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sexta-feira, 7 de julho de 2017

EFÉSIOS - SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS


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Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará os links para outros estudos dessa série.


EFÉSIOS 4:12—16
Introdução.

A. O capítulo 4 de Efésios nos diz que quando Jesus subiu aos céus ele derramou sua graça, mediante o Espírito Santo, sobre Seu povo.

B. Esse derramar da graça de Deus alcança todos os crentes e nos habilita a funcionarmos de maneira apropriada e necessária dentro do Corpo de Cristo — a Igreja. Cada crente possui pelos menos um dom. Existe, portanto, uma multiplicidade de dons o que é um indicativo de que o Corpo de Cristo — Sua Igreja — precisa crescer em unidade em meio à diversidade.

C. Entres os dons alistados em Efésios 4 nós vamos encontrar:

1. Apóstolos e Profetas — esses foram os indivíduos que Deus usou como seus instrumentos para nos legar o Novo Testamento. Foi a eles que Deus revelou Sua palavra e é somente sobre essa mesma palavra que nós podemos ser edificados — ver Efésios 3:5 e 2:20. Eles nos legaram o fundamento sobre o qual a Igreja pode crescer.

2. Evangelistas são aqueles que possuem o dom específico de alcançar os outros com a mensagem do evangelho. São esses que Deus usa para fazer a igreja crescer em número e de forma constante.

3. Pastores-mestres são aquele que Deus levantou no seio da Sua Igreja para cuidar do povo da mesma maneira que um pastor cuida de suas ovelhas. É através desse ministério que a Igreja cresce espiritualmente, ou pelo menos deveria crescer.

D. Nessa mensagem queremos ver como esses dons devem fazer o Corpo de Cristo — a Igreja — crescer bem fundamentada, crescer numericamente e crescer espiritualmente até atingir a plena maturidade em Cristo.

E. Para isto vamos ver qual é:

O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS         EM EFÉSIOS 4

I. O Propósito dos Dons é sempre a Edificação ou o Crescimento da Igreja – verso 12.

A. Em Efésios 4:12 Paulo alista dois propósitos específicos para os dons mencionados no verso 11. Estes propósitos são:

1. Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço.

2. Para a edificação do corpo de Cristo

B. No primeiro propósito nós temos especificado que os crentes, todos os crentes, têm um serviço que precisam executar. Para tal é necessário que eles sejam informados, edificados, orientados, desafiados, incentivamos e etc. Em uma palavra é necessário que os crentes sejam καταρτισμὸν katartismòn — capacitados ou aperfeiçoados, de tal maneira que, enquanto membros do corpo de Cristo, eles sejam exatamente aquilo que devem ser. O crente é como um navio que está sendo preparado para uma viagem. Tudo o que é necessário — alimentos, mantimentos, suprimentos etc. — precisa ser embarcado antes do navio partir do porto. Uma vez plenamente abastecido e suprido, ele pode então seguir em sua missão. Assim é o crente. Diferentes igrejas oferecem diferentes possibilidades para se alcançar esses objetivos —

1. Reuniões de oração com ou sem estudo bíblico concomitante.

2. Reuniões de estudos bíblicos.

3. Reuniões nos lares.

4. Reuniões específicas para grupos específicos: casais, jovens adolescentes, etc.

5. Escola dominical. Classes para crianças — separadas por idade —, adolescentes, jovens e adultos, bem como uma classe de preparação para aqueles que desejam fazer profissão de fé e receberem o batismo.

6. Cultos de louvor, adoração e edificação.

C. Como está a tua participação nestas possibilidades de crescimento e aperfeiçoamento? Quanto você realmente esta envolvido nestes processos?

D. Quando cada crente individualmente está plenamente suprido e equipado então ele pode realizar a sua parte no segundo propósito que é cooperar para a edificação do corpo de Cristo. Paulo diz que:

1 Coríntios 12:7

A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso

E. O que vocês acham que pode ser mais produtivo: o pastor e mais uma meia dúzia de pessoas fazendo tudo ou cada um de nós — mencionar o número de presentes — fazendo cada um a sua parte?

