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sexta-feira, 10 de junho de 2016

OS EVANGÉLICOS NO CONGRESSO FEDERAL

Eduardo Cunha fala para a Bancada Evangélica em culto no Congresso Federal

O artigo abaixo é de autoria de Andrea Dip e foi fublicado pelo site Pública. Com a recente aprovação da isenção do pagamento de impostos para as igrejas o artigo abaixo torna-se ainda mais relevante

Os pastores do Congresso

Como as igrejas evangélicas escolhem seus políticos? Qual o segredo da força da bancada para barrar os avanços sociais e garantir privilégios como a isenção fiscal e a concessão de rádios e TV?
por Andrea Dip

Homens de terno e mulheres de saia com a Bíblia na mão vão enchendo o auditório. Alguém regula o som do violão e dos microfones. A música que celebra “júbilo ao Senhor” estoura nos alto-falantes, e a audiência canta junto. Em um púlpito no palco, os pastores abrem o culto com uma oração fervorosamente acompanhada pelos fiéis.

Uma descrição comum de um culto evangélico não fossem os pastores, deputados, falando de um o púlpito improvisado no Plenário Nereu Ramos da Câmara dos Deputados de um país laico chamado Brasil. E se o (até então) presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), anunciado do púlpito ao entrar no recinto pelos pastores João Campos (PSDB/GO) e Sóstenes Cavalcante (PSD/RJ), não tivesse deixado de lado a agenda oficial para participar da celebração e tirar selfies com pessoas que se amontoavam ao seu redor.

Certamente seria bem menos estranho se logo atrás de mim, no fundo do auditório, assessores de parlamentares não estivessem fazendo piadas de cunho homofóbico e rindo alto durante boa parte do evento, que se tornou show com a chegada da aclamada cantora gospel Aline Barros, vencedora do Grammy Latino 2014 e um dos cachês mais altos do mundo gospel brasileiro. Ela tinha viajado do Rio a Brasília com o marido, o ex-jogador de futebol e hoje pastor e empresário gospel Gilmar Santos, especialmente para cantar e orar naquela manhã de quarta-feira no Congresso. Ao final do culto/evento, todos receberiam um CD promocional de Aline.

Aline Barros entoou alguns de seus sucessos com o auxílio de um playback, antes da pregação do marido. O tema é a luta do profeta Elias contra Jezebel, a princesa fenícia que se casou com o rei de Israel e, uma vez rainha, perseguiu e matou profetas israelitas. A imagem da mulher poderosa de alma cruel é usada por dezenas de sites religiosos, que comparam Jezebel à presidente Dilma Rousseff, ameaçando-a de acabar como a rainha, comida por cães.

“Em Tiago capítulo 5, versículo 17, está escrito que Elias era um homem como nós. Ele orou e durante três anos e meio não choveu. Depois ele orou de novo e Deus manda vir a chuva”, diz o pastor Gilmar, dirigindo-se aos parlamentares. “Muitas vezes a gente tem orado ‘Deus sacode esse país, traz um avivamento, faz algo novo’. Deus está fazendo. Mas a forma que Deus está fazendo nem sempre é do jeito que a gente quer, da nossa maneira. Muitas vezes a gente queria que Deus fizesse chover dinheiro do céu, que fizesse anjo carregar a gente no colo pra levar a gente pra todos os lados e queria pedir pra Deus pra sentar numa rede, pra ele trazer um suco de laranja e operar, trabalhar. ‘Manda fogo, destrói aquele endemoniado, aquele idólatra.’ Mas Deus não faz dessa forma.” Por que Deus escondeu Elias? Por que Deus tem escondido muitos de vocês e ainda não estão nos jornais como sonharam ou não tiveram reconhecimento como sempre sonharam? […] Deus está te escondendo, querido. No momento certo tudo vai acontecer, você vai ser exaltado. Deus sabe como honrar. […] Pode ser o momento mais difícil do seu mandato, mas continua confiando. Muitas pessoas podem estar vivendo uma seca nesse país. Nosso país pode estar vivendo o momento mais seco da história. Vidas secas. Mas o céu nunca vai estar em crise. Nunca tem crise, nunca tem crise.”

Sem crise

O número de evangélicos no Parlamento cresceu, acompanhando o aumento de fiéis. Segundo os últimos dados do IBGE, que são de 2010, o número de evangélicos aumentou 61% na década passada (2000-2010). Por sua vez, a Frente Parlamentar Evangélica (FPE), encabeçada pelo deputado e pastor João Campos, agrega mais de 90 parlamentares, segundo dados atualizados da própria Frente – os números podem variar por causa dos suplentes – o que representa um crescimento de 30% na última legislatura.

A mistura de política e religião é a marca da atuação dos pastores deputados. Campos, por exemplo, é presidente da Frente Parlamentar Evangélica, autor do projeto de lei apelidado de “cura gay” e defensor destacado da redução da maioridade penal, como a maioria da chamada “bancada da bala” – em 2014 ele recebeu R$ 400 mil de uma empresa de segurança para sua campanha. Cavalcante ex-diretor de eventos do pastor Silas Malafaia, seu padrinho na fé e na política, é presidente na Comissão Especial que trata do Estatuto da Família.

Encorajada por Eduardo Cunha, que assumiu a presidência da Câmara dizendo que “Aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”, a bancada evangélica tem conseguido levar adiante projetos extremamente conservadores, como o Estatuto da Família (PL 6.583/2013), que reconhece a família apenas como a entidade “formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos”, que deve seguir para o Senado nos próximos dias. A PEC 171/1993, que usa passagens bíblicas para justificar a redução da maioridade penal, também foi aprovada na Câmara e aguarda análise do Senado, sem previsão de votação. O próprio Eduardo Cunha é autor do PL 5.069/2013, que cria uma série de empecilhos para o direito constitucional das mulheres vítimas de violência sexual realizarem aborto na rede pública de saúde. Esse está na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara. Também foi nesta legislatura que a bancada conseguiu barrar o trecho que trata do debate sobre identidade de gênero nas escolas no Plano Nacional de Educação.
Manifestação contra a redução da maioridade penal em julho, no Rio de Janeiro / Foto: Mídia Ninja

Ainda segundo os dados fornecidos pela FPE, a maioria dos parlamentares pertence a igrejas pentecostais: a Assembleia de Deus é a que mais congrega esses fiéis, seguida pela Igreja Universal do Reino de Deus, que tem como figura de destaque o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ). Também tem representantes no Congresso as igrejas Sara Nossa Terra e a Igreja Quadrangular.
Como acontece com os partidos na política, os membros também trocam de denominação. Eduardo Cunha recentemente trocou a Sara Nossa Terra pela Assembleia de Deus, onde já estavam os colegas João Campos e Marco Feliciano. Entre os membros das protestantes históricas estão Jair Bolsonaro (batista) e Clarissa Garotinho (presbiteriana).

