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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 005 - PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS — Mateus 6:9a




Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados 

A ORAÇÃO DO “PAI NOSSO”

Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13



Introdução:

A. Prosseguindo com nossa exposição de Mateus 6:9—13, a chamada “Oração do Pai Nosso”, hoje queremos falar, entre outras coisas, de algumas similaridades, já mencionadas antes, entre a oração que o Senhor ensinou e algumas das 18 orações praticadas pelos judeus.

B. Como falamos antes quando mencionamos que existiam certas similaridades entre o Pai Nosso e as orações praticadas pelos judeus, nosso interesse não está em reforçar as similaridades e sim destacar as diferenças.  

C. Como vimos, Jesus rompeu com todas as formas de oração adotadas pelos judeus. As práticas dos judeus não nos interessam porque Jesus nos libertou das formas — como orar em pé — dos métodos — como orar três vezes por dia — e do conteúdo propriamente dito de todas essas orações, porque as mesmas não refletem a realidade que Deus é Espírito e pode ser adorado em qualquer lugar e a qualquer tempo em Espírito e Verdade conforme —

João 4:24

Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.

D. Além disso, hoje queremos também falar do agudo contrastes representado pelo uso da palavra אַבָּא — `abba — Pai e a expressão seguinte: “que estás nos céus”.

·       Vamos então nos voltar para esse

ABBA QUE ESTÁ NOS CÉUS

I. O Pai Nosso e a Oração chamada Qaddish feita nas sinagogas dos judeus.

A. A oração chamada Qaddish feita nas sinagogas judaicas tem certas semelhanças como o início das petições que encontramos na oração do Pai Nosso. O material a seguir é citado no Comentário de Mateus escrito por Donald Hagner e ele, por sua vez, está citando outro livro “The Lord´s Prayer in Jewish Literature” escrito por Petuchowski e Brocke. O texto da oração Qaddish diz o seguinte:

Exaltado e Santificado seja Teu grande Nome
No mundo que foi criado por Ti,
De acordo com Tua Vontade.
Que o Senhor possa estabelecer Seu Reino,
Durante os dias das nossas vidas e da nossa existência,
E durante a existência de toda a casa de Israel.
Que isso aconteça de modo rápido e em breve.
E digam amém.

B. As semelhanças são apenas superficiais. Os judeus apenas pretendiam manter um relacionamento com Deus. Como Jesus os denunciou, eles não passavam de um bando de hipócritas. O interesse maior deles não estava centrado no Pai supridor e Todo Poderoso, e sim, neles mesmos.

C. De modo contrário Jesus não escolhia palavras para impressionar seus ouvintes e sim para expressar a:

1. Verdadeira intimidade de filhos com seu pai.

2. Completa dependência e confiança em que ele depositava em Deus.


II. O Deus Que é Chamado de אַבָּא — `abba — Pai, está também nos céus.

A. Isso quer dizer o seguinte: Nosso Pai amoroso é também o Deus transcendente que está “nos céus”.

B. Enquanto somos crianças nos habituamos, em condições normais, a viver e ter nosso pai e nossa mãe próximos de nós.

C. Mas as circunstâncias da modernidade acabam, muitas vezes, nos afastando uns dos outros e isso se tornou a regra no Ocidente. Mas no Oriente isso não acontece com a mesma frequência. 

D. No Oriente o pai e mãe vivem próximos de seus filhos pela duração de suas vidas naturais. Muitas vezes, quando o Pai ainda existe, ele costuma viver na mesma casa que seus filhos, mesmos quando esses são casados. Isso é apenas cultural e não devemos julgar, de modo temerário, se a ação é certa ou errada.

E. Quanto ao Pai da oração que Jesus ensinou: Ele está, ao mesmo tempo, próximo, mas também está nos céus.

F. Deus está nos céus e a comunidade de adoradores, que somos nós, é parte do mundo criado.

G. Nosso Deus além de אַבָּא — `abba — Pai é também o Criador e Sustentador de todo o universo.

H. Diante dessas duas últimas afirmações nós podemos então dizer que a comunidade dos fieis representa os servos dos quais o אַבָּא — `abba — Pai é o Senhor.

