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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

AS 95 TESES DE LUTERO — PARA AJUDAR A ENTENDER A REFORMA PROTESTANTE


O ato simples de afixar 95 Teses na porta da catedral do castelo de Wittenberg, convidando as pessoas para um debate público acerca das mesmas, pelo então monge agostiniano Martinho Lutero marcaram o início do que seria a Reforma Protestante. A data foi 31 de Outubro de 1517 e, portanto, está completando hoje, 497 anos.

Os antecedentes

Cobrança de indulgências

No início do século XVI, a Igreja Católica adotava certas ações muito abusivas e que tinham como único intuito satisfazer o interesse de alguns clérigos, e principalmente do papa, interessado em levantar fundos para a obra monumental representada pela construção da basílica dedicada a Pedro. Uma dessas práticas impróprias realizadas por tais católicos era a venda de indulgências. As indulgências são uma invenção da Igreja Católica Romana que possibilita que os fieis paguem por seus próprios pecados através de penitências, mas o que estava acontecendo era a pura e simples venda de bênçãos, algo que continua até os dias de hoje e que também está largamente adotado pelas igrejas chamadas evangélicas. Desse modo, as pessoas são levadas a fazer contribuições financeiras, seja para obter o perdão dos pecados, seja para alcançar alguma bênção desejada.

Martinho Lutero

Entre os anos de 1516 e 1517, Marinho Lutero pregou três sermões atacando a prática da venda das indulgências. Mas, sua reação contrário a tal prática, culminou com seu singelo gesto de afixar noventa e cinco teses contrárias a tal prática e convocar todos para um debate público acerca das mesmas. Isso foi feito no dia 31 de Outubro de 1517 nas portas catedral que era parte do complexo do castelo de Wittenberg, na Alemanha. Além das indulgências as teses tratavam também de outras questões relacionadas ao papado, às penitências bem como à salvação eterna das almas.


Para Lutero a cobrança pelas indulgências era uma prática comparada com práticas pagãs e que expunham a ganância de certas autoridades da Igreja Romana.  

Em apenas duas semanas as teses já estavam traduzidas para outras línguas e cópias das mesmas alcançaram grande circulação. Bastaram dois meses para que as mesmas já estivessem em circulação por toda a Europa. A reação da Igreja Romana, como já se esperava foi dura e arrogante. Lutero foi acusado de ser apenas um monge beberão e que não tinha noção do que escrevia. A batalha entre Lutero e a Igreja Romana culminou com sua excomunhão em 1521. Como Roma fazia parte do Sacro Império Romano Germânico, o Imperado Carlos I também passou a considerar Lutero como alguém fora da lei.

Esse simples gesto, de pregar 95 teses na porta da igreja e ver as mesmas atingirem toda a Europa em apenas dois meses, foi o elemento chave usado pelo próprio Deus para dar início a um profundo movimento de  reforma no seio da Igreja Romana que ficou conhecido como a REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVII

Resultado de imagem para REFORMA PROTESTANTE

Abaixo apresentamos uma cópia em português das 95 teses de Lutero, muito faladas, mas pouco lidas tanto pelos reformados quanto por outros grupos chamados cristãos.

O material abaixo foi publicado pelo Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil

Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências pelo Doutor

Martinho Lutero

31 de outubro de 1517

Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em
Wittenberg, sob a presidência do Reverendo Padre Martinho Lutero, mestre de
Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela
localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e
debater conosco oralmente o façam por escrito.

Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus
Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental, isto é,
da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes.

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a
penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de
mortificação da carne.

4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto
é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que
impôs por decisão própria ou dos cânones.

6. O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela
foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si;
se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la,
em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos
cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus
decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam
aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11. Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório
parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da
absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis
canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo
grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.

15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas)
para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do
desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o
semidesespero e a segurança.

17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na
medida em que cresce o amor.

18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da
Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no
amor.

19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam
certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa
parte, tenhamos plena certeza.

20. Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende
simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é
absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que,
segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele,
certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por
essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer
bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves
(que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada
na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a
cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas?
Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver
conseguido plena remissão.

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente
as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles
que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do
papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada
com Deus.

34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de
satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35. Não pregam de forma cristã os que ensinam não ser necessária a contrição
àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.

36. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de
pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.

37. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos
os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de
indulgência.

38. Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser
desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo
ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância
das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.

41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para
que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras
do amor.

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra
de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de
misericórdia.

