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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Gênesis — Estudo 045 — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS FILHOS DE JAFÉ


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Mapa com a distribuição dos descendentes de Jafé em "vermelho"

Este estudo é parte de uma Análise do Livro do Gênesis. Nosso interesse é ajudar todos os leitores a apreciarem a rica herança que temos nas páginas da História Primeva da Humanidade. No final de cada estudo o leitor encontrará direções para outras partes desse estudo. 

O Livro do Gênesis

O Princípio de Todas as Coisas

בְּרֵאשִׁית בָּרָא אֱלֹהִים אֵת הַשָּׁמַיִם וְאֵת הָאָרֶץ        
              Eretz   ha  ve-et  Hashamaim   et      Elohim       Bará       Bereshit
               Terra  a      e        céus            os        Deus         criou      princípio No                              

  Gênesis 1:1

XI – Gênesis 10 e a Tábua das Nações

Ao iniciarmos o estudo do capítulo 10 do Livro do Gênesis nós nos deparamos, imediatamente, com uma mudança fundamental que tem a ver com o fato de que iremos abandonar a história de uma família para embarcar na história de 70 outras. O que está aqui registrado, bem como no próximo capítulo — Gênesis 11 — descreve o processo do desenvolvimento da raça humana que vai de Noé até Abrão.

De acordo com a Aliança feita com Noé e seus filhos — ver Gênesis 9:1 e 7 — a população da terra cresceu rapidamente. Noé teve 3 filhos — Sem, Cam e Jafé. Estes, por sua vez tiveram 16 filhos — média de 5,3 filhos sem contar as filhas. A Bíblia registra a existência de cerca de 10 gerações entre Sem e Abrão. Cálculos baseados na Tábua das Nações, partindo da premissa de que o ritmo de reprodução posterior se manteve constante, então a terra teria aproximadamente cerca de 15 milhões de habitantes quando Abrão estivesse com 35 anos. Se, todavia, estimarmos que a média de filhos homens fosse de 8 por família, então a população da terra estaria em algo próximo de 30 milhões quando Abraão estivesse com cerca de 100 anos. O Capítulo 10 de Gênesis não discute nenhum aspecto religioso dos seres humanos, apresenta apenas uma Tábua das Primeiras Nações das quais descenderam todas as outras. Vamos analisar esta Tábua das Nações.

A. Os Filhos de Jafé – Gênesis 10:1 - 5.  

A leitura de Gênesis 6:10 nos ensina que os três filhos de Noé eram Sem, Cam e Jafé.  Pelo relato de Gênesis 9:24 nós sabemos que Cam, apesar do fato de ser mencionado em segundo lugar em Gênesis 6:10 era, realmente o filho mais novo de Noé. E quem era o filho mais velho de Noé? A resposta definitiva nós encontramos em Gênesis 10:21. Mas se Sem era o filho mais velho, porque o autor do Livro do Gênesis inicia a listagem dos descendentes de Noé pelo seu filho do meio, Jafé?

A resposta talvez esteja relacionada ao fato de que Jafé teve mais descendentes diretos do que seus irmãos:


Gênesis 10:2

Jafé gerou: Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras — 7 no total.

Gênesis 10:6

Cam gerou: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã — 4 no total.


Gênesis 10:22

Sem gerou: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã — 5 no total.

Outro motivo para Jafé ser mencionado primeiro também pode ter a ver com o fato de que seus descendentes se espalharam para mais longe do ponto de origem comum do que os descendentes de Cam e Sem. O território ocupado pelos descendentes de Jafé é descrito como sendo — אִיֵּי הַגּוֹיִם ‘iy ha goiYm — as ilhas das nações —

Gênesis 10:5

Estes — os filhos de Jafé — repartiram entre si as ilhas das nações nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, em suas nações.


