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domingo, 22 de fevereiro de 2015

BONECO PLAYMOBIL DE LUTERO SE ESGOTA EM 72 HORAS



Martinho Lutero em Playmobil para os 500 anos da Reforma — Divulgação

O artigo abaixo foi publicado pelo site tele-fé com notícias veiculadas pelo O Globo.

A reportagem está publicada no sítio da revista francesa La Vie, 10-02-2015. A tradução é de André Langer.

Nuremberg, centro midiático da Reforma

Dois anos antes do aniversário da Reforma, o fabricante de brinquedos Playmobil acaba de colocar no mercado os primeiros 34.000 bonequinhos de Martinho Lutero, ao preço de 2,39 euros. O diretor do Centro de Turismo Alemão (DZT) e a cidade de Nuremberg veem nesta iniciativa da marca alemã uma “contribuição popular” para a “Luther Dekade” (Década de Lutero, lançada na Alemanha em 2008, ndlr), que deve ir até 2017. O DZT desenvolveu, além disso, o personagem em parceria com o escritório de turismo de Nuremberg.

Ao longo desta “Década de Lutero”, a cidade de Nuremberg quer colocar em evidência o seu papel de “centro midiático da Reforma”, explica a Pro. “Na época de Lutero, a cidade era, com efeito, um excepcional pólo de imprensa que influenciou fortemente a Reforma”, precisa ainda a revista cristã.

“Embaixador da Reforma”

Em parceria com a Igreja Evangélica da Alemanha – que reúne a maioria das igrejas luteranas além Reno – os profissionais do turismo querem utilizar o personagem de 7,5 centímetros como um “embaixador da Reforma” e “atrair para a Alemanha um turismo espiritual e religioso”, de acordo com as palavras de Petra Hedorfer, porta-voz do Centro de Turismo Alemão. Assim, no sítio do DZT, um mapa interativo explica os principais acontecimentos da vida de Lutero e propõe aos internautas a organização da sua viagem. Pelas estimativas do DZT, entre “3% e 5% dos turistas” estariam interessados no assunto

“Em Nuremberg, conclui a Pro, Martinho Lutero tem um precedente histórico”: o artista Albrecht Dürer, cujo bonequinho Playmobil vendeu 80.000 exemplares mundo afora, desde o seu lançamento, em 2012.

O artigo original da revista do site tele-fé poderá ser vista por meio desse link aqui:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

95 TESES PARA A IGREJA DE HOJE — PARTE 002



Por José Barbosa Junior (redator e organizador)

35 - A participação de cristãos e pastores em entidades e sociedades secretas é perniciosa e degradante para a simplicidade e pureza do evangelho. Não entendemos como líderes que dizem servir ao Deus vivo sujeitam-se à juramentos que vão de encontro à Palavra de Deus, colocando-se em comunhão espiritual com não cristãos declarando-se irmãos, aceitando outros deuses como verdadeiros. (Lv 5.4-6,10; Ef 5.11-12; 2 Co 6.14)

36 - Rejeitamos a idéia do messianismo político, que afirma que o Brasil só será transformado quando um "justo" (que na linguagem das igrejas significa um membro de igreja evangélica) dominar sobre esta terra. O papel de transformação da sociedade, pelos princípios cristãos, cabe à Igreja e não ao Estado. O Reino de Deus não é deste mundo, e lamentamos a manipulação e ambição de alguns líderes evangélicos pelo poder terreal. (Jo 18.36)

37 - Que os púlpitos não sejam transformados em palanques eleitorais em épocas de eleição. Que nenhum pastor induza o seu rebanho a votar neste ou naquele candidato por ser de sua preferência ou interesse pessoal. Que haja liberdade de pensamento e ideologia política entre o rebanho. (Gl 1.10)

38 - Que as igrejas recusem ajuda financeira ou estrutural de políticos em épocas de campanha política a fim de zelarem pela coerência e liberdade do Evangelho. (Ez 13.19)

39 - Que os membros das igrejas cobrem esta atitude honrada de seus líderes. Caso contrário, rejeitem a recomendação perniciosa de sua liderança. (Gl 2.11)

40 - Negamos, veementemente, no âmbito político, qualquer entidade que se diga porta-voz dos evangélicos. Nós, cristãos evangélicos, somos livres em nossas ideologias políticas, não tendo nenhuma obrigação com qualquer partido político ou organização que se passe por nossos representantes. (Mt 22.21)

41 - O versículo bíblico "Feliz a nação cujo Deus é o Senhor" não deve ser interpretado sob olhares políticos como "Feliz a nação cujo presidente é evangélico" e nem utilizado para favorecer candidatos que se arroguem como cristãos. (Sl 144.15)

42 - Repugnamos veementemente os chamados "showmícios" com artistas evangélicos. Entendemos ser uma afronta ao verdadeiro sentido do louvor a participação desses músicos entoando hinos de "louvor a Deus" para angariarem votos para seus candidatos. (Ex 20.7)

43 - Cremos que o Reino também se manifesta na Igreja, mas é maior que ela. Deus não está preso às paredes de uma religião. O Espírito de Deus tem total liberdade para se manifestar onde quiser, independente de nossas vontades. (At 7.48-49)

44 - Nenhum pastor, bispo ou apóstolo (ou qualquer denominação que se dê ao líder da igreja local) é inquestionável. Tudo deve ser conferido conforme as Escrituras. Nenhum homem possui a "patente" de Deus para as suas próprias palavras. Portanto, estamos livres para, com base nas Escrituras, questionarmos qualquer palavra que não esteja de acordo com as mesmas. (At 17.11)

45 - Ninguém deve ser julgado por sua roupa, maquiagem ou estilo. As opiniões pessoais de pastores e líderes quanto ao vestuário e estilo pessoal não devem ser tomadas como Palavras de Deus e são passíveis de questionamentos. Mas que essa liberdade pessoal seja exercida como servos de Cristo, com sabedoria e equilíbrio. (Rm 14.22)

