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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

EVANGÉLICOS ADEREM AO GOSPEL FUNK DE VEZ


Tonzão e os Adudianos

O material abaixo foi publicado pelo site do G1 do Rio de Janeiros.

FUNK GOSPEL ATRAI FÃS E FIÉIS COM O 'PASSINHO DO ABENÇOADO' NO RIO

'A batida é a mesma. As letras que são diferentes', explica Tonzão Chagas

G1 conversou com funkeiros que usam o ritmo pop para animar culto.

Por Cristina Boeckel

Do G1 Rio

Destaque dos Hawaianos, um dos mais conhecidos grupos de funk do Rio de Janeiro, Tonzão Chagas deixou os companheiros em 2011. No auge da popularidade e quando ganhava cerca de R$ 20 mil por mês, ele se converteu à Assembleia de Deus dos Últimos Dias. Tonzão rapidamente ganhou fama no meio, cantando hits como "Passinho do abençoado", e hoje se orgulha de embalar 200 mil pessoas em uma única apresentação.

“O funk é a cultura da periferia. A batida é a mesma. As letras que são diferentes. A dança é uma forma de evangelizar”, conta Tonzão. “Eu não saí dos Hawaianos com a ideia de seguir uma carreira gospel. Eu queria fazer um trabalho social, com jovens de periferia, de ressocialização. E nos Hawaianos eu não tinha tempo para isso", explica.

Assim como ele, outros músicos passaram a dedicar as suas carreiras ao chamado funk gospel (ou gospel funk), que leva para a música evangélica um ritmo que parecia incompatível, com tradição de letras que fazem apologia à violência e ao sexo.
Na transição, o funk passou por adaptações. As roupas curtas, as letras maliciosas e as danças sensuais são trocadas por figurinos comportados, temas religiosos e coreografias animadas, mas bem menos provocantes.

Tonzão fez sucesso na internet com o 'Passinho do Abençoado' (Foto: Divulgação/ Tonzão Chagas)
Tonzão fez sucesso na internet com o 'Passinho do Abençoado' (Foto: Divulgação/ Tonzão Chagas)

Para Tonzão, a ideia de que poderia adaptar sua antiga carreira à sua nova vida surgiu de uma brincadeira com jovens recém-convertidos, como ele, e que o conheciam como funkeiro. Começaram a dançar na igreja e foram chamados pelo pastor, que os viu dançando por uma câmera de segurança e pediu explicações. Contou que estavam dançando como uma forma de louvor.

O vídeo no qual Tonzão canta o “Passinho do Abençoado” pela primeira vez, dançando funk de terno e gravata com companheiros de igreja, tem quase 2 milhões de visualizações em apenas uma das inúmeras cópias que se espalharam pela web.

Sobre o retorno financeiro, Tonzão afirma que ganha bem menos do que quando fazia sucesso no funk “secular” (tradicional), mas afirma que seu dinheiro é melhor empregado.

“Nos Hawaianos eu ganhava mais. Mas hoje eu tenho tempo para ver a minha família. As pessoas diziam que a minha mulher ia me largar. E hoje estamos casados e com dois filhos. O dinheiro não é igual, mas rende melhor. Porque eu não gasto com um monte de mulheres, com baladas e drogas, que eu cheguei a usar por curtição”, afirma Tonzão. Há um ano, ele e sua esposa fazem parte do Ministério Flordelis.

Os MCs Tiago e Diogo voltaram a cantar após um hiato de nove anos na carreira (Foto: MCs Tiago e Diogo/ Divulgação)Os MCs Tiago e Diogo voltaram a cantar após um hiato de nove anos na carreira (Foto: MCs Tiago e Diogo/ Divulgação)

Unindo paixões

Quem também fez uma conversão para o gospel funk foram os irmãos Tiago e Diogo, que começaram a cantar funk ainda adolescentes, em 1995. Eles fizeram parte da primeira geração do ritmo a se destacar no Brasil, ao lado de nomes como Latino, Catra e a dupla Claudinho e Buchecha.

