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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

DEVEMOS GUARDAR QUALQUER PARTE DA LEI DO ANTIGO TESTAMENTO?



O artigo abaixo foi publicado pelo site REFORMA 21 e é de autoria de TIM KELLER

A Lei do Antigo Testamento e a acusação de incoerência

POR TIM KELLER

Acho frustrante quando leio ou ouço colunistas, especialistas ou jornalistas acusando cristãos de incoerência porque “selecionam e escolhem quais regras da Bíblia obedecer”. O que ouço com mais frequência é que “cristãos ignoram muitos textos do Antigo Testamento – sobre não comer carne crua ou carne de porco ou de marisco, executar pessoas por violarem o sábado, não usar peças de roupas tecidas com dois tipos de material e assim por diante. E em seguida, eles condenam a homossexualidade. Vocês não estão simplesmente escolhendo o que querem acreditar na Bíblia?”.

Não é que eu espero que todos tenham a capacidade de compreensão de que a Bíblia inteira é sobre Jesus e o plano de Deus para redimir o seu povo, mas espero em vão que um dia alguém se aproxime do senso comum (ou pelo menos consulte um conselheiro teológico informado) antes de levantar acusação de incoerência.

Em primeiro lugar, vamos deixar claro que não é apenas o Velho Testamento que possui proscrições sobre a homossexualidade. O Novo Testamento também tem muito a dizer sobre isso. Até Jesus diz em sua argumentação sobre o divórcio em Mateus 19.3-12 que o projeto original de Deus era que um homem e uma mulher se unissem como uma só carne, e na falta disto (v. 12) as pessoas devem abster-se de casamento e do sexo.

No entanto, vamos voltar a grande questão de incoerência em relação às coisas mencionadas no AT que não são mais praticadas pelo povo de Deus do Novo Testamento. Muitos dos cristãos não sabem o que dizer quando confrontados sobre isso. Segue um breve rumo sobre a relação do Antigo Testamento com o Novo Testamento:

O Antigo Testamento dedica uma boa parte do seu espaço para descrever os vários sacrifícios que deveriam ser oferecidos no tabernáculo (mais tarde, no templo) para reparar o pecado, de modo que os fiéis poderiam se aproximar do Deus santo. Como parte desse sistema sacrificial, havia também um conjunto complexo de regras para o asseio e pureza cerimonial. Você só poderia se aproximar de Deus em adoração se tivesse comido certos alimentos, vestisse de certas formas, se abstivesse de tocar uma variedade de objetos, e assim por diante. Isso transmitia vividamente, vez após outra, que os seres humanos são espiritualmente impuros e não podem ir à presença de Deus sem purificação.

Mesmo no Antigo Testamento, muitos escritores deram a entender que os sacrifícios e as regras do templo de adoração apontavam para algo além deles. (cf. 1 Samuel 15.21-22, Salmos 50.12-15; 51.17; Oséias 6.6). Quando Cristo apareceu, ele declarou “puros” todos os alimentos (Marcos 7.19) e ignorou as leis de pureza do Antigo Testamento tocando aos leprosos e mortos.

O motivo ficou claro. Quando ele morreu na cruz o véu do templo se rasgou, mostrando que a necessidade de todo sistema sacrificial com as suas leis de pureza haviam terminado ali. Jesus é o sacrifício definitivo pelo pecado e agora Jesus nos faz “puros”.

Todo o livro de Hebreus explica que as leis cerimoniais do Antigo Testamento não foram tão abolidas quanto foram cumpridas por Cristo. Sempre que oramos “no nome de Jesus”, temos “plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus”. (Hebreus 10.19). Seria, portanto, profundamente incompatível com o ensinamento da Bíblia como um todo se continuássemos a seguir as leis cerimoniais.

