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sexta-feira, 23 de junho de 2017

ESTUDO DA VIDA DE JESUS – PARTE 2 – ESTUDO 055 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — TESTEMUNHOS ACERCA DA VERDADEIRA LUZ


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Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, a vida do Senhor Jesus como apresentada nos quatro Evangelhos. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Jesus Confronta a Religião, a Sociedade e a Cultura.


II. O Prólogo do Evangelho de João — João 1:1—18 — Continuação

C. Exposição de João 1:1—18 — Continuação.

7. João 1:7—8 — Este veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz, a fim de todos virem a crer por intermédio dele. Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz — CONTINUAÇÃO.

Para que testificasse a respeito da luz — Os propósitos da vinda e da própria vida de João Batista estão bastante atrelados, como já temos podido observar, às profecias de Isaías e Malaquias. A expressão que estamos considerando agora — para que testificasse a respeito da Luz — não é uma exceção. Ela é reminiscente das palavras que encontramos em Isaías 60.

Nos dias do profeta Isaías a cidade de Jerusalém, na terra de Canaã, encontrava-se em uma situação de desarranjo, mas havia esperança como podemos notar pelos seguintes versículos:

Isaías 3:26

As suas portas chorarão e estarão de luto; Sião, desolada, se assentará em terra.

Isaías 52:1—2

Desperta, desperta, reveste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupagens formosas, ó Jerusalém, cidade santa; porque não mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo. Sacode-te do pó, levanta-te e toma assento, ó Jerusalém; solta-te das cadeias de teu pescoço, ó cativa filha de Sião.
  
É obvio, pelos ensinamentos do Novo Testamento, que a Jerusalém última e reluzente à que a Bíblia faz referência diz respeito à Jerusalém Celestial e não à Jerusalém terrestre na terra de Canaã —

Gálatas 4:21—27

21 Dizei-me vós, os que quereis estar sob a lei: acaso, não ouvis a lei?

22 Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da mulher escrava e outro da livre.

23 Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa.

24 Estas coisas são alegóricas; porque estas mulheres são duas alianças; uma, na verdade, se refere ao monte Sinai, que gera para escravidão; esta é Agar.

25 Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, que está em escravidão com seus filhos.

26 Mas a Jerusalém lá de cima é livre, a qual é nossa mãe;

27 porque está escrito: Alegra-te, ó estéril, que não dás à luz, exulta e clama, tu que não estás de parto; porque são mais numerosos os filhos da abandonada que os da que tem marido.

Hebreus 12:18—24

18 Ora, não tendes chegado ao fogo palpável e ardente, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade,

19 e ao clangor da trombeta, e ao som de palavras tais, que quantos o ouviram,

20 pois já não suportavam o que lhes era ordenado: Até um animal, se tocar o monte, será apedrejado.

21 Na verdade, de tal modo era horrível o espetáculo, que Moisés disse: Sinto-me aterrado e trêmulo!

22 Mas tendes chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembleia

23 e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados,

24 e a Jesus, o Mediador da nova aliança, e ao sangue da aspersão que fala coisas superiores ao que fala o próprio Abel.

Apocalipse 21:9 — 22:5

Note como a verdadeira Jerusalém é “lá de cima”, é “celestial” e desce “do céu da parte de Deus”. Todas as tentativas que insistem em dizer que ainda existe espaço para a Jerusalém terrestre nos planos de Deus precisam encarar as verdades dos versos acima.

É sob essa ótica que João Batista sente-se desafiado pelas palavras de Isaías 60:1—5. Os judeus leem esses versículos e acham que os mesmos se referem a eles. Aguardam então, com inegável ansiedade, o dia em que “as riquezas das nações” lhes pertencerão. Mas os ensinamentos da Nova Aliança deixam bem claro que estas palavras se referem ao fato de que o Messias viria para todos os povos e o verdadeiro povo de Deus — a Igreja – será a herdeira, com Cristo, de todas as coisa do Universo, inclusive —

Efésios 1:15—23

15 Por isso, também eu, tendo ouvido da fé que há entre vós no Senhor Jesus e o amor para com todos os santos,

16 não cesso de dar graças por vós, fazendo menção de vós nas minhas orações,

17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele,

18 iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos

19 e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder;

20 o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,

21 acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro.

