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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

EVANGÉLICOS ADEREM AO GOSPEL FUNK DE VEZ


Tonzão e os Adudianos

O material abaixo foi publicado pelo site do G1 do Rio de Janeiros.

FUNK GOSPEL ATRAI FÃS E FIÉIS COM O 'PASSINHO DO ABENÇOADO' NO RIO

'A batida é a mesma. As letras que são diferentes', explica Tonzão Chagas

G1 conversou com funkeiros que usam o ritmo pop para animar culto.

Por Cristina Boeckel

Do G1 Rio

Destaque dos Hawaianos, um dos mais conhecidos grupos de funk do Rio de Janeiro, Tonzão Chagas deixou os companheiros em 2011. No auge da popularidade e quando ganhava cerca de R$ 20 mil por mês, ele se converteu à Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Tonzão rapidamente ganhou fama no meio, cantando hits como "Passinho do abençoado", e hoje se orgulha de embalar 200 mil pessoas em uma única apresentação.

“O funk é a cultura da periferia. A batida é a mesma. As letras que são diferentes. A dança é uma forma de evangelizar”, conta Tonzão. “Eu não saí dos Hawaianos com a ideia de seguir uma carreira gospel. Eu queria fazer um trabalho social, com jovens de periferia, de ressocialização. E nos Hawaianos eu não tinha tempo para isso", explica.

Assim como ele, outros músicos passaram a dedicar as suas carreiras ao chamado funk gospel (ou gospel funk), que leva para a música evangélica um ritmo que parecia incompatível, com tradição de letras que fazem apologia à violência e ao sexo.
Na transição, o funk passou por adaptações. As roupas curtas, as letras maliciosas e as danças sensuais são trocadas por figurinos comportados, temas religiosos e coreografias animadas, mas bem menos provocantes.

Tonzão fez sucesso na internet com o 'Passinho do Abençoado' (Foto: Divulgação/ Tonzão Chagas)
Tonzão fez sucesso na internet com o 'Passinho do Abençoado' (Foto: Divulgação/ Tonzão Chagas)

Para Tonzão, a ideia de que poderia adaptar sua antiga carreira à sua nova vida surgiu de uma brincadeira com jovens recém-convertidos, como ele, e que o conheciam como funkeiro. Começaram a dançar na igreja e foram chamados pelo pastor, que os viu dançando por uma câmera de segurança e pediu explicações. Contou que estavam dançando como uma forma de louvor.

O vídeo no qual Tonzão canta o “Passinho do Abençoado” pela primeira vez, dançando funk de terno e gravata com companheiros de igreja, tem quase 2 milhões de visualizações em apenas uma das inúmeras cópias que se espalharam pela web.

Sobre o retorno financeiro, Tonzão afirma que ganha bem menos do que quando fazia sucesso no funk “secular” (tradicional), mas afirma que seu dinheiro é melhor empregado.

“Nos Hawaianos eu ganhava mais. Mas hoje eu tenho tempo para ver a minha família. As pessoas diziam que a minha mulher ia me largar. E hoje estamos casados e com dois filhos. O dinheiro não é igual, mas rende melhor. Porque eu não gasto com um monte de mulheres, com baladas e drogas, que eu cheguei a usar por curtição”, afirma Tonzão. Há um ano, ele e sua esposa fazem parte do Ministério Flordelis.

Os MCs Tiago e Diogo voltaram a cantar após um hiato de nove anos na carreira (Foto: MCs Tiago e Diogo/ Divulgação)Os MCs Tiago e Diogo voltaram a cantar após um hiato de nove anos na carreira (Foto: MCs Tiago e Diogo/ Divulgação)

Unindo paixões

Quem também fez uma conversão para o gospel funk foram os irmãos Tiago e Diogo, que começaram a cantar funk ainda adolescentes, em 1995. Eles fizeram parte da primeira geração do ritmo a se destacar no Brasil, ao lado de nomes como Latino, Catra e a dupla Claudinho e Buchecha.