O Novo Testamento nos dá mais orientações sobre como ler o Antigo Testamento. Paulo deixa claro em passagens como Romanos 13.8 que os apóstolos entenderam que a lei moral do Antigo Testamento ainda se vincula a nós. Em suma, a vinda de Cristo mudou a forma como adoramos, mas não o modo como vivemos. A lei moral é um esboço do próprio Deus o seu caráter – sua integridade, amor e fidelidade. E assim tudo o que Antigo Testamento fala sobre amar o nosso próximo, cuidar do pobre, generosidade com nossas posses, as relações sociais e o compromisso com nossa família, ainda está em vigor. O Novo Testamento continua a proibir matar ou cometer adultério, e toda ética sexual do Antigo Testamento é reafirmado através do Novo Testamento (Mateus 5.27-30, 1 Coríntios 6.9-20; 1 Timóteo 1.8-11.) Se o Novo Testamento tem reafirmado um mandamento, então ele ainda está em vigor para nós hoje.

Além disso, o Novo Testamento explica outra mudança entre os Testamentos. Pecados continuam sendo pecados, mas as penalidades mudam. No Antigo Testamento, coisas como adultério ou incesto eram passíveis de serem punidas com sanções civis, como a execução. Isto porque naquela época o povo de Deus existia sob a forma de um Estado-nação, então todos os pecados tinham penalidades civis.

Mas no Novo Testamento o povo de Deus é um conjunto de igrejas em todo o mundo, vivendo sob muitos governos diferentes. A igreja não é um governo civil, então os pecados são tratados pela exortação e, na pior das hipóteses, a exclusão da membresia. Isto é como o caso de incesto na igreja de Corinto foi tratado por Paulo (1 Coríntios 5.1 e 2 Coríntios 2.7-11). Por que essa mudança? Em Cristo, o evangelho não se limita a uma única nação – foi liberado para todas as culturas e povos.

Uma vez que você admite a principal premissa da Bíblia – sobre o sublime significado de Cristo e sua salvação – todas as diversas partes da Bíblia fazem sentido. Por causa de Cristo, a lei cerimonial é revogada. Por causa de Cristo a Igreja deixou de ser um estado-nação impondo penalidades civis. E tudo se encaixa. No entanto, se você rejeita a ideia de Cristo como Filho de Deus e Salvador, então, é claro, a Bíblia é no máximo uma mistura contendo um pouco de inspiração e sabedoria, mas a maior parte teria que ser rejeitada como insensato ou falso.

Então, em que posição nos encontramos agora? Há apenas duas possibilidades. Se Cristo é Deus, então essa maneira de ler a Bíblia faz sentido e é perfeitamente coerente com sua premissa. A outra possibilidade é de você rejeitar a tese básica do cristianismo – você não acredita que Jesus é o Filho ressuscitado de Deus – e então a Bíblia não é um guia seguro para você sobre muita coisa. Mas a única coisa que você não pode realmente dizer com justiça é que os cristãos estão sendo incompatíveis com suas crenças por aceitarem as afirmações morais do Antigo Testamento e não praticarem outros.

Uma maneira de responder à acusação de incoerência pode ser fazendo uma contra pergunta: “Você está me pedindo para negar a essência da minha crença cristã?” Se for perguntado: “Por que você diz isso?” Você poderia responder: “Se eu acredito em Jesus como Filho ressurreto de Deus, eu não posso seguir todas as leis ‘limpas’ de dieta e prática, e eu não posso oferecer sacrifícios de animais. Isso seria negar o poder da morte de Cristo na cruz. Assim, quem realmente crê em Cristo deve seguir alguns textos do Antigo Testamento e outros não.”

Traduzido por Débora Batista

O artigo original poderá ser lido por meio desse link aqui:


O artigo não representa em sua totalidade, necessariamente, a opinião do Blog O Grande Diálogo.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.       

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

THOMAS WATSON: A ÚNICA COISA NECESSÁRIA – UM SERMÃO – PARTE 003



O material abaixo é parte de um sermão pregado por Thomas Watson que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: GraceGems.org

OEstandarteDeCristo.com

Tradução: Camila Rebeca Almeida

Revisão: William Teixeira

A Única Coisa Necessária Thomas Watson — PARTE 003

“Operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

CONTINUAÇÃO

II.