O sociólogo e escritor Paul Freston, professor catedrático em religião e política da Wilfrid Lauries University, do Canadá, explica que as igrejas pentecostais se diferenciam das protestantes históricas principalmente pela ênfase da crença nos dons do Espírito Santo, como “falar em línguas” e agir em curas e exorcismos. “Por ser uma forma mais entusiasmada de religiosidade, depende menos de um discurso racional, elaborado. Você pode não saber ler ou escrever, pode ser alguém que não ousaria fazer um discurso racional em público, mas sob influência do Espírito você fala. Por isso pode-se dizer que a igreja pentecostal também tem esse poder de inverter as hierarquias sociais”, explica o professor. E destaca: “Por ser mais próxima da cultura do espetáculo e menos litúrgica, também são as igrejas pentecostais que se dão melhor com as mídias”.

Nos gabinetes

“A Frente Parlamentar Evangélica [FPE] tem exercido um papel muito importante em contribuir com o processo legislativo porque ela priorizou algumas bandeiras que são relevantes para a sociedade brasileira como, por exemplo, a defesa da família tradicional”, diz João Campos, que recebeu a Pública em seu gabinete de número 315 no anexo IV da Câmara, após muitos dias de negociação com seu assessor. “Outra bandeira nossa é a defesa da vida desde a concepção, os direitos do nascituro, a proibição do aborto, do infanticídio, os direitos da mulher também, mas principalmente os direitos do ente humano que está sendo gerado”, continua o deputado.

O segredo do sucesso? “A gente atua a partir desses temas, e isso faz com que a Frente seja ouvida no Parlamento. A Frente nem é a que congrega o maior número de parlamentares, mas é uma das mais ouvidas. Porque não é a quantidade, é a atuação dela”, diz com orgulho. Pergunto sobre sua trajetória política e religiosa, em que momento as duas se misturam. Ele me conta que aos 16 anos já era líder de jovens em sua igreja (Assembleia de Deus) e há quase 20 foi ordenado pastor. Também fez carreira na Polícia Civil de Goiânia. Começou como escrivão de polícia, se tornou delegado, participou de greves – “sempre fui muito ativo”, diz. Passou a atuar na classe, foi presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, até que “naturalmente” se candidatou a deputado federal. “Eu sempre exerci liderança na igreja e na segurança pública. E essas duas vertentes apoiaram minha candidatura e me elegeram”, resume Campos, 53 anos, atualmente no quarto mandato como deputado federal. Quando pergunto se a igreja tem sido um ambiente fértil para a formação de líderes políticos, ele desconversa: “A igreja tem ocupado um espaço e se colocado mais na política tendo ela própria como referência”.

Sua colega de bancada evangélica, Clarissa Garotinho (PR), é uma jovem deputada federal que tem política e religião no pedigree. A filha dos ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho é da Igreja Presbiteriana, como todos de sua família. E, como fez a mãe, todas as vezes que seu pai, Anthony Garotinho, mudou de partido, ela o acompanhou “mesmo a contragosto”, confessa. E não foram poucas vezes: o radialista de sucesso começou a carreira política no PT, depois foi para o PDT, para o PSB, PMDB e PR.

Clarissa fala do jogo da política com a naturalidade de quem viveu isso em casa desde pequena, mas faz questão de dizer que nunca foi pedir voto em igreja. “Visitei algumas igrejas quando me convidaram, mas não foi o foco da minha campanha.” Descreve o início de sua carreira política como a de líder estudantil que se tornou diretora da UNE e foi eleita vereadora – a contragosto do pai, sublinha. “Nessa época, eu tinha me formado em jornalismo e fiz estágio com a Xuxa no programa dela a convite da Marlene Matos. A Marlene me convidou para ir para um programa na rádio Globo, eu já era gerente comercial da empresa dos meus pais, e ele não queria que eu entrasse na política. Dizia que a vida dos políticos ficava muito exposta, que dava muita dor de cabeça. Comecei a campanha sozinha, eu e a juventude do partido. Pensava: ‘Meu pai foi governador, minha mãe foi governadora, eu não posso perder uma eleição de vereadora porque, se eu perder, eu vou estar comprometendo o nome deles”, conta.

De vereadora Clarissa passou a deputada estadual e em 2014 foi eleita deputada federal com a maior votação obtida entre as mulheres. Sobre sua atuação na bancada evangélica, ela diz que só participa das atividades quando acha necessário. “Quando houve algumas manifestações na parada gay que satirizaram a imagem de Cristo. Nesse ponto, a bancada reuniu inclusive católicos. Quando tem alguma causa que a gente entende que precisa se unir, eu participo das reuniões.”

Pergunto sua opinião sobre o aborto, e sua expressão se fecha: “Tem temas que para nós não são negociáveis. Eu sou contra o aborto”. Sem que eu pergunte, emenda: “Mas você quer saber do Cunha? Eu não apoiei o Eduardo Cunha para presidente da Câmara só porque ele era evangélico. Não basta ser evangélico e eu presbiteriana para eu votar se acho que a postura dele como político não é boa pra representar a Câmara e não é boa para o Brasil. Fui uma das poucas deputadas evangélicas que não votou nele. Fizeram reuniões com os membros da bancada pra apoiar, mas eu não participei. Não gosto do estilo dele de fazer política. Ele usa chantagem pra conseguir vantagens, é o chanteageador geral da República. O Eduardo é considerado um deputado muito temido aqui. Dizem que ele é vingativo, que tem um temperamento difícil. E ele ainda tem muito apoio aqui apesar dos escândalos”.

Eduardo Cunha

Quando estive no Congresso, cada vez que Eduardo Cunha entrava em uma sala da Câmara dos Deputados era cercado por um séquito e não raramente aplaudido de pé. Isso apesar dos escândalos, e não apenas os mais recentes. Cunha começou sua carreira como tesoureiro do comitê eleitoral de Collor e chegou à presidência da Telerj, de onde saiu em 1993 quando foi descoberto que ele havia assinado um aditivo de US$ 92 milhões a um contrato da Telerj com a fornecedora de equipamentos telefônicos NEC do Brasil (então controlada pelo empresário Roberto Marinho). Foi quando se aproximou do então deputado mais votado do Rio de Janeiro e dono da rádio evangélica Melodia, Francisco Silva. Por indicação de Silva, tornou-se presidente da Companhia Estadual de Habitação na gestão de Anthony Garotinho, da qual também foi afastado em meio a denúncias de irregularidades em contratos sem licitação e favorecimento a empresas fantasmas. A passagem pelo rádio, onde tinha boletins diários que acabavam com o bordão “O povo merece respeito”, tornou sua voz conhecida e ele se candidatou a uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições gerais de 2002. Foi eleito com o apoio de Garotinho e 101.495 votos nas urnas. Em 2003, entrou no PMDB e hoje cumpre seu quarto mandato consecutivo como deputado federal. Em 2014 foi o terceiro candidato mais votado do Rio de Janeiro, com 232.708 votos.