46 - Que nenhum pastor, bispo ou apóstolo se utilize do versículo bíblico "não toqueis no meu ungido", retirando-o do contexto, para tornarem-se inquestionáveis e isentos de responsabilidade por aquilo que falam e fazem no comando de suas igrejas. (Ez 34.2; 1 Cr 16.22)

47 - Que ninguém seja ameaçado por seus líderes de "perder a salvação" por questionarem seus métodos, palavras e interpretações. Que essas pessoas descansem na graça de Deus, cientes de que, uma vez salvas pela graça estão guardadas sob a égide do sangue do cordeiro, de cujas mãos, conforme Ele mesmo nos afirma, nenhuma ovelha escapará. (Jo 10.28-29)

48 - Que estejamos cada vez mais certos de que Deus não habita em templos feitos por mãos de homens. Que a febre de erguermos "palácios" para Deus dê lugar à simplicidade e humildade do bebê que nasce na manjedoura, e nem por isso, deixa de ser Rei do Universo. (At 7.48-50)

49 - Que nenhum movimento, modelo, ou "pacote" eclesiástico seja aceito como o ÚNICO vindo de Deus, e nem recebido como a "solução" para o crescimento da igreja. Cremos que é Deus quem dá o crescimento natural a uma igreja que se coloca sob Sua Palavra e autoridade. (At 2.47; 1 Co 3.6)

50 - Que nenhum grupo religioso julgue-se superior a outro pelo NÚMERO de pessoas que aderem ao seu "mover". Nem sempre crescimento numérico representa crescimento sadio. (Gl 6.3)

51 - Que a idolatria evangélica para com pastores, apóstolos, bispos, cantores, seja banida de nosso meio como um câncer é extirpado para haver cura do corpo. Que a existência de fã-clubes e a "tietagem" evangélica sejam vistos como uma afronta e como tentativa de se dividir a glória de Deus com outras pessoas. (Is 42.8; At 10.25-26)

52 - Reafirmamos que o véu, que fazia separação entre o povo e o lugar santo, foi rasgado de alto a baixo quando da morte de Cristo. TODO cristão tem livre acesso a Deus pelo sangue de Cristo, não necessitando da mediação de quem quer que seja. (Hb 4.16; 2 Tm 2.15)

53 - Que os pastores, bispos e apóstolos arrependam-se de utilizarem-se de argumentos fúteis para justificarem suas vidas regaladas. Carro importado do ano, casa nova e prosperidade financeira não devem servir de parâmetros para saber se um ministério é ou não abençoado. Que todos nós aprendamos mais da simplicidade de Cristo. (Mt 8.20)

54 - Não reconhecemos a autoridade de bispos, apóstolos e líderes que profetizam a respeito de datas para a volta de Cristo. Ninguém tem autoridade para falar, em nome de Deus, sobre este assunto. (Mc 13.32)

55 - "O profeta que tiver um sonho, conte-o como sonho. Mas aquele a quem for dado a Palavra de Deus, que pregue a Palavra de Deus." Que sejamos sábios para não misturar as coisas. E as profecias, ainda que não devam ser desprezadas, devem ser julgadas, retendo o que é bom e descartando toda forma de mal. (Jr 23.28; 1 Ts 5.20-22)

56 - Que o ministério pastoral seja reconhecidamente um dom, e não um título a ser perseguido. Que aqueles que exercem o ministério, sejam homens ou mulheres, o exerçam segundo suas forças, com todo o seu coração e entendimento, buscando sempre servir a Deus e aos homens, sendo realmente ministros de Deus. (1 Tm 3.1; Rm 12.7)

57 - Que os cânticos e hinos sejam mais centralizados na pessoa de Deus no que na primeira pessoa do singular (EU). (Jo 3.30)

58 - Que ninguém seja obrigado a levantar as mãos, fechar os olhos, dizer alguma coisa para o irmão do lado, pular, dançar..., mas que haja liberdade no louvor tanto para fazer essas coisas como para não fazer. E que ninguém seja julgado por isso. (2 Co 3.17)

59 - Que as nossas crianças vivam como crianças e não sejam obrigadas a se tornarem como nós, adultos, violentando a sua infância e fazendo com que se tornem "estrelas" do evangelho ou mesmo "produtos" a serem utilizados por aduladores e pastores que visam, antes de tudo, lotarem seus templos com "atrações" curiosas, como "a menor pregadora do mundo", etc... (Lc 18.16; 1 Tm 3.6)

60 - Que as "Marchas para Jesus" sejam realmente para Jesus, e não para promover igrejas que estão sob suspeita e líderes questionáveis. Muito menos para promover políticos e aproveitadores desses mega-eventos evangélicos. (1 Co 10.31)

Continua...

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sábado, 3 de janeiro de 2015

95 TESES PARA A IGREJA DE HOJE — PARTE 001


UMA NOVA REFORMA

Por José Barbosa Junior (redator e organizador)

1 - Reafirmamos a supremacia das Escrituras Sagradas sobre quaisquer visões, sonhos ou novas revelações que possam aparecer. (Mc 13.31).

2 - Entendemos que todas as doutrinas, idéias, projetos ou ministérios devem passar pelo crivo da Palavra de Deus, levando-se em conta sua total revelação em Cristo e no Novo Testamento do Seu sangue. (Hb 1.1-2).

3 - Repudiamos toda e qualquer tentativa de utilização do texto sagrado visando a manipulação e domínio do povo que, sinceramente, deseja seguir a Deus. (2 Pe 1.20).

4 - Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus e que contém TODA a revelação que Deus julgou necessária para todos os povos, em todos os tempos, não necessitando de revelações posteriores, sejam essas revelações trazidas por anjos, profetas ou quaisquer outras pessoas. (2 Tm 3.16).

5 - Que o ensino coerente das Escrituras volte a ocupar lugar de honra em nossas igrejas. Que haja integridade e fidelidade no conhecimento da Palavra tanto por parte daqueles que a estudam como, principalmente, por parte daqueles que a ensinam. (Rm 12.7; 2 Tm 2.15).