A expressão — אִיֵּי הַגּוֹיִם ‘iy ha goiYm — as ilhas das nações — descreve literalmente a região costeira ou litorânea bem como as ilhas. Como iremos ver mais adiante, as nações representadas pelos Jafetitas são países marítimos ou que podem ser alcançados mediante navegação. O conhecimento que temos hoje em dia indica que os descendentes de Jafé se fixaram nas margens norte do Mar Mediterrâneo e em outras regiões, conectadas via marítima, com este mesmo mar. Os Jafetitas foram os primeiros a desenvolver o conceito de “nação” já que, como mencionamos antes, eles eram mais propensos a especulações filosóficas do que os descendentes de Cam — voltados mais para as questões práticas — bem como os descendentes de Sem — voltados mais para as questões espirituais.

Apesar de não existir consenso acerca do que segue, o autor acredita que é do nome  יָפֶת Jafet — que os gregos desenvolveram o personagem mitológico chamado de ΙαπετὸςIapetòs — Japetus. Este tal de Japetus, de acordo com a mitologia grega, era filho legítimo de Uranus — o céu — e de Gaia — a terra. Japetus foi, por sua vez, o pai de Prometeus que se tornou o preservador da raça humana. Desta maneira, através de seu filho, Japetus está relacionado tanto com a origem quanto com a preservação da raça humana, que é, de acordo com o texto bíblico que temos diante de nós, prerrogativa de Jafé e seus irmãos. Vamos analisar a lista de descendentes de Jafé.

1.גֹּמֶר Gomer — Os registros mais antigos relacionam o nome de Gomer aos ΚιμμέριοιKimmérioi — Cimérios que habitaram, originalmente, o norte da península da Criméia, às margens do Mar Cáspio — Ucrânia moderna. Tendo sido desalojados pelos Citas, vieram a se estabelecer na Anatólia — Turquia moderna — onde ficaram conhecidos com Címbrios. Ramos destes mesmos povos — Cimérios e Címbrios — se espalharam pelo norte da Alemanha, França, Espanha, Portugal bem como pelas ilhas britânicas — ramo céltico. Acredita-se que este foi o primeiro grupo de pessoas a alcançar o que chamamos de Oceano Atlântico. De Portugal partiram para o oeste onde aportaram nas costas brasileiras. Assim, através dos portugueses, os brasileiros possuem uma quantidade considerável de sangue celta o que os faz descendentes de Gomer e de Jafé.

2. מָגוֹג Magog — Magogue. É geralmente aceito que o nome Magogue faz referência aos Citas ou Tártaros — povos túrcicos que habitaram principalmente a região da Tartária — Armênia e Capadócia — e que corresponde ao sul da Federação Russa moderna. Os mongóis que invadiram o leste europeu eram descendentes destes povos O nome de Magogue está em outras partes da Bíblia — ver Ezequiel 38:2; 39:6; Apocalipse 20:8 — atrelado ao nome de Gogue. Juntos estes povos são apresentados como extremamente beligerantes.

3. מָדַי Madai. Esse é o nome pelo qual os Medos são chamados nas páginas da Bíblia. Madai ocupou a área que fica entre o norte do Rio Tigre — a leste da Síria — e o sudoeste do Mar Cáspio – ver 2 Reis 17:6. A área ocupada por Madai corresponde aos países modernos do Iraque e do Irã. É bastante provável que os descendentes de Madai tenham também participado na formação dos povos que habitaram a região do Hindustão que constitui a Índia e o Paquistão modernos.

4. יָוָן Javan — Javã. Facilmente identificado com as tribos Helênicas conhecidas como Jônicas e que se estabeleceram nas costas do mar Egeu, na região do Peloponeso e na Ática — todas na região da Grécia moderna. A partir daí os descendentes de Javã se estabeleceram ao sul das margens do mar Negro e se estenderam para o leste até a região da Síria moderna. Para o oeste os descendentes de Javã chegaram a ocupar o sul da península Itálica na Itália moderna. Estes povos são mencionados inúmeras vezes na Bíblia e a citação de Isaías 66:19 é realmente impressionante diante dos desenvolvimentos históricos posteriores.

