apesar de ter sido muito perto do fim de Sua vida, no entanto, Ele, nessa ocasião, quando Sua agonia começou, tinha a principal parte do trabalho que Ele veio fazer no mundo diante dEle. E isso, era ofertar o sacrifício que Ele ofereceu em Seus últimos sofrimentos, e nisso realizar o maior ato de Sua obediência a Deus. E assim os Cristãos têm um grande trabalho a fazer, um serviço que realizarão para Deus, que é efetuado com muita dificuldade. Eles têm estabelecida uma corrida diante deles a qual eles têm que correr, uma guerra que é indicada a eles. Cristo foi o sujeito de uma grande provação no momento de Sua agonia; assim Deus está acostumado a exercitar o Seu povo com grandes provações. Cristo encontrou-se com grande oposição naquela obra que Ele devia cumprir, assim os crentes, semelhantemente, encontraram grande oposição em correr a carreira que está posta diante deles. Cristo, como homem, tinha uma natureza frágil, que era, em si, muito insuficiente para sustentar um conflito, ou para suportar tal carga como a que estava vindo sobre Ele. Assim, os santos têm a mesma natureza humana fraca e, junto com isso, grandes fraquezas pecaminosas que Cristo não tinha, o que lhes colocam sob grandes desvantagens, e aumentam consideravelmente a dificuldade de Seu trabalho. Essas grandes tribulações e dificuldades que estavam diante de Cristo, foram o caminho pelo qual Ele devia entrar no reino dos céus; para que Seus seguidores pudessem esperar que “por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” — Atos dos Apóstolos 14:22. A cruz foi para Cristo o caminho para a coroa de glória, e assim ela é para os Seus discípulos. As circunstâncias de Cristo e de Seus seguidores nessas coisas são iguais, o Seu caso, portanto, é o mesmo; e, portanto, o comportamento de Cristo em tais circunstâncias foi um exemplo adequado para eles seguirem. Eles devem olhar para o Seu Capitão, e observar de que maneira Ele passou por Sua grande obra, e as grandes tribulações que Ele sofreu. Eles devem observar de que maneira Ele entrou no reino dos céus, e obteve a coroa de glória, e assim eles também devem participar da corrida que se coloca diante deles.

Hebreus 12:1

Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta

Tudo isso se materializa das seguintes maneiras:

(1). Quando os outros estão dormindo eles devem estar acordados, como foi com Cristo. O tempo de agonia de Cristo foi de noite, o tempo em que as pessoas tinham o costume de estar dormindo; foi o tempo em que os discípulos que estavam perto de Cristo estava dormindo; mas Cristo, nessa ocasião, tinha outra coisa a fazer ao invés de dormir; Ele tinha um grande trabalho a fazer; Ele manteve-se acordado, com o coração envolvido neste trabalho. Assim deve ser com os crentes em Cristo; quando as almas de Seus vizinhos estão dormindo em Seus pecados, e sob o poder de uma insensibilidade e preguiça letárgicas, eles devem vigiar e orar, e manter vivo o senso da importância infinita de Suas preocupações espirituais.

1 Tessalonicenses 5:6

Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios.

(2). Eles devem seguir em Seu trabalho com intenso labor, como Cristo fez. O momento em que os outros estavam dormindo era um momento em que Cristo estava perto de Sua grande obra, e estava comprometido nisso com todas as Suas forças, agonizante nisso; conflitante e lutando em lágrimas e em sangue. Assim, os Cristãos devem, com o máximo de seriedade, remir o Seu tempo, com as almas comprometidas neste trabalho, passando por meio da oposição que eles encontram nisso, passando por todas as dificuldades e sofrimentos que existem no caminho, correndo com paciência a carreira posta diante deles, lutando contra os inimigos de Sua alma com todas as Suas forças; como aqueles que não lutam contra a carne e o sangue, mas contra os principados e potestades, e os príncipes das trevas deste mundo, e hostes espirituais da maldade nas regiões celestiais.

(3). Este labor e luta devem ser, para que Deus seja glorificado, e Sua própria felicidade eterna obtida em um caminho de fazer a vontade de Deus. Assim foi com Cristo; pelo que Ele tão intensamente se esforçou foi, que Ele pudesse fazer a vontade de Deus, para que Ele mantivesse o Seu mandamento, Seu difícil mandamento, sem falhar nele, e que desta forma, a vontade de Deus fosse feita, para glória de Seu Eterno Grande Nome, e para a Salvação de Seus eleitos, que Ele intencionou por meio de Seus sofrimentos. Aqui está um exemplo que os santos devem seguir nestas santas luta, e corrida, e guerra, que Deus lhes designou; eles devem se esforçar para fazer a vontade de Seu Pai celestial, para que eles possam, como o apóstolo o expressa em

Romanos 12:2:

Experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

e que neste caminho, eles possam glorificar a Deus, e possam vir, por fim, a ser para sempre felizes no gozo de Deus.

