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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — ESTUDO 014 - INTRODUÇÕES, BIOGRAFIAS E APARATO EUTALIANO


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Essa é uma série estritamente acadêmica, mas não existe na mesma absolutamente nada que impeça a leitura por todas as pessoas. De fato, queremos incentivar que todos possam ler esses artigos e compartilhar os mesmos com todos os seus contatos, parentes e conhecidos.

ESTUDO 014 — ESCRIBAS E OS MANUSCRITOS QUE PRODUZIRAM — PARTE 006

CONTINUAÇÃO...

II. AUXÍLIOS PRA OS LEITORES DO NOVO TESTAMENTO

D. HIPÓTESE, BIOGRAFIA E O APARATO EUTALIANO

Além do que já temos observado, ainda devemos notar as seguintes práticas adotadas pelos escribas com o intuito de ajudarem os leitores a entender melhor os livros manuscritos do Novo Testamento. Estamos falando das chamadas hipóteses ou introduções, das biografias e também do aparato eutaliano. Vamos analisar cada um desses recursos separadamente.

1. A chamada hipótese ou argumento funcionava como um prólogo ou breve introdução e encontra-se em várias cópias manuscritas dos livros do Novo Testamento. Essa breves introduções forneciam aos leitores informações básicas acerca de quem era o autor do livro, acerca do conteúdo do mesmo e também das circunstâncias em meio às quais o livro tinha sido produzido. A forma e o conteúdo como essas introduções se apresentavam eram, normalmente, convencionais e estereotipadas. Em alguns casos, tais introduções encontradas em cópias manuscritas dos evangelhos são atribuídas ao historiador da igreja cristã, Eusébio. Todavia, devemos deixar claro que, em sua maioria, tais introduções são anônimas.

Depois das heresias introduzidas por Marcião de Sinope, quanto à autoria dos livros manuscritos do Novo Testamento, muitas dessas cópias passaram a incorporar em suas introduções afirmações contrárias a Marcião e seus ensinamentos. Curiosamente, as introduções encontradas nas epístolas de Paulo escritas pelo próprio Marcião, foram adotadas, quase sem alterações, pela Igreja Católica Romana em sua versão da Vulgata Latina.

2. Um segundo elemento que visava auxiliar os leitores diz respeito a uma biografia ampliada dos autores, especialmente dos quatro evangelistas — Mateus, Marcos, Lucas e João. Essas biografias são geralmente atribuídas a personagens pouco conhecidos como Doroteu de Tiro e Sofrônio, que foi patriarca de Jerusalém na primeira metade do século VII.
Diferentes prólogos que incluem notas biográficas acerca dos autores e informações gerais acerca dos evangelhos podem ser encontrados em muitas cópias de manuscritos diversos do Novo Testamento. Algumas dessas notas apresentam coisas curiosas como a citação dos nomes dos doze apóstolos e também dos setenta discípulos mencionados no início de Lucas 10.

3. Quanto ao livro dos Atos dos Apóstolos existem muitas introduções diferentes. Apesar da maioria serem anônimas, muitas são cópias da introdução escrita por Crisóstomo em seu comentário ao livro de Atos. No caso de Atos e das Epístolas existe também um extenso aparato de materiais auxiliares atribuídos a Eutálio de Alexandria.

O chamado aparato eutaliano, também chamado de secções eutalianas traz, além da divisão em capítulos, o seguinte: uma introdução contendo uma extensa biografia do apóstolo Paulo; uma breve afirmação acerca do martírio desse mesmo apóstolo; uma tabela com as citações do Antigo Testamento encontradas nas Epístolas do Novo Testamento; uma lista com os locais onde se pensava que as epístolas tinham sido escritas e uma lista trazendo os nomes das pessoas associadas ao apóstolo Paulo e citadas na introdução de suas epístolas. Não sabemos quanto desse material foi compilado pelo próprio Eutálio — século — e quanto foi agregado depois dele.

CONTINUA...

