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sábado, 3 de janeiro de 2015

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA DE PAULO - PARTE 001



Reprodução de Paulo em uma de suas pregações

ESSA É UMA SÉRIE DE ESTUDOS QUE VISA ABORDAR DA MANEIRA COMO CONSIDERAMOS APROPRIADA A IMPORTANTE QUESTÃO RELATIVA À RESSURREIÇÃO DE CRISTO. TOMANDO COMO BASE AS OBRAS DE GEERHARDUS VOS E HERMAN RIDDERBOS NOSSA INTENÇÃO É MOSTRAR A CENTRALIDADE DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO NA TEOLOGIA PAULINA.

ATENÇÃO: O material contido nesses estudos foi, em grande parte, adaptado da notas de aula e da apostila fornecida pelo professor Dr. Richard B. Gaffin em sua aula de teologia que explorou a importância da ressurreição de Jesus para a Teologia Paulina. Todas as vezes que o material mostrou-se insuficiente devido os anos que já se passaram, os lapsos foram preenchidos pelo editor do Grande Diálogo. O Dr. Gaffin, além de professor tornou-se um amigo a quem tivemos a oportunidade de receber em nossa casa, acompanhado de sua esposa, quando morávamos na cidade da Filadélfia nos EUA.

INTRODUÇÃO

Ao contrário do que muitos imaginam e praticam, especialmente no meio chamado evangélico, e até mesmo no meio de muitas igreja históricas e inclusive reformadas, com pastores formados em instituições periféricas e em cursos de 1 ano ou 1 ano e meio de duração, com aulas somente aos sábados, ou aulas exclusivamente à distância, a interpretação das Sagradas Escrituras nunca acontece em uma espécie de vácuo. Existe de fato um conjunto de variáveis de todas as ordens que fazem sentir seu peso apropriado, todas as vezes que nos dedicamos com respeito ao trabalho da hermenêutica e exegese.

De tudo o que podemos mencionar, existem dois fatores fundamentais e muito importantes nesse processo todo.

1. A teologia Reformada sempre foi encarada como sendo distintivamente paulina em sua essência. Como isso, queremos dizer que, no que diz respeito à teologia Reformada e sua relação com os ensinamentos paulinos a mesma é sempre mais sensível ao que o apóstolo Paulo produziu do que outras tradições. Isso é espacialmente verdadeiro quando falamos da profundidade dos motivos e das tendências dos ensinamentos de Paulo bem como de uma maior consistência da expressão desses mesmos ensinamentos.

Um dos aspectos mais profundos do que estamos falando tem a ver com a teologia da ressurreição, cujas principais obras, até o dia de hoje foram e continuam sendo produzidas por indivíduos de fé solidamente reformada. Entre esses nomes podemos citar:  Herman Bavink, Rudolf Bultmann, Kurt Deissner,  N. Q.Hamilton, Johann Wilhelm Hermann, Charles Hodge, Werner Kramer, Abraham Kuyper, John Murray, Herman Ridderbos, Enrich Schäder, Albert Schweitzer, Geerhardus Vos e Benjamin  Warfield.

Talvez alguém se pergunte, por que no meio de tantos teólogos, de tantas denominações, tão pouco está escrito acerca da “Ressurreição de Cristo”? Um dos principais motivos é que a ressurreição de Cristo, quase sempre foi entendida como parte do todo do processo soteriológico — processo de salvação. Ou seja, como parte daquilo se aplica ao indivíduo para sua salvação pessoal. Aspectos forenses, especialmente a doutrina da justificação pela fé, têm sido considerados como centrais em todo o processo envolvendo a ressurreição de Jesus.