6 - Que princípios relevantes da Palavra de Deus sejam reafirmados sempre: a soberania de Deus, a suficiência da graça, o sacrifício perfeito de Cristo e Sua divindade, o fim do peso da lei, a revelação plena das Escrituras na pessoa de Cristo, etc. (At 2.42).

7 - Cremos que o mundo jaz no maligno, conforme nos garantem as Escrituras, não significando, porém, que Satanás domine este mundo, pois "do Senhor é a Terra e sua Plenitude, o mundo e os que nele habitam". (1 Jo 5.19; Sl 24.1).

8 - Cremos que a vitória de Jesus sobre Satanás foi efetivada na cruz, onde Cristo "expôs publicamente os principados e potestades à vergonha, triunfando sobre eles" e que essa vitória teve como prova final a ressurreição, onde o último trunfo do diabo, a saber, a morte, também foi vencido. (Cl 2.15; 1 Co 15.20-26).

9 - Acreditamos que o cristão verdadeiro, uma vez liberto do império das trevas e trazido para o Reino do Filho do amor de Deus, conhecendo a verdade e liberto por ela, não necessita de sessões contínuas de libertação, pois isso seria uma afronta à Cruz de Cristo. (Cl 1.13; Jo 8.32,36).

10 - Cremos que o diabo existe, como ser espiritual, mas que está subjugado pelo poder da cruz de Cristo, onde ele, o diabo, foi vencido. Portanto, não há a necessidade de se "amarrar" todo o mal antes dos cultos, até porque o grande Vencedor se faz presente. (1 Co 15.57; Mt 18.20).

11 - Declaramos que nós, cristãos, estamos sujeitos à doenças, males físicos, problemas relativos à saúde, e que não há nenhuma obrigação da parte de Deus em curar-nos, e que isso de forma alguma altera o seu caráter de Pai amoroso e Deus fiel. (Jo 16.33; 1 Tm 5.23).

12 - Entendemos que a prosperidade financeira pode ser uma benção na vida de um cristão, mas que isso não é uma regra. Deus não tem nenhum compromisso de enriquecer e fazer prosperar um cristão. (Fp 4.10-12).

13 - Reconhecemos que somos peregrinos nesta terra. Não temos, portanto, ambições materiais de conquistar esta terra, pois "nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos a vinda do nosso salvador, Jesus Cristo". (1 Pe 2.11).

14 - Nossas petições devem sempre sujeitar-se à vontade de Deus. "Determinar", "reivindicar", "ordenar" e outros verbos autoritários não encontram eco nas Escrituras Sagradas. (Lc 22.42).

15 - Afirmamos que a frase "Pare de sofrer", exposta em muitas igrejas, não reflete a verdade bíblica. Em toda a Palavra de Deus fica clara a idéia de que o cristão passa por sofrimentos, às vezes cruéis, mas ele nunca está sozinho em seu sofrer. (Rm 8.35-37).

16 - Reafirmamos que, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, sendo os mesmos livres de quaisquer maldições passadas, conhecidas ou não, pelo poder da cruz e do sangue de Cristo, que nos livra de todo o pecado e encerra em si mesmo toda a maldição que antes estava sobre nós. (Rm 8.1).

17 - Entendemos que a natureza criada participa das dores, angústias e consequências da queda do homem, e que aguarda com ardente expectativa a manifestação dos filhos de Deus. O que não significa que nós, cristãos, tenhamos que ser negligentes com a natureza e o meio-ambiente, uma vez que Deus não apenas criou tudo, mas também "viu que era bom" (Rm 8.19-23; Gn 1.31).

18 - Reconhecemos a suficiência e plenitude da graça de Cristo, não necessitando assim, de quaisquer sacrifícios ou barganhas para se alcançar a salvação e favores de Deus. (Ef 2.8-9).

19 - Reconhecemos também a suficiência da graça em TODOS os aspectos da vida cristã, dizendo com isso que não há nada que possamos fazer para "merecermos" a atenção de Deus. (Rm 3.23; 2 Co 12.9).

20 - Que nossos cultos sejam mais revestidos de elementos de nossa cultura. Que a brasilidade latente em nossas veias também sirva como elemento de adoração e liturgia ao nosso Deus. (1 Co 7.20).

21 - Que entendamos que vivemos num "país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza". Portanto, que não seja mais "obrigatório" aos pastores e líderes o uso de trajes mais adequados ao clima frio ou extremamente formais. Que celebremos nossa tropicalidade com graça e alegria diante de Deus e dos homens. (1 Co 9.19-23)

22 - Que nossa liturgia seja leve, alegre, espontânea, vibrante, como é o povo brasileiro. Que haja brilho nos olhos daqueles que se reúnem para adorar e ouvir da Palavra e que Deus se alegre de nosso modo brasileiro de cultuá-LO. (Salmo 100)

23 - Que as igrejas entendam que Deus pode ser adorado em qualquer ritmo, e que a igreja brasileira seja despertada para a riqueza dos vários sons e ritmos brasileiros e entenda que Deus pode ser louvado através de um baião, xote, milonga, frevo, samba, etc... Da mesma forma, rejeitamos o preconceito, na verdade um racismo velado, contra instrumentos e danças de origem africana, como se estes, por si só, fossem intrinsecamente ligados a alguma forma de feitiçaria. (Sl 150)

24 - Que retornemos ao princípio bíblico, vivido pela igreja chamada primitiva, de que "ninguém considerava exclusivamente sua nem uma das coisas que possuía; tudo, porém, lhes era comum." (At 4.32)

25 - Que não condenemos nenhum irmão por ter caído em pecado, ou por seu passado. Antes, seguindo a Palavra, corrijamos a ovelha ferida com espírito de brandura, guardando-nos para que não sejamos também tentados. O que não significa, por outro lado, conivência com o pecado praticado de forma contumaz .(Gl 6.1; 1 Co 5)