22 E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja,

23 a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas.

Note especialmente as palavras dos versos 22 do capítulo 1 de Efésios onde Paulo nos diz que Deus colocou todas as coisas debaixo da autoridade de Cristo e Deus deu Cristo como cabeça da Igreja como o único Senhor de tudo.

Foi com o propósito de testemunhar acerca da luz, definitiva, representada pelo Messias que João Batista veio pregando no deserto da Judéia. João não veio argumentar acerca nem da luz natural nem da luz da razão. Ele veio para dar testemunho acerca do Messias que é, em si mesmo, o autor da luz natural, espiritual e eterna. Os judeus entendiam muito bem o discurso de João Batista, porque era corrente entre eles dizer que: “Seu nome é luz”. O profeta Daniel disse que וּנְהוֹרָ‍א עִמֵּהּ שְׁרֵא yimmeh shere´ vunehora´ — com ele mora a luz — ver Daniel 2:22 cujo original encontras-se em aramaico — e, em função dessas ideias, os judeus costumavam interpretar o verso 3 do Salmo 43 como se o mesmo fosse uma referência direta ao Messias.

Salmos 43:3

Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos.

O mesmo é verdadeiro no que diz respeito à Filo de Alexandria que se refere ao Logos como: “a luz inteligente, a luz universal, a luz mais perfeita e a própria essência da luz divina”. Foi acerca dessa luz que João veio para dar testemunho e o Evangelho de João nos diz que seu testemunho foi muito bem sucedido —

João 3:26

E foram ter com João e lhe disseram: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tens dado testemunho, está batizando, e todos lhe saem ao encontro.

Que nós também possamos oferecer ao nosso Senhor Jesus Cristo um testemunho igualmente poderoso como o de João.

João recebeu, mediante revelação divina, a informação acerca de quem era, exatamente, o Messias esperado —

João 1:33

Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

Por esse motivo ele tinha firme convicção acerca dessa verdade, apesar de ter, em ocasião posterior, questionado a Jesus se Ele era, de fato, o Messias esperado — ver Lucas 7:18—23. Independentemente desse vacilo em sua confiança, ainda assim Jesus se refere a João Batista como o maior entre todos os homens nascidos de mulher, até aquele momento, porque acrescenta que até o menor no reino de Deus era maior que o próprio João — ver Lucas 7:24—35. O questionamento de João pode ser explicado pelo simples fato que a revelação completa da parte de Deus, nos veio através de Jesus e, João, infelizmente, não viveu o suficiente para ver e entender tudo o que o Messias tinha vindo fazer. Mas seu testemunho cumpriu o que Deus tinha falado pelo profeta Malaquias acerca de preparar o caminho do Senhor o que incluía também, a preparação de um povo em condições de se encontrar com seu Messias —

Malaquias 3:1

Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o Anjo da Aliança, a quem vós desejais; eis que ele vem, diz o SENHOR dos Exércitos.


Malaquias 4:5—6

5 Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR;

6 ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição.


