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terça-feira, 15 de agosto de 2017

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO” - SERMÃO 012 — O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE— Mateus 6:11


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Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados.

Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13

Introdução:

A. Hoje vamos tratar da quarta petição da oração que Jesus nos ensinou e que é conhecida como oração do “Pai Nosso”.

B. Se na primeira parte da oração nós estávamos envolvidos com “Teu Nome, Teu Reino e Tua Vontade”, agora, na segunda parte a oração será dominada por nossas necessidades enquanto coletividade. Mas não podemos perder a perspectiva de que nossos pedidos estão diretamente atrelados às três primeiras petições.

C. Essa petição acontece bem no meio da oração. Como temos falado, ao ensinar essa oração Jesus estava, de fato, desmantelando as formas de oração adotadas pelos judeus que existiam nos seus dias.

D. O esquema judaico de orações era composto de 18 orações e, curiosamente, a oração de número 9 — Birkat ha-Shanim — é a oração que pede para que haja plenitude na produção do campo naquele ano corrente.

E. Mas a intenção de Jesus não é essa ao dizer: “O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE”.

F. Sendo assim, queremos entender qual foi a intenção e o que Jesus quis nos ensinar quando disse...

O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE

I. O Problema Que Existe Nessa Petição

A. Na frase que estamos considerando hoje, existe uma palavra grega que é ἐπιούσιον — epioúsion — que está traduzida por “cada dia” na versão de Almeida Revista e Atualizada.
B. Essa palavra nos chama a atenção porque é a única vez em todo o Novo Testamento em que a mesma aparece. Ela não existe no grego em que o Novo Testamento foi escrito — grego Koinê — nem no grego clássico.

C. Esse aparecimento único dessa palavra nos impede de ver como a mesma poderia ter sido usada em outros contextos, o que nos ajudaria a entendê-la, e cria uma dificuldade para a tradução dessa frase.

D. Durante a história da igreja a expressão  ἐπιούσιον — epioúsion — foi entendida de quatro maneiras: duas relacionadas ao tempo e duas outras relacionadas com a quantidade:

1. A expressão refere-se ao tempo e diz respeito ao dia de hoje.

2. A expressão refere-se ao tempo e diz respeito ao dia de amanhã.

3. A expressão refere-se à quantidade de pão que precisamos sem especificar por quanto tempo

4. A expressão refere-se ao fato de que devemos pedir somente o suficiente para nossa subsistência.

E. Com isso, nós saímos de uma situação sem solução para quatro soluções propostas.

II. A Melhor Solução Para o problema causado pela expressão ἐπιούσιον — epioúsion.

A. À medida que a Igreja se expandiu e que a mensagem do evangelho chegou a outros países, tornou-se necessário traduzir os escritos do Novo Testamento para as línguas faladas naqueles países.

B. Uma das traduções mais antigas, senão a mais antiga é a que foi feita ainda no século II d.C., para o Siríaco Antigo — língua muito próxima do aramaico bíblico — e que ficou conhecida como a “Versão Peshita”.

C. Os tradutores da Peshita lutaram com a mesma dificuldade com que nós estamos lutando hoje. A opção deles foi traduzir o texto grego da seguinte maneira: “Dá-nos hoje o pão que nunca se acaba”.
   
III. A Verdadeira Questão Envolvida Nessa Petição.
  
A. Uma das questões humanas mais básicas é o medo terrível que temos de passar por alguma privação, especialmente quando pensamos que podemos chegar a não ter o que comer.

B. Hoje estamos bem. Mas, e amanhã? E quanto ao futuro? E se eu perder meu emprego? E se um dos meus filhos ficar muito doente e tivermos que gastar todo o dinheiro no tratamento de saúde dele? Como sobreviveremos?

C. Um dos mais terríveis medos, capazes de nos paralisar é pensar que não teremos o suficiente para comer amanhã.

D. É muito provável que ao nos ensinar a dizer: O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE, Jesus queria nos libertar desse tipo de medo.

