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sábado, 11 de março de 2017

Gênesis — Estudo 047 — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS FILHOS DE SEM E OS HEBREUS


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Os descendentes de Sem

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
              Eretz ha  ve-et  Hashamaim     et      Elohim        Bará     Bereshit
              Terra  a      e        céus              os       Deus          criou   princípio No
                                                                                     Gênesis 1:1

XI – Gênesis 10 e a Tábua das Nações — PARTE 003

H. Os Filhos de Sem – Gênesis 10:21—31.

Os Semitas são os últimos a serem mencionados, muito provavelmente, porque é deles que Abrão irá descender. Dessa maneira a posição de Sem dentro da “Tábua das Nações” serve para criar um efeito climático. Mesmo citando Sem por último, o autor não nos deixa esquecer que ele era realmente o filho mais velho de Noé – ver Gênesis 10:21. A ordem de nascimento dos filhos de Noé é: Sem – mencionado aqui como irmão mais velho de Jafé — Jafé e Cam — mencionado como o filho mais novo de Noé — ver Gênesis 9:24. Apesar dessa ser a ordem correta, quando os três são mencionados juntos, Cam aparece sempre no meio — Sem, Cam e Jafé — o que da margem a certas confusões — ver Gênesis 5:32; 6:10; 7:13; 9:18; 10:1. Mesmo a lista mencionada em 1 Crônicas 1:1—4, e que foi produzida bem mais tarde, preserva a fórmula — Sem, Cam é Jafé. Devemos ainda notar que apesar de Héber estar distante três gerações de Sem, ele é mencionado na abertura da árvore genealógica dos semitas indicando que esses são da maior importância geral, enquanto que os descendentes de Héber são de importância especial. Os descendentes de Pelegue, filho de Héber, não são mencionados na “Tábua das Nações”, mas serão mencionados com especial destaque em Gênesis 11:18—19.

A lista de nomes que segue é, como no caso das anteriores, meramente representativa e não exaustiva.

1. עֵילָם — `Eylam — Elão, que significa “eternidade”. Ao que parece este patriarca foi o ascendente dos Elamitas que se estabeleceram na região ao leste do rio Tigre na fronteira norte da Assíria e fazendo fronteira com a Média ao sul. Esse é o país mais distante, seguindo em direção leste, mencionado neste capítulo. Como o idioma falado pelos Elamitas não pertence ao ramo das línguas semíticas, existem muitas especulações acerca do porque Elão é mencionado entre os descendentes de Sem. Por causa das palavras contidas em Jeremias 49:36—39 alguns estudiosos identificam os Elamitas da Antiguidade com os modernos ciganos, mas está identificação parece um tanto quanto forçada.

2. אַשּׁוּר `Ashshur — Assur, que significa “um passo”. Patriarca que cedeu seu nome para a cidade que veio a se tornar, por muitos anos, a capital da Assíria. Seus descendentes se estabeleceram na região norte da Mesopotâmia às margens do rio Tigre. Os assírios terão um papel fundamental nos eventos posteriores da Antiguidade.

3. אַרְפַּכְשַׁד `Arpakshad — Arfaxade. Este nome possui uma etimologia muito complexa e, dependendo da maneira como é entendido, pode tanto significar “eu falharei com o peito”, como “ele amaldiçoou a mamadeira”. Este patriarca nasceu um ano após o dilúvio e viveu por longos quatrocentos e trinta e oito anos — ver Gênesis 11:13. Por causa da sua difícil etimologia, o nome Arfaxade tem sido identificado tanto como o ancestral dos caldeus bem como dos medos. Esses dois povos também irão representar papeis significativo no desenrolar dos fatos posteriores da História da Humanidade.

4. לוּד Lwud — Lude, que significa “conflito”. Com relação a esse patriarca não existe nenhum consenso quanto onde ele teria se estabelecido. Alguns o colocam no norte da África, outros acham que ele foi parar na região da Anatólia — Turquia moderna — enquanto outros ainda acham que ele se estabeleceu em algum lugar da mesopotâmia.

