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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ANDREW MURRAY - ESTUDO 015 - É A VONTADE DE DEUS QUE CRISTO NOS ARRANQUE PARA FORA DESTE MUNDO



ESSA SÉRIE DE ARTIGOS ESTÁ BASEADA EM UM LIVRO ESCRITO POR ANDREW MURRAY CUJO TÍTULO ORIGINAL É: NOT MY WILL OU NÃO A MINHA VONTADE. ESPERAMOS E ORAMOS QUE TODOS POSSAM SER RICAMENTE ABENÇOADOS POR MEIO DESSAS MEDITAÇÕES

Gálatas 1:4

O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai.

Em nosso estudo anterior, nós vimos como o mundo e a vontade de Deus se opõem um ao outro. Alguém que encontra-se conformado com o mundo precisa ser mudado pela renovação da sua mente, antes de ser capaz de conhecer a vontade de Deus. Hoje, nós iremos considerar esse mesmo problema, mas de um ângulo diferente — quando Cristo se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, ele assim procedeu para nos libertar do mundo, de acordo com a vontade de Deus. A vontade de Deus e o mundo são dois poderes dispostos um contra o outro, e em conflito. Os dois exercem sobre nossas mentes uma influencia da qual nem sempre estamos cientes, mas que é muito poderosa. É importante para o Cristão que deseja conhecer a vontade de Deus, estar alerta para essa realidade e que saiba como se conduzir diante do mundo. Ele precisa saber que é a vontade de Deus que ele seja completamente libertado do mundo de tal maneira que, apesar de ainda encontra-se no mundo, não mais pertence ao mesmo. Ele também precisa saber que Deus deseja que ele seja removido do mundo por meio de Cristo.

O mundo — essa palavra inclui todo tipo de relacionamento do homem caído com as coisas ao seu redor. Deus criou o mundo bom, mas quando o homem deu ouvidos à serpente e escolheu os prazeres do mundo visível em vez da obediência a Deus, ele e o mundo junto com ele caíram sob o poder de Satanás. E o mundo, que deveria servi-lo como um elemento que apontasse para Deus, tornou-se seu senhor e um enganador mantendo-o longe de Deus. Jesus veio como alguém que “não era desse mundo” e ele disse isso acerca dos seus discípulos:

João 17:16

Eles não são do mundo, como também eu não sou.

Ele veio para nos arrancar desse presente mundo perverso e o cristão jovem precisa entender que essa é a obra que Cristo deseja fazer — arrancá-lo para fora desse mundo perverso, porque essa é a vontade de Deus. Ele precisa entender que essa é a vontade de Deus e cooperar com a mesma de todo o seu coração.

Quando um cristão reconhece que essa é a vontade de Deus e consente com a mesma de todo o seu coração, ele precisa aprender como é a ação de Cristo em sua vida. Cristo trabalha dentro de nós, ele se entregou por nossos pecados para nos arrancar deste mundo. O pecado, por meio da lei, deu ao mundo e a Satanás um poder legal sobre nós. Mas Cristo se entregou pelo pecado, para trazer a reconciliação e vencer por completo o pecado. Ao nos garantir pleno perdão, Jesus nos resgata, completamente, do poder do pecado. E agora, aquele que vive e é vitorioso sobre o pecado é o mesmo que deseja nos tirar desse mundo e nos libertar de sua influencia.

De que maneira ele realiza isso? Feliz é aquele que conhece e entende a resposta. Ele realiza sua obra por meio de sua atração pessoal. A atração enganosa do mundo apela para nós, conquista nossos corações e nos leva para longe de Deus. Mas, a pessoa celestial e vitoriosa de Jesus conquista o amor dos nossos corações e nos leva para longe do mundo. No entanto, não devemos pensar que nosso relacionamento com Jesus é com alguém que se encontra acima e distante de nós. Não!, Cristo está em nossos corações habitando realmente neles, sendo abraçado e mantido próximo de nós por meio do amor. Tornando-se cada vez mais precioso para nós e satisfazendo nossas necessidades mais profundas. É dessa forma que ele nos conduz para longe do mundo. De que maneira posso experimentar essa maravilhosa graça? Certamente, não é por assumir uma posição entre Cristo e o mundo e pedindo ao Senhor que me conduza de volta todas as vezes que eu tiver me afastado demais. Não, Cristo e o mundo são opostos um ao outro. Eu preciso renunciar ao mundo por completo, apesar de ainda não me encontrar completamente livre de sua influência. Eu preciso escolher a Cristo sem nenhuma reserva, consentindo que Deus realize em mim toda a sua vontade, de acordo com seu plano de me libertar dessa perversa escravidão. Eu preciso fixar meu coração e toda minha afeição em Cristo. E ele, como um imã celestial, irá me atrair para longe de todas as distrações do mundo e espíritos mundanos.