F. Há tantas necessidades dentro da nossa comunidade que vale à pena a gente destacar algumas:

1. Visitar os enfermos e as pessoas afastadas para ler a Bíblia com eles e orar junto com eles.

2. Receber bem e procurar se integrar com aqueles que nos visitam.

3. Oferecer a prestação de serviços para aqueles que estão impossibilitados de realizá-los. Fazer compras, cozinhar uma refeição, pagar contas e resolver pendências são algumas possibilidades.

4. Se oferecer como “babá” para cuidar de crianças pequenas enquanto um casal sai para desfrutar um jantar calmo e romântico como os que aconteciam antes dos filhos chegarem.

5. Oferecer transporte para aqueles que precisam se locomover para consultórios, laboratórios e que não possuem meio de transporte pessoal.

6. Visitar pessoas que não conhecem o Senhor para compartilhar as Boas Novas com elas. Abrir a própria casa para um estudo bíblico. Não precisa ter o dom de evangelista para fazer isso. Precisa apenas ter boa vontade e um coração compassivo para com aqueles que estão se perdendo, sem Cristo, a cada dia. Estatísticas nos dizem que uma pessoa qualquer está, pelo menos, vinte vezes mais aberta a frequentar uma reunião em um lar do que em atender ao convite para vir até o salão onde a Igreja se reúne. Pense nisso!

7. Socorrer os necessitados fortalecendo-os com palavras de consolo e edificação, bem como orando juntamente com eles.

8. Ensinar ou cooperar no ensino das várias faixas etárias a quem desejamos servir aqui na comunidade.

9. Aconselhar adolescentes, jovens e adultos solteiros, bem como casais em suas necessidades específicas.

G. Quando abrimos nossos olhos para estas realidades não é difícil perceber que estamos cercados de possibilidades ilimitadas de serviço. Se Deus permite a você enxergar algo, então é muito provável que juntamente com a clareza de visão lhe esteja sendo oferecida tanto a força com a oportunidade de satisfazer aquela necessidade.

H. O objetivo de agirmos dessa maneira, estar equipados e prontos para cooperar com a edificação do Corpo de Cristo, segundo o nosso texto é:

II. Porque a Igreja Precisa Crescer Espiritualmente — verso 13.

A. De acordo com as palavras de Paulo a Igreja como um todo, um só corpo, precisa crescer espiritualmente porque todos — tanto como indivíduos bem como uma coletividade — precisamos alcançar o seguinte:

1. Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus. Existem graus distintos de unidade como existem graus distintos de consagração e santidade. Mas uma coisa é certa: não existe verdadeira unidade sem fé e sem conhecimento.
2. À perfeita varonilidade. Essa expressão indica apenas que os cristãos precisam amadurecer. Aqueles que são parte da nova sociedade de Deus, que são chamados a preservar a unidade concedida pelo Espírito Santo são os mesmos que, agora, são desafiados ao amadurecimento.
3. À medida da estatura da plenitude de Cristo. Esse é o propósito do Espírito Santo vir habitar dentro de cada um de nós: tomar-nos e, dia a dia,  nos transformar para nos tornarmos um reflexo perfeito do próprio Senhor Jesus.
B. O tipo de crescimento descrito acima não tem nada a ver com quantidade de pessoas. Mas tem tudo a ver com as pessoas funcionando de forma efetiva como devem funcionar no Corpo de Cristo — a Igreja.
C. O resultado deste tipo de crescimento é...
III. Discernimento para Evitar o Erro e para Andar de Acordo com a Verdade — versos 14—16.

A. Paulo contrasta a maturidade discutida anteriormente com a imaturidade ou infantilidade daqueles que não conseguem alcançar uma firmeza em seus pensamentos com relação à verdade como revelada em Jesus Cristo.