OUTROS ARTIGOS DE COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 001 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 002 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 003 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — O PAPIRO — FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 004 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — OS PERGAMINHOS

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 005 – MATERIAL DE ESCRITA ANTIGO — PAPEL E BARRO

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 006 – arquétipos e autógrafos — parte 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 007 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 008 – ARQUÉTIPOS E AUTÓGRAFOS — PARTE 003 – FINAL

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 009 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 001

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 010 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 002

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 011 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 003

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 012 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 004

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS – PARTE 013 – OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 005

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 014 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 006
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/como-o-novo-testamento-chegou-ate-nos.html

COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — PARTE 015 — OS ESCRIBAS E OS COPISTAS E OS MANUSCRITOS QUE ELES PRODUZIRAM — PARTE 007
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/05/como-o-novo-testamento-chegou-ate-nos.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link:


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sábado, 8 de outubro de 2016

IGREJA NOS LARES: UMA NOVA REFORMA EM ANDAMENTO - PARTE 001


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No mês em que a Reforma Protestante do século XVI completa 499 anos, queremos compartilhar com todos uma série de artigos que tratam da grande e necessária Nova Reforma, como temos defendido em vários dos nossos artigos. POR FAVOR, NÃO CONFUNDA O CONCEITO DE IGREJA NOS LARES, COM O MOVIMENTO DE GRUPOS FAMILIARES OU DA IGREJA EM CÉLULAS.

O artigo abaixo é de autoria de Wolfgang Simson e parte de seu livro Casas que Transformam o Mundo — Igreja nos Lares, publicado pela Editora Evangélica Esperança

15 Teses Acerca da Reforma Necessária à Igreja
Wolfgang Simson

Deus transforma a igreja e isso, por sua vez, transformará o mundo. Milhões de cristãos em todo mundo sentem que uma nova e surpreendente Reforma está se aproximando. Afirmam: “A igreja como a conhecemos impede uma igreja como Deus a quer”. É admirável o grande numero de cristãos que parece perceber que Deus está tentando dizer-lhes a mesma coisa. Desse modo forma-se uma nova consciência coletiva para uma revelação existente há milênios, um eco espiritual coletivo. Estou convicto de que as 15 teses a seguir reproduzem uma parcela daquilo que “o Espírito diz hoje as igrejas”. Para alguns, isso será apenas uma pequena nuvem no horizonte de Elias. Outros já se encontram no meio da chuva.

1. Cristianismo como estilo de vida, não como sucessão de eventos religiosos

Bem antes de serem chamados de cristãos dava-se aos seguidores de Jesus Cristo o nome de “o Caminho”.

Um dos motivos era que eles literalmente haviam encontrado o caminho de como se vive. O cerne da igreja cristã não é apropriadamente espelhado por uma série de eventos religiosos em recinto eclesiásticos reservados especialmente para encontros com Deus, oferecidos por clérigos profissionais. Pelo contrário, está em questão o estilo de vida profético dos seguidores de Jesus Cristo no dia-a-dia, que como famílias extensas espiritualmente ampliadas respondem a perguntas formuladas pela sociedade – justamente no local em que isso é mais decisivo: em casa.

2. Mudar o sistema das “categorias”

Depois da época de Constantino Magno, século IV, as igrejas Ortodoxa e Católica desenvolveram e sancionaram um sistema religioso que consistia de um templo “cristão” (a catedral) e de um padrão básico de culto que imitava a sinagoga judaica. Dessa maneira, um sistema religioso não expressamente revelado por Deus, a “categoga”, uma mescla de catedral e sinagoga, tornou-se a matriz dos cultos de todas as épocas subsequentes. Tingido com um acervo gentílico de pensamentos helenistas que, p. ex., faz separação entre o sagrado e o secular, o conceito das categogas recebeu uma função de “buraco negro”, que suga pela raiz praticamente todas as energias de transformação social da igreja e que por séculos deixou o cristianismo absorto em si próprio.

É verdade que Lutero reformou o conteúdo do evangelho, mas é notório que ele deixou as estruturas e formas exteriores da “igreja” intactas.

As comunidades livres libertaram do Estado esse sistema eclesiástico, os batistas o batizaram, os quacres[1] o drenaram, o Exército da Salvação o enfiou num uniforme, os pentecostais o ungiram e os carismáticos o renovaram, porém até hoje ninguém realmente o transformou. É precisamente essa hora que chegou agora.