Amado leitor, agora você pode perceber que fazer a vontade de Deus não consiste em seguir uma série de leis. É algo muito, além disso: mais profundo e mais elevado. Ela inclui o plano completo e maravilhoso de Deus para a nossa santificação e glorificação. Quanto melhor você enxergar isso, maior será a sua vontade de se render à vontade de Deus. É o próprio Cristo que vem realizar a vontade de Deus em nós, fazendo com que a mesma se concretize em nossas vidas de forma gloriosa:

Hebreus 10:7

Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade.

Existe um significado profundo nessas palavras de Jesus. Ele veio a este mundo exclusivamente para fazer a vontade de Deus. Ele também me ajuda a fazer a vontade de Deus à medida que o meu conhecimento e amor por ele aumentam. É Jesus quem me afasta do mundo quando mantenho um relacionamento correto com ele. Quanto mais ele se tornar “meu tudo”, mais a vontade de Deus se cumprirá em mim e maior será o meu afastamento do mundo e do que ele representa.

OUTROS ESTUDOS DA SÉRIE “NOT MY WILL” — NÃO A MINHA VONTADE

Estudo 001 – A VONTADE DE DEUS — A GLÓRIA DO CÉU

Estudo 002 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O CAMINHO PARA CÉU

Estudo 003 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — NOSSA UNIDADE COM O SENHOR JESUS

Estudo 004 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — QUE OS PERDIDOS SEJAM SALVOS

Estudo 005 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O ALIMENTO CELESTIAL

Estudo 006 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — SACRIFICANDO MINHA PRÓPRIA VONTADE

Estudo 007 – FAZENDO A VONTADE DE DEUS — O CAMINHO PARA ILUMINAÇÃO ESPIRITUAL

Estudo 008 — A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A TUA VONTADE

Estudo 009 — A VONTADE DE DEUS — SENHOR QUE QUERES QUE EU FAÇA?

Estudo 010 — A VONTADE DE DEUS — CONHECENDO E FAZENDO A VONTADE DE DEUS

Estudo 011 — A VONTADE DE DEUS — SENDO UMA PESSOA DE ACORDO COM O CORAÇÃO DE DEUS

Estudo 012 — A VONTADE DE DEUS — SEJA FEITA A VONTADE DE DEUS

Estudo 013 — A VONTADE DE DEUS — PRATICANDO A VONTADE DE DEUS

Estudo 014 — A VONTADE DE DEUS — A RENOVAÇÃO DA MENTE E A VONTADE DE DEUS

Estudo 015 — A VONTADE DE DEUS — É A VONTADE DE DEUS QUE CRISTO NOS LEVE PARA FORA DESSE MUNDO

Estudo 016 — A VONTADE DE DEUS — ORE PARA SER CHEIO COM O CONHECIMENTO DA VONTADE DE DEUS

Estudo 017 — A VONTADE DE DEUS — ENTENDENDO A VONTADE DE DEUS ESPIRITUALMENTE

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis.

Traduzido do original e adaptado por Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos. 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

TRABALHOS COM MULHERES: VALE MESMO À PENA?



O artigo abaixo foi publicado pelo site da editora fiel.

Reflexões Sobre Discipulado de Mulheres


Muitas de nós têm fome de relacionamentos cristãos significativos. Frequentamos a igreja em busca de amizade e comunidade, mas, com frequência, saímos desapontadas.