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao
necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna
melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas
mais livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para
gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de
Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância,
devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma
desperdiçar dinheiro com indulgência.

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não
constitui obrigação.

48. Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim
como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu
favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não
depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o
temor de Deus por causa delas.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos
pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a
edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever
- a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de
indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse
necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que
o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas
mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de
indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto
ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55. A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o
menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma
cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma
centena de sinos, procissões e cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são
suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que
muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre
operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno
do ser humano exterior.

59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma,
empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram
proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.

61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa
por si só é suficiente.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça
de Deus.

63. Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que
os primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com
razão, pois faz dos últimos os primeiros.

65. Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se
pescavam homens possuidores de riquezas.

66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se
pesca a riqueza dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças
realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com
a graça de Deus e a piedade na cruz.

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os
comissários de indulgências apostólicas.

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar
com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios
sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.

71. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências
apostólicas.

72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade
das palavras de um pregador de indulgências.

73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma,
procuram defraudar o comércio de indulgências,

74. Muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências,
procuram defraudar a santa caridade e verdade.

75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem
absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso
fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular
sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.

77. A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente,
poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.

78. Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem
graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc.,
como está escrito em 1 Co 12.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida,
equivale à cruz de Cristo.

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que
semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para
os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas,
sem dúvida argutas, dos leigos.

82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do
santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa
de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do
funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão
insignificante?

83. Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos
falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as
doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?

84. Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do
dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de
Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e
dileta, por amor gratuito?

85. Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais - de fato e por desuso já
há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela
concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86. Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos
mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma
basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87. Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela
contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?

88. Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do
que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse
essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do o
dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são
igualmente eficazes?

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força,
sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria
dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o
espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente
respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92. Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!"
sem que haja paz!

93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!"
sem que haja cruz!

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu
cabeça, através das penas, da morte e do inferno;

95. E, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas
tribulações do que pela segurança da paz

Que Deus Abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.
    

domingo, 27 de outubro de 2013

REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVI — ANO 496 — PARTE 2



Se você chegou diretamente nessa página, recomendamos que antes de ler essa parte 2, que leia a parte 1 desse artigo que pode ser acessada por meio desse link aqui:


Hoje — 27 de Outubro de 2013 — estamos a 4 dias de comemorar o 496º aniversário da Reforma Protestante do Século XVI.

Continuação

Anticlericalismo

Os abusos que mencionamos na primeira parte desse artigo clamavam por diversas respostas por parte de todos os envolvidos. Por um lado podemos notar que naqueles dias havia uma forte tendência anticlerical. Com isso estamos querendo dizer que existia uma desconfiança e desagrado, bastante notável, voltado contra o clero em geral. Vários grupos começavam a propagar ideias que as pessoas leigas podiam ser tão boas quanto os sacerdotes. Aliás, esse tipo de ideia, já era parte das pregações dos Valdenses iniciadas ainda no século XII. Por outro lado havia muitos clamores para uma reforma completa da Igreja Católica Apostólica Romana. Tais circunstâncias criaram um solo fértil para todos os tipos de conflitos pessoais e sociais.

Os Valdenses

Todavia, a necessidade mais profunda de todas as pessoas era o imenso vazio espiritual que podia ser sentido em todos os cantos da Europa. A Igreja Católica Apostólica Romana, em 12 séculos de domínio sobre a cristandade, havia se tornado em uma monstruosidade em termos de organização, algo que não deve nos surpreender, pelo longo período que já desfrutava dum domínio absoluto sobre os povos da Europa e que estava se expandido, também para outros continentes. A Igreja Romana percebeu desde cedo que sua estrutura, planejada por homens incrédulos, não poderia sobreviver se mantivesse as Escrituras Sagradas como sua única regra de fé e prática. Por esse motivo, aqueles homens perversos adotaram a “tradição” com uma força e valor superior ao das próprias Escrituras Sagradas, e com isso, sentiram-se livres para inventar toda sorte de falsas doutrinas e bizarras heresias. Essa falsa igreja também desenvolveu, com o passar dos séculos, uma complexa lei canônica, bem como uma teologia dogmática repleta de influências do Neo Platonismo e muito distanciada da revelação bíblica. O exato momento em que essas coisas se tornaram concretas foi durante o Quarto Concílio de Latrão realizado em 1215. Foi esse mesmo concílio que também estabeleceu a importância dos sacramentos para a salvação e o superimportante papel dos sacerdotes como os únicos capazes de administrar, de modo válido, os tais sacramentos inventados pelas cabeças pervertidas dos conciliares. Mas o ano 1215 também foi marcado pela invenção de uma das maiores mentiras, com o objetivo de transformar em cativos todos os indivíduos, não apenas durante suas vidas, mas também após a morte dos mesmos. Estamos nos referindo, é claro, à desgraçada e mal formada doutrina acerca do tal PURGATÓRIO. Mas se você acha que tudo isso era muito mal, devemos dizer que as coisas sempre podem ficar piores. Dizemos isso porque foi também nesse terrível ano de 1215 que o Quarto Concílio de Latrão estabeleceu a doutrina exclusiva do romanismo, de que a salvação só poderia ser alcançada pela prática escravizante das seguintes “boas obras”: jejum, castidade, abstinência geral das coisas agradáveis e asceticismo.

