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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 005 — O SERVO DE NOSSAS TRANSGRESSÕES


Resultado de imagem para isaías 53:7

CONTINUAÇÃO... PARTE 005

53:7—9: A submissão do Servo

Os v.7—9 focalizam a morte voluntária do Servo. Apesar das humilhações sofridas, o Servo seria honrado por ETERNO. 

7 Foi oprimido,50 mas livremente ele se humilhou,51 e não abriu a boca;
como cordeiro foi levado ao matadouro;
e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores,
não abriu a boca.52

8 Depois do aprisionamento e do julgamento, foi arrebatado,53
e de sua linhagem, quem dela cogitou?
Porquanto foi cortado da terra dos viventes;
por causa da transgressão do meu povo,54, 55 foi ferido.56

9 Designaram57  a sua sepultura com os ímpios,
mas com o rico58  esteve na sua morte,59
ainda que não praticasse violência,
e nem engano se achasse em sua boca.

O v.7 descreve a morte submissa do Servo, que, como um “cordeiro” conduzido ao “matadouro”, “não abriu a boca”. O termo “oprimido” é a tradução da forma verbal niggas, nifal perfeito de nagas, “ser duramente pressionado”. Apresenta o sentido de ser “maltrato” (BJ). A mesma forma verbal é empregada em Êxodo 3.7, referindo-se à opressão dos egípcios sobre os israelitas. “Não era apenas uma coerção ou uma leve angústia emocional. Denota uma situação real, concreta, de sofrimento pesado.”60 A sentença seguinte inicia-se pela partícula adversativa “mas61 ele livremente se humilhou”. Enfatiza-se assim que o maltrato sofrido é voluntário. No texto hebraico, o sujeito da ação verbal é o pronome independente terceira pessoa masculina hu’, “ele”, que precede o nifal partícipio ‘anah “ser humilhado”, “ser afligido”. Normalmente a língua hebraica não utiliza o pronome pessoal antes das formas verbais. Quando utiliza, é porque focaliza o sujeito da ação. No caso, o pronome aqui em Isaías 53.7 enfatiza a voluntariedade do Servo; ou seja, se sofreu, é porque “ele livremente se humilhou”.  A terceira sentença, por sua vez, descreve o silêncio do Servo: “e não abriu a boca”.

É difícil não identificar aqui o Servo apresentado na nova aliança. As páginas do Novo Testamento apresentam tanto a submissão,
 
Lucas 9:51
Aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser assunto ao céu, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém

como o silêncio,  

Mateus 27:11, 14

11 Jesus estava em pé ante o governador; e este o interrogou, dizendo: És tu o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes.

14 Jesus não respondeu nem uma palavra, vindo com isto a admirar-se grandemente o governador.

do Servo. O seu silêncio evidencia sua submissão. Cristo entregou-se voluntariamente. É verdade que Ele foi condenado à cruz por meio de um julgamento injusto e calunioso —

Mateus 26:59—61

59 Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus, a fim de o condenarem à morte.

60 E não acharam, apesar de se terem apresentado muitas testemunhas falsas. Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:
61 Este disse: Posso destruir o santuário de Deus e reedificá-lo em três dias.

Lucas 23:2—4, 13—16.

2 E ali passaram a acusá-lo, dizendo: Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei.

3 Então, lhe perguntou Pilatos: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Tu o dizes.
4 Disse Pilatos aos principais sacerdotes e às multidões: Não vejo neste homem crime algum.

13 Então, reunindo Pilatos os principais sacerdotes, as autoridades e o povo,

14 disse-lhes: Apresentastes-me este homem como agitador do povo; mas, tendo-o interrogado na vossa presença, nada verifiquei contra ele dos crimes de que o acusais.

15 Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a enviar. É, pois, claro que nada contra ele se verificou digno de morte.
16 Portanto, após castigá-lo, soltá-lo-ei.

Contudo, não foram essas coisas que levaram Jesus à morte. Ele morreu porque se entregou a si mesmo —

1 Pedro 2:23

Pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente.

Alguém já disse que não foi o ódio dos judeus que matou Jesus, nem o poder dos romanos. Foi Deus, o Pai, que entregou o Filho, e este voluntariamente se entregou como oferta pelos nossos pecados.

