sexta-feira, 3 de março de 2017

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — A DATA DA COMPOSIÇÃO


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Essa série pretende disponibilizar as informações mais importantes acerca de cada um dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. Desde que lançamos nossa série de Introdução ao Antigo Testamento, muitos leitores têm nos questionando acerca de algum material semelhante com respeito ao Novo Testamento. Então, aproveitando que iniciamos uma série de estudos acerca dos manuscritos do Novo Testamento — tecnicamente chamada de “baixa crítica” — estamos usando essa oportunidade para lançar uma série que trate também do texto do Novo Testamento em si, e da interpretação geral do mesmo — “alta crítica”.

I. O EVANGELHO DE MATEUS

I. A Data da Composição do Evangelho de Mateus

A data em que os evangelhos que temos no Novo Testamento foram escritos é motivo de grandes debates entre os estudiosos. Isso se deve ao fato de que antes de fixar qualquer data, os especialistas estão interessados em determinar, acima de tudo, qual foi o evangelho que foi escrito primeiro. Essa discussão tem a ver com o chamado Problema Sinótico, que será objeto de nossa atenção mais adiante. Todavia, nosso interesse em tentar identificar uma data aproximada para a composição do Evangelho de Mateus, não pode ficar sujeita a discussões secundárias.

Como falamos antes, quando tratamos da autoria dos evangelhos — são todos anônimos — o mesmo se aplica quando vamos falar da data de composição de Mateus: as evidências que temos são escassas. Ideias como as defendidas por Burnett Hillman Streeter[1],  têm influenciado gerações de estudiosos dos evangelhos, especialmente quando argumenta a favor da existência de material secundário — não produzido pelo autor original — no Evangelho de Mateus. Suas afirmações não passam de opiniões desprovidas de fundamento — muita convicção, mas poucas provas. O que Streeter escreveu é controlado, em grande parte por pressuposições que dizem respeito ao valor relativo das fontes utilizadas pelo evangelista. Uma excelente resposta aos argumentos de Streeter pode ser encontrada na obra já mencionada de John A. T. Robinson, de Cambridge, intitulada: Rdating the New Testament.

Outra linha de argumentação semelhante a essa que acabamos de mencionar diz respeito ao conceito que, nós podemos encontrar no Evangelho de Mateus, materiais pontuais que apontam para interesses eclesiásticos ou explicativos que vão muito além do período da igreja primitiva — período que se estende até o ano 100. Mas, como aconteceu antes, a força dos argumentos apresentados está diretamente relacionada ao modo como interpretamos as passagens onde a igreja é mencionada. Se alguém que está trabalhando com o texto de Mateus achar que o Senhor Jesus não poderia ter antecipado o surgimentos da igreja, então qualquer coisa pode ser afirmada acerca das passagens em que a mesma é mencionada no evangelho objeto de nosso interesse. Inclusive, que as mesmas foram produzidas em outra época fora do período coberto pela igreja primitiva. Mas a realidade é que o caráter de Jesus nos permite entender que Ele, não somente enxergou a existência futura da igreja cristã, como fez provisões adequadas para a mesma.

A capacidade de Jesus de conhecer o futuro é tão ignorada por muitos estudiosos modernos do evangelho, a ponto das datas de composição de Mateus, Marcos e Lucas serem todas emboladas ao redor da discussão da data original da produção de Marcos. A negação da capacidade de Jesus enxergar o futuro é, geralmente, apresentada mediante o uso dos seguintes argumentos:

1. Como Cristo era incapaz de saber o futuro, assim é o argumento, segue-se que o Evangelho de Marcos foi produzido apenas alguns anos antes da destruição de Jerusalém. Para justificar esse argumento usam-se as seguintes referências: Marcos 13 e Mateus 24:15.

2. Mateus certamente fez uso de Marcos, portanto, foi escrito depois da queda de Jerusalém.

3. Uma vez que tanto Inácio de Antioquia — morto no ano 110 — como o Didaquê — ou Ensino dos Doze Apóstolos — parecem fazer menção ao Evangelho de Mateus, tal menção pode indicar que Mateus alcançou uma notoriedade maior que Marcos, apesar desse último ter sido escrito primeiro.

4. Portanto, a data mais provável para a composição de Mateus pode ser fixada entre os anos 80—100. Essa é a opinião de muitos estudiosos.

O próprio Streeter, mencionado acima, aponta para o ano 85, mas admite que não tem como provar, matematicamente, sua afirmação.

Todavia, se admitirmos que Jesus era capaz de prever o futuro, incluindo a queda de Jerusalém então, o suporte principal de sustentação acerca da data da composição de Marcos desaba e outros dados podem ser utilizados para a fixação das datas de composição, tanto de Mateus como de Marcos. Entretanto, temos que admitir que existe pouco ou quase nenhum material dentro dos próprios evangelhos que possa nos ajudar na fixação das datas de composição dos mesmos. Todas as tentativas, nunca deixarão de ser apenas suposições.  

Essa é uma questão que, por enquanto, precisar ser deixada como não resolvida. Assim, devemos afirmar que a definição de uma data precisa para a composição do Evangelho de Mateus afeta muito pouco nosso entendimento do mesmo.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DA INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 001 — INTRODUÇÃO GERAL AOS EVANGELHOS — ESTUDO 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 002 — A FORMA LITARÁRIA DOS EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 003 — MOTIVOS PORQUE OS EVANGELHOS FORAM ESCRITOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 004 — O LUGAR OCUPADO PELOS QUATRO EVANGELHOS NO NOVO TESTAMENTO

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — PARTE 005 —  A MELHOR FORMA DE ABORDAR OS QUATRO EVANGELHOS

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 006 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 001

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 007 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 008 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 003

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 009 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 004

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 010 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 005

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 011 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 006

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012 – INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 007

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 013 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 008

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 014 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE MATEUS — PARTE 009

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 015 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 010 — AUTOR — PARTE 002

INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 016 — INTRODUÇÃO AOS EVANGELHOS — MATEUS — PARTE 011 — DATA DA COMPOSIÇÃO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/introducao-ao-novo-testamento-estudo_3.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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[1] B. H. Streeter. The Four Gospels: A Study of the Origins. London, Macmillan, 1956.

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