Outros estudos acerca da vida de Jesus — PARTE 2 podem ser encontrados nos links abaixo:
001 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 027 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 001 — A PLENITUDE DO TEMPO
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/05/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
002 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 028 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 002 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE LUCAS — LUCAS 1:1—4
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
003 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 029 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 003 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/07/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
004 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 030 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 004 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
005 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 031 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 005 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/09/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
006 — Estudos Na Vida de Jesus — PARTE 02 — ESTUDO 032 — OS PRÓLOGOS AOS EVANGELHOS — 006 — INTRODUÇÃO AO EVANGELHO DE JOÃO — JOÃO 1:1—18 — PARTE 004
007A — A DIVINDADE DE JESUS E A IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS OU IGREJA DOS MÓRMONS.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
007C —  A DIVINDADE DE JESUS E OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_30.html
007D — A DIVINDADE DE JESUS E  IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
007E — A DIVINDADE DE JESUS E  IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_3.html
008 — A DIVINDADE DE JESUS COMO APRESENTADA PELO EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 001
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2014/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_31.html
009 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
010 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 003
011 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 004
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/05/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
012 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 005
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/06/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
013 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 006
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/07/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
014 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 007
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
015 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 008
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/09/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
016 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 009
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/11/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
017 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 010
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2015/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
018 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 011
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
019 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 012
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/04/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
020 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 013
21 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 014
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/08/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
022 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 015 — A LUZ DOS HOMENS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/10/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
023 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 016 — JESUS VEIO TRAZER O PERDÃO E A SALVAÇÃO DE DEUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_8.html
024 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 017 — JESUS É O MESSIAS PROMETIDO NA PROFECIA DAS 70 SEMANAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2016/12/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_11.html
025 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 018 — JESUS É O SOL DA JUSTIÇA PROMETIDO NA PROFECIA DE MALAQUIAS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
26 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 019 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
27 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 020 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 002
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo_27.html
28 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 021 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 003
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/03/estudo-da-vida-de-jesus-parte-2-estudo.html
29 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 022 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 004
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/06/functionisogramigoogleanalyticsobjectri_23.html

30 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 023 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 005
31 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 024 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 006


32 — A DIVINDADE DE JESUS SEGUNDO O EVANGELHO DE JOÃO — PARTE 025 — O TESTEMUNHO DE JOÃO ACERCA DE JESUS — PARTE 007

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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domingo, 21 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 002 — O SERVO SOFREDOR É O PRÓPRIO DEUS



CONTINUAÇÃO...

Propomos agora uma exegese em cada uma dessas estrofes.

52:13—15: A exaltação do Servo
Esta estrofe descreve a fala de Deus:

52:13 Eis que o meu Servo prosperará;11
será exaltado e elevado e será mui sublime.

14 Como pasmaram muitos à vista dele,12 pois uma desfiguração13  humana era o seu aspecto, e a sua forma, daquela dos filhos da humanidade,

15 assim espantará14  muitas nações,
por causa dele os reis fecharão a sua boca;
porque aquilo que não lhes foi anunciado verão,
e aquilo que não ouviram entenderão.

No v.13a, o verbo “prosperará” é a tradução de sakal hifil imperfeito “olhar para discernir”, “dar atenção a”, “ponderar”, “considerar”, “ser prudente”; “prosperar”, “ter sucesso”. Há uma questão que precisa ser respondida: este verbo, aqui, apresenta o sentido de “ser prudente” ou de “ter sucesso”? A forma verbal sakal nos textos sapienciais significa “agir com prudência”, mas, nos textos que não pertencem à literatura sapiencial — como Isaías 52—13 — 53:12 —, normalmente a raiz skl refere-se a uma pessoa de “sucesso”.15  No caso de Isaías 52:13, sakal refere-se à “prudência”, mas o enfoque do texto está no sucesso resultante da obediência a ETERNO. Esse mesmo sentido de sakal também é apresentado em Josué 1:7—8.

O v.13b apresenta três ações verbais: 1) “será exaltado”, qal imperfeito rum “ser elevado”, “ser exaltado”. Trata-se de uma exaltação depois da humilhação. 2) “elevado” é a tradução de nasa’ nifal waw consecutivo perfeito “ser levantado”, “ser exaltado”. Refere-se a uma exaltação contínua. 3) “e será mui sublime” provém da raiz verbal gabah qal waw consecutivo perfeito “ser sublime”, “ser alto”, seguido pelo particípio adverbial me’od “extremamente”, “muito”.  Essa expressão destaca a posição de honra, adquirida pelo Servo do ETERNO.