Ser parte do corpo de Cristo significa crescer numa comunhão mais profunda do que podemos obter numa manhã de domingo. E Jesus nos diz, por suas palavras e exemplo, como alcançar isso. Jesus disse:

Mateus 28:19—20

Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.

Uma grande linhagem de discípulos

Jesus deseja que você seja parte de uma grande linhagem de discípulos seus. Ele ordena isso como um modo de vida, de maneira que a plenitude de sua vida em Cristo seja transmitida a outras, as quais, por sua vez, podem transmiti-la a outras até “a consumação do século”.

Pense em sua vida daqui a trinta anos. Quão velha você será? Eu terei 92 anos. As minhas duas avós viveram bem até os seus noventa e poucos, e minha mãe está celebrando seus noventa este ano. É bem possível que eu tenha mais trinta felizes anos de serviço a Cristo diante de mim! Ainda assim, eu não quero ser o final da linhagem. Eu quero deixar para trás uma trilha de mulheres que amem a Cristo de todo o seu coração.

O Salmo 78:1—7 desafia uma geração a anunciar “à vindoura geração os louvores do SENHOR, e o seu poder, e as maravilhas que fez”. Desse modo, nós trazemos Cristo também às gerações distantes, “a fim de que a nova geração [o conheça], filhos que ainda hão de nascer se [levantem] e por sua vez os [refiram] aos seus descendentes; para que [ponham] em Deus a sua confiança”.

Essa é uma mordomia geracional que nos foi dada por Deus. Ao discipularmos mulheres, os seus filhos e netos e bisnetos permanecem recebendo as bênçãos do nosso esforço. As nossas vidas importam e importarão por muito tempo. Uma geleira parece significar pouca coisa no momento, mas ela deixa para trás um Grand Canyon. Esteja pronta a ser parte de uma geleira. Nós desejamos deixar para trás gerações de mulheres que “põem em Deus a sua confiança”.

Como começar

O primeiro passo no discipulado é ser você mesma uma discípula. “Discipular” é um verbo que vem de um substantivo. Você é, antes de tudo, uma discípula de Jesus. Discipulado envolve mais “seja como eu sou” do que “faça o que eu digo”. Quem você é causará impacto.

Eu sou profundamente devedora a duas mulheres que fizeram um alto investimento em mim. Muito do que tenho transmitido às mulheres hoje é o que aprendi delas. Em que mulher você vê vitalidade espiritual e a beleza radiante de Jesus Cristo abundando nos mais diferentes aspectos de sua vida? Quem você deseja imitar (1 Coríntios 11.1; Filipenses 3.17)? Convide-a para um chá e conte-lhe o desejo do seu coração. Veja se ela está disposta. A primeira mulher a quem pedi disse-me que simplesmente não podia fazer aquilo. Tudo bem com isso – continue tentando. Discipulado envolve assumir riscos relacionais.

Quem você é em Cristo? Se você deseja crescer mais profundamente nele, isso é perfeito! Leve outras consigo. Se você se sente fraca e necessitada, é aí que o poder de Deus se aperfeiçoa. Mesmo nas suas fraquezas você pode ajudar outras mulheres a aprenderem o que significa confiar em Deus nas próprias fraquezas delas.

Você conhece Jesus? Você o ama? Ele é digno de que você lhe entregue toda a sua vida? Alguém precisa ouvir isso, estar próximo a isso, ver você abraçar isso. Alguém precisa ver de perto como você vive essas convicções na prática e, para isso, é preciso mais do que uma manhã de domingo.

Discipulado não é sobre cristãos profissionais transmitindo suas melhores práticas a cristãos amadores. Ser uma discípula e aprender a discipular outras significa olhar para Jesus com tal intensidade e deleite que você, de fato, começa a refletir a beleza de Cristo na vida diária. Enquanto você cresce na graça, Jesus se torna mais precioso, mais satisfatório, mais empolgante do que tudo o mais. E, enquanto você contempla a Cristo, outras desejarão juntar-se a você e vocês podem começar a olhar para ele juntas. A maneira mais importante de discipular outras é desfrutando você mesma de Cristo de um modo tão irresistível que o seu desfrute se torne contagiante.

Convidando outros para o caminho da vida

Todo indivíduo está seguindo um caminho para um de dois lugares – vida ou morte.

