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domingo, 24 de maio de 2015

EFÉSIOS - SERMÃO 016 – NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO” - EFÉSIOS 2:13—18



Esse esboço de sermão é parte da série "Exposição da Epístola aos Efésios" e é muito recomendável que o leitor procure conhecer todos os aspectos das verdades contidas nessa exposição, com aplicações para os nossos dias. No final do artigo você encontrará um link para outros estudos dessa série.

EXPOSIÇÃO DA EPÍSTOLA DE PAULO AOS EFÉSIOS


Introdução.

A. Na última mensagem nós tivemos a oportunidade de estudar nossa terrível condição por estarmos distanciados de Deus. Nossa condição foi descrita como: conforme Efésios 2:12

1. Sem Cristo.

2. Separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças das promessas.

3. Não tendo esperança e sem Deus no mundo.

B. Da mesma maneira que a condição terrível da humanidade descrita em Efésios 2:1— 3 encontra sua solução em Deus — ver Efésios 2:4 que diz: “Mas Deus”.

C. Nossa terrível condição como descrita acima — ver Efésios 2:12 – também encontra sua solução em Deus através de Jesus Cristo — ver Efésios 2:13 que diz: “Mas, agora, em Cristo Jesus”.

D. O que Jesus Cristo fez a nosso favor foi nos aproximar:

1. Em primeiro lugar de Deus.

2. E em seguida Jesus nos aproxima uns dos outros.

E. O resultado direto dessa aproximação é descrito em Efésios 2:18 que diz: “porque, por ele i.e. por Jesus, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito”.

F. Portanto, hoje queremos falar da 

NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

Introdução – Efésios 1:13—14.

A. Da mesma maneira que a expressão “alienados” servia para caracterizar muito bem nossa condição “sem Cristo”, a expressão “aproximados” é excelente para caracterizar nossa nova condição “em Cristo” —
Efésios 2:13

Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.

B. Esta aproximação é feita através de dois eventos que têm lugar em dois momentos distintos:

Efésios 2:14
Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade

1. O primeiro é a morte de Jesus na Cruz do calvário.

2. O segundo é representado por aquele momento em que depositamos nossa fé “em Cristo”. O momento da nossa conversão.

C. Temos que enfatizar que esta aproximação não é universal e automática. As pessoas precisam ouvir a mensagem da salvação através de Jesus e tomar suas decisões.

D. Só podemos nos aproximar de Deus e uns dos outros de verdade, porque Jesus derrubou todas as paredes que faziam separação e que eram caracterizadas como: INIMIZADE — ver 

Efésios 2:14.

E. Vejamos exatamente o que Jesus fez para acabar com a inimizade entre judeus e gentios e entre os seres humano e Deus.

I. A Abolição da Lei dos Mandamentos na Forma de Ordenanças – Efésios 2:15.

A. A expressão “Lei dos Mandamentos na Forma de Ordenanças” diz respeito tanto à Lei Cerimonial quanto à Lei Moral dadas por Deus através de Moisés.

B. A Lei Cerimonial é aquela que diz respeito a:

1. Sacrifícios de animais, alimentos e bebidas.

2. Regras envolvendo práticas de determinadas dietas alimentares.

3. Rituais acerca de purificação e limpeza envolvendo os conceitos de “puro e impuro”.

C. Como tal, essta Lei Cerimonial foi completamente abolida pela obra realizada pelo Senhor Jesus. De acordo com o autor da Epístola aos Hebreus todo o serviço da Antiga Aliança não passava de figura e sombra do verdadeiro serviço. É somente “em Cristo” que encontramos a realidade. Tudo o que veio antes era apenas “sombra”.

Hebreus 8:5

Os quais ministram em figura e sombra das coisas celestes, assim como foi Moisés divinamente instruído, quando estava para construir o tabernáculo; pois diz ele: Vê que faças todas as coisas de acordo com o modelo que te foi mostrado no monte.

