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segunda-feira, 8 de maio de 2017

SERMÃO PARA O DIA DAS MÃES 2017 - MARIA, UMA MÃE CHAMADA PELO PRÓPRIO DEUS


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TEXTO BASE: Lucas 1:34—38
Introdução

A. Quando olho para as mães, todas as mães, qualquer mãe, eu sei que a chamada Teoria da Evolução é uma grossa mentira. Se fosse verdadeira as mães já teriam desenvolvido bem mais que duas mãos!

B. Uma mãe foi colocar seu filho de quatro anos para dormir na véspera dele completar cinco anos. Ela disse para o filho que ele iria dormir com quatro anos, mas que acordaria na manhã seguinte com cinco. A mãe então perguntou para o filho se ele entendia o que ela estava dizendo? O filho balançou a cabeça que sim e mostrou os quatro dedos que estava acostumado a mostrar sempre que alguém perguntava a idade dele. Em seguida ele adicionou o polegar mostrando a mão para a mãe dizendo: amanhã eu vou estar com minha mão cheia!

C. Para todas vocês, mães, que estiveram, estão e estarão com suas mãos cheias, nos celebramos esse dia: o dia das mães.
D. Nossa igreja tem mães, avós e bisavós. Cada uma delas tem histórias e histórias para contar. E a Bíblia também está cheia de histórias acerca de mães e avós.

E. Talvez a mais emblemática de todas as histórias da Bíblia acerca das mães e avós, seja a que envolve Maria, porque a ela foi confiada uma importante missão, do mesmo modo como vocês também receberam uma importante missão relacionada a seus filhos, netos e bisnetos.

F. Nosso interesse hoje é buscarmos aprender com Maria, a mãe de Jesus, algumas verdades importantes que valem para todos, mas valem, especialmente para as mães. Vejamos:

MARIA, UMA MÃE CHAMADA PELO PRÓPRIO DEUS

I. Uma Mãe Chamada Por Deus se Submete à Vontade de Deus

A. Maria era apenas uma adolescente já engajada num compromisso de casamento, quando o anjo Gabriel lhe apareceu e lhe disse que ela tinha sido escolhida para ser a mãe do filho de Deus.

B. Depois de pedir esclarecimentos óbvios relativos àquela revelação, o que Maria fez? Ela disse as seguintes palavras:

Lucas 1:38

Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra.

C. Maria estava ansiosa? Com certeza. Maria tinha dúvidas acerca de suas próprias habilidades para executar tamanha tarefa? Qual mulher não teria? E ela era apenas uma adolescente. Como qualquer mãe aqui presente Maria estava apreensiva quanto ao futuro. Ela certamente desejava o melhor para seu filho, mas ela sabia que a vida reserva coisas boas, mas traz também situações desagradáveis.

D. O que realmente representava para Maria ser a mãe do Filho de Deus? Será que ela e ele seriam protegidos por forças especiais. Será que estariam isentos das dores pelas quais todas as mães e seus filhos e filhas precisam passar. A história nos revela o que se passou. Apesar de ser a mãe do Filho de Deus, Maria não foi preservada das dores mais angustiantes, como:

1. Ver a família dividida:

Marcos 3:20—21

20 Então, ele foi para casa. Não obstante, a multidão afluiu de novo, de tal modo que nem podiam comer.

21 E, quando os parentes de Jesus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

2. Acompanhar de perto a crucificação do próprio filho.

João 19:25

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

E. Essas são algumas das muitas situações desagradáveis que Maria teve que enfrentar como mãe. Mas o objetivo principal de Maria em sua vida não era evitar a dor e o sofrimento e sim fazer a vontade de Deus.

II. Uma Mãe Chamada Por Deus Não Precisa Ser Perfeita

A. Essa é uma verdade libertadora. Vocês que são, foram ou serão mães não recebem um chamado de Deus para serem perfeitas. Vocês recebem um chamado para serem mães.

B. Quando minha mãe engravidou pela terceira vez, ela já estava com 39 anos. Como ela tinha úlceras estomacais essa situação era agravada pela gravidez o que colocava em risco sua própria vida e a vida da criança. Por razões relacionadas à preservação da saúde dela, o médico recomendou que um aborto fosse feito. Até meu pai era a favor do aborto. Mas minha mãe tinha plena consciência do chamado que recebera de Deus e sua posição foi bem firme. Ela decidiu levar a gravidez até o final. Se algo acontecesse antes do final e ela viesse a perder a própria vida, ela estava resignada que aquela teria sido a vontade de Deus. Matar o filho que levava no ventre estava fora de qualquer cogitação para ela.