E assim eu prossigo ao uso de exortação, para persuadi-los todos nas entranhas de Cristo para estabelecerem-se nesta grande obra: “operar a sua salvação”. Amados, aqui está um gráfico para o céu, e eu gostaria de ter todos vocês neste terreno; mobilizem juntos todos os poderes de suas almas, nem Deus vos dê descanso até que tenhais “feito firme a vossa eleição”. Cristãos, vão ao trabalho; façam isto mais cedo, sinceramente, incessantemente. Busquem a salvação como em uma perseguição santa; outras coisas não passam de questões de conveniência, mas a salvação é uma questão de necessidade. Vocês devem fazer o trabalho que os Cristãos estão fazendo, ou vocês farão o trabalho que os demônios estão fazendo. Ó, vocês que ainda nunca tiveram um ponto nessa obra de salvação, comecem agora. A religião é um bom empreendimento, se for bem seguido. Tenha a certeza de que não há salvação sem labor. Mas aqui eu tenho que estabelecer um cuidado para evitar erros.
Embora nós não sejamos salvos sem trabalhar, ainda não [seremos salvos] por nosso trabalho. Nós não trabalhamos a salvação por meio de mérito. Belarmino disse: “Nossos méritos merecem o céu de dignidade”. Não, apesar de sermos salvos no uso dos meios, no entanto também pela graça — Efésios 2:5. Devemos arar e semear o solo, mas nenhuma colheita pode ser esperada sem a influência do sol, pois assim haveria trabalho, sem nenhuma colheita da salvação, se esperarmos [fazer isto] sem a luz do sol da graça: “É Agradou ao Pai dar-vos o Reino” (Lucas 12:32). Dar? Por que, talvez alguns dizem, temos trabalhado duro para isso? Ai, mas o céu é uma dádiva, embora você trabalhe por ele, mas é o beneplácito de Deus que o concede. Ainda assim olhe para o mérito de Cristo, não é o seu suor, mas é o Seu sangue que salva. Que o seu trabalho não pode merecer a salvação está claro: “É Deus que opera em vós tanto o querer como o realizar” — ver. 13. Não é o seu trabalho, mas o co-trabalho de Deus. Porque, assim como o escrivão guia a mão da criança, pois ela não consegue escrever, assim o Espírito de Deus deve conceder Seu auxílio cooperador, ou o nosso trabalho fica estagnado. Como pode, então, qualquer mérito humano operar, quando é Deus que o ajuda a trabalhar?

Passarei agora, depois de ter estabelecido essa cautela, retomar a exortação, e persuadir você a operar sua salvação. Mas preciso primeiro remover duas objeções que se encontram no caminho.

Objeção 1. Você nos ordenou a operar a salvação, mas não temos o poder para o trabalho.

Resposta. É verdade, não temos poder, eu nego que temos a liberdade para operar. O homem antes da conversão está puramente passivo, pelo que a Escritura o chama de um coração de pedra — Ezequiel 36:26. Um homem, por natureza, não pode se preparar mais para a sua própria conversão do que a pedra pode preparar-se para o seu próprio amolecimento. Mas ainda assim, quando Deus começa a atrair, podemos segui-Lo. Aqueles ossos secos em Ezequiel não tinham vida em si mesmos, mas quando o espírito entrou neles, então “eles viveram, e se puseram em pé” — Ezequiel 37, 10.

Pergunta. Mas suponha que Deus não derramou um princípio de graça? Suponha que Ele não fez com que o fôlego entrasse?

Resposta. No entanto, use os meios. Embora você não possa trabalhar espiritualmente, contudo o pode fisicamente; faça o que você é capaz, e isso por duas razões.

1. Porque um homem por negligenciar os meios, pode destruir a si mesmo. É como um homem que não foi ao médico, pode-se dizer que ele foi a causa de sua própria morte.

2. Deus não está ausente conosco quando fazemos o que somos capazes. Urge a promessa: “Buscai e achareis” — Mateus 7:7. Coloque este vínculo no pedido por meio da oração; você diz que não tem poder, mas você não tem uma promessa? Aja tanto quanto puder. Embora eu não me atreva a dizer como o Arminiano, quando exercemos e impulsionamos a natureza, Deus é obrigado a dar Graça; mas digo isto, Deus não nega a Sua Graça aos que procuram. Não, eu vou dizer mais, Ele não nega Sua graça para ninguém, mas [somente] aos que voluntariamente a recusam — João 5:40.

Objeção 2. A segunda objeção é esta: Mas a que propósito devo trabalhar? Há um decreto passado, se Deus decretou que eu serei salvo, então serei salvo.