5. תֻבָל Tubal — Povo que, ao que parece, se estabeleceu no sudeste do Mar Negro. Daí se espalhou para o norte para a região da Rússia moderna. Existem especulações que tanto o Rio Tobal quanto a cidade de Tobolsk teriam herdado seus nomes deste patriarca descendente de Jafé. Outros acham que esses foram os habitantes originais da Península Ibérica, e não seria impossível que o mesmo fosse verdade tanto em relação ao sul da Rússia quanto à Espanha.

6.מֶשֶׁךְ Mesheq — Meseque. Os descendentes deste patriarca ocuparam, de modo preferencial, a região da Turquia Moderna. Também se espalharam para o norte e é possível que tenham alcançado a região da Rússia moderna. Certamente eles estavam presentes na região da Armênia moderna que serve de ponte entre a Anatólia e as montanhas da Cáucaso[1].

7. תִירָס Tiyras — Sob esse nome nós vamos encontrar os povos que, estendendo-se para o oeste passaram pela península grega, pela modernas regiões da Bósnia-Herzegovina, Eslovênia — anteriormente partes da Iugoslávia — até atingirem a península itálica. O nome do Mar Tirreno é provavelmente derivado destes povos. Historiadores sugerem que os descendentes de Tiras formaram o povo Etrusco que acabou se consolidando como dominador da península entre os rios Tiber e Arno. Os Etruscos foram, mais tarde, dominados pelos Romanos que passaram a dominar, não só a Itália como todo o mundo banhado pela bacia do Mar Mediterrâneo.

B. Os Filhos de Gômer.  

Jafé teve sete filhos e sete netos – ver Gênesis 10:3—4.

1. אַשְׁכֲּנַז Asquenaz — Povo que se estabeleceu na região do Ararate entre a Turquia, o Irã e a Rússia modernos. Asquenaz é mencionado junto com os reinos de Ararate e Mini pelo profeta Jeremias — ver Jeremias 51:27. Em hebraico moderno a expressão “asquenaz” é usada para caracterizar os povos germânicos e os curdos.

2. רִיפַת Riyphat — Rifate — Verdadeiro enigma para os historiadores. Teriam se estabelecido por toda a região da Turquia moderna se estendendo para o leste até a Armênia moderna.
3. תֹגַרְמָה Togaremah Togarma. Os descendentes de Togarma são mencionados fazendo troca de mercadorias com os habitantes de Tiro — ver Ezequiel 27:14. São também mencionados como parte do Exército de Gogue — ver Ezequiel 38.6. Alguns estudiosos acham que o nome Turquia procede diretamente dos descendentes deste patriarca. Outros acham que eles se espalharam para o norte da Rússia indo habitar as regiões da Hungria e da Finlândia — países que, curiosamente têm idiomas cognatos. Essa opinião ocorre porque o idioma finlandês possui maiores afinidades com o idioma húngaro do que com os outros idiomas da Escandinávia — dinamarquês, sueco e norueguês. Por sua vez, o idioma húngaro não guarda relações nem com o alemão, nem com o polonês, nem com o romeno.

C. Os Filhos de Javã. 

1. אֱלִישָׁה Eliyshah — Elisá, cujo significado é “Deus daquele que está por vir”. Este foi o povo que se estabeleceu na ilha de Creta no Mediterrâneo. Alguns historiadores acham que o mesmo povo se estabeleceu na região de Cartago no norte da África.