Na primeira frase do v.8, é difícil saber o sentido da preposição min “de”, prefixada no substantivo ‘oser “aprisionamento”. Neste texto, ela pode apresentar três sentidos: o sentido separativo (o Servo foi arrebatado/ “separado da terra”[grifo nosso]62 /libertado da opressão e do juízo – ou seja, foi liberto da morte e levado ao céu pela ressurreição, após sua morte), o sentido causativo (Servo foi libertado por causa dessas coisas) ou sentido temporal (o Servo foi libertado depois dessas coisas). Possivelmente o texto indica a prisão e o julgamento seguidos da prisão. A tradução da Bíblia de Jerusalém apoia essa interpretação: “Após detenção e julgamento, foi preso”. O termo ‘oser “aprisionamento” também apresenta o sentido de sofrimento ou angústia,63 sugerindo um aprisionamento acompanhado de torturas; o significado de ‘oser é “restrição”, “coerção” (Strong) ou “encerrar”, “aprisionar”.64 Esta palavra hebraica só ocorre em outras duas passagens do Antigo Testamento: Pv 30:16 (referindo à esterilidade); Salmos 107:39 (possivelmente referindo ao “aprisionamento”, como em Isaías 53:8). Na sequência do texto isaiano, lê-se o substantivo mixpat “julgamento”. No fim da frase, o verbo traduzido pela BJ como “foi preso” é o hebraico luqah qal perfeito, de laqah “arrebatar”, “tomar e levar embora”, traduzido mais literalmente como “foi arrebatado” (como na ARA). O sentido dessa primeira frase do v.8 é que após a detenção violenta (‘oser) e após o processo de julgamento (mixpat), o Servo foi condenado (luqah).

A sentença seguinte é uma indagação: “e de sua linhagem, quem dela cogitou?”. A palavra hebraica dor “significa geração que está viva num determinado período de tempo” 65 Dessa forma, o texto de Isaías refere-se aos contemporâneos de Jesus que não entenderam a razão de sua morte.66  O significado teológico da morte do Servo só é possível mediante a iluminação do Senhor.67  A sabedoria deste mundo é incapaz de reconhecer a cruz —

1 Coríntios 2:8

Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória;

A frase seguinte afirma que o Servo “foi cortado da terra dos viventes”. A raiz verbal gazar “cortar”, empregada em outros textos para o corte de árvores (2 Reis 6:4), descreve uma morte violenta. Isso é evidenciado na última frase do v.8: “foi ele ferido”, literalmente “um golpe para ele” (nega’ lamo). A morte do Servo é evidenciada na tradução da LXX: “ele foi levado à morte” (sugerindo a retroversão para o hebraico lammawet “para a morte”, em lugar lamo “para ele” ).68 O hebraico nega‘ “golpe”, “ferida”, é um ato de Deus (Êxodo 11:1) contra o Servo. Muitos comentaristas salientam que a violência descrita nesse texto é semelhante ao Salmo 22. Portanto, o “golpe” “representava mais que mera doença, ou mera violência, ou mera perseguição, mas seria a combinação de tudo que é mais terrível em todas elas: o total abandono da parte de Deus (Salmos 22:1 [TM: 22:2]) que o Novo Testamento chama de ‘segunda morte’ (Ap 2.11)”.69

Pela frase “por causa da transgressão do meu povo”, o texto novamente reitera, como em 53:4—6, que a morte do Servo é substitutiva. Foi a “transgressão/rebelião” (pexa‘) do seu “povo” que conduziu o Messias à morte.

Na primeira frase do v.9, o verbo “designaram” é tradução de yiten “ele designou”, qal com waw consecutivo imperfeito terceira pessoa masculina singular, de natan “dar”, “pôr”, “estabelecer”. Provavelmente trata-se do singular coletivo daqueles que crucificaram o Servo. A segunda frase, “mas com o rico esteve na sua morte”, apresenta problemas de tradução. Seguimos aqui o TM: ‘axir,“rico” (adjetivo) e bemotayw  “em sua morte”.  Os inimigos do Servo planejaram uma morte desonrosa para Ele. Crucificaram-no entre dois salteadores —

Lucas 23:32—33

32 E também eram levados outros dois, que eram malfeitores, para serem executados com ele.

33 Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, ali o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita, outro à esquerda.

No entanto, a profecia de Isaías haveria de se cumprir. Por isso, Deus levantou um homem rico de Arimateia, chamado José, que sepultou o Servo num túmulo novo, entre os ricos. Assim o Servo foi honrado, mesmo em sua humilhante morte.