5. אֲרָם `Aram — Arã, que significa “exaltado”. Esse patriarca foi o pai dos chamados “arameus” que habitaram as estepes do vale que existe entre os rios Eufrates e Tigre, no norte da mesopotâmia. Este povo existe até os dias de hoje na região ocupada pela Síria moderna. Sua contribuição para a história bíblica é marcante, pois é deles que procede a língua aramaica — também chamado de siríaco antigo — que foi usada em partes do Antigo Testamento e que se tornou a língua franca da Palestina nos dias de Jesus. O Novo Testamento possui inúmeras expressões em aramaico o que é um reflexo direto do fato de que tanto o Senhor Jesus, bem como os seus discípulos eram fluentes neste idioma. Foi também dos arameus que Deus chamou Abraão.

I. Os Filhos de Arã — Gênesis 10:23.

1.עוּץ `Uwtz — Uz, que significa “arborizado”. Esse patriarca é também responsável por muitas especulações concernentes ao exato local onde ele teria se estabelecido. Alguns estudiosos acreditam que ele foi o fundador da cidade de Damasco. Outros acham que é dele que procede o nome da terra onde Jó habitava — ver Jó 1:1. Mas nada disso pode ser estabelecido com precisão.

2. חוּל Hul — Hul, que significa “círculo”. Esse patriarca se estabeleceu na região que fica entre o Líbano moderno a Armênia moderna.

3. גֶתֶר Gether — Geter, que significa “temor”. Nenhum povo ou nação conhecidos pode ser traçado de volta para ser identificado com esse patriarca. Todas as possibilidades levantadas não vão além de meras conjecturas.

4. מַשׁ Mash — Más, que significa “retirado”. Esse patriarca é chamado de Meseque em 1 Crônicas 1:17. A Septuaginta usa a forma “Mosoque” nas duas passagens. Similaridades morfológicas têm levado muitos a aceitar a possibilidade de que esse patriarca teria se estabelecido na região de Massius na Mesopotâmia. Ele teria também emprestado seu nome para nominarem o rio Meseca, cujos mananciais se encontram naquela mesma região.

J. Os Filhos de Arfaxade – Gênesis 10:24.

1. שָׁלַח Shalach — Salá, que significa “broto”. Esse patriarca chega a ser mencionado na genealogia de Jesus como anotada por Lucas – ver Lucas 3:35. Mas nosso conhecimento acerca dele não vai além dessa relevante citação.

2. עֵבֶר `Eber — Héber, que significa “a região dalém de”. Esse é o ascendente por excelência dos Hebreus. Alguns estudiosos acreditam até que as palavras Héber e hebreus são cognatas, mas não existe consenso quanto a isso. A descoberta do nome “Ebrum” – que foi rei de Ebla em 2300 a.C. — nas escavações da cidade de Ebla confirma a precisão da narrativa bíblica.
  
K. Os Filhos de Héber — Gênesis 10:25.

1. פֶּלֶג  — Peleg — Pelegue. Esse indivíduo é o único que, juntamente com Ninrode — ver versos 8 a 12 — possui uma explicação concernente ao seu nome. O texto bíblico diz que ele foi chamado “Pelegue” porque “em seus dias se repartiu a terra”. Esta expressão acerca da repartição da terra pode ter três interpretações possíveis:

1. O nome pode indicar que os descendentes de Sem foram divididos em dois ramos: os descendentes de Pelegue e os descendentes de Joctã.

2. Outra possibilidade está atrelada ao significado do nome “Palgu” em Acadiano. Nesta língua o nome significa “canal” ou “distrito” e, nesse caso, o uso desse nome estaria apontando para um herói cultural a quem foram atribuídas construções de canais. Existe uma antiga tradição originária da cidade de Falga na Mesopotâmia que fala da criação de canais na junção do rio Caraboas com o rio Eufrates.

3. A terceira possibilidade é aquela que aponta para os eventos narrados em Gênesis 11 concernentes à torre de Babel, quando os homens foram divididos e dispersos por toda a terra porque não conseguiam entender uns aos outros.