(4). Em toda a grande obra que eles têm que fazer, a sua visão deve estar em Deus, para obter Sua ajuda, para que sejam capacitados a superar suas dificuldades. Assim fez o homem Cristo Jesus, Ele se esforçou em Seu trabalho, mesmo em tal agonia e suor sangrento. Mas como Ele se esforçou? Não foi em Sua própria força, mas Seus olhos estavam em Deus, Ele clamou por Ele por Seu auxílio e força para encorajá-Lo, para que Ele não falhasse; Ele vigiou e orou, como Ele desejou que os Seus discípulos fizessem; Ele lutou contra os Seus inimigos e com os Seus grandes sofrimentos, mas, ao mesmo tempo lutou com Deus para obter a Sua ajuda, para capacitá-Lo a fim de obter a vitória. Assim, os santos devem usar a Sua força em Sua trajetória Cristã ao máximo, mas não como dependendo de Sua própria força, mas clamando fortemente a Deus para que por Sua força os faça vencedores.

(5). Dessa forma, eles devem resistir até o fim, como Cristo fez. Cristo, desta forma foi bem sucedido, e obteve a vitória, e ganhou o prêmio; Ele triunfou, e está assentado com o Pai em Seu trono. Assim, os Cristãos devem perseverar e resistir em Sua grande obra até o fim; eles devem continuar a executar Sua corrida até que cheguem ao Seu fim; eles devem ser fiéis até a morte, como Cristo foi; e então, quando eles triunfarem, devem sentar-se com Ele em Seu trono.

Apocalipse 3:21

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no Seu trono.

5. Por isso, pecadores sobrecarregados e angustiados, se algum tal está presente aqui, que possa ter abundante fundamento de encorajamento para vir a Cristo para salvação. Aqui há um grande incentivo para os pecadores, para que venham a este Sumo Sacerdote que ofereceu tão forte clamor e lágrimas, com o Seu sangue, pela eficácia de Seus sofrimentos na salvação dos pecadores. Pois,
Primeiro. Aqui há grande fundamento de segurança de que Cristo está pronto a aceitar dos pecadores, e conceder-lhes a salvação; pois aqueles Seus fortes clamores que Ele ofereceu na capacidade de nosso Sumo Sacerdote, demonstram quão intensamente desejoso Ele foi disso. Se Ele não estivesse disposto a que os pecadores fossem salvos, sendo eles sempre tão indignos disso, então, porque Ele lutaria assim com Deus por isso, em tal suor sangrento? Clamaria alguém tão fervorosamente a Deus com tais caros clamores, em tão grande esforço e fadiga da alma, por isso, se Ele não desejasse que Deus concedesse o que estava pedindo? Não, certamente! Mas isso mostra quão grandemente o Seu coração foi estabelecido no sucesso de Sua redenção; e, portanto, uma vez que Ele, por tais fervorosas orações, e por tal suor sangrento, obteve a salvação do Pai pelos pecadores, Ele certamente estará pronto para concedê-la a eles, se eles vierem a Ele por ela; caso contrário, Ele frustrará Seu próprio plano; e Aquele que tão intensamente clamou a Deus para que Seu propósito não fosse frustrado, não frustrará, afinal, a Si mesmo.

Segundo. Aqui está o mais forte motivo de segurança de que Deus está pronto para aceitar todos aqueles que vêm a Ele por misericórdia através de Cristo, pois, por isso é que Cristo orou naquelas fervorosas orações, essas orações sempre foram ouvidas, como Cristo diz em

João 11:4

Eu bem sei que sempre me ouves.

E, especialmente, que seus discípulos possam concluir, que ouviram o Seu Sumo Sacerdote naqueles fortes clamores que Ele ofereceu com o Seu sangue, e isto, especialmente na seguinte consideração.

(1). Elas foram as orações mais intensas que já foram feitas. Jacó foi muito intenso, quando Ele lutou com Deus; e muitos outros têm lutado com Deus, com muitas lágrimas; sim, sem dúvida, muitos dos santos têm lutado com Deus, com tal labor interior e lutas como a produzir efeitos poderosos sobre o corpo. Mas tão intenso foi Cristo, tão forte foi o esforço e fervor de Seu coração, que Ele clamou a Deus em um suor sangrento; de modo que se cada intensidade e importunação na oração sempre prevaleceram com Deus, podemos concluir que aquela prevaleceu.

(2). Aquele que, nessa ocasião, orou era a Pessoa mais digna que alguma vez já elevou uma oração. Ele tinha mais merecimento do que quaisquer homens ou anjos tinham diante dos olhos de Deus, segundo o que Ele obteve mais excelente nome do que eles; pois Ele era o Filho unigênito de Deus, infinitamente amável em Sua visão, o Filho em quem Ele declarou uma e outra vez em quem Ele se agradava. Ele era infinitamente próximo e querido por Deus, e tinha dez mil vezes mais merecimento aos Seus olhos do que todos os homens e anjos juntos. E podemos supor que qualquer outra pessoa foi ouvida quando clamou a Deus com tanta intensidade? Será que Jacó, um pobre homem pecador, quando Ele lutou com Deus, obteve de Deus o nome de Israel, e tal elogio, que, como um príncipe, Ele havia lutado com Deus, e prevalecido? E Elias, que era um homem de paixões e sujeito a corrupções como nós, quando orava, intensamente, prevaleceu com Deus de forma a operar aquelas grandes maravilhas? E o Filho unigênito de Deus, quando lutando com Deus em lágrimas e sangue, não prevalecerá, e terá o Seu pedido concedido a Ele?