E. Na linguagem bíblica, o “pão” representa aquilo que nos é estritamente necessário para viver, o mínimo de alimento, sem o qual o pobre não pode passar, o mínimo necessário ao mendigo, ao peregrino. É o oposto à noção de fome. Esse mínimo que nos permite viver hoje será que o teremos amanhã também? Essa é uma questão vital. Agora, vivemos. Mas amanhã? Ninguém sabe. Não há garantia se Deus não nos dá esse pão necessário, e, com nosso pão, a vida. Os filhos de Deus conhecem essa precariedade da existência humana. Sejam ricos ou pobres, sabem que somos um povo peregrino, preocupado com a causa de Deus. Quando pedimos pelo pão no dia de hoje, confessamos a nossa dependência de Deus hoje e admitimos que não temos controle sobre o dia de amanhã.

F. No Antigo e no Novo Testamento, a palavra “pão” também representa o sinal da graça temporal de Deus. Os orientais, da Bacia do Mediterrâneo, de um modo geral, sabem o significado profundo e sublime expresso pela palavra “pão”. O pão é um sinal de Deus que foi dado ao povo no deserto; foi dado aos pobres, aos aflitos, àqueles que têm fome e sede, àqueles que se acham entre as foices da morte. Por causa desse significado o pão é algo sagrado. O pão é a promessa, e não somente a promessa, mas também a presença misteriosa desse alimento que nutre bem e para sempre. Na Bíblia, cada refeição, tanto a mais modesta como a mais requintada, é coisa sagrada, pois temos nelas a promessa de um banquete, de um festim eterno.

G. Diante disso, toda a ansiedade deve ser deixada de lado:

Mateus 6:25

Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?

Filipenses 4:6

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças.

H. Que a oração substitua a inquietude, e acompanhe o nosso trabalho para amanhã. Os filhos de Deus não se inquietam pelo trabalho, eles trabalham porque eles oram.

Conclusão:

A. Teremos pão amanhã? Calvino em seu comentário aos evangelhos sinóticos, diz que é necessário trabalhar para assegurar o alimento do dia seguinte. Mas temos que destacar que nem a inquietude — condenada por Jesus em Mateus 6:25—34 — nem o trabalho dão uma resposta que satisfaça. A questão envolvida na oração é uma questão de CONFIANÇA EM DEUS.

B. Quando oramos pelo pão de cada dia devemos orar exatamente por isso mesmo: O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE. Não devemos orar, por bolos, ou picanhas e sim pelo suficiente para nosso sustento.

Filipenses 4:11

Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.

1 Timóteo 6:8

Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.

C. Por fim, nosso pedido é no sentido coletivo: O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE.

1. O “nós” é o da irmandade dos homens que se acham com Jesus Cristo, o Deus-Homem, que nos permite e nos ordena que nos juntemos a Ele, à Sua própria intervenção junto de Deus, para juntos orar com Ele.

2. É o “nós” da irmandade que une os homens entre eles, ao mesmo tempo em que eles são unidos a Jesus Cristo, unidos entre eles por esta permissão e este mandamento. É uma irmandade que não está fechada, ela está aberta, no sentido que ela está engajada neste mundo, o que representa, que compreendemos nessa palavra, “mundo”, aqueles que ainda não ouviram  e que ainda não seguem o convite do Senhor.

Que Deus Abençoe a todos e nos supra sempre com o pão que nunca se acaba.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO
005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/02/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-005-pai_24.html
006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-006.html
007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/06/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-007.html
008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-008.html
009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/10/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-009-o.html
010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html
011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/04/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-011.html
012 — O PAI NOSSO — PARTE 011 — O PÃO NOSSO DE CADA DIA DÁ-NOS HOJE
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/08/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-012-o-pao.html

Que Deus abençoa a todos

Alexandros Meimaridis

PS. Pedimos a todos os nossos leitores que puderem que “curtam” nossa página no Facebook através do seguinte link: 
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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

IGREJA NOS LARES: ENTENDA ESSE IMPORTANTE MOVIMENTO — PARTE 002


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No mês em que a Reforma Protestante do século XVI completa 499 anos, queremos compartilhar com todos os nossos leitores, uma série de artigos que tratam da grande e necessária Nova Reforma, como temos defendido em vários dos nossos artigos.

