sábado, 4 de março de 2017

Gênesis — Estudo 046 — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS FILHOS DE CAM: NEGROS, VERMELHOS E AMARELOS


Resultado de imagem para red, yellow, black and white

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
            Eretz   ha  ve-et  Hashamaim     et          Elohim     Bará        Bereshit
            Terra  a      e        céus                os            Deus      criou      princípio No
                                                                                     Gênesis 1:1

XI – Gênesis 10 e a Tábua das Nações — PARTE 002

D. Os Filhos de Cam – Gênesis 10:6.  

Cam teve quatro filhos: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Ao contrário dos filhos de Jafé que se estabeleceram inicialmente ao norte e ao leste das montanhas do Ararate, os descendentes de Cam optaram por se espalhar, a princípio para o sul. Desta maneira ocuparam a Síria, a Palestina, o Egito, o Sudão, a Etiópia, a Arábia e as regiões que margeavam o Golfo Pérsico.

1. כּוּשׁ Cush — Cuxe — Os descendentes desse patriarca habitaram uma extensa região que se estendia do Egito até a Arábia no sentido Leste—Oeste e do norte do Egito até à Etiópia. Certamente a coloração da pele foi fator determinante para que se acomodassem melhor em climas mais áridos ao sul do que aos climas mais temperados do norte. Os descendentes de Cuxe têm sido usados pelos hipócritas pelos séculos afora como os “bodes expiatórios” para a maldição colocada sobre Canaã. Como são pessoas de pele escura — negra — são então discriminados por preconceitos doentios e covardes.

Os judeus se tornaram muito enfatuados com o fato de terem sido escolhidos por Deus e por este motivo tornaram-se extremamente preconceituosos e racistas contra todos os outros seres humanos. Houve um tempo na história do povo de Israel, durante o reino dividido, que a empáfia era tão grande que o profeta Amós confrontou a nação com as seguintes palavras:

Amós 9:7

Não sois vós para mim, ó filhos de Israel, como os filhos dos etíopes? — diz o SENHOR. Não fiz eu subir a Israel da terra do Egito, e de Caftor, os filisteus, e de Quir, os siros?.

Ou seja, sem lealdade à aliança de Deus, Israel é rigorosamente como qualquer povo pagão e idólatra.

Variedade no Gênero humano

Deus criou os seres humanos com uma enorme variedade. Através de cruzamentos inter-raciais a variedade se multiplicou e a raça humana é simplesmente linda. A beleza está justamente na variedade. Mas essa mesma variedade e diferenças é extremamente perturbadora para certos indivíduos. Muitos seres humanos, por causa do pecado que existe em nós, acham que o ser diferente é errado ou inferior ou mesmo indigno. Isto acontece porque não compreendemos como o Deus da Bíblia é extremamente criativo e poderoso. O preconceito, infelizmente, triunfou sobre a beleza daquilo que Deus mesmo declarou como sendo “muito bom” — ver Gênesis 1:31. A história registra, repetidas vezes, a exploração e os massacres sofridos pelas pessoas que possuem cor em suas peles, desde os negros africanos, passando pelos povos amarelos da Ásia e culminando com a destruição dos povos indígenas — peles vermelhas — das Américas. Ainda hoje assistimos à destruição de milhões de negros africanos com uma passividade que beira a estupidez. Guerras são alimentadas pela ganância de se vender armamentos; medicamentos são negados pela mesma ganância que deseja vender e não doar os mesmos; doenças terríveis seguem sem pesquisa e sem o desenvolvimento de medicamentos adequados. Mais o que faremos quando a assim chamada, de forma preconceituosa, “febre asiática”, causada pelo vírus HN-51[1] e suas mutações, atingirem para valer o ocidente? O que faremos se uma crise de “ebola” estourar no meio de um grande centro do ocidente? A ordenança divina continua válida:

Gálatas 6:7

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará.

Espero que estes covardes que não estão tentando fazer nada para ajudar nas necessidades de hoje, não venham se queixar de Deus amanhã, como é tão comum vermos acontecer.

Imagem relacionada
Índio pele-vermelha. Não é à toa que chamavam os brancos de cara-pálidas.

Resultado de imagem para variedade em tonalidade da pele negra
Variedades da pele de cor negra.

2. מִצְרַיִם Mitzraim — Mizraim. Este é o nome pelo qual o Egito é chamado no Antigo Testamento. A terminação da palavra Mizraim — im — faz a forma plural no hebraico bíblico e é uma indicação de que o autor do nosso texto reconhecia a dupla divisão que existia no Egito Antigo entre o Alto e o Baixo Egito.

3. פוּט Put — Pute. De todos os descendentes diretos de Cam, Pute é o único a não ter sua própria descendência mencionada. Pute, todavia, se estabeleceu na região onde fica a Líbia moderna ao oeste do Egito no norte da África. A LXX — Septuaginta — versão das escrituras do hebraico para o grego segue essa tradição ao atribuir para o hebraico פוּט Put — Pute, a expressão grega Λίβυες Líbues — Líbios, em Ezequiel 38:5.

4. כְנָעַן kenaan — Canaã, acabou por se estabelecer no país a quem legou seu próprio nome — Terra de Canaã. Existem evidências arqueológicas que parecem indicar que essa região tivesse sido habitada antes por alguns dos descendentes de Sem. Dessa maneira os cananeus teriam se introduzido na terra como invasores onde adotaram os costumes e a língua de seus predecessores. Os Cananeus deram origem aos fenícios. Além disso, eles se constituíram na série de povos que foram parcialmente destruídos pelo povo de Israel em cumprimento à palavra de Deus dada a Abraão — ver Gênesis 15:12—16. Os remanescentes foram reduzidos a escravos durante o reinado de Salomão — ver 1 Reis 9:20—21.