Certamente, não há espaço para supor tal coisa; e, portanto, não há espaço para duvidar de que Deus dará a salvação àqueles que creem nEle, em Sua solicitação.

(3). Cristo ofereceu estas orações fervorosas com o melhor apelo por uma resposta que já foi oferecido a Deus, a saber, o Seu próprio sangue; que era um equivalente para a coisa que Ele solicitava. Ele não apenas ofereceu fortes clamores, mas Ele os com um preço plenamente suficiente para comprar o benefício que Ele solicitava.

(4). Cristo ofereceu este preço e aqueles fortes clamores, os dois juntos; pois ao mesmo tempo em que Ele estava derramando estes pedidos sinceros pelo sucesso de Sua Redenção na Salvação dos pecadores, Ele também derramou o Seu sangue. Seu sangue caía no chão no mesmo instante em que Seus clamores subiam ao céu. Considerem estas coisas, sobrecarregados e angustiados, pecadores, que estão prontos para duvidar da eficácia da intercessão de Cristo por tais criaturas indignas como eles, e para colocar em questão a prontidão de Deus em aceitá-los por causa de Cristo. Vão para o jardim, onde o Filho de Deus estava em agonia, e onde Ele clamou a Deus tão intensamente, e onde o Seu suor tornou, por assim dizer, em grandes gotas de sangue, e depois vejam qual conclusão vocês extrairão de tal visão maravilhosa.

6. Os piedosos podem obter grande consolo no fato de que Cristo, como Seu Sumo Sacerdote, ofereceu tais fortes clamores a Deus. Vocês, que têm uma boa evidência de serem crentes em Cristo, e Seus verdadeiros seguidores e servos, podem ser consolados no fato de que Jesus Cristo é o Seu sumo sacerdote, que aquele sangue, que Cristo derramou em Sua agonia, caiu no chão por vocês, e que aqueles intensos clamores foram elevados a Deus por vocês, para o sucesso de Seus trabalhos e sofrimentos em todo aquele bem em que vocês permanecem diante das necessidades que têm neste mundo, e em Sua bem-aventurança eterna no mundo vindouro. Isto pode ser um consolo para vocês em todas as perdas, e sob todas as dificuldades, para que vocês possam encorajar a vossa fé, e fortalecer a vossa esperança, e fazer com que vocês grandemente se alegrem. Se vocês estivessem em dificuldades notáveis, seria um grande consolo para vocês terem as orações de um homem que vocês consideram um homem de eminente piedade, e alguém que tivesse um grande empenho junto ao Trono da Graça, e, especialmente, se soubessem que Ele era muito intenso e muito empenhado em oração por vocês. Porém, quanto mais vocês podem ser consolados nisso, que vocês têm um empenho nas orações e clamores do Unigênito e infinitamente digno Filho de Deus, e que Ele tão foi tão intenso em orações por vocês, como ouviram!

7. Disso podemos aprender quão intensos os Cristãos devem ser em Suas orações e esforços pela salvação dos outros. Cristãos são seguidores de Cristo, e eles deveriam segui-Lo nisto. Percebemos, a partir do que ouvimos, quão grande foi o esforço e fadiga da alma de Cristo pela salvação dos outros, e que intensos e fortes clamores por Deus acompanharam Seus trabalhos. Aqui Ele nos oferece o exemplo. Aqui Ele estabeleceu um exemplo para os ministros, que devem, como cooperadores de Cristo ter dores de parto com eles até que Cristo seja formado neles.

Gálatas 4:19

Meus filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós.

Eles devem estar dispostos a gastarem-se e serem gastos por eles. Eles devem não apenas se esforçar por eles, e orar fervorosamente por eles, mas devem, se necessário for, estar prontos para sofrer por eles, e para gastar não apenas a Sua força, mas o Seu sangue por eles.

2 Coríntios 12:15

Eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado.

Aqui está um exemplo para os pais, mostrando como eles deveriam operar e clamar a Deus pelo bem espiritual de Seus filhos. Você vê como Cristo se esforçou e lutou e clamou a Deus pela salvação de Seus filhos espirituais; e vocês não buscarão e clamarão intensamente por Seus filhos naturais?

Aqui está um exemplo para as pessoas próximas, um pelo outro, como eles devem procurar e clamar pelo bem da alma um do outro, pois este é o mandamento de Cristo: que eles devem amar-se uns aos outros como Cristo os amou (João 15:12). Aqui está um exemplo para nós, demonstrando como devemos intensamente buscar e orar pelo bem espiritual e eterno de nossos inimigos, pois Cristo fez tudo isso por Seus inimigos, e quando alguns daqueles inimigos estavam naquele mesmo instante tramando a Sua morte, e ocupados em maquinar saciar a Sua malícia e crueldade, em Seus mais extremos tormentos, e mais vergonhosa destruição.

Ó Jesus Cristo! a Tua Morte Agonizante nos deu vida com abundância, Ó Glorioso Deus!, oramos para que, pelo Teu Espírito Santo aplique o que de Ti há neste sermão aos nossos corações e nos corações daqueles que lerem estas linhas, por Cristo para a glória de Cristo.

