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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O TEMOR DO SENHOR E A SOBERANIA DE DEUS

 

O artigo abaixo foi publicado pelo site da Editora Fiel.

Temor e a Soberania de Deus
Kim Riddlebarger

"Deus está no controle". Essas palavras podem ser um conforto maravilhoso para pessoas que lutam contra fobias, medos naturais comuns ou mesmo terrores profundos. O lembrete de que Deus está no controle muitas vezes traz grande alívio.

Mas há momentos em que as palavras "Deus está no controle" podem piorar a situação. Um cristão aterrorizado pode já ter lutado com o fato de que Deus é soberano e chegado à conclusão equivocada de que Deus o está punindo, ou pior, que Deus o abandonou. Na raiz de tanto medo e ansiedade não está tanto a questão de saber se Deus está no controle (uma doutrina que a maioria dos cristãos aceita prontamente), mas de por que Deus permitiria que os cristãos sintam incerteza e temor. A consciência da soberania de Deus pode não ser uma fonte de alívio em todo caso, mas somente outra fonte de dúvida, frustração e medo. O medo pode fazer isso com as pessoas, até mesmo com cristãos.

Há dois pontos a considerar sobre confrontar nossos medos à luz da soberania de Deus. O primeiro é considerar aquelas passagens bíblicas (há muitas) que nos dizem o que significa Deus estar "no controle". Quando temos uma boa (ou melhor) compreensão do controle de Deus sobre todas as coisas, descobrimos que nada que venha a acontecer é aleatório ou fora da vontade de Deus. O salmista nos lembra: "Com efeito, eu sei que o Senhor é grande e que o nosso Deus está acima de todos os deuses. Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra" (Sl 135.5-6). Em Provérbios, lemos que a soberania de Deus se estende até mesmo a coisas aparentemente acidentais: "A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão" (Pv 16.33). Esta informação é dada para nos lembrar que nada fora da vontade de Deus pode nos acontecer.

Deus sabe quando um pardal cai do céu, e se ele se importa com eles, quanto mais ele se importa conosco? (Mt 6.26). Paulo nos diz que "todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8.28), e Tiago diz: "ninguém, ao ser tentado, diga: sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta" (Tg 1.13). Tiago acrescenta: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança" (1.17). Deus não nos tenta (ou nos faz ter medo), ele nos dá todas as coisas boas, e promete tornar tudo (até mesmo os nossos medos) para o nosso bem.

Esta breve lista de passagens bíblicas nos lembra que qualquer medo que estivermos enfrentando pode trazer glória a Deus, ser transformado por Deus para nosso bem maior e conceder-nos a necessária segurança quando estamos com medo. A Escritura acalma nossos medos lembrando-nos que Deus é nosso Pai Celestial que nos ama e cuida de nós, mesmo quando o tememos, ou receamos seus propósitos soberanos. Ele ainda nos ama, mesmo quando tememos que não.

A segunda coisa a considerar é que, se alguém acreditava na soberania absoluta de Deus, esse alguém era Jesus. Os Evangelhos revelam que, apesar de Jesus saber o propósito de Deus com antecedência, e que o resultado de seu sofrimento seria um triunfo glorioso sobre a morte e a sepultura, ainda assim sentiu muito temor como ansiedade antes da provação da cruz. Na resolução do temor e ansiedade de Jesus podemos encontrar grande alívio para os nossos temores e ansiedades.

Em Mateus 26.36-38, lemos: "Foi Jesus... a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo". Jesus também disse: "o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca". Então ele orou: "Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, faça-se a tua vontade" (v. 41-42). No relato de Lucas, a dimensão do medo de Jesus é revelada: "E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra" (Lc 22.44).

Temor e ansiedade não são necessariamente pecado; que Jesus estava ansioso antes de seu sofrimento na cruz é a prova disso. O medo da dor ou do perigo é bastante natural. No entanto, em meio à ansiedade de Jesus no Getsêmani, ele ainda assim confiou que seu Pai o faria suportar a terrível provação por vir. Jesus pôde suar gotas de sangue, mas bebe o cálice da ira para nos salvar dos nossos pecados. Notavelmente, Jesus é um exemplo para nós quando estamos com medo, e seu sofrimento e morte removem qualquer culpa que podemos ter por duvidar das promessas de Deus ou por temer sua abordagem ou propósitos. Jesus morreu por nossos pecados todos, incluindo todo o medo pecaminoso.

Melhor ainda, nós temos um grande sumo sacerdote, que nunca dorme nem cochila, e que sabe como é para nós experimentar temor e ansiedade. É a Jesus que oramos quando estamos com medo, e é Jesus que intercede por nós, ainda enquanto oramos a ele (Hb 4.14-16). É isso que significa dizermos que "Deus está no controle".

Tradução: João Paulo Aragão da Guia Oliveira
Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

Autor

O Dr. Kim Riddlebarger é o pastor presidente da Christ Reformed Church em Anaheim, Califórnia, e um dos apresentadores de um programa de rádio.

O artigo original poderá ser visto pó meio do link abaixo.


Que deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

JONATHAN EDWARDS: A AGONIA DE CRISTO — UM ESTUDO — PARTE 007


O material abaixo é parte de um livro escrito por Jonathan Edwards que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: CCEL.org │ Título Original: “Christ’s Agony”

As citações bíblicas desta tradução são da versão ACRF (Almeida Corrigida Revisada Fiel).