As duas últimas frases do v.9 descrevem a inocência do Servo. Ele foi morto, “ainda que não” (‘al lo’ )70 tenha praticado (verbo ‘asah “fazer”) nenhuma “violência” (hamas). A palavra hamas “violência”, “injustiça” (ARA), essencialmente apresenta a ideia de violência pecaminosa, denotando maldade extrema.71 Também, não havia “engano” em sua boca. O substantivo mirmah, “engano”, “traição”, comumente é empregado no Antigo Testamento para se referir às palavras traiçoeiras e enganosas (Gn 27.35; 34.13; Sl 10.7; 17.1; 24.4; etc.).72  Quer dizer, somente os malfeitores, enganadores e traidores é que mereciam a morte violenta descrita nesses versos. No entanto, o Servo inocente esteve entre os “ímpios”. Foi tratado como um malfeitor. É assim que Cristo foi considerado por seus algozes. 

Portanto, a estrofe composta por 53.7—9 apresenta a entrega voluntária do Servo (v.7), sua prisão, julgamento, condenação e morte (v.8, 9).

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O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica. 

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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NOTAS

50 nagas nifal perfeito “ser duramente pressionado”.

51 wehu’ na‘aneh “mas ele livremente se humilhou”: pronome independente terceira pessoa masculina hu’ “ele”, com ‘anah nifal particípio “ser humilhado”.

52 BHS: provavelmente esta frase precisa ser deletada.

53 laqah qal perfeito “arrebatar”, “tomar e levar embora”.

54 TM: ‘ammi “meu povo”. 1QIsa: ‘amo “seu povo”. Westermann sugere a primeira pessoa comum plural “nosso povo”. Claus Westermann, Isaiah 40-66, p. 254.

55 TM: mippexa‘ ‘ammi “por causa da transgressão do meu povo”.  BHS: provavelmente mippix‘am “por causa da transgressão deles”.

56 TM: nega‘ lamo “um golpe para ele”. 1QIsa: nugga‘ ou nigga‘ (pual?) “ele é ferido”. LXX: “ele foi levado à morte”, propondo a retroversão para o hebraico lammawet “para a morte” em lugar de lamo “para ele”.  

57 TM: wayyiten “e ele designou”, qal com waw consecutivo imperfeito terceira pessoa masculina singular de natan “dar”, “pôr”, “estabelecer”. 1QIsa: wayitnu “eles designaram”. BHS: wayuttan.

58 TM: ‘axir adjetivo masculino singular “rico”. BHS: provavelmente se‘irim  “demônios”. No entanto, tanto a LXX como o Targum traduzem “rico”, e, portanto, o TM não precisa ser alterado. Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 456.

59 TM: bemotayw “em sua morte”.  1QIsa: bwmtw “o seu túmulo” ou “seu lugar alto”. Para uma defesa da tradução “seu lugar alto”, veja Betty Bacon, Estudos na Bíblia Hebraica, São Paulo, Vida Nova, 1991, p. 258.

60 Isaltino Gomes Coelho Filho. Isaías, p. 172.

61 Waw conjuntivo, aqui no sentido adversativo.

62 J. Ridderbos, Isaías, p. 433. 

63 Joseph Addison Alexander, Commentary on Isaiah, Grand Rapids, Kregel Publications, 1982, p. 300.

64 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 478.

65 J. Ridderbos. Isaías, p.434, nota 30.

66 Isaltino Gomes Coelho Filho. Isaías, p. 172.

67 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 454.

68 Veja BHS.

69 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 477.

70 A preposição ‘al “sobre”, seguida pelo advérbio de negação lo’ “não”, essencialmente significa “porque não”. Nelson Kirst et. al., Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 179. Abre-se assim a possibilidade de as duas últimas frases serem traduzidas como “porque não praticou violência, nem dolo algum se achou em sua boca”, indicando que a honraria que o Servo receberia por ocasião de sua morte (“com o rico esteve na sua morte”) ocorreria em virtude de sua inocência.

71 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p. 485.

72 R. Laird Harris; Gleason L. Archer Jr.; Bruce K. Waltke (organizadores), Dicionário internacional de teologia do Antigo Testamento, p. 1431.

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terça-feira, 23 de agosto de 2016

O SERVO SOFREDOR DE ISAÍAS E O DEBATE COM OS JUDEUS — PARTE 004 — O CASTIGO QUE NOS TRAZ A PAZ



CONTINUAÇÃO... PARTE 004

53:4—6: A morte vigária do Servo

Os v.3—6 descrevem a morte substitutiva do Servo. O texto apresenta a primeira pessoa do plural (“nós”). É a comunidade que fala, como em 53:1—3. O Servo foi castigado no lugar das pessoas dessa comunidade.