Ore para que o Espírito Santo use estas palavras para trazer muitos ao Conhecimento Salvador de Jesus Cristo, pela Graça de Deus. Amém.

Sola Scriptura! Sola Gratia! Sola Fide! Solus Christus!

OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
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quinta-feira, 31 de março de 2016

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001



O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”
As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).
Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira
facebook.com/oEstandarteDeCristo
Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO
Por Jonathan Edwards

Lucas 22:44

E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.

APLICAÇÃO

Grande proveito pode ser obtido a partir da consideração do grande clamor e lágrimas de Cristo, nos dias de Sua carne, de muitas maneiras para nosso benefício.

1. Isso pode nos ensinar de que maneira devemos orar a Deus, não de uma forma fria e descuidada, mas com grande seriedade e comprometimento de espírito, e especialmente quando estamos orando a Deus por coisas que são de infinita importância, tais como bênçãos espirituais e eternas. Tais foram os benefícios pelo que Cristo orou com tão grande clamor e lágrimas, para que pudesse estar habilitado a fazer a vontade de Deus nessa grande e difícil obra que Deus lhe havia ordenado, para que Ele não afundasse e falhas-se, mas tivesse a vitória, e assim, finalmente, ser liberto da morte, e para que a vontade e o propósito de Deus fossem obtidos como fruto de Seus sofrimentos, na glória de Deus e a salvação dos eleitos.

Quando comparecemos diante de Deus em oração com um coração frio, embotado, e de uma forma sem vida e apática, orar a Ele por bênçãos eternas, e de importância infinita para nossas almas, devemos pensar nas fervorosas orações de Cristo, que Ele derramou a Deus, com lágrimas e um suor sangrento. Quando pensamos nisso devemos nos envergonhar de nossas maçantes e inertes orações a Deus. Isso ocorre porque a linguagem que usamos nessa forma de orar a Deus, é que nós não olhamos para o benefício pelo que nós oramos como de qualquer grande importância, de modo que é indiferente se Deus nos responde ou não. O exemplo de Jacó em luta com Deus pela bênção deve nos ensinar a seriedade em nossas orações, mas, sobretudo, o exemplo de Jesus Cristo, que lutou com Deus em um suor sangrento. Se fôssemos sensíveis como Cristo era da grande importância desses benefícios que são de consequências eternas, nossas orações a Deus por tais benefícios seriam de outra maneira do que são agora. Nossas almas também estariam, em labor intenso e luta, empenhadas nesse dever.

Há muitos benefícios que pedimos a Deus em nossas orações, que são em cada detalhe, de tão grande importância para nós como aqueles benefícios que Cristo pediu a Deus em Sua agonia eram para ele. Isso é de tão grande importância para nós que estivéssemos habilitados a fazer a vontade de Deus, e realizássemos uma obediência sincera, universal e perseverante aos Seus mandamentos, como era para Cristo que Ele não deixasse de fazer a vontade de Deus em Sua grande obra. É de tão grande importância para nós que sejamos salvos da morte, como era para Cristo que Ele obtivesse a vitória sobre a morte, e assim fosse salvo dela. É grande e infinitamente maior a importância para nós, que a redenção de Cristo fosse bem sucedida para nós, como foi para Ele que a vontade de Deus fosse feita, nos frutos e sucesso de Sua redenção.

Cristo recomenda a intensa vigilância e devoção aos Seus discípulos, pela oração e exemplo, os dois ao mesmo tempo. Quando Cristo estava em Sua agonia, e veio e encontrou os discípulos dormindo, Ele lhes ordenou a vigiar e orar, Mateus 26:41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. Ao mesmo tempo, Ele estabeleceu-lhes um exemplo do que Ele lhes ordenou, pois embora eles dormissem, Ele vigiava, e derramou a Sua alma nessas fervorosas orações sobre as quais você já ouviu; e Cristo em outros lugares nos ensinou a pedir essas bênçãos de Deus que são de importância infinita, como aqueles que não obterão nenhuma negação. Nós temos ainda outro exemplo dos grandes conflitos e comprometimento do espírito de Cristo nesse dever.

Lucas 6:12

E aconteceu que naqueles dias subiu ao monte a orar, e passou a noite em oração a Deus.

E Ele esteve muitas vezes recomendando intensidade em clamores a Deus em orações. Na parábola do juiz iníquo, em Lucas 18, no início:

E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer, Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem. Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário. E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens, Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito. E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.

Lucas 11:5, em diante:

Disse-lhes também: Qual de vós terá um amigo, e, se for procurá-lo à meia-noite, e lhe disser: Amigo, empresta-me três pães, Pois que um amigo meu chegou a minha casa, vindo de caminho, e não tenho que apresentar-lhe; Se ele, respondendo de dentro, disser: Não me importunes; já está a porta fechada, e os meus filhos estão comigo na cama; não posso levantar-me para tos dar; Digo-vos que, ainda que não se levante a dar-lhos, por ser Seu amigo, levantar-se-á, todavia, por causa da sua importunação, e lhe dará tudo o que houver mister.

