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sexta-feira, 7 de julho de 2017

EFÉSIOS - SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS


Resultado de imagem para maturidade espiritual

Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará os links para outros estudos dessa série.


EFÉSIOS 4:12—16
Introdução.

A. O capítulo 4 de Efésios nos diz que quando Jesus subiu aos céus ele derramou sua graça, mediante o Espírito Santo, sobre Seu povo.

B. Esse derramar da graça de Deus alcança todos os crentes e nos habilita a funcionarmos de maneira apropriada e necessária dentro do Corpo de Cristo — a Igreja. Cada crente possui pelos menos um dom. Existe, portanto, uma multiplicidade de dons o que é um indicativo de que o Corpo de Cristo — Sua Igreja — precisa crescer em unidade em meio à diversidade.

C. Entres os dons alistados em Efésios 4 nós vamos encontrar:

1. Apóstolos e Profetas — esses foram os indivíduos que Deus usou como seus instrumentos para nos legar o Novo Testamento. Foi a eles que Deus revelou Sua palavra e é somente sobre essa mesma palavra que nós podemos ser edificados — ver Efésios 3:5 e 2:20. Eles nos legaram o fundamento sobre o qual a Igreja pode crescer.

2. Evangelistas são aqueles que possuem o dom específico de alcançar os outros com a mensagem do evangelho. São esses que Deus usa para fazer a igreja crescer em número e de forma constante.

3. Pastores-mestres são aquele que Deus levantou no seio da Sua Igreja para cuidar do povo da mesma maneira que um pastor cuida de suas ovelhas. É através desse ministério que a Igreja cresce espiritualmente, ou pelo menos deveria crescer.

D. Nessa mensagem queremos ver como esses dons devem fazer o Corpo de Cristo — a Igreja — crescer bem fundamentada, crescer numericamente e crescer espiritualmente até atingir a plena maturidade em Cristo.

E. Para isto vamos ver qual é:

O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS         EM EFÉSIOS 4

I. O Propósito dos Dons é sempre a Edificação ou o Crescimento da Igreja – verso 12.

A. Em Efésios 4:12 Paulo alista dois propósitos específicos para os dons mencionados no verso 11. Estes propósitos são:

1. Com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço.

2. Para a edificação do corpo de Cristo

B. No primeiro propósito nós temos especificado que os crentes, todos os crentes, têm um serviço que precisam executar. Para tal é necessário que eles sejam informados, edificados, orientados, desafiados, incentivamos e etc. Em uma palavra é necessário que os crentes sejam καταρτισμὸν katartismòn — capacitados ou aperfeiçoados, de tal maneira que, enquanto membros do corpo de Cristo, eles sejam exatamente aquilo que devem ser. O crente é como um navio que está sendo preparado para uma viagem. Tudo o que é necessário — alimentos, mantimentos, suprimentos etc. — precisa ser embarcado antes do navio partir do porto. Uma vez plenamente abastecido e suprido, ele pode então seguir em sua missão. Assim é o crente. Diferentes igrejas oferecem diferentes possibilidades para se alcançar esses objetivos —

1. Reuniões de oração com ou sem estudo bíblico concomitante.

2. Reuniões de estudos bíblicos.

3. Reuniões nos lares.

4. Reuniões específicas para grupos específicos: casais, jovens adolescentes, etc.

5. Escola dominical. Classes para crianças — separadas por idade —, adolescentes, jovens e adultos, bem como uma classe de preparação para aqueles que desejam fazer profissão de fé e receberem o batismo.

6. Cultos de louvor, adoração e edificação.

C. Como está a tua participação nestas possibilidades de crescimento e aperfeiçoamento? Quanto você realmente esta envolvido nestes processos?

D. Quando cada crente individualmente está plenamente suprido e equipado então ele pode realizar a sua parte no segundo propósito que é cooperar para a edificação do corpo de Cristo. Paulo diz que:

1 Coríntios 12:7

A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso

E. O que vocês acham que pode ser mais produtivo: o pastor e mais uma meia dúzia de pessoas fazendo tudo ou cada um de nós — mencionar o número de presentes — fazendo cada um a sua parte?

F. Há tantas necessidades dentro da nossa comunidade que vale à pena a gente destacar algumas:

1. Visitar os enfermos e as pessoas afastadas para ler a Bíblia com eles e orar junto com eles.

2. Receber bem e procurar se integrar com aqueles que nos visitam.

3. Oferecer a prestação de serviços para aqueles que estão impossibilitados de realizá-los. Fazer compras, cozinhar uma refeição, pagar contas e resolver pendências são algumas possibilidades.