3. A terceira reforma

Por ter redescoberto o evangelho da redenção “somente pela graça mediante a fé”, Lutero desencadeou uma Reforma – uma reforma da teologia. A partir do final do século XVII, movimentos de renovação como o Pietismo descobriram novamente o relacionamento pessoal do individuo com Deus. Isso levou a uma reforma da espiritualidade, a segunda Reforma. Agora Deus está avançando mais um passo, ao mexer com as formas básicas do ser igreja. Dessa forma ele desencadeia uma terceira Reforma, uma reforma das estruturas.

4. De casas que são igreja para igreja nas casas

Desde os tempos do Novo Testamento não existe mais algo como a “casa de Deus”. Deus não vive em templos, erguidos por mãos humanas. É o povo de Deus que constitui a igreja. Por essa razão a igreja está em casa no exato lugar em que as pessoas estão em casa: nos lares. É ali que os seguidores de Cristo partilham a vida no poder do Espírito de Deus, tomam refeições em conjunto e muitas vezes nem mesmo hesitam vender propriedade particular, repartindo as bênçãos materiais e espirituais com outras pessoas. Instruem-se sobre como se inserir melhor, enquanto ser humano, nas leis espirituais constitutivas de Deus em meio à vida prática – e justamente não por meio de palestras professorais, mas de modo dinâmico, no estilo de pergunta e resposta. É ali que oram, batizam e profetizam uns aos outros. É ali que podem deixar cair à máscara e até confessar pecados, porque conquistam uma nova identidade coletiva pelo fato de se amarem mutuamente, apesar de se conhecerem e constantemente tornarem a se perdoar e se aceitar.

5. Primeiro a igreja tem de encolher, antes que possa crescer

A maioria das igrejas cristãs simplesmente é grande demais para realmente proporcionar espaço para a comunhão. Foi assim que se tornaram “comunidade sem comunhão”. As comunidades eclesiais do Novo Testamento eram, invariavelmente, grupos pequenos, com cerca de 15 a 20 pessoas. O crescimento não acontecia pelo inchaço aditivo, formando comunidades eclesiásticas grandes, estacionárias e que lotavam catedrais com 20 a 300 pessoas, mas pelo crescimento multiplicativo da amplitude, apresentando características de um movimento. As igrejas nos lares se subdividiam quando tinham atingido o limite orgânico de cerca de 15 a 20 pessoas. Esse crescimento multiplicativo pela base possibilitou aos cristãos que também se congregassem para reuniões celebrativas que abrangiam a cidade toda, como, p.ex., nos salões do Templo de Jerusalém.

Em comparação com isso, a congregação cristã típica de hoje é um triste meio-termo: estatisticamente ela não é mais uma igreja no lar, mas tampouco é um evento celebrativo. Dessa maneira, ela perde duas dinâmicas imaginadas pelo seu Inventor: a atmosfera familiar dinâmica e relacional e o mega-evento eletrizante, com efeito de sucção.

6. Do sistema de um pastor único para a estrutura de equipe

Igrejas nos lares não são conduzidas por um “pastor”, mas acompanhas por um presbítero e por um dono de casa sábio e atento à realidade.

As igrejas nos lares são interligadas em rede, formando movimentos, pela conexão orgânica dos presbíteros com o assim chamado ministério quíntuplo (apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestre), que circula “de casa em casa” pelas igrejas, como um saudável sistema de circulação sanguínea. Nessa atividade as pessoas com dons apostólicos e proféticos (Efésios 4:11—12; 2:20) desempenham um papel fundamental.

Sem dúvida os pastores são uma parte importante de toda a equipe, porém não podem ser mais que um fragmento dela, “para capacitar os santos para serviço”. Seu ministério precisa ser complementado pelos outros quatros ministérios, do contrário as igrejas não apenas sofrem de enfermidades de carência espiritual, devido à dieta unilateral, mas igualmente os próprios pastores não conseguem mover nada, ficando impedidos de se realizar em sua vocação.