Fizeram shows em todo o país com músicas como “Pegação”, “Palco” e o “Rap do Pombal”. Em 1998, se converteram e decidiram largar tudo. Como a renda da família vinha das apresentações e da execução das músicas, depois de um tempo começaram a enfrentar dificuldades financeiras.

Para sobreviver, fizeram de tudo um pouco: trabalharam como barbeiros, venderam hambúrgeres e se tornaram ambulantes. Mas, ao longo do tempo, a saudade dos palcos começou a bater. Em 2007, juntaram dinheiro e pagaram a gravação de um CD com letras de temática cristã. “Nós gravamos o CD e deu certo. Para divulgar, começamos a colocar caixas de som nas ruas para vender cópias. Assim, vendemos 40 mil CDs”, afirma Diogo.

Tiago e Diogo voltaram a cantar funk após nove anos (Foto: MC Tiago e Diogo/ Divulgação)
Tiago e Diogo voltaram a cantar funk após nove anos (Foto: MC Tiago e Diogo/ Divulgação)

Em 2011, Tiago e Diogo voltaram a fazer sucesso com a música “Brasileirinhos”, em homenagem às crianças mortas no massacre da Escola Tasso da Silveira, em Realengo. Outras músicas começaram a tocar nas rádios especializadas para o público evangélico e eles assinaram contrato com uma grande gravadora em 2013. Entre as músicas da dupla estão “Telefone do Céu”, “Atravessei a Poça” e “Missionário do Funk”.

A dupla atualmente não canta mais músicas seculares, mas Diogo ressalta a importância cultural do gênero na sociedade e na vida dele e do irmão, que se consideram evangelizadores. “Eu consegui unir as minhas duas paixões. Eu vivenciei o funk, que é bacana e não sou contra. Faz parte da cultura. E resolvemos cantar o gospel funk. A mensagem é a diferença. A nossa mensagem é uma mensagem espiritual, para o coração dos jovens”.

Operário do gospel funk

A trajetória de Tonzão e dos MCs Tiago e Diogo se parece com a do MC Henrique H7, de Volta Redonda, no Sul Fluminense. Ele começou a cantar funk aos 13 anos. “No início, eu cantava letras sobre apologia ao crime, sensualidade, sobre a realidade. Aí eu fui para a igreja e transformei a minha vida. Eu vi que o crime não compensa e a música é para alegrar”

Autor de “Ai, que benção”, ele concorda que hoje ganha menos do que ganharia se seguisse carreira no funk tradicional, mas acredita que a sua música cumpre uma função social. Ele tenta conciliar a carreira de shows com as folgas do trabalho em uma indústria, como operário. “Eu vivia em um mundo de coisas fáceis. Talvez estivesse em uma situação financeira melhor, mas com o meu som eu ajudo pessoas”.

Sobre o preconceito contra o ritmo, Henrique H7 afirma que o seu papel é cumprido como o de qualquer outro cantor gospel. “Eu louvo a Deus, só altera o ritmo. Canto funk da mesma maneira que poderia ser um pop ou um rock”.

Mc Henrique H7 é de Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro (Foto: MC Henrique H7/ Divulgação)
Mc Henrique H7 é de Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro (Foto: MC Henrique H7/ Divulgação)

Nova geração

O sucesso do gospel funk já inspira uma nova geração de MCs, que desde o começo de suas carreiras já trabalham exclusivamente com letras de louvor, sem terem passado por uma fase na vertente tradicional do ritmo. Este é o caso da MC Thaísa Soares, de 18 anos, de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Evangélica de berço, canta funk há dois anos e conheceu o gênero musical no Baile dos Cocadas, que tem temática gospel e acontece em Bangu, também na Zona Oeste.