4. Se oferecer como “babá” para cuidar de crianças pequenas enquanto um casal sai para desfrutar um jantar calmo e romântico como os que aconteciam antes dos filhos chegarem.

5. Oferecer transporte para aqueles que precisam se locomover para consultórios, laboratórios e que não possuem meio de transporte pessoal.

6. Visitar pessoas que não conhecem o Senhor para compartilhar as Boas Novas com elas. Abrir a própria casa para um estudo bíblico. Não precisa ter o dom de evangelista para fazer isso. Precisa apenas ter boa vontade e um coração compassivo para com aqueles que estão se perdendo, sem Cristo, a cada dia. Estatísticas nos dizem que uma pessoa qualquer está, pelo menos, vinte vezes mais aberta a frequentar uma reunião em um lar do que em atender ao convite para vir até o salão onde a Igreja se reúne. Pense nisso!

7. Socorrer os necessitados fortalecendo-os com palavras de consolo e edificação, bem como orando juntamente com eles.

8. Ensinar ou cooperar no ensino das várias faixas etárias a quem desejamos servir aqui na comunidade.

9. Aconselhar adolescentes, jovens e adultos solteiros, bem como casais em suas necessidades específicas.

G. Quando abrimos nossos olhos para estas realidades não é difícil perceber que estamos cercados de possibilidades ilimitadas de serviço. Se Deus permite a você enxergar algo, então é muito provável que juntamente com a clareza de visão lhe esteja sendo oferecida tanto a força com a oportunidade de satisfazer aquela necessidade.

H. O objetivo de agirmos dessa maneira, estar equipados e prontos para cooperar com a edificação do Corpo de Cristo, segundo o nosso texto é:

II. Porque a Igreja Precisa Crescer Espiritualmente — verso 13.

A. De acordo com as palavras de Paulo a Igreja como um todo, um só corpo, precisa crescer espiritualmente porque todos — tanto como indivíduos bem como uma coletividade — precisamos alcançar o seguinte:

1. Até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus. Existem graus distintos de unidade como existem graus distintos de consagração e santidade. Mas uma coisa é certa: não existe verdadeira unidade sem fé e sem conhecimento.
2. À perfeita varonilidade. Essa expressão indica apenas que os cristãos precisam amadurecer. Aqueles que são parte da nova sociedade de Deus, que são chamados a preservar a unidade concedida pelo Espírito Santo são os mesmos que, agora, são desafiados ao amadurecimento.
3. À medida da estatura da plenitude de Cristo. Esse é o propósito do Espírito Santo vir habitar dentro de cada um de nós: tomar-nos e, dia a dia,  nos transformar para nos tornarmos um reflexo perfeito do próprio Senhor Jesus.
B. O tipo de crescimento descrito acima não tem nada a ver com quantidade de pessoas. Mas tem tudo a ver com as pessoas funcionando de forma efetiva como devem funcionar no Corpo de Cristo — a Igreja.
C. O resultado deste tipo de crescimento é...
III. Discernimento para Evitar o Erro e para Andar de Acordo com a Verdade — versos 14—16.

A. Paulo contrasta a maturidade discutida anteriormente com a imaturidade ou infantilidade daqueles que não conseguem alcançar uma firmeza em seus pensamentos com relação à verdade como revelada em Jesus Cristo.

B. Estes são aqueles que:

1. São chamados de νήπιοι népioi — crianças no sentido de infantil, imaturo ou inexperiente.

2. São agitados de um lado para o outro como as ondas do mar são agitadas pelo vento.

3. São levados por todos os ventos de doutrina mediante a artimanha dos homens, por meio da astúcia com que conduzem ao erro.