O artigo abaixo é de autoria de Wolfgang Simson e parte de seu livro Casas que Transformam o Mundo — Igreja nos Lares, publicado pela Editora Evangélica Esperança

15 Teses Acerca da Reforma Necessária à Igreja
Wolfgang Simson
CONTINUAÇÃO...

9. Das formas organizadas para as formas orgânicas de cristianismo

O “corpo de Cristo” é linguagem figurada para um ente profundamente orgânico e não para um mecanismo organizado. Localmente a igreja consiste de uma pluralidade de famílias espirituais extensas, que estão organicamente interligados em uma rede. A maneira como cada igreja está ligada à outra constitui uma parte integrante da mensagem do todo. De um máximo da organização com um mínimo de organismo é preciso passar novamente para um mínimo de organização com um máximo de organismo. Até aqui o excesso de organização muitas vezes sufocou o organismo “corpo de Cristo” como uma camisa-de-força – por medo de que algo pudesse dar errado. Contudo, medo é o oposto da fé, não representando exatamente uma virtude cristã sobre qual Deus desejasse edificar sua igreja. O medo visa controlar – a fé sabe confiar. Por isso, controlar pode ser bom, mas confiar é melhor.

O corpo de Cristo foi confiado por Deus às mãos fiéis de pessoas que possuem um dom carismático especial: são capazes de crer que Deus ainda mantém o controle da situação quando elas próprias já o perderam há tempo. Sem dúvida o ecumenismo político e as hierarquias denominacionais tiveram sua chance de mostrar resultados no passado, mas não obtiveram êxito. Hoje é necessário criar redes regionais e nacionais que se baseiam sobre a confiança, para que formas orgânicas de cristianismo possam ser novamente desenvolvidas.

10. Cristãos adoram a Deus, não a seus cultos

Visto de fora, o cristianismo se apresenta do seguinte modo para muitas pessoas: pessoas santas dirigem-se, numa hora santa, num dia santo, a um prédio sagrado, a fim de participar de um ritual sagrado, celebrado por um homem santo em vestimentas sagradas, em troca de uma oferta sagrada.

Uma vez que essas promoções regulares, orientadas pelo desempenho e chamadas de “culto divino”, requerem muito talento organizativo e consideráveis recursos administrativos, os rituais formalistas e modelos de comportamento institucionalizados rapidamente se solidificaram em tradições religiosas.

Em termos eclesiásticos, o tradicional culto dominical de uma a duas horas de duração, com cifras do porte de 20 a 300 visitantes, é extremamente voraz em termos de recursos. Apesar disso, produz bem poucos frutos na forma de pessoas que estejam dispostas a mudar de vida como discípulos de Jesus.

Em termos econômicos, o culto tradicional é uma estrutura que exige muitíssimo investido, mas produz poucos resultados.

Na história, o desejo dos humanos de adorar “corretamente” a Deus levou aos constrangedores denominacionalismo, confessionalismo e nominalismo.

É um enfoque que desconsidera que os cristãos são chamados a adorar “em espírito e em verdade” – e não a repetir, em pequenas e grandes catedrais, hinos costumeiros.

Essa mentalidade de programação, que se compraz em reiterar o proverbial “Amém” na igreja, ignora que toda vida é pulsante, muda constantemente e é absolutamente informal.

Sendo o cristianismo “o caminho da vida”, ele é por natureza informal e espontânea, e tão somente o violentamos por meio dos rituais religiosos repetitivos. O cristianismo precisa afastar-se das impressionantes celebrações teatrais em recintos eclesiásticos e recomeçar a viver de modo impressionante a vida cotidiana. É isso que verdadeiramente serve a Deus.