MC Thaísa é de família evangélica e canta gospel funk há dois anos (Foto: MC Thaísa/ Divulgação)
MC Thaísa é de família evangélica e canta gospel funk há dois anos (Foto: MC Thaísa/ Divulgação)

Ela acredita que a música é uma forma de expor suas ideias e evangelizar os jovens. “Desde que eu comecei, o gospel funk cresceu. Era mais difícil e éramos mais criticados. Mas o trabalho segue fluindo”.

Bonita, seus figurinos passam longe do que seria esperado para uma cantora de funk da sua idade. Com calças compridas e camisas com manga, ela entoa canções como “Olha aí ó” e “Vigia para não passar peleja”.

“Como a roupa permitida depende da doutrina da igreja, eu me visto com roupas mais comportadas”, conta a jovem, que paralelamente à carreira musical, planeja fazer faculdade de Engenharia.

Todos os intérpretes ressaltam que o trabalho que fazem é uma maneira de evangelizar os jovens a partir de um ritmo que faz parte da vida deles. Tonzão resume o caso destacando que cantar funk é uma forma de mostrar ao mundo a sua nova realidade, mas sem alterar as suas raízes. “Eu já cantei funk nas maiores igrejas do Brasil. Tudo sem perder a essência. Porque eu sou isso. Eu sou funk, sou favela, sou periferia”.

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


NOSSO COMENTÁRIO

È algo mesmo muito curioso. Os chamados evangélicos depois de anarquizarem com praticamente tudo relacionado com o culto a Deus, agora querem chamar o funk gospel de instrumento de evangelização. Dois exemplos serão suficientes para provar que o funk não tem relação nenhum com o Evangelho da Graça, mesmo quando recebe o apelido de “Gospel”.

1. Tonzão e o Passim do Abençoado


2. Adriano Funk Gospel


Que Deus conceda verdadeiro discernimento a todo seu povo.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.        

terça-feira, 28 de julho de 2015

E O BESTEIROL SEGUE FIRME NA IGREJA DO SR. R.R. SOARES




E O BESTEIROL SEGUE FIRME NA IGREJA DO SR. R.R. SOARES

As igrejas chamadas evangélicas, especialmente as neo pentecostais que pertencem à terceira e quarta onda desse malfadado movimento, são especializadas em inventar e copiar bobagens que funcionam na intenção de atrair e iludir pessoas simples com falsas promessas.

Numa versão mais simples da invencionice da Igreja Universal do Reino de Deus com seus falsos — tanto no número quanto como pastores — 318 pastores, agora é a vez da Igreja Internacional da Graça de Deus de propriedade do chamado missionário R.R. Soares, de promover um “corredor do milagres” com 16 pastores e pastoras consagradas. Que maravilha.

Na propaganda que pode ser vista logo abaixo, existe a promessa explícita que todos os participantes receberão uma porção do azeite “consagrado”. Seria interessante a vigilância sanitária checar a origem do tal “azeite” consagrado.

Segue a foto do cartaz, que lembra uma verdadeira celebração da máfia dos anos 1930.

Alinhar imagem

Caso o "Corredor dos Milagres" não resolva seu problema, não desanime. Você também poderá tentar uma sessão de "DESENCAPETAMENTO TOTAL", sempre numa das igrejas Internacional da Graça de Deus, conforme cartaz abaixo:


Que Deus tenha misericórdia de todos.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

MORRE DAVI MIRANDA, O HEREGE EX-DONO DA IGREJA PENTECOSTAL DEUS É AMOR


Reprodução do Facebook

Faleceu no sábado passado — 21 de Fevereiro de 2015 — vítima de um infarto, o autoproclamado “missionário” Davi Miranda, fundador e proprietário da Igreja Pentecostal Deus é Amor. Ele foi o inventor do milagre à prestação e muitas outras grossas heresias, Davi Miranda amealhou considerável fortuna e um público estúpido, porém fiel. Mas aos poucos, e sem perceberem realmente o que está acontecendo, o SENHOR está liquidando, um a um, os mais notórios hereges dessas últimas décadas. Todos eles costumam pensar de si próprios que são invencíveis e imortais, mas a morte está aí mesmo para provar o contrário.

