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quarta-feira, 15 de março de 2017

UMA TENTATIVA VERÍDICA DE ASSASSINAR HITLER EM 13 MINUTOS

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O artigo abaixo é da autoria de Ana Costa e foi originalmente publicado no site PSICANALISTAS PELA DEMOCRACIA. O mesmo apresenta uma análise do filme 13 Minutos que narra uma história verídica de um atentando para matar Hitler durante no início da II Guerra Mundial.

“Sobre atos que interpretam” Por Ana Costa

O filme 13 minutos, dirigido por Oliver Hirschbiegel, não tem a mesma força que seu ótimo A queda! As últimas horas de Hitler. No entanto, traz um elemento que me interessou particularmente e que tratarei aqui brevemente. O filme propõe-se a resgatar um episódio da vida de Georg Elser (Christian Friedel), que o guindou a personagem histórico, em que efetivou um atentado fracassado contra Adolf Hitler, em 1939. Um subtexto implícito do filme é: se Hitler não tivesse saído treze minutos antes do previsto – tempo que a bomba explodiu – Elser teria sozinho impedido os horrores que aconteceram depois, na segunda grande guerra.

Podemos reconhecer algo que se aproxima ao tema do herói, consistente com a história pessoal de Elser em que o filme se detém. Ele foi o filho chamado a intervir para limitar os excessos de seu pai alcoolista, que levou à perda da casa em que moravam, levando a família à ruína. Reproduziu, em sua paixão por Elsa (Katharina Schüttler), que era casada com outro alcoolista, os mesmos moldes de sua família de origem. Em flashbacks o filme transita pela vida de Elser, anterior à sua prisão. Não se adequava a nenhuma ordem, preferindo sempre as margens dos compromissos, como músico e namorador, passando por muitas mulheres sem ficar com nenhuma, até que encontra Elsa. Mesmo seu flerte com os comunistas, da Frente Vermelha de Lutadores, não era sustentado por convicções, mas por relações de amizade. A ressaltar-se a foto do anúncio do filme, em que o personagem aparece no meio do exército nazista: todos estão de uniforme, com seus topetes lisos penteados para o lado – como Hitler – e ele no meio, com o topete do cabelo rebelde e ondulado, penteado para o lado oposto. Lembra fotos que referem um homem a se destacar na multidão. Sem forçar demais, a ótica pela qual Elser é retratado no filme parece corresponder a análises freudianas sobre o tema do herói: aquele que não se submete a ordens instituídas, porque reconhece nelas o selo do gozo excessivo, traço do pai perverso. É aquele que subverte uma noção tão cara a nossa cultura, o tema do indivíduo.
A última afirmação precisa desdobramentos maiores dos que me proponho aqui, neste espaço de uma crônica. Farei uma breve aproximação, deixando para outro trabalho as fundamentações necessárias. Seria possível “enquadrar” Elser como indivíduo? Respondo negativamente, como já devo ter deixado implícito. Proponho uma outra categoria, a do envelope da carta roubada – tal como Lacan desenvolveu a partir do conto de Edgar Alan Poe. Afinal de contas, tratou-se de um embate entre as forças policiais/militares nazistas, buscando o que estaria escondido num texto que tudo mostrava – a narrativa de Elser foi de que teria feito tudo sozinho (o que se mostra do envelope da carta) – e um homem na sua singularidade. Que Elser não fosse um “dente” de uma grande maquinaria, a arquitetar um plano contra o onipotente Hitler, que ele tivesse feito tudo sozinho, revelava que um homem do povo, sem pretensões, poderia ser oponente suficiente para derrotar o condutor do Terceiro Reich. A polícia deveria descobrir o texto que supostamente o envelope esconderia. Hitler exigiu que fosse revelada uma trama arquitetada por oponentes de peso. Como tudo levava somente a Elser, seis anos depois, no apagar das luzes e semanas antes do final da guerra, o próprio militar que aprisionou Elser foi condenado e morto como sendo o cabeça responsável pelo atentado, numa trama forjada a fim de não deixar cair a máscara. A ironia de tal destino situa o sistema paranoico erguendo suas bases no ponto em que se revela sua impotência. Tal como um herói trágico, que despreza valores instituintes de um pai perverso, Elser não buscava algo para si e, nesse sentido, não temia perder, mesmo que de sua vida se tratasse. Achar que, sozinho, seria capaz de matar um líder “blindado” pela parafernália militar nazista, interpreta o que as encenações e propagandas buscavam velar: toda onipotência se ergue no lugar da impotência. Hitler era um fraco, assim como o pai de Elser, não despertando seu temor.