26 - Que ninguém seja culpado por duvidar de algo. Que haja espaço em nosso meio para dúvidas e questionamentos. Que ninguém seja recriminado por "falta de fé". Que haja maturidade para acolher o fraco e sabedoria para ensiná-lo na Palavra. A fé vem pelo ouvir, e o ouvir da Palavra de Deus. (Rm 14.1; Rm 10.17)

27 - Que a igreja reconheça que são as portas do inferno que não prevalecerão contra ela e não a igreja que tem que se defender do "exército inimigo". Que essa consciência nos leve à prática da fé e do amor, e que isso carregue consigo o avançar do Reino de Deus sobre a terra. (Mt 16.18)

28 - Cremos na plena ação do Espírito Santo, mas reconhecemos que em muitas situações e igrejas, há enganos em torno do ensino sobre dons e abusos em suas manifestações. (Hb 13.8; 1 Co 12.1)

29 - Que nossas estatísticas sejam mais realistas e não utilizadas para, mentindo, "disputarmos" quais são as maiores igrejas; o Reino é bem maior que essas futilidades. (Lc 22.24-26)

30 - Que os neófitos sejam tratados com carinho, ensinados no caminho, e não expostos aos púlpitos e à "fama" antes de estarem amadurecidos na fé, para que não se ensoberbeçam e caiam nas ciladas do diabo. (1 Tm 3.6)

31 - Que saibamos valorizar a nossa história, certos de que homens e mulheres deram suas vidas para que o Evangelho chegasse até nós. (Hb 12.1-2)

32 - Que sejamos conhecidos não por nossas roupas ou por nossos jargões linguísticos, mas por nossa ética e amor para com todos os homens, refletindo assim, a luz de Cristo para todos os povos. (Mt 5.16)

33 - Que arda sempre em nosso peito o desejo de ver Cristo conhecido em todas as culturas, raças, tribos, línguas e nações. Que missões seja algo sempre inerente ao próprio ser do cristão, obedecendo assim à grande comissão que Jesus nos outorgou. (Mt 28.18-20)

34 - Reconhecemos que muitas igrejas chamam de pecado aquilo que a Bíblia nunca chamou de pecado. (Lc 11.46)

CONTINUA...

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

AS 95 TESES DE LUTERO — PARA AJUDAR A ENTENDER A REFORMA PROTESTANTE


O ato simples de afixar 95 Teses na porta da catedral do castelo de Wittenberg, convidando as pessoas para um debate público acerca das mesmas, pelo então monge agostiniano Martinho Lutero marcaram o início do que seria a Reforma Protestante. A data foi 31 de Outubro de 1517 e, portanto, está completando hoje, 497 anos.

Os antecedentes

Cobrança de indulgências

No início do século XVI, a Igreja Católica adotava certas ações muito abusivas e que tinham como único intuito satisfazer o interesse de alguns clérigos, e principalmente do papa, interessado em levantar fundos para a obra monumental representada pela construção da basílica dedicada a Pedro. Uma dessas práticas impróprias realizadas por tais católicos era a venda de indulgências. As indulgências são uma invenção da Igreja Católica Romana que possibilita que os fieis paguem por seus próprios pecados através de penitências, mas o que estava acontecendo era a pura e simples venda de bênçãos, algo que continua até os dias de hoje e que também está largamente adotado pelas igrejas chamadas evangélicas. Desse modo, as pessoas são levadas a fazer contribuições financeiras, seja para obter o perdão dos pecados, seja para alcançar alguma bênção desejada.

Martinho Lutero

Entre os anos de 1516 e 1517, Marinho Lutero pregou três sermões atacando a prática da venda das indulgências. Mas, sua reação contrário a tal prática, culminou com seu singelo gesto de afixar noventa e cinco teses contrárias a tal prática e convocar todos para um debate público acerca das mesmas. Isso foi feito no dia 31 de Outubro de 1517 nas portas catedral que era parte do complexo do castelo de Wittenberg, na Alemanha. Além das indulgências as teses tratavam também de outras questões relacionadas ao papado, às penitências bem como à salvação eterna das almas.


Para Lutero a cobrança pelas indulgências era uma prática comparada com práticas pagãs e que expunham a ganância de certas autoridades da Igreja Romana.  

Em apenas duas semanas as teses já estavam traduzidas para outras línguas e cópias das mesmas alcançaram grande circulação. Bastaram dois meses para que as mesmas já estivessem em circulação por toda a Europa. A reação da Igreja Romana, como já se esperava foi dura e arrogante. Lutero foi acusado de ser apenas um monge beberão e que não tinha noção do que escrevia. A batalha entre Lutero e a Igreja Romana culminou com sua excomunhão em 1521. Como Roma fazia parte do Sacro Império Romano Germânico, o Imperado Carlos I também passou a considerar Lutero como alguém fora da lei.

Esse simples gesto, de pregar 95 teses na porta da igreja e ver as mesmas atingirem toda a Europa em apenas dois meses, foi o elemento chave usado pelo próprio Deus para dar início a um profundo movimento de  reforma no seio da Igreja Romana que ficou conhecido como a REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVII

Resultado de imagem para REFORMA PROTESTANTE

Abaixo apresentamos uma cópia em português das 95 teses de Lutero, muito faladas, mas pouco lidas tanto pelos reformados quanto por outros grupos chamados cristãos.

O material abaixo foi publicado pelo Igreja Evangélica da Confissão Luterana no Brasil

Debate para o Esclarecimento do Valor das Indulgências pelo Doutor

Martinho Lutero

31 de outubro de 1517

Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em
Wittenberg, sob a presidência do Reverendo Padre Martinho Lutero, mestre de
Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela
localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e
debater conosco oralmente o façam por escrito.

Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus
Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental, isto é,
da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes.

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a
penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de
mortificação da carne.

4. Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto
é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que
impôs por decisão própria ou dos cânones.

6. O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela
foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si;
se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la,
em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos
cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus
decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam
aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11. Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório
parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da
absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13. Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis
canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo
grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.

15. Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas)
para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do
desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o
semidesespero e a segurança.

17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na
medida em que cresce o amor.

18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da
Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no
amor.

19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam
certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa
parte, tenhamos plena certeza.

20. Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende
simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é
absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que,
segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele,
certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24. Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por
essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer
bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves
(que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada
na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a
cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas?
Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver
conseguido plena remissão.

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente
as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles
que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do
papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada
com Deus.

34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de
satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35. Não pregam de forma cristã os que ensinam não ser necessária a contrição
àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.

36. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de
pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.

37. Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos
os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de
indulgência.

38. Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser
desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo
ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância
das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.

41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para
que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras
do amor.

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra
de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de
misericórdia.

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao
necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44. Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna
melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas
mais livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para
gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de
Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância,
devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma
desperdiçar dinheiro com indulgência.

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não
constitui obrigação.

48. Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim
como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu
favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não
depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o
temor de Deus por causa delas.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos
pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a
edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever
- a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de
indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse
necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que
o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas
mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de
indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto
ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55. A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o
menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma
cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma
centena de sinos, procissões e cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são
suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que
muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre
operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno
do ser humano exterior.

59. S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma,
empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram
proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.

61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa
por si só é suficiente.

62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça
de Deus.

63. Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que
os primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com
razão, pois faz dos últimos os primeiros.

65. Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se
pescavam homens possuidores de riquezas.

66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se
pesca a riqueza dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças
realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com
a graça de Deus e a piedade na cruz.

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os
comissários de indulgências apostólicas.

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar
com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios
sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.

71. Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências
apostólicas.

72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade
das palavras de um pregador de indulgências.

73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma,
procuram defraudar o comércio de indulgências,

74. Muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências,
procuram defraudar a santa caridade e verdade.

75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem
absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso
fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular
sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.

77. A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente,
poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.

78. Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem
graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc.,
como está escrito em 1 Co 12.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida,
equivale à cruz de Cristo.

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que
semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para
os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas,
sem dúvida argutas, dos leigos.

82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do
santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa
de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do
funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão
insignificante?

83. Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos
falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as
doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?

84. Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do
dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de
Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e
dileta, por amor gratuito?

85. Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais - de fato e por desuso já
há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela
concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86. Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos
mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma
basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87. Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela
contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?

88. Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do
que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse
essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do o
dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são
igualmente eficazes?

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força,
sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria
dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o
espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente
respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92. Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!"
sem que haja paz!

93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!"
sem que haja cruz!

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu
cabeça, através das penas, da morte e do inferno;

95. E, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas
tribulações do que pela segurança da paz

Que Deus Abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.
    

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

REFORMA PROTESTANTE DO SÉCULO XVI — ANO 496 — PARTE 3


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Reforma Protestante

Se você chegou diretamente nessa página, recomendamos que antes de ler essa parte 2, que leia a parte 1 desse artigo que pode ser acessada por meio desse link aqui:



Hoje — 31 de Outubro de 2013 — comemorando o 496º aniversário da Reforma Protestante do Século XVI.

Continuação

Martinho Lutero

Impossível falar da REFORMA PROTESTANTE sem darmos a devida importância àquela figura que dominou a mesma desde seu princípio. Estamos, é claro, falando de Martinho Lutero — 1483—1546. Lutero era filho de um mineiro que trabalhava nas minas de cobre da região da Saxônia. O nome de seu pai era Hans Lutero. Esse homem havia se especializado no trabalho das minas e tinha criado uma condição razoável para o sustento de sua família. De fato, quando Lutero nasceu, já na cidade de Eisleben, seu pai, Hans, já era proprietário de várias minas de cobre. Isso tinha lhe aberto a possibilidade de uma razoável ascensão social e certa proeminência entre o povo local.

Universidade em Erfrut

Hans Lutero tinha planos para seu filho, Martinho, e quando o mesmo ainda era um adolescente, seu pai decidiu que o mesmo iria estudar as leis e tornar-se um Doutro das Leis. Desejoso de seguir a orientação paterna, o jovem Martinho, então com apenas 17 anos, tendo terminado sua educação média, ingressou na Universidade da cidade de Erfrut. Naqueles dias a Universidade em Erfrut era a mais importante em toda a Alemanha.

Cícero

Erfrut era também o centro principal do conflito entre o Renascimento Humanista e os religiosos chamados de Escolásticos. Esses últimos eram adeptos da combinação da filosofia medieval com a teologia. Lutero ingressou na faculdade de Filosofia e estudou também teologia e as leis. Foi durante esse período que ele entrou em contato com os autores clássicos, especialmente os romanos Cícero e Virgílio. Logo estava completando seus estudos com o grau de Mestre. Lutero formou-se como o segundo melhor aluno numa classe de dezessete estudantes. Em 1505, tudo isso lhe prometia uma bem sucedida carreira na área legal.
Lutero estava agora com 21 anos. E foi, exatamente, nesse momento da sua vida, em 1505, que ele decidiu abandonar tudo aquilo pelo que havia lutado até então. É o próprio Lutero que nos diz que naquele ano ele “experimentou o primeiro grande evento de sua vida”. Numa noite de tempestade, Lutero estava voltando para sua casa. Ele estava tão aterrorizado pela quantidade de raios que caiam por todos os lados, à sua volta, que passou por algum tipo de “conversão” espiritual. Do meio da tempestade ele clamou: “Socorro! Santa Ana[1]. Eu irei me tornar um monge”. Naquele instante ele se sentiu tocado pela mão de Deus e sentiu que deus estava em todas as coisas. Ao mesmo tempo ele tinha dúvidas atrozes. Era-lhe praticamente impossível reconciliar sua decisão religiosa com suas ambições sociais. Essa ambiguidade gerou em Lutero uma sensação avassaladora que misturava culpa, temor e terror. Para tentar aliviar sua profunda nagústia ele se uniu á Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho.