Davi Miranda costumava ameaçar seus seguidores de que iriam para o inferno caso se atrevessem a abandonar sua igreja. Ouça suas mentirosas ameaças contra os que abandonam sua igreja, alegando ser uma revelação do Espírito Santo, por meio desse link aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=HNdmanI6JFA

Com sua morte perde-se, portanto, a garantia de salvação para qualquer membro dessa denominação já que seu proprietário não existe mais para garantir a salvação de ninguém e muito menos a sua própria. Neurótico ao extremo, nas últimas décadas Davi Miranda costumava chegar e partir do seu majestoso caixote — chamado de Templo da Glória de Deus — de helicóptero. E fazia suas prédicas de dentro de um cubículo completamente revestido com vidros à prova de balas. Porque será que tão afamado missionário tinha tanto medo assim de algumas de suas ovelhas?

Creio que devemos conhecer um pouco melhor Davi Miranda e sua falsa Igreja Pentecostal Deus é Amor e para isso estamos reproduzindo abaixo um artigo escrito pelo jornalista e sociólogo Johnny Bernardo.

Pentecostal Deus é Amor: História e Polêmicas

Em junho de 1962, em fins da segunda onda pentecostal brasileira, surge uma denominação autônoma fundada por um ex-católico, chamado David Martins Miranda. Com então 24 anos de idade, Miranda acabara de ser consagrado a pastor e iniciava suas pregações de cura e libertação. Sua conversão ocorrera há quatro anos, ao participar de um culto na Igreja Pentecostal Maravilha de Jesus, presidida pelo Pr. Leonel Silva. Sua mãe e avó congregavam, já há alguns anos, na Tenda de Deus Pró-Salvação e Cura Divina, e insistiam em sua conversão. Acabou cedendo às pressões.
Em 1960, David Miranda e sua família ingressam na Igreja Pentecostal do Brasil, recentemente fundada pelo Pr. Roberto Anésio. Dois anos depois procura o pastor local para lhe contar uma revelação – a primeira de “muitas” que marcariam seu ministério. Segundo Miranda, às 2h50 do dia 2 de novembro de 1961, Deus lhe revelou algo a respeito de sua chamada. Um mês depois lança os fundamentos da Igreja Pentecostal Deus é Amor, ao realizar os primeiros cultos em um pequeno salão da Vila Maria. De lá, em 1970 a sede da IPDA é transferida para a Rua Conde de Sazerdas, 185, em duas casas de madeira transformadas em uma igreja. A sede definitiva da IPDA somente seria inaugurada em 1980, após a aquisição de uma área de 27.000 metros quadrados, na Avenida dos Estados, 4568, Baixada do Glicério, São Paulo – SP.

Atraídas pelas campanhas de cura e libertação, multidões fluíam todos os dias para a sede mundial da IPDA. Quatro anos depois cerca de 5.000 mil pessoas, dentre as quais os filhos do fundador, são batizados. Em 1989, David Miranda realiza sua primeira grande concentração internacional, na Praça Manco Cápac, Lima (Peru), em meio a um conflito civil liderado por guerrilheiros do Sendero Luminoso. A cura de um jovem que havia perdido a língua por uma overdose – consequência do uso de drogas -, em 1993, desencadeou uma nova corrida de fieis para os salões da IPDA. No ano seguinte, ao retornar de uma viagem a Buenos Aires, Miranda lança o jornal “O Testemunho” e dá início aos projetos em torno da “Assembleia dos Santos” – concentração de “milagres” que reúne centenas de pessoas de diversas cidades e países.