Ele ensinou isso em Sua maneira de responder a oração, como na resposta à mulher de Canaã, 

Mateus 15:22, em diante:

E eis que uma mulher cananeia, que saíra daquelas cercanias, clamou, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim, que minha filha está miseravelmente endemoninhada. Mas Ele não lhe respondeu palavra. E os Seus discípulos, chegando ao pé dele, rogaram-lhe, dizendo: Despede-a, que vem gritando atrás de nós. E ele, respondendo, disse: Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então chegou ela, e adorou-o, dizendo: Senhor, socorre-me! Ele, porém, respondendo, disse: Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos. E ela disse: Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos Seus senhores. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! Seja isso feito para contigo como tu desejas. E desde aquela hora a Sua filha ficou sã.

E como Cristo orou em Sua agonia, como eu já mencionei vários textos da Escritura, assim somos direcionados a agonizar em nossas orações a Deus.

2. Estas orações intensas e fortes clamores de Cristo ao Pai em Sua agonia mostram a grandeza do Seu amor para com os pecadores. Pois, como foi mostrado, esses fortes clamores de Jesus Cristo foi o que Ele ofereceu a Deus como uma pessoa pública, na qualidade de sumo sacerdote, e em nome daqueles de quem era sacerdote. Quando Ele ofereceu Seu sacrifício pelos pecadores a quem Ele tinha amado desde a eternidade, ele, além disso, ofereceu orações fervorosas. Seus fortes clamores, Suas lágrimas e Seu sangue, foram todos oferecidos juntos a Deus, e eles foram todos oferecidos para o mesmo fim, para a glória de Deus na salvação dos eleitos. Eles foram todos oferecidos pelas mesmas pessoas, a saber, pelo Seu povo. Por eles, Ele derramou Seu sangue e suor sangrento, quando este caiu em pedaços coagulados ao chão; e por eles tão intensamente clamou a Deus ao mesmo tempo. Isto ocorreu para que a vontade de Deus fosse feita na eficácia de Seus sofrimentos, na eficácia de Seu sangue, na salvação daqueles por quem o sangue foi derramado, e, portanto, essa intensidade demonstra Seu forte amor; isso demonstra quão grandemente Ele desejava a salvação dos pecadores. Ele clamou a Deus para que Ele não afundasse e falhasse nesse grande empreendimento, porque se Ele fizesse isso, os pecadores não poderiam ser salvos, mas todos pereceriam. Ele orou para que Ele obtivesse a vitória sobre a morte, porque se Ele não conseguisse a vitória, o Seu povo nunca poderia obter a vitória, e eles não conquistariam nenhuma outra forma, a não ser por Sua conquista. Se o Capitão de nossa salvação não houvesse vencido neste doloroso conflito, nenhum de nós teria vencido, mas teríamos afundado com Ele. Ele clamou a Deus para que Ele fosse salvo da morte, e se Ele não tivesse sido salvo da morte em Sua ressurreição, nenhum de nós jamais seria salvo da morte. Foi uma grandiosa visão contemplar a Cristo no grande conflito em que estava em Sua agonia, mas tudo isso ocorreu a partir do amor, daquele forte amor que estava em Seu coração. Suas lágrimas que fluíam de Seus olhos eram de amor; Seu grande suor era de amor; o Seu sangue, Seu prostrar-se no chão diante do Pai, era de amor; Seu fervoroso clamor a Deus foi a partir da força e ardor de Seu amor. Isto foi considerado como a única e a forma principal na qual o verdadeiro amor e boa vontade são demonstrados em amigos Cristãos, um ao outro, que de todo coração orem uns pelos outros; e é um caminho que Cristo nos direciona para mostrar nosso amor aos nossos inimigos, inclusive orando por eles.

Mateus 5:44:

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem.

Mas alguma vez já houve qualquer oração que manifestou o amor aos inimigos, a tal ponto, como os fortes clamores e lágrimas do Filho de Deus pela eficácia de Seu sangue para a salvação de Seus inimigos; a luta e conflito de cuja alma em oração foi tal a produzir a Sua agonia e Seu suor sangrento?

3. Se Cristo foi desta forma diligente em oração a Deus, para que o fim de Seus sofrimentos fosse obtido na salvação dos pecadores, então quanto mais aqueles pecadores deveriam ser condenados por não buscarem diligentemente a Sua própria salvação! Se Cristo ofereceu tais fortes clamores pelos pecadores como Seu sumo sacerdote, que comprou salvação a eles, Quem tem sido feliz desde toda a eternidade sem eles, e não poderia ser mais feliz por eles, então, quão grande é a insensatez daqueles pecadores que buscam a Sua própria salvação de uma forma tediosa e sem vigor; que se contentam com um atendimento formal aos deveres da religião, com Seus corações ao mesmo tempo muito mais intensamente estabelecidos após outras coisas! Eles depois de participar de um tipo de dever de oração pública, em que eles oram a Deus para que Ele tenha misericórdia deles e os salve; mas depois que miserável enfadonho caminho é o que eles o fazem! Eles não aplicam o Seu coração à sabedoria, nem inclinam os Seus ouvidos ao entendimento; eles não clamam pela sabedoria, nem levantam a Sua voz pela compreensão; eles não a buscam como a prata, nem o procuram como a tesouros escondidos. Os clamores intensos de Cristo em Sua agonia pode nos convencer de que não foi sem razão que Ele insistiu sobre isso, em Lucas 13:24; de forma que devemos nos esforçar para entrar pela porta estreita, que é, como já foi observado para você, no original ἀγωνίζεσθε — agonízesthe: “Agonize por entrar pela porta estreita”. Se os pecadores estivessem num caminho esperançoso para obter Sua salvação, eles deveriam agonizar sobre a grande preocupação da necessidade que têm de tomar uma cidade pela violência, como em —

Mateus 11:12

E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.