2. יָמָיו Yotayn — Joctã. O significado deste nome é: “filho mais novo”. Seus descendentes, alistados em seguida, são 13 e, pelos nomes registrados na Bíblia — versos 26 a 29 — os estudiosos concordam que os mesmos apontam para um grupo de tribos localizadas no sul da Arábia. Entre os árabes existe uma tradição de que certo homem chamado “Catã” seria um dos patriarcas deles. A evidência fica mais forte ainda quando traços dos nomes dos seus filhos podem ser encontrados espalhados por toda a Arábia. Segundo tradições muito antigas, as tribos árabes viviam sem se misturar com outros grupos. Essa prática durou até que Ismael, filho de Abrão e Hagar, junto com seus filhos também se estabeleceu naquela região. Naquele tempo houve uma miscigenação, e os povos resultantes dessa mistura são conhecidos como “mos-árabes”, ou “mostae-árabes” termos que significam “árabes mistos”. De todas as formas, a origem dos árabes como descendentes de Sem está muito bem estabelecida.   

L. Os Filhos de Joctã — Gênesis 10:26—29.

1. אַלְמוֹדָד `Alemodad — Almodá cujo significado é “não medido”. A Septuaginta — LXX — traduziu este nome por ελμωδαμ Elmodam — cujo significado é: “Deus é um Amigo”.  Esse patriarca é um ancestral dos povos que habitam o sul da península arábica e que constituem, possivelmente, a tribo de Al-Murad — tendo acontecido uma substituição da letra “D” original pelo “R”contemporâneo. O povo de Israel certamente possui laços de sangue com esses árabes que antecedem, inclusive, ao próprio advento de Abraão.

2.  שָׁלֶף Shalef — Selefe. O significado desse nome é: “retirado ou uma retirada”. Esse nome é bem conhecido entre os árabes onde assume as formas de: “Salaf, Sulaf ou Salif”. Esses nomes eram comuns entre os Sabeus[1] e ocorrem em inscrições encontradas em alguns distritos do Iêmen. Os registros mais antigos apontam para datas próximas de 2.200 a. C.

3. חֲצַרְמָוֶת Hatzaremaveth — Hazar-Mavé. Literalmente esse nome significa “Vila da Morte”. Esse foi o patriarca do povo que se estabeleceu na localidade de Wadi Hadramaut no sul da Arábia, cuja capital era a cidade de Shabwa. Durante sete séculos — do século V a. C até o século II a. D. — essa localidade abrigou uma grande civilização e viveu dias de muita glória. Essa região é um vale que se espalha por cerca de 320 quilômetros pela costa marítima da Arábia. Esse povo foi identificado por Estrabão — historiador e geógrafo grego que viveu por volta do ano zero da Era Cristã como uma das principais tribos do sul da Arábia. Eles tornaram-se célebres pela qualidade do incenso que produziam.

4. יָרַח `Yarach — Jerá, que significa “lua nova” e indica o ciclo mensal contado a partir das fases da lua. Por esse motivo também significava “mês” no idioma hebraico. Esse patriarca se estabeleceu na mesma região que o anterior: Wadi Hadramaut.   
   
5.  הֲדוֹרָם Hadoram  — Hadorão, que significa “honra nobre”. No hebraico veio a significar “Hadar é exaltado”. Os descendentes desse patriarca se estabeleceram na região do Iêmen[2]. Os registros que os mencionam datam de antes do ano 2.000 a. C.

6. אוּזָל`Auzal — Uzal, cujo significado é bastante incerto. Literalmente significa “eu serei inundado”. Não existe consenso entre os estudiosos concernente ao exato local onde esse patriarca teria se estabelecido. As duas possibilidades são as seguintes:

1. Uzal ou Auzal era o nome original da cidade de Saana que é a capital do Iêmen do Sul moderno. Essa cidade foi também chamada de Tafidh.

2. Outros identificam Uzal com a cidade de Azala. Essa cidade está localizada nos arredores da cidade de Medina e foi capturada pelo imperador assírio Assurbanipal. Registros históricos encontrados em Azala mencionam os nomes de Iarqui e Hurarína que alguns estudiosos pensam que fazem referência aos filhos de Joctã chamados Jerá e Hadoram.
      