Provérbios 12:18
“Na vereda da justiça, está a vida, e no caminho da sua carreira não há morte.”

Provérbios 14.12; cf. 16.25
“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.”

No discipulado, nós convidamos outras a caminharem conosco pelo caminho da vida. Devemos desafiá-las e exortá-las ao longo do caminho? Sim, mas como companheiras de peregrinação, não como alguém que já cruzou a linha de chegada (Filipenses 3.14-15). Devemos ajudá-las a reconhecer, admirar, estimar, responder e desfrutar de Cristo, cujo jugo é suave e cujo fardo é leve (Mateus 11.30).

Ame aqueles que você está discipulando como Jesus ama você (Romanos 15.7). Lembre-se: não é a nossa missão mostrar às outras quão pecadoras elas são, mas quão belo é Jesus! Então, deem-se as mãos enquanto caminham juntas em sua comum necessidade de Jesus.

O discipulado nem sempre precisa ser estruturado. Algumas pessoas não funcionam dessa maneira. Mas você também descobrirá ser útil construir sistemas de intimidade e prestação de contas. Aqui estão algumas sugestões dos meus próprios grupos de discipulado.

  • Nós nos comprometemos em nos encontrar por um período específico e com uma frequência específica.
  • Nós temos momentos para compartilhar nossa “bolsa da biografia”, cheia de símbolos significativos da nossa vida até aqui.
  • Nós dedicamos tempo para adorar a Deus juntas.
  • Nós estudamos diferentes passagens bíblicas.
  • Nós compartilhamos pedidos de oração e oramos umas pelas outras, mantendo os pedidos confidenciais.
  • Nós aprendemos um cântico ou hino e o cantamos juntas.
  • Nós lemos e discutimos um livro.
  • Nós memorizamos passagens da Escritura.
  • Nós servimos juntas.
  • Nós tentamos conhecer as famílias umas das outras.
Obviamente, isso toma tempo. Essas dicas servirão para você? Use-as como se fossem suas.

Nossa sagrada confiança

Precisamos cultivar em nossa esfera de influência – nossos lares, igrejas, bairros, locais de trabalho – filhas espirituais que, por sua vez, possam levar adiante a Verdade. As mulheres mais jovens entre nós são o tesouro sagrado confiado a nós pelo nosso Pai celeste. Fazer discípulos não é apenas uma ideia interessante inventada por alguém – e um mandato bíblico.

Nesse belo relacionamento de discipulado, todo mundo ganha. Pense naquilo que ganhamos – uma nova amiga, uma guerreira de oração, uma nova perspectiva da vida, um entendimento mais profundo de uma geração diferente. Quando nos doamos, somos preenchidas, abençoadas, encorajadas, amadas. Deus não é bondoso ao recompensar a obediência com tamanhas alegrias?

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Autor: Jani Ortlund é ex-professora e possui mestrado em educação. É autora de dois livros

Tradução de Vinícius Silva Pimentel

Revisão: Vinícius Musselman Pimentel

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis.

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

THOMAS WATSON: A ÚNICA COISA NECESSÁRIA – UM SERMÃO – PARTE 003



O material abaixo é parte de um sermão pregado por Thomas Watson que foi publicado em forma de e-book por:

Fonte: GraceGems.org

OEstandarteDeCristo.com

Tradução: Camila Rebeca Almeida

Revisão: William Teixeira

A Única Coisa Necessária Thomas Watson — PARTE 003

“Operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

CONTINUAÇÃO

II.