4 Certamente, ele carregou os nossos sofrimentos37
e as nossas dores ele38  levou;
e o reputávamos como machucado, ferido por Deus e oprimido.

5 Mas ele foi traspassado39  pelas nossas transgressões
e moído pelas nossas iniquidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele,40
e suas feridas foram cura para nós.41

6 Todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados;
cada um se desviava pelo seu caminho,
mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós.

No v.4, a linguagem das duas primeiras frases aproxima-se da segunda frase do v.3 (“homem de dores e que conhece o sofrimento”). Novamente o profeta emprega os termos mak’obot “dores” e holi “sofrimento”, “doença”. Como já foi observado na análise do v.3, o termo holi não somente refere-se aos males físicos relacionados à doença, mas abrange todo tipo de sofrimento humano. mak’obot “dores” inclui sofrimentos físicos e mentais. Portanto, o Servo não sofre de alguma doença infectocontagiosa. O texto simplesmente realça sua dor e o seu sofrimento, tanto no âmbito emocional como no físico.  A análise dos verbos utilizados aqui revela que a morte do Servo seria vigária.  O verbo nasa’ “carregar” (“levantar”, “erguer”, “tomar”) apresenta o sentido da morte substitutiva do Servo. O mesmo verbo é empregado em Levítico16:22 em referência ao bode vivo, que, no “dia da expiação” (yom kippur), carregava sobre si as “iniquidades” de Israel, e as levava para o deserto: “aquele bode levará (nasa’) sobre si todas as iniquidades deles para terra solitária”.  O verbo sabal “carregar” apresenta o sentido de “carregar uma carga”, “arrastar-se”. No caso, era o ‘fardo’ do sofrimento da comunidade que pesava sobre o Servo. Ele “tomou sobre si” e “levou sobre si”; “consequentemente, carregou-o vicariamente como alguém que toma um fardo pesado do ombro de outrem e o carrega para aquela pessoa”.42

A última frase do v.4 continua a descrever o sofrimento do Servo. Ele é considerado pela comunidade como “machucado”, tradução de naga‘qal particípio “tocar”, “alcançar”, “bater”. A expressão seguinte o descreve como “ferido por Deus e oprimido”. O primeiro verbo, nakah hofal particípio “ser ferido”, “ser golpeado”, apresenta “Deus” como sujeito da ação. O segundo verbo, ‘anah poal particípio, pode ser traduzido como “ser oprimido”, “ser afligido”, “ser humilhado”, e, à semelhança do verbo anterior, a ação apresentada por ele é praticada por “Deus”. Quer dizer, não são homens que levam o Servo ao sofrimento, mas o próprio Deus. O plano não é humano; é divino.

Se no v.4 o Servo carrega sobre Si o sofrimento da comunidade, o v.5 explicitará que sua morte substitutiva não ocorre somente para suportar as dores do seu povo, mas, principalmente, para proporcionar o perdão dos pecados para ele. No TM/Texto Massorético, a forma verbal meholal “foi transpassado” é o poal particípio de halal “profanar”. Segundo a BHS, provavelmente trata-se de mehullal “profanado”, corroborado por Aquila e pelo Targum. No poal, grau em que se encontra o verbo hebraico, o sentido é de “ser ferido” (Strong’s Hebrew), e a raiz halal alude ao perfurar do corpo com um instrumento afiado — Isaías 51:9; Salmos 109:22).43  Trata-se, pois, de uma morte violenta — Isaías 22:2; 66:16 —, resultante de uma perfuração. É impossível não identificar aqui aquilo que é descrito por

Mateus 27:35

Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte.

O verbo grego utilizado por Mateus para “crucificar” é stauroo, que significa “fixar” ou “fincar com estacas”. A palavra “cruz” literalmente significa “estaca”, porque originalmente, no antigo Israel, era uma estaca usada em fortificações, e depois passou a ser usada como instrumento de tortura e morte. Num período posterior, possivelmente na época dos romanos, adicionou-se uma travessa horizontal (patibulum), na qual a pessoa era amarrada ou cravada. Notadamente o texto isaiano já antevia a crucificação do Messias, exatamente nos termos em que é descrita no NT.

Na sequência, o verbo “moído” é a tradução do hebraico dakah pual particípio “ser esmagada”, “ser despedaçado”. A razão de tamanha violência são as “iniquidades” da comunidade. O hebraico ‘awon “iniquidade” apresenta o sentido de “perversidade”, “depravação”. Já o termo pesha’ “transgressão”, na primeira frase do v.5, enfatiza a rebelião contra a autoridade de Deus.44

Os termos “transpassado” e “moído”, juntos, descrevem a terrível violência de Deus contra o Seu Servo. Afinal, é assim que Deus trata o pecado: com morte violenta. Nota-se aqui a seriedade da rebelião contra Deus. Não há outro jeito de lidar com o pecado, senão através da morte que é o salário do pecado. Assim, a morte violenta do Servo sinaliza a seriedade do pecado.