Tradução por Camila Almeida │ Revisão William Teixeira

facebook.com/oEstandarteDeCristo
Issuu.com/oEstandarteDeCristo

A AGONIA DE CRISTO

Por Jonathan Edwards

“E, posto em agonia, orava mais intensamente; e o Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue que corriam até ao chão.”

– Lucas 22:44 –

CONTINUAÇÃO...

Primeira Inferência: Nisto esta impiedade foi apenas uma amostra da maldade da humanidade; pois a corrupção de toda a humanidade é da mesma natureza, e a maldade que está no coração de um homem é da mesma natureza e tendência como em outro. Como na água, o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.

Segunda Inferência: É provável que Cristo morreu para fazer expiação por aquela verdadeira impiedade individual que operou os Seus sofrimentos, que o reprovou, escarneceu, esbofeteou, e o crucificou. Alguns de Seus algozes, por quem Ele orou para que pudessem ser perdoados, enquanto eles estavam no próprio ato de crucificar Jesus, foram posteriormente, em resposta à Sua oração, convertidos pela pregação de Pedro; como temos um relato no segundo capítulo de Atos.

Outra circunstância da agonia de Cristo que demonstra a força do Seu amor é o ingrato abandono dos Seus discípulos naquele momento. Os discípulos de Cristo estavam entre aqueles pelos quais Ele suportou essa agonia, e entre aqueles por quem Ele iria suportar os últimos sofrimentos, dos quais Ele agora tinha aquelas apreensões terríveis. No entanto, Cristo já os tinha despertado a um interesse nos benefícios desses sofrimentos. Seus pecados já haviam sido perdoados por meio daquele sangue que Ele estava para derramar, e eles já haviam recebido os benefícios infinitos por meio daquela moribunda compaixão e amor que Ele tinha por eles, e foram, por Seus sofrimentos, distinguidos de todos os demais do mundo. Cristo havia colocado uma maior honra sobre eles do que sobre quaisquer outros, fazendo-os Seus discípulos em um sentido mais honroso do que Ele havia feito a favor de qualquer outro. E ainda agora, quando Ele teve o terrível cálice colocado diante dEle, que Ele beberia por eles, e estava em tal agonia diante da visão disto, Ele não viu nenhum retorno por parte deles, senão a indiferença e ingratidão. Quando Ele apenas desejava que o assistissem, para que Ele fosse consolado com sua companhia, agora, neste momento, triste eles adormeceram; e mostraram que não havia preocupação suficiente sobre isso para induzi-los a manterem-se acordados com Ele, nem mesmo por uma hora, embora Ele desejasse isso, uma vez e outra vez. Mas ainda assim, este tratamento ingrato deles, por quem Ele devia beber o cálice da Ira que Deus havia posto diante dEle, não O desencorajou de tomá-lo, e bebê-lo por eles. Seu amor resistiu a eles; tendo amado os seus, amou-os até o fim. Ele não disse dentro de Si mesmo quando o cálice trêmulo estava diante dEle: “Por que devo suportar tanto por aqueles que são tão ingratos; por que eu deveria lutar aqui com a expectativa da terrível Ira de Deus a ser suportada por mim amanhã, por aqueles que nesse meio tempo não têm tanta preocupação por mim, como para manterem-se acordados comigo nem por uma hora quando eu desejo isso da parte deles?” Mas, ao contrário, com compaixões ternas e paternais Ele desculpa essa ingratidão de Seus discípulos, e diz em Mateus 26:41: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. E, seguiu, e foi apreendido, e escarnecido e açoitado e crucificado, e derramou a Sua alma na morte, sob o peso da terrível Ira de Deus na cruz por eles.

Terceira Inferência: A partir do que foi dito, podemos aprender as maravilhas da submissão de Cristo à vontade de Deus. Cristo, sendo uma Pessoa Divina, era o Soberano absoluto do céu e da terra, mas ainda assim Ele foi o mais maravilhoso exemplo de submissão à soberania de Deus que alguma vez já houve. Quando Ele teve tal visão da terribilidade de Seus últimos sofrimentos, e orou, se fosse possível que esse cálice passasse dEle, ou seja, se não houvesse uma necessidade absoluta disto para a salvação dos pecadores, ainda assim isso foi uma perfeita submissão à vontade de Deus. Ele acrescenta: “todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Ele preferiu que a inclinação de Sua natureza humana, que tanto temia tais tormentos intensos, fosse crucificada, ao invés de que a vontade de Deus não fosse realizada. Ele se deleitava com o pensamento da vontade de Deus que estava sendo feita; e quando Ele foi e orou pela segunda vez, Ele não tinha mais nada a dizer, senão: “Pai meu, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade”; e assim na terceira vez. O que são tais provas de submissão, em relação as que qualquer um de nós tem, por vezes, nas aflições que sofremos? Se Deus apenas em Sua providência indica que isto seja a Sua vontade para que participemos como um filho, quão dificilmente somos levados a ceder a ela, quão prontos para sermos insubmissos e perversos! Ou se Deus põe a mão sobre nós em alguma dor aguda do corpo, como estamos prontos a estar descontentes e impacientes; quando o inocente Filho de Deus, que não merecia o sofrimento pôde submeter-se calmamente a sofrimentos incompreensivelmente grandes, e disse uma e outra vez: que seja feita a vontade de Deus! Quando Ele foi trazido e estabelecido diante daquela fornalha terrível de ira na qual Ele devia ser lançado, a fim de que Ele pudesse olhar para isso e ter uma visão completa de Sua ferocidade, quando Sua carne encolheu diante disso, e Sua natureza esteve num tal conflito, que o Seu corpo foi todo coberto por um suor de sangue caindo em grandes gotas no chão, mas Sua alma calmamente entregou-se para que a vontade de Deus fosse feita, ao invés da vontade ou inclinação de Sua natureza humana.

