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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

ENCONTROS DE PODER — 034 — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002 — OS PRINCÍPIOS ELEMENTARES



Atenção esse artigo é parte de uma série onde pretendemos tratar dos alegados encontros de poder e de curas maravilhosas que nos são apresentadas todos os dias pelos pastores midiáticos. No final de cada estudo você encontrará links para outros estudos.

Continuação...

No idioma grego da Antiguidade o uso das letras do alfabeto eram as στοιχεῖαstoicheîa — expressão traduzida na ARA por “elementos”. Tais elementos eram as partes irredutíveis da palavra, do mesmo modo que os fonemas são para as sílabas, os números são para a aritmética, os teoremas são para a geometria e as notas musicais são para escala musical. Esses elementos são os elementos básicos físicos de tudo o que existe. Todos eles eram sido chamados de στοιχεῖαstoicheîa — antes que o primeiro século d.C. surgisse, e aparentemente todas as pessoas tinham plena ciência desses fatos.

Assim é comum lermos em Isócrates o seguinte: “os elementos da boa comunidade”. Já Plutarco menciona “os elementos primordiais da virtude”. Galeno escreveu um livro acerca do conhecimento médico da época, dizendo: “tratar-se dos elementos — princípios — ensinados por Hipócrates. Euclides fez exatamente o mesmo com relação aos “elementos ou teoremas da geometria”[1].

στοιχεῖαstoicheîa — então, como diz A. J. Bandstra[2] é um termo de uso geral ou formal, o qual não tem nenhum conteúdo específico. Também não guarda nenhuma relação com demônios ou espíritos astrais. A única coisa que o termo denota é um componente irredutível cujo significado precisa ser suprido pelo contexto em que o termos está sendo usado.

Essa conclusão não deve causar nenhum tipo de surpresa, já que usamos a expressão “elemento” em português da mesma maneira. Nós falamos de elementos físicos, dos elementos da Santa Ceia, dos elementos de um problema, dos elementos de uma tormenta. Ao usarmos essas frases o contexto nos informa imediatamente se estamos tratando da Tabela Periódica dos Elementos Químicos, ou do pão e do vinho sobre mesa, ou de aspectos fundamentais de um determinado problema ou ainda, duma ventania com chuva. Desse modo é o contexto que nos ajuda a discernir entre estudos elementares e partículas físicas elementares.

Essa solução torna possível abandonarmos as muitas tentativas de interpretar de forma simples e específica a expressão στοιχεῖαstoicheîa — e passar a tratar cada ocorrência do termo “elemento” conforme o contexto determina. Nós podemos fazer um teste e nos beneficiar bastante do mesmo analisando as obras de Filo, pois como ele usa στοιχεῖαstoicheîa — de forma bem mais frequente o Novo Testamento faz, ele acaba por suprir um espectro de nuanças bem maior do que o que encontramos nas Escrituras Sagradas.


FREQUÊNCIA
SIGNIFICADO
NATUREZA
54
Os quatro elementos: Água. Terra. Ar e fogo

3
Aquilo que foi criado

3
Forças da Natureza
GRAMÁTICA
13
Letras do Alfabeto

1
Os sons básicos da fala

1
As vogais

1
O alfabeto em si mesmo
NÚMERO
1
A fonte de um número
OUTROS
2
A parte constituinte de algo

1
Elementar em oposição a “completado”

1
Elementar — tendo um estado de existência

4
Expressão idiomática
TOTAL
85


De modo mais importante ainda, devemos notar que Filo usa στοιχεῖαstoicheîa — com diferentes significados, não apenas num mesmo livro, mas até mesmo dentro de uma mesma passagem, confiando que o contexto imediato ajudará o leitor a entender o significado daquilo que ele deseja dizer. Isso concorda plenamente com o que dissemos acima. E mais, não existe uma única passagem em Filo ode ele faz uso de στοιχεῖαstoicheîa — para indicar espíritos, estrelas ou demônios.