Fizeram shows em todo o país com músicas como “Pegação”, “Palco” e o “Rap do Pombal”. Em 1998, se converteram e decidiram largar tudo. Como a renda da família vinha das apresentações e da execução das músicas, depois de um tempo começaram a enfrentar dificuldades financeiras.

Para sobreviver, fizeram de tudo um pouco: trabalharam como barbeiros, venderam hambúrgeres e se tornaram ambulantes. Mas, ao longo do tempo, a saudade dos palcos começou a bater. Em 2007, juntaram dinheiro e pagaram a gravação de um CD com letras de temática cristã. “Nós gravamos o CD e deu certo. Para divulgar, começamos a colocar caixas de som nas ruas para vender cópias. Assim, vendemos 40 mil CDs”, afirma Diogo.

Tiago e Diogo voltaram a cantar funk após nove anos (Foto: MC Tiago e Diogo/ Divulgação)
Tiago e Diogo voltaram a cantar funk após nove anos (Foto: MC Tiago e Diogo/ Divulgação)

Em 2011, Tiago e Diogo voltaram a fazer sucesso com a música “Brasileirinhos”, em homenagem às crianças mortas no massacre da Escola Tasso da Silveira, em Realengo. Outras músicas começaram a tocar nas rádios especializadas para o público evangélico e eles assinaram contrato com uma grande gravadora em 2013. Entre as músicas da dupla estão “Telefone do Céu”, “Atravessei a Poça” e “Missionário do Funk”.

A dupla atualmente não canta mais músicas seculares, mas Diogo ressalta a importância cultural do gênero na sociedade e na vida dele e do irmão, que se consideram evangelizadores. “Eu consegui unir as minhas duas paixões. Eu vivenciei o funk, que é bacana e não sou contra. Faz parte da cultura. E resolvemos cantar o gospel funk. A mensagem é a diferença. A nossa mensagem é uma mensagem espiritual, para o coração dos jovens”.

Operário do gospel funk

A trajetória de Tonzão e dos MCs Tiago e Diogo se parece com a do MC Henrique H7, de Volta Redonda, no Sul Fluminense. Ele começou a cantar funk aos 13 anos. “No início, eu cantava letras sobre apologia ao crime, sensualidade, sobre a realidade. Aí eu fui para a igreja e transformei a minha vida. Eu vi que o crime não compensa e a música é para alegrar”

Autor de “Ai, que benção”, ele concorda que hoje ganha menos do que ganharia se seguisse carreira no funk tradicional, mas acredita que a sua música cumpre uma função social. Ele tenta conciliar a carreira de shows com as folgas do trabalho em uma indústria, como operário. “Eu vivia em um mundo de coisas fáceis. Talvez estivesse em uma situação financeira melhor, mas com o meu som eu ajudo pessoas”.

Sobre o preconceito contra o ritmo, Henrique H7 afirma que o seu papel é cumprido como o de qualquer outro cantor gospel. “Eu louvo a Deus, só altera o ritmo. Canto funk da mesma maneira que poderia ser um pop ou um rock”.

Mc Henrique H7 é de Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro (Foto: MC Henrique H7/ Divulgação)
Mc Henrique H7 é de Volta Redonda, no interior do estado do Rio de Janeiro (Foto: MC Henrique H7/ Divulgação)

Nova geração

O sucesso do gospel funk já inspira uma nova geração de MCs, que desde o começo de suas carreiras já trabalham exclusivamente com letras de louvor, sem terem passado por uma fase na vertente tradicional do ritmo. Este é o caso da MC Thaísa Soares, de 18 anos, de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Evangélica de berço, canta funk há dois anos e conheceu o gênero musical no Baile dos Cocadas, que tem temática gospel e acontece em Bangu, também na Zona Oeste.