E. Os Filhos de Cuxe – Gênesis 10:7—12.

1. Dentre os filhos de Cuxe alguns podem ser identificados enquanto outros, o mesmo não é possível. De qualquer maneira, é fato bem estabelecido que os descendentes desse patriarca se estabeleceram às margens do Mar Vermelho — a leste do Egito e na região da Arábia. A identificação de סְבָא Sebá Sebá é incerta. Existem muitas especulações inclusive uma que acredita que esses foram os indivíduos que se embrenharam no continente africano.

2. חֲוִילָה Haviilah — Havilá. Como com Sebá, também temos muitas dificuldades para estabelecer com precisão o local onde os descendentes desse patriarca se estabeleceram. Nesse capítulo 10 de Gênesis existem dois indivíduos que atendem pelo nome de Havilá:

a. O primeiro é Camita e descende de Cuxe — ver Gênesis 10:7.

b. O segundo é Semita e descende de Joctã — ver Gênesis 10:26—29.

De acordo com os registros mais antigos, a terra de Havilá era rica em ouro — ver Gênesis 2:11. Esta foi a terra em que os descendentes de Ismael, filho de Abrão se estabeleceram — ver Gênesis 25:18. Os Amalequitas, povo que se opôs de forma sistemática e permanente ao povo de Israel e, que foram completamente destruídos pelo rei Saul, também habitavam nesta região — ver 1 Samuel 15:7. Essas evidências apontam para algum lugar, provavelmente na região da Arábia — a leste do Mar Vermelho.

3. סַבְתָּה Sabetah — Sabtá e סַבְתְּכָא Sabetekah — Sabtecá são os únicos dois nomes de Gênesis 10:6—7 que não descrevem povos arábicos. Alguns estudiosos acreditam que estes dois nomes fazem referências a faraós etíopes que existiram durante a 25ª dinastia egípcia — entre 712 e 700 a. C. Mas, com exceção de certa similaridade nos nomes não existe nada que realmente indique que esses patriarcas tenham qualquer relação com os faraós etíopes.

4. רַעְמָה Raamá — Os descendentes desse patriarca se estabeleceram, provavelmente, na África ou na Arábia. Existe uma inscrição muito antiga que menciona uma cidade, homônima ao patriarca, localizada no sudoeste da Arábia. Um de seus filhos foi שְׁבָא Shebá – Sabá, que se estabeleceu exatamente nesta região onde encontramos o Iêmen moderno. Sabá tornou-se um famoso centro comercial, marcadamente, a partir do reino de Salomão — ver 1 Reis 10:1—10 e 2 Crônicas 9:1—12; Isaías 60:6 e Jeremias 6:20. Seu outro filho foi דְדָן Dedan — Dedã, que também se estabeleceu na região da Arábia. O território desse patriarca estava localizado ao norte e fazia fronteira com as terras de Edom que eram as terras de Esaú, filho de Isaque — ver Jeremias 49:8 e Ezequiel 25:13. O profeta Ezequiel nos diz que os comerciantes de Dedã negociavam com os mercadores de Tiro — ver Ezequiel 27:20—23.

5. נִמְרֹד Nimerod — Ninrode. De todos os patriarcas citados em Gênesis 10, somente Ninrode e Pelegue — mencionado a partir do verso 25 — possuem relatos ampliados acerca de suas vidas. E desses dois, Ninrode é que recebe a honra de ter a menção mais extensa. Quem foi este patriarca? E o que podemos aprender da etimologia do seu nome? Os autores e comentaristas do livro do Gênesis sugerem pelo menos três possibilidades de identificação para Ninrode:

a. Ninrode é o deus Ninurta. Essa era a divindade da “guerra” e da “caça”. Por estes motivos era chamada também de: “a flecha e herói poderoso”. O culto a essa divindade estava muito espalhado por toda a região da Mesopotâmia na última parte do segundo milênio a. C. Para muitos filólogos esta é a possibilidade mais remota, já que exigiria uma dramática corrupção da língua hebraica, o que não parece ter de fato acontecido.

b. Ninrode deve ser identificado com o rei assírio Tukuti-Ninurta I — que adota o nome da divindade Ninurta. Esse soberano reinou durante a última parte do século 13 a. C – entre 1246 – 1206 a. C. Ele foi o primeiro rei a reinar simultaneamente tanto sobre a Babilônia como sobre a Assíria. Esse fato foi alcançado quando Tukuti-Ninurta I derrotou os exércitos babilônios do rei Kashtiliash IV e levou tanto o rei quanto a imagem do deus Marduk como cativos para a Assíria. Além de ser um rei guerreiro foi também um rei que empreendeu o desenvolvimento de massivas construções o que o obrigou a impor pesados impostos sobre o povo da mesma maneira como o fez Salomão. A morte desse rei representou um verdadeiro eclipse na estrutura de poder da Assíria. A relação entre Ninrode, filho de Cuxe, com o rei Tukuti-Ninurta I só é possível se substituirmos a palavra “Cuxe” pela expressão “cassitas”. Por este motivo também não achamos que esta seja uma possibilidade muito válida. Além do mais isso faria de Ninrode um descendente de Sem e não de Cam.

c. Visando preservar uma origem Cuxita para o nome Ninrode alguns têm associado esse nome com o do Faraó egípcio, da XVIII dinastia, Amenhotep III — c. 1416 — 1379 a. C. As Cartas de Amarna referem-se à Amenhotep III como “Nimmuri”. Como tal, esse faraó reivindica para si o fato de que seu reino se estendia do Egito até o Eufrates. No Egito o faraó Amenhotep III ficou conhecido como aquele que construiu os monumentais templos de Luxor — grandemente ampliados por faraós posteriores — e Karnak. Além disso, Amenhotep III construiu um novo palácio para si bem como um templo no qual foi enterrado. Por todos estes motivos ele foi chamado pelos historiadores de “o Magnificente”. Mas esse também não pode ser Ninrode, filho de Cuxe.      