Quarta Inferência: O que foi dito sobre este assunto também nos mostra a glória da obediência de Cristo. Cristo foi sujeito à lei moral como Adão era, e Ele também estava sujeito às leis cerimoniais e judiciais de Moisés; mas o principal comando que Ele havia recebido do Pai era que Ele deveria dar a Sua vida, que Ele deveria voluntariamente entregar a Si mesmo a aqueles terríveis sofrimentos na Cruz. Fazer isso era a Sua principal missão no mundo; e, sem dúvida, a principal ordenança que Ele recebeu, foi sobre aquilo que era a principal incumbência para que Ele fora enviado. O Pai, quando O enviou ao mundo, enviou-O com os comandos sobre o que Ele deveria fazer no mundo; e Sua maior ordenança dentre todas foi sobre isso,  a incumbência para a qual Ele foi principalmente enviado, foi para entregar a Sua vida. E, portanto, esta ordenança foi a principal prova da Sua obediência. Foi a maior prova de Sua obediência, porque era, de longe, a ordem mais difícil: todo o resto era fácil em comparação a isto. E a principal prova de que Cristo teve, se Ele obedecesse a esta ordem, foi no tempo de Sua agonia; por que ocorreu uma hora antes dEle ter sido preso, de acordo com Seus sofrimentos, quando Ele deveria ou render-se a eles, ou fugir deles. E então foi a primeira vez que Cristo teve uma visão completa da dificuldade desta ordem; que parecia tão grande a ponto de causar aquele suor de sangue. Em seguida, foi o conflito da fraca natureza humana com a dificuldade, depois foram as dolorosas lutas e batalhas com o julgamento pesado que Ele teve, e então Cristo obteve vitória sobre a tentação, provinda do medo de Sua natureza humana. Sua obediência resistiu em meio ao conflito. Então, podemos supor que Satanás foi especialmente solto para lidar com o medo natural que a natureza humana tinha de tais tormentos, e esforçar-se com o seu melhor para dissuadir Cristo de prosseguir em beber o cálice amargo; pois a essa altura, em direção a aproximar-se da vida de Cristo, Ele estava especialmente entregue nas mãos de Satanás, para ser tentado por ele, mais do que Ele foi imediatamente após o Seu batismo; pois Cristo diz, falando da época, Lucas 22:53: “Tenho estado todos os dias convosco no templo, e não estendestes as mãos contra mim, mas esta é a vossa hora e o poder das trevas”. Logo, Cristo, no momento de Sua agonia, esteve lutando não somente com visões assombrosas de Seus últimos sofrimentos, mas Ele também lutou, nesse suor sangrento, com os principados e potestades – argumentou Ele, nesse momento com o grande leviatã que trabalhou com o seu melhor para tentá-lo à desobediência. De modo que, em seguida, Cristo teve tentações em todos os sentidos para atraí-Lo para fora da obediência a Deus. Teve tentações de Sua fraca natureza humana, que temia extremamente tais tormentos; e Ele teve tentações de homens, que eram os Seus inimigos; e Ele teve tentações do abandono ingrato de Seus discípulos; e Ele teve tentações do Diabo. Ele também teve uma prova esmagadora da manifestação da própria Ira de Deus; quando, nas palavras de Isaías, agradou ao Senhor moê-lo e fazê-lo enfermar. Todavia, ainda assim, Ele não falhou, mas conseguiu a vitória sobre todos, e realizou esse grande ato de obediência naquele momento, ao mesmo Deus que se escondeu dEle, e demonstrou a Sua Ira a Ele pelos pecados dos homens, que Ele devia em breve sofrer. Nada poderia movê-Lo para longe de Sua obediência fiel a Deus, mas Ele insistiu em dizer: “Seja feita a Sua vontade”, expressando não apenas a Sua submissão, mas Sua obediência; não somente a Sua conformidade com a disposição da vontade de Deus, mas também com a Sua vontade perceptiva. Deus lhe havia dado este cálice para beber, e tinha ordenado a Ele que bebesse, e isso era motivo suficiente para que Ele O bebesse; portanto, Ele diz, na conclusão de Sua agonia, quando Judas veio com Seu bando: “não beberei eu o cálice que o Pai me deu?” (João 18:11). Cristo, no momento de Sua agonia, deu uma prova incrivelmente maior de obediência do que qualquer homem ou anjo já deu. Quanto mais além foi esta prova de obediência do segundo Adão do que a provação de obediência do primeiro Adão! Quão leve foi a tentação de nosso primeiro pai, em comparação a esta! E, no entanto o nosso primeiro fiador falhou, e nosso segundo não falhou, mas obteve uma vitória gloriosa, e seguiu, e tornou-se obediente até à morte e morte de cruz. Assim maravilhosa e gloriosa foi a obediência de Cristo, pela qual Ele operou a justiça para os crentes, e cuja obediência é imputada a eles. Não maravilha que esta seja uma doce punição semeada, e que Deus permaneça disposto a dar o céu como a Sua recompensa a todos os que creem nEle.