É importante também notar que os antigos israelitas acreditavam que todo sofrimento é resultado do pecado (veja a história de Jó; também João 9:2). Segundo esse ponto de vista, muitos achavam que o Servo estava sendo castigado por Deus por causa de algum pecado por ele cometido, quando, na verdade, estava sofrendo por causa das nossas transgressões.45

O final do v.5 ressalta que a morte do Servo trouxe “paz” para a comunidade: musar xelomenu ‘alayw “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”, literalmente “o castigo da nossa paz”. No hebraico trata-se de um genitivo que indica propósito: a punição sobre o Servo apresenta o propósito de trazer a “nossa paz”, implicando que a paz com Deus foi obtida mediante a morte do Servo que sofreu a justa punição requerida pelo próprio Deus.46  O termo musar “castigo” evoca a “disciplina” de um pai aplicada ao filho —

Jó 5:17

Bem-aventurado é o homem a quem Deus disciplina; não desprezes, pois, a disciplina do Todo-Poderoso.

Provérbios 22:15

A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.

Provérbios 23:13

Não retires da criança a disciplina, pois, se a fustigares com a vara, não morrerá.

A “paz”, xalom, é o bem-estar resultante de relações pessoais equilibradas e saudáveis. Quando o filho se rebela, o pai é ofendido, e o xalom/”bem-estar” é rompido; somente o “castigo/disciplina” pode satisfazer a justiça e restabelecer o xalom.47  Assim também, Deus não poderia se relacionar com o homem, até que sua justiça fosse satisfeita. Foi justamente a obra de Cristo que tornou possível a paz entre Deus e o homem —

Romanos 5:1

Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.

A última frase do v.5 afirma que “suas feridas foram cura para nós”. O verbo rapa’ “curar” não se refere somente à cura física. Isaltino Gomes afirma que, em Isaías 6:10, o verbo está relacionado com a conversão, e em 1 Pedro 2:24 “este texto é aplicado à obra de Jesus e a questão de ser sarado está ligado a ser salvo... ‘Sarar’ ou ‘curar’ é mais amplo que não ter doenças. É ter a maior de todas as curas, a saúde de relacionar-se bem com Deus.”48  Em Isaías 19:22, o mesmo verbo também está relacionado com a conversão. Portanto, é possível afirmar que rapa’ alude tanto à cura física quanto à espiritual, indicando a restauração holística do ser humano, que, aliás, é um conceito soteriológico muito importante no Antigo Testamento.49

As duas primeiras frases do v.6 ilustram a rebelião do pecado humano. Aqueles que cometem “iniquidade” (hebr. ‘awon) são como ovelhas desgarradas. Na segunda frase, a palavra ledarko pode ser traduzida como “pelo seu caminho” ou “para o seu caminho”. O termo derek “caminho” está prefixado com a preposição le, “para”, “em direção a”, e sufixado com o pronome na terceira pessoa “seu”, “dele’. Ou sentido da frase é: “cada um queria seguir o seu próprio caminho”. Aqui está o cerne do pecado. É o egoísmo. É a busca pela realização pessoal elaborada a partir de uma vida que trilha seus próprios caminhos independentemente da vontade de Deus. É a rebelião contra Deus em nome da realização de sonhos pessoais.

A última frase do v.6, à semelhança do v.5, descreve a morte vigária do Servo. Mas há um enfoque especial nela: “mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós”. A morte do Servo efetiva a expiação da “iniquidade de todos nós”. A palavra hebraica kullanu “todos nós” ocorre no início do v.6 e no seu final. É a primeira e a última palavra do verso. No início, todos se rebelam contra Deus. No final, todos são perdoados pela morte do Servo. Então, todos pecaram, mas o perdão alcançado pela morte do Servo está disponível para todos. É preciso explicar, contudo, que o “todos”, no contexto do quarto Cântico do Servo, são o conjunto de pessoas que compõem a comunidade de ETERNO.

Nossa análise dos v.4-6 constatou que o “servo” mencionado nesses versos de modo algum pode ser aplicado a Israel. O povo de Israel e o de Judá sofreram merecidamente os exílios. Pecaram. Diferente de Israel, o Servo era inocente. O Servo enfrenta o sofrimento cruel por causa dos pecados dos outros.