2. תַרְשִׁישׁ Tareshiysh — Társis. No Antigo Testamento o nome de Társis está relacionado à uma terra distante de onde ouro, prata, marfim, bugios — macacos — e pavões eram trazidos para a corte do rei Salomão — ver 1 Reis 10:22 e Jeremias 9:10. De lá também procediam o ferro, o estanho e o chumbo — ver Ezequiel 27:12. A frota mencionada como pertencente a Salomão teria seu porto no Mar Vermelho, em Eziom-Geber — ver 1 Reis 22:49 — de onde partiriam tanto para alcançar o leste da África como a própria Índia. Isto colocaria Társis fora da bacia do Mediterrâneo. Especulações são abundantes concernentes à exata localização de Társis. Alguns acreditavam que se referia à costa da moderna Espanha, outros imaginam terras muito mais distantes como as ilhas britânicas, enquanto outros ainda acreditam que se refira às costas do México moderno. De qualquer maneira, o que fica evidente pelos nossos textos é que Társis só podia ser alcançada por via marítima. Assim, é perfeitamente verdadeiro o relato que encontramos no livro de Jonas quando o profeta vai ao porto de Jope, para tomar um navio cujo destino era Társis — ver Jonas 1:3. A cidade de Tarso, onde nasceu o apóstolo Paulo deriva seu nome deste patriarca.

3. כִּתִּים Qittiym — Quitim. Nome associado à cidade fenícia de Kition na costa sudoeste da ilha de Chipre próxima da moderna cidade de Larnaka. No Antigo Testamento Quitim se refere tanto a uma terra — ver Isaías 23:1 que menciona a ilha de Chipre — como a um grupo de ilhas — ver Ezequiel 27:6.

4. דֹדָנִים Dodaniym — Dodanim. Baseados na leitura de 1 Crônicas 1:7 muitos comentaristas pensam que os nomes de דֹדָנִים Dodaniym — Dodanim e רוֹדָנִים Rodaniym — Rodanim fazem referência ao povo que habitava a ilha de Rodes no Mar Mediterrâneo ao sul da costa da Turquia moderna. Uma acomodação plausível para esta condição é que o nome original — Dodanim — como aparece em Gênesis 10:4, faria referência a um povo antigo chamado de Danaos que habitaram a região do Peloponeso na península grega durante o período Micênico e que teria, mais tarde, migrado para a ilha de Rodes onde o nome teria sido adaptado para Rodanim.

O conteúdo de Gênesis 10:5 faz referência aos descendentes de Jafé e deixa bem claro que a lista aqui apresentada não pretende ser exaustiva. Muito pelo contrário, o uso da expressão אִיֵּי הַגּוֹיִם ‘iy ha goim — ilhas das nações, faz referência a terras que o autor não deseja identificar. Muitas dessas nações, independente de suas localizações, só podem ser alcançadas por via marítima. Cada uma dessas nações possui seu próprio território, sua própria língua — uma indicação vaga de que desenvolveram seus próprios idiomas — bem como seus próprios מִשְׁפְּחֹתָם misheppehotam — clãs.
Os descendentes de Jafé, como já mencionamos, foram aqueles que se especializaram no uso da navegação. Gregos, fenícios e outros povos tornaram-se marinheiros renomados na Antiguidade. O mito de Atlântida: Segundo os diálogos de Platão chamados de “Timeu e Crítias” sacerdotes egípcios em conversa com o legislador grego Sólon — século VI a.C. — teriam mencionado a existência de uma enorme ilha ao oeste das Colunas de Hércules — Estreito de Gilbratar — que era maior que toda a Ásia Menor e a Líbia juntas. Os habitantes dessa ilha eram um povo de conquistadores que foram finalmente conquistados e subjugados pelo povo de Atenas. Os habitantes de Atlântida tornaram-se pecadores pervertidos e sua ilha acabou por sucumbir em meio a um enorme terremoto.