Purgatório

Enquanto isso, as pessoas comuns estavam procurando e até mesmo ansiando por uma religião mais imediata, pessoal e, acima de tudo, mais espiritual. Essas pessoas buscavam algo que pudesse lhes falar diretamente ao coração e tocá-las profundamente. Por esse motivo os rituais da velha igreja Católica Romana já não representavam, absolutamente nada, para aquelas pessoas. Elas precisavam de algum tipo de certeza ou garantia que estavam fazendo as coisas certas. Ou seja, elas queriam ter a certeza de que seriam, realmente, salvas. Enquanto isso a Igreja Romana e o Papado, como instituições, não tinham nenhum interesse nem em buscar satisfazer tais necessidades e muito menos em se submeterem a uma reforma. As pessoas queriam algo mais, mas a Igreja Romana não estava disposta a conceder nada. Muitos, nesse contexto, reconheciam a tremenda necessidade de uma completa Reforma na Cristandade em geral. Somente uma reforma de grandes proporções seria capaz de produzir uma satisfação para os anseios profundos das pessoas daqueles dias.

Durante os séculos XIV e XV a Igreja Católica Apostólica Romana, a Senhora do Mundo, teve que enfrentar diversos desafios. Entre esses nós podemos citar:

1. A maioria do povo comum sentia-se abandonada pela Igreja Romana que havia resumido sua missão a proferir missas em latim, geralmente por sacerdotes analfabetos que havia decorado o enredo, e com as costas voltadas para o povo, e arrecadar muito dinheiro com a promessa de livrar as almas de sua maligna invenção: o purgatório.

2. A busca desesperada das pessoas por uma religião que pudesse satisfazer — apesar de nenhuma religião poder satisfazer ninguém, pois apenas um RELACIONAMENTO com Deus pode, de fato satisfazer os mais profundos anseios humanos — e a forte influência do Neo Platonismo, fizeram surgir bandos de “místicos” que buscavam uma iluminação emocional direta vinda da própria divindade, que certamente, não tinha nada a ver com o Deus da Bíblia. Muitos desses eram pessoas muito perturbadas da perspectiva psicológica e costumavam alegar que haviam recebido uma iluminação divina, que lhes garantia a salvação eterna.

3. Por esse tempo também surgiu um movimento filosófico chamado “Nominalismo” o qual enfatizava a realidade de qualquer coisa, desde que fosse concreta e, com isso, lançava a fé numa condição de dúvida.

4. O renascimento humanista acabou rejeitando a fé cristã e passou a adotar o Neo Platonismo e a cultura clássica como parâmetro da verdadeira fonte da virtude e da sabedoria. Ou seja, os seres humanos expulsaram Deus do horizonte e entronizaram a si próprios como guias. Eram, como Jesus disse:

Mateus 15:14

Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco.

Cego guiando cegos

5. O desmantelamento do sistema feudal, com sua ordem “divina” e os descobrimentos de novas terras, introduziram as possibilidades dum comércio intenso, bem como uma tendência crescente de entender a vida aqui e agora, como algo essencialmente bom.

6. Comerciantes e trabalhadores especializados, especialmente pedreiros, vieram morar nas cidades onde enriqueceram e tornaram-se influentes, à medida que prestavam serviços cada vez mais necessários e produziam produtos que deram início à espiral consumista que constinua até os dias de hoje.

7. Os reis da Europa conseguiram consolidar o poder quetinham sobre seus respectivos nobres.

8. Muitos entendiam, como resultado direto das descobertas marítimas, que existia um mundo pagão fora da Europa, que precisava ser conquistado e “domesticado”. Crimes inomináveis, apoiados pela Igreja Católica Romana foram praticados em nome dessas conquistas e “domesticações”.