Em outros textos de Isaías, essas três formas verbais (rum, nasa’ e gabah) descrevem a glória de Deus:16

Isaías 5:16

Mas o Senhor dos Exércitos é sublime (gabah) em juízo; e Deus, o Santo, é santificado em justiça.

Isaías 6:1

....eu vi o Senhor assentado sobre um alto (rum) e sublime (nasa’ ) trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo.

Isaías 33:10

Agora, me levantarei, diz o Senhor; levantar-me-ei (nasa’) a mim mesmo; agora, serei exaltado (ramam )”.17

Isaías 57:15

Porque assim diz o Alto (rum), o Sublime (nasa’), que habita a eternidade (...).

A conclusão é óbvia: o Servo é equiparado ao ETERNO. Trata-se de um personagem divino. Portanto, não pode ser identificado com Isaías ou com outro profeta do AT. Ele não é somente homem. É Deus, também. Valhamos do comentário de Ridderbos, sobre Isaías 52:13: “Com boas razões, alguns intérpretes fazem com que estas palavras lembrem a ressurreição, ascensão, entronização de Cristo à mão direita do Pai”.18  Assim, o texto isaiano é uma antecipação de

Filipenses 2.5—11

5 Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,

6 pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus;

7 antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana,

8 a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.

9 Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome,

10 para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra,

11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.


No v.14, o profeta começa a descrever a humilhação do Servo. O verbo “pasmaram” é a tradução de shamem qal perfeito “estar desolado”, “estar aterrorizado”, “atordoar”, “estupefazer”. A raiz aponta para uma “desolação resultante de uma catástrofe, mas também pode significar “horror” e “estarrecimento”, que são “reações provocadas pela visão da desolação”19 (cf. Deuteronômio 28:37; 2 Reis 22:19. O pasmo é provocado nas pessoas que veem as atrocidades cometidas contra o Servo do ETERNO. “desfiguração (da face)” é uma “esfiguração humana” (hebraico mixhat me’ix). O Servo estava totalmente desfigurado. Não parecia mais homem. Isso causa espanto e pasmo naquelas pessoas que olham para Ele.

O v.15 descreve a atitude das “nações” e dos “reis” diante do Servo. O verbo “espantará” é o hebraico nazah hifil imperfeito “fazer saltar”, “assustar”, e poderia ser traduzido como “causará admiração”. De acordo com Oswalt, trata-se de nazah II “espanto”.20  Há duas interpretações possíveis para esse verbo. Primeira: as nações e os reis estão espantados por causa da exaltação do Servo. Não entendem como alguém que apresenta uma face inumana (“desfiguração humana”, v.14), agora é exaltado à categoria de monarca. Por isso, as nações estão surpresas e admiram o Servo. Os reis fecham a boca, em sinal de temor — Jó 29:9—10, 21—23 —, pois “aquilo que lhes foi anunciado verão”; “isto é, o que agora eles veem com seus olhos ultrapassa qualquer coisa que já ouviram”.21 Uma segunda interpretação defende que o v.15 está totalmente voltado para a humilhação do Servo. É justamente essa humilhação que causa espanto nas nações e nos reis. “As perseguições que o Servo sofrerá com grande paciência (53:7) são um escândalo para os espectadores (52:14—15; 53:2—3, 7—9)...”.22  “Nesta redação, os gentios acharão chocante a humilhação do Libertador, visto que jamais ouviram antes que é por meio da perda de todas as coisas que o Salvador conquistará todas as coisas.”23