Outros artigos acerca dO LIVRO DE GÊNESIS

001 — Introdução e Esboço

002 — Introdução ao Gênesis — Parte 2 — Teorias Acerca da Criação

003 — Introdução ao Gênesis — Parte 3 — A História Primeva e Sua Natureza

004 — Introdução ao Gênesis — Parte 4 — A Preparação para a Vida Na Terra

005 — Introdução ao Gênesis — Parte 5 — A Criação da Vida

006 — Introdução ao Gênesis — Parte 6 — O DEUS CRIADOR

007 — Introdução ao Gênesis — Parte 7 — OS NOMES DO DEUS CRIADOR, OS CÉUS E A TERRA

008 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 1 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 1

009 – Gênesis — A Criação de Deus - Parte 8A – A Criação de Deus Dia a Dia – O Primeiro Dia — Parte 2

010 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus - Parte 9 – A Criação de Deus Dia a Dia – O Segundo e o Terceiro Dia

011 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 10 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quarto Dia

012 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 11 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Quinto Dia

013 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12 — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 1

013A — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 12A — A Criação de Deus Dia a Dia — O Sexto Dia — Parte 2

014 — Estudo de Gênesis — A Criação de Deus — Parte 13 — Teorias Evolutivas

015 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 14 — GÊNESIS 2A

016 — Estudo de Gênesis — Gênesis 2 — Parte 15 — GÊNESIS 2B

017 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 16 — GÊNESIS 3A

018 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 17 — GÊNESIS 3B

019 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — Parte 18 — GÊNESIS 3C

020 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Livre Arbítrio — Parte 19

021 — Estudo de Gênesis — Gênesis 3 — O Dois Adãos — Parte 20

022 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Era Pré-Patriarcal e a Mulher de Caim — Parte 21

023 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, O Primeiro Construtor de Uma Cidade — Parte 22

024 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Assassino e Fugitivo da Presença de Deus — Parte 23

025 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — Caim, Como Primeiro Construtor de uma Cidade e Pseudo-Salvador da Humanidade — Parte 24

026 — Estudo de Gênesis — Gênesis 4 — A Conclusão Acerca de Caim — Parte 25

027 — Estudo de Gênesis — Gênesis 5 — Sete e outros Patriarcas Antediluvianos — Parte 26

028 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Perversidade Humana, Os Filhos de Deus e as Filhas dos Homens— Parte 27A

029 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — OS Nefilim e os Guiborim — Os Gigantes e os Valentes — Parte 27B

030 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Maldade do Coração Humano— Parte 27C.

031 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — A Corrupção Humana Sobre a Face da Terra e Deus Pode se Arrepender? — Parte 27D.

032 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28A.

033 — Estudo de Gênesis — Gênesis 6 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 28B.

034 — Estudo de Gênesis — Gênesis 7 — Noé e a arca que ele construiu orientado por Deus — Parte 29 — O Dilúvio Foi Global Ou Local?

035 — Estudo de Gênesis — Gênesis 8 — A promessa que Deus Fez a Noé e seus descendentes — Parte 30 — Nunca Mais Destruirei a Terra Pela Água

036 — Estudo de Gênesis —  O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 001

037 — Estudo de Gênesis — O Valor Perene do Dilúvio para todas as Gerações — PARTE 002

038 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 001

039 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 002

040 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 003

041 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 004 — A NATUREZA DA ALIANÇA ENTRE DEUS E NOÉ

042 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 005 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 001
043 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 006 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 002 — OS NEGROS SÃO AMALDIÇOADOS?
044 — Estudo de Gênesis — A Aliança de Deus com Noé — PARTE 007 — OS FILHOS DE NOÉ — PARTE 003 — A CONTRIBUIÇÃO DOS FILHOS DE NOÉ PARA A HUMANIDADE
045 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 001 — OS DESCENDENTES DE JAFÉ
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/genesis-estudo-045-tabua-das-nacoes.html
046 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 002 — OS DESCENDENTES DE CAM: NEGROS, AMARELOS E VERMELHOS
047 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 003 — OS DESCENDENTES DE SEM E A ORIGEM DOS HEBREUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/genesis-estudo-047-tabua-das-nacoes.html
048 — Estudo de Gênesis — A TÁBUA DAS NAÇÕES — PARTE 004 — A TÁBUA DAS NAÇÕES É UM DOCUMENTO ÚNICO NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE
049 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 001
050 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 002
051 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 003
052 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 004
053 — Estudo de Gênesis — A TORRE DE BABEL — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/genesis-estudo-053-torre-de-babel-parte.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


Desde já agradecemos a todos. 