9. A igreja Católica Romana também estava enfrentando sérios problemas por causa do crescimento da consicência da origem étnica dos povos da Europa que conduzia, inevitavelmente, a um nacionalismo exagerado. Um belo exemplo disso é a chamada guerra dos 100 anos, com destaque para a francesinha Joana d´Arc.

Joana d`Arc


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVI — ANO 496 — PARTE 1



Em poucos dias — 31 de Outubro de 2013 — estaremos comemorando o 496º aniversário da Reforma Protestante do Século XVI.

Esse foi, de fato, um movimento inspirado, guiado e sustentado pelo Deus Todo poderoso, pois envolveu uns poucos indivíduos, com uma fé inabalável nas Escrituras Sagradas e na gloriosa presença do Espírito Santo em suas vidas, que abalou até mesmo o mais profundo alicerce do poder dominante da época, a saber, o Sacro Império Romano-Germânico, governado simultaneamente pelo imperador alemão e pelo papa romano.

É nossa intenção ajudar nossos leitores a entenderem melhor esse grandioso movimento e assimilarem a responsabilidade que têm em levar adiante suas premissas básicas:


  • Somente as Escrituras Sagradas como Única Regra de Fé e Prática.
  • Salvação exclusivamente pela graça de Deus sem a participação de nenhuma obra meritória humana.
  • Salvação exclusivamente mediante a fé em Cristo, e isso, como um dom do próprio Deus.
  • Salvação exclusivamente por meio da pessoa e obra de Jesus Cristo.
  • Dedicação de toda a glória devida pela salvação somente a Deus.
Sim, somos herdeiros de verdade maravilhosas, poderosas, salvadoras e transformadoras, e é nosso interesse, nesse e em mais alguns artigos, expor os acontecimentos que em breve iremos celebrar com imensa gratidão a Deus em nossos corações.

I. Europa – Século XVI

Nicolau Maquiavel

O século XVI marcou a Europa com grandes e profundas mudanças em diversas frentes. A renascença iniciada no final do século XV estava em pleno andamento com seu humanismo exagerado que a caracterizavam, cada vez, mais e mais, como um movimento extremamente individualista e autocentrado no ser humano. Falava-se muito na restauração da dignidade humana, há muito perdida pela terrível opressão exercida pelo poder avassalador da Igreja Católica Romana e essa doutrina, melhor definida como Humanismo, foi se espalhando cada vez mais e mais até atingir a própria política, por meio da obra imortal de Nicolau Maquiavel — “O Príncipe”. No fim das contas, nós podemos dizer que o humanismo introduzido pelo renascimento acabou por produzir uma Europa secularizada, bastante distanciada da fé e da revelação contida nas Sagradas Escrituras. De agora em diante o homem se julgava “senhor” de seu próprio destino. Também imaginava, de forma tola, que seria capaz de fazer a história conforme sua imagem e semelhança.

Resultado de imagem para periodo renascença

Mas junto com o advento da renascença e do inevitável humanismo que a acompanhava, o Século XVI também viu florescer o crescimento vertiginoso do poder real, o surgimento de monarquias centralizadoras e a descoberta de novas rotas marítimas e novas terras, inclusive o Brasil. Foi durante esse período de exploração dos novos territórios que quantidades incalculáveis de ouro e prata inundaram a Europa, especialmente a Inglaterra, a Holanda, Portugal, Espanha, França e claro, o Sacro Império Romano Germânico. Foi também durante o século XVI que Nicolau Copérnico publicou sua obra prima — De Revolutionibus — que deu início a todo um movimento que culminou com os avanços que nos conduziram, até onde nos encontramos hoje, em termos da ciência moderna. A urbanização assumiu um ritmo acelerado no Século XVI, bem como o surgimento de universidades por toda Europa. Por fim, não podemos deixar de mencionar a maravilhosa invenção da máquina de impressão com tipos móveis inventada por  Johannes Gutenberg em 1451.

Gutenberg e Associados

Mas apesar de tudo isso, e ainda deixamos muita coisa de lado, especialmente na área da literatura e das artes, o maior, o mais impressionante e, aquele que era pensado como impossível e surpreendente, foi o movimento que chamamos de “A REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVI”. A Reforma Protestante causou uma divisão de águas profunda no seio da Europa e obrigou seus cidadãos a se decidirem entre a velha religião Católica Romana e o novo movimento Protestante que propunha, acima de tudo, um relacionamento pessoal e exclusivo com Deus, o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo, o Salvador da humanidade. O movimento da Reforma Protestante foi tão agudo que não deixou nenhuma alternativa para a população da Europa. Infelizmente, como acontece com a história da Igreja desde seus primórdios, havia muito joio crescendo no meio do trigo nos arraias protestantes e isso culminou com terríveis guerras religiosas entre luteranos, protestantes e católicos.