CONTINUA...

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O texto original poderá ser acessado por meio desse link aqui:


Luciano R. Peterlevitz

Bacharel em Teologia (FTBC e FATEO/UMESP); Mestre e Doutor em Ciências da Religião, na área de Literatura e Religião no Mundo Bíblico, pela Universidade Metodista de São Paulo. Coordenador Acadêmico da Faculdade Teológica Batista de Campinas, onde também leciona Hebraico, Antigo Testamento e Hermenêutica Bíblica nos cursos de Bacharelado em Teologia e Pós-graduação em Exposição Bíblica.


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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NOTAS

37 holayenu “nossos sofrimentos”. É mesmo termo do v.3, holi “doença, sofrimento”. Nelson Kirst et. al., Dicionário hebraico-português e aramaico-português, p. 69.

38 BHS: A Siríaca, a Vulgata e aproximadamente 20 manuscritos medievais apresentam o pronome na terceira pessoa hu’ “ele”.

39 meholal poal partícipio “transpassado”, de halal “profanar”. BHS: provavelmente mehullal “profanado”, corroborado por Aquila e pelo Targum.

40 musar xelomenu ‘alayw “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele”, literalmente “o castigo da nossa paz”; um genitivo de propósito: “castigo designado para nossa paz”. John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 468.

41 rapa’ nifal perfeito singular seguindo pela preposição le (“para) com o pronome da primeira pessoa plural nu (nós).

42 J. Ridderbos, Isaías,p. 428.

43 Shalom M. Paul, Isaiah 40-66: Translation and Commentary, Grand Rapids, Eerdmans Publishing, 2012, p. 405 (Eerdmans Critical Commentary).

44 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

45 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías, p. 168-169.

46 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

47 John N. Oswalt, Comentário do Antigo Testamento: Isaías, p. 473.

48 Isaltino Gomes Coelho Filho, Isaías, p. 170.

49 Gary V. Smith, Isaiah 40-66, p. 451.

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terça-feira, 22 de setembro de 2015

VIDA, MORTE, ESTADO INTERMEDIÁRIO E ESTADO ETERNO — Estudo 6 - O SER HUMANO CRIADO POR DEUS – Parte 3




Essa é uma série cujo propósito é estudar os conceitos bíblicos de vida, morte, estado intermediário e eternidade. No final de cada estudo você irá encontrar links para outros estudos. A Série tem o título Geral de: Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade. 


A Redenção: Somos filhos de Deus e Herdeiros do Universo 

O ser humano — a raça humana — é um ser caído. Mas devido a sua exclusiva criação ele é visto tanto como sendo capaz de ser redimido como digno de ser redimido. 

O valor do homem pode ser medido pelo interesse e envolvimento pessoal do Deus Criador no processo de criação dos seres humanos — macho e fêmea. A morte substitucionária — vicária, no lugar de — de Cristo é algo único e exclusivo na Historia da humanidade. E esse ato de substituição é completo é capaz de salvar o homem da ruína da queda. 

A obra redentora de Deus atinge o seu clímax quando o pecador rebelde é adotado, como filho de Deus, mediante a fé em Cristo Jesus, conforme lemos em —

João 1:12

Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome.


Gálatas 3:26

Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus.

Na ressurreição os filhos de Deus serão revelados e entronizados como herdeiros do universo, de acordo com –

Romanos 8:17—23

17 Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados.

18 Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.

19 A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus.

20 Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou,

21 na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.

22 Porque sabemos que toda a criação, a um só tempo, geme e suporta angústias até agora.

23 E não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.

Teorias como a da reencarnação ou transmigração da alma são expostas como fraudes, em função da obra redentora de Deus por meio do Senhor Jesus Cristo — 

1 João 1:7 e Hebreus 1:3 ® elimina o ciclo cármico:

1 João 1:7

Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. 

Hebreus 1:3

Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas. 

1 Pedro 2:24 ® elimina a necessidade de sacrifícios

1 Pedro 2:24

Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. 

Hebreus 10:10,12,14 ® um único sacrifício nos aperfeiçoa:

Hebreus 10:10,12,14

10  Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.

12  Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus.

14  Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados. 