MC Thaísa é de família evangélica e canta gospel funk há dois anos (Foto: MC Thaísa/ Divulgação)
MC Thaísa é de família evangélica e canta gospel funk há dois anos (Foto: MC Thaísa/ Divulgação)

Ela acredita que a música é uma forma de expor suas ideias e evangelizar os jovens. “Desde que eu comecei, o gospel funk cresceu. Era mais difícil e éramos mais criticados. Mas o trabalho segue fluindo”.

Bonita, seus figurinos passam longe do que seria esperado para uma cantora de funk da sua idade. Com calças compridas e camisas com manga, ela entoa canções como “Olha aí ó” e “Vigia para não passar peleja”.

“Como a roupa permitida depende da doutrina da igreja, eu me visto com roupas mais comportadas”, conta a jovem, que paralelamente à carreira musical, planeja fazer faculdade de Engenharia.

Todos os intérpretes ressaltam que o trabalho que fazem é uma maneira de evangelizar os jovens a partir de um ritmo que faz parte da vida deles. Tonzão resume o caso destacando que cantar funk é uma forma de mostrar ao mundo a sua nova realidade, mas sem alterar as suas raízes. “Eu já cantei funk nas maiores igrejas do Brasil. Tudo sem perder a essência. Porque eu sou isso. Eu sou funk, sou favela, sou periferia”.

O artigo original poderá ser visto por meio do seguinte link:


NOSSO COMENTÁRIO

È algo mesmo muito curioso. Os chamados evangélicos depois de anarquizarem com praticamente tudo relacionado com o culto a Deus, agora querem chamar o funk gospel de instrumento de evangelização. Dois exemplos serão suficientes para provar que o funk não tem relação nenhum com o Evangelho da Graça, mesmo quando recebe o apelido de “Gospel”.

1. Tonzão e o Passim do Abençoado


2. Adriano Funk Gospel


Que Deus conceda verdadeiro discernimento a todo seu povo.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 3 de julho de 2015

ESTUDO PARA CASAIS - ESTUDO 031 - A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO — PARTE 5 - O QUE FAZER QUANDO UM ADULTÉRIO ACONTECE?


Estes estudos são parte de uma série de palestras que estamos ministrando nas reuniões de casais da nossa igreja. Os estudos anteriores podem ser encontrados nos links mais abaixo:

A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO — PARTE 5

1. Hoje queremos continuar com nosso estudo sobre “A INCOMPATIBILIDADE DO CASAMENTO”, com ênfase especial na questão envolvendo o adultério.

2. Aconteceu. E agora? Para muitas pessoas o adultério praticado por um dos cônjuges representa o fim do relacionamento. Mas, será que é necessário chegar a esse ponto? Afinal de contas o relacionamento com um terceiro(a) pode ser apenas uma aventura sem sentimentos sérios ou profundos atrelados. O verdadeiro interesse da pessoa continua com o cônjuge.   

3. Diante disso é importante conversar para ver se a parte ofensora tem realmente interesse e vontade de abandonar, de uma vez, o outro relacionamento e se empenhar em tentar fazer sobreviver o relacionamento com o cônjuge. Isso pode e muitas vezes é algo bastante doloroso, para aquele que ofendeu. Se houver muita resistência da parte ofendida em buscar uma reconciliação, a parte ofendida irá desejar se preservar do sofrimento e poderá preferir não ficar nem com o cônjuge nem com a terceira parte, mas partir para algo completamente novo, tentando com isso se esquecer do passado.  

4. Esses motivos devem ser suficientes para chamar a atenção do casal enfrentando essa difícil situação para que não tornem as coisas mais difíceis do que as mesmas já estão. Buscar soluções é o caminho certo. Complicar a situação é o caminho errado.  