Hebreus 10:1

Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem.

D. A Lei Moral é aquela que envolve os Dez Mandamentos, por exemplo, bem como todos os outros mandamentos que possuem implicações éticas e de comportamento social.

E. Esta Lei Moral em si foi refocalizada no Novo testamento assumindo uma dimensão bem mais abrangente por um lado e bem menos castradora por outro. Então, com relação à Lei Moral, o que exatamente Jesus aboliu? Jesus aboliu as consequências nefastas da desobediência a esta Lei. Aqui precisamos entender que:

1. Durante os dias da Antiga Aliança Deus disse ao povo de Israel que eles deveriam viver de acordo com os mandamentos que Ele havia outorgado através de Moisés.

2. Qualquer um que conseguisse viver de acordo com os mandamentos durante toda sua vida seria capaz de salvar-se a si mesmo. É óbvio que tal empreitada era impossível. Então como as pessoas poderiam ser salvas?

3. Para acertar as coisas quando alguém transgredisse a qualquer dos mandamentos, Deus supriu a Lei Cerimonial com seus respectivos sacrifícios.

4. Toda aquela estrutura do Antigo Testamento com suas leis e tudo o mais aprontava diretamente para a vinda do Senhor Jesus que viria:

a. Cumprir de maneira perfeita e irrepreensível o todo da Lei Moral.

b. Dar plena satisfação à exigências da Lei Cerimonial.

F. É neste sentido que Jesus aboliu a “Lei dos Mandamentos em Forma de Ordenanças” —

Colossenses 2:13—15

13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;

14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz;

15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

G. É desta maneira que somos aproximados de Deus.

II. A Criação de Uma Nova Humanidade – Efésios 2:15—16.

A. Apesar de Paulo usar a expressão “um novo homem” no singular, sua intenção era indicar uma nova humanidade conforme podemos ver em Efésios 4:13.

B. Mas Cristo não nos proporciona apenas uma aproximação entre judeus e gentios. A obra de Jesus sobre a cruz também aboliu todas as distinções sociais, bem como aquelas relativas ao gênero sexual:

Gálatas 3:28

Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.

Colossenses 3:11

No qual não pode haver grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, escravo, livre; porém Cristo é tudo em todos.

C. Em Cristo todos os seres humanos a quem Deus concedeu a nova vida, estão realmente unidos em uma nova humanidade.

D. O final de Efésios 2:16 diz que Jesus destruiu a inimizade. Isto que dizer que, de agora em diante, nós temos...

III. O Anúncio da Mensagem de Paz — Efésios 2:17.

A. A paz que podemos desfrutar com Deus e uns com os outros teve um alto preço: a morte de Jesus Cristo sobre a cruz do Calvário. Note com a palavra paz está interligada com a pessoa de Jesus nestes versículos:

Efésios 2:14

Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos fez um; e, tendo derribado a parede da separação que estava no meio, a inimizade,

Efésios 2:15

Aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz.

Efésios 2:17

E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto.

B. A consequência maior de todo este trabalho de pacificação é: Todos os crentes possuem acesso irrestrito a Deus o Pai —

Efésios 3:12

Pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.

Conclusão:

A. Se existe uma verdade que temos que enfatizar sempre e sempre é essa: Jesus abriu um vivo e novo caminho diretamente à presença de Deus para todas as pessoas —

Hebreus 10:19—20

19 Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus,

20 pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne.

Acesso direto. Sem intermediários. Sem pedágio. Jesus nos garante acesso à presença do Pai pelo poder do Espírito Santo. Algo mais trinitário é impossível!

B. Devemos meus irmãos e irmãs, nos apropriar de cada um e de todos os benefícios que são nossos porque estamos “em Cristo”. Comecemos a observar em nossas leituras do Novo Testamento todas as vezes que a expressão “em Cristo” aparece e notemos que privilégio está ali mencionado. Tudo o que encontrarmos é nosso por direito, porque estamos “em Cristo”.