7. As peças certas – montadas erroneamente

Num quebra-cabeça é essencial que as peças sejam montadas de acordo com o modelo certo, do contrário não apenas fica incorreto o quadro inteiro, mas também as diversas peças que não fazem sentido. No cristianismo temos todas as peças à disposição, mas por tradição, lógica de poder e zelo religioso quase sempre as montamos erroneamente. Assim como existe H²O nos três estados de agregação (gelo, água e vapor) também os dons de serviço (Efésios 4:11—12), como, p. ex., o do pastor, ocorrem de três formas, porém muitas vezes na forma errada no lugar errado. Eles congelaram como pedras por meio do clericalismo eclesiástico, correm como água límpida ou ainda evaporam na falta de compromisso.

Assim como a melhor coisa é regar flores com água, também os cinco ministérios que fomentam a igreja (apóstolos, profetas, pastores, evangelistas e mestres) têm de reencontrar formas novas – e muito antigas – na igreja, para que o sistema todo comece a florescer e cada pessoa encontre um lugar apropriado no todo. Por isso a igreja não pode nem deve voltar atrás na história, porém precisa retornar à matriz original.

8. Das mãos dos burocratas eclesiásticos ao sacerdócio de todos os que creem

As igrejas do Novo Testamento nunca foram dirigidas por um “homem santo” ou “senhor pastor”, que se encontra numa ligação especial com Deus em substituição a outros e que regularmente alimenta consumidores relativamente passivos na fé, como se fosse um Moisés do Novo Testamento. O cristianismo assumiu das religiões gentílicas – ou, na melhor das hipóteses, do judaísmo – a categoria dos sacerdotes como um espaço amortecedor de mediação entre Deus e o ser humano.

Desde os dias de Constantino Magno a rigorosa profissionalização da igreja já pesou tempo suficiente como maldição sobre a igreja, subdividindo artificialmente o povo de Deus em leigos infantilizados e clero profissional. Conforme o Novo Testamento há “um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus” (1 Timóteo 2:5).

Deus retém sua bênção quando profissionais da religião se imiscuem entre ele e o povo. O véu do Templo foi rasgado e Deus possibilita a todas as pessoas a terem acesso a ele diretamente por meio de Jesus Cristo, o único Caminho e Advogado. Já não precisam manter contato com ele de forma mediada e indireta através do representante de uma casta religiosa. A fim de transportar para a prática o “sacerdócio de todos os que creem”, que entrementes já foi impetrado há 500 anos pela primeira Reforma, o atual sistema de uma igreja profissionalizada e burocratizada terá de ser transformado radicalmente – ou afundará na irrelevância religiosa.

A burocracia é a mais diabólica de todas as formas de administração, porque no fundo levanta apenas duas perguntas: sim ou não. Nela dificilmente há espaço para a espontaneidade, a humanidade e a vida genuína cheia de variações. Essa forma estrutural pode ser adequada a empreendimentos políticos ou econômicos, porém não ao cristianismo. Deus parece estar em vias de libertar seu povo do cativeiro babilônico de burocratas eclesiásticos e de pessoas no exercício do poder religioso, bem como tornar a igreja novamente um bem comum. Faz isso ao colocá-la nas mãos de pessoas simples, chamadas por Deus para algo extraordinário e que, como nos dias de outrora, talvez ainda estejam cheirando a peixe, perfume ou revolução.

Você também está convidado a aderir a esse mover aberto, e dar a sua própria contribuição. Dessa maneira provavelmente também a sua casa há de ser uma casa que transforma o mundo.

FIM DA PRIMEIRA PARTE. CONTINUA...

(Texto publicado em português no livro “Casas que transforma o mundo — Igreja nos lares”, de Wolfgang Simson — Editora Evangélica Esperança)

O artigo original em Inglês acesse:


Que Deus abençoe a todos.
Alexandros Meimaridis

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[1] Membro de seita religiosa protestante inglesa (a Sociedade dos Amigos), fundada no século XVII [Prega a existência da luz interior, rejeita os sacramentos e os representantes eclesiásticos, não presta nenhum juramento e opõe-se à guerra.]

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terça-feira, 19 de abril de 2016

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 006 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13



Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados.