O sociólogo Paul Freston, que estuda as relações entre política e religião, pesquisou a biografia de Cunha e de seu mentor, Francisco Silva. “Ele começa politicamente pela mão do Francisco Silva, que já era uma pessoa estranha porque tinha uma identidade evangélica pessoal muito tênue. O que ele tinha era uma rádio evangélica. E basicamente usou a força da mídia para se lançar politicamente. Ele se dizia membro da Congregação Cristã, o que não fazia muito sentido porque é a igreja mais arredia, que não se envolve com política, com mídia, não paga pastor. E a própria Congregação fez uma declaração na época dizendo que desconhecia esse cidadão.”

O polêmico pastor, escritor e psicanalista Caio Fábio – fundador e ex-presidente da Associação Evangélica Brasileira (AEVB), líder e mentor da igreja Caminho da Graça – acrescenta outras informações ao perfil de Cunha: “Eu o conheço há 20 anos, desde que o pessoal o chamava de ‘Eduardinho’. Desde quando ele trabalhava para o deputado Francisco Silva. Esse indivíduo de crente não tinha nada. Francisco comprou a rádio Melodia, criou uma igreja radiofônica chamada Cristo em Casa que não congregava ninguém, não reunia ninguém, não tinha relacionamento com ninguém. Era tudo no rádio e você dava o dízimo para esse ente abstrato. O Eduardo era o assessor dessa figura. Ele teve função importante na loteria esportiva do Rio de Janeiro, em autarquias diversas até chegar ao governo Garotinho. Ele dá nó em pingo d’água. O mais inteligente deles é burro perto do Eduardo Cunha. Ele é um dos caras mais ardilosos, mais jogadores, mais sutis que eu já conheci”.

Recentemente, Cunha trocou a igreja Sara Nossa Terra, para qual foi levado por Silva, pela Assembleia de Deus. A primeira tinha pouco mais de 1 milhão de fiéis, enquanto sua igreja atual tem mais de 13 milhões de seguidores, segundo o IBGE. A ramificação da igreja escolhida por Cunha foi a Madureira, cujo presidente é o bispo Manoel Ferreira, acusado de coronelismo por membros de sua igreja por ter tornado seu cargo vitalício, e também denunciado por um pastor de sua igreja em uma matéria da revista IstoÉ por usar laranjas para abrir a Faculdade Evangélica de Brasília, dar golpe nos sócios e sonegar milhões em impostos (ele nega as acusações).

Ver a reportagem da IstoÉ por meio desse link aqui:

http://istoe.com.br/145461_OS+CALOTES+DO+BISPO/

Em agosto deste ano, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, acusou Eduardo Cunha de indicar a igreja do filho de Manoel, Samuel Ferreira, para receber parte da propina de ao menos US$ 5 milhões destinada a ele referente aos contratos para viabilizar a construção de dois navios-sonda usados pela Petrobras.

“Eu estou dizendo há 25 anos que Manoel Ferreira já se envolveu com tudo. É um gângster religioso. E curiosamente é para onde o Cunha foi”, acusa o pastor Caio Fábio.

O começo de tudo

A igreja pentecostal começou a se envolver na política brasileira na década de 1960 através da Brasil para Cristo, que elegeu um deputado federal em 1961 e um estadual em 1966. Depois disso, porém, a igreja só voltaria a eleger candidatos na década de 1980, como explica Paul Freston: “A maior participação vem em 1986, no fim do regime militar, com a Assembleia Constituinte. A Assembleia de Deus é o motor disso inicialmente, e se organiza desde a cúpula para ter um candidato oficial em cada estado, um deputado. Eles se organizam e tentam apresentar esse candidato nas igrejas, falar pras pessoas votarem nele. É o que dá origem à bancada evangélica, é a primeira vez que se fala nisso. E a grande novidade é que a maioria é pentecostal”.

Os pentecostais deslancharam na política com a Igreja Universal do Reino de Deus, que criou um plano político mais estruturado dentro da instituição, segundo a autora da tese “Religião e política: ideologia e ação da ‘Bancada Evangélica’ na Câmara Federal”, Bruna Suruagy (ver link abaixo). “No início da década de 1990, a Igreja Universal começou a atuar com um plano político estruturado”, explica. Em sua pesquisa, Bruna chegou ao seguinte desenho do plano político da Universal: “A cúpula da igreja, formada por um conselho de bispos da confiança de Edir Macedo, indica candidatos em um procedimento absolutamente verticalizado, sem a participação da comunidade. Os critérios para a escolha desses candidatos geralmente têm base em certo recenseamento que se faz do número de eleitores em cada igreja ou em cada distrito. E cada templo, cada região, tem apenas dois candidatos que seriam o candidato federal e o estadual. Ela desenvolve uma racionalidade eleitoral a partir de uma distribuição geográfica dos candidatos e a partir de uma distribuição partidária dos candidatos. Isso mudou um pouco agora porque existe um partido que é da Universal, o PRB, que fica cada vez mais forte no Congresso”, explica, destacando também a importância da mídia religiosa como interface entre a igreja e a política.

A Pública fez contato com a assessoria de imprensa da Igreja Universal e obteve como resposta a que a instituição não se pronunciaria a respeito “porque não se envolve com política”. Ao insistir para obter a entrevista, a assessoria pediu que as perguntas ao bispo Edir Macedo fossem feitas por e-mail e não respondeu mais. Mesmo o site do PRB, que tem grande parte dos filiados ligados à Universal, incluindo o presidente do partido, Marcos Pereira, não deixa clara essa conexão entre o partido e a igreja. Mas, entrevistado pelo deputado federal Celso Russomanno ao vivo durante a festa de dez anos do PRB, no dia 25 de agosto, diante da plateia do auditório Nereu Ramos, Pereira revelou que sua carreira e o PRB caminharam de braços dados com Edir Macedo. Ele contou que é bispo da igreja desde 1999, foi vice-presidente da Rede Record de Televisão em 2003, ano em que também se tornou sócio da LM Consultoria Empresarial – holding que controla todos os negócios da Igreja Universal do Reino de Deus – e então se tornou presidente do PRB em 2011.