C. Mas os crentes edificados de maneira apropriada são aqueles que:

1. Seguem a verdade em amor. São aqueles que não comprometem suas convicções por causa de prestígio ou popularidade. Mas seguem a verdade em amor. Este é um equilíbrio bastante delicado. É a falta desse equilíbrio que gera todos os tipos de perseguições religiosas e de desvios doutrinários.
2. São esses que crescem em tudo naquele que é o cabeça, Cristo. São esses os que estão envolvidos com todas as possibilidades tanto de contribuir como de receber para a edificação do Corpo de Cristo — a Igreja.
3. São esses que funcionam bem ajustados e consolidados como são as juntas do corpo humano. Cada um fazendo a sua parte para o bem do todo.
D. O resultado final é o aumento do processo de edificação em amor. Quanto mais crentes participarem deste processo mais o corpo “aumentará” seu próprio crescimento. O corpo precisa da participação de todos como precisa da participação de cada um de nós.
Conclusão:

A. O advento dos pastores profissionais prestou um enorme desserviço ao corpo de Cristo. E isso por dois motivos principais:

1. Em primeiro lugar surgiram homens que desejam controlar com mão de ferro tudo o que é feito dentro das comunidades cristãs. Não existe nem liberdade nem a possibilidade da variedade de dons se manifestarem. Não se ensina a verdade de que cada crente precisa exercitar seu próprio dom porque os chamados “pastores” têm medo de perder a “boquinha”.

2. Em segundo lugar a grande maioria dos crentes se sente desmotivada e desinteressada em se envolver com o serviço devido à Deus — pelo custo e sacrifícios necessários — e prefere, então, como que “enterrar” o dom recebido.

3. Estas duas atitudes são, em grande parte, as maiores responsáveis pelo atual estado em que a Igreja se encontra em nossos dias.

B. O Novo Testamento nos ensina que o serviço cristão não é uma prerrogativa dos pastores e da liderança e sim que o mesmo é O PRIVILÉGIO DE TODOS OS CRENTES INDIVIDUALMENTE.

C. O conceito do Novo Testamento referente aos pastores é o de alguém que cuida, ajuda e encoraja o povo de Deus a descobrir, desenvolver e exercitar seus próprios dons. O pastor de verdade não tem ciúmes, nem inveja e muito menos medo de suas ovelhas porque ele sabe que elas estão capacitadas pelo próprio Senhor Jesus — o Supremo Pastor das Ovelhas de acordo com 1 Pedro 5:4 — a fazer aquelas coisas que ele mesmo não pode fazer para garantir a edificação do corpo de Cristo. O pastor não pode ser um monopolizador de ministérios. Ele precisa ser um multiplicador de ministros ou servos para o bem de todo o povo de Deus.

D. Existem dois elementos que precisam estar sempre presentes se a Igreja — o Corpo de Cristo — pretende crescer: Verdade e Amor. Que o Espírito Santo que é o “Espírito da Verdade” e de quem o primeiro fruto é o Amor — ver Gálatas 5:22—23 possa ser nosso guia, nosso inspirador e nosso sustentador neste desafio que temos diante de nos de servir ao senhor e cooperar com o crescimento do Corpo de Cristo.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 — A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS
EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

EFÉSIOS 4:4—6 — SERMÃO 025 — A IGREJA É UNA PORQUE DEUS É UM

EFÉSIOS 4:7—10 — SERMÃO 026 — UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 027 — OS DONS DE EDIFICAÇÃO DA IGREJA

EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 028 — OS DOM DE PASTORES E MESTRES

EFÉSIOS 4:12—16 — SERMÃO 029 — O PROPÓSITO DOS DONS ESPIRITUAIS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/07/efesios-sermao-029-o-proposito-dos-dons.html

Que Deus Abençoe a Todos

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

EDUCAÇÃO CRISTÃ - ESTUDO 018 - O QUE O NOVO TESTAMENTO ENSINA SOBRE A IGREJA - PARTE 006 - HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS


Isaac Newton showed that a prism of glass can separate white light into a spectrum of colors.
O Espírito Santo é a luz e os dons são a manifestação do espectro de cores. O prisma é a Igreja.

O propósito dessa série é introduzir o leitor na vasta gama de materiais relacionados à Educação Cristã. Nosso foco central estará sempre localizado nos chamados “Ministérios da Igreja” que refletem a vida prática ou o dia a dia do que deve estar acontecendo em todas as igrejas locais.

V. O Ensinamento do Novo Testamento Acerca da Igreja — Parte 006


III. AS METÁFORAS ACERCA DA IGREJA DE JESUS CONTINUAÇÃO.


C. Como a unidade funciona na prática?

1. Existem dois elementos fundamentais para que a unidade funcione: humildade e amor.

2. Como Jesus, o apóstolo Paulo também desejava a unidade entre os cristãos —

Filipenses 2:1—5

1 Se há, pois, alguma exortação em Cristo, alguma consolação de amor, alguma comunhão do Espírito, se há entranhados afetos e misericórdias,

2 completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma coisa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento.

3 Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.