Diante destas possibilidades, é realmente surpreendente que Gênesis 10 mencione Cuxe, um descendente de Cam, como o pai de Ninrode. Dizemos surpreendente porque o Antigo Testamento vincula este Ninrode com as terras ao leste da Palestina, que foram ocupadas, preferencialmente pelos descendentes de Sem. O profeta Miquéias — profetizou entre 720 — 701 a. C. — e para ele a Assíria e a terra de Ninrode era uma e a mesma coisa como podemos ver no paralelismo dos versos a seguir:

Miquéias 5:5—6

Este será a nossa paz. Quando a Assíria vier à nossa terra e quando passar sobre os nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens. Estes consumirão a terra da Assíria à espada e a terra de Ninrode, dentro de suas próprias portas. Assim, nos livrará da Assíria, quando esta vier à nossa terra e pisar os nossos limites.

Desta forma, a terra de Ninrode, filho de Cuxe, está firmemente estabelecida ao leste da região da Palestina, na região da Assíria e da Babilônia. Este fato ilustra apenas o ecúmeno que encontramos na face da terra: pessoas dos três ramos — Jafetitas, Camitas e Semitas — se espalhando e ocupando toda a terra.

A etimologia do nome de Ninrode também não chega a ser conclusiva. Por ser um personagem controverso a grande maioria dos comentaristas prefere conectá-lo, etimologicamente falando, com o verbo hebraico marad — rebelar ou revoltar-se. A palavra hebraica, por sua vez, é derivada da expressão egípcia mrd — que significa rebelde.  Na tradição judaica Ninrode é apresentado como a quintessência da rebeldia contra Deus. Isto deve-se ao fato de Ninrode estar envolvido na construção da torre de Babel e no incentivo que deu ao povo para rebelar-se contra o mandamento de Deus de espalha-vos. Segundo Gênesis 11:4, um dos propósitos da construção da torre era para que “não sejamos espalhados por toda a terra”. Ora, isto era uma afronta direta contra o mandamento dado por Deus a Adão e Eva — ver Gênesis 1:28 — e depois repetido, após o dilúvio, para os Noé e seus filhos — ver Gênesis 9:1 e 7 — concernente ao fato de que os seres humanos deveriam encher a terra povoando-a.

Mesmo que tenhamos uma grande dificuldade em identificar exatamente, quem foi este personagem, a própria Bíblia nos oferece algumas informações bastante interessantes:
a. Em primeiro lugar Ninrode é descrito como sendo גִּבֹּר gibbor — poderoso. Esta palavra por sua vez procede do verbo hebraico gabar — que significa, entre outras coisas, prevalecer, ter força, ser forte, ser poderoso, ser valente, ser grande. Dessa maneira, esse Ninrode foi o protótipo dos tiranos de todos os tempos, pois era arrogante, violento e matador. Essas são qualidades deploráveis, mas que sempre fizeram sucesso entre os seres humanos caídos.

b. Além de ser um homem poderoso, Ninrode era também excelente caçador. Sua habilidade era tão grande que até mesmo um aforismo chegou a ser cunhado em sua homenagem: Foi valente caçador diante do SENHOR; daí dizer-se: Como Ninrode, poderoso caçador diante do SENHOR — Gênesis 10:9. O escritor do Gênesis reconhece que tais qualidades eram fruto da graça de Deus.  Na História da Humanidade as qualidades de alguém poderoso associadas à suas habilidades como caçador, foram registradas, de forma especial, entre os reis Assírios. A Bíblia nos diz que as cidades mais importantes dos Assírios — inclusive Nínive — bem como o próprio reino, foram fundados por este Ninrode — ver Gênesis 9:10—11.

c. Muitos historiadores comparam-no a Sargão de Ágade que viveu c. 2330 a. C. Esse Sargão foi também tanto um bravo guerreiro como um hábil caçador. Ele foi um dos líderes mais antigos dos Assírios. Devido às suas habilidades, homens como estes, deixaram inúmeras lendas depois de si mesmos.

d. É muito possível que divindades como Ninurta — também chamado algumas vezes de Nimurda — que compunham o panteão dos deuses assírios e babilônicos da guerra e da caça tenham sido “inventados” pelos sacerdotes baseados nas lendas existentes acerca de homens como Ninrode. Como estamos tratando de uma parte da História da Humanidade que é anterior à invenção da escrita, existem alguns estudiosos que identificam Ninrode com o rei épico-mitológico Gilgamés de Ereque, que teria vivido por volta de 2700 a. C.

e. Outros ainda procuram ver alguma relação entre Ninrode e a divindade babilônica conhecida por Marduque.

f. Para nós, como estudiosos da Bíblia, tudo o que nos interessa é a afirmativa bíblica de que Ninrode é um personagem histórico. E a historicidade do nome é confirmada pela arqueologia que nos informa da existência de vários nomes de localidades espalhadas pela região de toda a Babilônia que fazem referencia direta ao nome de Ninrode. Entre estas localidades podemos citar:

i. Birs Ninrud.

ii. Tell Ninrud — Cidade próxima da moderna Bagdá no Iraque.

iii. Calá — chamada de Cômoro de Ninrode.