Modelo brasileiro

Ainda segundo a pesquisadora Bruna Suruagy, a Universal se tornou um modelo para outras igrejas brasileiras justamente porque a cada novo mandato havia um aumento significativo dos parlamentares. Ela explica que isso não significa que o funcionamento institucional da Assembleia de Deus, por exemplo, seja igual ao da Universal. “A Assembleia é uma igreja com muitas dissidências e muitas divisões internas, por isso não é possível estabelecer hierarquicamente os candidatos oficiais. As igrejas têm fortes lideranças regionais e uma fragilidade do ponto de vista nacional. A sede não tem tanta força e, por isso, eles criam prévias eleitorais. As pessoas se apresentam voluntariamente ou são levadas pela própria igreja, e ainda há a ideia de que alguns são indicados por Deus porque mobilizam grandes multidões, ou contagiam, como dizia Freud, o que também termina sendo um critério. Então tem uma lista, depois uma pré-seleção que passa por um conselho de pastores – isso em cada ministério, porque a Assembleia é uma igreja que tem várias subdivisões internas. É interessante que os que pretendem se candidatar assinam um documento se comprometendo a apoiar o candidato oficial caso ele não seja escolhido, para evitar candidaturas independentes e para manter a fidelidade que se tem na Universal.”

O sistema de escolha de candidatos é confirmado pelo pastor Caio Fábio, enquanto conversamos no belo jardim de sua casa, em Brasília. “A maioria dos políticos que temos hoje foi produzida em berço pentecostal. Portanto, eles nascem do único poder que habita esse ambiente que é o do carisma pessoal. E esse carisma não tem absolutamente nada a ver com inteligência, instrução ou cultura. Por carisma entende-se a capacidade de comunicação popular intensa, tanto mais poderosa quanto menos escrupulosa seja. São em geral pastores, bispos e apóstolos. A Universal é um caso à parte, assim como as igrejas neopentecostais, que são igrejas pós-macedianas, porque o projeto político lá é totalitário, vem do Macedo a determinação de quem é e quem não é”, critica. “As igrejas reformadas [também conhecidas como protestantes históricas] são democrático-representativas. A cada cinco anos no máximo, tem uma eleição de pastores. As episcopais [pentecostais] são mais por sucessão, indicação do bispo. E, se os demais acolherem, eles são afirmados. Nas pentecostais, os pastores vão colocando seus filhos na linha sucessória na igreja e na política. Aconteceu assim com Malafaia, por exemplo. O pai dele era pastor e o filho também é. Os protestantes históricos são mais silenciosos, mas não quer dizer que não sejam homofóbicos, por exemplo. O Bolsonaro frequenta uma igreja batista e é… O Bolsonaro.”

Freston, por sua vez, não vê influência do modelo americano, como os chamados cinturões bíblicos, na política brasileira. Para ele, o crescimento da bancada evangélica tem mais a ver com nosso modelo político. “Quando a imprensa e os acadêmicos começaram a notar a presença dos pentecostais na política, houve algumas interpretações sobre ser cópia dos Estados Unidos, que já tinha a direita cristã, e a ideia de que isso estava surgindo no Brasil, incentivado por esse modelo. Mas eu sempre achei que correspondia muito mais às peculiaridades do sistema eleitoral brasileiro. Porque você tem o crescimento pentecostal em muitos países do mundo, na América Latina toda, em muitos lugares na África, em alguns lugares da Ásia. Mas só no Brasil você tem esses fenômenos de bancadas nos Congressos. Essa aproximação com a direita é mais recente e tem a ver com essa nova direita, que não tem medo de se chamar de direita”, diz o sociólogo.

Outra característica de nosso sistema eleitoral, a de representação proporcional com listas abertas, favorece os candidatos carismáticos, os “puxadores de voto”, que passam a ser cobiçados pelos partidos. “Eles dizem ‘vamos por o pastor candidato que ele traz mais 2 ou 3 mil votos para a gente’. Mas esse cara traz 60 mil votos e se elege sozinho! Esse sistema favorece a eleição desses pentecostais. E muitos países que tem crescimento pentecostal não têm isso. No Chile, por exemplo, onde o pentecostalismo também cresceu muito, você quase não teve políticos evangélicos porque é outro sistema eleitoral. Aqui os líderes pentecostais souberam maximizar suas possibilidades dentro desse sistema.”

E o que querem os políticos evangélicos?

Mais do que os temas morais como aborto, violência, drogas e sexualidade, são os interesses institucionais que unem a bancada evangélica segundo os pesquisadores. “A conquista de dividendos para as igrejas como a manutenção de isenção fiscal, a manutenção das leis de radiodifusão, a obtenção de espaços para a construção de templos e a transformação de eventos evangélicos em culturais para obtenção de verbas públicas estão nesse páreo”, explica Bruna Suruagy. Paul Freston dá um exemplo: “Na época da Constituinte, teve a questão do mandato do Sarney, do quinto ano. Para conseguir esse quinto ano, ele comprou muita gente no Congresso. A moeda de troca para muitos pentecostais era uma rádio, coisas ligadas à mídia”.

Um estudo realizado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em 2009 mostrou que de 20 redes de televisão que transmitiam conteúdo religioso, 11 eram evangélicas e 9 católicas. Apenas a Igreja Universal controla mais de 20 emissoras de televisão, 40 de rádio, além de gravadoras, editoras e a segunda maior rede de televisão do país – a Rede Record.

O pastor Silas Malafaia / Foto: Reprodução

Larissa Preuss, autora da tese de doutorado “As telerreligiões no telespaço público: o programa Vitória em Cristo e a estratégia de mesclar evangelização e preparação política”, destaca a enxurrada de pastores eletrônicos na televisão brasileira nas décadas de 1980 e 1990. “O RR Soares é o mais antigo, está no ar desde o fim dos anos 70, e o Silas Malafaia entra em 1982. Ele é quem fala mais explicitamente sobre política na televisão, apesar da maior articulação política ser da Universal”, lembra.

A pesquisadora conta que estudou os programas de Malafaia de 2014 para entender a relação de seus discursos com as eleições. “Ele assume que existe uma briga política e deixa claro que quer influenciar e por isso não se candidata. Ele fala diretamente ao público, mas também fala muito aos líderes religiosos, tanto que Malafaia dá cursos de formação de pastores em locais como a Escola de Líderes da Associação Vitória em Cristo (Eslavec) e está construindo um império, hierarquizando igrejas dentro da Assembleia de Deus, que não tem essa cultura. O Malafaia se coloca no lugar do profeta, que é aquela autoridade que unge o rei e denuncia o sacerdote, e isso é muito forte. Ele incentiva os líderes a influenciar seus fiéis para que Deus possa agir na política.”