Introdução:

A. Nas mensagens anteriores — ver lista completa mais abaixo —, nós tivemos a oportunidade de destacar diversas verdades entre as quais estão essas duas:

1. Na abertura da oração, Jesus invoca um Deus de Amor a quem chama de אַבָּא `abba — Pai, que está próximo de nós.

2. Mas Jesus também nos diz que o Pai está “nos céus”. Que é transcendente.


B. O אַבָּא `abba — Pai, é também o Deus παντοκράτωρ — Pantokrátor — Todo Poderoso ou aquele que tem o controle de todas as coisas. Não importa o que você está enfrentando, lembre-se: DEUS ESTÁ NO CONTROLE.

C. Mas o Deus Todo Poderoso não está lá longe, porque ele se aproximou de nós, de fato, ele veio viver entre nós na pessoa de Jesus —

João 1:14

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.

Jesus se autodenomina παντοκράτωρ — Pantokrátor — Todo Poderoso em —

Apocalipse 1:8

Eu sou o Alfa e Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso.   

D. Com essa frase “Pai nosso que estás nos céus” Jesus afirma a existência de Deus independente de estarmos ou não conscientes dessa realidade.

E. A Bíblia “ASSUME” a existência de Deus e não faz nenhum esforço para provar essa verdade.

F. Conforme vimos quando da exposição do Salmo 130 — série ainda inédita —, a motivação para a oração repousa no fato que o Deus Criador nos ouve quando o buscamos em oração!

G. Uma vez que Jesus identificou muito bem aquele a quem dirigimos nossas orações, vamos então procurar entender a estrutura da oração do PAI NOSSO:  

A ESTRUTURA DO PAI NOSSO

I. A Oração Apresenta Seis Pedidos.

1. Santificado seja o Teu Nome

2. Venha o Teu Reino.

3. Faça-se a Tua Vontade, assim na terra como no céu.

4. O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje.

5. E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores.

6. E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal.

A. As três primeiras petições têm a ver com o próprio Deus e servem para nos lembrar que estamos envolvidos com o Deus παντοκράτωρ — Pantokrátor — Todo Poderoso, e que somos parte da história da redenção desenvolvida pelo próprio Deus. Os gloriosos temas tratados por essas três primeiras petições são:

1. Santificar o Nome de Deus.

2. A Vinda do Reino de Deus.

3. O cumprimento pleno da vontade de Deus

B. A seguir a oração se concentra no mundo contemporâneo dos adoradores com suas necessidades específicas. O foco dessas petições está centrado em:

1. Nosso pão diário.

2. Perdão no meio da comunidade dos santos.

3. Liberdade do mal.

II. Cada uma Dessas Petições Envolve:

1. Um ato de Deus.

2. E implica, de forma específica, na participação do crente nas mesmas.

A. Cada petição envolve a Soberania de Deus e a liberdade e a responsabilidade do crente. Diante disso temos o seguinte:

1. Deus Santifica Seu próprio Nome — E espera-se que eu viva uma vida de santidade.

2. Deus introduz Seu Reino — E espera-se que eu viva de acordo com os princípios desse Reino — amor, justiça, paz, etc.

3. Deus faz cumprir Sua vontade — E eu preciso descobrir, entender e praticar a vontade de Deus no meu dia à dia.

4. Deus nos concede a bênção do alimento diário — e eu preciso trabalhar para ganhar o mesmo.

5. Deus perdoa — e eu preciso perdoar também.

6. Deus nos conduz para longe do mal — e eu preciso viver uma vida pautada em justiça e santidade.

III. Os Contrastes do Pai Nosso Com as 18 Orações dos Judeus.

A. Nas 18 orações proferidas pelos judeus nós podemos notar as seguintes ênfases:

1. Uma forte ênfase na Cidade de Jerusalém e no Templo — orações 10, 11, 14 e 17.

2. Um livro sagrado é identificado e lealdade ao mesmo é afirmada juntamente com um pedido para ter conhecimento e compreensão do mesmo — orações 4 e 5.

3. Uma ênfase no sofrimento da comunidade judaica e na necessidade de alívio e restauração — orações 7, 8, 11, 13, 15 e 17.

4. Pede-se perdão, mas não existe nenhuma preocupação com perdoar os outros — orações 5 e 6.

5. Uma oração pela bênção de Deus para a produção dos campos — oração 9.

6. Um pedido para que os inimigos sejam atacados — Birkat HaMinim — oração 12.

7. Pedido por misericórdia, por resposta às orações junto com paz e felicidade — orações 16, 19.

B. Com todos esses admiráveis e honrados pedidos essa coleção não passa de um grupo de orações étnicas centradas em Jerusalém, no Templo e no povo judeu.