C. Neste mundo tão dividido em que vivemos precisamos de modo urgente nos despir de todos os preconceitos:

1. Dos preconceitos machistas que relegam nossas irmãs a cidadãs de segunda classe do reino de Deus.

2. Dos preconceitos sexuais que discriminam contra todos aqueles que não são estritamente heterossexuais. Fornicadores e adúlteros heterossexuais são tão culpados diante de Deus quanto aqueles que se envolvem em práticas homossexuais ou bissexuais sejam passivos ou ativos. Todos precisam ser tratados de igual forma pela Igreja do Senhor: com amor. 

3. Dos preconceitos sociais que causam profundos abismos entre pessoas de classes sociais diferentes, entre pessoas de níveis culturais diferentes e entre pessoas que possuem cor de pele diferentes.

4. Nossa comunhão deve ser exemplo para toda a sociedade. Aqui, todos precisam ser bem recebidos porque esse deve ser um local de cura e de aceitação. Somos todos pecadores de um tipo ou de outro. Somente quando somos confrontados pela Palavra de Deus de maneira amorosa e firme é que podemos realmente experimentar profunda transformação através da graça de Deus e do poder do Espírito Santo.

5. Nosso Deus através de Jesus Cristo é capaz de perdoar todos os pecados. Nós também precisamos aprender a ser compassivos como Deus mesmo é.  

D. Em Efésios 6:15 o apóstolo Paulo nos exorta da seguinte maneira: “Calçai os pés com a preparação do evangelho da paz”. Estas palavras querem dizer que devemos estar sempre prontos a levar as Boas Novas do evangelho a todas as pessoas. Que possamos fazer isso mesmo. Que sejamos sempre portadores das Boas Novas de paz com Deus e uns aos outros através de Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo.

Que Deus nos abençoe a todos enquanto nos empenhamos em viver as realidades da nossa nova humanidade em Cristo.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE NA EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

ALGUNS ASPECTOS DAS INSONDÁVEIS RIQUEZAS DE CRISTO COMO APRESENTADAS EM EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:1—2 — SERMÃO 001 — INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA AOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 1:3—14 — SERMÃO 002 — TODA SORTE DE BÊNÇÃO ESPIRITUAL

EFÉSIOS 1:4—6 — SERMÃO 003 —A BÊNÇÃO DA NOSSA ELEIÇÃO POR DEUS

EFÉSIOS 1:7—8 — SERMÃO 004 —A BÊNÇÃO DA NOSSA REDENÇÃO

EFÉSIOS 1:9—10 — SERMÃO 005 —A BÊNÇÃO DA UNIFICAÇÃO DE TODAS AS COISAS EM CRISTO

EFÉSIOS 1:11—14 — SERMÃO 006 — A BÊNÇÃO DE DEUS EM PERSPECTIVA

EFÉSIOS 1:15—16— SERMÃO OO7 — A IMPORTÂNCIA DA FÉ E DO AMOR

EFÉSIOS 1:16—17 — SERMÃO OO8 — A IMPORTÂNCIA DO ESPÍRITO SANTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO OO9 — A ESPERANÇA DO SEU CHAMAMENTO EM NOSSAS VIDAS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O10 — A RIQUEZA DA GLÓRIA DA SUA HERANÇA NOS SANTOS

EFÉSIOS 1:18—21 — SERMÃO O11 — A SUPREMA RIQUEZA DO SEU PODER

EFÉSIOS 1:22—23 — SERMÃO O12 — A IGREJA E CRISTO COMO PLENITUDE

EFÉSIOS 2:1—3 — SERMÃO O13 — A CONDIÇÃO DO SER HUMANO SEM DEUS

EFÉSIOS 2:4—10 — SERMÃO 014 — A CONDIÇÃO HUMANA  PELA GRAÇA DE DEUS

O QUE DEUS FEZ POR NÓS — SALVAÇÃO

PARA O QUE DEUS NOS SALVOU?