A existência de cidades nomeadas para homenagear personagens históricos é uma das práticas mais comuns entre os seres humanos.

a. De acordo com o texto bíblico — ver Miquéias 5:6 e Gênesis 10:20 e 11:2 — o reino de Ninrode é descrito como se estendendo por sobre toda a região adjacente às grandes cidades que encontramos no eixo Pérsia — Babilônia. Entre essas cidades podemos citar: Acade, também chamada de Ágade, Babel, Calné e Ereque também conhecida como Warka, além de outras espalhadas por uma região que os antigos costumavam chamar de “terra de Sinar ou Sinear”. Em Gênesis 10:11 nós lemos: Daquela terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir e Calá. Todas essas últimas cidades foram estabelecidas na região onde floresceram os impérios Persa e Assírio.

b. Tentar fixar uma data para Ninrode é bastante complicado. Todavia essa é uma perene tentação que os historiadores e outros estudiosos das ciências sociais terão sempre que enfrentar. O único elemento histórico, mas que ainda está baseado em uma pressuposição, tem a ver como a identificação do personagem Cuxe, mencionado na Bíblia, com um rei mesopotâmico chamado Quis. A história nos ensina que a dinastia fundada por este Quis teve um total de vinte e três reis e estes formaram a primeira verdadeira dinastia a controlar a Mesopotâmia. Se a relação de Cuxe com Quis for legítima, então Ninrode teria vivido por volta do ano 2500 a. C.
­
Ninrode é o protótipo antagônico do rei-pastor desejado por Deus. Guerreiro e caçador são características que não estão recomendadas pelo SENHOR para aqueles que devem reinar sobre seu povo, especialmente quando a referência diz respeito ao Senhor Jesus. Ver:

a. 2 Samuel 5:2 e 7:7. Note as expressões “reinou” e “mandei apascentar meu povo”.

b. Miquéias 5:2 comparar com Mateus 2:6 – note como a expressão “reinar” é substituída pelas expressões “guia” e, especialmente, “apascentar”.

Várias cidades estão atreladas diretamente o nome de Ninrode. Algumas destas cidades são mais fáceis de serem identificadas do que outras.

בָּבֶל Babel – literalmente “Porta de Deus”, derivada das expressão acadianas Babil  e Babllani. Depois, por causa da torre, veio a significar “confusão”, por meio de mistura. Essa cidade corresponde à antiga capital do Império Babilônico. Em seu sítio moderno encontra-se a cidade de Hillah, junto ao rio Eufrates, na região sudoeste de Bagdá, no moderno Iraque. Saddam Hussein estava desenvolvendo um imenso trabalho de escavações e reconstruções quando o embargo após a Primeira Guerra do Golfo o obrigou a paralisar os trabalhos. Após a invasão do Iraque pelos Estados Unidos da América, os edifícios reconstruídos sofreram grande destruição e praticamente todas as peças antigas, ajuntadas no museu local, foram roubadas pelos invasores.

Tradições Babilônicas nos falam de que a cidade teria sido fundada pelo deus Marduque. Essa mesma cidade teria sido destruída pelo imperador Sargão por volta do ano 2.350 a. C. O filho deste Sargão, chamado de Sarcalisarri, teria removido a areia usada na construção de Babel para construir a cidade de Ágade.

אֶרֶךְEreque — longo. Esta cidade ficava cerca de 64 quilômetros a noroeste de Ur de quem vai para a Babilônia seguindo a margem esquerda do Rio Eufrates. Note que nosso texto não diz que Ninrode construiu estas cidades. É mais provável que algumas delas já existissem antes dele e que apenas entraram debaixo da esfera de seu poder e domínio.

Em tempos modernos o local da antiga Ereque é reconhecido como sendo da cidade de Warka. Esta cidade foi uma das mais importantes dos sumérios, especialmente durante os quarto e terceiros milênios a. C. Foi nesta região que os seres humanos inventaram a escrita, pelo qual todos nós devemos ser agradecidos. Essa região encontra-se em uma área de pântanos do Eufrates, localizados a 160 quilômetros ao sudoeste da cidade de Babilônia. Nas escavações feitas em Ereque, arqueólogos descobriram dois antigos zigurates que serviam como templos naquela região durante a Antiguidade. A cidade de Ereque compõe com as cidades de Ur, Lagase e Eridu o conjunto de cidades mais antigas do sul da região da Babilônia.

A cidade foi habitada por milênios e nela foram encontrados tabletes grafados em escrita cuneiforme pertencentes aos reinados, extremamente antigos dos Sumérios, de Dungi, Ur-Bau, Gudea, Singaside e Merodaque-Baladã. De tempos posteriores, foram recuperados escritos dos dias de Nebopolassar, Nabucodonosor, Nabonido — reis babilônicos — de Ciro, o medo, de Dario, o persa, bem como dos soberanos Selêucidas. Esses eram descendente de Selêuco, um dos quatro generais de Alexandre, o grande da Macedônia, que dividiram o vasto império de Alexandre entre si. Nas lendas babilônicas, a cidade de Ereque é chamada de Uruque e teria sido nesta cidade que o rei mitológico — Gilgamés — teria vivido. As lendas construídas ao redor de Gilgamés perfazem uma coletânea que apresenta certas similaridades com as histórias narradas nos primeiros capítulos da Bíblia. Como já tivemos oportunidade de observar, as similaridades com a narrativa bíblica são superficiais e as diferenças são fundamentais.