A hipótese de Larissa é que os pastores midiáticos migram para a política justamente para garantir as concessões de radiodifusão. “Porque as outorgas são ratificadas ou podem ser abolidas pelo Congresso. Então é uma retroalimentação: eles estão na televisão, influenciam a eleição de certos candidatos que vão garantir sua permanência na televisão. A informação hoje é poder. A imagem é uma moeda valiosa. E os evangélicos estão na política como nunca. Basta dizer que o tema da última Marcha para Jesus foi ‘faxina ética’”.

Municipal

E não é só em âmbito federal que a bancada evangélica tem se fortalecido. O número de projetos de leis temáticos também tem crescido entre os vereadores e deputados estaduais evangélicos, que recentemente também barraram a discussão de gênero em planos municipais de educação em várias cidades, incluindo a capital paulista. E não é só isso. A pastora e deputada estadual Liziane Bayer, do PSB do Rio Grande do Sul, protocolou em abril o PL 124/2015, que prevê o ensino do criacionismo nas escolas públicas e privadas do estado. Liziane, cujo slogan de campanha foi “compromisso com a fé, a família e a vida”, conta que começou a se interessar por política e a conversar sobre o assunto no grupo de mulheres de sua igreja. Ela diz que sabe que o projeto é polêmico, mas defende o ensino do criacionismo para dar uma opção aos alunos. “Eu acho o comunismo ruim, mas ele é ensinado nas escolas. O criacionismo pode ser visto da mesma forma, mas, até pra que tu digas que não é correto, tem que saber”, opina.

Em Cuiabá, o vereador Marcrean dos Santos (PRTB) criou um projeto que virou lei instituindo um feriado evangélico na cidade (Lei n° 5.940/15); em Itapema (SC), o vereador Mouzatt Barreto (DEM) também criou um PL para obrigar a leitura da Bíblia nas aulas de história das escolas públicas e particulares; em São Paulo, o vereador Carlos Apolinário, que em 2011 conseguiu que a Câmara aprovasse o “Dia do Orgulho Heterossexual”, vetado pelo então prefeito Gilberto Kassab, apresentou um projeto de lei para criar banheiros públicos em restaurantes, shoppings, cinemas e em casas noturnas para gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. Chegou a declarar: “não é possível minha mãe entrar em um banheiro e encontrar um homem vestido de mulher”.

Em Manaus, a vereadora Pastora Luciana (PP),  que prefere ser chamada de pastora – “vereadora é só uma promessa, pastora é pra eternidade” –, é autora de três projetos temáticos: o PL 125/15, que visa autorizar por lei manifestações religiosas como palestras e pregações nos terminais de ônibus da capital com o uso de caixas de som; o 075/15, que propõe a instituição de uma capelania na Guarda Civil Metropolitana, e o PL da Cristofobia, que prevê multas para quem tiver “atitudes discriminatórias em face da religião cristã, palavras e práticas agressivas contra a figura de Jesus Cristo, ameaças, estereótipos pejorativos, induzir ou incitar a discriminação contra a Bíblia Sagrada”. Mas o projeto de lei mais bizarro é do vereador de Santa Bárbara do Oeste Carlos Fontes (PSD). O PL 29/2015 proíbe a implantação de microchips em seres humanos, comparando-os à marca da besta prevista no livro de Apocalipse (veja a entrevista em vídeo que gravamos com o vereador).

A MARCA DA BESTA from Agência Pública on Vimeo.
“Se a presença de um evangélico na política melhorasse a política, humanizasse a política, as igrejas seriam édens, oásis, paraísos de bondade humana, altruísmo, inclusão, tolerância, misericórdia, de amor de verdade, equidade, solidariedade. Mas, enquanto o diabo continuar a existir pra eles da forma como existe, eles podem continuar roubando porque o diabo pagará a conta das acusações. Em nome de Deus, a canalhice é santificada”, conclui Caio Fábio.

Colaborou Guilherme Peters

O artigo  original poderá ser visto por meio desse link aqui:


 Leia também: 

O dia em que caí do berço evangélico

http://apublica.org/2015/10/o-dia-em-que-cai-do-berco-evangelico/

Afinal, o que os evangélicos querem da política?

http://apublica.org/2015/10/afinal-o-que-os-evangelicos-querem-da-politica/

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:

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Desde já agradecemos a todos. 

sexta-feira, 22 de abril de 2016

CÂMARA DOS DEPUTADOS OU CIRCO?


Deputada Raquel Muniz vota contra a "corrupção" às vésperas do marido ser preso por corrupção

O artigo abaixo foi escrito pelo jornalista Johnny Bernardo e publicado no site do Gnotícias

Um show de horrores na Câmara Federal

Por Johnny Bernardo          

Não há outra definição com relação ao que aconteceu em 17 de Abril de 2016, na Câmara Federal, que um “show de horrores”. Como cidadão não posso ficar calado diante de tamanho agravo à democracia brasileira, tamanho desrespeito ao voto popular. Faço uso deste espaço opinativo para manifestar meu repúdio ao golpe constitucional que está em curso nos bastidores de Brasília. Depor a presidenta Dilma Rousseff e colocar em seu lugar um grupo de líderes corruptos do PMDB é um grande erro e contradição. Sair às ruas de verde e amarelo para pedir “mudanças” e ter como resultado a ascensão de Michel Temer como presidente é um erro e uma clara contradição.

Nada irá mudar, com exceção de que os golpistas irão lutar para o esfacelamento das investigações em curso contra seus pares, como a exemplo do Eduardo Cunha. Nenhum outro país democrático permitiria que um líder corrupto, com contas secretas na Suíça, e denúncia recente de que recebeu mais de R$ 52 milhões em propina, comandaria um processo de impeachment de uma presidenta cujo caráter é ilibado – inclusive o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez questão de reconhecer em inúmeras declarações que a “presidente Dilma é uma pessoa honrada”. Ainda cabe dizer que os parlamentares que julgam a presidenta pelas supostas pedaladas fiscais cerca de 290 respondem por processos que envolvem compra de votos em suas bases eleitores e participação no desvio de milhões dos cofres públicos. A prisão (hoje, 18) do prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz pela Polícia Federal, foi sintomática. Muniz é casado com a deputada federal Raquel Muniz, que votou sim pelo processo de impeachment. Em seu voto Raquel Muniz disse que o “Brasil tem jeito”.