4 Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

A humildade está enfatizada, especialmente, nos versos 3 e 4.

3. O resumo dos versículos citados acima está em Filipenses 2:5: “tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” — literalmente uma mente como a de Cristo. E no que consistia a mente de Cristo?

4. Filipenses 2:6—8

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

Note especialmente as palavras: “subsistindo em forma Deus... a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo... a si mesmo se humilhou tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”. Essa era a mente de Cristo: humildade e desejo de servir o Pai de forma incondicional.

5. Nós precisamos ser como Cristo e dizer: “eu não estou preocupado comigo, tudo o que me interessa é o teu bem estar irmã(o)”. A unidade brota espontaneamente quando pensamos nos outros em vez de pensarmos em nós mesmos — ver a atitude de Paulo em

Filipenses 2:17

Entretanto, mesmo que seja eu oferecido por libação sobre o sacrifício e serviço da vossa fé, alegro-me e, com todos vós, me congratulo.

Quando agimos assim, não há espaço para “egos feridos”. De fato, não há espaço para o próprio ego — palavra transliterada do grego Ἐγὼ `Egò — EU. Temos que começar a aprender a estender nossas mãos e tocar a vida das outras pessoas ao nosso redor. Somos um — unidade — e o ponto de contato, onde nos encontramos, é a humildade. Temos que ter disposição para sofrer até danos pessoais — lembre-se de Cristo e de Paulo — se isto contribuir para a manutenção da unidade! —

1 Coríntios 6:7

O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?

6. A segunda qualidade que se compõe com a humildade é o amor. Jesus disse:

João 13:37

Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

7. No que consiste a novidade do mandamento que Jesus nos deixou? Consiste exatamente nisto: Jesus não ordenou apenas que nos amássemos uns aos outros, isto seria meramente a repetição do mandamento dado por Deus em Levítico 19:18. Jesus nos ordena que devemos amar uns aos outros, assim como Ele mesmo nos amou.

8. E como foi que Jesus nos amou? João nos diz em seu evangelho que:

João 13:1

Ora, antes da Festa da Páscoa, sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim.

Jesus amou os discípulos até ao fim. Em outras palavras, isto quer dizer que Jesus amou de forma perseverante e incondicional.

8. Quando dizemos para um irmão “eu te amo em Cristo” é o mesmo que dizer: “irmão eu te odeio”! O “eu te amo em Cristo” não existe, não é Bíblico. Ou nós amamos de verdade ou não estamos amando de jeito nenhum. E mais, amar os irmãos não é uma opção e nem um favor, e sim, um mandamento.

9. Este amor perseverante e incondicional não existe naturalmente em nós. Ele só é possível porque:

a. Somos nascidos de Deus —

1 João 4:7—8

7 Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus.

8 Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor.


b. É Deus quem derrama Seu amor em nossos corações —

Romanos 5:5

Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado.
c. Nós podemos amar somente porque Deus nos amou primeiro —

1 João 4:19

Nós amamos porque ele nos amou primeiro.


d. Jesus nos deu o mandamento de amar uns aos outros como ele mesmo nos amou e nos capacitou. Veja as implicações graves desta falta de amor como ordenado em

1 João 4:20—21

20 Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.

21 Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.

10. Quando amamos uns aos outros de forma perseverante e incondicional — Pedro chama isto de amar “ardentemente” e de “amor intenso” —

1 Pedro 1:22

Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente.

1 Pedro 4:8

Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados.

as consequências são logo percebidas pelas pessoas que não creem —

João 13:34—35

34 Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também vos ameis uns aos outros.

35 Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.

11. Paulo orou para que os Tessalonicenses pudessem crescer e aumentar no amor —
1 Tessalonicenses 3:12

E o Senhor vos faça crescer e aumentar no amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco.

E João nos diz que esta tem sido a mensagem cristã desde o início: que devemos nos amar uns aos outros —

1 João 3:11

Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros.

D. Como o amor funciona na prática?

Quando olhamos ao nosso redor — na nossa comunidade em particular e nas comunidades em geral — será que estamos vendo aqueles que se dizem cristãos, amar como Jesus nos amou? Ou o que temos visto são cristãos tão protetores de seus egos que assim que se percebe que algo não vai bem ou que algo está errado reagem de forma vingativa e amargurada? O que fazem os cristãos quando as coisas não andam do jeito que eles acham que deveriam andar? Quando o irmão beltrano ou a irmã fulana fazem algo que os irrita e incomoda? Tornam-se raivosos e amargurados? Ou procuram ser carinhosos e amorosos não se importando com as circunstâncias?