As escavações em Ereque foram iniciadas por volta de 1850. Este trabalho arqueológico conseguiu demonstrar que a cidade era alimentada com água através de vários canais. O culto à uma divindade chamada Anu era a mais alta expressão da religiosidade do povo de Ereque. Outro culto importante era o da deusa da guerra e do amor sexual chamada Ishtar. Essa deusa era chamada de Inanna pelos sumérios. Por esse motivo muitos estudiosos acreditam que o deus Anu e a deusa Inanna eram apenas duas versões — masculina e feminina — de uma mesma divindade.

   אַכַּדAcad — Acade. Esta palavra possui dois significados distintos: em hebraico a expressão procede de uma raiz antiga que quer dizer “fortalecer”. Em acadiano, língua original da Mesopotâmia, a expressão significava “sutil”. Seguindo a tradição bíblica — ver Gênesis 10:10 — muitos acreditam que esta cidade foi fundada por Ninrode e, dessa maneira tem sua origem firmemente estabelecida entre os camitas. A cidade, do ponto de vista da História Antiga, ficou conhecida como a capital do império semita de Sargão I, que dominou boa parte daquela região entre 2360 a 2180 a. C. O sítio arqueológico da antiga Ágade está localizado na margem direita do rio Eufrates a poucos quilômetros da moderna cidade de Bagdá, que é a capital do Iraque. A margem direita do rio Eufrates, naquela região, é composta de uma planície aluvial que consiste em um depósito de cascalho, areia e argila. Este tipo de solo se forma junto às margens ou à foz dos rios, proveniente do trabalho de erosão e é desprovido de pedras.

Os habitantes originais dessa região eram sumerianos — descendentes de Cam. Esses foram os indivíduos que inventaram a escrita cuneiforme e estabeleceram as bases para o desenvolvimento das poderosas dinastias semitas que surgiram posteriormente. O Império estabelecido por Sargão I durou cerca de 200 anos e era considerado, pelos babilônios, como representativo de uma idade áurea daquela região. A expressão Acádia — derivada de Acade — veio a ser utilizada como o nome próprio de toda a região ao norte da Babilônia para contrastar com a região ao sul, que era chamada de Suméria. O acadiano, enquanto língua, é a mais antiga língua escrita da Humanidade. Para distingui-la das formas posteriores do acadiano, a língua desenvolvida pelos sumérios é chamada de “acadiano antigo”.
  
כַלְנֵה Calneh — Calné que quer dizer: “fortaleza de Anu”. Anu era uma das mais importantes divindades do panteão babilônico. O nome da cidade de Calné também aparece como Calno nas nossas Bíblias na versão de Almeida Revista e Atualizada no Brasil — ver Isaías 10:9. Historiadores e arqueólogos não são unânimes, mas muitos acreditam que Calné teria existido onde hoje se encontra a moderna cidade de Niffer. Esta cidade está localizada a aproximadamente cerca de 100 quilômetros ao sul da antiga cidade de Babilônia.

בְּאֶרֶץ שִׁנְעָר Beretz Shin’ar  — terra de Sinar. Este é o nome pelo qual os antigos hebreus chamavam a terra que veio, mais tarde, a ser conhecida como Babilônia ou Caldéia. A palavra “Sinar” aparece de forma consistente em todo o Antigo Testamento — ver Gênesis 11:2; Isaías 11:11; Daniel 1:2 e Zacarias 5:11. Uma condição histórica que intriga os estudiosos é o fato de não existir nenhum registro da expressão “Sinar” entre os escritos babilônicos da Antiguidade. Os únicos registros antigos que existem são os mencionados no Antigo Testamento, como alistados acima. A expressão “Sinar” significa em hebraico, literalmente, “país de dois rios”. Esse é um nome mais que apropriado para descrever a terra que contém os dois rios mais famosos da mesopotâmia: o rio Eufrates no lado oeste e o rio Tigre no lado leste.
A História Antiga da Humanidade registra que os primeiros habitantes a emigrar para os vales dos rios Eufrates e Tigre chamavam a si mesmos de: “povos de cabeça negra”. Historiadores preferem alegar que não podem precisar de onde esses habitantes teriam se originado. Todavia, aceitam que as montanhas do Cáucaso seria o local mais provável. Aqui não podemos deixar de notar que, de acordo com a Bíblia, a arca de Noé veio a repousar nas montanhas de Ararate — ver Gênesis 8:4 — que fazem parte do sul das montanhas do Cáucaso na região da Armênia moderna. Até os dias de hoje, o pico mais alto de Ararate — 5100 metros de altitude — é chamado de Kuh-i-nuh: monte de Noé!

A Invenção da Escrita — A língua falada pelos sumérios não possui nenhuma relação conhecida com qualquer outra língua, seja moderna ou antiga. De acordo com os filólogos a língua dos sumérios constitui-se de uma língua não semítica, aglutinativa[2], classificada como uma língua turaniana — grupo de línguas uralo-altaicas, faladas por povos da Rússia meridional e do Turquestão, mas com traços mongólicos — e que possui afinidades tanto com o turco como com o chinês. Os povos semíticos que se estabeleceram na região da mesopotâmia, posteriormente, acabaram por adotar inúmeras expressões da língua dos sumérios.

No início a escrita dos sumérios era pictográfica. Logo este tipo de escrita cedeu espaço para uma escrita polissilábica que empregava mais de quatrocentos sinais diferentes. Os povos semitas que ocuparam a mesopotâmia depois dos sumérios, foram grandemente influenciada pela literatura produzida pela escrita polissilábica dos sumérios. Isto é de fácil comprovação visto que essa mesma forma de escrita foi adotada por povos de línguas semíticas, tais como:

v  O Assírio e o Babilônico — ramo Acádico.

v  O Sírio e o Palestino — com influência direta sobre o Aramaico e o Hebraico.

v  Povos de línguas não semitas também foram influenciados. Entre essas nós encontramos: o Elamita, o Cassita, o Hitita, o Hurriano e o Persa antigo.