Sacro Império Romano Germânico

II. Os Caminhos da Reforma Protestante

Quais eram, exatamente, as circunstâncias que culminaram com esse poderoso mover de Deus no meio do povo Europeu? Existem vários motivos, como iremos ver em seguida, mas todos eles estavam intrinsecamente relacionados com uma enorme insatisfação com a chamada Igreja Católica Apostólica Romana.

Vaticano 

Em primeiro lugar devemos mencionar que já há muitas décadas, muitos cristãos dedicados sentiam-se profundamente incomodados pela insistente ênfase, cada vez maior por parte da Igreja de Roma, num ritualismo morto e distante da verdadeira necessidade que as pessoas tinham de salvação pessoal. As práticas sacramentais da Igreja de Roma haviam assumido proporções ritualísticas nunca antes imaginadas e já não significavam mais nada para os povos da Europa. Tais ritos estavam completamente desvestidos de qualquer significado que tivesse qualquer valor para os indivíduos. Isso tudo estava, rapidamente sendo colocado em cheque, porque tinha cada vez mais pessoas morando nas cidades e elas podiam observar tais atitudes e comentar umas com as outras.

Brasão do Papado

Em segundo lugar a própria instituição do papado e o próprio papa tinham perdido muito da poderosa influência espiritual que exerciam sobre o povo, por causa do aumento do conhecimento e da crescente secularização. Essa secularização fazia com que até mesmo os bispos e o próprio papa agissem mais como reis e príncipes, do que como guias espirituais, algo que, aliás, a vasta maioria deles já havia abandonado há bastante tempo.

Com a vinda das pessoas para as cidades, ficou mais fácil de ser percebido, por todas as classes, a riqueza acumulada e exibida pela Igreja Romana por meio de majestosas catedrais e palácios episcopais grandiosos. Tal exibição de riqueza, certamente era uma bofetada na cara da vasta maioria das pessoas que não tinham sequer o suficiente para comer. O povo pobre se ressentia, literalmente, da riqueza exibida pelo papado e sua falsa igreja e os ricos, por sua vez, invejavam toda aquela riqueza. Isso é o que acontece quando você pretende seguir a Jesus, mas deseja fazê-lo a seu modo e não em obediência aos ensinamentos do mestre que disse:

Mateus 6:19—21

19 Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam;

20 mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam;

21 porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.

Naqueles dias uma ótima descrição para o que acontecia com a compra e venda de cargos eclesiásticos e principalmente com a nojenta venda das indulgências — perdão temporário de pecados que devem ser pagos no purgatório segundo os falsos ensinamentos da Igreja Católica Apostólica Romana é essa aqui:



Ilustração da Babilônia Conforme Apocalipse 18

Apocalipse 18:11—13

11 E, sobre ela, choram e pranteiam os mercadores da terra, porque já ninguém compra a sua mercadoria,

12 mercadoria de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho finíssimo, de púrpura, de seda, de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, todo gênero de objeto de marfim, toda qualidade de móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore;

13 e canela de cheiro, especiarias, incenso, unguento, bálsamo, vinho, azeite, flor de farinha, trigo, gado e ovelhas; e de cavalos, de carros, de escravos e até almas humanas.

Palácio Episcopal de Astorga

Todas essas práticas nojentas conduzidas por homens inescrupulosos por séculos e séculos tinham contribuído para um enriquecimento incalculável da apóstata Igreja Católica Apostólica Romana, e também tinham aberto as portas para o desenvolvimento de novos caminhos de abuso de muitas e variadas maneiras. E essas práticas eram mais fáceis de serem percebidas nas cidades onde existia uma grande proximidade entre o povo a as situações práticas de imoralidades de todos os tipos. Muitos líderes da Igreja Romana ocupavam diversos ofícios e eram muito bem remunerados por cada um deles. A lassidão moral do clero era tão marcante e notória, que ninguém mais podia continuar fingindo que a mesma não existia. A relação de enriquecimento, práticas imorais, venda e prestação de serviços pagos por parte de homens tão impuros, tornou-se abjeta para a maioria da população da Europa. Tudo estava mesmo muito errado.

Riquezas do Vaticano


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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