O termo  στοιχεῖαstoicheîaaparentemente não possui um termo hebraico precedente. Mas o mesmo era um termo corrente de Platão em diante. O uso desse termo e Hebreus e 2 Pedro é como algo corriqueiro. Já em Gálatas e Colossenses o mesmo é exclusivamente paulino. Lemos o seguinte em —

Hebreus 5:12

Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido.

o autor está falando dos princípios elementares acerca da palavra de Deus. É como se ele estivesse dizendo, que os hebreus a quem a epístola se destinava tinham a necessidade de aprender, outra vez, o ABC da Palavra de Deus, sendo isso uma prova de que eles precisavam de leite e não de alimento sólido.

CONTINUA...

LISTAS DOS ESTUDOS DE ENCONTROS DE PODER

001 — Introdução =

002 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Expressões Diversas

003 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀρχῆ — arché e ἄρχων — árchon.

004 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἐξουσίαις – exousías – potestades, autoridades.

005 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δυνάμεις — dunámeis — poderes.

006 – A linguagem de “Poder” no Novo Testamento = Θρόνοι— thrónoi — tronos.

007 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = κυριοτῆς — kuriotês — domínio.

008 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ὀνόματι — onómati — nome.

009 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἄγγελοs — ággelos — anjo.

010 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = δαιμονίον — daimoníon — demônioπνεῦμα τὸ πονηρὸν — pneûma tò poniròn — espírito malignoἀγγέλους τε τοὺς μὴ τηρήσαντας τὴν ἑαυτῶν ἀρχὴν— angélous te toùs me terèsantas tèn eautôn archèn — anjos, os que não guardaram o seu estado original ou anjos caídos.

011 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações.

012 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 2.

013 — A Linguagem de “Poder” no Novo Testamento = ἀγγέλους  τῶν ἐθνῶν — angélous tôn ethnôn — anjos das nações — Parte 3 — Final.

014 — A Evidência do Novo Testamento – Parte 1 — Introdução

015 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 2 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 1

016 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 2:6—8 — Parte 2

017 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 3 — As Passagens Disputadas — Romanos 13:1—3

018 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 4 — As Passagens Disputadas — Romanos 8:31—39

019 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 5 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 1

020 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 6 — As Passagens Disputadas — 1 Coríntios 15:24—27a — PARTE 2

021 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 7 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 1

022 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 8 — As Passagens Disputadas — Colossenses 3:13—15 — PARTE 2

023 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 9 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 1

024 — A Evidência do Novo Testamento — Parte 10 — As Passagens Disputadas — Efésios 1:20—23 — AS REGIÕES CELESTIAIS — PARTE 2

025 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 11 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 3

026 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 12 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 4

027 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 13 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 5

028 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 14 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 6

029 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 15 — As Passagens Disputadas — EFÉSIOS 1:20—23 — PARTE 7 — A DESTRUIÇÃO DA MORTE E DE SEUS ALIADOS

030 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — A CRIAÇÃO DE TODAS AS COISAS POR MEIO DE E PARA O PRÓPRIO CRISTO

031 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES

032 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 16 — As Passagens Disputadas — COLOSSENSES 1:16 — TENTANDO DEFINIR OS PODERES —PARTE 002

033 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 17 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 001

034 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 18 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 002

035 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 19 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 003

036 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 20 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 004

037 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 21 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 005

038 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 22 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 006

039 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 23 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 007

040 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 24 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 008

041 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 25 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 009

042 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 26 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 010

043 — A Evidência do Novo Testamento — PARTE 27 — As Passagens Disputadas — OS ELEMENTOS DO UNIVERSO — PARTE 011 — O PRÍNCIPE DA POTESTADE DO AR
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/encontros-de-poder-043-evidencia-do.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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Desde já agradecemos a todos.



[1] Todas as citações foram retiradas da Série Great Books of The Western World publicada pela Encyclopaedia Britannica, Inc. Chicago, Fifth Printing 1994.
[2] Bandsta, A. J.  Law and Elements. J. H. Kok, N. V. Kampen, 1964.

sábado, 6 de junho de 2015

VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO — Estudo 3 - Princípios de Interpretação da Bíblia



Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade.


Introdução à Hermenêutica – Parte 3

Princípio 5 - O Contexto

Todo texto bíblico precisa ser entendido à luz do seu próprio contexto.

1 – O Contexto Imediato — Os versos imediatamente antes e depois devem nos auxiliar a entender o que o autor quis dizer.