Agostinho de Hipona

Naquele local, Lutero imaginava que estaria protegido das tentações e das distrações do mundo. Era ali, ele pensava, que iria encontrar o verdadeiro caminho para o céu. Lutero começou a jejuar, a orar e se flagelar de forma contínua. Mas, mesmo assim as dúvidas persistiam. Um dia, sentado em sua cela no mosteiro, ele jogou sua Bíblia aberta sobra a mesa e colocou seu dedo sobre um verso qualquer. A passagem em questão era de Romanos 1. Lutero aproximou o rosto e leu o verso 17 que dizia: Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.

Porta da Catedral em Witenberg

Durante o ano de 1508, Lutero foi transferido do mosteiro em Erfrut para o de Wittenberg. Ali, em pouco tempo Lutero uniu-se ao corpo docente da Universidade de Wittenberg como professor de filosofia e, rapidamente, tornou-se líder na disputa para transformar a Universidade em um centro do Humanismo em vez do Escolasticismo. Por esse tempo Lutero estava mais interessado em pregar um religião que cultivasse a piedade pessoal, do que se dedicar aos estudos tanto da teologia quanto da filosofia. Durante o ano de 1510, Lutero se dedicou a descobrir Deus e foi nesse ano que realizou uma viagem à Roma, onde agiu mais como um verdadeiro peregrino, do que como um estudioso do humanismo. Em Roma Lutero subiu os degraus da Catedral de São Pedro, ele se ajoelhou diante de muitos altares oferecendo orações. Mas, enquanto estava na cidade, ele não teve como não notar a vida de rasgada imoralidade tanto dos padres quanto dos cardeais. Lutero ficou convencido que todos aqueles homens não passavam de cínicos e que eram, completamente indiferentes, aos rituais que impunham ao povo.

















Roma no Século XVI

Em 1512 Lutero retornou para Wittenberg para ensina e prega. Nessa altura ele decidiu rejeitar por completo o Escolasticismo medieval e concentrar seus esforços como professor no livro dos Salmos e nas Epístolas de Paulo. Os anos se passaram e em 1517 não existia nenhum motivo para que alguém pudesse imaginar que Lutero estivesse insatisfeito com a Igreja Católica Apostólica Romana. Mas, como iremos ver, o ano de 1517 tem tanta importância para a Igreja Romana, quanto o ano 1215 que mencionamos nos artigos anteriores.

Alberto de Hohenzollern

No ano de 1517, foi oferecido ao bispo Alberto de Hohenzollern o arcebispado da cidade de Mainz, desde que ele pudesse pagar a taxa estipulada. O curioso é que naquele momento Alberto já controlava dois bispados, apesar de não ter atingido a idade requerida para alguém tornar-se bispo. O papa Leão X pediu que Alberto pagasse 12.000 ducados — mil ducados por cada um dos apóstolos — mas Alberto fez uma contra oferta de apenas 7.000 ducados — compatível com os sete pecados capitais! Depois de Muitas discussões chegaram a um acordo e Alberto concordou em pagar 10.000 ducados. O Papa Leão X proclamou um indulgência  válida nos territórios de Alberto com a metade do dinheiro recolhido indo para Alberto e a outra metade para a construção da Basílica de São Pedro em Roma.

Papa Leão X

A aparente tranquilidade foi violentamente sacudida por uma poderosa “tempestade” no dia 31 de Outubro de 1517, véspera do dia do Todos os Santos. Foi naquele dia — 31 de Ou rubro — que Lutero fixou uma cópia de sua 95 teses — trata-se realmente de 95 afirmações, sendo algumas breves e outras mais extensas — nas portas da Catedral do Castelo de Wittenberg que eram uma única estrutura.

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Lutero prega suas teses

As teses de Lutero tinham, em sua maioria, como alvo principal a questão envolvendo as indulgências. Com essas teses Lutero estava interessado em despertar na Igreja Católica Romana uma discussão acerca do valor das indulgências. Uma ou outra tese dizia respeito ao papado e ao papa Leão X. O dia escolhido por Lutero — véspera do dia de Todos os Santos — fazia parte da sua estratégia, pela importância do mesmo na liturgia Católica Romana. A cidade de Wittenberg estava lotada naqueles dias com peregrinos vindos de vários lugares, pois a Catedral de Wittenberg seria consagrada no grandioso dia dedicado a Todos os Santos. As palavras das Teses de Lutero se espalharam rapidamente entre o povo. Mas esse estava muito prejudicado, pois Lutero havia escrito as mesmas em latim. Logo levantou-se um clamor para que as mesmas fossem traduzidas para o alemão local. Um aluno da Universidade de Wittenberg copiou as teses de Lutero, traduziu as mesmas para o Alemão e a gráfica da Universidade se encarregou em reproduzir as mesmas aos milhares e espalhá-las por toda a Alemanha. Foi graças à impressão que as ideias de Lutero foram distribuídas e foram tão longe em bem pouco tempo.

A indulgência em especial que mais irritava Lutero era uma vendida por toda a Alemanha por um frade dominicano chamado João Tetzel. A intenção de Tetzel era levantar dinheiro para a construção da Catedral de São Pedro em Roma e para isso ele estava disposto a lançar mão de todo e qualquer recurso que pudesse atrair compradores para o “produto tão precioso” que ele vendia: perdão dos pecados.
Em geral quando uma indulgência é outorgada sobre uma pessoa, líber a mesma, pelo período adquirido de sofrer no purgatório antes que possa ir para o céu. Como vimos, o purgatório que era uma invenção da Igreja Católica Apostólica Romana, fez com que a mesma permitisse o surgimento desse sistema imoral de lidar com o pecado alheio e a prática foi e continua sendo abusada até os dias de hoje.