5. Censuras, importunações, conselhos, lágrimas, recriminações e ameaças — tudo isso não ajuda em nada a situação. Sermões e ameaças fazem apenas aumentar a culpa e o sofrimento do ofensor, enquanto aumenta a amargura da parte ofendida. O casal precisa se voltar para Deus, o ofensor confessar seu pecado a Deus e ao cônjuge e os dois aceitarem o fato de que Deus, que os uniu, continua amando os dois e desejando vê-los realizados. Quando essa compreensão é alcançada e o casal decide prosseguir com fé, então uma boa parte do grave problema está resolvida.     

6. O ofensor deve procurar ajuda para tentar entender qual foi a motivação emocional que o conduziu para um desvio tão grave. O que estava buscando? Existem mulheres que buscam encontrar o conforto de um pai nos braços de outro homem mais velho. Por outro lado existem homens mais velhos que procuram reencontrar a própria juventude se envolvendo com mulheres mais jovens. É óbvio que nos dois casos, alcançar tais objetivos é impossível.

7. Tais dependências psicológicas possuem raízes profundas na alma das pessoas e, por esse motivo, precisam ser tratadas de acordo. Se não houver real interesse em tratar essas questões do modo pastoral ou com um profissional da área que também seja cristão, então o divórcio torna-se a única opção viável para uma situação intolerável.

8. Estudos mostram que cerca de 50% dos homens entre 21 e 50 anos, são ou foram liberais, do ponto de vista sexual uma ou mais vezes em suas vidas. De fato, essas mesmas pesquisas mostraram que a promiscuidade de homens não casados era apenas um pouco mais elevada do que aquela dos homens casados. Mas, esses mesmos estudos também mostram que 34% de todas as mulheres adultas entre 18 e 45 anos também foram sexualmente liberais uma ou outra vez. As mulheres costumam alegar que estavam apaixonadas — pura mentira — enquanto os homens admitem mesmo que foi pura safadeza.   

9. Amar o cônjuge de verdade — algo nem sempre muito fácil de fazer — em vez de dar chiliques ou fazer ameaças é capaz de produzir os mais inesperados resultados. Dependendo da profundidade das cicatrizes emocionais que foram criadas pela ofensa as duas coisas mais importantes a fazer são: 1) Procurar ajuda tão logo o pecado seja descoberto. Quanto antes o socorro for buscado maiores as chances de recuperação. É semelhante a um ataque cardíaco. 2) Procure entender que algumas dessas situações só se resolvem por meio de um aconselhamento intensivo. É como tratar de alguém numa UTI.  

10. Uma verdade que temos aprendido nesses estudos é que qualquer casamento pode ser melhorado desde que marido e esposa queiram mudar para que as melhoras aconteçam. Não podemos mudar nosso cônjuge. Mas se os dois decidirem mudar por si mesmos, então existirá uma verdadeira possibilidade do casamento melhorar.

11. Bem vamos começar a tratar das questões mais profundas que estão envolvidas em todos os casos de adultério. Até onde podemos ver, o falso deus Eros é tão adorado em nossos dias como acontecia em Éfeso nos dias do apóstolo Paulo. Mas, independentemente dessa situação, uma grande verdade permanece: todos nós somos pecadores e carecemos da graça de Deus. E quanto mais profunda for essa convicção — de que somos pecadores — mais profundamente poderemos experimentar a graça de Deus.      

12. Nenhum tipo de pecado pode causar mais prejuízos para todos os envolvidos do que os pecados cometidos envolvendo nossa sexualidade. Como falamos no estudo anterior, até mesmo as próprias igrejas cristãs estão cheias desses pecados. Mas, por maior que seja o pecado a graça de Cristo será sempre maior. Quando o pecado acontece o maior interesse de Deus está na completa recuperação dos pecadores. Perdão, graça, amor é o que Deus tem para oferecer para todos os que estão verdadeiramente arrependidos. Mas, infelizmente nos dias de hoje o arrependimento tornou-se, praticamente, inexistente em nosso meio, como seres humanos. A situação torna-se ainda mais complicada quando falamos de arrependimento relativo a pratica de imoralidades sexuais. Todavia, é impossível haver recuperação e restauração completa sem um arrependimento, confissão e completo abandono da prática pecaminosa.