Por outro lado, o foco da Cristologia — o ensino acerca da vida e obra da pessoa do Senhor Jesus Cristo — foi sendo entendido, quase que exclusivamente, como fazendo apenas referências ao seu sofrimento e morte como expiação pelos nossos pecados. O interesse acerca da ressurreição de Jesus, em sua maior parte, só pode ser encontrado atrelado a idéias apologéticas — ensinamentos relativos à defesa da fé — e como um estímulo para a fé. Uma vez tendo recebido tão pouco interesse em si mesma, não foi difícil para a ressurreição de Jesus ser vista apenas como um selo que permite aplicar, com maior facilidade, a redenção produzida pela morte de Cristo.

O segundo aspecto tem a ver com o fato que nas últimas décadas a abordagem bíblico-teológica no meio dos círculos Reformados foi marcada por uma negação da validade da inspiração e da unidade das Escrituras. Isso também aconteceu com a teologia pentecostal, de modo geral, e assim criou-se o vácuo que mencionamos no início do artigo, mas que não passa apenas de uma grande ilusão. Um engano mortal e destruidor que aos poucos vai se revelando devastador tanto para a teologia pentecostal quanto para a teologia reformada.

São bem poucos os estudiosos ortodoxos que têm reconhecido que a revelação bíblica tem chagado até nós por meio de um processo de desenvolvimento orgânico, como verdadeira história em seus fatos e acompanhada da palavra de revelação de Deus que explica os fatos históricos. O êxodo dos judeus deixando o Egito, talvez seja um dos momentos mais emblemáticos do que estamos afirmando. Temos o evento histórico – o êxodo — e temos a revelação divina que explica o mesmo! Isso nos obriga a tratar tanto os autores bíblicos como o material escrito na Bíblia com a mais profunda reverência, totalmente isenta de afirmações absurdas — geralmente vindas do meio reformado — bem como do besteirol sem fim produzido pelo meio pentecostal e evangélico.

No meio Reformado nós só podemos encontrar dois livros que tratam a obra de Paulo de forma compreensiva. Por favor, não confunda a tradição Reformada com outras tradições que também produziram obras nessa mesma linha. Mas da perspectiva Reformada nós só podemos citar as seguintes obras:

1. The Pauline Eschatology – Twin Brooks Series. Geerhardus Vos, Baker Book House, Grand Rapids, 1979.

2. Paulus: Ontwerp van zinj theologie. Norman Ridderbos, J. H. Kok, Kampen, 1966.

Outras obras produzidas por outras tradições incluem:

1. The Theology of Paul. James d. Dunn, William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1998.

2. Life and the Epistles of St. Paul. W. J. Conybeare e J. S. Howson,William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1953.

3. Paul: Apostle of the Herat Set Free. F. F. Bruce, William B. Eerdmans Publishing Company. Grand Rapids, 1977.

4. Paulo: Vida e Pensamento. Udo Schnelle, PAULUS e Editora Academia Cristã, São Paulo e Santo André, 2010.

Voltando a Vos e Ridderbos, é importante notarmos que, de forma independente, os dois chegaram a uma mesma conclusão. É óbvio que Ridderbos tinha conhecimento da obra de Vos cuja primeira edição foi publicada em 1930, mas sua dependência do material produzido décadas antes é mínima. A conclusão que eles alcançaram marcou profundamente o entendimento Reformado desde então no que diz respeito ao todo da Teologia Paulina. De acordo com Vos e Ridderbos o centro da mensagem paulina não pode ser encontrado na doutrina da justificação pela fé, nem em qualquer outro aspecto soteriológico que envolva o ser humano. Pelo contrário: o interesse primário de Paulo revolve ao redor da realização escatológica da vida de Cristo, especialmente no que diz respeito à sua morte e, principalmente, à sua ressurreição.

Com Vos essa mudança não é tão evidente, apesar de sua obra chamar-se: Escatologia Paulina. Esse título pode enganar facilmente o leitor, especialmente no Brasil, que está muito acostumado a relacionar o termo “escatologia” com as inúmeras interpretações alucinadas acerca do fim dos tempos. Isso é uma prova de quão estreita é nossa visão acerca da dogmática, de modo geral. Nossa visão da escatologia se resume à segunda vinda de Cristo e todos os eventos que tal acontecimento irá desencadear. Mas para Vos, só podemos entender a “escatologia” de Paulo de entendermos o todo de seu pensamento teológico.