I. Como servos habitando sobre a Terra somos todos mortais, enquanto nosso אַבָּא — `abba — Pai é eterno e vive para sempre.


III. Nos Aproximando do Deus que está nos céus, mas que também é nosso אַבָּא — `abba.

A. Mesmo habitando nos céus podemos nos aproximar do nosso אַבָּא — `abba — Pai que habita em majestosa santidade em Sua glória celestial:  

Efésios 2:17—18

E, vindo, evangelizou paz a vós outros que estáveis longe e paz também aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um Espírito.

Efésios 3:11—12

Segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor, pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele.


Hebreus 10:19—24

Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel. Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras.

Conclusão

A. De acordo com as tradições judaicas, era comum os homens chegarem à sinagoga e permanecerem em absoluto silêncio durante uma hora, antes de se levantarem para proferir as Tefillah ou 18 orações.

B. Chegar à presença de Deus é sempre algo majestoso e assombroso até, mas por causa do que Jesus fez nós podemos nos aproximar do nosso אַבָּא — `abba — Pai, pois Jesus nos garante acesso: com ousadia, com coração sincero — sem esconder nada — e em plena certeza de fé. Devemos comparecer diante de Deus como somos e não temos nenhuma pretensão de nenhum tipo, pois como diz o salmista —

Salmos 103:14

Pois ele conhece a nossa estrutura e sabe que somos pó.

C. Nossas palavras dirigidas ao nosso אַבָּא — `Abba — Pai que “está nos céus”, devem ser sempre sinceras e poucas.

D. Nosso אַבָּא — `Abba — Pai deseja e espera que o procuremos com ousadia, várias vezes durante o dia. Orações breves e sinceras como as que encontramos às centenas no livro dos Salmos, como por exemplo:

Salmos 119:5

Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos.

Salmos 119:8

Cumprirei os teus decretos; não me desampares jamais.


Salmos 119:12

Bendito és tu, SENHOR; ensina-me os teus preceitos.


Salmos 119:17

Sê generoso para com o teu servo, para que eu viva e observe a tua palavra.


Salmos 119:18

Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.


Salmos 119:25

A minha alma está apegada ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra.

5. Mesmo próximo, não devemos nos esquecer que Nosso אַבָּא — `Abba — Pai está “nos céus”. Isso quer dizer apenas uma coisa: ELE É O DEUS ETERNO, O DEUS TODO PODEROSO a quem podemos dirigir todas as nossas orações e CONFIAR, pois ELE É FIEL.

OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO — Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html


011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS

Que Deus abençoe a todos 

Alexandros Meimaridis 

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sábado, 7 de novembro de 2015

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO - SERMÃO 003 — O Pai Nosso — Parte 2 — Mateus 6:9



Essa série tem por objetivo expor de maneira ampla, bíblica, literária, histórica e teologicamente, a oração que chamamos de “Oração do Pai Nosso”. Nosso desejo é enriquecer a vida de todos por meio desses esboços de mensagens que também estão disponíveis em áudio. Na parte final desse artigo o leitor encontrará os links para os outros esboços e para os áudios à medida que forem sendo publicados 


Uma Exposição Bíblica, Literária e Teológica de Mateus 6:9—13



Introdução:

A. Em nossa apresentação da “Oração do Pai Nosso”, nós temos afirmado e reafirmado que através dela Jesus mudou, por completo, o modelo ou paradigma de oração usado pelos Judeus.

B. Essas mudanças podem ser facilmente vistas no seguinte:

1. Enquanto os Judeus gostavam de orar em pé nas praças e nas sinagogas para serrem vistos por todos — ver Mateus 6:5. Jesus, por sua vez nos ordena orar em secreto e nos garante que essa é a oração que Deus ouve e atende – ver Mateus 6:6.