Na verdade as duas interpretações podem ser relacionadas. De acordo com o v.13, o Servo é equiparado a ETERNO. É exaltado. Mas no v.14, ele está desfigurado por causa do seu sofrimento. Então, o que causa espanto nas nações e nos reis é o fato do Servo exaltado ser humilhado. Trata-se de um monarca humilhado. Qualquer rei, diante dessa cena, ficaria estupefato. Pois o Servo, que é Deus, apresenta a face desfigurada por causa do sofrimento. Isto é inconcebível aos olhos humanos, principalmente aos olhos dos reis. Por isso, o profeta levanta uma questão em 53:1: “Quem creu naquilo que ouvimos?”. O personagem apresentado aqui se encaixa perfeitamente na figura do Cristo crucificado. A mensagem da cruz foi rejeitada pelos judaizantes do primeiro século, que esperavam um Messias que se apresentaria como Rei poderoso, um guerreiro herói, que libertaria Israel do jugo do império romano. A mensagem do Evangelho, que apresentava o Messias crucificado e humilhado, era inaceitável para eles (Is 53:1; veja Romanos 10:16; João 12:38;). A mensagem da cruz é loucura para os que se perdem —

1 Coríntios 1:18

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus.

CONTINUA...

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O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 001

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 002 — O SERVO SOFREDOR É O PRÓPRIO DEUS

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 003 — O SERVO SOFREDOR É HOMEM DE DORES QUE SABE O QUE PADECER

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 004 — O CASTIGO QUE NOS TRAZ A PAZ

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 005 —  O SERVO DE DEUS MORREU POR CAUSA DAS NOSSAS TRANSGRESSÕES

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS 52:13 — 53:12 — PARTE 006 —  O SERVO DE DEUS, O JUSTO, JUSTIFICARÁ A MUITOS


O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica. 

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 

NOTAS:

11 sakal hifil imperfeito “olhar para discernir”, “dar atenção a”, “ponderar”, “considerar”, “ser prudente”; “prosperar”, “ter sucesso”.

12 Peshita e Targum: ‘alayw “diante dele”. TM (Texto Massorético) e alguns manuscritos (inclusive 1QIs1ª e 1QIsb): ‘aleyk “diante de ti”. 

13 TM: mixhat “desconfiguramento da face”. 1QIsa: mxhty. Tradição babilônica: muxhat. Peshitta: mhbl. Targum: maxhat “arruinado”.  Veja a Vulgata.

14 nazah II hifil imperfeito “causar um espanto”. John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, vol. 02, São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2011, p. 456. TM: yazzeh “aspergirá”, hifil imperfeito de nazah I “borrifar”, “salpicar”. LXX: “causará admiração”. BHS: provavelmente qal imperfeito yizzeh ou yizzu; outros propõem yirggezu qal imperfeito de ragaz “tremer”,  ou yibzuhu qal imperfeito de bazah “desprezar” . Siríaca: “purificará”.

15 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, Nashville, Broadman & Holman Publishers, 2009, p. 435 (The New American Commentary).

16 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 436.

17 ramam I é uma variação de rum.

18 J. Ridderbos, Isaías: introdução e comentário, São Paulo, Vida Nova, p. 424 (Série cultura bíblica).

19 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, São Paulo, Vida Nova, 1998, p. 1583.

20 Veja John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 456.

21 J. Ridderbos, Isaías, p. 425.

22 A Bíblia de Jerusalém – Nova Edição, revista e ampliada, 5a edição, São Paulo, Sociedade Bíblica Internacional/Edições Paulus, 2002, p.1449.

23 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 463.

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sábado, 20 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 001


jesus em isaias

Aos poucos temos notado o aparecimento de inúmeros sites, artigos e, especialmente vídeos, na Internet defendendo a ideia canhestra que a compreensão dos evangélicos acerca do texto de Isaías 52:13 — 53:12 é fruto da ignorância do texto hebraico e também duma exegese superficial.

Entre os motivos alegados recebe destaque o perene argumento que nossas traduções, bem como toda e qualquer tradução, não refletem com precisão o texto original em hebraico. Mas isso é apenas mais uma grande tolice. Prova disso, é que queremos iniciar esse debate aqui no Blog O Grande Diálogo apresentando um artigo de autoria do Professor Doutor Luciano R. Peterlevitz que é, inclusive, professor do idioma hebraico.

Vamos ao texto do professor Peterlevitz.