B. Estes são aqueles que:

1. São chamados de νήπιοι népioi — crianças no sentido de infantil, imaturo ou inexperiente.

2. São agitados de um lado para o outro como as ondas do mar são agitadas pelo vento.

3. São levados por todos os ventos de doutrina mediante a artimanha dos homens, por meio da astúcia com que conduzem ao erro.

C. Mas os crentes edificados de maneira apropriada são aqueles que:

1. Seguem a verdade em amor. São aqueles que não comprometem suas convicções por causa de prestígio ou popularidade. Mas seguem a verdade em amor. Este é um equilíbrio bastante delicado. É a falta desse equilíbrio que gera todos os tipos de perseguições religiosas e de desvios doutrinários.
2. São esses que crescem em tudo naquele que é o cabeça, Cristo. São esses os que estão envolvidos com todas as possibilidades tanto de contribuir como de receber para a edificação do Corpo de Cristo — a Igreja.
3. São esses que funcionam bem ajustados e consolidados como são as juntas do corpo humano. Cada um fazendo a sua parte para o bem do todo.
D. O resultado final é o aumento do processo de edificação em amor. Quanto mais crentes participarem deste processo mais o corpo “aumentará” seu próprio crescimento. O corpo precisa da participação de todos como precisa da participação de cada um de nós.
Conclusão:

A. O advento dos pastores profissionais prestou um enorme desserviço ao corpo de Cristo. E isso por dois motivos principais:

1. Em primeiro lugar surgiram homens que desejam controlar com mão de ferro tudo o que é feito dentro das comunidades cristãs. Não existe nem liberdade nem a possibilidade da variedade de dons se manifestarem. Não se ensina a verdade de que cada crente precisa exercitar seu próprio dom porque os chamados “pastores” têm medo de perder a “boquinha”.

2. Em segundo lugar a grande maioria dos crentes se sente desmotivada e desinteressada em se envolver com o serviço devido à Deus — pelo custo e sacrifícios necessários — e prefere, então, como que “enterrar” o dom recebido.

3. Estas duas atitudes são, em grande parte, as maiores responsáveis pelo atual estado em que a Igreja se encontra em nossos dias.

B. O Novo Testamento nos ensina que o serviço cristão não é uma prerrogativa dos pastores e da liderança e sim que o mesmo é O PRIVILÉGIO DE TODOS OS CRENTES INDIVIDUALMENTE.

C. O conceito do Novo Testamento referente aos pastores é o de alguém que cuida, ajuda e encoraja o povo de Deus a descobrir, desenvolver e exercitar seus próprios dons. O pastor de verdade não tem ciúmes, nem inveja e muito menos medo de suas ovelhas porque ele sabe que elas estão capacitadas pelo próprio Senhor Jesus — o Supremo Pastor das Ovelhas de acordo com 1 Pedro 5:4 — a fazer aquelas coisas que ele mesmo não pode fazer para garantir a edificação do corpo de Cristo. O pastor não pode ser um monopolizador de ministérios. Ele precisa ser um multiplicador de ministros ou servos para o bem de todo o povo de Deus.

D. Existem dois elementos que precisam estar sempre presentes se a Igreja — o Corpo de Cristo — pretende crescer: Verdade e Amor. Que o Espírito Santo que é o “Espírito da Verdade” e de quem o primeiro fruto é o Amor — ver Gálatas 5:22—23 possa ser nosso guia, nosso inspirador e nosso sustentador neste desafio que temos diante de nos de servir ao senhor e cooperar com o crescimento do Corpo de Cristo.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 — A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS
EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

EFÉSIOS 4:4—6 — SERMÃO 025 — A IGREJA É UNA PORQUE DEUS É UM

EFÉSIOS 4:7—10 — SERMÃO 026 — UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 027 — OS DONS DE EDIFICAÇÃO DA IGREJA

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 028 — OS DOM DE PASTORES E MESTRES

EFÉSIOS 4:12—16 — SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/efesios-sermao-029-o-proposito-dos-dons.html

Que Deus Abençoe a Todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.