EFÉSIOS 2:11—12 — SERMÃO 015 — NOSSA PRECÁRIA CONDIÇÃO ANTES DE CRISTO VIR AO MUNDO

A VERDADEIRA CIRCUNCISÃO E O VERDADEIRO BATISMO

EFÉSIOS 2:13—18 — SERMÃO 016 — NOSSA NOVA CONDIÇÃO “EM CRISTO”

EFÉSIOS 2:19—22 — SERMÃO 017 — A IGREJA COMO CIDADÃOS, FAMÍLIA E TEMPLO

EFÉSIOS 3:1—7 — SERMÃO 018 — A REVELAÇÃO DO MISTÉRIO DE DEUS

EFÉSIOS 3:8—13 — SERMÃO 019 — PAULO COMO INSTRUMENTO DE DEUS

EFÉSIOS 3:1—13 — SERMÃO 020 — A RELEVÂNCIA DA IGREJA

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 021 — A PATERNIDADE DE DEUS AO QUAL ORAMOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 022 — A ORAÇÃO DE PAULO A FAVOR DOS EFÉSIOS

EFÉSIOS 3:14—21 — SERMÃO 023 — A GLÓRIA DEVIDA A DEUS

EFÉSIOS 4:1—3 — SERMÃO 024 — A UNIDADE DA IGREJA

EFÉSIOS 4:4—6 — SERMÃO 025 — A IGREJA É UNA PORQUE DEUS É UM

EFÉSIOS 4:7—10 — SERMÃO 026 — UNIDADE EM MEIO A DIVERSIDADE



EFÉSIOS 4:11 — SERMÃO 027 — OS DONS DE EDIFICAÇÃO DA IGREJA

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.     

sábado, 6 de setembro de 2014

RENASCIMENTO DA FÉ CRISTÃ NA ÍNDIA



O artigo abaixo foi publicado pela revista Cristianismo Hoje e é da autoria de Tim Stafford.

Novo nascimento espiritual

Cristianismo cresce entre as classes menos favorecidas da Índia e já influencia outros setores da sociedade.

Escrito por  Tim Stafford

Shivamma está descalça; seu sári é simples e seu corpo, esquelético. Sua casa foi construída dentro de um tubo de captação de água pluvial, descartado pela fábrica onde ela e o marido trabalham. A vizinhança, escondida num enorme pátio arborizado, é composta por canos imensos, perfilados como se fossem traillers. A família da Shivamma, composta por quatro pessoas, vive na Índia. Apesar de ela ser oriunda da casta dalit, sua vida melhorou depois que ela abraçou a fé cristã. Ela veio morar na vila de tubos como uma jovem noiva, buscando escapar da miséria de sua vila natal. Shivamma e seu marido ganham o equivalente a US$ 5 dólares (uns 11 reais) por dia. Por três anos, ela permaneceu estéril – até que um jovem cristão, chamado Bangarraju, veio à sua casa orar por ela: “Eu não sabia porque ele tinha vindo ou para quem ele orava”, lembra a mulher. “Pensei que Jesus fosse um dos deuses”. Ela concebeu, dando à luz a um filho e, depois, a uma segunda criança, uma menina. Quando sua filha tinha três meses de idade, ficou muito doente. Bangarraju veio, orou novamente, e a garota foi curada. “Dei-me conta de que Jesus era o Deus verdadeiro”, diz Shivamma. A conversão mudou a rotina da pobre família. “Costumávamos beber e todos os dias tínhamos brigas terríveis. Jesus Cristo trouxe paz à nossa casa. Não tenho mais medo porque conheço o verdadeiro Deus e confio nele”, declara.