Ridderbos também mantém que é a história da redenção ou a orientação escatológica que dirige Paulo em seus pensamentos. Essa ideia é repetida inúmeras vezes em seu livro. De fato Ridderbos nos dá a impressão que está apresentando uma nova ênfase com respeito à tradição — Reformada — à qual pertence. Ele usa, de forma deliberada, a expressão heilshistorisch em uma variedade de contextos para sublinhar que o interesse do apóstolo Paulo está no processo de redenção histórica e não na salvação do indivíduo.

Dessa forma, tanto Vos quanto Ridderbos nos oferecem uma apresentação aprofundada da Ressurreição de Cristo como o objeto central da teologia Paulina. Para Ridderbos a ressurreição de Cristo não é apenas o evento central na teologia paulina, mas é o evento central de toda a história da redenção. Sem a ressurreição de Cristo nada que ficou para trás teria qualquer valor, assim como não teríamos nenhuma esperança para o futuro. Esse é o motivo porque Paulo transforma a ressurreição de Cristo no elemento central de sua pregação — ver como ilustração típica sua pregação em Atenas em Atos 17. Para Vos, o todo da teologia de Paulo está sublinhado pela idéia da ressurreição do Senhor.

Diante desses fatos nós só iremos falar de coisas importantes, tais como: a natureza da ressurreição do corpo, o túmulo vazio e do debate acerca do alegado desenvolvimento de seus — Paulo — ensinamentos acerca da ressurreição, apenas na medida em que essas questões tiverem alguma importância para o nosso tema central.

Como afirmamos desde o início nosso interesse estará focado na interpretação Reformada da ressurreição, mas atenção também será dada a outras tradições à medida do possível. Mas como já mencionamos a literatura acerca desse assunto continua escassa. Uma única exceção, que gostaríamos de destacar é o longo estudo escrito pelo estudioso católico romano D. M. Stanley e publicado na revista “Anacleta Bíblica # 13” em Roma pelo Instituto Bíblico Pontifício.
Em nosso próximo estudo daremos início à discussão de como devemos abordar esse assunto que é tão importante para nós.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-ressurreicao-de-cristo-dentre-os.html

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA SOTERIOLOGIA DO APÓSTOLO PAULO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 002 — PRINCÍPIOS METODOLÓGICOS — PARTE 001.

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 003 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 002 — A RELAÇÃO ENTRE OS ATOS REDENTORES DE DEUS E A REVELAÇÃO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 004 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 003 — A RELAÇÃO ENTRE PAULO E SEUS INTÉRPRETES MODERNOS

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 005 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 004 — PAULO, NÓS E A HISTÓRIA DA REDENÇÃO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 006 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 005 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 01

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 007 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 006 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 008 — QUESTÕES METODOLÓGICAS — PARTE 007 — PAULO E SEUS INTÉRPRETES — PARTE 003 — FINAL

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 009 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 001 — CRISTO, AS PRIMÍCIAS — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 010 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 002 — CRISTO É AS PRIMÍCIAS E OS CRENTES SÃO A COLHEITA PLENA — PARTE 002

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 011 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 003 — CRISTO É O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS — PARTE 003

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 012 — O TEMA CENTRAL E SUA ESTRUTURA BÁSICA — PARTE 004 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO DOS CRENTES SÃO EPISÓDIOS DE UM ÚNICO EVENTO

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 013 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 001

A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO – PARTE 014 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 002



A RESSURREIÇÃO DE CRISTO DENTRE OS MORTOS NA TEOLOGIA DE PAULO — PARTE 015 — A RESSURREIÇÃO DE CRISTO E A RESSURREIÇÃO PASSADA DOS CRENTES — PARTE 003

Que Deus Abençoe a Todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 18 de março de 2010

Carta Aberta da Revista Ultimato: será o canto do cisne?