Em uma dessas concentrações, em 1º de maio de 1996, em Vitória (ES), três mortos teriam “ressuscitado” após uma oração de David Miranda. A mídia local, impressionada com os “milagres” e com o amplo número de participantes da cruzada, estampa nos principais jornais e noticiários que “nem mesmo o Papa consegue reunir tanta gente.” No começo de 1997, novo recorde: 400 mil pessoas comparecem ao Aterro do Flamengo (Zona Sul do Rio de Janeiro) para ouvirem a mensagem de David Miranda. Nos países vizinhos ao Brasil, pelo menos 280 mil pessoas são reunidas, sendo a maior concentração realizada entre os dias 04 e 05 de outubro, quando 150 mil peruanos compareceram ao estádio Nacional, em Lima. 

Vista interna da sede mundial da Igreja Pentecostal Deus é Amor (Foto: divulgação)

Inaugurada em janeiro de 2004, a nova sede mundial da Igreja Deus é Amor (construída no mesmo local da antiga), exemplifica o “sucesso” das campanhas conduzidas por David Miranda. A obra tem tamanho de shopping center, arquitetura de gosto duvidoso, comporta 22 mil pessoas sentadas e é cinco vezes maior que a Catedral da Sé, lembra Sérgio Gwercman, que assina a matéria “Evangélicos” (Super 02/2004, p.52). De fato, em seus cinquenta anos de existência a IPDA tem demonstrado capacidade de crescimento fora do normal. Daquele pequeno salão da Vila Maria, inicialmente composto por 70 membros, a Deus é Amor possui hoje mais de 1 milhão de membros.

Segundo Emilio Zamboni Mendonça, da Universidade Metodista, “o rádio foi o principal ponto de apoio do crescimento da Igreja Pentecostal Deus é Amor.” Há, segundo Freston (1995, p.128), pelo menos cinquenta placas acima do púlpito do Templo da Glória de Deus, na Baixada do Glicério, com indicações das rádios que veiculam os programas da IPDA. Transmitido a partir da sede mundial, o programa “A Voz da Libertação” chega aos lares de milhares de brasileiros e é retransmitido para mais de 17 países via uma rede de mais de quarenta rádios pertencentes à Igreja Deus é Amor.

Particularidades

Diferente da Igreja Universal do Reino de Deus, a IPDA tem como base de atuação os menos favorecidos da sociedade. “Os muito pobres são mais facilmente atingidos pela pregação dos milagres e dos prodígios”, explica Leonildo Silveira Campos (Lusotopie, 1999, pp. 355 – 367).  Dada à ênfase em milagres e cura divina – característica comum à segunda onda pentecostal brasileira -, a IPDA tem alcançado centenas de pessoas ao redor do mundo. “É uma agência de cura divina”, classificam os pesquisadores Mendonça & Velasques (Chestnut, 1997, p. 38). Cura divina, exorcismo, combate às religiões afro-brasileiras e ao catolicismo popular são algumas de suas características, seguidas e adaptas pelo Neopentecostalismo. Freston (1995, p. 128), associa a presença de obreiros uniformizados (na IURD) e o uso de técnicas de exorcismo (no palco e com direito a entrevista com demônios), como elementos oriundos da Igreja Pentecostal Deus é Amor. O uso da radiodifusão também seria um elemento seguido pela IURD e seus clones.

Nos programas radiofônicos e nas mais de 12 mil congregações da IPDA, David Miranda exerce controle absoluto sobre os membros. O regulamento interno, aprovado em 1986 e adaptado nove anos depois, estabelece uma série de normas às quais os membros são convidados a seguir: aos homens, é proibido o uso de bigode, costeletas, bermudas e camisetas sem mangas; às mulheres, corte dos cabelos, calça cumprida, maquiagem e adornos. Há outras restrições – impostas a membros de ambos os sexos -, como não participação em festas, locais de entretenimento, porte de armas de fogo, modalidades esportivas e aquisição de aparelhos de televisão.