Quinta Inferência: O que foi dito mostra-nos a insensatez da segurança dos pecadores em serem tão destemidos diante da Ira de Deus. Se a Ira de Deus era tão terrível, que, quando Cristo somente a esperava, Sua natureza humana foi quase sobrecarregada com o temor dela, e Sua alma ficou assombrada, e Seu corpo todo em um suor sangrento; então quão insensatos são os pecadores, que estão sob a ameaça da mesma Ira de Deus, e são condenados a ela, e estão a cada momento expostos a isso; e, no entanto, em vez de manifestar intensa apreensão, estão calmos, leves e indiferentes; em vez de estarem tristes e mui pesados, andam com um coração tranquilo e descuidado; em vez de chorar em amarga agonia, muitas vezes estão felizes e contentes, e comem e bebem, e dormem tranquilamente, e prosseguem no pecado, provocando a Ira de Deus mais e mais, sem qualquer motivo de preocupação! Quão estúpidas e insensatas são essas pessoas! Deixem que tais pecadores insensíveis considerem que esta miséria, da qual eles estão em perigo devido a Ira de Deus, é infinitamente mais terrível do que a que ocasionou em Cristo a Sua agonia e suor sangrento. É mais terrível, tanto como isto difere em Sua natureza e grau, e também uma vez que difere na Sua duração. É mais terrível em Sua natureza e grau. Cristo sofreu aquilo enquanto confirmou a honra da lei Divina, era plenamente equivalente à miséria dos condenados; e em algum aspecto foi o mesmo sofrimento; pois era a Ira do mesmo Deus; mas ainda em outros aspectos, muito diferente. A diferença não surge a partir da Ira derramada sobre um e outro, pois é o mesmo furor, mas a partir da diferença de sujeito, o que pode ser melhor ilustrado a partir da própria comparação de Cristo. Lucas 23:31: “Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?” Aqui, Ele chama a si mesmo de uma árvore verde, e os homens ímpios de secos, indicando que a miséria que virá sobre os homens ímpios será muito mais terrível do que os sofrimentos que vieram sobre Ele, e que a diferença decorre da natureza diferente do sujeito. A árvore verde e a seca são ambos lançados no fogo; mas as chamas secam, ainda mais intensamente, a árvore seca do que a verde.

Os sofrimentos que Cristo suportou diferem da miséria dos ímpios no inferno em natureza e grau em relação aos seguintes aspectos.

1. Cristo não sentiu os tormentos de uma consciência culpada, condenada.

2. Ele não sentiu nenhum tormento do reinado de corrupções e concupiscências interiores como as do condenado. Os ímpios no inferno são seus próprios algozes, seus desejos são seus algozes, e sendo sem restrições, (pois não há graça preventiva no inferno), seus desejos enraivecerão como chamas furiosas em seus corações. Eles serão atormentados com a violência desenfreada de um espírito de inveja e maldade contra Deus e contra os anjos e santos do céu, e um contra o outro. Ora, Cristo não sofreu nada disso.

3. Cristo não teve que considerar que Deus O odiava. Os ímpios no inferno tem isso para fazer Sua miséria perfeita, eles sabem que Deus odeia perfeitamente sem a menor piedade ou respeito a eles, o que preencherá as Suas almas com miséria inexprimível. Mas não foi assim com Cristo. Deus retirou Sua presença confortável de Cristo, e escondeu dEle o Seu rosto, e assim derramou a Sua Ira sobre Ele, quando O fez sentir os seus efeitos terríveis na Sua alma; mas ainda assim Ele sabia, ao mesmo tempo, que Deus não O odiava, mas O amava infinitamente. Ele clamou por que Deus O abandonou, mas, ainda assim, ao mesmo tempo, o chama de “Deus meu, Deus meu!”, sabendo que era ainda o Seu Deus, embora O tivesse abandonado. Mas os ímpios no inferno saberão que Ele não é o Seu Deus, mas o Seu juiz e inimigo irreconciliável.

4. Cristo não sofreu desespero, como o ímpio o faz no inferno. Ele sabia que haveria um fim de Seus sofrimentos em poucas horas; e que depois Ele deveria entrar na glória eterna. Mas será bem diferente com vocês que são impenitentes; se vocês morrerem em Sua condição atual, vocês estarão em desespero perfeito. Nestas considerações, a miséria dos ímpios no inferno será imensamente mais terrível em natureza e grau, do que aqueles sofrimentos com os temores os quais a alma de Cristo estava muito sobrecarregada.

5. Isto infinitamente diferirá na duração. Os sofrimentos de Cristo duraram apenas algumas horas, e não havia um fim eterno a eles, e a glória eterna sucedeu. Mas você que é, um pecador seguro, insensível, está todos os dias exposto a ser lançado na miséria eterna, um fogo que nunca se apaga. Se, então, o Filho de Deus esteve em tal assombro, na expectativa de que Ele devia sofrer por algumas horas, quão insensato é você que está continuamente exposto a sofrimentos imensamente mais terríveis em natureza e grau, e que devem sem qualquer fim, mas que serão suportados sem descanso dia e noite para todo o sempre! Se você tivesse um sentido pleno da grandeza daquela miséria a que você está exposto, e quão terrível é a Sua condição atual por conta disso, seria neste momento colocado em tão terrível agonia como a que Cristo sofreu; sim, se a sua natureza puder suportá-la, uma muito mais terrível. Agora veríamos você cair em um suor sangrento, chafurdando em Sua dor e gritando de terrível espanto.

Tendo, assim, me esforçado para explicar e ilustrar as duas proposições anteriormente mencionadas no início deste discurso, passarei agora a mostrar:

CONTINUA...