É fato conhecido internacionalmente, e um dos jornais de maior prestígio, o The New York Times, em manchete de capa publicada no último dia 15, destacou que o “impeachment contra a presidente Dilma está sendo liderado por políticos acusados de corrupção”. Não é, portanto, qualquer jornal de esquerda que faz referência ao processo, mas um dos mais conceituados do mundo. A imagem do Brasil está sendo aos poucos dilapidada por políticos sem escrúpulos, que fazem o jogo da luta “do poder pelo poder”. Não há uma real preocupação com os pobres, com os trabalhadores, com as famílias, e sim com a manutenção da corrupção e destruição dos benefícios sociais adquiridos desde a Constituição de 1988. Houve corrupção nos governos do PT tal como observamos ao longo dos últimos 500 anos, e quem errou tem que pagar por seus erros. Agora fazer uso de princípios constitucionais para depor uma presidenta que não tem qualquer participação nos delitos praticados é sim um golpe. O impeachment é um instituto presente na Constituição Federal de 1988, mas desde que possua fundamento jurídico. No atual processo contra Dilma não há fundamento.

Não é o processo em si o principal motivo de repúdio, mas os parlamentares que estão por trás. Na sessão de ontem os parlamentares fizeram reiteradas referências à família, a Deus e as suas denominações religiosas. São os mesmos parlamentares cujos nomes aparecem relacionados em escândalos de corrupção. Dentre as denominações evangélicas mencionadas, a Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Mundial do Poder de Deus tiveram destaque, assim como o Movimento Carismático. Nada diferente dos deputados que são reconhecidamente representantes do Agronegócio, que defendem a flexibilização das leis trabalhistas. Não são meros tiriricas, mas filhos e netos de parlamentares que ocupam o cenário político há gerações. O mais grotesco das manifestações partiu do deputado pelo Rio de Janeiro Jair Bolsonaro que, em seu voto pelo prosseguimento do processo, fez uma defesa da memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. O mencionado cometeu diversos assassinatos e participou de sessões de tortura.

Esta é a pior composição congressista da história da República, um retrocesso após inúmeros ganhos sociais e progressistas que não ocorriam desde Getúlio Vargas. O processo de impeachment autorizado ontem foi um verdadeiro comício patrocinado pela mídia brasileira. Na fala dos senhores congressistas eram frequentes as menções aos currais eleitorais. É nítida a intenção de veicular os votos às próximas eleições gerais em que parentes concorrem à reeleição. Foi, de fato, um verdadeiro show de horrores. Fundamentar o progresso político em suas bases por meio de um processo sem fundamento jurídico ou moral é um exemplo da podridão que se instalou no Congresso Nacional. Não há parlamentares comprometidos com a manutenção de projetos importantes, como o Minha Casa, Minha Vida, o Prouni, o Pronatec, a Farmácia Popular, a Ciência Sem Fronteiras, o Caminho da Escola, a expansão das universidades federais, a valorização do salário mínimo, e sim com a manutenção de seus privilégios econômicos e políticos. Hipocrisia.

Querem moralizar a política? Então que todos renunciem aos seus cargos e sejam chamadas eleições gerais, para o Executivo e o Legislativo, e que se faça uma reforma política de verdade, que não proteja seus interesses nos Estados e o coronelismo. É o único caminho ao clamor popular, que não é apenas da esquerda, como também da direita. É preciso um pacto nacional pela manutenção dos benefícios sociais e econômicos. Caso contrário, de nada adiantara multidões de pessoas irem às ruas vestidas de verde e amarelo se o que teremos na Presidência será uma composição política pior da que está sendo expulsa pela via golpista e inconstitucional. Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros, Aécio Neves e Jair Bolsonaro não são quadros políticos adequados para recriar a República, mas destruí-la definitivamente. Os evangélicos progressistas não compactuam com semelhante golpismo que tem como objetivo destruir as bases sociais, tornar precário o trabalho e aprofundar a desigualdade social. Temos que encontrar um novo caminho.

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."

Por Johnny Bernardo

Johnny Bernardo é jornalista, pesquisador da religiosidade brasileira e das relações entre religião e sociedade, colunista do Gnotícias e do Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão (NAPEC) Outros detalhes sobre o pesquisador no blog - http://jtbernardo.blogspot.com.br/ Contato: pesquisasreligiosas@gmail.com Google Plus

O artigo original poderá ser lido por meio do link abaixo —


Que Deus tenha misericórdia do Brasil.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

BANCADA EVANGÉLICA ENCOLHE NO CONGRESSO



O material abaixo foi publicado pelo site Gnotícias e é de autoria de Tiago Chagas

Com apenas 57 eleitos, bancada evangélica encolhe a partir de 2015

A bancada evangélica, formada por parlamentares que professam a fé cristã protestante, contará na próxima legislatura com 57 integrantes, segundo levantamentos realizados a partir das informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Os principais nomes da bancada continuam sendo os já conhecidos do público por sua atuação diretamente ligada aos eleitores evangélicos, como os pastores Marco Feliciano (PSC-SP), Roberto de Lucena (PV-SP), Silas Câmara (PSD-AM), João Campos (PSDB-GO) e Eurico (PSB-PE).

Outros nomes bastante conhecidos do público evangélico que estarão na Câmara dos Deputados são o pastor Paulo Freire (PR-SP), o cantor Irmão Lázaro (PSC-BA), Hidekazu Takayama (PSC-PR), o apóstolo Ezequiel Teixeira (SD-RJ) e o pastor Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ).

A eleição com mais de 1,5 milhão de votos de Celso Russomano (PRB-SP) fez com outros sete parlamentares de seu partido fossem eleitos pelo coeficiente eleitoral, sendo quatro deles ligados à Igreja Universal do Reino de Deus: Roberto Alves, Antônio Bulhões, Vinicius Carvalho e Marcelo Squasoni, todos de São Paulo, de acordo com informações do Estadão.

Outros nomes que mantém atuação política mais institucional e sem tanta vinculação com as pautas propostas pelos evangélicos, como Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Clarissa Garotinho (PR-RJ) e Benedita da Silva (PT-RJ), reforçam as fileiras da bancada evangélica.

No entanto, mesmo com mais de 10% do total de deputados federais que tomarão posse em fevereiro, a bancada evangélica terá um número menor de integrantes a partir de 2015. “Em 2010 foram eleitos 70 deputados e três senadores. A bancada deverá seguir tendência natural de crescimento, como nas eleições anteriores [...] O DIAP classifica como integrante da bancada evangélica, além dos bispos e pastores, aquele parlamentar que professa a fé segundo a doutrina evangélica”, diz trecho do levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar.