Tal perspectiva narrativa poderia ser criticada como simplista, ou mesmo subjetivista. No entanto, parece-me trazer um elemento de grande interesse, situado numa subversão possível ao que entendemos como indivíduo. Este último sustenta-se das tramas que instituem os valores fálicos, como imagens acabadas e uniformes, na busca de reconhecimento das bases de um poder. Nesse sentido, destaco a relevância de uma interpretação de Marilena Chauí, a respeito da realização máxima do nosso individualismo atual: o indivíduo que se crê empresa de si mesmo. Ele se crê livre por ter dispensado o Estado, erigindo-se em empresa de si (de sua formação, de seus “poderes” de negociação, de seu investimento privado em aposentadoria, etc.) para negociar com outras empresas, frente as quais será reconhecido e valorizado para um posto. O que as encenações e propagandas encobrem é a submissão a um sistema que produz uma crença de liberdade, sem que o sujeito reconheça que está submetido, pensando ter poderes ali onde é escravo.

Utilizei-me da expressão de Chauí – mesmo que abordando um contexto diferente da análise do filme – para situar o outro extremo a que o paroxismo da noção de indivíduo pode levar. Temos de um lado um Estado total (Alemanha nazista), que se confunde com a imagem do líder, e de outro um indivíduo total (o neoliberalismo), que acredita ter substituído o Estado. Verso e reverso, encontram-se num mesmo ponto, a busca impossível de uma totalidade sem perda. Por essa razão somente um outsider, que não se pautava pela crença na totalidade, que reconhecia impotência na submissão que o gozo carrega, poderia levantar a cortina e revelar a farsa.

Termino com um pequeno comentário de uma imagem recente, que me fez ligar situações aparentemente díspares. A imagem a que me refiro é de Raduan Nassar, sentado em silêncio olhando para algum ponto da plateia, depois de seu discurso crítico ao governo, na ocasião em que foi homenageado com o prêmio Camões de literatura. Nassar assim permaneceu enquanto o ministro da cultura, Roberto Freire, se perde numa fala vazia. Uma fala que se pauta em ofensas e desconhecimentos, representante de um governo ilegítimo, que tenta fazer cair a força da posição da fala que o precedeu. O silêncio de Nassar faz revelar a impotência do discurso de Freire, na medida em que não reconhece este como interlocutor. Nassar reiteradas vezes recusou ser representante de discursos instituintes de um valor de mercado, mesmo que das escolas literárias. Lavoura arcaica é uma obra que continua ímpar na literatura. Podemos reconhecer nela alguns elementos em causa no que antes destaquei sobre a história de Elser, da relação entre um filho e a lei/gozo do pai. O romance traz a força de uma narrativa, que não dispensa o sentido, mas que sabe fazer ato de linguagem poética, por meio da fala de um filho, que se faz equivaler à meia verdade do pai.

O artigo original poderá ser acessado por meio do link abaixo:


O trailer do filme poderá ser visto por meio do link abaixo:
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO — Estudo 5 - O SER HUMANO CRIADO POR DEUS - PARTE 002



Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade.

O Homem como ser Criado – Parte 2 - A Entrada da Morte no Meio da Raça Humana


A – A Queda: O Pecador Rebelado

A queda do homem no pecado é o único evento na história da humanidade que explica o lado mal dos seres humanos. Com a queda o homem não deixou de ser a imagem de Deus —

Tiago 3:9

Com ela, bendizemos ao Senhor e Pai; também, com ela, amaldiçoamos os homens, feitos à semelhança de Deus.

mas passou a refletir, por suas atitudes, a imagem de Satanás, também! O homem não deixou de ser homem, mas agora ele é homem pecador.

João 8:38-44

38 Eu falo das coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai.

39 Então, lhe responderam: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, praticai as obras de Abraão.

40 Mas agora procurais matar-me, a mim que vos tenho falado a verdade que ouvi de Deus; assim não procedeu Abraão.

41 Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe eles: Nós não somos bastardos; temos um pai, que é Deus.

42 Replicou-lhes Jesus: Se Deus fosse, de fato, vosso pai, certamente, me havíeis de amar; porque eu vim de Deus e aqui estou; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

43 Qual a razão por que não compreendeis a minha linguagem? É porque sois incapazes de ouvir a minha palavra.

44 Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira.