OUTRAS PARTES DESSE ESTUDO PODERÃO SER VISTAS POR MEIO DOS LINKS ABAIXO

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE 
ESTUDO PARTE 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 002

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — ALGUMAS CITAÇÕES DESSE ESTUDO PARTE 003

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 004

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 005

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 006 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 007 —http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/10/jonathan-edwards-agonia-de-cristo-um.html

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 008 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 009 —

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 010 — APLICAÇÃO 001

JONATHAN EDWARDS — A AGONIA DE CRISTO — PARTE 011 — APLICAÇÃO 002

UMA BREVE BIOGRAFIA DE JONATHAN EDWARDS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/jonathan-edwards-uma-breve-biografia.html

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

UM ESTUDO SOBRE O PECADO — PARTE 013D — PECADO E CASTIGO — PARTE D


Representação de Jesus orando completamente prostrado

Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

13D. Pecado e Castigo — PARTE D

CONTINUAÇÃO...

Verso 35

E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.

A agonia continua, agora mais intensa! Mas agora, Jesus vai se dedicar à oração — que havia sido brevemente iniciada no verso 32. Jesus desejava estar completamente só, e se afasta até dos três que ele havia levado consigo. Mas conforme

Lucas 22:41

Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos, orava,

Jesus se afastou o equivalente à distância que um homem poderia, comodamente, arremessar uma pedra. A descrição de Marcos desta cena é muito objetiva. Jesus se “atirou ao chão” para orar. Lucas diz que Ele se ajoelhou. É muito provável que Jesus tenha feito as duas coisas. Esta atitude de Jesus demonstra várias coisas. Em parte nos mostra a grande reverência que Jesus tinha por Deus o Pai. Por outro lado nos revela a inclemência da espada da justiça que estava sendo levantada contra Ele e os terrores reservados àqueles que desobedecem aos mandamentos de Deus mediante a ira de Deus que estava sendo derramada já naqueles momentos. Por outro lado nos mostra o quão deprimida se encontrava Sua alma; o quão humilhado Ele se encontrava e em que condições estava Seu espírito, a ponto de não poder olhar para cima. Esta é a atitude de alguém que se encontra completamente perplexo — espantado, admirado, atônito. Prostra-se com o rosto em terra era uma atitude comum de adoração no Antigo Testamento, especialmente em horas de grande espanto —

Números 16:22

Mas eles se prostraram sobre o seu rosto e disseram: Ó Deus, Autor e Conservador de toda a vida, acaso, por pecar um só homem, indignar-te-ás contra toda esta congregação?

2 Crônicas 20:18

Então, Josafá se prostrou com o rosto em terra; e todo o Judá e os moradores de Jerusalém também se prostraram perante o SENHOR e o adoraram.

Neemias 8:6)

Esdras bendisse ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra.

O verbo grego προσκυνέω – proscunéo, que pode ser traduzido por “adorar” significa, literalmente, ajoelhar-se, prostra-se, cair aos pés de e etc.

Acerca da expressão “e orava”, Calvino diz o seguinte: “É muito útil orar sozinho, pois nesses momentos a alma desenvolve uma maior familiaridade com Deus e com maior simplicidade pode derramar tanto seus pedidos, quanto seus gemidos, cuidados, medos, esperanças e alegrias diretamente no “peito” de Deus”.

A oração de Jesus além de ser intensa foi feita, provavelmente, em altos brados a ponto de alguns dos discípulos deixados mais distantes terem ouvido Seus clamores, como está indicado em

Hebreus 5:7

Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade

Mateus e Lucas dizem que Jesus, já nesta primeira oração, se dirigiu a Deus como Pai, o que era costumeiro em Suas orações. Infelizmente, na maioria das vezes, nós só nos preocupamos em chamar Deus de Pai em horas de grande agonia. Mas mesmo assim, Deus seja louvado, por sempre nos acolher!

Se Possível — O que Jesus queria dizer ao usar essas palavras? Ele queria dizer que se fosse consistente com a justiça divina e com a manutenção da ordem no universo o fato das pessoas poderem ser salvas sem que esse sofrimento terrível tivesse que acontecer, então que isso fosse feito. Não há dúvida de que se fosse possível algo assim, teria sido feito. O fato de que os sofrimentos propostos a Jesus não foram removidos e que Ele teve que ir adiante suportando, sem alívio, toda a carga da ira divina nos mostra que a possibilidade aventada por Jesus não era consistente nem com a justiça de Deus, nem com a necessidade humana de apresentar um sacrifício propiciatório que fosse satisfatório —

Hebreus 10:4

Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados.

Somente Jesus poderia satisfazer as duas condições: suportar toda a ira de Deus contra o pecado —única vez manifestada na história humana — e apresentar um sacrifício que fosse aceito por Deus não só como propiciatório — satisfatório para Deus — e também vicário — em lugar de. É por esse motivo que a salvação é oferecida graciosamente e exclusivamente através daquilo que o Pai e o Filho alcançaram para a raça humana caída. Fora deste contexto não existe salvação. Devemos nos lembrar das palavras do profeta Jonas proferidas no ventre do peixe: “ao SENHOR pertence a salvação”.

Verso 36

E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.

Aqui nesse versículo temos as próprias palavras que Cristo usou na sua oração. Várias coisas devem ser notadas:

Abba, Pai — Teria Jesus usado tanto a expressão aramaica “abba”, que quer literalmente dizer “meu pai”, quanto a expressão grega “pater”? Ou, o “pater” seria uma adição editorial de Marcos, visando aclarar para seus leitores, na maioria pessoas que falavam o grego comum — Koinê — o significado da expressão aramaica “abba”? Ao usar as palavras “tudo te é possível”, Jesus manifesta confiança plena e submissão completa a Deus ao reconhecer que o Pai, a quem ele está se dirigindo, é capaz de fazer o que quiser.