Junto com suas teses, Lutero enviou uma carta ao Arcebispo de Mainz atacando a prática das indulgências em geral que representavam uma grande fonte de renda para todos os participantes do lado da Igreja Romana. A carta de Lutero manifestava suas objeções à VENDA das indulgências. Mas segundo a  falsa doutrina da Igreja Católica Romana as indulgência deviam sua existência á graça superabundante acumulada pela igreja através da vida de Jesus, dos Santos e dos Mártires. A Igreja Romana se sentia no direito de vender essa graça para que as pessoas evitassem o sofrimento no purgatório. Era um esquema bem azeitado e que funciona maravilhosamente bem até os dias de hoje. De acordo com a Igreja Romana a compra duma indulgência colocava o comprador em contato com a graça detida pela igreja e esse contato libertava a pessoa da penitência terrestre de um pecado específico, mas não do próprio pecado em si. Ou seja, o que se vendia era pura fumaça! Mas Tetzel afirmava que o comprador não se livrava apenas da penitência terrestre, mas do próprio pevado em si mesmo. Além disso, Tetzel introduziu a idéia que uma indulgência podia ser comprada a favor de algum parente que, porventura, já estivesse no purgatório. Isso significava que o pagamento na terra, libertava a alma do purgatório e a mesma poderia subir sireto para o céu.

João Tetzel

João Tetzel ficou imortalizado pela seguinte malfadada frase que ele mesmo proferiu em 1517: “Tão logo as moedas batam no fundo do baú das coletas, as almas saltarão, imediatamente, em direção ao céu”. A essa imoralidade e comércio da fé, Lutero respondeu em sua tese # 28 dizendo: “É certo que quando o dinheiro fizer barulho dentro do cofre, a avareza e a ganância poderão crescer mais um pouco, mas a intercessão da Igreja depende exclusivamente da vontade de Deus”.

Mas para Lutero não era apenas Tetzel quem espalhava os falsos ensinamentos acerca das indulgências. Para nosso monge, tais ensinamentos estavam profundamente arraigados na própria instituição do papado e isso seria usado, de forma categórica, contra ele. Afinal de contas não é à toa que o papa é chamado de “Sua Santidade”. Desse modo, quando Lutero decidiu atacar as indulgências eles estava, na realidade, atacando o papa, o papado e toda a infernal estrutura da Igreja Católica Apostólica Romana. Ao individualizar a responsabilidade da salvação, Lutero aboliu, na prática a maioria dos sacramentos da Igreja Romana e a ridícula obrigatoriedade de ter, esses mesmos sacramento, validados apenas por meio de mãos devidamente consagradas, ou seja, as mãos do clero romano.

Para Lutero era apenas a fé — que é um dom concedido por Deus — independente de quaisquer obras humanas — boas obras — que conduzia o pecador em direção à salvação, exclusivamente pela Graça de Deus, por meio da pessoa de Jesus Cristo. Nenhuma obra meritória poderia salvar ninguém e muito menos o pagamento imoral pelas indulgências.

A mensagem de Lutero, amparada pelas Escrituras Sagradas e uma fé inabalável no Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é a única explicação aceitável porque tantas pessoas, rapidamente abandonaram os ensinamentos da Igreja Romana. Ensinamentos esses aos quais estavam escravizados por séculos. Ricos e, igualmente pobres, tinham a possibilidade de se reconciliarem com Deus, sem sofrer nenhuma intermediação da Igreja Romana e melhor, sem ter que pagar pelos serviços que a mesma deveria prestar graciosamente como Jesus havia ensinado:

Mateus 10:8

Curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça dai.

Lutero conseguiu restituir a dignidade pessoal dos indivíduos como criaturas de um Deus amoroso que já havia feito tudo o que era necessário para a salvação dos mesmos, por meio de seu Filho Unigênito, Jesus Cristo. Nenhuma obra meritória nem escravidão à Roma seria capaz de oferecer aquilo que Deus nos oferece de graça e pela Sua graça. Além disso, o povo alemão, também entendeu que o luteranismo era uma maneira segura de atacar não apenas Roma e o papado, mas também a tirania representada pelo sanguinário imperador Carlos V — 1500—1558.

Creio que foi Voltaire quem disse certa vez o seguinte: O Sacro Império Romano, não era nem santo, nem romano e muito menos um império. E apesar de termos que reconhecer que a Alemanha tornou-se luterana por motivos que iam muito além da teologia, o fato que permanece é que muitos tiveram a oportunidade de ouvir o evangelho, multidões se converteram de verdade e o pesado jugo exercido por Roma sobre toda a Europa teve sua espinha dorsal quebrada, graças ao movimento teológico iniciado por Lutero. O luteranismo tornou-se uma espécie de alternativa para o Catolicismo Romano.


João Calvino

João Calvino — 1509—1564 — representa a segunda geração de reformadores, que adotaram o nome de Protestantes. Apesar de Calvino e Lutero serem, em parte contemporâneos, os dois eram homens bem diferentes.

João Calvino foi educado em Paris em meio a grande influência do humanismo correte. Entre os anos de 1520 e 1530, Calvino estudou as leis na Universidade de Paris. Depois prosseguiu seus estudos em Orleãs e estudou o grego na localidade de Bourges. A formação de Calvino era uma formação humanista. Ele estudou, por conta própria, o hebraico, o grego, o latim e os textos clássicos bem como aqueles produzidos pelos humanistas da época. Foi em 1533, com apenas 24 anos de idade que Calvino foi despertado para os estudos do Novo Testamento e os escrito dum monge alemão chamado Martinho Lutero. Jamais poderemos considerar Calvino um calvinista, mas certamente ele foi um luterano no princípio da sua vida de fé.

No dia de “Todos os Santos” do ano 1533 Calvino pregou um sermão em Paris defendendo com toda a clareza a “justificação pela fé somente”. Com isso ele estava renunciando, formalmente, ao Catolicismo Romano. Calvino partiu em seguida para a Basileia, na Suíça, onde escreveu a primeira versão de obra prima “As Institutas da Religião Cristã”. Essa obra sofreu diversas revisões até ficar completa e satisfatória para seu autor com 80 capítulos.