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Em sua última edição – Março-Abril/2010 – a revista evangélica ULTIMATO trouxe um longo editorial, assinado por todos que são “alguém” dentro da sua estrutura administrativa. A intenção do material, que ocupa duas páginas inteiras da revista, é responder aos que questionam a seriedade da publicação. Ora, a revista é o que é. Não precisa de nenhum tipo de apologia. Ninguém está obrigado a comprar, assinar e, muito menos ler a mesma.

Agora, quando a revista se sente na obrigação de se defender, então abre um precedente para que sua defesa seja analisada e esse é o propósito desse artigo. Citações retiradas do próprio texto editorial ou de outros autores mencionado serão apresentadas entre aspas, para facilitar a vida do leitor.

O artigo da ULTIMATO inicia fazendo uma referência às preocupações manifestadas pelos críticos quanto aos rumos tomados pela revista. Nesse sentido acusa os mesmos - "não temos dúvidas" – de cometerem injustiça, juízo temerário e excessos. É óbvio que a própria revista não será tida por inocente desses mesmos pecados, dependendo dos olhos de quem a lê. A atitude correta diante desses tipos de acusações sofridas pela revista não é pagar na mesma moeda, ou em outra pior – "Deus sabe" – e sim dar ouvidos às palavras de Jesus quando diz: Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós – Mateus 5:11—12. A defesa implica que os editores não têm certeza de que estão mesmo sendo profetas de Deus.

O pessoal da ULTIMATO se sente injustiçado e injuriado, sintoma claro de farisaísmo. Ao se defenderem dão a nítida impressão de que se consideram acima de críticas, pois consideram as mesmas injuriosas, o que não é o caso, como não será difícil de demonstrar.

A acusação de generalização por parte dos críticos, feita pela revista, é válida e devemos manter sempre uma postura aberta para discutir todo tipo de idéia e jamais deixar de ler uma revista apenas porque não concordamos com suas posições. Além do mais, como cristãos é nosso dever lutar pelo pleno direito de todos expressarem suas idéias sem nenhum tipo de constrangimento. ULTIMATO não deve sentir-se injuriada pelas críticas e, nem tentar defender o que é indefensável na linha editorial adotada pela revista.

ULTIMATO elogia a si mesma como um "periódico cristocêntrico", e cita como prova, inúmeras edições onde Jesus foi o tema principal. A pergunta que deve ser feita aqui é: isso prova alguma coisa? Prova apenas que Jesus foi o tema daquelas edições. Muitos escrevem e escreveram bem mais acerca de Jesus, mas isso não prova que estavam certos nem que eram, de fato, cristocêntricos. Só para ilustrar, basta dizer que Ellen Gould White escreveu o equivalente a trinta e cinco Bíblias sob a alegação de estar inspirada pelo próprio Espírito Santo e, apesar de falar muita coisa acerca de Jesus, nega a Ele a prerrogativa de ter mudado a lei – com a guarda do sábado e tudo mais – conforme nos ensina Hebreus 7:12. Por outro lado, ULTIMATO mente ao dizer que é cristocêntrica, quando abriga entre seus colaboradores um homem que nega, terminantemente, qualquer relação entre o Deus do Antigo Testamento e o Pai de Jesus Cristo. Isso por si só, tem implicações seriíssimas sobre a Cristologia e ninguém que desonra o Pai de Jesus Cristo, que é o Deus ETERNO do Antigo Testamento, pode honrar a Cristo – ver João 8:49—59, especialmente o verso 58 onde Jesus se identifica plenamente com o Deus ETERNO do Antigo Testamento. Sem essa de alegar que Jesus é uma cara bacana enquanto se joga no lixo Seu Pai, o Deus ETERNO do Antigo Testamento.