Resposta. Deus decreta a salvação em uma forma de trabalhar — 2 Tessalonicenses 2:13.

Orígenes, em seu livro contra Celso, observa um argumento sutil de alguns que disputavam a respeito de Predestinação e Destino. Alguém deu um conselho ao seu amigo doente para não ir para o médico, porque, disse ele, é designado pelo destino se tu deverás te recuperar ou não. Se é o teu destino se recuperar, então não precisas do médico e, se isto não for o teu destino, então, o médico não irá fazer-te nenhum bem. Semelhante falácia usa o Diabo com os homens, ele os convida a não trabalhar, se Deus decretou que eles serão salvos, eles serão salvos, e não há necessidade de trabalhar; se Ele não tem decretado a sua salvação, então o seu trabalho não lhes fará bem nenhum, este é um argumento tomado dos tópicos do Diabo. Mas nós dizemos, Deus decreta o fim no uso de meios. Deus decretou que Israel deveria entrar em Canaã, mas primeiro eles teriam que lutar com os filhos de Anaque. Deus decretou que Ezequias deveria se recuperar de sua doença, mas que ele colocasse uma pasta de figos como emplastro sobre a chaga — Isaías 38:21. Nós não argumentamos, assim, em outras coisas. Um homem não diz: “Se Deus decretou terei uma colheita este ano, vou ter uma colheita, para que eu preciso arar, ou semear, ou adubar a terra?” Não, ele usa os meios, e espera uma colheita. Embora “a bênção do Senhor é que enriquece” — Provérbios 10:22 — contudo é tão verdadeiro como, “a mão do diligente enriquece” — Provérbios 10:4. O Decreto de Deus é realizado pelo nosso trabalho.

E, tendo, assim, removidas essas objeções, deixe-me agora persuadi-lo a colocar-se sobre esta bendita obra, o trabalhar na vossa salvação, e para que minhas palavras possam prevalecer melhor, vou propor vários argumentos por meio de motivação para excitá-lo a este trabalho.

Argumento 1.

O primeiro argumento ou motivo para o trabalho é tomado a partir da preciosidade da alma; bem, que possamos tomar cuidado para que obtenhamos garantia contra esse perigo. A alma é uma centelha divina acesa pelo sopro de Deus. Ela supera a importância do mundo — Mateus 16:26. Se o mundo é o livro de Deus, como Orígenes chama, a alma é a imagem de Deus. Platão chama a alma de um espelho da Trindade. É um espelho brilhante em que alguns raios refratados de sabedoria e santidade de Deus resplandecem; a alma é uma flor da eternidade. Deus fez a alma capaz de comunhão com Ele. Seria a falência do mundo dar a metade do preço de uma alma. Quão altamente valiosa Cristo fez a alma quando ele Se vendeu para comprá-la? Ó, então, é digno de piedade que esta excelente alma — esta alma para a qual Deus convocou um conselho no céu, quando Ele a fez — deverá fracassar e ser desfeita por toda a eternidade? Quem não prefere trabalhar noite e dia a perder uma alma? A jóia é de valor inestimável, sua perda irreparável.

Argumento 2.

Atividade e engenho santos enobrecem um cristão. Quanto mais excelente qualquer coisa é, mais ativa. O sol é uma criatura gloriosa, ele nunca fica parado, mas percorre seu circuito ao redor do mundo. O fogo é o elemento mais puro e o mais ativo, que está sempre brilhando e flamejante. Os anjos são as criaturas mais nobres e mais ágeis, por isso eles são representados pelos querubins, com as asas ostentosas. O próprio Deus é — como os escolásticos falam — um ato mais puro: diz Homero de Agamenon, que ele tinha, por vezes, semelhança a Júpiter em aspecto, Pallas em sabedoria, Marte em valor; pela atividade santa que nos assemelhamos Deus, que é um ato mais puro. A Fênix voa com uma coroa em sua cabeça, o cristão diligente não quer uma coroa; seu suor o enobrece, seu trabalho é a sua insígnia de honra. Salomão nos diz que “a sonolência os faz vestir-se de trapos” — Provérbios 23:21. Infâmia é um dos trapos que pairam sobre ele, e Deus odeia um temperamento maçante. Lemos na lei, que o burro, não sendo de casco fendido, não deve ser oferecido em sacrifício. Atividade espiritual é uma medalha de honra.