Breve História dos Sumérios — A História dos povos sumérios é dividida pelos historiadores em três períodos:

v  O Período Anterior.

v  O Período Clássico.

v  A Renascença Suméria.

O Período Anterior — Esse é o período da história dos sumérios que gira em torno do dilúvio. De acordo com os registros escritos mais antigos que existem na História da Humanidade, cerca de oito reis diferentes reinaram sobre cinco cidades diferentes e então... “o dilúvio varreu a terra”. Devemos deixar bem claro que não existe nenhuma correlação direta entre estes reis e os patriarcas antediluvianos mencionados em Gênesis 5. Estes registros antigos são, por sua própria natureza, bastante fantasiosos. Seus registros indicam que aqueles reis tiveram vidas extremamente longevas, com a soma total de suas vidas perfazendo a impressionante cifra de 241.201 anos. Após o dilúvio, surge uma nova lista de reis, desta vez com 78 nomes. Nesse período são também mencionadas as cidades capitais de Quis, Ur, Ereque, Mari entre outras. Esses reis, do período pós-diluviano ssão personagens históricos confirmados pela história e pela arqueologia mediante restos epigráficos — parte da ciência chamada de Paleografia, que estudas inscrições antigas — e arquitetônicos que atestam a presença deles naquela região.

O Período Clássico é aquele que vai de 2700 a 2150 a. C. Durante esse período a civilização suméria se dividiu mediante a organização do trabalho visando resolver os dois maiores problemas que ela precisava enfrentar e que eram: a irrigação das terras e a defesa militar. Várias tentativas foram feitas para se organizar governos do tipo democrático, mas estas tentativas foram frustradas porque contrariavam os interesses das classes sacerdotais. Durante esse período os sumérios ajuntaram muita riqueza. Isto pode ser atestado pelas ricas ornamentações dos túmulos dos reis que foram encontradas em Ur. Esse foi um período marcado por avanços sociais já que encontramos registros de um rei chamado Urukagina, o qual efetuou e implementou reformas sociais mediante o uso de uma legislação que visava desburocratizar os serviços públicos que pesavam por demais sobre as classes menos favorecidas e, de modo especial, sobre os órfãos e as viúvas. O Período Clássico terminou quando os sumérios foram conquistados pelo rei semita, Sargão, de Acade. A ação de Sargão, além de derrotar a civilização suméria acabou também por unificar toda aquela região que passou a ser governada por semitas em toda sua extensão de norte a sul.

O Período da Renascença dos sumérios teve início por volta de 2120 a. C. quando eles conseguiram derrotar os semitas que os dominavam. Poucos anos após a libertação foi estabelecida a terceira dinastia de Ur que durou de 2113 a 2006 a. C. Este foi um período de prosperidade material e de desenvolvimento intelectual ímpar entre os sumérios. Foi durante essa época que foi produzido o código de Ur-Namu — não confundir com o código de Hamurabi — que é o mais antigo código legal existente da História da Humanidade. Esse também foi o período que viu uma completa reconstrução de Ur bem como de outras cidades, tais como, Uruque, Eridu e Nipur. Novos zigurates[3] foram construídos em todas as cidades e velhos templos foram recuperados, o que demonstra a força das classes sacerdotais durante esse período. Gudea de Lagasse foi um contemporâneo de Ur-Namu que viajou até as regiões da Síria e da Anatólia — Turquia moderna — de onde trouxe materiais de construção para embelezar sua própria capital. Os semitas eram uma pedra permanente nos sapatos dos sumérios. Isbi-Irra um dos reis que sucederam Ur-Namu tentou se associar com os elamitas — povos que habitavam a leste do rio Tigre — visando derrotar os povos semitas, mas não foi bem sucedido e sua aventura acabou por lhe custar tanto a destruição de Ur como o término da terceira e última dinastia dos sumérios.    

A terra de Sinar  בְּאֶרֶץ שִׁנְעָר Beretz Shin’ar é mencionada muitas vezes no Antigo Testamento. Entre estas passagens nós vamos encontrar:

a. Gênesis 11:2 — Foi nesta planície onde foi edificada a torre de Babel.

b. Gênesis 14:1 — Menciona um rei originário de Sinar e que participou do ataque a Sodoma e Gomorra e acabou por sequestrar o sobrinho de Abraão chamado Ló — ver Gênesis 14:12. Mais adiante esse rei, junto com seus associados, foi derrotado pelos 318 homens de Abraão — ver Gênesis 14:13—17.

c. Josué 7:21 — A versão de Almeida Revista e Atualizada fala de uma “capa babilônica”, mas o original hebraico diz textualmente אַדֶּרֶת שִׁנְעָר addereth Shin’ar — capa de Sinar.

d. Daniel 1:1—2 – Menciona Nabucodonosor, rei da Babilônia que ficava na terra de Sinar.

e. Isaías 11:11 — Contém uma profecia acerca de como Deus iria fazer Seu povo retornar para a terra de Canaã após o desterro para a Babilônia.

F. Os Filhos de Mizraim – Gênesis 10:13 – 14.

Note que os nomes de todos os descendentes de Mizraim mantêm a terminação “im” o que é uma clara indicação de que estes indivíduos eram parte de uma mesma etnia.

1. לוּדִים Ludiym — aos tições ou trabalhos excessivos. Esse patriarca está relacionado tanto com os Lídios que habitaram na Ásia Menor — ver Isaías 66:19 — como com povos que habitaram a África — ver Jeremias 46:9 e Ezequiel 30:5.