Exemplo: Ezequiel 37:18—24

18 Acaso, não vos basta a boa pastagem? Haveis de pisar aos pés o resto do vosso pasto? E não vos basta o terdes bebido as águas claras? Haveis de turvar o resto com os pés?

19 Quanto às minhas ovelhas, elas pastam o que haveis pisado com os pés e bebem o que haveis turvado com os pés.

20 Por isso, assim lhes diz o SENHOR Deus: Eis que eu mesmo julgarei entre ovelhas gordas e ovelhas magras.

21 Visto que, com o lado e com o ombro, dais empurrões e, com os chifres, impelis as fracas até as espalhardes fora,

22 eu livrarei as minhas ovelhas, para que já não sirvam de rapina, e julgarei entre ovelhas e ovelhas.

23 Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor.

24 Eu, o SENHOR, lhes serei por Deus, e o meu servo Davi será príncipe no meio delas; eu, o SENHOR, o disse.

2 – O Contexto literário do livro precisa ser respeitado. Qual é o assunto e o propósito do livro?

Exemplo: O livro de Eclesiastes. Qual é o seu propósito? O livro de Eclesiastes registra uma intensa busca por satisfação verdadeira e pelo sentido da vida sobre a terra, especialmente, quando paramos para considerar todas as injustiças e as muitas situações completamente absurdas que podemos enxergar ao nosso redor.

3 – O conceito da analogia da fé. Nenhuma passagem bíblica pode por si mesma produzir uma doutrina claramente condenada em outras partes da escrituras. É por este motivo que muitos dos erros são sustentados por revelações adicionais!!!

4 – Os conceitos histórico, geográfico, cultural, religioso e linguístico precisam ser entendidos e respeitados. Muitas interpretações erradas surgem como fruto da ignorância do significado histórico de uma determinada palavra, frase, regra gramatical ou circunstância.

Princípio 6 - Figuras de Linguagem

Os autores bíblicos usaram todos os recursos disponíveis, inclusive figuras de linguagem, para comunicar as verdades divinas.

O uso de imagens mentais. O que são imagens mentais? Tratam da capacidade que temos de projetar ou visualizar algo ou alguém em nossas mentes. As imagens mentais são como o teatro da mente. Que figura de linguagem acabamos de usar? A Símile!

O Propósito da linguagem figurada é o de criar imagens mentais ou quadros mentais visando ilustrar ideias. As figuras mentais não precisam necessariamente ser verdadeiras — no sentido de literais — nem reais — no sentido de existirem de fato.

As imagens mentais criadas por este tipo de linguagem como símbolos ou analogias são sempre inferiores à verdade que querem ilustrar. A ignorância acerca do uso de linguagem figurada é responsável pelas maiores atrocidades nesse estudo acerca da vida, morte, estado intermediário e estado eterno.

Exemplo 1:

Marcos 9:47—48

47 E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno,

48 onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.

Será que Jesus ensinou que devemos arrancar, literalmente, um dos nossos olhos ou até mesmo os dois porque os mesmo nos levar a cobiçar determinada coisa? Durante a história da Igreja temos muitos registros de pessoas que entenderam esse e versos semelhantes e acabaram por vazar os próprios olhos, amputar braços e pernas e até mesmo, o órgão genital!

Mas o que Jesus queria dizer mesmo ao usar essa expressão é que o Reino de Deus vale todo o empenho da nossa parte. Temos que priorizar o Reino, mesmo à custa de grandes “perdas”, mas Jesus não está falando de cegueira ou amputações literais.

Já no verso seguinte, temos que nos perguntar se o fogo do inferno é literal assim como os vermes? Ou será que Jesus está se referindo as esses elementos porque podemos entendê-los, enquanto a verdadeira condição no inferno não pode ser totalmente compreendida por nós nesse estágio. Por outro lado, se a interpretação for literal, de que tipo de verme Jesus está falando aqui e a que tipo de fogo Jesus está se referindo? Porque o fogo, se for real, não consome os vermes? Seria, por acaso porque são super vermes com couraças antichamas? Pense bem nessas implicações antes de sair por aí ameaçando as pessoas ou sugerindo que devem ficar cegar ou se amputarem.