C. Ela levou a gravidez até o final. Depois de oito anos do nascimento do segundo filho, nasceu o terceiro. Minha mãe não era perfeita, mas ela não queria desobedecer a Deus tirando a vida de uma criança ainda não nascida.

D. Certamente Maria não era perfeita como o texto sagrado nos mostra com clareza. Mas Deus não esperava perfeição dela. Apenas obediência em meio às lutas da vida diária.

E. Como Maria, vocês também cometeram erros hoje mesmo. E cometerão outros amanhã e depois. No entanto, nada disso impede e nem impedirá que Deus ame e continue amando sempre vocês e acolhendo-as todas as vezes que vocês o procurarem.

F. A própria mulher virtuosa de Provérbios 31, que tantas vezes fez muitas mulheres desanimarem, por não poderem se equiparar com ela, é apenas fruto da imaginação do autor que escreveu um poema em forma de acróstico usando as 22 letras do idioma hebraico. A chave de como devemos entender o poema está, exatamente no primeiro versículo:

Provérbios 31:10

Mulher virtuosa, quem a achará?

G. Mulher perfeita assim, não existe.

III. Uma Mãe Chamada Por Deus Nunca Abandona Seu Compromisso

A. Como já foi mencionado, Maria estava ao lado da cruz em que Jesus estava crucificado. Mas essa cena verdadeira está muito longe das cenas que vemos em quadros ou vitais nas igrejas.  

B. Ali, aos pés da cruz Maria estava sofrendo vendo ao que tinham reduzido seu filho. Jesus, naqueles instantes era apenas uma figura pálida do homem dinâmico e brilhante que nos encanta nas páginas dos evangelhos. Naqueles instantes, certamente Maria ansiava por uma intervenção de Deus que a livrasse daquele sofrimento indescritível.

C. Aquele era certamente o momento que foi profetizado por Simeão logo após o nascimento de Jesus, quando disse:

Lucas 2:35

Também uma espada traspassará a tua própria alma.

D. Mas não existe nada nesse mundo que seja capaz de fazer uma mãe desistir de ser aquilo que ela é: MÃE. Uma mãe chamada por Deus nunca abandona suas responsabilidades como mãe.

E. Mães desse tipo podem ser encontradas nos hospitais, em velórios, na porta das penitenciárias. Em nenhuma condição, nem mesmo diante da morte, elas abandonam o chamado que receberam de Deus.

F. Mesmo em situações extremas, quando mães precisam abrir mão de seus filhos para que sejam adotados, porque isso é no melhor interesse da criança, ainda assim tal ato, tantas vezes incompreendido, é fruto do profundo amor que nutrem pelos filhos e filhas e desejam o melhor para eles.

G. Mães recebem um dom da parte de Deus que é a capacidade de amar seus filhos independentemente das circunstâncias. Nada, nesse mundo, pode ser comparado ao amor de uma mãe.

Conclusão.
A. Maria, ao decidir ser obediente ao chamado de Deus, teve a oportunidade de testemunhar o descortinar daquilo que Deus havia planejado antes da fundação do mundo: 
1. Ela testemunhou o nascimento do Filho de Deus. 
2. Ela acompanhou Seu ministério. 
3. Ela esteve perto do Filho quando o mesmo morria por nossos pecados. 
4. Ela se encheu de grande júbilo, junto com outros, quando Jesus ressuscitou dentre os mortos. 
5. Ela participou da inauguração da Nova Aliança por meio do derramamento do Espírito Santo como está registrado em Atos 2.
B. É um dom maravilhoso poder viver para ver o desenrolar da vida dos filhos. Algumas mães vivem o bastante para verem o desenvolvimento da vida de seus filhos até chegarem os netos e os bisnetos. Outras experimentam a dor da perda inoportuna. E outras ainda, partem cedo. Tudo é parte da vida que temos de viver. Nenhuma dessa coisas é extraordinária e única. 
C. Mães e seus filhos e filhas estão ligados pelo cordão umbilical. Eu creio que este vínculo permanece mesmo depois do nascimento. E quando mães e seus filhos e filhas conhecem a Jesus, o elo de ligação entre eles torna-se ainda mais forte! 
D. Nosso desejo é que vocês mães, avós e bisavó que estão presentes aqui hoje, sejam ricamente abençoadas por Deus e com a Sua ajuda cumpram fielmente o chamado que receberam.  
Deus abençoe a todas
Amém.
Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

sábado, 6 de agosto de 2016

A TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR JESUS - UMA EXEGESE DE MARCOS 9:1—8



MARCOS 9:1—8

1  Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.

2  Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado diante deles;

3  as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar.

4  Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus.

5  Então, Pedro, tomando a palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias.

6  Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados.