Mateus 6:5—6

5 E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.

6 Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.

2. Os judeus tinham por costume orar três vezes ao dia, ao passo que em Cristo nós somos livres para orar quantas vezes quisermos durante o dia.

3. Os judeus tinham um conjunto fixo de 18 orações, além do Shemá. Jesus passava noites inteiras em oração, o que indica que ele não estava limitado a repetir, ad infinitum, orações decoradas. Suas orações refletiam a profunda comunhão que tinha com o Pai.

4. Os judeus oravam exclusivamente em hebraico, a única língua que eles achavam Deus entendia. Jesus nos ensina que Deus é Espírito e devemos orar na língua do nosso coração. Jesus ensinou seus discípulos a orar na língua aramaica, porque essa era a língua que eles usavam no dia a dia. O Novo Testamento registra várias orações dos apóstolos feitas na língua grega.

5. Jesus ensinou seus discípulos a orarem a Deus como Pai — Abba em aramaico. Como iremos ver hoje, o uso dessa expressão representava o rompimento definitivo com a língua e a cultura hebraica por parte de Jesus Cristo.

6. Vamos então passar a análise de como os judeus se referiam a Deus como Pai e a diferença, fundamental, que o ensinamento de Jesus trouxe a esse entendimento.

PAI NOSSO

I. Como os Judeus Usavam a Expressão Pai no Antigo Testamento

A. Já mencionamos que em 2 orações das chamadas tefillah — orações diárias — os judeus iniciavam a mesma com a expressão “Pai Nosso” que traduz a expressão hebraica “Abinu”.

B. A palavra hebraica para pai em sua raiz mais simples é אָב — `ab — Pai. Nesse sentido a expressão é usada mais de 1200 vezes no Antigo Testamento. De todas essas vezes, apenas 12 fazem referência a Deus como “Pai do povo de Israel”. Essa paternidade foi forjada quando da libertação do povo da escravidão do Egito como podemos ler em:

Deuteronômio 7:6—8

Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra. Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito.

Deuteronômio 14:2

Porque sois povo santo ao SENHOR, vosso Deus, e o SENHOR vos escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe serdes seu povo próprio.

Isaías 63:15—16

Atenta do céu e olha da tua santa e gloriosa habitação. Onde estão o teu zelo e as tuas obras poderosas? A ternura do teu coração e as tuas misericórdias se detêm para comigo! Mas tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conhece, e Israel não nos reconhece; tu, ó SENHOR, és nosso Pai; nosso Redentor é o teu nome desde a antiguidade.

Isaías 64:8

Mas agora, ó SENHOR, tu és nosso Pai, nós somos o barro, e tu, o nosso oleiro; e todos nós, obra das tuas mãos.

C. Apesar do fato que nem todos esses versos usam a expressão “Pai”, é bem evidente que foi nisso mesmo que Deus se tornou — PAI — quando adotou o povo hebreu como Seu povo.

D. Os judeus se dirigiam a Deus como Pai de forma litúrgica onde era chamado de Abinu — Pai nosso — ou de Abi — Meu Pai. Mas nunca, nunca se referiam a Deus usando a forma familiar אַבָא — `aba`— Pai pois consideravam a expressão vulgar e despretensiosa para ser usada com relação ao Deus Todo Poderoso.  

E. Agostinho diz em seu Comentário no Sermão Montanha o seguinte: “Entretanto, em nenhuma parte do Antigo Testamento encontramos nenhum mandamento ordenando ao povo de Israel que se dirigisse a Deus como Pai ou o invocasse como Pai nosso”.

F. O uso que os judeus faziam da expressão pai estava restrita às seguintes formas:

1. Como uma símile, i.e., “Isto é como Aquilo” com, por exemplo, em —

Salmos 103:13

Como um pai se compadece de seus filhos, assim o SENHOR se compadece dos que o temem.