E assim eu prossigo ao uso de exortação, para persuadi-los todos nas entranhas de Cristo para estabelecerem-se nesta grande obra: “operar a sua salvação”. Amados, aqui está um gráfico para o céu, e eu gostaria de ter todos vocês neste terreno; mobilizem juntos todos os poderes de suas almas, nem Deus vos dê descanso até que tenhais “feito firme a vossa eleição”. Cristãos, vão ao trabalho; façam isto mais cedo, sinceramente, incessantemente. Busquem a salvação como em uma perseguição santa; outras coisas não passam de questões de conveniência, mas a salvação é uma questão de necessidade. Vocês devem fazer o trabalho que os Cristãos estão fazendo, ou vocês farão o trabalho que os demônios estão fazendo. Ó, vocês que ainda nunca tiveram um ponto nessa obra de salvação, comecem agora. A religião é um bom empreendimento, se for bem seguido. Tenha a certeza de que não há salvação sem labor. Mas aqui eu tenho que estabelecer um cuidado para evitar erros.
Embora nós não sejamos salvos sem trabalhar, ainda não [seremos salvos] por nosso trabalho. Nós não trabalhamos a salvação por meio de mérito. Belarmino disse: “Nossos méritos merecem o céu de dignidade”. Não, apesar de sermos salvos no uso dos meios, no entanto também pela graça — Efésios 2:5. Devemos arar e semear o solo, mas nenhuma colheita pode ser esperada sem a influência do sol, pois assim haveria trabalho, sem nenhuma colheita da salvação, se esperarmos [fazer isto] sem a luz do sol da graça: “É Agradou ao Pai dar-vos o Reino” (Lucas 12:32). Dar? Por que, talvez alguns dizem, temos trabalhado duro para isso? Ai, mas o céu é uma dádiva, embora você trabalhe por ele, mas é o beneplácito de Deus que o concede. Ainda assim olhe para o mérito de Cristo, não é o seu suor, mas é o Seu sangue que salva. Que o seu trabalho não pode merecer a salvação está claro: “É Deus que opera em vós tanto o querer como o realizar” — ver. 13. Não é o seu trabalho, mas o co-trabalho de Deus. Porque, assim como o escrivão guia a mão da criança, pois ela não consegue escrever, assim o Espírito de Deus deve conceder Seu auxílio cooperador, ou o nosso trabalho fica estagnado. Como pode, então, qualquer mérito humano operar, quando é Deus que o ajuda a trabalhar?

Passarei agora, depois de ter estabelecido essa cautela, retomar a exortação, e persuadir você a operar sua salvação. Mas preciso primeiro remover duas objeções que se encontram no caminho.

Objeção 1. Você nos ordenou a operar a salvação, mas não temos o poder para o trabalho.

Resposta. É verdade, não temos poder, eu nego que temos a liberdade para operar. O homem antes da conversão está puramente passivo, pelo que a Escritura o chama de um coração de pedra — Ezequiel 36:26. Um homem, por natureza, não pode se preparar mais para a sua própria conversão do que a pedra pode preparar-se para o seu próprio amolecimento. Mas ainda assim, quando Deus começa a atrair, podemos segui-Lo. Aqueles ossos secos em Ezequiel não tinham vida em si mesmos, mas quando o espírito entrou neles, então “eles viveram, e se puseram em pé” — Ezequiel 37, 10.

Pergunta. Mas suponha que Deus não derramou um princípio de graça? Suponha que Ele não fez com que o fôlego entrasse?

Resposta. No entanto, use os meios. Embora você não possa trabalhar espiritualmente, contudo o pode fisicamente; faça o que você é capaz, e isso por duas razões.

1. Porque um homem por negligenciar os meios, pode destruir a si mesmo. É como um homem que não foi ao médico, pode-se dizer que ele foi a causa de sua própria morte.

2. Deus não está ausente conosco quando fazemos o que somos capazes. Urge a promessa: “Buscai e achareis” — Mateus 7:7. Coloque este vínculo no pedido por meio da oração; você diz que não tem poder, mas você não tem uma promessa? Aja tanto quanto puder. Embora eu não me atreva a dizer como o Arminiano, quando exercemos e impulsionamos a natureza, Deus é obrigado a dar Graça; mas digo isto, Deus não nega a Sua Graça aos que procuram. Não, eu vou dizer mais, Ele não nega Sua graça para ninguém, mas [somente] aos que voluntariamente a recusam — João 5:40.

Objeção 2. A segunda objeção é esta: Mas a que propósito devo trabalhar? Há um decreto passado, se Deus decretou que eu serei salvo, então serei salvo.

Resposta. Deus decreta a salvação em uma forma de trabalhar — 2 Tessalonicenses 2:13.