Exemplo 2:

Lucas 16:19—31

A Narrativa acerca da morte do Rico e de Lázaro é uma narrativa real ou parabólica? Lei o texto e responda, por que você cha que é real, ou porque acha que é apenas uma parábola:

19 Ora, havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo e que, todos os dias, se regalava esplendidamente.

20 Havia também certo mendigo, chamado Lázaro, coberto de chagas, que jazia à porta daquele;

21 e desejava alimentar-se das migalhas que caíam da mesa do rico; e até os cães vinham lamber-lhe as úlceras.

22 Aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico e foi sepultado.

23 No inferno, estando em tormentos, levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Lázaro no seu seio.

24 Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Lázaro que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

25 Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos.

26 E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.

27 Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna,

28 porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento.

29 Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos.

30 Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com eles, arrepender-se-ão.

31 Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

Exemplo 3:

Judas 13

Ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre.

A pergunta aqui é simples: Judas está falando de ondas do mar, de estrelas errantes ou está se referindo a alguma outra coisa ou até mesmo a algum tipo de criatura humana ou não humana?

Apocalipse 20:10

O diabo, o sedutor deles, foi lançado para dentro do lago de fogo e enxofre, onde já se encontram não só a besta como também o falso profeta; e serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos.

Lago de fogo? Literal ou apenas um símbolo para nos ajudar a entender que o sofrimento ali é real e verdadeiro, mas que o fogo poder ser apenas simbólico, já que o fogo que conhecemos é capaz de reduzir ao pó e à cinza até mesmo o mais duro dos ossos humanos.

CONCLUSÃO

Como podemos observar a interpretação da Bíblia exige muito cuidado. Precisamos entender:

1. O contexto do texto que temos diante de nós.

2. O contexto literário do livro que estamos lendo ou estudando,

3. O conceito da analogia da fé.

4. Os conceitos históricos, geográficos, culturais, religiosos e linguísticos.

5. O uso de figuras de linguagem.

E tudo isso se torna ainda mais importante quanto o tema é “VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO”.
OUTROS ARTIGOS ACERCA DE VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ETERNIDADE
Estudo 001 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/04/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 002 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas — Parte 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/05/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 003 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Introdução à Hermenêutica ou Interpretação das Escrituras Sagradas — Parte 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/06/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 004 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — O Ser Humano Como Criatura de Deus — Parte 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/07/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 005 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — O Ser Humano Como Criatura de Deus — Parte 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 006 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — O Ser Humano Como Criatura de Deus — Parte 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/09/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 007 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Unidade e Diversidade nos Seres Humanos 
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/11/essa-e-uma-serie-cujoproposito-e.html
Estudo 008 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/12/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 009 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/02/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 010 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Antigo Testamento — Parte 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 011 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 001 — ψυχή  Psiché
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/06/essa-e-uma-serie-cujoproposito-e.html
Estudo 012 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 002 — πνεῦμα — pneûma — espírito, καρδίᾳ — Kardía — Coração, διανοίᾳ — dianoíaφρόνημα — frónemaνοήμα — noémaνοῦς  nous — Mente.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 013 — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Termos Usados no Novo Testamento — Parte 003 — ἔσω ἄνθρωπον — éso ánthropon = homem interior; νεφρόι — Nefroi = rins
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/11/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Estudo 014 A — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Conclusão: A Crença na Imortalidade como algo Universal.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/vida-morte-estado-intermediario-e.html
Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis 

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quinta-feira, 14 de maio de 2015

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

Durante todo o período que sucedeu, imediatamente, a reforma e até o raiar da doutrina filosófica chamada de Iluminismo, a teologia protestante ainda não havia chegado ao entendimento de que a Revelação de Deus era progressiva e, com isso, a Bíblia era usada apenas como um profundo poço contendo textos de prova que serviam para sustentar as posições doutrinárias mais diversas. Todas as confissões de fé produzidas depois da Reforma, inclusive as massivas decisões do Concílio de Trento da Igreja Católica Romana, se apegaram às Escrituras para provarem que seus sistemas doutrinários estavam certos.