11. Não mais levar o povo à igreja, mas a igreja ao povo

A igreja está se transformando de volta, saindo de uma estrutura do “vinde” para uma estrutura do “ide”. Uma das consequências é que não se tenta mais levar as pessoas à igreja, mas a igreja até as pessoas. A missão da igreja jamais alcançará seu alvo se meramente adicionar acréscimos à estrutura existente. Ela unicamente acontecerá em termos multiplicativos por meio da expansão das igrejas na forma de fermento, inclusive entre grupos da população que ainda não conhecem a Jesus Cristo.

12. A santa ceia é redescoberta como uma verdadeira refeição

A tradição eclesiástica conseguiu a façanha de “celebrar” a santa ceia em doses homeopáticas, com algumas gotas de vinho, uma bolacha insípida e um semblante triste. No entanto, segundo a fé cristã, a “ceia do Senhor” é uma refeição substancial com significado simbólico, não uma refeição simbólica com um significado substancial. Deus está novamente afastando os cristãos das missas, de volta às mesas, de volta á refeição.

13. Das denominações para igreja da cidade

Jesus deu a vida a um movimento – mas o que apareceu foram empresas religiosas com redes globais, que comercializavam suas respectivas marcas do cristianismo, fazendo concorrência uma à outra. Por causa dessa subdivisão em nomes e marcas a maior parte do protestantismo perdeu sua voz no mundo e tornou-se politicamente irrelevante. Muitas igrejas estão mais preocupadas com especialidades tradicionais e discórdias religiosas dentro de seus muros do que com um testemunho perante o mundo em conjunto com outros cristãos.

Jesus jamais pediu aos seres humanos que se organizassem em denominações. Nos primeiros dias da igreja os cristãos tinham uma dupla identidade: eram seguidores de Jesus Cristo, convertidos verticalmente a Deus. Em segundo lugar, congregavam com base na geografia, quando também se convertiam localmente uns aos outros, formando movimentos eclesiais. Não somente se ligavam em igrejas de vizinhanças ou nos lares, nas quais partilhavam sua vida cotidiana, mas também expressavam sua nova identidade em Cristo – na medida em que as respectivas circunstâncias políticas o permitissem. Encontravam-se para cultos festivos de abrangências locais ou regionais. Neles celebrava sua unidade como movimento eclesial da região ou cidade e demonstravam um testemunho conjunto perante o mundo.

Deus está chamando o cristianismo de volta a essas dimensões. O retorno ao modelo bíblico da “igreja da cidade” – ou seja, uma nova credibilidade das igrejas nos lares dos bairros, aliada a cultos festivos de abrangências local ou regional, em que todos os cristãos de uma região se congregam regularmente – não apenas fomenta a identidade coletiva e credibilidade espiritual dos cristãos, mas também confere à igreja um peso político, e chamará a atenção que a mensagem cristã merece.

14. Uma mentalidade à prova de perseguição

Jesus, o cabeça de todos os cristãos, foi crucificado. Hoje seus seguidores estão tão ocupados com suas posições e seu papel respeitável na economia, política e sociedade, ou pior ainda, estão adaptados e quietos de forma tão pouco cristã, que quase não são mais notados.

Jesus diz: ”Abençoados sois quando por minha causa as pessoas vos injuriarem e perseguirem” (Mt 5.11).

O cristianismo bíblico é uma ameaça para o ateísmo e pecado gentílicos, para um mundo que foi dominado pela ganância, pelo materialismo, pela inveja e pela tendência de crer em absolutamente tudo, a menos que esteja na Bíblia. Isso levou aceitação social de comportamentos na esfera da moral, do sexo, do dinheiro e do poder que somente podem ser explicados na dimensão demoníaca. Até o momento o cristianismo atualmente conhecido não constitui um contraste para isso, mas em muitos países ele é simplesmente inócuo e gentil demais para que fosse digno de perseguição.