Agora nosso entendimento está completo:

1. Somos criados a Imagem de Deus.

2. Somos pecadores rebeldes contra nosso Criador

3. Somos adotados como filhos de Deus e herdeiros do universo.

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Estudo 014 A — Vida, Morte, Estado Intermediário e Eternidade — Conclusão: A Crença na Imortalidade como algo Universal.
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/02/vida-morte-estado-intermediario-e.html
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Alexandros Meimaridis 
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quinta-feira, 3 de julho de 2014

JOÃO 17 - ESTUDO 001 - O SENHOR JESUS — O GRANDE SUMO SACERDOTE — PARTE 002



Essa é série de estudos baseada em João capítulo 17 que é conhecido como: “A ORAÇÃO SACERDOTAL DE CRISTO” a favor de todos os seus discípulos de todas as épocas. É um estudo bastante aprofundado de João 17 e de todas as suas implicações. É bastante conveniente que o leitor prossiga nesses estudos até o final para poder usufruir melhor do conteúdo dos mesmos. No final de cada estudo o leitor encontrará links para os outros estudos.  

JOÃO 17 - Estudo # 1 —  parte 002


iii. Sua Vida: a preparação para Seu sacerdócio.

Hebreus 5:1—10

Porque todo sumo sacerdote, sendo tomado dentre os homens, é constituído nas coisas concernentes a Deus, a favor dos homens, para oferecer tanto dons como sacrifícios pelos pecados, e é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram, pois também ele mesmo está rodeado de fraquezas. por esta razão deve oferecer sacrifícios pelos pecados, tanto do povo como de si mesmo. Ninguém, pois, toma esta honra para si mesmo, senão quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão. Assim, também Cristo a si mesmo não se glorificou para se tornar sumo sacerdote, mas o glorificou aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei; como em outro lugar também diz: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem, tendo sido nomeado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.

Comentário: O Senhor Jesus viveu nosso tipo de vida e experimentou muitos dos nossos pensamentos, sentimentos, desejos e problemas. Ele trabalhou na carpintaria de Seu pai. Ele tinha as mesmas limitações que nós temos. Exatamente por causa dessas experiências é que ele pode demonstrar compaixão por nós e nos ajudar na nossa hora de necessidade:

Hebreus 2:17—18

Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados.

iv. Sua Morte: a apresentação do Seu sacrifício sacerdotal.
Hebreus 9:25—26

Nem ainda para se oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no Santo dos Santos com sangue alheio. Ora, neste caso, seria necessário que ele tivesse sofrido muitas vezes desde a fundação do mundo; agora, vicária – em nosso lugar em substituição a nós - porém, ao se cumprirem os tempos, se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado.

Comentário: O sofrimento e o significado do sacrifício de Jesus vão muito além da nossa capacidade de compreensão. Nos choca, pensar que, Jesus, o Filho de Deus — nosso criador – deu-Se a Si mesmo como oferta para pagar pelos nossos pecados; morreu a morte que nós deveríamos morrer; suportou o castigo do inferno — ser separado de Deus por toda a eternidade — em nosso lugar e suportou, a nosso favor, o juízo e a condenação de Deus.

v. Sua Ressurreição: a prova de que Seu sacrifício sacerdotal foi aceito.

1 Coríntios 15:17—20

E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os que dormiram em Cristo pereceram. Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens. Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem.

Comentário: A ressurreição de Jesus Cristo é uma evidência pública de que sua morte sacrificial foi suficiente para nos perdoar — satisfazendo a justiça de Deus — os pecados, libertar da escravidão a Satanás e obter a vitória sobre a morte —

Romanos 6:4, 14

4 Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida.

14 Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.


Colossenses 2:13—15.

13 E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos;


14 tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu- o inteiramente, encravando-o na cruz;

15 e, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz.

vi. Sua Ascensão: a promoção do seu sacerdócio de terreno para celestial.

Hebreus 9:24

Porque Cristo não entrou em santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para comparecer, agora, por nós, diante de Deus.

Comentário: Na sua ascensão o Senhor Jesus iniciou seu ministério celestial de interseção. Dessa maneira, Ele aplica o valor do Seu sacrifício sacerdotal a todos que o pai lhe dá —

João 6:37

Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.

O fato de Jesus interceder continuamente a nosso favor é a base da nossa segurança espiritual —

Hebreus 9:25

Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

D. O Significado do Trabalho de Jesus como Nosso Representante: A Base do seu Sacerdócio.

Romanos 5:8

Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.


Gálatas 4:4—5

Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.

Comentário: Através do Seu nascimento no gênero humano, o Senhor Jesus entrou em um relacionamento conosco, onde Ele podia, se tornar nosso representante diante de Deus. Dessa forma nós somos identificados n’Ele. Ele morreu de uma forma tal que o benefício da sua morte em nosso lugar pode ser transferido a nós. Quando as Escrituras dizem que Jesus morreu por nós, estão dizendo “a favor de nós” ou “em nosso lugar”.