Orígenes, em seu livro contra Celso, observa um argumento sutil de alguns que disputavam a respeito de Predestinação e Destino. Alguém deu um conselho ao seu amigo doente para não ir para o médico, porque, disse ele, é designado pelo destino se tu deverás te recuperar ou não. Se é o teu destino se recuperar, então não precisas do médico e, se isto não for o teu destino, então, o médico não irá fazer-te nenhum bem. Semelhante falácia usa o Diabo com os homens, ele os convida a não trabalhar, se Deus decretou que eles serão salvos, eles serão salvos, e não há necessidade de trabalhar; se Ele não tem decretado a sua salvação, então o seu trabalho não lhes fará bem nenhum, este é um argumento tomado dos tópicos do Diabo. Mas nós dizemos, Deus decreta o fim no uso de meios. Deus decretou que Israel deveria entrar em Canaã, mas primeiro eles teriam que lutar com os filhos de Anaque. Deus decretou que Ezequias deveria se recuperar de sua doença, mas que ele colocasse uma pasta de figos como emplastro sobre a chaga — Isaías 38:21. Nós não argumentamos, assim, em outras coisas. Um homem não diz: “Se Deus decretou terei uma colheita este ano, vou ter uma colheita, para que eu preciso arar, ou semear, ou adubar a terra?” Não, ele usa os meios, e espera uma colheita. Embora “a bênção do Senhor é que enriquece” — Provérbios 10:22 — contudo é tão verdadeiro como, “a mão do diligente enriquece” — Provérbios 10:4. O Decreto de Deus é realizado pelo nosso trabalho.

E, tendo, assim, removidas essas objeções, deixe-me agora persuadi-lo a colocar-se sobre esta bendita obra, o trabalhar na vossa salvação, e para que minhas palavras possam prevalecer melhor, vou propor vários argumentos por meio de motivação para excitá-lo a este trabalho.

Argumento 1.

O primeiro argumento ou motivo para o trabalho é tomado a partir da preciosidade da alma; bem, que possamos tomar cuidado para que obtenhamos garantia contra esse perigo. A alma é uma centelha divina acesa pelo sopro de Deus. Ela supera a importância do mundo — Mateus 16:26. Se o mundo é o livro de Deus, como Orígenes chama, a alma é a imagem de Deus. Platão chama a alma de um espelho da Trindade. É um espelho brilhante em que alguns raios refratados de sabedoria e santidade de Deus resplandecem; a alma é uma flor da eternidade. Deus fez a alma capaz de comunhão com Ele. Seria a falência do mundo dar a metade do preço de uma alma. Quão altamente valiosa Cristo fez a alma quando ele Se vendeu para comprá-la? Ó, então, é digno de piedade que esta excelente alma — esta alma para a qual Deus convocou um conselho no céu, quando Ele a fez — deverá fracassar e ser desfeita por toda a eternidade? Quem não prefere trabalhar noite e dia a perder uma alma? A jóia é de valor inestimável, sua perda irreparável.

Argumento 2.

Atividade e engenho santos enobrecem um cristão. Quanto mais excelente qualquer coisa é, mais ativa. O sol é uma criatura gloriosa, ele nunca fica parado, mas percorre seu circuito ao redor do mundo. O fogo é o elemento mais puro e o mais ativo, que está sempre brilhando e flamejante. Os anjos são as criaturas mais nobres e mais ágeis, por isso eles são representados pelos querubins, com as asas ostentosas. O próprio Deus é — como os escolásticos falam — um ato mais puro: diz Homero de Agamenon, que ele tinha, por vezes, semelhança a Júpiter em aspecto, Pallas em sabedoria, Marte em valor; pela atividade santa que nos assemelhamos Deus, que é um ato mais puro. A Fênix voa com uma coroa em sua cabeça, o cristão diligente não quer uma coroa; seu suor o enobrece, seu trabalho é a sua insígnia de honra. Salomão nos diz que “a sonolência os faz vestir-se de trapos” — Provérbios 23:21. Infâmia é um dos trapos que pairam sobre ele, e Deus odeia um temperamento maçante. Lemos na lei, que o burro, não sendo de casco fendido, não deve ser oferecido em sacrifício. Atividade espiritual é uma medalha de honra.