[1] Montanhas do Cáucaso – Bol Soj Kaukaz – estão localizadas nos países modernos da Rússia, Geórgia, Armênia e Azerbaijão.

Os comentários não representam a opinião do Blog O Grande Diálogo; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

domingo, 7 de junho de 2015

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — MATERIAIS DE ESCRITA - ESTUDO 003 - OS PAPIROS - FINAL



Papiro P86

Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato queremos incentivar que todos possam ler esses artigos compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

CONTINUAÇÃO...

O que se fazia com as folhas de papiro depois que estavam prontas, dependia do propósito para o qual as mesmas tinham sido produzidas. Folhas soltas de papiro eram, geralmente, vendidas para serem usadas para registros diversos, memorandos, treinamento de escrita e etc. Alguns argumentam que papiros de qualidade muito baixa eram usados apenas como “papeis” de embrulho. Mas nosso interesse está centrado em seu uso para produzir livros. Quando se trabalhava com papiro, o rolo era, sem sombra de dúvida, a melhor forma de usar tal material. As folhas individuais eram unidas pelas suas bordas. Plínio afirma que as melhores folhas eram geralmente colocadas no início do rolo. Não sabemos se o motivo de tal procedimento era porque as mesmas eram mais resistentes ou porque deixavam o rolo mais bonito e mais valioso na hora de comercializá-lo. Ainda de acordo com Plínio, o rolo padrão era composto de 20 folhas o que somadas se estendiam por cerca de 5 metros. Mas existiam papiros mais longos com certeza. Um desses casos é o papiro Harris I que está no Museu Britânico catalogado sob o número EA9999.61. Esse rolo tem quase 40 metros de comprimento.

Papyrus; Hieratic text. Published by Peet, Great Tomb Robberies (1930).
Papiro Harris I

Os rolos também permitiam uma série de curvas contínuas o que evitava colocar estresse em qualquer ponto do papiro. Um codex — montagem em forma de livro — precisava ter dobras firmes e bem definidas com relação a um conjunto de folhas simples ou no máximo duas. A dobra definida tornava-se num ponto de extrema fragilidade como é fácil deduzir. Até mesmo o papiro P66 que está quase intacto, apresenta muitos pontos quebrados em sua espinha. Até onde esse autor sabe, somente o papiro P5 possui porções escritas tanto da parte da frente quanto de verso de suas folhas dobradas. Mas a impressão que temos é que essas folhas não estavam unidas ou que as mesmas pertenciam a algum conjunto central de páginas.

 Papiro P66

Papiro P5

Todos os rolos eram produzidos de acordo com certos padrões desenvolvidos ao longo do tempo. Por exemplo: todas as tiras horizontais de uma determinada folha eram colocadas no mesmo lado do rolo, pois somente um dos lados apenas deveria receber a escrita, e era mais fácil escrever numa única direção. Abaixo temos uma reprodução do Papiro Rhind no qual podemos perceber, com certa clareza, as linhas entre as tiras retiradas da casca da planta. O Papiro Rhind que foi adquirido em 1858 por A. Henry Rhind, e é um papiro fragmentado de um documento egípcio que apresenta esboços de operações matemáticas. O mesmo foi escrito por um escriba de nome Ahmose e data, provavelmente, do período em que o país estava dominado pelos Hicsos. Com isso a idade provável do mesmo é de 3.700 anos. Alguns acreditam que o mesmo é uma cópia de algum documento ainda mais antigo que pertencia, originalmente, à XII Dinastia — de 1991 a 1782 a. C. Isso faz desse papiro um dos documentos matemáticos mais antigos em existência.