Independentemente da sua localização, o texto de Ezequiel 27:19 nos informa que a cidade de Tiro mantinha relações comerciais com a cidade de Uzal de onde adquiria produtos feitos de ferro.

7. דִּקְלָהDiqelah  — Dicla, que significa “bosque de palmeiras”. Por causa desse nome é muito provável que esse patriarca se estabeleceu em algum dos muitos oásis de tamareiras que existem na região da Arábia. A região sul da Arábia, próxima da foz dos rios da Mesopotâmia — Eufrates e Tigre — tem sido sugerida por muitos estudiosos. O que sabemos com certeza acerca dessa tribo é que eles são semitas descentes de Joctã por meio do patriarca Héber. Dicla é considerado, de forma geral, como o patriarca de todos os Árabes que habitam o sul da península, onde hoje se encontra o Iêmen do Norte, o Iêmen do Sul e Oman.

8. עוֹבָל`Yobal — Obal, que significa “deixado nu”. Não existem informações precisas acerca de onde esse patriarca teria se estabelecido.

9. אֲבִימָאֵל`Abiyma`el — Abimael, cujo significado é “Deus é meu pai”. O nome é tipicamente árabe, mas como o anterior nada sabemos acerca de onde esse patriarca se estabeleceu. A forma hebraica deste nome era Abiel — ver 1 Samuel 9:1.

10. שְׁבָא Shebá` — Sabá, que tanto pode significar “sete” como “um juramento”. Esse patriarca foi o pai dos Sabeus. Esses figuram como negociantes de especiarias — especialmente incenso — pedras preciosas e ouro. Eles também negociavam escravos. Seu país é referido como sendo “distante” de Israel — ver 1 Reis 10:1—2; Isaías 60:6 ; Jeremias 6:20; Ezequiel 27:22; Joel 3:8 e Mateus 12:42. De acordo com o livro de Jó esse povo costumava andar em caravanas e era comum atacarem outros grupos — ver Jó 1:15 e 6:19. De acordo com árvores genealógicas árabes esse patriarca foi o pai de Himyar e Kahlan. Ele teria recebido esse nome por ter sido o primeiro entre seus irmãos a fazer prisioneiros — shabhah — de guerra. Esse patriarca e seus descendentes seriam os responsáveis diretos pela fundação da capital do reino de Sabá, bem como da cidade de Mariaba que ficou famosa por sua imponente barragem.

Era comum as mulheres ocuparem postos nos altos escalões do reino de Sabá, como podemos notar na história da rainha de Sabá e Salomão — ver 1 Reis 10. De acordo com registros históricos da Antiguidade. naquele reino as mulheres podiam ocupar, inclusive, elevadas posições dentro dos exércitos.

11. אוֹפִר `Ophir — Ofir que significa “reduzido a cinzas”. No hebraico essa palavra significava “rico” ou “gordo”. Ofir é mencionado na Bíblia como uma terra famosa como produtora de fino ouro — ver 1 Crônicas 29:4; 2 Crônicas 8:18; Jó 22:24  e 28:16; Salmos 45:9. A terra de Ofir era famosa, mas sua localização precisa tem iludido os estudiosos por muito tempo. Locais variam grandemente indo da África, passando pela Arábia e terminando na Índia. Não existem argumentos persuasivos para determinar nenhuma destas possibilidades como definitiva.

12. חֲוִילָהHaviylah  — Havilá, que significa “círculo”. Os descendentes desse de patriarca se estabeleceram no oeste da península arábica, margeando o Mar Vermelho, ao norte do Iêmen moderno. Esse Havilá não deve ser confundido com o que é mencionado em Gênesis 2 e que descreve a localização do Jardim do Éden. De acordo com aquele texto um rio chamado Pisom — talvez seja o rio Araxes moderno, circundava a terra de Havilá. Aquela região tratava-se, provavelmente, da Cólquida Grega, no extremo nordeste da Ásia Menor, próximo ao Mar Cáspio — ver Gênesis 2:10—14.