Argumento 3.

Operar a salvação é o que fará com que a morte e o céu sejam doces para nós. Isto adoçará a morte. Aquele que tem estado a trabalhar arduamente durante todo o dia, quão tranquilamente ele dorme à noite? Vocês, que vêm trabalhando pela vossa salvação durante todas as suas vidas, quão confortavelmente vocês podem colocar sua cabeça durante a noite na sepultura, em cima de um travesseiro de poeira, na esperança de uma ressurreição gloriosa? Este será um leito de morte cordial. Isto adoçará o céu. Quanto maiores as dores que sofremos rumando para o céu, mais doce será quando chegarmos lá. É agradável para um homem olhar para seu trabalho e considerar seu fruto. Quando ele tem estado plantando árvores em seu pomar, ou a cultivar flores, é agradável de se ver e rever seus trabalhos. Assim no céu, quando veremos o fruto do nosso trabalho, “o fim da vossa fé, a salvação” — 1 Pedro 1:9 — isso fará com que o céu seja mais doce. Quanto maiores as dores que sofremos rumando para o céu, mais bem-vindas serão; quanto mais suor, mais doçura. Quando um homem pecou, o prazer se foi, e continua a ser ferroado, mas quando ele tem se arrependido, o labor se foi, e a alegria permanece.

Argumento 4.

Você ainda tem tempo para trabalhar. Este texto e o sermão seriam fora de época para pregar para os condenados no inferno. Se eu devesse lhes ordenar que trabalhassem, seria tarde demais, seu tempo é passado. É noite para os demônios, é ainda dia para você. Trabalhe enquanto é dia — João 9:4. Se vocês perderem o seu dia, vocês perdem as vossas almas. Esse é o tempo para as vossas almas. Agora Deus ordena, agora o Espírito sopra, agora os ministros suplicam, e como os muitos sonidos de Arão, devem tocar em suas almas para Cristo. Ó, melhore seu tempo! Este é o seu tempo de semeadura, agora semeie as sementes da fé e do arrependimento. Se quando você tem estações do ano, você não tem coração, o tempo pode vir quando você tem coração, mas lhe faltarão estações. Tome um tempo, enquanto você pode, o marinheiro iça as velas, enquanto o vento sopra. Nunca um povo teve um vendaval mais claro para o céu do que o desta cidade, e você não seguirá em frente na sua viagem? Que jornada há aqui neste prazo: eu vos garanto que o jurista não perderá o seu prazo. Ó meus irmãos, agora é o prazo para as vossas almas, agora suplique a Deus por misericórdia, ou pelo menos tenha a Cristo para interceder por você.

Pense seriamente nestas coisas.

[Razões para pensar seriamente nessas coisas]

1. Em primeiro lugar, a nossa vida desfaz-se rapidamente. Gregório compara nossa vida com o marinheiro em um navio que ia à plena vela, estamos todos os dias navegando em ritmo acelerado para a eternidade.

2. Em segundo lugar, as estações da Graça embora preciosas, não são permanentes. Misericórdias abusadas murcham, como a pomba de Noé, usam as suas asas e voam de nós. A hora dourada da Inglaterra acabará em breve, as bênçãos do Evangelho são muito doces, mas muito passageiras. “Agora isso está encoberto aos teus olhos” — Lucas 19:42. Não sabemos em quanto tempo o castiçal de ouro pode ser removido.

3. Em terceiro lugar, há um momento em que o Espírito tem feito esforços. Há certas marés da primavera do Espírito e estas sendo negligenciadas, possivelmente poderemos nunca ver outra maré vindo adentro. Quando a consciência fala, geralmente o Espírito tem feito força.

4. Em quarto lugar, a perda das oportunidades do Evangelho será o inferno do inferno. Quando um pecador deverá pensar no último dia consigo mesmo: “Ó, o que eu poderia ter sido! Eu poderia ter sido tão rico quanto os anjos, tão rico como o céu poderia me fazer. Tive uma estação para trabalhar, mas eu a perdi”. Isso, isso será como um abutre corroendo sobre ele, o que irá reforçar e acentuar a sua miséria. E que isto persuada vocês rapidamente operar a vossa salvação.