2. עֲנָמִים Anamiym — aflição de águas. O nome parece expressar que esse patriarca habitou uma região desértica. Muitos estudiosos apontam o grande oásis de Chargeh, localizado no Alto Egito, como o local onde ele teria se estabelecido. Outros, todavia, preferem identificá-lo com um povo da Cirenaica chamado de A-na-mi e que é mencionado em um texto cuneiforme produzido durante o reinado de Sargão II, no século 8º a. C.

3. לְהָבִים Lehabiym — chamas. É provável que esse patriarca seja o pai dos Líbios que se constituem em um dos povos mais antigos da África.

4. נַפְתֻּחִים Naptuhiym — aberturas. Este nome faz uma referência não muito clara ao Egito. Talvez se refira à cidade de Nofe no baixo Egito. O próprio nome em si mesmo faz referência à abertura do Nilo no seu magnificente delta.

5. פַּתְרֻסִים Patrusiym — região do sul do Egito. Eram chamados por este nome os habitantes de Patros no alto Egito.

6. כַּסְלֻחִים Casluhiymfortificado. Foi desse patriarca que descenderam, em parte, os פְּלִשְׁתִּים pelishttiym — filisteus, que se estabeleceram na região costeira do sul da Palestina e que se concentravam em cinco cidades principais: Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom — ver Josué 13:3.

7. כַּפְתֹּרִים - Cafttoriym — uma coroa. Esse patriarca se estabeleceu na ilha de Creta — chamada de Kaptara em inscrições cuneiformes — no Mar Mediterrâneo e, foi de lá que alguns de seus descendentes partiram para ocupar a faixa costeira ao sul da Palestina, juntamente com os descendentes de כַּסְלֻחִים Casluhiym — e formar o povo que ficou conhecido como filisteus — ver Deuteronômio 2:23, Jeremias 47:4 e Amós 9:7. A acusação moderna de que o povo chamado palestino descende dos antigos filisteus é uma afirmativa que não somente reflete a ignorância de quem a faz, como demonstra profundo preconceito racial contra os palestinos e ajunta injúria às muitas ofensas que esse povo tem enfrentado. Os filisteus eram descendentes de Cam enquanto que o povo palestino é descendente de Sem, como o são os judeus.    

G. Os Filhos de Canaã – Gênesis 10:15—19.

1. צִידֹן Sidon — caça. Esse patriarca cedeu seu nome para uma antiga cidade Fenícia da costa marítima norte da Palestina. A cidade ficava ao norte da cidade de Tiro e estava localizada cerca de 50 quilômetros da moderna cidade de Beirute no Líbano. A cidade de Sidon manteve sua superioridade sobre as outras cidades costeiras do norte da Palestina durante praticamente todo o segundo milênio a. C. Somente por volta de 1100 a. C. é que ela perdeu sua hegemonia para a cidade de Tiro que ficava cerca de 40 quilômetros ao sul. O nome aparece somente em dois versículos em todo o Antigo Testamento — Gênesis 10:15 e 19. Todavia o Novo Testamento faz várias citações à mesma como podemos ver em Mateus 11:21—22; 15:21; Marcos 3:8; Lucas 4:26; 6:17 e Atos 12:20 e 27:3. A região de Tiro e de Sidom foi a única visitada por Jesus fora do circuito Galileia, Samaria, Judéia, Pereia — chamada de região “além do Jordão” em João 10:40 —  e Decápolis. A nova cidade de Sidom foi construída exatamente sobre as ruínas da cidade antiga. Sidom, juntamente com Tiro e Biblos constituíam as três cidades mais importantes dos antigos Fenícios.

2. חֵת Het — terror. Esse foi o patriarca de quem descendem os Hititas. Esse povo se estabeleceu na região Oeste da Anatólia — Turquia moderna — e alcançou o pico da sua influência entre 1450 — 1200 a. C. Descendentes de Hete estavam estabelecidos na região de Hebrom nos dias de Abraão e foi deles que Abraão comprou a caverna de Macpela onde sepultou a Sara e onde ele próprio foi também sepultado — ver Gênesis 25:7—10. Também eram descendentes de Hete as duas mulheres com que Esaú se casou — ver Gênesis 26:34.

3. יְבוּסִי Lebusiy — seus descendentes foram chamados de Jebuseus e esses eram os habitantes mais antigos de Jebus, o nome mais primitivo de Jerusalém. Esse povo é mencionado como tendo habitado a região da Palestina antes do judeus — ver Gênesis 15:21; Êxodo 3:8 e 17 e 13:5. Foi deles que Davi tomou a cidade chamada Jerusalém — ver 2 Samuel 5:6—7.

4. אֱמֹרִי Amoriy aquele que fala. Os descendentes desse patriarca eram os Amorreus, um dos povos da Canaã oriental além do Jordão, desalojado pela invasão dos israelitas procedentes do Egito. Povo muito antigo, pois são mencionados como “amurru” em registros de Sargão de Acade durante o terceiro milênio a. C. A cidade de Mari, às margens do rio Eufrates era uma das suas cidades mais importantes. A infidelidade da cidade de Jerusalém era vista pelo profeta Ezequiel como proveniente da sua origem que era resultante de uma mistura de Heteus e Amorreus — ver Ezequiel 16:3 e 45. Os Amorreus se estabeleceram na região da Palestina durante o segundo milênio a. C. Manre era o nome do Amorreu proprietário de um carvalhal perto de Hebrom onde Abrão se estabeleceu ao chegar à Palestina — ver Gênesis 13:18 e 14:13.