13. יוֹבָבYobab — Jobabe, cujo significado é “um deserto”. Em hebraico esse nome significava: 1) uivar; 2) clamar; 3) tocar a trombeta. Esse patriarca se estabeleceu, de maneira mais provável, na cidade chamada Juhaibab que fica nas proximidades de Meca, no oeste da península arábica.

Todos estes foram os filhos de Joctã, que fez uma contribuição significativa para a formação dos povos árabes. Joctã por sua vez era tataraneto de Sem, o qual era filho de Noé. No final da Tábua das Nações o autor do texto bíblico faz questão de nos lembrar que todos os seres humanos que viveram, que estão vivos e que ainda irão viver são todos descendentes de um dos três filhos de Noé: Sem, Jafé e Cam. É uma lembrança de que a raça humana é uma só!

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025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24

026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25

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031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.

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044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE

045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/genesis-estudo-045-tabua-das-nacoes.html

046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/genesis-estudo-047-tabua-das-nacoes.html
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
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052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
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054 — Estudo de Gênesis — A GENEALOGIA DOS SEMITAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/11/genesis-estudo-054-genealogia-dos.html



Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 

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[1] Sabeus, povo da Antigüidade mencionado na Bíblia. Eram astrólatras e habitavam o país de Sabá no sul da Arábia.

[2] O Iêmen moderno e atual representa a fusão, em 1990, do Iêmen do Norte — nação de forte tradição islâmica — com o Iêmen do Sul — mais ocidentalizado e pró socialista. Localizado na entrada do Mar Vermelho o país possui as terras mais férteis de toda a península arábica. Possui também inúmeras fontes de água o que permite o cultivo de cereais, algodão, café e frutas.  

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Gênesis — Estudo 045 — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS FILHOS DE JAFÉ


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Mapa com a distribuição dos descendentes de Jafé em "vermelho"

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

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  Gênesis 1:1

XI – Gênesis 10 e a Tábua das Nações

Ao iniciarmos o estudo do capítulo 10 do Livro do Gênesis nós nos deparamos, imediatamente, com uma mudança fundamental que tem a ver com o fato de que iremos abandonar a história de uma família para embarcar na história de 70 outras. O que está aqui registrado, bem como no próximo capítulo — Gênesis 11 — descreve o processo do desenvolvimento da raça humana que vai de Noé até Abrão.

De acordo com a Aliança feita com Noé e seus filhos — ver Gênesis 9:1 e 7 — a população da terra cresceu rapidamente. Noé teve 3 filhos — Sem, Cam e Jafé. Estes, por sua vez tiveram 16 filhos — média de 5,3 filhos sem contar as filhas. A Bíblia registra a existência de cerca de 10 gerações entre Sem e Abrão. Cálculos baseados na Tábua das Nações, partindo da premissa de que o ritmo de reprodução posterior se manteve constante, então a terra teria aproximadamente cerca de 15 milhões de habitantes quando Abrão estivesse com 35 anos. Se, todavia, estimarmos que a média de filhos homens fosse de 8 por família, então a população da terra estaria em algo próximo de 30 milhões quando Abraão estivesse com cerca de 100 anos. O Capítulo 10 de Gênesis não discute nenhum aspecto religioso dos seres humanos, apresenta apenas uma Tábua das Primeiras Nações das quais descenderam todas as outras. Vamos analisar esta Tábua das Nações.

A. Os Filhos de Jafé – Gênesis 10:1 - 5.  

A leitura de Gênesis 6:10 nos ensina que os três filhos de Noé eram Sem, Cam e Jafé.  Pelo relato de Gênesis 9:24 nós sabemos que Cam, apesar do fato de ser mencionado em segundo lugar em Gênesis 6:10 era, realmente o filho mais novo de Noé. E quem era o filho mais velho de Noé? A resposta definitiva nós encontramos em Gênesis 10:21. Mas se Sem era o filho mais velho, porque o autor do Livro do Gênesis inicia a listagem dos descendentes de Noé pelo seu filho do meio, Jafé?

A resposta talvez esteja relacionada ao fato de que Jafé teve mais descendentes diretos do que seus irmãos:


Gênesis 10:2

Jafé gerou: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras — 7 no total.