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sábado, 10 de janeiro de 2015

ÊXODO: DEUSES E REIS: A ILUSÃO E AS MENTIRAS DE RIDLEY SCOTT


 
Atores que representam Moisés e o Ramsés no filme Êxodo;Deuses e Reis

No final do mês de dezembro de 2014 estreou mundo afora o novo filme dirigido por Ridley Scott, que, SUPOSTAMENTE, pretende recontar, à moda de Hollywood, a história bíblica do livro do Êxodo. O filme tem o seguinte título: Êxodo: Deuses e Reis.

Quando paramos para analisar essa nova produção de Hollywood voltada, como sempre, para desmentir e descaracterizar as Escrituras Sagradas existe uma pergunta que logo nos vem à mente: a pessoa que está assistindo ao filme acredita em coincidências? Essa pergunta é importante, porque sabemos que a maior parte da audiência não acredita na Bíblia, mas talvez acredite em coincidências. Nem mesmo a maioria do chamado povo evangélico, que consome avidamente esse lixo sem refletir nas consequencias, acredita nas Sagradas Escrituras. Dizemos isso porque são incapazes de reconhecer qualquer coisa de errado no filme, e põe erros nisso.

No filme, o pai do personagem Josué acredita que seu encontro casual com Moisés foi algo ordenado pelo próprio Deus. Nesse momento estamos bem no início do Filme e seu diretor faz questão de nos apresentar um Moisés cético diante das revelações feitas por Num, revelações que, diga-se de passagem, não estão no texto bíblico.. Mas as coincidências vão se multiplicando até o ponto em que, mesmo de forma inconsciente, a audiência começa a aceitar que as mesmas são fruto de algum tipo de projeto intencional, como algo organizado por um ser inteligente.

Em outros momentos, quando algo incomum acontece somos, imediatamente, levados a pensar que estamos apenas diante de uma coincidência mesmo, pura e simples. Nem todo desastre natural é resultado de algum juízo de Deus e nem todos os sonhos trazem alguma mensagem do Altíssimo.


Coincidência ambíguas são estabelecidas desde o início do filme com o intuito de criar profundas dúvidas na mente da audiência acerca do ensino assertivo das Escrituras Sagradas. Dessa forma, aquilo que está solidamente apresentado na Bíblia torna-se aberto a qualquer tipo de interpretação que a que o leitor esteja inclinado. Mas existe uma armadilha nisso tudo que é: o próprio filme torna-se também aberto a qualquer tipo de interpretação a que o expectador esteja inclinado. E isso é uma possibilidade real de suceder tanto com o crente como com o incrédulo. Os crentes tendem a aceitar de forma passiva a inserção de conceitos e ideias que não podem ser encontradas na história original. Para os incrédulos nada é mesmo relevante. E isso faz com que eles, por não terem conhecimento da verdadeira narrativa, aceitem o filme como se fosse compatível com a narrativa bíblica ou pior, como se o mesmo fosse a própria narrativa bíblica. E nada poderia estar mais longe da verdade.

Ridley Scott se autodefine como um ateu, portanto, sua abordagem ao texto bíblico irá, obviamente, refletir o fato de que ele não crê na existência do Deus ETERNO. É aí que a ambiguidade entra com toda sua força. Ela é usada como argumento para atrair o universo de evangélicos que não iriam assistir ao filme, de nenhuma forma, se os críticos avisassem o público que o filme nega o que as Escrituras dizem, apesar do resultado final ser esse mesmo. Mas tudo é feito de modo camuflado e sutil como bem descreveu Paulo ser a atuação dos enganadores, quando disse:

Efésios 4:14

Para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.  

Hoje estamos vivendo em dias em que a adesão às religiões está em declínio conforme uma pesquisa recente do Instituto Gallup e o ateísmo está em alta. Ver nosso artigo acerca dessa questão por meio desse link aqui:


Então o filme de Ridley Scott capitaliza sobre essa condição, que é mais notória em seu próprio pais — os EUA — onde ele se aproveita para enfatizar e reforçar a ideia de que, em nossos dias, as religiões de modo geral, são apenas superstições irracionais e que o Deus da Bíblia, como já defendiam os inimigos das Escrituras Holbach[1] no século XVIII e Feuerbach[2] no século XIX, não passa de uma criatura monstruosa, do ponto de vista moral. Nesse aspecto Ridley Scott se aproveita da nova roupagem das idéias dos séculos passados, supridas pelo nigeriano Richard Dawkins — autor de Deus, Um Delírio — para criar seu próprio delírio e embuste.