2. E, ocasionalmente como uma metáfora, como vimos nos versos de Isaías acima.

G. Mas não existe nenhuma referência onde Deus seja, diretamente, referido, como Pai no Antigo Testamento, por algum de todos os personagens que encontramos em suas páginas.

H. No Antigo Testamento a expressão Pai é usada apenas para designar o que Deus é com relação ao povo de Israel, mas para Jesus, quando ele chama Deus de Pai em aramaico, Ele o faz usando tal expressão como um título.

I. Ao agir assim Jesus estava no limite da impiedade ao se dirigir a Deus de forma que os judeus consideravam imprópria — uma forma nunca vista e nunca praticada. Mas essa foi a expressão que Jesus usou: ABBA — Pai.

J. Mas quando Jesus usou o termo infantil ABBA, Ele o fez como uma expressão de confiança e obediência para com o Pai. Os judeus apenas pretendiam manter um relacionamento com Deus. O relacionamento de Jesus era íntimo e verdadeiro. Esse é o motivo porque Ele deseja usar esse termo pueril de “papai” para se referir a Deus!

II. A Expressão Aramaica ABBA

A. A expressão aramaica Abba manifesta um profundo relacionamento entre duas pessoas. Como já dissemos é um termo infantil cujo significado é “papai”. Esse é o motivo porque a igreja primitiva adotou essa expressão em suas orações. A mesma expressa o nível — a profundidade — do relacionamento que existe entre o crente e Deus por meio de Jesus Cristo.

B. Era costume da Igreja Primitiva sempre orar o Pai Nosso antes da celebração da Santa Ceia!

C. A igreja primitiva também procurava desestimular o uso da expressão ABBA por aqueles que não eram ainda convertidos.

D. Em nossos dias existe um grande debate acerca da validade do uso da expressão Pai para nos referirmos a Deus:

1. Em primeiro lugar nós temos os mulçumanos que alegam que chamar Deus de “Pai, Meu Pai ou Nosso Pai”, faz com que o adorador use um modelo humano para se referir a Deus — mesmo problema dos judeus nos dias de Cristo. De acordo com o Islamismo esse tipo de prática, certamente, irá degenerar em grossa idolatria. Eles dizem: “Deus é Deus e não devemos nos referir a Ele usando termos humanos. Podemos usar adjetivos, mas nunca metáforas”. Assim, nós podemos chamar Deus de:

a. Rahman ou misericordioso.

b. Raheen ou compassivo.

c. Akbar ou Todo Poderoso.

d. `Allim ou onisciente.

2. Mas nunca podemos chamá-lo de “Pai”.

E. Mas o fato que temos diante de nós é que Jesus nos ordenou chamar Deus de Pai. A pergunta que precisamos fazer aqui é a seguinte: Jesus, em algum momento de seus ensinamentos definiu a expressão “Pai”?

III. Como Jesus Definiu Expressão Aramaica ABBA

A. Creio que muitos de vocês já pensaram na resposta apropriada. Sim, Jesus definiu o termo Pai quando contou a Parábola do Filho Pródigo ou dos Dois Filhos Perdidos . Naquela parábola Jesus rompeu com todos os conceitos patriarcais da cultura de seus dias para nos apresentar uma figura de um pai que vai muito além daquilo que se esperava de um pai humano.

B. Na parábola do Filho Pródigo, Jesus não descreve um pai como era conhecido naqueles dias, mas, pelo contrário, ele cria uma nova imagem de Pai, a qual pretende usar como modelo para Deus.

C. A impressão que eu tenho é que Jesus se inspirou para criar a Parábola do Filho Pródigo na narrativa de Oséias 11:1—11, onde Deus se descreve a si mesmo como um pai compassivo enquanto Israel se debate na terrível angústia causada pelo pecado.

D. Me chama muito a atenção de

Oséias 11:9

Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira.

E. Nos versos de Oséias 11:1—8 nós vemos um Deus terno e pai amoroso que tem um filho, extremamente rebelde. O pai tem todo o direito de reagir com ira e castigo, mas ele opta por agir de forma amorosa.