Gênesis 10:6

Cam gerou: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã — 4 no total.


Gênesis 10:22

Sem gerou: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã — 5 no total.

Outro motivo para Jafé ser mencionado primeiro também pode ter a ver com o fato de que seus descendentes se espalharam para mais longe do ponto de origem comum do que os descendentes de Cam e Sem. O território ocupado pelos descendentes de Jafé é descrito como sendo — אִיֵּי הַגּוֹיִם ‘iy ha goiYm — as ilhas das nações —

Gênesis 10:5

Estes — os filhos de Jafé — repartiram entre si as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações.


A expressão — אִיֵּי הַגּוֹיִם ‘iy ha goiYm — as ilhas das nações — descreve literalmente a região costeira ou litorânea bem como as ilhas. Como iremos ver mais adiante, as nações representadas pelos Jafetitas são países marítimos ou que podem ser alcançados mediante navegação. O conhecimento que temos hoje em dia indica que os descendentes de Jafé se fixaram nas margens norte do Mar Mediterrâneo e em outras regiões, conectadas via marítima, com este mesmo mar. Os Jafetitas foram os primeiros a desenvolver o conceito de “nação” já que, como mencionamos antes, eles eram mais propensos a especulações filosóficas do que os descendentes de Cam — voltados mais para as questões práticas — bem como os descendentes de Sem — voltados mais para as questões espirituais.

Apesar de não existir consenso acerca do que segue, o autor acredita que é do nome  יָפֶת Jafet — que os gregos desenvolveram o personagem mitológico chamado de ΙαπετὸςIapetòs — Japetus. Este tal de Japetus, de acordo com a mitologia grega, era filho legítimo de Uranus — o céu — e de Gaia — a terra. Japetus foi, por sua vez, o pai de Prometeus que se tornou o preservador da raça humana. Desta maneira, através de seu filho, Japetus está relacionado tanto com a origem quanto com a preservação da raça humana, que é, de acordo com o texto bíblico que temos diante de nós, prerrogativa de Jafé e seus irmãos. Vamos analisar a lista de descendentes de Jafé.

1.גֹּמֶר Gomer — Os registros mais antigos relacionam o nome de Gomer aos ΚιμμέριοιKimmérioi — Cimérios que habitaram, originalmente, o norte da península da Criméia, às margens do Mar Cáspio — Ucrânia moderna. Tendo sido desalojados pelos Citas, vieram a se estabelecer na Anatólia — Turquia moderna — onde ficaram conhecidos com Címbrios. Ramos destes mesmos povos — Cimérios e Címbrios — se espalharam pelo norte da Alemanha, França, Espanha, Portugal bem como pelas ilhas britânicas — ramo céltico. Acredita-se que este foi o primeiro grupo de pessoas a alcançar o que chamamos de Oceano Atlântico. De Portugal partiram para o oeste onde aportaram nas costas brasileiras. Assim, através dos portugueses, os brasileiros possuem uma quantidade considerável de sangue celta o que os faz descendentes de Gomer e de Jafé.

2. מָגוֹג Magog — Magogue. É geralmente aceito que o nome Magogue faz referência aos Citas ou Tártaros — povos túrcicos que habitaram principalmente a região da Tartária — Armênia e Capadócia — e que corresponde ao sul da Federação Russa moderna. Os mongóis que invadiram o leste europeu eram descendentes destes povos O nome de Magogue está em outras partes da Bíblia — ver Ezequiel 38:2; 39:6; Apocalipse 20:8 — atrelado ao nome de Gogue. Juntos estes povos são apresentados como extremamente beligerantes.

3. מָדַי Madai. Esse é o nome pelo qual os Medos são chamados nas páginas da Bíblia. Madai ocupou a área que fica entre o norte do Rio Tigre — a leste da Síria — e o sudoeste do Mar Cáspio – ver 2 Reis 17:6. A área ocupada por Madai corresponde aos países modernos do Iraque e do Irã. É bastante provável que os descendentes de Madai tenham também participado na formação dos povos que habitaram a região do Hindustão que constitui a Índia e o Paquistão modernos.