O servo sofredor em Isaías 52:13 — 53:12

O servo sofredor em Isaías 52:13 — 53:12

Introdução

Um estudioso alemão chamado Bernhard Duhm, em seu comentário do livro de Isaías publicado em 18921 identificou quatro cânticos em Isaías 40—55, que similarmente apresentam um personagem conhecido como “o Servo do Senhor”:

1º cântico: 42:1—7

2º cântico: 49:1—9

3º cântico: 50:4—9

4º cântico: 52:13 — 53:12.

Certamente o quarto cântico — Isaías 52:13 — 53:12 é o mais conhecido para os cristãos. Isso porque este texto isaiano descreve o sofrimento, a morte e a exaltação do Servo do ETERNO, e o NT reconhecidamente identifica esse Servo com o Messias prometido pelos profetas do Antigo Testamento —

Atos 8:32—33

32 Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca.

33 Na sua humilhação, lhe negaram justiça; quem lhe poderá descrever a geração? Porque da terra a sua vida é tirada.

Mateus 8:17

Para que se cumprisse o que fora dito por intermédio do profeta Isaías: Ele mesmo tomou as nossas enfermidades e carregou com as nossas doenças.

Lucas 22:37

Pois vos digo que importa que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado com os malfeitores. Porque o que a mim se refere está sendo cumprido.

1 Pedro 2:24

Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados.

Não é sem razão, pois, que o personagem apresentado no quarto cântico é comumente chamado de “Servo Sofredor”.

Porém, a questão da identificação do Servo de ETERNO tem sido bastante disputada entre os comentaristas de Isaías. Por essa razão, o presente artigo primeiramente apresentará as várias opiniões sobre a identidade do Servo, para depois analisar exegeticamente o quarto cântico do Servo. O objetivo deste artigo é mostrar que a leitura cristã não é fruto de uma exegese descuidada do texto isaiano. Na verdade, uma análise das palavras hebraicas desse quarto cântico revela que o texto de Isaías realmente apontava para o Gólgota e para o túmulo vazio.

Interpretações

A identificação do Servo do Senhor tem sido objeto de muito debate na pesquisa bíblica. Três interpretações podem ser destacadas2:

1ª — A interpretação coletiva. O servo seria Israel, como povo ou comunidade que sofrera o exílio babilônico — cf. 41:8—9; 49:3. Muitos intérpretes que aderem a essa perspectiva creem que, nesse quarto cântico, o sofrimento do Servo-Israel é vigário; Israel teria se oferecido como sacrifício de expiação pelos pecados das nações. A identificação do Servo com Israel fundamenta-se principalmente em Isaías 49:3: “Tu és meu servo, és Israel.” O problema para esta interpretação é muito simples: em 49:5, o Servo nitidamente distinguiu-se de Israel. Por isso, 49:3 não alude ao “Israel nacional, posto que no versículo 5 o Servo tem uma missão destinada a Israel. O Servo Messiânico é o Israel ideal através de quem o Senhor será glorificado3.”  Além disto, de acordo com teologia dos profetas clássicos, os exílios sofridos por Israel — tribos do Norte — e Judá — Sul — foram resultado dos seus pecados contra a palavra de ETERNO — ver Oséias 8:13—14; Isaías 1:21—31; etc. Dificilmente algum profeta diria que “Israel” apresentava a perfeição necessária e requerida à vítima do sacrifício expiatório. “Israel” não tinha condições para expiar a culpa das nações, porque ele mesmo era culpado e o seu pecado precisa ser expiado.

2ª — A interpretação individual. Essa interpretação subdivide-se em pelo menos três ramificações: a) O servo seria um personagem escatológico-messiânico; b) O servo representaria algum personagem importante — Moisés, Joaquim, Jeremias ou Zorobabel; c) o servo seria o próprio profeta, o “Deutero-Isaías” — cf. 43:10; 44:26; 50:10; 59:21).