Em certo grau, esta capacidade representativa do Senhor Jesus se estende a todas as facetas da Sua obra — Sua vida, morte, ressurreição, ascensão, a doação do Espírito Santo, bem como sua presente intercessão a nosso favor.

Isto tudo indica que o Senhor Jesus tem o direito, a capacidade e o desejo de nos libertar das garras do Diabo. Nós podemos ler acerca disso em

Hebreus 2:14

Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo.

E. O Significado e a Natureza do Sacerdócio de Jesus.

1. O Sacerdócio de Cristo é Imutável.

Hebreus 7:23—24

Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar; este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável.

2. O Sacerdócio de Jesus é Poderoso.

Hebreus 7:25

Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

3. O Sacerdócio de Jesus é Santo.

Hebreus 7:26

Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus.

4. O Sacerdócio de Jesus é Autoritativo.

Hebreus 7:26

Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus.

5. O Sacerdócio de Jesus é Vicário – Ele é nosso Substituto.

Hebreus 7:27

Que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu.

6. Jesus tem um sacerdócio perfeito.

Hebreus 7:28

Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.

Comentário: Se você crê no Senhor Jesus, você tem mais do que um Redentor n’Ele. Você tem um Redentor—Sacerdote. Jesus assumiu a inteira responsabilidade por você. Como Sumo Sacerdote ele é teu:

1. Precursor

Hebreus 6:17—20

17 Por isso, Deus, quando quis mostrar mais firmemente aos herdeiros da promessa a imutabilidade do seu propósito, se interpôs com juramento,

18 para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta;

19 a qual temos por âncora da alma, segura e firme e que penetra além do véu,

20 onde Jesus, como precursor, entrou por nós, tendo-se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

2. Segurança

Hebreus 7:20—28

20 E, visto que não é sem prestar juramento (porque aqueles, sem juramento, são feitos sacerdotes,

21 mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre);

22 por isso mesmo, Jesus se tem tornado fiador de superior aliança.

23 Ora, aqueles são feitos sacerdotes em maior número, porque são impedidos pela morte de continuar;

24 este, no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável.

25 Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.

26 Com efeito, nos convinha um sumo sacerdote como este, santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores e feito mais alto do que os céus,

27 que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isto uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu.

28 Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza, mas a palavra do juramento, que foi posterior à lei, constitui o Filho, perfeito para sempre.

3. Mediador

Hebreus 8:6; 9:15

6 Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas.

15 Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados.

4. Advogado

1 João 2:1—2

1 Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo.

2 Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é.

5. Aquele que prometeu voltar

Hebreus 9:28

Assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam para a salvação. 

OUTROS ESTUDOS EM JOÃO 17

JOÃO 17 — ESTUDO 001 — O SENHOR JESUS — O GRANDE SUMO SACERDOTE — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 001 — O SENHOR JESUS — O GRANDE SUMO SACERDOTE — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 002 — O SENHOR JESUS E A GLÓRIA DE DEUS — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 002 — O SENHOR JESUS E A GLÓRIA DE DEUS — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 003 — O SENHOR JESUS E A VIDA ETERNA — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 003 — O SENHOR JESUS E A VIDA ETERNA — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 004 — O SENHOR JESUS E SUA OBRA TERMINADA — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 004 — O SENHOR JESUS E SUA OBRA TERMINADA — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 005 — O SENHOR JESUS E AQUELES QUE CREEM NELE — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 005 — O SENHOR JESUS E AQUELES QUE CREEM NELE — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 005 — O SENHOR JESUS E AQUELES QUE CREEM NELE — PARTE 003 – FINAL

JOÃO 17 — ESTUDO 006 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 006 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 002


JOÃO 17 — ESTUDO 007 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 003

JOÃO 17 — ESTUDO 007 — O SENHOR JESUS E SUA ORAÇÃO PELOS QUE SÃO SEUS — PARTE 004

JOÃO 17 — ESTUDO 008 — O SENHOR JESUS E O MUNDO — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 008 — O CRENTE E O MUNDO — PARTE 002

JOÃO 17 — ESTUDO 009 — O SENHOR JESUS E SEU SERVIÇO A DEUS — PARTE 001

JOÃO 17 — ESTUDO 009 — O SENHOR JESUS E SEU SERVIÇO A DEUS — PARTE 002 — SOMOS EMBAIXADORES JUNTO COM CRISTO


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