O verdadeiro amor entre os crentes deve nos conduzir a procurar uns aos outros e dizer: “Irmã(o), eu tenho guardado uma bronca ou aborrecimento ou mágoa contra você e por esse motivo gostaria que você me perdoasse. Eu quero começar a te amar de verdade”. O verdadeiro amor reage a esse tipo de atitude dizendo: “Irmã(o) eu te perdoo”.  O verdadeiro amor sabe dizer: “Irmã(o) me desculpe, eu estava errado”. O verdadeiro amor não critica os outros visando parecer ser melhor do que eles. Se o que temos no coração por outro crente for menos do que o amor perseverante e incondicional de Deus então precisamos, de forma urgente, orar, nos arrepender na presença de Deus e confessar nosso pecado. Em seguida precisamos procurar nosso irmão e acertarmos a situação. Somente quando agirmos desta maneira, o corpo de Cristo será saudável. Caso contrário, a descrição que Isaías fez do povo e nação de Israel pode, muito bem, ser aplicada às nossas comunidades —

Isaías 1:5—6

5 Por que haveis de ainda ser feridos, visto que continuais em rebeldia? Toda a cabeça está doente, e todo o coração, enfermo.

6 Desde a planta do pé até à cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, contusões e chagas inflamadas, umas e outras não espremidas, nem atadas, nem amolecidas com óleo.
Em vez do povo de Deus representar um corpo sadio, tudo o que se via eram feridas do topo da cabeça até a planta dos pés. Qual é a aparência das nossas comunidades hoje?

F. Unidade em Meio à Diversidade.


1. Nossa unidade é um fato consumado, pois está garantida pela ação do Espírito Santo em nossas vidas. Mas nem sempre, na prática, experimentamos essa unidade, a qual, diga-se de passagem, precisamos nos esforçar — ver Efésios 4:3 — para manter. Um dos motivos pelo qual não experimentamos está unidade é o fato de não entendermos que cada um de nós é diferente dos outros. Os cristãos são diferentes uns dos outros.

2. Um dos erros mais graves que cometemos como cristãos é desejar que as outras pessoas sejam “como nós somos”. É esse nosso desejo, muitas vezes inconsciente, que nos leva a inventar tantas regras e modismos. A imposição da vontade de um irmão ou irmãos sobre o resto da comunidade demonstra falta de compreensão daquilo que somos como cristãos — um corpo com muitos membros — e é a causa de muitas, senão todas, as divisões que existem na ἐκκλησία ekklissía — Igreja ou Comunidade daqueles chamados por Deus — ou Igreja do Senhor.

3. Como a graça de Deus funciona na ἐκκλησία ekklissía — Igreja do Senhor? 

1 Pedro 4:10

Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.

a. A graça de Deus é multiforme, multifacetada ou multicolorida. Deus derrama sua χάρις cháris — graça, sobre sua ἐκκλησία ekklissia — Igreja, e esta graça se manifesta na forma de muitos e variados χαρίσματαcharísmata — dons. Podemos dizer que o efeito da graça de Deus derramada sobre o povo de Deus é semelhante àquele da luz ao passar por um prisma! A luz é uma só, mas se decompõe em muitas e variadas cores, que vão desde o vermelho até o violeta. 

Romanos 12:4—6

4 Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,

5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros,

6 tendo, porém, diferentes dons segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé.

b. Somos um só σῶμά sômá — corpo e como tal somos membros uns dos outros e temos diferentes χαρίσματαcharísmata — dom(dons) de acordo com a χάριςcháris — graça que nos foi dada. De que maneira podemos enfatizar o suficiente o que esses versos querem dizer? Nós precisamos uns dos outros. Nós dependemos uns dos outros. Quando qualquer um de nós não funciona de maneira apropriada, isto é, quando qualquer um de nós não faz aquilo que a graça de Deus nos habilitou a fazer em benefício do σῶμάsômá — corpo, então esse mesmo corpo é traído, não funciona como deve funcionar e sofre!

1 Coríntios 12:4

Ora, os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo.

c. χαρίσματαcharísmata — dom(dons) são diferentes, mas o πνεῦμα pneûma — espírito é um só. Esta diversidade de — χαρίσματα — dom ou dons existe porque o σῶμά sômá — corpo do Senhor precisa de todos e de cada um deles. Como crentes, nós existimos para complementar uns aos outros. Nenhum de nós pode ser, nem fazer todas as coisas sozinho! Eu tenho um dom e você tem um dom e cada um de nós tem um dom e nós precisamos ministrar nossos dons ἀλλήλον allélon — uns aos outros.