Passa de mim este cálice — O cálice é frequentemente usado nos escritos sagrados para fazer referência à tristeza, angústia, terror e morte. Parece que neste contexto existe uma referência a uma prática judicial muito antiga. De acordo com esta prática, um grupo de criminosos recebia um cálice contendo veneno do qual todos eles deveriam beber. Sócrates, o filósofo grego, foi obrigado a beber um destes cálices pelos magistrados Atenienses. No caso de Sócrates ele foi executado de forma solitária, mas não era incomum esta prática ser adotada quando vários criminosos deveriam ser executados simultaneamente. Em um determinado momento o juiz poderia fazer um gesto indicando que um determinado condenado passasse o cálice adiante e não bebesse o líquido mortal. O mundo inteiro está aqui sendo representado como culpado diante do tribunal de Deus. O cálice dos condenados precisa passar de mão em mão e todos estão obrigados a beber sua própria porção. Mas em vez disto, Jesus entra no quadro e tomando o cálice das mãos dos condenados se dispõe a bebê-lo por completo, sozinho. Parece que é neste sentido que Jesus “provou a morte por todo homem — Hebreus 2:9)”, para que pela graça de Deus nós pudéssemos ser salvos.

Essa cena inteira é uma referência direta aos eventos imediatos que culminariam com a morte na cruz e o completo abandono que Jesus experimentaria.

Além do mais, beber o conteúdo de um cálice é uma bem conhecida figura de linguagem no oriente médio que quer dizer “provar em sua plenitude” uma determinada experiência seja ela boa — ver Salmos 16:5: 23:5; 116:13 — ou ruim ver Salmos 11:6; 75:8; Isaías 51:17, 22-23; Jeremias 25:15; Lamentações 4:21; Ezequiel 23:32; Habacuque 2:16. Esta figura de linguagem era muito usada para indicar a consumação da ira de Deus. Os ímpios terão que sorver o cálice da ira de Deus até a última gota. Jesus tomou este cálice em nosso lugar.

Contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres — a expressão passa de mim este cálice é imediatamente seguida por “contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”. Isto demonstra que o pedido feito por Jesus não era algo pecaminoso, pelo contrário, estava plenamente alinhado tanto com a vontade de Deus quanto com o amor pela raça humana e era completamente consistente com o momento vivido.

Mesmo levando em consideração todo o amargor da hora, ainda assim Jesus se submete voluntariamente, não forçado, ao Pai. Fica bem evidente a atitude de Jesus de se submeter completamente ao Pai. As palavras de

Salmos 40:8

Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei..

deviam ser um grande incentivo para Jesus neste momento. O texto de Lucas

22:43-44

43 Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.

44 E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.

apesar de ser posterior ao de Marcos e de Lucas não ter participado como testemunha ocular, é muito coerente com o momento expresso como sendo de “angústia e pavor “e” minha alma está triste até a morte”.

De acordo com Lucas, um anjo lhe apareceu para confortá-lo e seu suor era intenso como gotas de sangue. Lucas também acrescenta que ele orava mais intensamente o que é corroborado por Hebreus 5:7. Jesus procurou, mesmo nesta Sua hora de grande angústia, fazer a vontade de Deus. Com isso Ele nos deixou um modelo de oração em tempos de aflição e até mesmo de calamidade no que diz respeito à forma de buscarmos o livramento da parte de Deus. Como o nosso Salvador, em momentos como estes, nós precisamos nos submeter completamente à vontade de Deus, confiantes de que em todas estas situações Ele é sábio, misericordioso e bom.

Após esta primeira oração, Jesus retorna aos discípulos e...

Verso 37

Voltando, achou-os dormindo; e disse a Pedro: Simão, tu dormes? Não pudeste vigiar nem uma hora?

A hora estava avançada. Era, provavelmente, mais de meia-noite. Apesar da sociedade como um todo, naqueles dias, ter o hábito de dormir cedo, Simão, que era pescador, tinha por hábito passar noites em claro. Todavia, os acontecimentos que antecederam a ida ao Getsêmani devem ter contribuído para a exaustão dos discípulos — os intensos preparativos para celebrar a páscoa, o lava-pés, o anúncio de que um dos discípulos seria o traidor, a partida de Judas, a celebração da Ceia, o anúncio de que Jesus seria abandonado e o protesto de Pedro e etc. Entretanto, nada justifica a falta destes homens. Tivessem pedido forças para se manterem acordados teriam sido atendidos! Pedro, especialmente, era indesculpável. O Senhor chama Pedro pelo nome, para indicar uma contradição muito concreta. Sua posição — de Pedro — de liderança demandava dele um comportamento mais coerente. Esse é o mesmo Pedro que havia feito inúmeras afirmativas impressionantes nas horas que antecederam estes momentos:

Marcos 14:29

Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!

Marcos 14:31

Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.

Lucas 22:33

Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.

João 13:37

Replicou Pedro: Senhor, por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a própria vida.
Mas, aqui está Pedro, dormindo, mesmo tendo sido encorajado por Jesus a orar e se manter acordado! Se Pedro não tinha conseguido se manter acordado por uma hora, imagine o que aconteceria quando os acontecimentos das próximas horas se precipitassem.

Por outro lado, Lucas nos diz que eles estavam dormindo exatamente por causa da excessiva tristeza que estavam experimentando

Lucas 22:45

Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos, e os achou dormindo de tristeza,

e não porque fossem irresponsáveis. Isto apenas contribui para fazer maior ainda o contraste entre a atitude dos discípulos e a de Jesus que se encontrava em uma tristeza muito mais profunda do que aquela experimentada pelos discípulos, mas se manteve firme vigiando e orando.