C. Jesus, com sua oração fez o seguinte: ele “DE-SIONIZOU” a tradição judaica.

D. Na oração do Pai Nosso não existe nenhuma menção de Jerusalém nem do Templo e os discípulos são instruídos a pedir pela vinda do Reino de Deus, algo que demonstra uma preocupação por todos os povos e não apenas para um povo: os judeus.

E. O perdão de Deus está firmemente atado ao perdão que oferecemos aos outros.

F. Nenhum pedido é feito visando à destruição dos inimigos.

G. Também não existe nenhum pedido para Deus olhar para o sofrimento do Seu povo, nem para que Deus lute a favor do Seu povo. De fato nós lemos o seguinte  em —

1 Pedro 4:19

Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.

H. Tudo isso deve nos levar a considerar com maior cuidado a oração que temos diante de nós. Mas começaremos a fazer isso a partir da próxima mensagem. Agora vamos concluir a mensagem de hoje.

Conclusão

A. Jesus nos exorta a fazer o seguinte em

Lucas 18:1

Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar sempre e nunca esmorecer.

B. Não devemos nos enganar: Deus exige que vivamos em santidade —

Hebreus 12:14

Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.

C. Em que consiste o Reino de Deus?

Romanos 14:17

Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

D. Qual é a vontade de Deus para nós?

Marcos 3:35

Portanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, irmã e mãe.

Romanos 12:2

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Efésios 6:6

Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo, de coração, a vontade de Deus.

1 Tessalonicenses 4:3

Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição.

1 Tessalonicenses 5:18

Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.

1 Pedro 2:15

Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos.

1 João 2:17

Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente.

E. Quanto ao alimento diário temos que nos lembrar que como descendentes de Adão sobre nós pesa o seguinte:

Gênesis 3:19

No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.

F. Na continuidade da “Oração do Pai Nosso” Jesus diz as seguintes palavras:

Mateus 6: 14—15

14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;

15 se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

G. O que Deus faz por nós quando enfrentamos uma tentação?

1 Coríntios 10:13

Não vos sobreveio tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.   

H. Quando consideramos a oração do Pai Nosso à luz de tais versículos temos que entender que o propósito de Jesus é criar um senso de comunidade entre nós e também nos ajudar a nos identificarmos, enquanto indivíduos, com o Deus παντοκράτωρ — Pantokrátor — Todo Poderoso.

Que Deus abençoe a todos. 

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html


011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS
Que Deus abençoe a todos 

Alexandros Meimaridis 

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quinta-feira, 14 de maio de 2015

TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO — ESTUDO 002



Esse é um estudo especial que irá abordar temas de grande interesse, tais como: 1. Deus 2. Os seres humanos e o mundo criado 3. Jesus e Sua missão como o CRISTO. 4. O Espírito Santo. 5. A vida cristã. 6. A Igreja. 7. O futuro e etc. Esperamos que a mesma possa ajudar todos os nossos leitores a conhecerem melhor o que o Novo Testamento ensina acerca de tudo o que nos é importante.

INTRODUÇÃO GERAL

CONTINUAÇÃO:

Durante todo o período que sucedeu, imediatamente, a reforma e até o raiar da doutrina filosófica chamada de Iluminismo, a teologia protestante ainda não havia chegado ao entendimento de que a Revelação de Deus era progressiva e, com isso, a Bíblia era usada apenas como um profundo poço contendo textos de prova que serviam para sustentar as posições doutrinárias mais diversas. Todas as confissões de fé produzidas depois da Reforma, inclusive as massivas decisões do Concílio de Trento da Igreja Católica Romana, se apegaram às Escrituras para provarem que seus sistemas doutrinários estavam certos.