5. Em quinto lugar, você pode fazer este trabalho e não impedir o seu outro trabalho, operar a salvação em um chamado não é inconsistente. E isso eu insiro para prevenir uma objeção. Alguns podem dizer, mas se eu trabalhar tão duro para o céu, eu não terei tempo para o meu comércio. Não, certamente, o Deus sábio nunca faz qualquer coisa de suas ordens para interferir, como Ele deseja que você “busque primeiro o reino” — Mateus 6:33 — assim, ele gostaria que provesse para a sua família — 1 Timóteo 5:8 — você pode conduzir duas operações em conjunto. Eu não gosto daqueles que fazem a igreja excluir a loja, que tragam todo o seu tempo em ouvir, mas negligenciam o seu trabalho em casa — 2 Tessalonicenses 3:11. Eles são como os lírios do campo que não trabalham, nem fiam. Deus nunca selou um mandado de ociosidade. Ele ordena a ambos e elogia a diligência em uma vocação, o que pode encorajar-nos o bastante para cuidar da salvação, porque este trabalho não vai nos tirar o nosso outro trabalho. Um homem pode com Calebe, seguir a Deus completamente, — Números 14:24 — e ainda com Davi estar “após as ovelhas e suas crias” — Salmo 78:71. Piedade e diligência podem habitar juntas.

6. Em sexto lugar, a indesculpabilidade daqueles que negligenciam operar a sua salvação. Parece-me que eu ouço Deus contendendo o caso com os homens no Último Dia, desta maneira: “Por que vocês não trabalham? Eu dei-lhe tempo para trabalhar, eu dei-lhe luz para trabalhar, eu te dei meu Evangelho, meus ministros. Eu concedi talentos a você para o empreendimento, eu coloquei o galardão diante de você. Por que vocês não trabalharam para sua salvação?” Quer isto deva ser indolência ou teimosia. Houve algum trabalho vosso, que vós fizerdes com maior preocupação? Você poderia trabalhar com tijolo, mas não com o ouro. O que podeis dizer de vós mesmos o porquê a sentença não mudaria? Ó, como o pecador será deixado sem palavras em tal tempo, e como isso vai cortar-lhe o coração, o pensar com ele mesmo que negligenciou a salvação; e poderia dar qualquer razão para isso?

7. Em sétimo lugar, a miséria inexprimível de tais que não operam a salvação. Aqueles que dormem na primavera, deverão mendigar na colheita. Após a morte, quando buscarem receber uma colheita cheia de glória, eles serão colocados para mendigar, como mergulhar, por uma gota de água. Pessoas vagabundas que não trabalham são enviadas para a casa de correção. Os tais como não vão trabalhar pela sua salvação, que eles saibam: o inferno é a casa de correção de Deus e elas devem ser enviadas para lá.

8. Em oitavo lugar, se tudo isso não prevalecer, considere, o que é que estamos a operar. Ninguém terá dores por uma ninharia, estamos trabalhando por uma coroa, por um trono, por um paraíso, e tudo isso é compreendido em que uma palavra: “Salvação”, aqui está uma pedra de afiar para a diligência. Todos os homens desejam a salvação. É a coroa da nossa esperança, não devemos pensar que qualquer trabalho seja demasiado por isso. Pois os homens sofrerão dores por coroas e cetros terrenos! E suponha que todos os reinos do mundo fossem mais ilustres do que são — suas fundações de ouro, suas paredes de pérola, as janelas de safira — que seria tudo isso em relação ao Reino pelo qual estamos trabalhando? Podemos também abranger o firmamento, conforme estabelecido em todo o seu esplendor e magnificência. A salvação é uma coisa bela, está bem acima de nossos pensamentos, uma vez que está além dos nossos desertos. Ó, como isso deve adicionar asas aos nossos esforços! O comerciante se apressará através das zonas de intemperança de calor e frio por um pequeno prêmio. O soldado, por um espólio vultuoso, enfrentará a bala e espada, ele terá prazer em passar por uma primavera sangrenta por uma colheita dourada. Ó, então, quanto mais devemos gastar nosso santo suor por este prêmio abençoado da salvação!

CONTINUA...

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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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