Todas as promessas de avanços, de progressos e de mudança de um estado de criatura para um de divindade estão baseados no próprio desejo de Lúcifer de tornar-se como Deus.


B – Culpando a Deus Por Nossos Erros

Essa prática é extremamente comum e multiplicada inúmeras vezes por pessoas de todas as ordens, desde cidadãos comuns, como esses que a gente vê todos os dias, passando por laureados cientista como o astrofísico Dr. Neil Tyson, cujas afirmações poderão ser vista em nosso recente artigo por meio desse link aqui:


Mas o que é que a Bíblia nos ensina acerca dessas coisas? Vejamos:


Efésios 2:1—3

1  Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

2  nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;

3  entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais.


Romanos 3:23

Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus,


Romanos 5:12

Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.


Tiago 1:13—17

13 Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.

14 Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.

15 Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

16 Não vos enganeis, meus amados irmãos.

17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança.


Romanos 7:21

Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim.

A queda é o único evento na história da humanidade que explica a atual condição do ser humano!


Quem é o pior inimigo dos seres humanos? Responda de acordo com os versículos apresentados acima.


C – A Queda explica a Morte do Homem

1. A Bíblia fala da Morte como um fato líquido e certo. Algumas pessoas acham que isso é normal, mas a morte é, na realidade, algo muito anormal e depois... —


Hebreus 9:27

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.


2. A Bíblia fala da origem da morte. A morte é resultado da desobediência do homem, do seu desejo de tornar-se como Deus! —


Romanos 5:12—17

12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.

13 Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.

14 Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que havia de vir.

15 Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.

16 O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre de muitas ofensas, para a justificação.

17 Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo.


Romanos 6:23

Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Hebreus 9:27

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo.


Tiago 1:14–15

14 Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.

15 Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte.

16 Não vos enganeis, meus amados irmãos.


Gênesis capítulos 2 e 3

A Morte é o terrível e não natural ato de separar a parte material da imaterial dos seres humanos. A morte nos transforma em metade do que somos. O homem foi feito, acima de tudo para viver, não para morrer.

Duas visões:

Visão Cristã
Visão Humanista
A morte não é natural
A morte é natural
A morte é conseqüência do pecado
A morte faz parte da vida
A morte traz um período de tristeza — João 11:33—39
A morte não deve significar muito ou mesmo significar absolutamente nada.
A morte terá um fim quando Cristo voltar! Apocalipse 21:4
A morte estará sempre presente


3. A Bíblia explica a morte como separação e não como aniquilação ou destruição. O que causa a morte é a partida da parte imaterial do corpo físico —

Gênesis 35:18

Ao sair-lhe a alma (porque morreu), deu-lhe o nome de Benoni; mas seu pai lhe chamou Benjamim. 

Eclesiastes 12:6—7

6 Antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço,

7 e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. 

Tiago 2:26

Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.

A desobediência da Adão e Eva marcou a morte deles como separados de Deus e não como aniquilados — ver Gênesis capítulos 2 e 3.)

4. A morte é chamada de o último grande inimigo —

1 Coríntios 15:26, 54—56 

26 O último inimigo a ser destruído é a morte.

54 E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.

55 Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?

56 O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.


Hebreus 2:14—18

 14 Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo,

15 e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida.

16 Pois ele, evidentemente, não socorre anjos, mas socorre a descendência de Abraão.

17 Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo.

18 Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.


Filipenses 1:21—24

21 Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.

22 Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher.

23 Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor.

24 Mas, por vossa causa, é mais necessário permanecer na carne.

Os versos acima servem para nos ajudar a entender a tensão que existe hoje em dia para nos os Cristãos.

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Estudo 002 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas — Parte 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/05/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 003 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas — Parte 003
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http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 011 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 001 — ψυχή  Psiché
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/06/essa-e-uma-serie-cujoproposito-e.html
Estudo 012 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 002 — πνεῦμα — pneûma — espírito, καρδίᾳ — Kardía — Coração, διανοίᾳ — dianoíaφρόνημα — frónemaνοήμα — noémaνοῦς  nous — Mente.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 013 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 003 — ἔσω ἄνθρωπον — éso ánthropon = homem interior; νεφρόι — Nefroi = rins
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 014 A — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Conclusão: A Crença na Imortalidade como algo Universal.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/vida-morte-estado-intermediario-e.html
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Alexandros Meimaridis 

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domingo, 4 de maio de 2014

UM ESTUDO ACERCA DO PECADO – ESTUDO 4 - A QUEDA PROPRIAMENTE DITA






Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. 