Provérbios 28:13

O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.

ESTUDOS ANTERIORES SOBRE O RELACIONAMENTO A DOIS

000 – NÃO DEIXE SEU CASAMENTO NAUFRAGAR

001 – DIFERENÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER – PARTE 1

002 – DIFERENÇAS ENTRE O HOMEM E A MULHER – PARTE 2

003 – NECESSIDADES E PROBLEMAS DA MULHER – PARTE 1

004 – NECESSIDADES E PROBLEMAS DA MULHER – PARTE 2

005 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 1

006 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 2
007 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 3

008 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 4

009 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 5

010 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 6

011 — NECESSIDADES E PROBLEMAS DO HOMEM — Parte 7 — Final

012 — O HOMEM COM GUARDADOR E CULTIVADOR DO CASAMENTO

013 — ENTENDENDO A SUBMISSÃO DO PONTO DE VISTA BÍBLICO

014 — ENTENDENDO QUE HOMENS E MULHERES SÃO IGUAIS, MAS DIFERENTES

015 — SEGREDOS, SEGREDOS, SEGREDOS: O MAIOR DE TODOS ELES

016 — COMO OS MARIDOS MAGOAM AS ESPOSAS – PARTE 1

017 — COMO OS MARIDOS MAGOAM AS ESPOSAS – PARTE 2

018 — COMO SER A MULHER QUE DEUS DESEJA QUE VOCÊ SEJA — PARTE 1

019 — COMO SER A MULHER QUE DEUS DESEJA QUE VOCÊ SEJA — PARTE 2

020 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 1

021 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 2

022 — COMO AMAR SUA MULHER DO JEITO QUE ELA GOSTARIA DE SER AMADA — Parte 3

023 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 001 — O CIÚME

024 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 002 – AS MULHERES E O RELACIONAMENTO COM SEUS PAIS

025 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 003 – ELEVANDO NOSSO GRAU DE TOLERÂNCIA

026 — CONFLITOS QUE PREJUDICAM O CASAMENTO — PARTE 004 – CUIDANDO DAS NECESSIDADES DO OUTRO PARA EVITAR O DIVÓRCIO

027 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 001 — LIDANDO COM O CIÚME

028 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 002

029 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 003

030 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 004

031 — A INCOMPATIBILIDADE NO CASAMENTO PARTE 005

032 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 001

033 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 002
034 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 003

035 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 004

036 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 005 — OS MALES QUE O ADULTÉRIO TRAZ

037 — SEXUALIDADE HUMANA: FATORES QUE NÃO PODEMOS ESQUECER — PARTE 006 — A NECESSIDADE DE VERDADEIRO ARREPENDIMENTO EM CASOS DE ADULTÉRIO

038 — DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS ENTRE AS NECESSIDADES DOS HOMENS E DAS MULHERES

039 — A IMPORTÂNCIA DA AUTOIMAGEM NO CASAMENTO — PARTE 001 — COMO VOCÊ SE VÊ?
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quarta-feira, 11 de março de 2015

JUVENTUDE E FÉ

 
CONEXÃO Evangélicos, Thiago de Lima e Fernanda Freire seguem os preceitos de sua igreja com alegria e convicção

O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista ISTOÉ. O mesmo é de autoria de Rodrigo Cardoso.