A ideia de uma teologia do Novo Testamento era naqueles dias algo completamente impensável. Isso acontecia porque os estudiosos daqueles dias estavam acostumados a enxergarem Cristo de uma mesma maneira, independente de qual dos Testamentos — Antigo ou Novo — estivessem usando. A unidade das Bíblia como entendida por eles impedia o desenvolvimento de uma teologia focada exclusivamente no Novo Testamento. Mas a questão mais grave desse período dizia respeito ao fato de que não existia nenhuma consideração pelo background histórico sobre o qual a Teologia Cristã — não judaico cristã[1] — podia ser desenvolvida. Naqueles dias o contexto das afirmações encontradas nas Escrituras Sagradas era menos importante do que o conteúdo da Escrituras em si mesmas. Com isso, a exegese ou interpretação das Escrituras Sagradas estava sempre subordinada a considerações dogmáticas.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Durante a Dieta de Worms, realizada em1521, Martinho Lutero fez a seguinte afirmação: “Minha fé não se fundamenta nem no Papa, nem nos concílios, mas somente nas Sagradas Escrituras e em argumentos inequívocos”. De modo semelhante, muitos outros reformadores fizeram afirmações parecidas proclamando as Escrituras Sagradas como a única autoridade em contraposição às doutrinas esposadas pela Igreja Católica Apostólica Romana — doravante sempre denominada pelo acrônimo ICAR. Foi assim que a Bíblia foi colocada no centro da vida das pessoas, bem como das igrejas, pelo menos da perspectiva hipotética, como a única regra de fé e prática. Não demoraria muito para que as confissões de fé viessem a ocupar um lugar — mano a mano — ao lado das Sagradas Escrituras. Tais confissões, quase todas verdadeiras abominações em nossa opinião, eram consideradas como a única interpretação 100% correta das Escrituras Sagradas. Daí não é difícil entendermos, porque cada denominação logo procurou desenvolver sua própria confissão a qual, em muitos casos e com o passar dos anos tornou-se mais importante que a própria Bíblia.

Todavia, é importante frisarmos que tanto para os reformadores originais como para a teologia protestante posterior, a chamada “Doutrina da Bíblia” estava plenamente de acordo com os ensinamentos da fé e das confissões da Igreja Antiga.

Mas o próprio Lutero já havia se dado conta, ao traduzir o Novo Testamento para o idioma alemão em Wartburg, entre os anos de 1521—1522 — de que existiam “contradições” nos textos sagrados — contradições essas que serão devidamente explicadas tanto nessa série como na série de INTRODUÇÃO AO NOVO TESTAMENTO, bem como na série COMO O NOVO TESTAMENTO CHEGOU ATÉ NÓS — entre os manuscritos que estavam disponíveis para ele naqueles dias. A grande maioria desses manuscritos era relativamente recente, e haviam sido produzidos de forma massiva nos mosteiros bizantinos. Por outro lado, a própria falta de entendimento de Lutero, o fazia pensar que havia contradições entre as epístolas de Tiago e Hebreus por um lado e as epístolas paulinas por outro lado. Lutero escreveu sobre suas “descobertas” no prefácio da sua tradução finalizada em 1522. Mas as supostas descobertas de Lutero não tiveram nenhum impacto, porque a convicção de que Escrituras Sagradas eram em si mesmas a autoridade exclusiva para a vida tanto do crente quanto da igreja transformava-se, automaticamente, num gigantesco obstáculo para a aceitação das chamadas “contradições” de Lutero, por parte das igrejas protestantes. Essa também foi a razão preponderante, porque no âmbito da teologia protestante, mais de dois séculos se passaram após a morte de Lutero, até que surgisse uma exposição dos ensinamentos da Bíblia que fosse, totalmente, independente de qualquer tradição eclesiástica, mas que respeitasse a peculiaridade das Escrituras Sagradas. É fato que já no século XVII muitos já tinham produzido escritos bíblicos que receberam o nome de “Teologia da Bíblia”, mas todos esses livros não passavam de meras compilações de passagens bíblicas, com a finalidade de fundamentarem a dogmática considerada ortodoxa.          

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Alexandros Meimaridis

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[1] Esse autor considera uma grande bobagem o uso, cada vez mais comum, da expressão judaico-cristã e outras semelhantes pelo seguinte fato: A fé cristã tem tudo a ver com a firmação de que Jesus é Deus. O judaísmo tem tudo a ver com a negação absoluta de que Jesus é Deus. Portanto, quanto antes aprendermos a separar a fé cristã do judaísmo, melhor será para todos nós.