F. A partir de Oséias 11 não é difícil entendermos que é possível que Jesus tenha se inspirado nessa narrativa para criar sua magnífica Parábola do Filho Pródigo.

G. Para Jesus, Deus é acima de tudo um Pai amoroso e o próprio Jesus nos dá uma demonstração clara disso na Parábola do Filho Pródigo. Essa é a única forma lícita de entendermos o sentido que Jesus queria dar para a expressão “Pai Nosso” e qualquer outra definição é uma rejeição do ensinamento de Jesus e uma traição à Sua pessoa.

H. A advertência islâmica permanece com uma possibilidade real, mas quando permitimos que o próprio Jesus defina o termo “Pai”, então a comunidade cristã evita a idolatria e pode usar e expressão de forma metafórica sabendo, exatamente, o que ela significa: que temos um Deus amoroso, compassivo, onisciente, Todo Poderoso e etc., com o qual mantemos um profundo relacionamento

I. O segundo aspecto desse debate será discutido na próxima mensagem.

Conclusão

A. A expressão aramaica Abba é a primeira palavra que as crianças aprendem em lugares tais como a Síria, a Palestina, o Líbano e Jordânia, apesar da língua oficial desses países todos ser o arábico.

B. Jesus inaugurou um novo modelo de oração ao ensinar seus discípulos a orarem em aramaico, que era a língua dos seus corações.

C. Com isso Jesus colocou de lado a “preciosa herança sagrada dos judeus” representada pela língua e pela cultura hebraica, assumindo o papel que o próprio Deus lhe havia conferido, de tornar-se o Salvador do mundo conforme lemos em —

Isaías 49:6

Sim, diz ele: Pouco é o seres meu servo, para restaurares as tribos de Jacó e tornares a trazer os remanescentes de Israel; também te dei como luz para os gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.

D. Porque Jesus é o Salvador do Mundo Inteiro, todas as línguas e culturas são válidas diante de Deus como formas de expressar oração e adoração genuínas. Deus seja louvado.

E. A palavra escolhida por Jesus para iniciar o novo modelo de oração foi ABBA — PAI — que é um título que nos afirma e reafirma o profundo relacionamento que temos com Deus, o Nosso Pai. Daí o apóstolo Paulo concluir o capítulo 8 de Romanos com essas palavras:

Romanos 8:31—39

31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?

32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica.

34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós.

35 Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada?

36 Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

37 Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou.

38 Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes,

39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.


OUTRAS MENSAGENS DA SÉRIE DO PAI NOSSO

001 — INTRODUÇÃO A MATEUS 6:9—15

002 — O PAI NOSSO — PARTE 001 — MATEUS 6:9

003 — O PAI NOSSO — PARTE 002 — MATEUS 6:9

004 — O PAI NOSSO — PARTE 003 — MATEUS 6:9

005 — O PAI NOSSO — PARTE 004 — MATEUS 6:9a — PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS

006 — O PAI NOSSO — PARTE 005 — INTRODUÇÃO À ESTRUTURA DO PAI NOSSO —
Mateus 6:9—13

007 — O PAI NOSSO — PARTE 006 — SANTIFICADO SEJA TEU NOME — Mateus 6:9

008 — O PAI NOSSO — PARTE 007 — A RELAÇÃO DA SANTIDADE DE DEUS COM
A JUSTIÇA E O AMOR — Mateus 6:9

009 — O PAI NOSSO — PARTE 008 — O REINO DE DEUS — PARTE 001 — Mateus 6:10

010 — O PAI NOSSO — PARTE 009 — O REINO DE DEUS — PARTE 002 — Mateus 6:10
http://ograndedialogo.blogspot.com.br/2017/01/a-oracao-do-pai-nosso-sermao-010-o.html
011 — O PAI NOSSO — PARTE 010 — A VONTADE DE DEUS

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

UM ESTUDO SOBRE O PECADO — PARTE 013B — PECADO E CASTIGO — PARTE B - JESUS NO GETSÊMANI - PARTE 001



Representação de Jesus no Getsêmani

Essa é uma série cujo propósito é estudar, com profundidade, os ensinamentos da Bíblia acerca do pecado, com uma ênfase especial na questão do chamado “pecado para a morte”. Os demais estudos dessa série poderão ser acessados por meio dos links alistados no final desse estudo.  