A fé da juventude
Estudos inéditos revelam como os jovens se relacionam com Deus e apontam um descrédito das religiões
RODRIGO CARDOSO Foto: MURILLO CONSTANTINO Colaboraram: Hugo Marques e Renata Cabral

O jovem brasileiro dá mais valor à fé do que às igrejas. Ele escolhe professar uma determinada religião por iniciativa própria, não por orientação familiar ou costume. E tem uma relação de intimidade com Deus, sem o temor e a distância tão presentes nas gerações anteriores. Essas são as principais tendências observadas por respeitados especialistas do País, comprovadas por estudos recentes — ainda inéditos e aos quais ISTOÉ teve acesso. Esses estudos revelam que o perfil religioso da população está sofrendo alterações significativas e definitivas. Mais: isso ocorre acima de tudo por conta da atitude religiosa manifestada pela juventude do que pela filiação dela a qualquer religião.

Um dos dados mais reveladores é o da pesquisa do teólogo Jorge Claudio Ribeiro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC)), de São Paulo. Ele ouviu 520 universitários de 17 a 25 anos e, com os resultados, acaba de concluir o livro Religiosidade jovem, ainda na esteira do lançamento. No estudo, a categoria "jovens sem religião" soma 32% dos entrevistados — um percentual infinitamente superior aos números do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que indicam 7,3% da população. Desse total, 12,2% se dizem agnósticos ou ateus e 19,8%, crentes sem religião.

É esta última categoria, dos crentes sem religião, que está revolucionando a maneira como o brasileiro se relaciona com suas crenças. "O espírito buscador do jovem não procura uma instituição religiosa que o enquadre, mas uma doutrina onde ele se encontre", diz a antropóloga Regina Novaes, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para a juventude, explica, a fé está em alta; a religião, não.

Uma das maiores autoridades no assunto, Regina assina - junto com o sociólogo Alexandre Brasil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - um dos artigos no estudo Juventudes: outros olhares sobre a diversidade, uma extensa e criteriosa publicação elaborada em parceria com a Unesco e o Ministério da Educação (MEC). Confeccionado a partir de uma pesquisa da Unesco que ouviu dez mil pessoas de 15 a 29 anos em 26 Estados brasileiros, ele coloca uma luz sobre o comportamento de católicos, evangélicos, espíritas, adeptos da umbanda e do candomblé e dos não religiosos.

Sem dogmas e com camisinha

Umbandista atuante há quatro anos, o paulista André Aguirre Rocha, 23 anos, carrega preservativo na carteira desde os 13 anos e afirma que nunca transou sem camisinha. Segundo a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, de 2004, os adeptos das religiões afro (candomblé e umbanda) são os que mais afirmam ter usado camisinha na última relação sexual (71%). Estudante do curso de teologia umbandista, ele conta que sua religião prega o uso do preservativo como forma de prevenção. "Não existe dogmatismo. A umbanda não nega nada a ninguém", diz.

       

Crente e sem religião, a paulista Andrea Bahni, 22 anos, diz acreditar na existência de um Deus, mas critica a orientação do catolicismo contra o aborto e o uso de preservativos e abomina a prática evangélica de arrecadação de dinheiro por meio de cartão de crédito e débito. Por tudo isso, mantém-se distante de qualquer filiação religiosa, mesmo tendo experimentado várias doutrinas nesse universo de pluralidade que se apresenta nos dias de hoje.

ENTREGA Coral do Santuário de São Judas Tadeu, em São Paulo: relação pessoal com Deus

Dos 13 aos 17 anos, Andrea foi adepta da religião wicca (também chamada de bruxaria). Considerava a existência do Deus Sol e do Deus Lua, até que, ao assistir a um culto evangélico, passou a acreditar em Jesus Cristo. A nova crença, no entanto, não a impede de aceitar o fato de haver vida após a morte e reencarnação, preceitos difundidos pelo espiritismo. Universitária do curso de moda, Andrea já tomou passe em centro espírita, mas, hoje, manifesta sua religiosidade em uma igreja católica perto de sua casa, que frequenta vez ou outra, ou em conversas diárias com o "Papai do Céu" dentro de casa.

MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ

A existência de bricolagens religiosas como a de Andrea e a ausência de vínculos religiosos só são possíveis porque a convicção de que a fé só poderia ser vivida dentro de uma religião, como ocorria em gerações anteriores, não existe mais. Por meio de um questionário, o teólogo Ribeiro verificou a adesão e a rejeição do jovem a algumas crenças. Ele rejeita, por exemplo, o fato de que as pessoas devam ter só uma religião e seguir as orientações dela e está de acordo com a idéia de que ter fé é mais importante do que seguir doutrinas rígidas. "A juventude tem fé não porque é bonito, mas porque precisa, ajuda a propor projetos e avançar na vida", diz o professor da PUC.

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ  

20 minutos diários com Deus

Andrea Bahni não acredita na história de Adão e Eva, mas lê a Bíblia e conversa com Deus por cerca de 20 minutos todos os dias. Estudante de moda de 22 anos, ela já foi da religião wicca (bruxaria), frequentou o espiritismo e a igreja evangélica e, hoje, se diz uma crente sem religião. "Evangélicos já quiseram me converter. Diziam que eu não podia fumar, que balada é lugar do demônio", conta. "As igrejas induzem os fiéis a pensar como eles querem." Para o teólogo Ribeiro, os jovens têm certo respeito pelas religiões e uma crítica às ações das igrejas.

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ

A fé da juventude, portanto, é algo prático, mais antropológico e menos teologal. Religiosidade jovem, que será lançado este ano, mostra que apenas 19,9% das pessoas frequentam algum ritual religioso pelo menos uma vez por semana, 30,5% nunca participaram e 33% o fazem só em ocasiões especiais, como batizados, casamentos ou missas de sétimo dia.
Isso ocorre porque o jovem da atualidade busca uma crença mais como um indivíduo emancipado e menos como o filho que segue a tradição familiar. Assim como vai atrás de um lugar no mundo, ele procura algo em que acredite profundamente. "A juventude não trata a religião como costume, cultura, mas como algo que tem a ver com escolha", diz a antropóloga Regina. Foi por vontade própria que Aparecida Luiza da Silva decidiu ser católica praticante. Ainda pequena, aprendeu com a mãe a rezar o Pai Nosso e a Ave Maria, mas nunca tinha sido levada por ela à missa. Aos 11 anos, foi a uma igreja acompanhada de vizinhos e, desde então, passou a pedir para a mãe levá-la à missa todo final de semana.

Virgem sim. Beata não

Ela lê a Bíblia todos os dias, vai à missa três vezes por semana, mas não se diz beata. Católica praticante há 11 anos, Aparecida Luiza da Silva, 24, frequenta baladas e barzinhos e gosta de dançar forró, mas, mesmo nesses lugares, não deixa de testemunhar sua fé por meio de sua atitude e entusiasmo. Ela se diz de acordo com todas as orientações sexuais do catolicismo. "Tudo que é bom é para ser vivido, mas no momento certo. Quero casar virgem", diz ela.  

MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ

Hoje, aos 24 anos, Aparecida trabalha no Santuário de São Judas Tadeu, em São Paulo, participa do coral da igreja, sai à rua visitando casas para dar seu testemunho cristão e segue as orientações sexuais da doutrina católica. "Não sou beata. Frequento barzinho, danço forró em casas noturnas e já tive namorados", diz ela. "Mas não sou a favor de 'ficar', não quero ser objeto de prazer de ninguém. Vou casar virgem, sexo só depois do casamento." Segundo uma recente pesquisa feita pela socióloga Silvia Fernandes, professora do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), apenas 26,1% dos jovens católicos pensam como Aparecida em relação à castidade.