4. יָוָן Javan — Javã. Facilmente identificado com as tribos Helênicas conhecidas como Jônicas e que se estabeleceram nas costas do mar Egeu, na região do Peloponeso e na Ática — todas na região da Grécia moderna. A partir daí os descendentes de Javã se estabeleceram ao sul das margens do mar Negro e se estenderam para o leste até a região da Síria moderna. Para o oeste os descendentes de Javã chegaram a ocupar o sul da península Itálica na Itália moderna. Estes povos são mencionados inúmeras vezes na Bíblia e a citação de Isaías 66:19 é realmente impressionante diante dos desenvolvimentos históricos posteriores.

5. תֻבָל Tubal — Povo que, ao que parece, se estabeleceu no sudeste do Mar Negro. Daí se espalhou para o norte para a região da Rússia moderna. Existem especulações que tanto o Rio Tobal quanto a cidade de Tobolsk teriam herdado seus nomes deste patriarca descendente de Jafé. Outros acham que esses foram os habitantes originais da Península Ibérica, e não seria impossível que o mesmo fosse verdade tanto em relação ao sul da Rússia quanto à Espanha.

6.מֶשֶׁךְ Mesheq — Meseque. Os descendentes deste patriarca ocuparam, de modo preferencial, a região da Turquia Moderna. Também se espalharam para o norte e é possível que tenham alcançado a região da Rússia moderna. Certamente eles estavam presentes na região da Armênia moderna que serve de ponte entre a Anatólia e as montanhas da Cáucaso[1].

7. תִירָס Tiyras — Sob esse nome nós vamos encontrar os povos que, estendendo-se para o oeste passaram pela península grega, pela modernas regiões da Bósnia-Herzegovina, Eslovênia — anteriormente partes da Iugoslávia — até atingirem a península itálica. O nome do Mar Tirreno é provavelmente derivado destes povos. Historiadores sugerem que os descendentes de Tiras formaram o povo Etrusco que acabou se consolidando como dominador da península entre os rios Tiber e Arno. Os Etruscos foram, mais tarde, dominados pelos Romanos que passaram a dominar, não só a Itália como todo o mundo banhado pela bacia do Mar Mediterrâneo.

B. Os Filhos de Gômer.  

Jafé teve sete filhos e sete netos – ver Gênesis 10:3—4.

1. אַשְׁכֲּנַז Asquenaz — Povo que se estabeleceu na região do Ararate entre a Turquia, o Irã e a Rússia modernos. Asquenaz é mencionado junto com os reinos de Ararate e Mini pelo profeta Jeremias — ver Jeremias 51:27. Em hebraico moderno a expressão “asquenaz” é usada para caracterizar os povos germânicos e os curdos.

2. רִיפַת Riyphat — Rifate — Verdadeiro enigma para os historiadores. Teriam se estabelecido por toda a região da Turquia moderna se estendendo para o leste até a Armênia moderna.
3. תֹגַרְמָה Togaremah Togarma. Os descendentes de Togarma são mencionados fazendo troca de mercadorias com os habitantes de Tiro — ver Ezequiel 27:14. São também mencionados como parte do Exército de Gogue — ver Ezequiel 38.6. Alguns estudiosos acham que o nome Turquia procede diretamente dos descendentes deste patriarca. Outros acham que eles se espalharam para o norte da Rússia indo habitar as regiões da Hungria e da Finlândia — países que, curiosamente têm idiomas cognatos. Essa opinião ocorre porque o idioma finlandês possui maiores afinidades com o idioma húngaro do que com os outros idiomas da Escandinávia — dinamarquês, sueco e norueguês. Por sua vez, o idioma húngaro não guarda relações nem com o alemão, nem com o polonês, nem com o romeno.

C. Os Filhos de Javã. 

1. אֱלִישָׁה Eliyshah — Elisá, cujo significado é “Deus daquele que está por vir”. Este foi o povo que se estabeleceu na ilha de Creta no Mediterrâneo. Alguns historiadores acham que o mesmo povo se estabeleceu na região de Cartago no norte da África.