Confira abaixo, a lista de parlamentares da bancada evangélica a partir de 2015:

Silas Câmara (PSD-AM)

Irmão Lazaro (PSC-BA)

Márcio Marinho (PRB-BA)

Sérgio Brito (PSD-BA)

Erivelton Santana (PSC-BA)

Ronaldo Martins (PRB-CE)

Ronaldo Fonseca (PROS-DF)

Sérgio Vidigal (PDT-ES)

Manato (SD-ES)

Fábio Sousa (PSDB-GO)

João Campos (PSDB-GO)

Lincoln Portela (PR-MG)

Leonardo Quintão (PMDB-MG)

Stefano Aguiar (PSB-MG)

George Hilton (PRB-MG)

Weliton Prado (PT-MG)

Julia Marinho (PSC-PA)

Josué Bengtson (PTB-PA)

Anderson Ferreira (PR-PE)

Pastor Eurico (PSB-PE)

Rejane Dias (PT-PI)

Christiane Yared (PTN-PR)

Delegado Francischini (SD-PR)

Edmar Arruda (PSC-PR)

Hidekazu Takayama (PSC-PR)

Arolde de Oliveira (PSD-RJ)

Aureo (SD-RJ)

Benedita da Silva (PT-RJ)

Cabo Daciolo (PSOL-RJ)

Clarissa Garotinho (PR-RJ)

Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Apóstolo Ezequiel Teixeira (SD-RJ)

Francisco Floriano (PR-RJ)

Marcos Soares (PR-RJ)

Sóstenes Cavalcante (PSD-RJ)

Washington Reis (PMDB-RJ)

Antônio Jácome (PMN-RN)

Nilton Capixaba (PTB-RO)

Marcos Rogério (PDT-RO)

Jhonatan de Jesus (PRB-RR)

Onyx Lorenzoni (DEM-RS)

Ronaldo Nogueira (PTB-RS)

Pastor Jony (PRB-SE)

Laércio Oliveira (SD-SE)

Antônio Bulhões (PRB-SP)

Bruna Furlan (PSDB-SP)

Edinho Araújo (PMDB-SP)

Gilberto Nascimento (PSC-SP)

Jefferson Campos (PSD-SP)

Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP)

Missionário José Olimpio (PP-SP)

Marcelo Squasoni (PRB-SP)

Pastor Marco Feliciano (PSC-SP)

Paulo Freire (PR-SP)

Roberto Alves (PRB-SP)

Roberto de Lucena (PV-SP)

Vinicius Carvalho (PRB-SP)

*Atualizado em 09 de outubro, às 10h15

O artigo original do site Gnotícias poderá ser visto por meio do link abaixo:


NOSSO COMENTÁRIO

As últimas eleições de 2014 serviram para jogar bastante água na fervura da arrogância da liderança evangélica que esperava ver sua bancada ampliada de 70 para, no mínimo 90 deputados. Os 55 deputados eleitos estão muito longe da representatividade do chamado povo evangélico estimado em 20% do total da população brasileira. Proporcionalmente os evangélicos deveriam ter eleito algo em torno de 103 deputados.

Esse fracasso, devido em sua maior parte à estridência das falsas lideranças do chamado povo evangélico, mostra que o tal povo não deseja uma confrontação com o restante do país e sim viver em paz com todos os brasileiros, mesmo que existam grandes diferenças de opinião entre os grupos. Diferença de opinião é uma coisa, a atitude beligerante dos falsos líderes do povo evangélico é outra coisa.

Que Deus Abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

MARCO FELICIANO FOI A BOSTON NO DIA DA VOTAÇÃO DE CASSAÇÃO DO DEPUTADO NATAN DONADON



Sua excelência o deputado federal e dublê de pastor Marcos Feliciano, como já temos demonstrado não é um homem que prima por falar sempre a verdade. Mas ele deveria saber melhor, pois se dizendo pastor deveria saber que:

1. Deus é o Deus da verdade — Salmos 31:5 Nas tuas mãos, entrego o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.

2. O Espírito Santo é o Espírito da verdade — João 15:26 Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim.

3. O Senhor Jesus é a própria personificação da verdade — João 14:6 Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

4. E a Palavra de Deus é a verdade — João 17:17 — Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.

Deputado Natan Donadon

Já sua excelência, o deputado federal Natan Donadon, não tem pretensões pastorais, mas alega ser “evangélico” e encontra-se atualmente cumprindo uma longa pena no complexo penitenciário da Papuda, por ter sido condenado pelo desvio de 8 milhões de reais. Ele nega todas as acusações. Mas e o dinheiro?

No dia em que a Câmara dos Deputados iria votar a cassação do deputado Natan Donadon, o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, sr. Marco Feliciano, ausentou-se do país, sob a alegação que estava indo a Boston para defender os interesses dos brasileiros que esse encontram ilegalmente naquele país.


 
Complexo Penitenciário da Papuda em Brasília

Tal atitude por parte de Marco Feliciano chamou mais a atenção de alguns membros da imprensa, do que o fato de Natan Donadon não ter sido caçado por seus pares na Câmara dos Deputados. A ausência do deputado e dublê de pastor Marco Feliciano no dia da votação causou estranheza. Justo ele que tem se empenhado tanto para tirar da cadeia o falso mestre Marcos Pereira. Ou seja: Feliciano insiste na libertação de alguém acusado de estupros, assassinado, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e etc., e se ausenta do país no dia da votação da cassação de outro “evangélico, já condenado e cumprindo pena no complexo da Papuda. Sua ação foi tão estranha que o Diário do Centro do Mundo — DCM — publicou uma matéria, que reproduzimos abaixo, perguntando exatamente isso:

O que Marco Feliciano foi fazer em Boston, afinal?
KIKO NOGUEIRA 5 DE SETEMBRO DE 2013

A diretora do Centro do Imigrante Brasileiro contou ao Diário como foi a única reunião da pauta do pastor deputado na cidade.

feliciano
Marco Feliciano
O deputado Marco Feliciano esteve em Boston para, conforme anunciou, lutar “pelos direitos das centenas de brasileiros que estão presos aqui nos EUA por estarem ilegais”.
A viagem aconteceu no dia da votação da cassação do deputado Natan Donadon. Feliciano faltou. Justificou-se afirmando que já havia embarcado quando a votação começou. A passagem estaria marcada há dois meses.
Contou também que viajou a convite de “líderes religiosos” e não com dinheiro público. Avisou que levaria um relatório sobre os imigrantes e que iria apresentá-lo à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.
Nos dias que passou lá, Marco Feleiciano fez uma preleção na Revival Church for The Nations. Apresentou-se na “Escola Bíblica de Obreiros”, que tem como fundador o pastor Ouriel de Jesus.
E quanto aos imigrantes?
Bem, aí é outra história.
De acordo com a diretora executiva do Centro do Imigrante Brasileiro, Natalícia Tracy, houve apenas uma reunião, exatamente na casa de Ouriel de Jesus. Natalícia esteve nesse encontro com Feliciano e os imigrantes. “Recebi muitas críticas por ter estado com ele”, diz. “Foi para falar dos presos. A única coisa que ele disse foi para as pessoas lhe mandarem seus projetos”.