Embora considere natural que uma igreja desenvolva sua identidade com base em usos e costumes, o teólogo Alex Belmonte chama a atenção para a base teológica. Segundo ele, uma das causas da fragilidade doutrinária da IPDA deve-se a ausência de uma base teológica sustentável. Opinião compartilhada por Sidnei Moura que, por 15 anos, congregou na IPDA. “A Igreja acabou cedendo, por longos anos, a uma série de novos modismos que, aliados a falta de conhecimento bíblico e a centralização radical da pregação em temas subalternos e ênfase demasiada em milagres e experiências pessoais, encontrou em seu seio um campo fértil para seu desenvolvimento”, avalia Moura. Ele cita ainda a exposição ao medo como uma forma de coerção. “Os fieis acabam seguindo as imposições da igreja principalmente por coerção, que é aplicada através da exposição ao medo: constantemente são bombardeados pelos sermões recheados de discursos de medo da condenação eterna e exposição aos demônios”.

Polêmicas

A Igreja Deus é Amor vem enfrentando uma série de problemas desde pelo menos 1976, quando 26 pessoas morreram vítimas da queda de uma laje, ao participarem da inauguração de uma filial da IPDA no Rio de Janeiro. Processado, David Miranda foi absolvido. Nove anos depois, Miranda, sua mulher e filha são denunciados à justiça de Porto Alegre por supostos “crimes” de curandeirismo e estelionato, mas acabaram livres das acusações. No começo de 2000, nova bomba: um ex-tesoureiro da IPDA (que teria trabalhado para a Igreja por 18 anos) procura a TV Bandeirantes para fazer uma série de denúncias contra a Igreja, que envolviam remessas ilegais de dólares para o exterior e associação com o narcotráfico. De acordo com o advogado Ruben Cavalheiro, representante da IPDA à época, o ex-tesoureiro vinha tentando “extorquir” a Igreja em R$ 1,5 milhão e ameaçado de tornar públicos alguns documentos oficiais.
Apesar de declarações do advogado da IPDA – de que o ex-contador teria tentado extorquir a igreja – e de que nenhuma condenação teria sido imposta à cúpula, o testemunho de Guilherme Filho Prado serviu de base para uma operação de busca e apreensão na casa de David Miranda, em setembro de 2000, e outras investigações promovidas pela PF de Foz do Iguaçu, São Paulo e Rio de Janeiro, além de CPIs do Narcotráfico de São Paulo e Brasília. A suspeita é de que a Andy Viagens e Turismo, com escritório na Vila Mariana (SP) e de propriedade da Igreja Deus é Amor, serviria de base para operações de lavagem de dinheiro. De acordo com investigações realizadas pela Polícia Federal, somente entre 1992 e 1996 – portanto, anterior às denúncias de Prado – cerca de 37 bilhões de reais teriam deixado o Brasil através de Foz do Iguaçu e tinham como destino contas do fundador da Igreja Deus é Amor. Indiciado por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, David Miranda compareceu a Superintendência da Polícia Federal de São Paulo na tarde de 16 de maio de 2000 para prestar esclarecimentos sobre o envio de remessas de dólares para contas associadas à CC-5.

Dúvidas

Até que ponto o relato de Guilherme Filho Prado pode ser considerado confiável? Sidnei Moura lembra que, por ocasião de uma sabatina na ALESP, na qual Prado foi convidado como testemunha chave, após entrar em contradição em diversas declarações que haviam sido dadas a imprensa, um dos parlamentares o questionou sobre possíveis provas. Em resposta, o ex-contador afirmou que teve acesso a várias remessas ilegais de dinheiro, mas que a única coisa que podia afirmar sobre o envolvimento de traficantes foi ter visto os filhos de David Miranda recebendo tais traficantes na sede mundial. Na ocasião, a IPDA fez uma gravação de trechos da sessão onde Guilhermino Filho Prado é confrontado e que passou a ser transmitida em meios de comunicação ligados a IPDA. “Lembro-me que era obrigado veicular a gravação mesmo em programas de horários alugados em rádios, e nesses programas a ordem era rodar de meia em meia hora, como também nos cultos da igreja sede – houve até cultos especialmente convocados apenas para se ouvir tal gravação”, declara Sidnei Moura.