Quando um corpo de soldados resolutos está tentando tomar uma cidade forte que lhes oferece grande oposição, que conflitos violentos ocorrem ali antes que a cidade seja tomada! Como os soldados pressionam contra as próprias bocas dos canhões dos inimigos, e sobre as pontas de Suas espadas! Quando os soldados estão escalando os muros, e fazendo Sua primeira entrada na cidade, que luta violenta ocorre entre eles e Seus inimigos que se esforçam para mantê-los fora! Como eles, por assim dizer, agonizam com toda a Sua força! Assim nós devemos buscar a nossa salvação, quando nos encontramos num caminho semelhante para obtê-la. Quão grande é a loucura então daqueles que se contentam em buscar com um espírito em forma fria e sem vida, e assim continuam de mês a mês, e de ano em ano, e ainda assim se gabam de que eles serão bem sucedidos!

Quanto mais eles continuam a ser reprovados, quem não está em um caminho de buscar a Sua salvação em absoluto, mas completamente negligenciam Suas preciosas almas, e atendem os deveres da religião não mais do que é apenas necessário para manter Seu crédito entre os homens; e em vez de pressionar em direção ao reino de Deus, estão mui violentamente pressionando em direção à Sua própria destruição e ruína, estando apressados e sendo dirigidos por Suas muitas e fortes concupiscências, como a manada de porcos se apressados pela legião de demônios, correram violentamente para baixo de um despenhadeiro em direção mar, perecendo nas águas! Mateus 8:32.


CONTINUA...

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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE
ESTUDO PARTE 001

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JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 009



O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).
Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

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A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”

– Lucas 22:44 –


CONTINUAÇÃO...

Em Segundo lugar, pelo que foi que Cristo buscou tão ardentemente de Deus nesta oração.

Eu respondo em uma frase: era que a vontade de Deus fosse feita, no que se refere aos Seus sofrimentos. Mateus oferece este relato expresso sobre isso, na própria linguagem da oração que foi já fora recitada várias vezes: “Meu Pai, se este cálice não pode passar de mim sem que eu o beba, seja feita Sua vontade!” Esta é uma entrega, e uma expressão de submissão; mas não é apenas isso. Tais palavras, “seja feita a Sua vontade”, como elas são mais comumente usadas, não são entendidas como uma súplica ou pedido, mas apenas como uma expressão de submissão. Mas as palavras nem sempre devem sempre ser entendidas neste sentido na Escritura, mas às vezes devem ser entendidas como um pedido. Assim, elas devem ser entendidas na terceira petição da Oração do Senhor “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Ali as palavras são compreendidas tanto como uma expressão de submissão, e também um pedido, como elas são explicados no Catecismo de Westminster, e assim as palavras devem ser entendidas aqui. O evangelista Marcos diz que Cristo saiu de novo e falou as mesmas palavras que Ele havia falado em Sua primeira oração (Marcos 14:39). Mas, então, nós devemos entender isso como as mesmas palavras da última parte de Sua primeira oração: “não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”, como mostra o relato mais completo e minucioso de Mateus. Assim que a coisa mencionada no texto, pelo que Cristo estava lutando com Deus nesta oração, era que a vontade de Deus fosse feita no que refere aos Seus sofrimentos.

Mas, então, outro inquérito pode surgir aqui, a saber: o que está implícito em Cristo orando para que a vontade de Deus fosse feita no que refere aos Seus sofrimentos? A isto eu respondo,