3ª — A interpretação complexiva que une a interpretação coletiva e a individual. Segundo essa interpretação, houve uma evolução conceitual no Deutero-Isaías: teria passado da interpretação do Servo como Israel para a transferência do sofrimento e da morte vigária de um indivíduo (H. H. Rowley). Para outros intérpretes, o profeta teria associado as dores do Servo aos sofrimentos dos exilados na Babilônia. Entretanto, mesmo fazendo essa associação, o quarto cântico anuncia que um personagem futuro reviveria a história trágica dos exilados; tratar-se-ia de uma figura escatológica a ser revelada no futuro do profeta4.

Atualmente a interpretação individual é a mais aceita entre os estudiosos. Citemos algumas evidências que apoiam-na:

1ª — No segundo e no terceiro cânticos o discurso está na primeira pessoa do singular. O Servo fala de suas dúvidas e crises interiores, tal qual Jeremias — Isaías 49:1-6; 50:4-9.

2ª — Em Isaías 42:1—7, o Servo refere-se a sua responsabilidade de pregador, e expõe a sua autocompreensão de profeta. Nessa linha de pensamento, muitos intérpretes identificam o Servo com o profeta Isaías5.  Richard E. Averbeck admite que, em dois dos cânticos, o profeta Isaías se identifica com o Servo — Isaías 49:1—6; 50:4—6 —, no entanto, no quarto cântico, o Servo distingue-se do profeta, e, no contexto de Isaías 40-66 — texto que o profeta Isaías, no século 8 a.C., visionariamente propõe restauração para os judeus exilados na Babilônia no século 6 a.C. —, ele apresenta-se como Aquele que trará Israel à terra prometida6.

Para muitos estudiosos, o Servo seria uma alusão a Ciro, um tipo do Messias escatológico — cf. Isaías 42:5—7; 44:28; 45:1—7, 12—13. Em Isaías 44:28, Ciro é chamado de “ungido”, literalmente “messias”. No entanto, uma observação de Isaltino Gomes parece-nos pertinente: “A função do Servo extrapolaria a de recondução dos exilados. Teria uma dimensão soteriológica, isto é, com um significado de salvação. Ver o cumprimento desta dimensão em Ciro é, sem dúvida, fora de sentido. É restringir o texto no tempo, no espaço e na pessoa7.”

É preciso reconhecer que, no livro de Isaías, o termo hebraico ‘ebed, “servo”, é aplicado a vários personagens8: aos “servos do rei” (Is 37:5, 24); àqueles que adoram o ETERNO (Is 22:20; 56:6; 63:17); aos profetas como porta-vozes de Deus (44:26); a Isaías (20:3); a Davi (37:35). Além disto, Israel também é apresentado como um servo através do qual o plano redentor do ETERNO é executado (Is 41:8—9; 43:10; 44:1, 2, 21; 45:4). Nos quatro cânticos do Servo (especialmente no quarto, que é objeto de análise do presente artigo), por sua vez, o termo ‘ebed não pode ser aplicado nem para algum personagem do Antigo Testamento nem para Israel9.  Na verdade, como o presente artigo demonstrará nas páginas subsequentes, o quarto cântico (Is 52:13 — 53:12) descreve o “Servo do Senhor” realizando uma obra que nenhum outro personagem do Antigo Testamento realizou.

É oportuno notar que a comunidade de Qumram relacionava o Servo a um personagem que futuramente seria levantado pelo ETERNO. Os qumranitas aguardavam um Messias que não somente sofreria e seria humilhado, mas também seria exaltado e glorificado. É o que se lê em um hino que está entre os rolos descobertos no Mar Morto:

[Quem] foi desprezado como [eu? E quem] foi rejeitado [pelos homens] como eu? Quem, como eu, suportou todas as aflições? Quem se compara a mim na resistência do mal? [...] Quem foi considerado desprezível como eu e, no entanto, quem é igual a mim em minha glória10?