Ainda de acordo com Moura, o que lhe pareceu estranho foi o fato de que, antes de ir à ALESP, o ex- contador fez um verdadeiro alarde em diversas emissoras de rádio e televisão, e na última aparição na TV disse ter provas irrefutáveis da participação da IPDA nesse tipo de delito, e que apresentaria documentos que comprovariam tal esquema. “Depois de falar secretamente com membros da comissão foi a público sem uma única prova concreta sobre a denúncia – de envolvimento da IPDA com o narcotráfico”, revela Moura. O que ocorreu entre a última declaração de Prado, na TV, e a sabatina na ALESP? Não se sabe ao certo até que ponto o ex-contador teria mentido ou ocultado provas, e até onde possuía informações, mas seus depoimentos na TV Bandeirantes e, principalmente, na Polícia Federal, foram claros no sentido de que a Igreja Deus é Amor teria algum tipo de envolvimento com esquemas ligados ao tráfico de drogas.

A dúvida é de que maneira e por meio de qual elo frágil narcotraficantes teriam se infiltrado. Sidnei Moura parece nos indicar um caminho. “O caso Guilhermino não foi o único a levantar dúvidas sobre o tema – os dois filhos de David Miranda são conhecidos por terem uma relação instável na igreja, saem e voltam com frequência, e quando saem envolvem-se com traficantes. Porem, a força do sistema é extremamente cuidadosa para não expor suas fragilidades – daí a incerteza sobre todas essas acusações”, conclui Moura. Sobre a maneira como a instituição lidava com as denúncias, Moura ressalta que o “caso acabou sendo proibido de ser falado na igreja e membros chegaram a ser disciplinados por terem acesso a tais reportagens ou por insistirem no assunto.” Em uma circular despachada recentemente pela sede mundial da Igreja Deus é Amor, obreiros e demais membros são expressamente proibidos de manterem qualquer tipo de contato com ex-membros da IPDA.

Outros problemas

Se externamente a IPDA enfrenta acusações de evasão de divisas e lavagem de dinheiro (ainda não comprovadas), internamente também vem enfrentando uma série de problemas que atingem diretamente a cúpula. Com idade avançada (completou 76 anos em julho de 2012), David Miranda começa a dar sinais de que em breve terá de ser substituído na presidência. A dúvida permanece: quem deverá substituí-lo? Sérgio Sóra, ex-braço direito e genro do fundador era, até pelo menos o começo de 2005, a pessoa mais cotada para assumir a presidência mundial da IPDA. No entanto, desentendimentos e troca de acusações forçou a sua saída e de sua esposa Léia Miranda (atualmente se encontram separados, sendo Sérgio Sóra, hoje, presidente da Igreja Evangélica Vida em Cristo, com sede no Rio de Janeiro; Léia Miranda congrega em uma igreja batista, também no Rio de Janeiro). Antes de Sóra, outros dois líderes da IPDA já haviam deixado a denominação para fundar seus próprios ministérios, entre 1991 e 1995. O “autoritarismo” de David Miranda, o rígido controle dos cofres das filiais e mudanças repentinas nas diretrizes da Igreja, são algumas das queixas e motivos de deserção. Declarações polêmicas do fundador, como a de que “Deus não opera nas Assembleias de Deus” e de que as redes sociais Twitter e Facebook (quando pessoas próximas e demais membros da IPDA possuem perfis) são “ferramentas do Diabo”, também são alvos de críticas e descontentamento geral.

"As opiniões ditas pelos colunistas são de inteira e única responsabilidade dos mesmos, as mesmas não representam a opinião do Gospel+ e demais colaboradores."
Por Johnny Bernardo é pesquisador, jornalista, colaborador de diversos meios de comunicação e licenciando em Ciências Sociais pela Universidade Metodista de São Paulo. Há mais de dez anos dedica-se ao estudo de religiões e crenças, sendo um dos campos de atuação a religiosidade brasileira e movimentos destrutivos. Contato: pesquisasreligiosas@gmail.com Google Plus

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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