ULTIMATO insiste que anuncia a Jesus e nega qualquer hibridismo em suas páginas, mas permite que um indivíduo que escreve bobagens como essa “os relatos da Bíblia hebraica revelam uma Divindade que, uma vez ofendida, não hesita em destruir tudo e todos os que se interpõe ao seu propósito”. Ora a Divindade do Antigo Testamento é o Deus ETERNO, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como ULTIMATO tem coragem de pretender honrar a Cristo e publicar artigos assinados por um homem que, de forma notória, para sua própria destruição, passou a acreditar que o Deus do Antigo Testamento não tem nada a ver com Jesus Cristo. Tamanha contradição é insuperável. O autor da frase acima é o pastor assembleiano Ricardo Gondim em seu artigo “Os sinos dobram no meu aniversário”. Peço a ULTIMATO que reveja sua posição de que é uma publicação cristocêntrica. Ninguém honra a Cristo se associando com alguém que odeia a Cristo na concepção bíblica do termo – ver Lucas 14:26. Não estou nem pedindo, nem sugerindo que ULTIMATO pare de publicar os artigos de Ricardo Gondim, o que peço é que deixe de lado a pretensão hipócrita de ser um periódico cristocêntrico e assuma de vez a pluralidade que adotou e deseja praticar.

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Ricardo Gondim

Por falar em Ricardo Gondim, ULTIMATO não esconde uma ponta de orgulho de contar com o mesmo entre seus articulistas, e menciona um artigo escrito pelo mesmo cujo título era “Estou Cansado” de 2004. Segundo a revista o mesmo "serviu de alento para muita gente e provocou uma enxurrada de cartas". Ora, outra vez temos que perguntar: isso prova o quê, exatamente? Milhões de pessoas encontram alento nos escritos de Ellen White, Joseph Smith e até mesmo, pasmem, Paulo Coelho. Por esse motivo a afirmação da revista visa apenas impressionar o leitor desavisado. É pura propaganda como a que aparece em jornais e revistas dizendo que: o livro tal já vendeu mais de 3,5 milhões de cópias ou coisa que o valha. Não trata do valor do material, é puro marketing.

Sair em defesa de Ricardo Gondim dizendo que o mesmo declara não estar comprometido com a corrente teológica conhecida como teísmo aberto trata-se de uma mentira inaceitável: Do próprio Ricardo Gondim e da revista ULTIMATO. Essa teologia minimiza Deus e eleva o homem tentando colocar os dois, mais ou menos, em um mesmo patamar. É impossível que o Elfo (significado do nome Elben em alemão) que dirige a revista não esteja ciente de afirmações como essas, que seguem, feitas pelo Sr. Ricardo Gondim: 1) "Claro que os ricos se protegem melhor das tragédias enviadas pelo Altíssimo" – não devemos ter nenhuma dúvida que o Altíssimo de quem Gondim se refere em tom zombeteiro é o Deus que Isaías descreve da seguinte maneira: Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo – Isaías 40:17. É contra essa humilhação imposta por Deus sobre os seres humanos, que Gondim e seus clones se revoltam. Gondim diz que os ricos se protegem melhor das tragédias enviadas pelo Altíssimo, mas a Bíblia diz: Ainda antes que houvesse dia, eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá? - Isaías 43:13. Para justificar que o Deus dos cristãos, o Deus da Bíblia “não está mesmo com nada”, Ricardo Gondim usa o mesmo argumento seguido por ULTIMATO: o do voto popular ou da enxurrada de cartas. Ele diz: 2) "os japoneses, como outros povos abastados, não se interessam muito pelo Deus cristão". Isso prova o que mesmo? Aliás, diga-se de passagem, esse é o argumento tolo repetido ad nauseam em sites de ateus confessos como prova de que o Deus da Bíblia não tem a maioria do seu lado! Por fim, Ricardo Gondim prefere lançar sua sorte com aqueles a quem ele caracteriza como: "homens e mulheres de bem". Quem quiser saber como o Deus da Bíblia vê os pretensos homens e mulheres de bem, companheiros de Ricardo Gondim, basta ler Romanos 3:9—18. Por todos esses motivos ULTIMATO se torna indesculpável ao pretender ser cristocêntrica.