7  A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi.

8  E, de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus.

Introdução

A. O versículo de Marcos 9:1 inicia com estas palavras: Dizia-lhes ainda. Tais palavras indicam que o material que vem a seguir é considerado pelo próprio Jesus como parte duma afirmação solene dentro dum discurso mais amplo, do qual apenas os pontos mais importantes foram preservados.

B. O conteúdo de Marcos 9:1 executa uma função importante na passagem que se inicia em Marcos 8:34 e termina, exatamente, aqui.

C. A passagem de Marcos 8:34—38 pode ser resumida da seguinte maneira:

1. O chamado para uma vida de consagração consciente e responsável diante de Deus — verso 34 — é imediatamente seguido pelo contraste apresentado entre o indivíduo que preserva sua vida à custa de negar o Senhor Jesus, e aquela outra pessoa que perde sua vida — por meio duma morte violenta, inclusive — por sua firmeza em confessar tanto a Jesus como o verdadeiro Evangelho da graça de Deus — verso 35.

2. Os próximos três versículos — Marcos 8:36—38 — explicam as consequências de negar a Cristo e o Evangelho. Negar a Cristo e o Evangelho equivale a perder a própria vida. Todavia, tal explicação, vem apenas por meio de implicações indiretas.

3. Jesus não espera nada menos que um compromisso absoluto da parte dos seus seguidores, diante das exigências que Ele faz. Isso fica bem claro em Marcos 9:1.

4. Por outro lado, a fantástica profecia anunciada por Cristo em Marcos 9:1 serve de conforto para aqueles que atendem ao chamado de Cristo, e que se importam com o custo de seguir o Mestre. Os que pretendem seguir a Jesus, fielmente, devem estar prontos para serem perseguidos e até mortos, por causa de sua lealdade.

2 Timóteo 3:12

Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.

5. Mas, tal situação será algo passageiro e alguns dentre eles terão a oportunidade de ver o Reino de Deus se manifestar em glória e poder.

C. Quando Cristo diz: Em verdade vos afirmo, Ele garante a veracidade de suas palavras. A promessa que será feita em seguida está profundamente arraigada na mais absoluta certeza.

D. No Evangelho de Marcos existe uma notável proximidade entre a Pessoa e Obra do Senhor Jesus e o Reino de Deus. O Reino de Deus foi aproximado dos seres humanos pela manifestação de Jesus, Sua autoridade e poder em confrontar os poderes que são hostis a Deus. Tudo isso marca a presença real, ainda que profética, do Reino de Deus entre nós.

E. Assim temos que o reino de Deus vindo em poder é equivalente à vida do Filho do Homem vindo em glória.

F. Tudo isso aponta para resolver, definitivamente a ambiguidade representada pelo sofrimento e humilhação pelos quais o Filho de Deus precisa passar e o desprezo e a perseguição que o povo de Deus precisa experimentar. Tal ambiguidade será resolvida quando o Reino de Deus se manifestar com poder e o Filho do Homem se manifestar em glória.

G. O caráter humilde da manifestação terrena do Senhor Jesus é contrastado com sua manifestação gloriosa — Marcos 8:38 e Marcos 9:1. E aqueles que agora compartilham das humilhações do Senhor Jesus, certamente, compartilharão da sua glória.

H. Analisemos então, essa maravilhosa promessa de Jesus e sua fulgurante transfiguração...
A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS E SEU SIGNIFICADO PERENE

I. A FANTÁSTICA PROFECIA FEITA POR JESUS EM MARCOS 9:1

A. Em Marcos 9:1 Jesus afirma que alguns dentre os discípulos que estavam com Jesus, naquele momento, jamais passariam pela morte, sem que antes tivessem a oportunidade de experimentar a presença do Reino de Deus em todo seu poder.

B. Essa promessa profética de Jesus tem sido motivo de muita discussão e de muitas falsas e pesadas acusações contra a veracidade de Jesus e da própria Bíblia. Mas tudo isso acontece por um simples motivo: as pessoas não prestam atenção naquilo que estão lendo, e assim, é fácil pular para as conclusões mais estapafúrdias possíveis.

C. A promessa profética feita por Jesus tem seu cumprimento, poucos dias depois, no texto a seguir — Marcos 9:2—8 — na transfiguração de Jesus. Que o caso é, exatamente esse, é confirmado pelas palavras do apóstolo Pedro em:

2 Pedro 1:16—18

16 Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade,

17 pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo.

18 Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo.

D. Devemos notar o claro paralelo que existe ente os termos foi transfigurado — μετεμορφώθη metemorfóthe — em Marcos e vindaπαρουσίανparousían — em 2 Pedro 1:16.