UM ESTUDO ACERCA DO PECADO – ESTUDO 4

Continuação...

Verso 6: Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.

De repente, a árvore proibida possuía, da perspectiva da mulher três qualidades que a recomendavam:

A. Em primeiro lugar a árvore era fisicamente agradável, isto é, “era boa para se comer”.

B. Em segundo lugar, a árvore parecia ser esteticamente agradável, pois o texto bíblico nos diz que a árvore era: “agradável aos olhos”.

C. Em terceiro lugar, e isto é bastante estranho, a árvore parecia possuir uma qualidade que, aos olhos da mulher, a transformavam em uma árvore: “desejável para dar entendimento”. Isto parece ser resultado direto da fantasia que existia na cabeça de Eva, pois não temos nenhuma idéia de como é que alguém pode tornar-se mais sábio apenas por comer determinado fruto. Todavia, esta parece ser, das três qualidades, aquela que mais apelava à mulher em sua desvairada fantasia.

A ironia da cena está finamente estampada na trama. Ao decidir desobedecer ao mandamento de Deus, a mulher manifestava a mais absoluta falta de entendimento, que por ironia, era exatamente o que ela estava buscando alcançar mediante o ato de desobediência ao mandamento de Deus

Excitada pela idéias disseminadas pela Serpente, a mulher acredita realmente que o fruto desta árvore possui a capacidade de satisfazer não somente ao apetite e ao paladar, mas também à razão! Aliado a isto, existia a promessa da serpente de que eles poderiam “ser como Deus, conhecedores do bem e do mal”. Mas tomar e comer do fruto proibido, não representava para eles também a realidade da morte, de acordo com as palavras de Deus quando disse: “no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Sim, e eles certamente sabiam disto. Mas como é que eles entendiam a expressão “morte”? Temos que tomar sempre muito cuidado para não trazermos para dentro dos textos bíblicos nossas idéias preconcebidas. Neste caso me refiro a lermos a expressão morte da maneira como estamos acostumados a utilizá-la, que é, como representativa dos conceitos de: cessação da vida ou da existência ou mesmo da consciência. Para o homem e sua mulher estes conceitos não estavam presentes, pois se este fosse o caso, que vantagem teriam realmente de tomar e comer do fruto? Para eles, portanto, o conceito representado pela expressão “morte” implicava sim, na separação de Deus, de Seus favores e da possibilidade de participar, em algum tempo futuro, da árvore da vida. Mas, diante da fantasia causada pelo desejo de ser algo mais, tudo isto poderia ser amplamente compensado pelo conhecimento adquirido, pela elevação alcançada e pela exaltação de ser exatamente como Deus mesmo. Aqui estamos diante de uma complexa “teia” dos mais intricados sofismas[1] e, devemos ter a humildade para nunca presumir que podemos entender exatamente tudo o que estava se passando na mente de nossos primeiros pais.

Em resumo podemos dizer que, para a mulher, não havia nenhuma outra maneira de se alcançar o conhecimento, a não ser por um ato de aberta desobediência a um mandamento direto de Deus. Por outro lado era como se não existisse nenhuma outra maneira de ser semelhante a Deus, que não fosse esta, alcançada mediante um ato voluntário de desobediência. Para a mulher, comer do fruto, em flagrante desobediência ao mandamento de Deus, era a única maneira de alcançar – sequil - entendimento. Esta última expressão significa literalmente o seguinte: “prosperar, fazer prosperar ou ter sucesso”. E é exatamente nisto mesmo que reside a essência da cobiça: um desejo veemente de possuir algo de tal maneira que parece que só poderemos alcançar a verdadeira felicidade se possuirmos o objeto desejado. O homem e sua mulher são culpados desta terrível transgressão. Quando iremos aprender que nossa verdadeira felicidade só pode ser alcançada, de forma exclusiva, mediante nosso relacionamento com Deus? E isto nas condições estabelecidas por Deus mesmo.

O primeiro relato de pecado na Bíblia está limitado ao uso de 8 palavras apenas:

וַתִּקַּח  = wattiqqah -  tomou-lhe.

מִ‍פִּרְיוֹ  = mippireyo - do fruto.

וַתֹּאכַל  = wattokal - e comeu.

וַתִּתֵּן  = wattitten - e deu.

גַּם־לְאִישָׁהּ  = gam-leîsah - também ao marido.

עִמָּהּ  = immah – esta palavra funciona literalmente como um advérbio ou uma preposição significando “com” e não é normalmente traduzida.
 