[1.] Isto implica um pedido para que Ele fosse fortalecido e apoiado, e habilitado para fazer a vontade de Deus, passando por esses sofrimentos. O mesmo como quando Ele diz: “Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade” [Hebreus 10:7]. Foi da vontade preceptiva de Deus que Ele tomasse esse cálice e bebesse; foi a ordem do Pai para Ele. O Pai lhe deu o cálice, e como que foi estabelecido diante dEle com a ordem que Ele deveria beber. Este foi o maior ato de obediência que Cristo devia executar. Ele ora por força e auxílio, para que a Sua pobre natureza humana fraca fosse apoiada, para que Ele não falhasse nessa grande prova, para que Ele não afundasse e fosse engolido, e que Sua força superasse em muito, que Ele não aguentasse, e terminasse a obediência indicada. Esta foi a única coisa que Ele temia, do qual o apóstolo fala no capítulo 5 de Hebreus, quando Ele diz, “ele foi ouvido quanto ao que temia”. Quando Ele teve um senso tão extraordinário do horror dos Seus sofrimentos impressos em Sua mente, o medo disso O assombrava. Ele estava com medo de que Sua pobre fraca força fosse superada, e que Ele falhasse em uma tão grande provação, que Ele fosse engolido por aquela morte que Ele estava para morrer, e assim, não fosse salvo da morte; e, portanto, Ele se ofereceu com grande clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de fortalecê-Lo, e aboiá-lo, e salvá-Lo da morte, para que a morte que devia sofrer não pudesse superar o Seu amor e obediência, mas que Ele pudesse vencer a morte, e ser salvo dela. Se a coragem de Cristo falhasse no teste, e Ele não resistisse sob Seus sofrimentos de morte, Ele nunca teria sido salvo da morte, mas Ele teria afundado no lamaçal profundo; Ele nunca teria ressuscitado dentre os mortos, pois a Sua ressurreição dos mortos foi uma recompensa por Sua vitória. Se Sua coragem houvesse falhado, e Ele tivesse desistido, Ele teria permanecido debaixo do poder da morte, e por isso todos nós teríamos perecido, teríamos ainda permanecido em nossos pecados. Se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado. Se Ele não tivesse superado esse conflito doloroso, nem Ele nem nós poderíamos ter sido libertados da morte, todos nós teríamos morrido juntos. Portanto, esta foi a preservação da morte que o apóstolo fala, que Cristo temia e orava, com grande clamor e lágrimas. Seu Ser superado pela morte era a única coisa que Ele temia, e por isso Ele foi ouvido quanto ao que temia. Este Cristo orou, para que a vontade de Deus fosse realizada em Seus sofrimentos, mesmo para que Ele não deixasse de obedecer a vontade de Deus em Seus sofrimentos; e, portanto, isso segue no versículo seguinte naquela passagem de Hebreus: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu”. Que foi a este respeito que Cristo em Sua agonia orou tão fervorosamente, para que a vontade de Deus fosse feita, ou seja, que Ele tivesse força para cumprir a Sua vontade, e não afundasse e falhasse em tais grandes sofrimentos; é confirmado pelas Escrituras do Antigo Testamento, como particularmente a partir do Salmo 69. O salmista representa a Cristo neste salmo, como é evidente pelo fato de que as palavras do salmo são representadas como as palavras de Cristo em muitos lugares do Novo Testamento. Esse salmo é representado como a oração de Cristo a Deus quando Sua alma estava profundamente triste e assombrada, como foi em Sua agonia; como você pode ver no 1º e 2º versículos: “Livra-me, ó Deus, pois as águas entraram até à minha alma. Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me leva”. Mas, então, a única coisa que é representada como sendo o que Ele temia, estava falhando, e sendo oprimido, nesta grande provação: Versículos 14 e 15: “Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me odeiam, e das profundezas das águas. Não me leve a corrente das águas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a Sua boca sobre mim”. Então, novamente no Salmo 22, que também é representado como a oração de Cristo sob Suas terríveis dores e sofrimentos, nos versículos 19, 20 e 21: “Mas tu, Senhor, não te alon-gues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão. Salva-me da boca do leão”. Mas foi oportuno e adequado que Cristo, quando prestes a se envolver em terrível conflito, buscasse, assim, sinceramente a ajuda de Deus para capacitá-lo a fazer a Sua vontade; pois Ele precisava da ajuda de Deus – a força de Sua natureza humana, sem a ajuda Divina, não era suficiente para sustentá-Lo completamente. Isto foi, sem dúvida, no que o primeiro Adão falhou em Sua primeira provação, de forma que quando a provação chegou, Ele não estava consciente de Sua própria fraqueza e dependência. Se Ele tivesse sido, e se inclinado em Deus, e clamado por Ele, por Sua ajuda e força contra a tentação, muito provavelmente teríamos permanecido criaturas inocentes e felizes até hoje.  

[2.] Isso implica um pedido para que a vontade e o propósito de Deus fossem obtidos nos efeitos e frutos de Seus sofrimentos, na glória de Seu nome, que foi o Seu projeto em si; e, particularmente, na glória de Sua Graça, na salvação eterna e bem-aventurança de Seus eleitos. Isto é confirmado por João 12:27-28: “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei”. Ali, o primeiro pedido é o mesmo primeiro pedido de Cristo aqui em semelhante tribulação: “Agora está a minha alma perturbada; e que direi eu Pai, salva-me desta hora” Ele ora em primeiro lugar, como Ele faz aqui, para que pudesse ser salvo de Seus últimos sofrimentos. Em seguida, depois que foi determinado dentro de si mesmo que a vontade de Deus era de outra forma, que Ele não fosse salvo daquela hora, “mas para isto”, diz Ele, “vim a esta hora”, e então, Seu segundo pedido após este é: “Pai, glorifica o teu nome!” Portanto, isto é, sem dúvida, o significado do segundo pedido em Sua agonia, quando Ele orou para que a vontade de Deus fosse feita. Isto é, que a vontade de Deus fosse feita naquela glória de Seu próprio Nome que Ele pretendia nos efeitos e frutos de Seus sofrimentos, para que, vendo que era Sua vontade que Ele deveria sofrer, Ele sinceramente ora para que a finalidade de Seu sofrimento, na glória de Deus e salvação dos eleitos, não pudesse falhar. E estas são as coisas pelo que Cristo tão sinceramente lutou com Deus em Sua oração, do que temos um relato no texto, e não temos nenhuma razão para pensar que eles não foram expressos em oração, bem como indicados. Não é razoável supor que o evangelista em Seu outro relato dos eventos mencione todas as palavras da oração de Cristo. Ele apenas menciona a substância.