É provável que Shivamma não tenha noção disso, mas pessoas como ela são a cara da nova Índia cristã. Potência emergente e um dos principais pólos de atração de investimentos internacionais, o país, de mais de 1 bilhão de habitantes, tem visto surgirem comunidades cristãs vibrantes e crescentes. Elas são parte de uma Igreja totalmente nacional, contextualizada com a cultura local e fruto de evangelismo autóctone. A recém-criada Índia cristã é encontrada na camada mais baixa da sociedade, em meio a homens e mulheres como Shivamma, pobres e analfabetos. Eles pensam de uma forma inimaginável para seus ancestrais e muitos estão seguindo a Cristo, fato inédito na história do país. Ser um dalit é muito pior do que ser pobre, pois não importa quanta educação ou patrimônio acumule, o indivíduo permanece impuro. Eles são cerca de 150 milhões de pessoas, e, como os leprosos bíblicos, exceto pelo fato de que, conforme a cultura indiana dominante, não podem ser curados. Contudo, muito embora descenda de gerações de pessoas acostumadas a se curvar e a resignar-se com a invisibilidade social, Shivamma não se humilha mais.



Bangarraju também é um dalit. Missionário e fundador de igrejas, ele começou a alcançar a vila dos tubos em 1996. Ensinava crianças analfabetas numa escola informal, que se reunia debaixo de uma árvore. Além disso, o obreiro organizava visitas médicas, com o apoio da missão que o sustenta, a Operação Mobilização. Durante o seu primeiro ano de visitas à vila, Bangarraju nada disse sobre Jesus. Agora, uma grande parcela da vila de tubos segue a Cristo. Com o passar dos anos, o missionário fez mais do que pregar o Evangelho: ele ensinou Shivamma e seu marido a disciplina necessária para economizar dinheiro. Como resultado, o casal conseguiu comprar uma casa em sua vila natal. Considerando o futuro próximo, Shivamma está feliz morando em seu tubo, sem ter de pagar aluguel. Ainda assim, ela tem sonhos maiores para seus filhos: a educação que nem ela ou seu marido receberam. Por isso, está decidida a fazer com que as crianças aprendam inglês e saiam da vila de tubos. “Não queremos que eles sofram como nós sofremos”, resume.

OPORTUNIDADES


A igreja da Índia cresce de maneira vertiginosa. Hoje, cerca de 70 milhões de indianos declaram-se evangélicos, segundo dados da missão Operação Mundial. Tal número, se verdadeiro, a colocaria entre as oito maiores populações cristãs do mundo, logo atrás de Filipinas e Nigéria, e maior do que em nações de forte tradição protestante, como Alemanha ou Reino Unido. Só que, diferentemente dos irmãos de fé em outros países, os crentes da Índia vivem num contexto espiritual bem próprio e hostil – o panteão hindu tem quase 300 milhões de deuses e há grupos religiosos extremistas atuando no país. Quando fundamentalistas hindus venceram as eleições nacionais em 1998, trouxeram com eles um hinduísmo radical que fomentou perseguição aos cristãos e leis contrárias à conversão. O evangelismo público tornou-se praticamente impossível. Missionários indianos, então, deixaram as pregações e reuniões nas ruas, estabelecendo-se e em lugares específicos com o intuito de abrir escolas, oferecer desenvolvimento econômico e treinamento, bem como implantar igrejas domésticas. Dez anos depois, na região de Orissa, confrontos religiosos deixaram mais de mil cristãos mortos e aldeias inteiramente destruídas. Grupos radicais de orientação hinduísta, maoísta e muçulmana costumam perseguir as comunidades cristãs, muitas vezes com a complacência das autoridades.