Argumento 3.

Operar a salvação é o que fará com que a morte e o céu sejam doces para nós. Isto adoçará a morte. Aquele que tem estado a trabalhar arduamente durante todo o dia, quão tranquilamente ele dorme à noite? Vocês, que vêm trabalhando pela vossa salvação durante todas as suas vidas, quão confortavelmente vocês podem colocar sua cabeça durante a noite na sepultura, em cima de um travesseiro de poeira, na esperança de uma ressurreição gloriosa? Este será um leito de morte cordial. Isto adoçará o céu. Quanto maiores as dores que sofremos rumando para o céu, mais doce será quando chegarmos lá. É agradável para um homem olhar para seu trabalho e considerar seu fruto. Quando ele tem estado plantando árvores em seu pomar, ou a cultivar flores, é agradável de se ver e rever seus trabalhos. Assim no céu, quando veremos o fruto do nosso trabalho, “o fim da vossa fé, a salvação” — 1 Pedro 1:9 — isso fará com que o céu seja mais doce. Quanto maiores as dores que sofremos rumando para o céu, mais bem-vindas serão; quanto mais suor, mais doçura. Quando um homem pecou, o prazer se foi, e continua a ser ferroado, mas quando ele tem se arrependido, o labor se foi, e a alegria permanece.

Argumento 4.

Você ainda tem tempo para trabalhar. Este texto e o sermão seriam fora de época para pregar para os condenados no inferno. Se eu devesse lhes ordenar que trabalhassem, seria tarde demais, seu tempo é passado. É noite para os demônios, é ainda dia para você. Trabalhe enquanto é dia — João 9:4. Se vocês perderem o seu dia, vocês perdem as vossas almas. Esse é o tempo para as vossas almas. Agora Deus ordena, agora o Espírito sopra, agora os ministros suplicam, e como os muitos sonidos de Arão, devem tocar em suas almas para Cristo. Ó, melhore seu tempo! Este é o seu tempo de semeadura, agora semeie as sementes da fé e do arrependimento. Se quando você tem estações do ano, você não tem coração, o tempo pode vir quando você tem coração, mas lhe faltarão estações. Tome um tempo, enquanto você pode, o marinheiro iça as velas, enquanto o vento sopra. Nunca um povo teve um vendaval mais claro para o céu do que o desta cidade, e você não seguirá em frente na sua viagem? Que jornada há aqui neste prazo: eu vos garanto que o jurista não perderá o seu prazo. Ó meus irmãos, agora é o prazo para as vossas almas, agora suplique a Deus por misericórdia, ou pelo menos tenha a Cristo para interceder por você.

Pense seriamente nestas coisas.

[Razões para pensar seriamente nessas coisas]

1. Em primeiro lugar, a nossa vida desfaz-se rapidamente. Gregório compara nossa vida com o marinheiro em um navio que ia à plena vela, estamos todos os dias navegando em ritmo acelerado para a eternidade.

2. Em segundo lugar, as estações da Graça embora preciosas, não são permanentes. Misericórdias abusadas murcham, como a pomba de Noé, usam as suas asas e voam de nós. A hora dourada da Inglaterra acabará em breve, as bênçãos do Evangelho são muito doces, mas muito passageiras. “Agora isso está encoberto aos teus olhos” — Lucas 19:42. Não sabemos em quanto tempo o castiçal de ouro pode ser removido.

3. Em terceiro lugar, há um momento em que o Espírito tem feito esforços. Há certas marés da primavera do Espírito e estas sendo negligenciadas, possivelmente poderemos nunca ver outra maré vindo adentro. Quando a consciência fala, geralmente o Espírito tem feito força.

4. Em quarto lugar, a perda das oportunidades do Evangelho será o inferno do inferno. Quando um pecador deverá pensar no último dia consigo mesmo: “Ó, o que eu poderia ter sido! Eu poderia ter sido tão rico quanto os anjos, tão rico como o céu poderia me fazer. Tive uma estação para trabalhar, mas eu a perdi”. Isso, isso será como um abutre corroendo sobre ele, o que irá reforçar e acentuar a sua miséria. E que isto persuada vocês rapidamente operar a vossa salvação.