E. A transfiguração de Cristo, apesar de ser algo momentâneo, apontava para algo definitivo: isto é, sua vinda com poder e grande glória[1]. E essa verdade deve servir de consolo para os crentes de todas as épocas. Sim, a vinda do Senhor Jesus é algo absolutamente certo. A vinda do Senhor Jesus também serve de advertência para todos aqueles que amam mais suas vidas e não desejam sacrificá-las por amor a Cristo. Em Sua vinda Jesus irá trazer consolo para os seus e será juiz de todos os que não são seus.

II. A Transfiguração: A Glória Manifesta do Filho de Deus — Marcos 9:2—8
Introdução

A. No Evangelho de Marcos, a transfiguração representa uma manifestação dramática da glória resplandecente que pertence, exclusivamente, a Jesus como o Filho Unigênito de Deus.

B. A transfiguração de Jesus aponta para o grande dia quando o Senhor se manifestará como o Juiz escatológico que virá julgar todos os vivos e os mortos. Aponta também para os seguidores de Jesus, o seguinte: Aquele a quem eles seguem em meio a muitas humilhações e sofrimento é, de fato, o Filho do Homem, que está destinado a voltar na glória de seu Pai com os santos anjos.

C. A gloriosa transfiguração de Jesus serve como confirmação para as Palavras de Pedro, proferidas dias antes, quando disse —

Marcos 8:29

Então, lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? Respondendo, Pedro lhe disse: Tu é o Cristo.

E também como confirmação para as Palavras do próprio Jesus quando falou acerca de seus sofrimentos e sua vindicação em:

Marcos 8:31

Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse.

D. Mas, acima de tudo, a cena da transfiguração, como iremos demonstrar, se identifica mais com as teofanias — manifestações do próprio Deus — realizadas no monte Sinai ou Horebe, envolvendo Moisés e Elias, que, não por acaso, também estão presentes na transfiguração.

III. A Transfiguração Propriamente Dita — Marcos 9:2—3

A. A menção de seis dias depois é incomum e deve ser notada como tendo a intenção de chamar nossa atenção para um evento muito especial, como a Transfiguração não poderia deixar de ser. Os seis dias, provavelmente fazem referência a todos os ensinamentos descritos anteriormente, começando com a grande confissão de Pedro.

B. A transfiguração de Jesus diante de três de seus discípulos — Pedro, Tiago e João — é uma teofania que manifesta a vinda do Reino de Deus em poder. Os seis dias e a luminosidade mencionada, certamente, faz referência a algo semelhante acontecido no monte Sinai conforme —

Êxodo 24:16—17

16 E a glória do SENHOR pousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; ao sétimo dia, do meio da nuvem chamou o SENHOR a Moisés.

17 O aspecto da glória do SENHOR era como um fogo consumidor no cimo do monte, aos olhos dos filhos de Israel.

C. A escolha de Pedro, Tiago e João como testemunhas da transfiguração reflete a relação especial que mantinham com o Senhor Jesus, conforme outras passagens do próprio Evangelho de Marcos parecem indicar: 5:37; 13:3; 14:33.

D. A expressão um alto monte nos remete às teofanias no Sinai ou Horebe, conforme Êxodo 24 e 1 Reis 19. Foi naquele monte, em ocasiões diferentes que Moisés e Elias receberam revelações vinda diretamente de Deus.

E. Dante dos olhos dos discípulos a aparência de Jesus foi alterada de forma perceptível, de modo que refletia o mundo transfigurado. Por um breve instante o véu da humanidade foi removido e Jesus pode ser visto como o verdadeiro ser de pura luz que é. Tal luminosidade é uma manifestação da glória que é pertinente ao próprio Deus, com exclusividade. Foi acerca dessa visão que João disse o seguinte:

João 1:14

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

F. A Glória manifestada por Jesus representava uma antecipação da glória futura da eternidade. Naquele instante os discípulos tiveram um vislumbre do grande mistério representado pela vinda do Senhor. A vinda do Senhor Jesus será superior a todo e qualquer tipo de revelação anterior, superior, até mesmo, a grandiosa manifestação de Deus no monte Sinai.

IV. A Presença de Moisés e Elias — Marcos 9:4

A. A presença de Moisés e Elias é bastante apropriada. Os dois tiveram experiências marcantes com Deus no Sinai ou Horebe. E agora estão aqui para testemunhar a favor do caráter e da missão de Jesus.

B. Moisés foi figura fundamental no Êxodo e Jesus é o representante, por excelência do segundo Êxodo, da libertação do povo de Deus da escravidão ao pecado e ao diabo.

João 8:36

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

C. Elias ficou conhecido como o restaurador que conduziu o povo de Israel de volta para Deus e Jesus é o restaurador por excelência. Ele irá conduzir o povo de Deus nos caminhos do próprio Deus, pois Ele mesmo, Jesus, é o caminho que conduz ao Pai.