Quando, porém os cristãos começarem a redescobrir os valores do Novo Testamento, a viver a vida resultante e perder a vergonha de dar nome ao pecado, o mundo em seu redor será atingido no cerne de sua consciência e reagirá como de costume, com conversão ou com perseguição. Ao invés de construir para si ninhos em zonas confortáveis de presumida liberdade religiosa, os cristãos precisam preparar-se novamente para serem descobertos como réus principais e ovelhas negras.

Nada mais farão que seja um estorvo para o humanismo universal, para a moderna escravidão do entretenimento e para a descarada adoração do Eu, o falso centro do universo. É por essa razão que cristãos despertos rapidamente sentirão as consequências do liberalismo fundamentalista e da “tolerância repressiva” de um mundo que perdeu suas normas absolutas porque negou a reconhecer se Deus Criador com seus padrões absolutos.

Em conexão com a crescente ideologização, privatização e espiritualização da política e economia, os cristãos obterão mais cedo do que esperavam uma nova chance para ocupar, ao lado de Jesus, o banco dos réus da sociedade do bem-estar. É bom que hoje mesmo já se preparem para o futuro, desenvolvendo uma mentalidade à prova das perseguições e, em consequência, construam uma estrutura à prova de perseguições.

15. A igreja volta para casa

Qual é o lugar mais simples para uma pessoa ser santa? Ela se esconde atrás de um grande púlpito e, trajado com túnicas sagradas, prega palavras santas e uma massa sem rosto, desaparecendo depois em seu gabinete. E qual é o lugar mais difícil e, por isso mais significativo, para uma pessoa ser santa? Em casa, na presença de sua família, onde tudo o que ela diz e faz é submetido a um teste espiritual automático e conferido com a realidade. Ali todo farisaísmo devoto está irremediavelmente condenado à morte.
As parcelas mais significativas do cristianismo fugiram do enraizamento na família como lugar flagrante do fracasso pessoal para salões sagrados, onde se celebram missas/cultos artificiais bem afastados do cotidiano. No entanto, Deus está em vias de reconquistar novamente às próprias raízes, ao lugar de onde ela procede a um movimento de igrejas nos lares. Assim, a igreja volta literalmente para casa. Na última fase da história da humanidade, pouco antes do retorno de Jesus Cristo, fecha-se o círculo da história da igreja.

Quando cristãos de todos os segmentos sociais e culturais, de todas as situações de vida e denominações sentirem em seu espírito um eco nítido daquilo que o Espírito de Deus diz à Igreja, eles começarão a funcionar claramente como um corpo, a ouvir globalmente e agir localmente. Deixarão de pedir que Deus abençoe o que fazem e começarão a fazer o que Deus abençoa. Na própria vizinhança se congregarão em igrejas nos lares e se encontrarão para cultos festivos que abrangem a cidade ou região toda.

Você também está convidado a aderir a esse mover aberto, e dar a sua própria contribuição. Dessa maneira provavelmente também a sua casa há de ser uma casa que transforma o mundo.

FIM

(Texto publicado em português no livro “Casas que transforma o mundo — Igreja nos lares”, de Wolfgang Simson — Editora Evangélica Esperança)

O artigo original em Inglês acesse:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O TEMOR DO SENHOR E A SOBERANIA DE DEUS

 

O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora Fiel.

Temor e a Soberania de Deus
Kim Riddlebarger

"Deus está no controle". Essas palavras podem ser um conforto maravilhoso para pessoas que lutam contra fobias, medos naturais comuns ou mesmo terrores profundos. O lembrete de que Deus está no controle muitas vezes traz grande alívio.

Mas há momentos em que as palavras "Deus está no controle" podem piorar a situação. Um cristão aterrorizado pode já ter lutado com o fato de que Deus é soberano e chegado à conclusão equivocada de que Deus o está punindo, ou pior, que Deus o abandonou. Na raiz de tanto medo e ansiedade não está tanto a questão de saber se Deus está no controle (uma doutrina que a maioria dos cristãos aceita prontamente), mas de por que Deus permitiria que os cristãos sintam incerteza e temor. A consciência da soberania de Deus pode não ser uma fonte de alívio em todo caso, mas somente outra fonte de dúvida, frustração e medo. O medo pode fazer isso com as pessoas, até mesmo com cristãos.