OUTROS ESTUDOS SOBRE O PECADO

O PECADO — ESTUDO —001 — TERMOS GREGOS E HEBRAICOS E PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

O PECADO — ESTUDO —002 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 1

O PECADO — ESTUDO —003 — A QUEDA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 2

O PECADO — ESTUDO —004 — A QUEDA PROPRIAMENTE DITA — UMA INTERPRETAÇÃO DE GÊNESIS 3 — PARTE 3 — FINAL

O PECADO — ESTUDO 005 — A VERDADEIRA LIBERDADE

O PECADO — ESTUDO 006 — PECADO E LIVRE ARBÍTRIO

O PECADO — ESTUDO 007 — A BÍBLIA E O PELAGIANISMO

O PECADO — ESTUDO 008 — O PECADO E A SOBERANIA DE DEUS

O PECADO — ESTUDO 009 — HISTÓRIA E QUEDA

O PECADO — ESTUDOS 010 E 011 — O PECADO ORGINAL E A DEPRAVAÇÃO TOTAL

O PECADO — ESTUDOS 012 — PECADO E A GRAÇA DE DEUS

O PECADO — ESTUDOS 013ª — PECADO E  O CASTIGO PARTE A

O PECADO — ESTUDOS 013B — PECADO E O CASTIGO PARTE B — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 001

O PECADO — ESTUDOS 013C — PECADO E O CASTIGO PARTE C — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 002

O PECADO — ESTUDOS 013D — PECADO E O CASTIGO PARTE D — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 003

O PECADO — ESTUDOS 013E — PECADO E O CASTIGO PARTE E — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 004

O PECADO — ESTUDOS 013F — PECADO E O CASTIGO PARTE F — JESUS NO GETSÊMANI — PARTE 005

O PECADO — ESTUDOS 014A — O PECADO PARA A MORTE — PARTE A — INTRODUÇÃO — QUESTÕES HERMENÊUTICAS

O PECADO — ESTUDOS 014B — O PECADO PARA A MORTE — PARTE B —DIFERENTES TIPOS DE PENAS E CASTIGOS PARA O PECADO IMPERDOÁVEL

O PECADO — ESTUDOS 014C — O PECADO PARA A MORTE — PARTE C —DIFERENTES TIPOS DE PESSOAS QUE PODEM COMETER O  PECADO IMPERDOÁVEL
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/um-estudo-sobre-o-pecado-parte-014_13.html

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Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

UM ESTUDO SOBRE O PECADO — PARTE 013B — PECADO E CASTIGO — PARTE B - JESUS NO GETSÊMANI - PARTE 001



Representação de Jesus no Getsêmani

Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

13B. Pecado e Castigo — PARTE B

CONTINUAÇÃO...

Começando com a oração de Jesus no Getsêmani, vamos nos deixar imergir no imaginário — o conjunto de símbolos e atributos de um povo, ou de determinado grupo social — do que foi aquela noite em que o Senhor foi preso e o dia seguinte quando Ele foi crucificado e morto. A Oração de Cristo no Jardim do Getsêmani — Marcos 14:32—42 e passagens paralelas — ver Mateus 26:36—46 e Lucas 22:39—46 — é a maior demonstração de quanto Jesus dependia da oração, além de ser o testemunho mais explícito do fato de que Jesus dependia de Deus como uma criança depende do Pai — Abba em aramaico.

Verso 32 - Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.

Onde ficava o Jardim do Getsêmani? Certamente ficava para os lados do riacho de Cedron — ver João 18:1 — e em algum lugar no Monte das Oliveiras — ver Lucas 22:39. Mas onde exatamente? Getsêmani quer dizer “lugar onde se espreme — extrai — óleo”. Hoje em dia existem três grupos religiosos que reivindicam o direito de controlar o que teria sido, no passado, o Jardim do Getsêmani. O Jardim dos Franciscanos, próximo à base do monte de oliveiras, é o primeiro acerca do qual se alega ser o lugar. Um pouco mais acima vamos encontrar o jardim dos Ortodoxos Russos que também alegam ser o lugar. Por último temos o Jardim controlado pelos Armênios, que fica no topo do Monte das Oliveiras. Independente de onde o Jardim do Getsêmani se encontrava nos dias de Jesus, certamente era um lugar ideal para se retirar, descansar, dormir e ensinar. Neste local Cristo acomoda oito dos discípulos...

Verso 33 — E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.

Através de outras passagens como Marcos 5:37 — a ressurreição da filha de Jairo — e Marcos 9:2 — a transfiguração — nós sabemos que Jesus tinha um grupo seleto de discípulos, que podemos chamar de grupo íntimo, que era composto por Pedro e pelos irmãos Tiago e João. Por que esse grupo existia e por que era composto desses três, pode apenas ser especulado. Certamente a idéia de que é pela boca de duas ou três testemunhas que se estabelece a verdade — ver Deuteronômio 19:15 e 1 Timóteo 5:19 — deve ser parte do todo. Pedro talvez fizesse parte dele devido à revelação que havia recebido de ser Jesus o Messias “o filho do Deus vivo” ver — Mateus 16:16; 19. João, como sabemos, era o “discípulo amado” — ver João 13:23; 19:26; 20:2; 21:7 e 10. E Tiago talvez fizesse parte deste grupo porque seria o primeiro entre os apóstolos a perder a vida por acreditar em Jesus — ver Atos 12:2. Mas como dissemos, estamos apenas especulando. Mas por que teria Jesus levado esses três junto com ele para um lugar ainda mais afastado para orar? Jesus era humano — ver Hebreus 4:15 — e como tal tinha necessidade de comer, beber, vestir-se, abrigar-se, dormir, bem como de comunhão fraterna. Jesus era 100% Divino e 100% humano, e podia escolher livremente, momento a momento, com qual das naturezas responderia aos desafios que tinha que enfrentar. Para o nosso conforto, nessa hora de extrema angústia, Jesus decide agir exclusivamente como homem. É por este motivo que lemos que Jesus é tomado então, por ἐκθαμβεῖσθαι ekthambeîsthai — sentir terror e ἀδημονεῖν ademoneîn — estar duramente perturbado, estar fragmentado — literalmente horrorizado. Além disso, Jesus se refere ao Seu estado emocional como sendo de Περίλυπός perílupós — estar cercado de tristeza ou dominado com pesar a ponto de a tristeza poder causar sua própria morte — ver verso 34.