D. Desse modo, a presença de Moisés e Elias se reveste dum significado especialmente escatológico, já que Cristo é aquele que cumpre todas as promessas feitas no Antigo Testamento, conforme afirma o apóstolo Paulo em —

2 Coríntios 1:20

Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio.

V. A Impulsividade de Pedro — Marcos 9:5—6

A. O texto é bem claro. Toda aquela revelação em andamento, não era motivo de júbilo irracional da parte dos discípulos, mas de verdadeiro pavor. O texto de Marcos diz, literalmente, que eles estavam aterrados. Ou seja, eles estavam diante de algo que lhes provocava verdadeiro terror. Isso certamente se devia ao fato deles reconhecerem que a manifestação em glória do Messias e do Reino de Deus em poder, representava a chegada do justo juízo de Deus.

B. Os apóstolos não sabiam o que dizer. Todavia, Pedro foi capaz de reconhecer a presença de Elias e de Moisés e então, como era mesmo do seu feitio, se atreveu a fazer uma surpreendente proposta.

C. Apesar de estar com muito medo, Pedro ainda assim, entendia o valor daquela situação, pelo ângulo da consolação. Ele entendia que estava desfrutando na terra, de preciosos momentos da eternidade. Daí, sua intenção de tentar prolongar, o quanto possível, aqueles instantes.

D. As palavras de Pedro, todavia, refletem sua falha em entender que a transfiguração era apenas uma mera antecipação da glória futura e que essa glória futura estava reservada para todo o povo de Deus e não para algumas pessoas apenas.

E. Além do mais, a concretização da manifestação da glória futura, de forma absoluta, só seria possível por meio da consumação da obra salvadora e sacrificial de Cristo a favor do povo de Deus. A travessia custosa do deserto ainda não tinha terminado, mesmo com a gloriosa transfiguração do Senhor Jesus.

VI. A Nuvem de Glória e Voz Vinda do Céu — Marcos 9:7

A. A Nuvem mencionada nesse verso cumpre os dois seguintes propósitos:

1. Ela revela a glória de Deus de forma que possa ser percebida pelos olhos humanos.

2. Ela oculta a verdadeira manifestação da glória de Deus, de modo que os seres humanos não sejam destruídos.

B. A voz ouvida no meio da nuvem que os envolvia é a voz do próprio Deus que vem, mais uma vez, reafirmar Sua plena aprovação das ações de Seu Filho Unigênito, confirmando com isso, a dignidade transcendente do Filho, apesar dele ter assumido a forma de servo, conforme predito em Isaías 53 e confirmado depois pelo apóstolo Paulo em Filipenses 2:5–11.

C. Jesus é a única pessoa que desfruta da permanente e inquebrantável presença e aprovação de Deus, o Pai.

D. Por causa de Sua condição especial como Filho Unigênito do Pai e da comunhão e aprovação desfrutada por Jesus, os discípulos são exortados, pelo Pai, a ouvirem e obedecerem ao que Jesus falar.

E. Jesus é a própria Palavra de Deus — Ele é o Verbo de Deus — e, por isso, Sua revelação deve ser ouvida com toda atenção e empenho e colocada em prática.

F. O próprio Moisés profetizou acerca de Jesus dizendo:

Deuteronômio 18:15—18

15 O SENHOR, teu Deus, te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás,

16 segundo tudo o que pediste ao SENHOR, teu Deus, em Horebe, quando reunido o povo: Não ouvirei mais a voz do SENHOR, meu Deus, nem mais verei este grande fogo, para que não morra.

17 Então, o SENHOR me disse: Falaram bem aquilo que disseram.

18 Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.

G. Jesus foi, nesse sentido, o derradeiro profeta enviado pelo Deus ETERNO.

VII. A Única Resposta Apropriada Diante de Toda Essa Revelação — Marcos 9:8

A. Do mesmo modo súbito como havia aparecido, assim também, de modo repentino, a nuvem, a voz, Moisés, Elias e todo o resplendor desapareceram e os discípulos se viram diante apenas da pessoa de Jesus, como o novo portador da grande revelação a ser manifestada por meio da cruz e da ressurreição.

B. Moisés e Elias eram exemplos dignos do Antigo Testamento, mas agora não tinham nada que eles pudessem fazer para ajudar a Jesus a terminar a travessia pelo deserto dessa vida. A obediência da cruz era uma responsabilidade que o Filho de Deus precisava cumprir sozinho, sem o auxílio de quem quer que fosse.

C. A transfiguração, todavia, trouxe uma revelação adicional: Jesus é o verdadeiro tabernáculo onde habita a glória divina. A revelação trazida por Jesus é superior a todas as outras manifestações anteriores.