Há dois pontos a considerar sobre confrontar nossos medos à luz da soberania de Deus. O primeiro é considerar aquelas passagens bíblicas (há muitas) que nos dizem o que significa Deus estar "no controle". Quando temos uma boa (ou melhor) compreensão do controle de Deus sobre todas as coisas, descobrimos que nada que venha a acontecer é aleatório ou fora da vontade de Deus. O salmista nos lembra: "Com efeito, eu sei que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses. Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra" (Sl 135.5-6). Em Provérbios, lemos que a soberania de Deus se estende até mesmo a coisas aparentemente acidentais: "A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão" (Pv 16.33). Esta informação é dada para nos lembrar que nada fora da vontade de Deus pode nos acontecer.

Deus sabe quando um pardal cai do céu, e se ele se importa com eles, quanto mais ele se importa conosco? (Mt 6.26). Paulo nos diz que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8.28), e Tiago diz: "ninguém, ao ser tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta" (Tg 1.13). Tiago acrescenta: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (1.17). Deus não nos tenta (ou nos faz ter medo), ele nos dá todas as coisas boas, e promete tornar tudo (até mesmo os nossos medos) para o nosso bem.

Esta breve lista de passagens bíblicas nos lembra que qualquer medo que estivermos enfrentando pode trazer glória a Deus, ser transformado por Deus para nosso bem maior e conceder-nos a necessária segurança quando estamos com medo. A Escritura acalma nossos medos lembrando-nos que Deus é nosso Pai Celestial que nos ama e cuida de nós, mesmo quando o tememos, ou receamos seus propósitos soberanos. Ele ainda nos ama, mesmo quando tememos que não.

A segunda coisa a considerar é que, se alguém acreditava na soberania absoluta de Deus, esse alguém era Jesus. Os Evangelhos revelam que, apesar de Jesus saber o propósito de Deus com antecedência, e que o resultado de seu sofrimento seria um triunfo glorioso sobre a morte e a sepultura, ainda assim sentiu muito temor como ansiedade antes da provação da cruz. Na resolução do temor e ansiedade de Jesus podemos encontrar grande alívio para os nossos temores e ansiedades.

Em Mateus 26.36-38, lemos: "Foi Jesus... a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo". Jesus também disse: "o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca". Então ele orou: "Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (v. 41-42). No relato de Lucas, a dimensão do medo de Jesus é revelada: "E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra" (Lc 22.44).

Temor e ansiedade não são necessariamente pecado; que Jesus estava ansioso antes de seu sofrimento na cruz é a prova disso. O medo da dor ou do perigo é bastante natural. No entanto, em meio à ansiedade de Jesus no Getsêmani, ele ainda assim confiou que seu Pai o faria suportar a terrível provação por vir. Jesus pôde suar gotas de sangue, mas bebe o cálice da ira para nos salvar dos nossos pecados. Notavelmente, Jesus é um exemplo para nós quando estamos com medo, e seu sofrimento e morte removem qualquer culpa que podemos ter por duvidar das promessas de Deus ou por temer sua abordagem ou propósitos. Jesus morreu por nossos pecados todos, incluindo todo o medo pecaminoso.

Melhor ainda, nós temos um grande sumo sacerdote, que nunca dorme nem cochila, e que sabe como é para nós experimentar temor e ansiedade. É a Jesus que oramos quando estamos com medo, e é Jesus que intercede por nós, ainda enquanto oramos a ele (Hb 4.14-16). É isso que significa dizermos que "Deus está no controle".

Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

Autor

O Dr. Kim Riddlebarger é o pastor presidente da Christ Reformed Church em Anaheim, Califórnia, e um dos apresentadores de um programa de rádio.

O artigo original poderá ser visto pó meio do link abaixo.


Que deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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