A ideia de uma teologia do Novo Testamento era naqueles dias algo completamente impensável. Isso acontecia porque os estudiosos daqueles dias estavam acostumados a enxergarem Cristo de uma mesma maneira, independente de qual dos Testamentos — Antigo ou Novo — estivessem usando. A unidade das Bíblia como entendida por eles impedia o desenvolvimento de uma teologia focada exclusivamente no Novo Testamento. Mas a questão mais grave desse período dizia respeito ao fato de que não existia nenhuma consideração pelo background histórico sobre o qual a Teologia Cristã — não judaico cristã[1] — podia ser desenvolvida. Naqueles dias o contexto das afirmações encontradas nas Escrituras Sagradas era menos importante do que o conteúdo da Escrituras em si mesmas. Com isso, a exegese ou interpretação das Escrituras Sagradas estava sempre subordinada a considerações dogmáticas.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Durante a Dieta de Worms, realizada em1521, Martinho Lutero fez a seguinte afirmação: “Minha fé não se fundamenta nem no Papa, nem nos concílios, mas somente nas Sagradas Escrituras e em argumentos inequívocos”. De modo semelhante, muitos outros reformadores fizeram afirmações parecidas proclamando as Escrituras Sagradas como a única autoridade em contraposição às doutrinas esposadas pela Igreja Católica Apostólica Romana — doravante sempre denominada pelo acrônimo ICAR. Foi assim que a Bíblia foi colocada no centro da vida das pessoas, bem como das igrejas, pelo menos da perspectiva hipotética, como a única regra de fé e prática. Não demoraria muito para que as confissões de fé viessem a ocupar um lugar — mano a mano — ao lado das Sagradas Escrituras. Tais confissões, quase todas verdadeiras abominações em nossa opinião, eram consideradas como a única interpretação 100% correta das Escrituras Sagradas. Daí não é difícil entendermos, porque cada denominação logo procurou desenvolver sua própria confissão a qual, em muitos casos e com o passar dos anos tornou-se mais importante que a própria Bíblia.

Todavia, é importante frisarmos que tanto para os reformadores originais como para a teologia protestante posterior, a chamada “Doutrina da Bíblia” estava plenamente de acordo com os ensinamentos da fé e das confissões da Igreja Antiga.

Mas o próprio Lutero já havia se dado conta, ao traduzir o Novo Testamento para o idioma alemão em Wartburg, entre os anos de 1521—1522 — de que existiam “contradições” nos textos sagrados — contradições essas que serão devidamente explicadas tanto nessa série como na série de INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO, bem como na série COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — entre os manuscritos que estavam disponíveis para ele naqueles dias. A grande maioria desses manuscritos era relativamente recente, e haviam sido produzidos de forma massiva nos mosteiros bizantinos. Por outro lado, a própria falta de entendimento de Lutero, o fazia pensar que havia contradições entre as epístolas de Tiago e Hebreus por um lado e as epístolas paulinas por outro lado. Lutero escreveu sobre suas “descobertas” no prefácio da sua tradução finalizada em 1522. Mas as supostas descobertas de Lutero não tiveram nenhum impacto, porque a convicção de que Escrituras Sagradas eram em si mesmas a autoridade exclusiva para a vida tanto do crente quanto da igreja transformava-se, automaticamente, num gigantesco obstáculo para a aceitação das chamadas “contradições” de Lutero, por parte das igrejas protestantes. Essa também foi a razão preponderante, porque no âmbito da teologia protestante, mais de dois séculos se passaram após a morte de Lutero, até que surgisse uma exposição dos ensinamentos da Bíblia que fosse, totalmente, independente de qualquer tradição eclesiástica, mas que respeitasse a peculiaridade das Escrituras Sagradas. É fato que já no século XVII muitos já tinham produzido escritos bíblicos que receberam o nome de “Teologia da Bíblia”, mas todos esses livros não passavam de meras compilações de passagens bíblicas, com a finalidade de fundamentarem a dogmática considerada ortodoxa.          

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS ACERCA DA TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 001

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 004

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TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 012

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[1] Esse autor considera uma grande bobagem o uso, cada vez mais comum, da expressão judaico-cristã e outras semelhantes pelo seguinte fato: A fé cristã tem tudo a ver com a firmação de que Jesus é Deus. O judaísmo tem tudo a ver com a negação absoluta de que Jesus é Deus. Portanto, quanto antes aprendermos a separar a fé cristã do judaísmo, melhor será para todos nós.