D. Essas foram as verdades que confrontaram os discípulos quando se depararam, novamente, sozinhos com Jesus.

E. E essas mesmas verdades devem nos consolar e nos sustentar pelos próximos anos, enquanto comunidade local e Igreja do Senhor Jesus.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.




[1] Ridderbos, H. N. The Coming of The Kingdom. The Presbyterian and Reformed Publishing Company, Philadelphia, 1976.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 009



O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).
Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

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A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”

– Lucas 22:44 –


CONTINUAÇÃO...

Em Segundo lugar, pelo que foi que Cristo buscou tão ardentemente de Deus nesta oração.

Eu respondo em uma frase: era que a vontade de Deus fosse feita, no que se refere aos Seus sofrimentos. Mateus oferece este relato expresso sobre isso, na própria linguagem da oração que foi já fora recitada várias vezes: “Meu Pai, se este cálice não pode passar de mim sem que eu o beba, seja feita Sua vontade!” Esta é uma entrega, e uma expressão de submissão; mas não é apenas isso. Tais palavras, “seja feita a Sua vontade”, como elas são mais comumente usadas, não são entendidas como uma súplica ou pedido, mas apenas como uma expressão de submissão. Mas as palavras nem sempre devem sempre ser entendidas neste sentido na Escritura, mas às vezes devem ser entendidas como um pedido. Assim, elas devem ser entendidas na terceira petição da Oração do Senhor “seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”. Ali as palavras são compreendidas tanto como uma expressão de submissão, e também um pedido, como elas são explicados no Catecismo de Westminster, e assim as palavras devem ser entendidas aqui. O evangelista Marcos diz que Cristo saiu de novo e falou as mesmas palavras que Ele havia falado em Sua primeira oração (Marcos 14:39). Mas, então, nós devemos entender isso como as mesmas palavras da última parte de Sua primeira oração: “não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”, como mostra o relato mais completo e minucioso de Mateus. Assim que a coisa mencionada no texto, pelo que Cristo estava lutando com Deus nesta oração, era que a vontade de Deus fosse feita no que refere aos Seus sofrimentos.

Mas, então, outro inquérito pode surgir aqui, a saber: o que está implícito em Cristo orando para que a vontade de Deus fosse feita no que refere aos Seus sofrimentos? A isto eu respondo,