Ao que parece, quando os autores do Novo Testamento aplicaram o texto isaiano a Cristo, eles demonstraram que as expectativas que os qumranitas alimentavam em relação ao Messias começaram a se cumprir na Pessoa de Jesus de Nazaré.

Mas será que Isaías 52:13 — 53:12 realmente apresenta a expectativa de que o Servo do ETERNO seria um personagem messiânico, que futuramente seria levantado pelo ETERNO para resgatar o seu povo dos seus pecados? Será que os autores do Novo Testamento, ao aplicarem o quarto cântico a Cristo, não estariam promovendo uma reinterpretação cristã desconectada do sentido original do texto de Isaías? Propomos então uma análise do texto isaiano para averiguar essas questões.

Análise exegética

Os capítulos de Isaías 40—55 apresentam uma palavra de consolo e esperança para o povo de Deus. Essa parte do livro de Isaías pode ser resumida em

Isaías 40:1

Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus.

Do ponto de vista teológico, Deus apresenta-se como Salvador e Resgatador de Israel — Isaías 43:1, 14; 52:3,9. Em Isaías 51:1 a 52:12, texto que precede o quarto cântico (52:13 — 53:12), lemos palavras de consolo para a Sião que foi assolada por nações ímpias. Contudo, em 52:13 — 53:12, Deus não esmaga essas nações que destruíram Judá, mas esmaga o seu próprio Servo, para através Dele propor salvação para todos os transgressores. Portanto, Isaías 52:13 — 53:12 descreve como Deus iria efetuar a salvação prometida não somente em Isaías 51:1 a 52:12, mas em todos os capítulos de Isaías 40—55. 

Quanto à estrutura, Isaías 52:13 — 53:12 é composto por três estrofes, cada qual enfocando um tema relacionado ao Servo:

1ª — 52:13—15: a exaltação do Servo

2ª — 53:1—3: a rejeição do Servo

3ª — 53:4—6: a morte vigária do Servo

4ª — 53:7—9: a submissão do Servo

5ª — 53:10—12: o triunfo do Servo

CONTINUA...


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O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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______________________________________________________

1 Bernhard Duhm, Das Buch Jesaja, Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1892, 458 p.

2 Richard E. Averbeck, “Christian Interpretations of Isaiah 53”. In: Darrell L. Bock; Mitch Glaser, The Gospel According to Isaiah 53: Encountering the Suffering Servant in Jewish and Christian Theology, Grand Rapids, Kregel Publications, 2012, p. 41-45; Werner H. Schmidt, Introdução ao Antigo Testamento, São Leopoldo, Sinodal, 1994. p. 252-254; E. Sellin; G. Fohrer, Introdução ao Antigo Testamento, São Paulo, Editora Academia Cristã/Paulus, 2012, p. 534-538.

3 Nota de rodapé da New Internacional Version. 

4 J. Steinmann, O livro da consolação de Israel e os profetas da volta do exílio, São Paulo, Edições Paulinas, p. 193-194.

5 E. Sellin; G. Fohrer, Introdução ao Antigo Testamento, p. 536; Hans-Jürgen Hermisson, “The Fourth Servant Song in the Contexto of Second Isaiah”. In: Bernd Janowski; Peter Stuhlmacher (ed.), The Suffering Servant: Isaiah 53 in Jewish and Christian Sources, Grand Rapids, Eerdmans Publishing, 2004, p. 45-47. 

6 Richard E. Averbeck, “Christian Interpretations of Isaiah 53”, p. 33-60.

7 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías: o Evangelho do Antigo Testamento, Rio de Janeiro, JUERP, 2001, p. 151.

8 Gerard van Groningen, Revelação messiânica no Antigo Testamento: a origem divina do conceito messiânico e o seu desdobramento progressivo, 2ª edição, São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2003, p. 556-557. 

9 Gerard van Groningen, Revelação messiânica no Antigo Testamento, p. 557-589.


10 Israel Knohl, O Messias antes de Jesus, Rio de Janeiro, Ed. Imago, 2001, p. 28, 31.

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