Seus ensinamentos foram adotados por vários reformadores — suíços, escandinavos, franceses, escoceses e etc. — que, ao normatizar os mesmos criaram aquilo que hoje chamamos de calvinismo. Segundo esses ensinamentos:

1. O ser humano estava completamente perdido diante do Deus Santo e Todo Poderoso.

2. Calvino concluiu que não existia nada que pudesse ser chamado de “livre-arbítrio” e que os seres humanos estavam predestinados ou ao céu ou ao inferno. Os seres humanos não podem fazer nada para alterar seus respectivos destinos.

3. Foi Calvino e não Lutero que supriu os reformadores franceses e suíços com as ideias fundamentais para uma reforma geral da igreja cristã. O maior exemplo dessa influência pode ser visto no fato dos reformadores de Genebra terem convidado o próprio Calvino para ajudá-los no processo da reforma naquela cidade.


As Institutas

Calvino ao chegar em Genebra, logo impôs uma severa disciplina e ordem sobre a cidade. Mesmo diante da reclamação de muito, a população em geral, entendia que aquelas medidas eram benéficas para eles e para seus filhos. Mesmos assim a força política dos opositores era tão grande que Calvino acabou sendo expulso de Genebra. Seu exílio durou três anos. Tempo esse em que as condições se deterioram tanto na cidade que houve um clamor geral pelo seu retorno. Os que se opunham ao seu retorno a Genebra, deixaram a cidade, ou foram presos e alguns chegaram a ser executados.


Girolano Savanarola

Calvino impôs sobre a cidade um rigoroso código de conduta baseado em seu entendimento da Bíblia. Sua carreira em Genebra é muito semelhante à do padre Girolano Savanarola em Florença na Itália, que acabou sendo executado como herege pela Igreja Romana.


O código de Calvino dizia que os cidadãos de Genebra deveriam levantar cedo, trabalhar duro, ter uma preocupação constante com a moral e os bons costumes, viver vidas modestas, deviam também, abster-se dos prazeres mundanos, permanecerem sóbrios e serem sérios em todas as suas responsabilidades. Tudo isso pode ser visto como muito benéfico ou muito castrador, dependendo do ponto de vista e daquilo que um indivíduo deseja para sua vida. Mas os que não gostavam daquela forma de vida eram livres para partir. Alguns críticos, pouco caridosos, chamam a Genebra de Calvino de “Mosteiro Asceta”, mas isso está muito longe de ter qualquer coisa a ver com a realidade dos fatos.

Calvino também trouxe de volta a prática de “boas obras” no sentido em que as mesmas são ensinadas por Paulo em

Efésios 2:8—10

8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus;

9 não de obras, para que ninguém se glorie.

10 Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.

Aos pouco a Genebra de Calvino foi se tornando numa cidade regida pelos mandamentos da Palavra de Deus — dentro do possível é claro — e o povo experimentou grande paz e prosperidade material, apesar de serem constantemente lembrados da necessidade de levarem vidas simples.

Calvino trouxe de volta o canto congregacional que havia sido substituído séculos antes pelo apático canto gregoriano da Igreja Romana. Calvino pregou um sermão em cada capítulo da Bíblia, com exceção do livro do Apocalipse, o qual ele considerava um livro fechado e de difícil compreensão.

CONCLUSÃO

A Reforma Protestante do Século XVI foi um movimento que resgatou a dignidade humana enquanto criaturas de Deus, colocou a Bíblia no centro do ensino do povo de Deus e Jesus Cristo de volta como único e suficiente Salvador da humanidade. A reforma aboliu, definitivamente o poderoso jugo romano sobre as pessoas, pois possibilitou o início do movimento missionário, genuinamente, cristão que se espalhou mundo afora levando a gloriosa mensagem da salvação em Cristo Jesus.

Enquanto o luteranismo se espalhou rapidamente pela Alemanha e pela Escandinávia, as doutrina protestante de Calvino, posteriormente chamadas de Calvinismo, se espalharam pela Europa em geral. Calvino conseguiu produzir um movimento inigualado por qualquer outro movimento reformado do século XVI. Suas Institutas da Religião Cristã tornaram-se a teologia prática adotada em todos os rincões onde o protestantismo se estabelecia. Uma disciplina rígida, porém amorosa, era o segredo que mantinha seu movimento coeso.

Pregadores Calvisnista, apesar de todas as acusações que pesavam sobre eles, partiram do centro da Europa levando a boa nova da Salvação para todos aqueles que estivessem dispostos a ouvir a mesma. De Genebra, graças à inveção da imprensa, fluía um gigantesco rio de material impresso de panfletos, livros e sermões cujo objetivo era instruir o povo de Deus nas verdades das Escrituras Sagradas.

No ano da morte de Calvino, os protestantes ou huguenotes como eram chamados na França somavam mais de meio milhão. Na Escócia o país foi ganho para o modelo de Calvino e a Igreja Presbiteriana da Escócia tornou-se a igreja oficial do país. A doutrina calvisnista também penetrou fundo na Inglaterra, nos países baixos, especialmente na Holanda, e ma Hungria.

Enquanto isso, o patético apelo do papa Leão X, em sua Bula,  continua sem resposta. Ele disse:

“Levanta-te, oh! Senhor e julga Tua causa. Um porco selvagem invadiu Tua vinha. Levanta-te oh! Pedro, e considera o causo da tua Santa Igreja Romana, a mãe de todas as igrejas, consagrada pelo teu próprio sangue. Levanta-te oh! Paulo, que pelos teus ensinos tens iluminado e iluminas a Igreja. Levanta-vos todos os santos e toda a Igreja Universal, cuja interpretação das Escrituras têm sido atacada”.

O resto é história.

Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.


[1] Santa Ana — segundo uma das muitas invenções da Igreja Católica Romana, esse era o nome da mãe de Maria que foi a mãe terrestre do Salvador Jesus.