Assim o filme de Ridley Scott é uma produção segura para o cientifismo contemporâneo. O Faraó do Egito acredita na tolice de que a vontade dos deuses egípcios pode ser adivinhada pela análise das entranhas de um animal sacrificado com esse propósito — ter suas entranhas lidas e interpretadas por um sacerdote ou uma sacerdotisa. Durante esse tempo, na ilusão patética de Ridley Scott, Moisés que ainda acredita que é apenas o filho ilegítimo da filha do Faraó, zomba daqueles que abandonam a razão para seguirem presságios. Isso é claro, é uma evidente zombaria sobre todos os crentes que acreditam nas Sagradas Escrituras. É a genialidade a serviço da maldade suprema: Fazer o próprio Moisés zombar dos crentes do tempo presente com suas palavras, mesmo que as mesmas estejam sendo dirigidas ao Faraó dos seus dias!

Mais adiante, uma invencionice inominável: a cena nos mostra Moisés numa discussão religiosa com os anciãos dos escravos hebreus. Moisés diz que deseja “convencê-los” que a religião deles é falsa, porque “crenças falsas conduzem ao fanatismo” e isso pode conduzir a uma rebelião. Em seguida Moisés diz para Zípora, sua esposa, que “acreditar em si mesmo” é preferível a acreditar em alguma religião e, mais adiante ainda, em uma conversa com um de seus filhos, Moisés parece dizer que religião é apenas “dizer aquilo que o povo quer ouvir”. E, desse modo sutil e insidioso, a mentira vai sendo infiltrada nas mentes de toda a audiência e até mesmo dos chamados evangélicos que saíram da sala de cinema elogiando o filme!

À medida que o filme avança é fácil notar que o roteiro foi escrito de modo a lançar dúvidas sobre o próprio conteúdo do filme. Como exemplo disso podemos citar a cena em que uma pedra bate na cabeça de Moisés, pouco antes de avistar a sarça ardente. Nada poderia estar mais distante da verdade da narrativa bíblica. Até mesmo Zípora “duvida” de Moisés alegando que a tal visão da sarça poderia ser apenas uma alucinação devido à pancada sofrida na cabeça pouco antes. Essa ideia largada no meio do filme é fortalecida pelo fato de ninguém mais, a não ser Moisés, ouvir ou perceber qualquer manifestação vinda de Deus, o que é uma evidente mentira, quando comparada com o texto bíblico. A intenção de Ridrley Scott é apresentar Moisés como um personagem esquizofrênico, como afirmou o ator Christian Bale que fez o papel do legislador.  

A forma de contar uma história sem mostrar nenhuma cena e ter, tempos depois, tal história também confirmada apenas de modo verbal é uma técnica cinematográfica conhecida, para indicar que não se trata de uma história verdadeira. E é isso mesmo que é feito com a história do nascimento de Moisés.

Os próprios milagres são mostrados seguindo as teorias antigas — de Werner Keller “E A Bíblia tinha Razão” — e modernas — como o filme de Stephen Miller — como sendo apenas acidentes da natureza, sem nenhuma intervenção divina verdadeira. Também como poderia? O diretor do filme não acredita em Deus! Mesmo os momentos hilários oferecidos pelos idiotas conselheiros do Faraó servem apenas para plantar ainda mais fundo as dúvidas nas mentes dos espectadores.