וַיֹּאכַל  = wayyokal – comeu.
Ao contrário da crença popular que diz que eles comeram uma maçã, a Bíblia não especifica qual tipo de fruto Adão e Eva comeram. A única árvore frutífera mencionada diretamente no texto é a figueira, no verso 7. A tradição, geralmente aceita de que nossos primeiros pais comeram uma maçã, provavelmente está baseada na similaridade sonora, em latim, entre malus, “mal”, e malum, “maçã”.

Devemos notar que a mulher não tenta o homem. Ela apenas estende a mão e ele toma o fruto e come. O homem não questiona nem argumenta contra. Não há diálogo registrado entre eles. O que move Adão não é o desejo de agradar sua mulher como alguns poderiam supor. O que o move é sua própria cobiça como persuadido pela sua própria consciência, de que aquela era a atitude certa a tomar. A mulher permite que sua própria mente e julgamento sejam seus guias. O homem nem aprova nem condena o que ela faz. Mas ao pecar, desobedecendo a uma ordem direta do seu Criador, Adão pecou contra a verdadeira e grande sabedoria; pecou contra incontáveis graças e misericórdias que lhe haviam sido manifestas e demonstradas; pecou, ainda mais, contra a luz mais cristalina que alguém poderia ter recebido e, contra o maior amor contra o qual uma criatura pode pecar.

De acordo com o relato da queda no pecado que encontramos no livro de Gênesis, o homem não se encontrava em liberdade para pecar. Pelo contrário ele é mostrado como estando debaixo de um mandamento divino para não pecar e tinha como grande incentivo a ameaça de Deus de que ele morreria caso desobedecesse. Adão e Eva estavam debaixo de um mandamento restritivo de Deus para não fazerem o que eles acabaram, de fato, fazendo. Liberdade, como autoridade, é composta por dois elementos: capacidade ou força, associada ao direito. Toda a autoridade que exercita a força sem o direito, constitui-se em uma perversão desta mesma autoridade, naquilo que chamamos de totalitarismo. Da mesma maneira a liberdade que faz aquilo que não tem o direito de fazer constitui-se em uma perversão desta mesma liberdade naquilo que chamamos de anarquismo.

A afirmação teológica de que Deus criou o homem livre, isto é, com uma liberdade tal que o permitia pecar – chamada tecnicamente de “posse pecare”, constitui-se em uma explicação do pecado pelo próprio pecado. Se Deus dotou o homem com este tipo de liberdade, então Deus não poderia, em justiça, permitir que a liberdade humana sofresse a escravidão que o pecado impõe sobre ela.



OUTROS ESTUDOS SOBRE O PECADO

O PECADO — ESTUDO —001 — TERMOS GREGOS E HEBRAICOS E PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

O PECADO — ESTUDO —002 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 1

O PECADO — ESTUDO —003 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 2

O PECADO — ESTUDO —004 — A QUEDA PROPRIAMENTE DITA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 3 — FINAL

O PECADO — ESTUDO 005 — A VERDADEIRA LIBERDADE

O PECADO — ESTUDO 006 — PECADO E LIVRE ARBÍTRIO

O PECADO — ESTUDO 007 — A BÍBLIA E O PELAGIANISMO

O PECADO — ESTUDO 008 — O PECADO E A SOBERANIA DE DEUS

O PECADO — ESTUDO 009 — HISTÓRIA E QUEDA

O PECADO — ESTUDOS 010 E 011 — O PECADO ORGINAL E A DEPRAVAÇÃO TOTAL

O PECADO — ESTUDOS 012 — PECADO E A GRAÇA DE DEUS

O PECADO — ESTUDOS 013A — PECADO E  O CASTIGO PARTE A

O PECADO — ESTUDOS 013B — PECADO E O CASTIGO PARTE B — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 001

O PECADO — ESTUDOS 013C — PECADO E O CASTIGO PARTE C — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 002

O PECADO — ESTUDOS 013D — PECADO E O CASTIGO PARTE D — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 003

O PECADO — ESTUDOS 013E — PECADO E O CASTIGO PARTE E — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 004

O PECADO — ESTUDOS 013F — PECADO E O CASTIGO PARTE F — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 005

O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
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Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Sofisma - Argumento aparentemente válido, mas, na realidade, não conclusivo, e que supõe má-fé por parte de quem o apresenta; falácia. Por extensão corresponde a um argumento falso formulado de propósito para induzir outrem a erro.