Mesmo assim, oportunidades para espalhar as boas novas do Evangelho parecem estar em todo lugar. Outra organização missionária, a Operação Mundial contabiliza 2.223 grupos ainda não evangelizados na Índia, cinco vezes mais do que na China, a segunda nação menos alcançada do mundo. “Índia, Afeganistão e Paquistão formam a maior concentração da humanidade não alcançada do mundo”, afirma Jason Mandryk, ligado à entidade. Contudo, por toda a vasta nação, relatos sobre conversões a Cristo se sucedem. A Operação Mobilização, uma das maiores agências missionárias que atuam no país, cresceu a ponto de abranger 3 mil congregações, das quais trezentas surgiram na última década. Certo ministério, com base em um hospital no norte da Índia, testemunhou 8 mil batismos ao longo dos últimos cinco anos, após um longo período de poucos resultados na pregação. As detalhadas estatísticas da agência missionária mostram que a Igreja cristã está crescendo a uma taxa três vezes maior do que a população hindu da Índia.
“Isso é algo novo nos últimos dez anos, especialmente no norte da Índia”, avalia Todd Johnson, diretor do Centro para o Estudo do Cristianismo Global do Seminário Teológico Gordon-Conwell. Ele adota estatísticas mais modestas em relação à quantidade de cristãos no país. O Atlas do Cristianismo Global, editado pelo centro, estima que eles seriam perto de 60 milhões. A diferença, contudo, pode ser explicada pela metodologia de contagem. É que muita gente está frequentando comunidades religiosas independentes e outros, embora convertidos ao Evangelho, não revelam abertamente sua condição, devido ao temor de represálias e supressão de direitos familiares ou sociais.  O censo indiano de 2001 colocou os cristãos como representando um pouco mais do que 2% da população do país. Contudo, atualmente a Operação Mundial estima esse número próximo de 6%, e aponta que pesquisadores cristãos na Índia encontram resultados ainda maiores, alcançando nove por cento. “Inúmeros cristãos indianos dizem que portas fechadas por séculos estão se abrindo”, destaca Johnson.

Em uma nação com território de proporções continentais e habitada por centenas de grupos étnicos, é difícil ter certeza sobre essas tendências. As estatísticas sobre religião são poucas, e os relatórios de organizações missionárias podem refletir apenas condições locais. Mesmo assim, a mudança no panorama religioso na índia é perceptível. “Situações animadoras estão acontecendo. Isso é real”, comemora Johnson. “Nossa metodologia é esperar para ver e fazer nosso melhor para identificar esse movimento. Porém, o que está ocorrendo é notável. Todo mundo concorda com isso”. Mandryk lembra que os resultados mais notáveis são observados justamente na base da pirâmide social. “Todos sabem sobre o incrível reavivamento entre os dalits. Esse foi o maior crescimento nos últimos anos”, comenta. Contudo, a influência já se faz sentir em outros setores da sociedade.  “Agora, vemos sinais de crescimento entre as castas médias e entre aquelas pessoas com menos de 35 anos. Existe uma nova dinâmica em curso entre a geração urbana e educada, e também nas castas mais altas.”

Embora as taxas de crescimento da Igreja não tenham atingido o mesmo nível daquelas observadas na China, durante o pico das décadas de 1970 e 80, Mandryk acredita que ele pode ser acelerado.  “Está ocorrendo uma mudança de marcha e o movimento começa a ganhar velocidade. A diversidade de castas, regiões e contextos é um fator importante. O crescimento da igreja não está mais restrito aos miseráveis.”

“MENSAGEM DE LIBERTAÇÃO”



Inquestionavelmente, a Índia está no meio de rápidas mudanças econômicas e sociais. Essas mudanças contribuem para quebrar tradições religiosas, especialmente o sistema indiano de castas. “O hinduísmo é uma ferramenta para nos oprimir”, diz T.V. Joy, um plantador de igrejas no norte da Índia: “E o Evangelho é uma mensagem de libertação, não apenas para o céu. Ele tem palavras de liberdade. A verdade é que Deus fez o homem à sua imagem”. Essa verdade, afirma Joy, enfraquece as concepções tradicionais sobre as castas. Entre 70% e 90% dos cristãos na Índia são dalits. Quando se convertem, eles reforçam a imagem do cristianismo como uma religião digna de desprezo por parte dos demais grupos – como os brâmanes, a elite religiosa, e os militares, proprietários rurais e trabalhadores, que ocupam as outras castas. Embora o governo, oficialmente, tenha suprimido esse sistema social, a discriminação também existe entre os cristãos. “Na teoria, sermos todos um em Cristo está correto, porém na prática isso não é verdade”, atesta diz Y. Moses, uma ativista dalit.