4. A falta de compreensão das verdades apresentadas acima tem causado os seguintes males à  ἐκκλησίαekklissía — Igreja do Senhor:

a. Divisões de todas as espécies. Irmãos que se consideram melhores que outros irmãos. Irmãs que pensam que podem agradar mais a Deus do que outras irmãs. Essas atitudes, por sua vez, demonstram...

b. Falta de humildade e amor fraternais que causam o surgimento de panelas e atitudes de favoritismo, que acabam por aleijar o funcionamento normal do σῶμάsômácorpo do Senhor.

c. Outro elemento da maior gravidade é o surgimento de castas sacerdotais, sejam eles sacerdotes, ou anciãos, ou pastores, ou reverendos, pouco importa. Estas castas além de criar uma separação perversa entre “nós e eles”, alimentam intermináveis lutas pelo poder.  Essas lutas pelo poder, que não podem ser vencidas em caráter definitivo por ninguém, escandalizam, aleijam e destroem as pessoas pelas quais Jesus derramou Seu precioso sangue.

A cegueira e arrogância das lideranças no meio da ἐκκλησίαekklissía — Igreja do Senhor são o maior empecilho ao desenvolvimento sadio do σῶμά sômá — corpo. Nossa cegueira se manifesta no próprio fato de transformarmos nossos irmãos, aos quais estamos irremediavelmente unidos pelo Espírito Santo, em nossos inimigos. Não existe nada pior nem mais destrutivo.

G. Unidade na Diversidade, mas com Harmonia.

1. O Espírito de Deus nos une em um só  σῶμάsômá — Corpo do Senhor, distribui a cada um de nós seus χαρίσματαcharísmata — dom ou dons mediante Sua cháris — graça e harmoniza tudo isso de tal maneira que a ἐκκλησίαekklissía — igreja, pode manifestar e compartilhar a vida que recebe diretamente de Deus.

2. Para funcionar como deve, a ἐκκλησία ekklissía — Igreja, precisa que cada membro seja atuante. Precisamos que cada membro funcione de modo correto e apropriado. A última coisa de que precisamos é de mais estrutura e de mais organização.

3. A unidade cristã é aquela do πνεῦμα pneûma — Espírito e não da denominação ou da organização.

OUTROS ESTUDOS ACERCA DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

001 — A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 001

002 — A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 002

003 —A Excelência da Vida Pessoal Daqueles que Desejam Ensinar — PARTE 003

004 — A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA COM DEUS

005 — OS ALVOS DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

006 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 001 — INTRODUÇÃO — OS COLONIZADORES VÊM EM NOME DE DEUS

007 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 002 — NOSSAS ESCOLAS TEOLÓGICAS

008 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 003 — IGREJAS CORPORATIVISTAS E INSTITUCIONALIZADAS E EDUCAÇÃO CRISTÃ PADRONIZADA

009 — A IGREJA NO PRINCÍPIO DO SÉCULO XXI – PARTE 004 — CONSUMISMO E CELEBRITISMO

010 — O PROPÓSITO SINGULAR DE DEUS PARA OS NOSSOS DIAS

011 — A PALAVRA IGREJA NO NOVO TESTAMENTO

012 — A EXPRESSÃO GREGA “EM CRISTO” — ἐν Χριστῷ

013 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA

014 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 002

015 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 003

016 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 004 — A IGREJA COMO PLENITUDE

017 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 005 — A UNIDADE DA IGREJA CRISTÃ

018 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 006 — HUMILDADE E AMOR EM MEIO À DIVERSIDADE DE DONS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/educacao-crista-estudo-018-o-que-o-novo.html
019 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 007 — A IGREJA COMO MISTÉRIO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/educacao-crista-estudo-019-o-que-o-novo.html
020 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — Parte 008 — COMO A IGREJA É FORMADA OU CRIADA?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-020-o-que-o-novo.html
021 — O ENSINO DO NOVO TESTAMENTO ACERCA DA IGREJA — PARTE 009 — QUANDO A IGREJA COMEÇOU?
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/educacao-crista-estudo-021-o-que-o-novo.html
022 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/educacao-crista-estudo-022-os.html
023 — OS MINISTÉRIOS DO ESPÍRITO SANTO — PARTE 002
Que deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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