5. Em quinto lugar, você pode fazer este trabalho e não impedir o seu outro trabalho, operar a salvação em um chamado não é inconsistente. E isso eu insiro para prevenir uma objeção. Alguns podem dizer, mas se eu trabalhar tão duro para o céu, eu não terei tempo para o meu comércio. Não, certamente, o Deus sábio nunca faz qualquer coisa de suas ordens para interferir, como Ele deseja que você “busque primeiro o reino” — Mateus 6:33 — assim, ele gostaria que provesse para a sua família — 1 Timóteo 5:8 — você pode conduzir duas operações em conjunto. Eu não gosto daqueles que fazem a igreja excluir a loja, que tragam todo o seu tempo em ouvir, mas negligenciam o seu trabalho em casa — 2 Tessalonicenses 3:11. Eles são como os lírios do campo que não trabalham, nem fiam. Deus nunca selou um mandado de ociosidade. Ele ordena a ambos e elogia a diligência em uma vocação, o que pode encorajar-nos o bastante para cuidar da salvação, porque este trabalho não vai nos tirar o nosso outro trabalho. Um homem pode com Calebe, seguir a Deus completamente, — Números 14:24 — e ainda com Davi estar “após as ovelhas e suas crias” — Salmo 78:71. Piedade e diligência podem habitar juntas.

6. Em sexto lugar, a indesculpabilidade daqueles que negligenciam operar a sua salvação. Parece-me que eu ouço Deus contendendo o caso com os homens no Último Dia, desta maneira: “Por que vocês não trabalham? Eu dei-lhe tempo para trabalhar, eu dei-lhe luz para trabalhar, eu te dei meu Evangelho, meus ministros. Eu concedi talentos a você para o empreendimento, eu coloquei o galardão diante de você. Por que vocês não trabalharam para sua salvação?” Quer isto deva ser indolência ou teimosia. Houve algum trabalho vosso, que vós fizerdes com maior preocupação? Você poderia trabalhar com tijolo, mas não com o ouro. O que podeis dizer de vós mesmos o porquê a sentença não mudaria? Ó, como o pecador será deixado sem palavras em tal tempo, e como isso vai cortar-lhe o coração, o pensar com ele mesmo que negligenciou a salvação; e poderia dar qualquer razão para isso?

7. Em sétimo lugar, a miséria inexprimível de tais que não operam a salvação. Aqueles que dormem na primavera, deverão mendigar na colheita. Após a morte, quando buscarem receber uma colheita cheia de glória, eles serão colocados para mendigar, como mergulhar, por uma gota de água. Pessoas vagabundas que não trabalham são enviadas para a casa de correção. Os tais como não vão trabalhar pela sua salvação, que eles saibam: o inferno é a casa de correção de Deus e elas devem ser enviadas para lá.

8. Em oitavo lugar, se tudo isso não prevalecer, considere, o que é que estamos a operar. Ninguém terá dores por uma ninharia, estamos trabalhando por uma coroa, por um trono, por um paraíso, e tudo isso é compreendido em que uma palavra: “Salvação”, aqui está uma pedra de afiar para a diligência. Todos os homens desejam a salvação. É a coroa da nossa esperança, não devemos pensar que qualquer trabalho seja demasiado por isso. Pois os homens sofrerão dores por coroas e cetros terrenos! E suponha que todos os reinos do mundo fossem mais ilustres do que são — suas fundações de ouro, suas paredes de pérola, as janelas de safira — que seria tudo isso em relação ao Reino pelo qual estamos trabalhando? Podemos também abranger o firmamento, conforme estabelecido em todo o seu esplendor e magnificência. A salvação é uma coisa bela, está bem acima de nossos pensamentos, uma vez que está além dos nossos desertos. Ó, como isso deve adicionar asas aos nossos esforços! O comerciante se apressará através das zonas de intemperança de calor e frio por um pequeno prêmio. O soldado, por um espólio vultuoso, enfrentará a bala e espada, ele terá prazer em passar por uma primavera sangrenta por uma colheita dourada. Ó, então, quanto mais devemos gastar nosso santo suor por este prêmio abençoado da salvação!

CONTINUA...

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Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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