O número oficial de brasileiros em Boston é de 70 mil. Extraoficialmente, calcula-se que haja entre 200 e 250 mil. Não há, segundo ela, denúncias graves de violações de direitos humanos. Professora da Universidade de Massachussets, Natalícia está nos EUA há 18 anos. Casou-se com um americano. Sua organização luta contra a discriminação, oferece orientação jurídica e aulas de inglês.
Foi uma visita religiosa. Os membros mais influentes da comunidade não queriam nem ouvir falar no nome dele”, diz. “Se eu soubesse que a casa onde ocorreu a reunião era desse pastor, não teria ido. Ele é malvisto pelos nossos ativistas”.
Para Natalícia, o consulado não tem a capacidade de oferecer todo o apoio de que os brasileiros necessitam, mas houve uma melhora. Não por causa de Marco Feliciano. “A reunião com ele foi apenas isso: coisas da política.”
O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:
Diante dessa grave denúncia fica o apelo para que os verdadeiros crentes evitem votar em candidatos dessa estirpe.
Para meditar:
Apocalipse 21:8
Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte.
Grande Abraço e que Deus possa abençoar a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 20 de abril de 2013

MARCO FELICIANO FALA MUITAS BOBAGENS E MENTIRAS



De repente, um “total desconhecido consegue certa notoriedade entre o povo evangélico mais humilde que existe no Brasil. Tornou-se famoso, a ponto de alegar que já vendeu mais de 10 milhões de DVD´s com suas mensagens: um sucesso indiscutível. 

Com a fama que fez decidiu sair candidato a Deputado Federal no que foi muito bem sucedido, tendo conseguido se eleger nas últimas eleições. Até aqui fica apenas provado a frase antológica de Pelé que o “brasileiro não sabe votar”. Veja bem: os mesmos eleitores de São Paulo que elegeram Marco Feliciano com cerca de 210.000 votos, também elegeram o anárquico Tiririca com mais de 900.000 mil votos.

Feliciano já era muito controvertido antes da fama. Com a chegada à Câmara dos Deputados e agora com sua indicação para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da mesma Câmara, o homem tornou-se uma verdadeira metralhadora giratória que não pára de falar bobagens com ares de quem pretende se levar muito à sério. E tudo isso de um indivíduo que um dia disse:

Bobagem # 001 — Jamais me rebaixaria a ser um político sendo um pastor! – risos.

Bobagem # 002 — “A raça negra e o continente africano foram amaldiçoados por Deus”. Não tem graça nenhuma. Quem quiser ler nossa resposta bíblica à estupidez do ilustre deputado poderá fazê-lo por meio do link abaixo:


Mark Chapman, suposto assassino de John Lennon

Bobagem 003 # — Falando como  juiz de outros seres humanos, Feliciano afirmou que “Deus matou John Lennon”. Alguém, por favor poderia avisar as autoridades estadunidenses para colocarem Mark Chapman, o “suposto” assassino em liberdade?

Resultado de imagem para raul gil

Bobagem # 004 — Feliciano afirma que “Raul Gil trabalha para o Diabo”. Mas tem carteira assinada e tudo mais? Veja o ridículo vídeo aqui:


Marco Feliciano em uma "apresentação" com toda pinta de estar fora de controla.

Bobagem # 005 — Em entrevista ao programa Amaury Jr., Marco Feliciano tem a ousadia de usar o nome do Senhor em vão ao afirmar: “Me pegaram para Cristo”. Veja o link aqui:


Bobagem # 006 — Em uma pregação o sabichão afirmou que “João Ferreira de Almeida era um padre que traduziu a Bíblia para o português de uma versão inglesa da mesma”. Tal afirmação está disponível no site Teologia Pentecostal e pode ser vista por meio desse link aqui:


O autor do site acima escreve ainda: “É impossível numerar todas as bobagens teológicas saídas de suas pregações, assim como sua homilética personalista e a tendência megalomaníaca. A visibilidade de Feliciano na mídia apenas nos faz mal, logo porque é uma voz que nem sabe o que diz. Portanto, repito, é um homem despreparado para a legislatura e, também, para presidir qualquer comissão. E quando lembramos que o cristianismo evangélico já teve parlamentares como William Wilberforce e Abraham Kuyper só temos a lamentar com um Feliciano”. Trata-se de um pastor pentecostal falando de outro pastor pentecostal.

Bobagem # 007 — Marco Feliciano criticou com as seguintes palavras seus críticos via twitter: “Só avisando que meu nome não é osso para ficar em boca de cachorro”. E aproveitando o embalo chamou os que discordam dele de: “idiotas, cachorros, imbecis e satanistas“. Só vendo para acreditar, o que pode ser feito aqui:


Bobagem # 008 — Marco Feliciano acuado pela truculência com que está tratando as provocações que têm recebido nas sessões da Comissão de Diretos Humanos e Minorias afirmou que: “Os jornalistas só falam besteiras”. Sério mesmo? Sugiro que ele faça uma lista — com comprovações — e nos envie que teremos imenso prazer em publicar e garantir o direito de resposta a que ele tem direito.

Bobagem # 009 — Feliciano afirma que está “sofrendo perseguição religiosa”. E os dois processos que está respondendo no Supremo Tribunal Federal por estelionato e racismo, também são perseguição religiosa?

Bobagem # 10 — Novamente agindo com juiz de outros seres humanos Marco Feliciano afirmou que “Deus matou a banda Mamonas Assassinas”.

Quanta bobagem. Quanta “Infelicianidade”. E ainda tem gente do meio chamado evangélico que se propões a defender esse indivíduo, tão deseducado, tão grosseiro, tão despreparado para tudo nessa vida.

Nosso desejo sincero é que o Supremo Tribunal Federal possa condenar esse cidadão e assim torná-lo “ficha suja” impedindo-o de tentar a reeleição. Porque do jeito que as coisas vão, dessa vez além de conseguir se reeleger ele é capaz de levar mais uns dois ou três tão ruins ou piores do ele mesmo para Brasília.

Para Refletir:

Pois Jesus quando ultrajado, não revidava com ultraje, quando maltratado não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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