Por este motivo, os tradutores sempre lutaram com esta passagem e a traduzem de diversas formas:

Almeida Revista e Atualizada: pavor e angustia

Bíblia na Linguagem de Hoje: tristeza e aflição*

Almeida Edição Contemporânea: pavor e angustia

Nova Versão Internacional: aflito e angustiado*

Almeida Corrigida e Revisada: pavor e angústia

A Bíblia de Jerusalém: pavor e angústia**

Nova Versão Fácil de Ler: angustiado e aflito*

Tradução Ecumênica: pavor e angústia**

Versão do Padre Antônio Pereira de Figueiredo: pavor e angustiar-se em extremo

A Bíblia Viva: profunda aflição e angústia*

Bíblia Alfalit: temor e angústia*

Tradução do Novo Mundo: atônito e muito aflito*

Versão de Cipriano de Valera em espanhol: “atemorizarse e angustiarse”

Versão de David Martin em francês: “effrayé et fort agite”

As traduções marcadas com asterisco são mais recentes. Note a tentativa de atenuar o sentido de pavor e horror substituindo-o por termos mais amenos! Mas nem todas as versões modernas atenuam o original. Estas estão marcadas com **.

Certamente essas palavras ecoam o —

Salmo 42:6—7

6  Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão, e no monte Hermom, e no outeiro de Mizar.

7  Um abismo chama outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.


Seis dias antes Ele já havia sentido uma angústia semelhante como descrito em —

João 12:27

Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.

Mas àquela angústia Ele adiciona, agora, o pavor. O profeta Isaías nos diz que Jesus era —

Isaías 53:3

Desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer.

Então temos que perguntar: Por que todo este pavor e angústia? Seria porque Jesus sabia que naquele mesmo instante Judas o estava traindo e que em breve chegaria trazendo os soldados para prendê-lo? Ou seria por que Cristo sabia que Pedro iria negá-lo e traí-lo, que o Sinédrio iria condená-lo, que Pilatos iria sentenciá-lo, que seus inimigos iriam ridicularizá-lo e que, por fim, os soldados iriam torturá-lo e crucificá-lo? Certamente todas estas coisas devem ser consideradas como parte do cenário total. Mas como veremos, à medida que formos continuando, o fato que apavorava e angustiava Jesus era que, sendo ele o mais sensível dos homens, se via sendo direcionado para um isolamento cada vez maior. Muitos já haviam desistido de segui-lo — João 6:66. Em breve, seus próprios discípulos iriam abandoná-lo — Marcos 14:50. Mas pior de tudo mesmo, era a compreensão que, começando naquele momento, Ele estava caminhando de modo inexorável — que não se move a rogos; não exorável; implacável, inabalável — para ser abandonado pelo próprio Pai — Αββα Abba. Na Cruz, na sua hora de maior angústia, Jesus nos revela o motivo do Seu pavor e da sua angústia ao clamar אֵלִי אֵלִי לָמָה עֲזַבְתָּנִי  Eloíy, Eloíy, lamáh `azabettâniy — Deus meu, Deus meu! Porque me desamparaste? — ou abandonaste? — Marcos 15:34. Novamente temos ecos do —
Salmo 42:9

Digo a Deus, minha rocha: por que te olvidaste de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?

Jesus percebia claramente a intensidade da onda da “ira de Deus” que em breve se abateria sobre ele. E essa onda era provocada pelos nossos pecados! A compreensão da satisfação requerida pelas ofensas feitas à majestade eterna de Deus que implicaria, em última instância, ser completamente abandonado pelo Pai, é o motivo principal para Jesus se expressar de maneira tão veemente, usando termos duros como “pavor e angústia”; ou tendo necessidade de ser diretamente auxiliado por um anjo —

Lucas 22:43

Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.

ou suando gotas de sangue —

Lucas 22:44

E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.

ou orando fervorosamente ao Pai —

Marcos 14:35—36

35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.

36 E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.

Os Salmos estão cheios de passagens que descrevem estes momentos. Vejamos algumas delas:

Salmos 18:4—5
Laços de morte me cercaram, torrentes de impiedade me impuseram terror. Cadeias infernais me cingiram, e tramas de morte me surpreenderam.

Salmos 42:7

Um abismo chama outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.

Salmos 55:4—5

Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim.

Salmos 69:1—3

Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até à alma. Estou atolado em profundo lamaçal, que não dá pé; estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge. Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus.

Salmos 88:3

Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte.

Salmos 116:3

Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza.

Certamente nosso Senhor foi muito bem descrito pelo profeta Isaías quando disse:
“Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso - Isaías 53:3”.

CONTINUA...

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