A maioria dos cristãos indianos afirma que suas igrejas enfrentam grandes desafios.  Materialismo, discriminação, disputas entre as lideranças e uma fé desinteressada são males evidentes. Porém, quando instados sobre a razão de os indianos estarem indo a Cristo em números impressionantes, líderes apontam o trabalho do Espírito Santo. Então, eles mencionam fatores críticos que enfraquecem crenças hindus tradicionais, deixando os indianos mais abertos à mudanças. Um deles é o crescimento urbano. Na Índia, 43 cidades têm mais de um milhão de habitantes, e grandes aglomerados como Calcutá, Mumbai e Nova Déli, passam de dez milhões. As cidades apresentam grande fluidez social – pessoas de todas as classes se misturam e as castas se tornam menos importantes. O preconceito permanece, porém é mais sutil, e assim pessoas menos favorecidas podem ascender socialmente.

Outro aspecto favorável é a ênfase cristã na educação. Agências missionárias têm montado projetos de formação profissional, ensino médio e de inglês, inclusive nas vilas rurais. O setor de serviços também está crescendo rapidamente. Um pastor cristão no norte da Índia, por exemplo, forma técnicos em manutenção de aparelhos de ar-condicionado. E os formados, praticamente todos oriundos das castas mais baixas, conseguem empregos nas novas empresas, mais interessadas na eficiência do que na origem social dos funcionários. “Os missionários democratizaram a educação”, diz o advogado dalit A. Maria. De fato, muitas das melhores escolas da Índia são instituições cristãs privadas fundadas por missionários, algumas remanescentes do período colonial britânico. Como era de se esperar, estudantes abastados (e, consequentemente, de castas mais prestigiadas) procuram essas escolas, tendo contato com outro tipo de abordagem religiosa.

A consolidação da democracia, por outro lado, também mostra a crescente influência cristã. O pleito parlamentar de 2009 registrou um recorde de 60% de comparecimento às urnas entre os mais de 700 milhões de eleitores. Algumas regiões cristãs testemunharam uma enorme frequência. Por exemplo, Nagaland, no nordeste da Índia, que concentra uma alta taxa de cristãos, registrou um recorde de 90% de comparecimento. O ingresso de obreiros no país também está mais fácil. A Índia havia parado de conceder vistos a missionários vindos do exterior nos anos 1950. Isso aniquilou escolas e hospitais cristãos, que dependiam de capacitação estrangeira. Contudo, gradualmente, o número de agências missionárias indianas tem crescido. Em 1971, havia menos de 20 delas; hoje existem, no mínimo, duzentas. A Operação Mundial conta com mais de 80 mil missionários indianos, a maioria servindo em um ambiente transcultural.

“Deus nos chamou para plantar igrejas”, diz Alfy Franks, da Operação Mobilização. No entanto, a instalação de novas congregações cristãs, em geral, é combinada com outras atividades, como fornecimento de microcrédito, educação e assistência médica. Na Índia, a veneração a uma infinidade de deuses e o ambiente favorece o misticismo – portanto, uma abordagem puramente espiritual não passa necessariamente a mensagem certa. Por meio do desenvolvimento comunitário, os missionários indianos demonstram que Jesus é mais do que apenas mais um deus a ser adorado. Ele é o Senhor que transforma vidas. Para os indianos que sofrem com a opressão espiritual ou com a pobreza – sem dúvida, indianos de todas as castas –, essa mensagem de transformação fala poderosamente.

O artigo original da Cristianismo Hoje poderá ser visto por meio desse link aqui:


OUTROS ARTIGOS ACERCA DA IGREJA PERSEGUIDA















Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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