Mas o mais curioso é o seguinte. No texto bíblico depois de Deus convencer Moisés a retornar ao Egito e apavorar o Faraó e seu povo com o poder de Deus mediante o uso do bastão que Moisés usava, mas que Moisés já estava deixando para trás, quando Deus lhe diz:

Êxodo 4:17 na NTLH

Leve este bastão porque é com ele que você vai fazer os milagres.

o filme, de forma estranha, não mostra Moisés em nenhuma das cenas usando o bastão — seja na produção das pragas ou mesmo às margens do Mar Vermelho. Tais eventos simplesmente acontecem sem nenhum envolvimento de Moisés. Essa é a forma entediante de Hollywood sempre contar as histórias bíblicas. Mais duas curiosidades: o bastão de Moisés é substituído por uma espada — Moisés é transformado num “espadachim medieval” — e o Mar Vermelho se abre pela força da queda de um meteorito no mesmo, que cria um tsunami formado por duas ondas gigantescas!

As pragas são apresentadas como uma técnica de terrorismo religioso. Tudo é feito de modo a criar nas pessoas uma falsa ideia que o verdadeiro relacionamento com Deus, como ensinado na Bíblia — e não a religião como apresentada no filme — é a razão de muito da violência que existe no mundo nos dias de hoje. Apesar disso não ser verdadeiro, já que a grande parte do mal que existe no mundo tem sua origem na política e nas injustiças econômicas, com a religião sendo apenas manipulada para ocupar esse espaço. Além do mais, isso não tem nada a ver com a narrativa do Êxodo, das Bíblia nem com os cristãos verdadeiros.

A maior afronta do filme fica por conta da decisão de Ridley Scott, de caracterizar Deus como um menino de onze anos, petulante, irracional e raivoso por não ver seus desejos atendidos. Quão longe essa representação está da verdadeira encarnação de Deus na pessoa de Jesus Cristo, só pode ser medida pela distância entre o glorioso céu onde Moisés está e o pavoroso inferno e lago de fogo onde Ridley Scott irá terminar, se não se arrepender e se voltar para o nosso Deus.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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[1] Paul-Henri Dietrich, barão d’Holbach enciclopedista (contribui com nada menos do que 376 artigos para a grande enciclopédia publicada por Diderot) e filósofo alemão naturalizado francês nascido em Dezembro de 1723 em Edesheim próximo a Landau e tendo falecido em Paris em 21 de Julho de 1789. Suas duas obras mais significativas com relação à crítica da Cristandade são: 1)”O Sistema da Natureza” publicada em 1770 sob o pseudônimo de J. B. Mirabaud e; 2) “Le Christianisme Dévoilé” de 1761 publicado sob o nome de um amigo já falecido, N. A. Boulanger. Nas duas obras d’Holbach ataca a Cristandade como sendo contrária tanto à natureza quanto à razão. Em tempos mais recentes um inglês chamado M. D. Magee tem publicado um site na Internet com o título “Christianity Revealed” o que é uma inegável cópia da obra do barão d’Holbach.

[2] Andréas Lwdwig Feuerbach filósofo e humanista alemão que exerceu enorme influência sobre Karl Marx com suas idéias teológicas centradas no homem e não em Deus. Feuerbach abandonou os estudos teológicos e tornou-se discípulo de G. W. F. Hegel durante dois anos em Berlim. Publicou seu primeiro livro acerca da morte e da imortalidade — “Gedanken über Tod und Unsterblichkeit” em 1832 – de forma anônima. Em 1839 publica “Über Philosophie und Christentum” onde defende a idéia de que a Cristandade já havia desaparecido não somente da razão, mas da própria existência humana e que não passava de uma idéia fixa somente. Sua obra mais importante, todavia, “Das Wesen des Christentums” foi publicada em 1841. Feuerbach, mesmo negando ser ateísta, defendia a idéia de que o “deus” da Cristandade não passava de uma ilusão. Ele exerceu profunda influência sobre o editor anticristão David Friedrich Strauss, que escreveu um dos livros mais controvertidos dos quais se tem notícia “Das Leben Jesu Kritisch Bearbeitet” entre 1835-36 bem como sobre Bruno Bauer, outro severo crítico da Cristandade.