2. תַרְשִׁישׁ Tareshiysh — Társis. No Antigo Testamento o nome de Társis está relacionado à uma terra distante de onde ouro, prata, marfim, bugios — macacos — e pavões eram trazidos para a corte do rei Salomão — ver 1 Reis 10:22 e Jeremias 9:10. De lá também procediam o ferro, o estanho e o chumbo — ver Ezequiel 27:12. A frota mencionada como pertencente a Salomão teria seu porto no Mar Vermelho, em Eziom-Geber — ver 1 Reis 22:49 — de onde partiriam tanto para alcançar o leste da África como a própria Índia. Isto colocaria Társis fora da bacia do Mediterrâneo. Especulações são abundantes concernentes à exata localização de Társis. Alguns acreditavam que se referia à costa da moderna Espanha, outros imaginam terras muito mais distantes como as ilhas britânicas, enquanto outros ainda acreditam que se refira às costas do México moderno. De qualquer maneira, o que fica evidente pelos nossos textos é que Társis só podia ser alcançada por via marítima. Assim, é perfeitamente verdadeiro o relato que encontramos no livro de Jonas quando o profeta vai ao porto de Jope, para tomar um navio cujo destino era Társis — ver Jonas 1:3. A cidade de Tarso, onde nasceu o apóstolo Paulo deriva seu nome deste patriarca.

3. כִּתִּים Qittiym — Quitim. Nome associado à cidade fenícia de Kition na costa sudoeste da ilha de Chipre próxima da moderna cidade de Larnaka. No Antigo Testamento Quitim se refere tanto a uma terra — ver Isaías 23:1 que menciona a ilha de Chipre — como a um grupo de ilhas — ver Ezequiel 27:6.

4. דֹדָנִים Dodaniym — Dodanim. Baseados na leitura de 1 Crônicas 1:7 muitos comentaristas pensam que os nomes de דֹדָנִים Dodaniym — Dodanim e רוֹדָנִים Rodaniym — Rodanim fazem referência ao povo que habitava a ilha de Rodes no Mar Mediterrâneo ao sul da costa da Turquia moderna. Uma acomodação plausível para esta condição é que o nome original — Dodanim — como aparece em Gênesis 10:4, faria referência a um povo antigo chamado de Danaos que habitaram a região do Peloponeso na península grega durante o período Micênico e que teria, mais tarde, migrado para a ilha de Rodes onde o nome teria sido adaptado para Rodanim.

O conteúdo de Gênesis 10:5 faz referência aos descendentes de Jafé e deixa bem claro que a lista aqui apresentada não pretende ser exaustiva. Muito pelo contrário, o uso da expressão אִיֵּי הַגּוֹיִם ‘iy ha goim — ilhas das nações, faz referência a terras que o autor não deseja identificar. Muitas dessas nações, independente de suas localizações, só podem ser alcançadas por via marítima. Cada uma dessas nações possui seu próprio território, sua própria língua — uma indicação vaga de que desenvolveram seus próprios idiomas — bem como seus próprios מִשְׁפְּחֹתָם misheppehotam — clãs.
Os descendentes de Jafé, como já mencionamos, foram aqueles que se especializaram no uso da navegação. Gregos, fenícios e outros povos tornaram-se marinheiros renomados na Antiguidade. O mito de Atlântida: Segundo os diálogos de Platão chamados de “Timeu e Crítias” sacerdotes egípcios em conversa com o legislador grego Sólon — século VI a.C. — teriam mencionado a existência de uma enorme ilha ao oeste das Colunas de Hércules — Estreito de Gilbratar — que era maior que toda a Ásia Menor e a Líbia juntas. Os habitantes dessa ilha eram um povo de conquistadores que foram finalmente conquistados e subjugados pelo povo de Atenas. Os habitantes de Atlântida tornaram-se pecadores pervertidos e sua ilha acabou por sucumbir em meio a um enorme terremoto.

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http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html

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Alexandros Meimaridis

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[1] Montanhas do Cáucaso – Bol Soj Kaukaz – estão localizadas nos países modernos da Rússia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão.

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