III. Em que capacidade Cristo oferece aquelas orações fervorosas a Deus em Sua agonia?

Em resposta a este inquérito, observo que Ele lhes ofereceu não como uma pessoa particular, mas como sumo sacerdote. O apóstolo fala de grande clamor e lágrimas, como os que Cristo elevou como sumo sacerdote. Hebreus 5:6-7 “Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque. O qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas [...]” As coisas pelas quais Cristo orou naqueles fortes clamores, eram coisas que não possuem um caráter particular, mas de interesse comum a toda a Igreja da qual era o sumo sacerdote. Que a vontade de Deus fosse feita em Sua obediência até à morte, que Sua força e coragem não falhassem, mas que Ele suportasse, era de interesse comum; pois, se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado e pereceria para sempre. E é claro, que o fato de que o nome de Deus fosse glorificado nos efeitos e frutos de Seus sofrimentos, e na salvação e glória de todos os Seus eleitos, era algo de interesse comum. Cristo ofereceu aqueles fortes clamores com a Sua carne, da mesma maneira que os sacerdotes de antigamente tinham o costume de oferecer orações com os Seus sacrifícios. Cristo misturou grande clamor e lágrimas, com Seu sangue, e por isso ofereceu o Seu sangue e Suas orações em conjunto, para que o efeito e o sucesso de Seu sangue fossem obtidos. Tais intensas orações agonizantes foram oferecidas com o Seu sangue, e Seu sangue infinitamente precioso e meritório foi oferecido com as Suas orações.

IV. Por que Cristo foi tão intenso naquelas súplicas? Lucas fala delas como muito intensas; o apóstolo fala deles como grande clamor; e Sua agonia, em parte, consistiu nesta intensidade, e o relato que Lucas nos oferece, parece implicar que o Seu suor sangrento era, em parte, pelo menos, pelo grande trabalho e intenso sentido de Sua alma em lutar com Deus em oração. Havia três coisas que concorreram naquela época, especialmente para fazer com que Cristo fosse assim, intenso e comprometido.

[1.] Ele teve nessa ocasião um extraordinário senso de quão terrível a consequência seria, se a vontade de Deus deixasse de ser feita. Ele teve, então, um extraordinário senso de Seu próprio último sofrimento sob a Ira de Deus, e se Ele tivesse falhado naqueles sofrimentos, Ele sabia que a consequência seria terrível. Ele tem agora uma visão tão extraordinária do assombro da Ira de Deus, o Seu amor pelos eleitos tende a tornar mais do que ordinariamente sério que eles pudessem ser libertos do sofrimento daquela ira por toda a eternidade, o que não poderia ter sido se Ele tivesse falhado em fazer a vontade de Deus, ou se a vontade de Deus no efeito de Seu sofrimento houvesse falhado.

[2.] Não é de admirar que esse extraordinário senso que Cristo teve nessa ocasião do alto preço dos meios de salvação de pecadores, fê-lo muito intenso pelo sucesso desses meios, como você já ouviu.

[3.] Cristo teve um extraordinário senso de Sua dependência de Deus, e de Sua necessidade de Sua ajuda para capacitá-Lo a fazer a vontade de Deus nesta grande provação. Embora Ele fosse inocente, ainda assim Ele precisava de ajuda Divina. Ele era dependente de Deus, como homem, e, portanto, lemos que Ele confiava em Deus. Mateus 27:43: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus”. E quando Ele teve uma visão extraordinária do pavor daquela Ira que Ele devia sofrer, Ele viu o quanto isso estava além da força apenas de Sua natureza humana.

V. Qual foi o sucesso desta oração de Cristo?

A isso respondo, Ele obteve todos os Seus pedidos. O apóstolo diz: “Ele foi ouvido quanto ao que temia”; em tudo o que Ele temia. Ele obteve a força e a ajuda de Deus, tudo o que Ele precisava, e foi realizado. Ele foi capaz de cumprir e de sofrer toda a vontade de Deus; e obteve todo o fim de Seus sofrimentos – uma plena expiação pelos pecados de todo o mundo, e para a salvação completa para cada um daqueles que foram dados a Ele na promessa da Redenção, e tudo o que glorifica o nome de Deus, que em Sua mediação foi projetada para realizar, nem um jota ou um til falhou. Aqui Cristo em Sua agonia foi, acima de todos os outros, antítipo de Jacó, em Sua luta com Deus por uma bênção; em que Jacó o fez, não como uma pessoa particular, mas como chefe de Sua posteridade, a nação de Israel, e pelo que Ele obteve aquele louvor de Deus: “como príncipe lutaste com Deus” [Gênesis 32:28], e disso, foi um tipo daquele que era o Príncipe dos príncipes.

CONTINUA...

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