O estudo denominado Juventude, religião e política na Baixada Fluminense levantou, entre outras questões, o que jovens católicos e evangélicos freqüentadores de igrejas da Baixada Fluminense pensam sobre o sexo antes do casamento. Apresentado em um congresso em Birminghan (Inglaterra) e ainda inédito no Brasil, ele mostra que, entre as mil pessoas ouvidas, os evangélicos são mais conservadores — 88,9% são contrários à prática. Seguidora da doutrina batista, a paulista Fernanda Almeida Freire, 17 anos, afirma que pretende se iniciar sexualmente apenas depois de trocar alianças. A adolescente, que se converteu aos 12 anos por vontade própria, vai à igreja todo final de semana, faz parte de dois ministérios e já preteriu uma viagem à Disney por um acampamento de jovens de sua crença. "Leio a Bíblia e acredito no que está escrito. Por isso, sigo os ensinamentos do Senhor", diz ela.

ALEXANDRE SANTANNA/AG. ISTOÉ
ALEXANDRE SANTANNA/AG. ISTOÉ     

Hormônios domados e muita conversa

Equilibrar as orientações religiosas e os hormônios à flor da pele é uma busca diária do carioca David Bessa, 23 anos. Consultor de uma importadora de cervejas e frequentador da igreja Bola de Neve, ele convenceu a noiva a abdicar da vida sexual que tinham em nome da fé. "Percebo que estamos acabando com os problemas pela conversa, em vez de tentar resolvê-los na cama", conta ele, que é contra a legalização do aborto. Pentecostais como David são os menos favoráveis à descriminalização do aborto, segundo a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira (12%).

Entre os católicos, pontua Silvia, a identidade religiosa está se dissociando de uma necessária obediência doutrinal. Reflexo, em parte, da crise moral pela qual a Igreja Católica passa por reafirmar tradições antigas e não avançar no discurso em relação a novos desafios da modernidade, como célula—tronco, pílula anticoncepcional e uso de preservativo. "O papa esteve no Brasil e veio falar em castidade. Intrometer — se na vida sexual do jovem é um pouco demais! O catolicismo está há décadas de distância da prática real", reclama o teólogo Ribeiro.

Em suas pesquisas com universitários, ele verificou que os pais de seus entrevistados eram mais católicos que os filhos. Enquanto 42,5% dos jovens se diziam católicos, 57,7% dos pais e 60,6% das mães afirmaram o mesmo. Essa crise na transferência geracional da fé, no entanto, não faz do ateísmo (a negação de Deus) o grande beneficiado. São os crentes sem religião que crescem: 19,8% dos entrevistados estão nessa categoria, enquanto pais e mães somam 12,3% e 6,7%, respectivamente.

Amar ao próximo. Do mesmo sexo

Suellen Rodrigues Róbias se tornou kardecista aos nove anos. Hoje, aos 21, é coordenadora de evangelização de 120 crianças no Centro Espírita André Luiz, em Brasília, e participa de mesas de orações para curar os males dos enfermos. Ela, que tem amigos homossexuais, se diz totalmente favorável à legalização da união de pessoas do mesmo sexo, com casamento no cartório. "Quando Jesus falou em amar o próximo, significa amar também a pessoa do mesmo sexo." Os kardecistas são os que mais aprovam a legalização desse tipo de relacionamento (73%), de acordo com a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, de 2004.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ
ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

É fato que no campo religioso, hoje, há muitas outras formas não institucionais de espiritualidade, como esotéricas, holísticas, nova era, e não raro se encontram em uma mesma família quatro, cinco religiões presentes. Os símbolos religiosos, antes difundidos na igreja e no âmbito familiar, circulam mais por outras áreas de domínio público, como em blogs sobre religião, nas camisetas dos jogadores de futebol e em feirinhas. Até na moda. Tudo isso facilita o espírito buscador do jovem e sua adesão ao estado de "religioso sem religião".

Nesse universo, é socialmente possível — algo impensável em épocas passadas — um jovem ir à missa de manhã e meditar em um templo budista à noite. "Na juventude é o momento de se experimentar. E, hoje, também se experimenta religião", enfatiza a pesquisadora Regina.


O artigo original do site da Revista ISTOÉ poderá ser visto por meio do seguinte link:


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