Além disso, a revista ULTIMATO alega ser reformada. Ora, a Reforma Protestante como sabemos, foi um movimento que buscou, acima de tudo, entender as Escrituras Sagradas e colocá-las em prática, resgatando a verdade do emaranhado de mentiras a que a mesma estava submetida pela igreja romana. Depois da reforma surgiram muitos outros movimentos, que se distanciaram da mesma e, muitos representantes desses movimentos diversos encontram abrigo nas páginas da ULTIMATO, o que é bom, enquanto eles escrevem artigos que engrandecem o nome de Jesus e não invencionices particulares como acontece aqui e ali, mas, como também sabemos, ninguém é perfeito. E erros são cometidos para serem corrigidos e perdoados. Diante disso, ULTIMATO não tem o direito de se chamar uma revista de linha reformada, pois o próprio Ricardo Gondim, que encontra abrigo em suas páginas, diz: "não creio na teologia da providência". Ora esse é um dos pilares fundamentais da verdade revelada acerca do Deus Criador e Sustentador de todas as coisas e é ensinamento básico da Reforma Protestante.

Em defesa dos editores devemos destacar que os mesmos fazem um “mea culpa” no editorial. Mas, da mesma maneira que acusam seus críticos de generalizarem nas acusações, a confissão deles segue essa mesma linha: não passa de pura generalização dos erros, o que é uma tentativa mascarada de minimizar os mesmos.

Por fim, ULTIMATO nos revela que o diretor da revista sofreu pressão por parte da igreja romana quando se estabeleceu em Viçosa-MG, como pastor presbiteriano. Qual é o propósito da trazer à luz essa informação? Devemos todos ficar em pé e aplaudi-lo por ser o servo inútil que é? – ver Lucas 17:10. A mim parece mais uma manifestação de auto-piedade que procura levantar a simpatia dos leitores e, com isso, justificar os erros como editor, usando como desculpa o fato que sofreu pressão da igreja romana. Milhares de servos de Deus, anônimos, são massacrados diariamente, mas esses serão recompensados pelo próprio Deus. O Sr. Elben já recebeu, certamente, o louvor que esperava ao revelar para "leitores protestantes e católicos que é um dos poucos pastores brasileiros que sofreram tamanha pressão dos católicos". Quanta pretensão ao dizer que é “um dos poucos pastores”. Como é possível saber isso?

Minha sugestão a ULTIMATO é que não dê importância às criticas que recebe. Que a revista siga sendo o que é. Que publique o que acha que deve publicar à luz da direção que recebe de Deus. Só peço que pare de mentir para si mesma e para todos nós alegando ser um periódico cristocêntrico e reformado, já que fiou claro que nem uma nem outra afirmação é verdadeira. A revista adota uma teologia plural, não reformada, e abriga autores que não engrandecem a Jesus Cristo e seu Pai, o Deus ETERNO do Antigo Testamento, o que a impede de se caracterizar como cristocêntrica.

Para finalizar peço aos editores de ULTIMATO que adotem uma política de transparência e publiquem para todos, os balanços relativos ao negócio que atende pelo nome de Editora Ultimato Ltda, sem o que, a credibilidade da revista fica, agora sim, definitivamente prejudicada. Como dizia meu velho professor de economia: esqueça todo o resto, siga apenas o rastro do dinheiro. Se ULTIMATO quer se tornar uma revista séria, deve mandar auditar, por firma idônea e independente, e publicar seus balanços.

Para outro artigo sobre Ricardo Gondim, siga esse link:

http://ograndedialogo.blogspot.com/2011/02/ricardo-gondim-e-um-verdadeiro-pinoquio.html

Alexandros Meimaridis



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Notas:
1. Todas as frases de ULTIMATO foram retiradas do editorial publicado pela revista em sua edição de Março/Abril de 2010.

2. Todas as citações de Ricardo Gondim são retiradas do Artigo “Os sinos dobram no meu aniversário” publicado no site do autor. Cópia impressa em poder desse autor.