O consenso entre aqueles que escrevem acerca de papiros é que — com exceção dos papiros opistografos, ou seja, papiros escritos na frente e no verso da folha — o normal era escrever nos rolos apenas no lado da folha onde as tiras estavam colocadas na horizontal. Isso é verdadeiro para os papiros gregos, mas nos papiros egípcios era comum escrever-se dos dois lados. Outros papiros têm sido encontrados onde o resumo do conteúdo está escrito do lado de fora do rolo, enquanto o conteúdo está escrito na parte de dentro dos mesmos.

A maioria dos rolos eram montados de tal maneira que, as linhas de escrita eram paralelas ao maior comprimento do papiro. Com isso queremos dizer que: se ==== representa uma linha de texto, então um rolo típico teria a aparência que mostramos abaixo:

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O historiador romano Suetónio, no entanto, alega que na Roma pré-imperial os documentos oficiais eram escritos conforme o formato a seguir.

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+----------+


Mas tal afirmação é difícil de ser confirmada porque não existem documentos disponíveis nesse formato. Pelo menos que sejam conhecidos.

Alguns são da opinião que no princípio da produção de papiros, os mesmos costumavam ter suas folhas costuradas umas nas outras. Mas isso causava mais prejuízos que benefícios. Os fabricantes de rolos e livros logo perceberam as vantagens de colar as folhas. Partindo de descrições antigas e de ilustrações disponíveis, parece que desde cedo se tornou prática comum enrolar os papiros em pedaços de madeiras. Figuras da Torá judaica sugerem que a mesma estava enrolada em dois pedaços de madeira. Infelizmente temos pouquíssimos exemplos dessas madeiras disponíveis para análise. Os títulos dos materiais contido no papiro eram, geralmente, escritos na própria madeira onde o rolo era colocado.

Papiro Oxy 208
Papiro altamente fragmentado

O maior problema com os papiros era sua fragilidade. A umidade era suficiente para destruí-los por completo. Esse é o motivo porque os papiros sobreviveram apenas no Egito ou em outras regiões desérticas, como o deserto próximo ao Mar Morto na Palestina. Mas se no tempo seco os mesmos estão protegidos da umidade, eles tendem a ficar quebradiços com o passar do tempo. Por isso, seria praticamente impossível fabricar um volume de papiro que se torna-se referência. Infelizmente o mesmo não duraria tanto tempo assim. Por outro lado, temos poucos, se de fato existirem, papiros que podem ser considerados palimpsestos — papiros ou qualquer outro material que foram apagados e depois reescritos por cima.

O papiro foi utilizado como material de escrita durante um período que se estendeu por 3.000 anos. Podemos afirma com toda certeza, que as primeiras produções cristãs escritas foram produzidas sobre esse tipo de material. Mas à medida que a igreja cresceu e passou a ter maior disponibilidade financeira a tendência foi passar a produzir os escritos cristãos em materiais mais duráveis como os pergaminhos, por exemplo. Nossas Bíblias grafadas em papiros e que continuam preservadas até hoje datam do século VIII d.C. Acredita-se que a produção de papiro para uso comercial teve seu fim por volta do século X d.C. Mesmo assim, a igreja romana continuou a usar papiros para seus registros e para as bulas papais até o século XI d.C. O último documento dessa natureza que tem sua data preservada foi produzido e assinado pelo papa Vitório II em 1057.[1]    

OUTROS ARTIGOS DE COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 001 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 002 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 004 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — OS PERGAMINHOS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 005 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — PAPEL E BARRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 006 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 007 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 009 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.




[1] Deuel, Leo. Testaments of Time: The Serach for Lost Manuscripsts and Records. Alfred A. Knopf, New York, 1965.