[1.] Isto implica um pedido para que Ele fosse fortalecido e apoiado, e habilitado para fazer a vontade de Deus, passando por esses sofrimentos. O mesmo como quando Ele diz: “Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus, a tua vontade” [Hebreus 10:7]. Foi da vontade preceptiva de Deus que Ele tomasse esse cálice e bebesse; foi a ordem do Pai para Ele. O Pai lhe deu o cálice, e como que foi estabelecido diante dEle com a ordem que Ele deveria beber. Este foi o maior ato de obediência que Cristo devia executar. Ele ora por força e auxílio, para que a Sua pobre natureza humana fraca fosse apoiada, para que Ele não falhasse nessa grande prova, para que Ele não afundasse e fosse engolido, e que Sua força superasse em muito, que Ele não aguentasse, e terminasse a obediência indicada. Esta foi a única coisa que Ele temia, do qual o apóstolo fala no capítulo 5 de Hebreus, quando Ele diz, “ele foi ouvido quanto ao que temia”. Quando Ele teve um senso tão extraordinário do horror dos Seus sofrimentos impressos em Sua mente, o medo disso O assombrava. Ele estava com medo de que Sua pobre fraca força fosse superada, e que Ele falhasse em uma tão grande provação, que Ele fosse engolido por aquela morte que Ele estava para morrer, e assim, não fosse salvo da morte; e, portanto, Ele se ofereceu com grande clamor e lágrimas, Àquele que era capaz de fortalecê-Lo, e aboiá-lo, e salvá-Lo da morte, para que a morte que devia sofrer não pudesse superar o Seu amor e obediência, mas que Ele pudesse vencer a morte, e ser salvo dela. Se a coragem de Cristo falhasse no teste, e Ele não resistisse sob Seus sofrimentos de morte, Ele nunca teria sido salvo da morte, mas Ele teria afundado no lamaçal profundo; Ele nunca teria ressuscitado dentre os mortos, pois a Sua ressurreição dos mortos foi uma recompensa por Sua vitória. Se Sua coragem houvesse falhado, e Ele tivesse desistido, Ele teria permanecido debaixo do poder da morte, e por isso todos nós teríamos perecido, teríamos ainda permanecido em nossos pecados. Se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado. Se Ele não tivesse superado esse conflito doloroso, nem Ele nem nós poderíamos ter sido libertados da morte, todos nós teríamos morrido juntos. Portanto, esta foi a preservação da morte que o apóstolo fala, que Cristo temia e orava, com grande clamor e lágrimas. Seu Ser superado pela morte era a única coisa que Ele temia, e por isso Ele foi ouvido quanto ao que temia. Este Cristo orou, para que a vontade de Deus fosse realizada em Seus sofrimentos, mesmo para que Ele não deixasse de obedecer a vontade de Deus em Seus sofrimentos; e, portanto, isso segue no versículo seguinte naquela passagem de Hebreus: “Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu”. Que foi a este respeito que Cristo em Sua agonia orou tão fervorosamente, para que a vontade de Deus fosse feita, ou seja, que Ele tivesse força para cumprir a Sua vontade, e não afundasse e falhasse em tais grandes sofrimentos; é confirmado pelas Escrituras do Antigo Testamento, como particularmente a partir do Salmo 69. O salmista representa a Cristo neste salmo, como é evidente pelo fato de que as palavras do salmo são representadas como as palavras de Cristo em muitos lugares do Novo Testamento. Esse salmo é representado como a oração de Cristo a Deus quando Sua alma estava profundamente triste e assombrada, como foi em Sua agonia; como você pode ver no 1º e 2º versículos: “Livra-me, ó Deus, pois as águas entraram até à minha alma. Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundeza das águas, onde a corrente me leva”. Mas, então, a única coisa que é representada como sendo o que Ele temia, estava falhando, e sendo oprimido, nesta grande provação: Versículos 14 e 15: “Tira-me do lamaçal, e não me deixes atolar; seja eu livre dos que me odeiam, e das profundezas das águas. Não me leve a corrente das águas, e não me absorva ao profundo, nem o poço cerre a Sua boca sobre mim”. Então, novamente no Salmo 22, que também é representado como a oração de Cristo sob Suas terríveis dores e sofrimentos, nos versículos 19, 20 e 21: “Mas tu, Senhor, não te alon-gues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me. Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão. Salva-me da boca do leão”. Mas foi oportuno e adequado que Cristo, quando prestes a se envolver em terrível conflito, buscasse, assim, sinceramente a ajuda de Deus para capacitá-lo a fazer a Sua vontade; pois Ele precisava da ajuda de Deus – a força de Sua natureza humana, sem a ajuda Divina, não era suficiente para sustentá-Lo completamente. Isto foi, sem dúvida, no que o primeiro Adão falhou em Sua primeira provação, de forma que quando a provação chegou, Ele não estava consciente de Sua própria fraqueza e dependência. Se Ele tivesse sido, e se inclinado em Deus, e clamado por Ele, por Sua ajuda e força contra a tentação, muito provavelmente teríamos permanecido criaturas inocentes e felizes até hoje.  

[2.] Isso implica um pedido para que a vontade e o propósito de Deus fossem obtidos nos efeitos e frutos de Seus sofrimentos, na glória de Seu nome, que foi o Seu projeto em si; e, particularmente, na glória de Sua Graça, na salvação eterna e bem-aventurança de Seus eleitos. Isto é confirmado por João 12:27-28: “Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora. Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei”. Ali, o primeiro pedido é o mesmo primeiro pedido de Cristo aqui em semelhante tribulação: “Agora está a minha alma perturbada; e que direi eu Pai, salva-me desta hora” Ele ora em primeiro lugar, como Ele faz aqui, para que pudesse ser salvo de Seus últimos sofrimentos. Em seguida, depois que foi determinado dentro de si mesmo que a vontade de Deus era de outra forma, que Ele não fosse salvo daquela hora, “mas para isto”, diz Ele, “vim a esta hora”, e então, Seu segundo pedido após este é: “Pai, glorifica o teu nome!” Portanto, isto é, sem dúvida, o significado do segundo pedido em Sua agonia, quando Ele orou para que a vontade de Deus fosse feita. Isto é, que a vontade de Deus fosse feita naquela glória de Seu próprio Nome que Ele pretendia nos efeitos e frutos de Seus sofrimentos, para que, vendo que era Sua vontade que Ele deveria sofrer, Ele sinceramente ora para que a finalidade de Seu sofrimento, na glória de Deus e salvação dos eleitos, não pudesse falhar. E estas são as coisas pelo que Cristo tão sinceramente lutou com Deus em Sua oração, do que temos um relato no texto, e não temos nenhuma razão para pensar que eles não foram expressos em oração, bem como indicados. Não é razoável supor que o evangelista em Seu outro relato dos eventos mencione todas as palavras da oração de Cristo. Ele apenas menciona a substância.