5. גִּרְגָּשִׁי Girggashiy — que habita em solo barrento. Descendentes de Canaã e uma das nações que vivia ao leste do mar da Galileia quando os israelitas entraram na terra prometida.

6. חִוִּי Chivviy — aldeões. Esse foi o patriarca dos Heveus que são também chamados de Aveus. O território que eles ocupavam ficava ao sul da Palestina e era paralelo à faixa ocupada pelos chamados Filisteus. Os judeus não precisaram expulsar os Heveus ou Aveus porque os mesmos já haviam sido desalojados pelos Filisteus — ver Deuteronômio 2:23.

7. עַרְקִי ‘Arqiy — presa no sentido de dente canino. Esse foi o patriarca dos Arqueus. Esse era um povo que habitava a região costeira da Fenícia e sua cidade principal está identificada em um sítio arqueológico a onze quilômetros de Trípoli, no Líbano moderno. Era um povo originário da região do Ararate e penetraram na Palestina por volta do século 17 a. C.

8. סִּינִי Siniy — espinho ou barro. Os descendentes desse patriarca foram chamados de Sineus. Sua localização não está muito bem estabelecida, apesar de muitos aceitarem que eles habitavam o norte da região fenícia entre Trípoli e Arca.

9. אַרְוָדִי `Arvadiy — “eu libertarei”. Esses foram os filhos de Arvade. Ao contrário dos Sineus, nós podemos precisar exatamente o local que era ocupado pelos Arvadeus. Sua cidade estava no norte da Fenícia, mais especificamente em uma ilha rochosa cerca de 3 quilômetros da costa e cujo nome moderno é Ruade. Os gregos chamaram essa ilha de Aruade e é por esse nome que a mesma é mencionada em 1 Macabeus 15:23. Ela está localizada diante da foz do rio Euletero na Síria moderna, na mesma direção da ilha de Chipre e possui uma extensão de 3 quilômetros, aproximadamente.

10. צְּמָרִי Tzemariy — “lã dupla”. Os Zemareus foram os descendentes de Canaã que se estabeleceram entre a ilha controlada pelos Arvadeus mencionados acima e pelos Hamateus que se estabeleceram ainda mais ao norte.

11. חֲמָתִי Hamatiy — este nome é derivado da palavra “Hamate”, que quer dizer “fortaleza”. Eles habitavam na cidade de Hamate que ficava em território sírio às margens do rio Orontes. Hamate nunca gozou de muita liberdade em sua história, pois foi seguidamente controlada pelos Egípcios, pelos Hititas e pelos Assírios. A chamada “entrada de Hamate” constituía o limite norte da terra prometida — ver Números 13:21 e 1 Reis 8:65.

Os limites das terras ocupadas pelos Cananeus estão estabelecidos em Gênesis 10:19 e se estendem, na direção Norte-Sul, desde Sidon até Gerar. E, para o Leste, desde Gaza até Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Lasa — essas eram cidades localizadas no deserto ao sul do Mar Morto. As quatro primeiras são bem conhecidas e estão relativamente bem estabelecidas do ponto de vista arqueológico. Essas quatro cidades foram destruídas quando Deus fez chover enxofre e fogo do céu — ver Gênesis 19:24 – 25. A localização da cidade de Lasa, por sua vez, é completamente desconhecida. Como o nome “Lasa” quer dizer “fissura” em hebraico, existem várias teorias de que a cidade teria florescido junto a um grupo de fontes térmicas que podem ser encontradas ao sul do Mar Morto próximo a wady Zeka Ma’in.

OUTROS ARTIGOS ACERCA DO LIVRO DE GÊNESIS

001 — Introdução e Esboço

002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação

003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza

004 — Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra

005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida

006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR

007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA

008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1

009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2

010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia

011 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto Dia

012 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia

013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1

013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2

014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas

015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A

016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B

017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A

018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B

019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C

020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19

021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20

022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21

023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22

024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23

025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24

026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25

027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26

028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A

029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B

030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.

031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.

032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.

033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.

034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?

035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água

036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001

037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002

038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001

039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002

040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003

041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ

042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001

043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?
044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE
045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/genesis-estudo-045-tabua-das-nacoes.html
046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/genesis-estudo-047-tabua-das-nacoes.html
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html

Que Deus abençoe a todos. 

Alexandros Meimaridis 

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.  



[1] O texto original foi escrito quando o vírus H1-51 estava no seu início.

[2] Língua aglutinante. Língua em que as palavras apresentam sequencias de afixos para a expressão de significados gramaticais; língua aglutinativa. São exemplos de língua aglutinante o japonês, o turco e o suaíle – falado no Oeste da África. Outras línguas que usam esse mesmo mecanismo são chamadas de: língua flexional, língua isolante e língua polissintética: 1) Língua flexional = Língua em que as relações gramaticais são expressas por mudanças na estrutura interna das palavras, geralmente por meio de afixos que sobrepõem vários significados. É também chamada de língua sintética ou língua fusionante. O sânscrito, o latim, o grego e o árabe são os exemplos clássicos; 2) Língua isolante = Língua cujas palavras são invariáveis, depreendendo-se a relação entre elas de sua ordem na frase. Também chamadas de língua analítica e língua de raízes. São exemplos o chinês, o vietnamita e o samoano; 3) Língua polissintética = Língua que combina características de uma língua flexional e de uma língua aglutinante. É também chamada de língua incorporante. O exemplo clássico é o náuatle = língua uto-asteca falada no Centro e no Oeste do México.

[3] Zigurate = Templo babilônio antigo em forma de torre piramidal, com plataformas recuadas e sucessivas, degraus externos e santuário no topo.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

Nenhum comentário:

Postar um comentário