III. Em que capacidade Cristo oferece aquelas orações fervorosas a Deus em Sua agonia?

Em resposta a este inquérito, observo que Ele lhes ofereceu não como uma pessoa particular, mas como sumo sacerdote. O apóstolo fala de grande clamor e lágrimas, como os que Cristo elevou como sumo sacerdote. Hebreus 5:6-7 “Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque. O qual, nos dias da Sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas [...]” As coisas pelas quais Cristo orou naqueles fortes clamores, eram coisas que não possuem um caráter particular, mas de interesse comum a toda a Igreja da qual era o sumo sacerdote. Que a vontade de Deus fosse feita em Sua obediência até à morte, que Sua força e coragem não falhassem, mas que Ele suportasse, era de interesse comum; pois, se Ele tivesse falhado, tudo teria falhado e pereceria para sempre. E é claro, que o fato de que o nome de Deus fosse glorificado nos efeitos e frutos de Seus sofrimentos, e na salvação e glória de todos os Seus eleitos, era algo de interesse comum. Cristo ofereceu aqueles fortes clamores com a Sua carne, da mesma maneira que os sacerdotes de antigamente tinham o costume de oferecer orações com os Seus sacrifícios. Cristo misturou grande clamor e lágrimas, com Seu sangue, e por isso ofereceu o Seu sangue e Suas orações em conjunto, para que o efeito e o sucesso de Seu sangue fossem obtidos. Tais intensas orações agonizantes foram oferecidas com o Seu sangue, e Seu sangue infinitamente precioso e meritório foi oferecido com as Suas orações.

IV. Por que Cristo foi tão intenso naquelas súplicas? Lucas fala delas como muito intensas; o apóstolo fala deles como grande clamor; e Sua agonia, em parte, consistiu nesta intensidade, e o relato que Lucas nos oferece, parece implicar que o Seu suor sangrento era, em parte, pelo menos, pelo grande trabalho e intenso sentido de Sua alma em lutar com Deus em oração. Havia três coisas que concorreram naquela época, especialmente para fazer com que Cristo fosse assim, intenso e comprometido.

[1.] Ele teve nessa ocasião um extraordinário senso de quão terrível a consequência seria, se a vontade de Deus deixasse de ser feita. Ele teve, então, um extraordinário senso de Seu próprio último sofrimento sob a Ira de Deus, e se Ele tivesse falhado naqueles sofrimentos, Ele sabia que a consequência seria terrível. Ele tem agora uma visão tão extraordinária do assombro da Ira de Deus, o Seu amor pelos eleitos tende a tornar mais do que ordinariamente sério que eles pudessem ser libertos do sofrimento daquela ira por toda a eternidade, o que não poderia ter sido se Ele tivesse falhado em fazer a vontade de Deus, ou se a vontade de Deus no efeito de Seu sofrimento houvesse falhado.

[2.] Não é de admirar que esse extraordinário senso que Cristo teve nessa ocasião do alto preço dos meios de salvação de pecadores, fê-lo muito intenso pelo sucesso desses meios, como você já ouviu.

[3.] Cristo teve um extraordinário senso de Sua dependência de Deus, e de Sua necessidade de Sua ajuda para capacitá-Lo a fazer a vontade de Deus nesta grande provação. Embora Ele fosse inocente, ainda assim Ele precisava de ajuda Divina. Ele era dependente de Deus, como homem, e, portanto, lemos que Ele confiava em Deus. Mateus 27:43: “Confiou em Deus; livre-o agora, se o ama; porque disse: Sou Filho de Deus”. E quando Ele teve uma visão extraordinária do pavor daquela Ira que Ele devia sofrer, Ele viu o quanto isso estava além da força apenas de Sua natureza humana.

V. Qual foi o sucesso desta oração de Cristo?

A isso respondo, Ele obteve todos os Seus pedidos. O apóstolo diz: “Ele foi ouvido quanto ao que temia”; em tudo o que Ele temia. Ele obteve a força e a ajuda de Deus, tudo o que Ele precisava, e foi realizado. Ele foi capaz de cumprir e de sofrer toda a vontade de Deus; e obteve todo o fim de Seus sofrimentos – uma plena expiação pelos pecados de todo o mundo, e para a salvação completa para cada um daqueles que foram dados a Ele na promessa da Redenção, e tudo o que glorifica o nome de Deus, que em Sua mediação foi projetada para realizar, nem um jota ou um til falhou. Aqui Cristo em Sua agonia foi, acima de todos os outros, antítipo de Jacó, em Sua luta com Deus por uma bênção; em que Jacó o fez, não como uma pessoa particular, mas como chefe de Sua posteridade, a nação de Israel, e pelo que Ele obteve aquele louvor de Deus: “como príncipe lutaste com Deus” [Gênesis 32:28], e disso, foi um tipo daquele que era o Príncipe dos príncipes.

CONTINUA...

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