13B. Pecado e Castigo — PARTE B

CONTINUAÇÃO...

Começando com a oração de Jesus no Getsêmani, vamos nos deixar imergir no imaginário — o conjunto de símbolos e atributos de um povo, ou de determinado grupo social — do que foi aquela noite em que o Senhor foi preso e o dia seguinte quando Ele foi crucificado e morto. A Oração de Cristo no Jardim do Getsêmani — Marcos 14:32—42 e passagens paralelas — ver Mateus 26:36—46 e Lucas 22:39—46 — é a maior demonstração de quanto Jesus dependia da oração, além de ser o testemunho mais explícito do fato de que Jesus dependia de Deus como uma criança depende do Pai — Abba em aramaico.

Verso 32 - Então, foram a um lugar chamado Getsêmani; ali chegados, disse Jesus a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou orar.

Onde ficava o Jardim do Getsêmani? Certamente ficava para os lados do riacho de Cedron — ver João 18:1 — e em algum lugar no Monte das Oliveiras — ver Lucas 22:39. Mas onde exatamente? Getsêmani quer dizer “lugar onde se espreme — extrai — óleo”. Hoje em dia existem três grupos religiosos que reivindicam o direito de controlar o que teria sido, no passado, o Jardim do Getsêmani. O Jardim dos Franciscanos, próximo à base do monte de oliveiras, é o primeiro acerca do qual se alega ser o lugar. Um pouco mais acima vamos encontrar o jardim dos Ortodoxos Russos que também alegam ser o lugar. Por último temos o Jardim controlado pelos Armênios, que fica no topo do Monte das Oliveiras. Independente de onde o Jardim do Getsêmani se encontrava nos dias de Jesus, certamente era um lugar ideal para se retirar, descansar, dormir e ensinar. Neste local Cristo acomoda oito dos discípulos...

Verso 33 — E, levando consigo a Pedro, Tiago e João, começou a sentir-se tomado de pavor e de angústia.

Através de outras passagens como Marcos 5:37 — a ressurreição da filha de Jairo — e Marcos 9:2 — a transfiguração — nós sabemos que Jesus tinha um grupo seleto de discípulos, que podemos chamar de grupo íntimo, que era composto por Pedro e pelos irmãos Tiago e João. Por que esse grupo existia e por que era composto desses três, pode apenas ser especulado. Certamente a idéia de que é pela boca de duas ou três testemunhas que se estabelece a verdade — ver Deuteronômio 19:15 e 1 Timóteo 5:19 — deve ser parte do todo. Pedro talvez fizesse parte dele devido à revelação que havia recebido de ser Jesus o Messias “o filho do Deus vivo” ver — Mateus 16:16; 19. João, como sabemos, era o “discípulo amado” — ver João 13:23; 19:26; 20:2; 21:7 e 10. E Tiago talvez fizesse parte deste grupo porque seria o primeiro entre os apóstolos a perder a vida por acreditar em Jesus — ver Atos 12:2. Mas como dissemos, estamos apenas especulando. Mas por que teria Jesus levado esses três junto com ele para um lugar ainda mais afastado para orar? Jesus era humano — ver Hebreus 4:15 — e como tal tinha necessidade de comer, beber, vestir-se, abrigar-se, dormir, bem como de comunhão fraterna. Jesus era 100% Divino e 100% humano, e podia escolher livremente, momento a momento, com qual das naturezas responderia aos desafios que tinha que enfrentar. Para o nosso conforto, nessa hora de extrema angústia, Jesus decide agir exclusivamente como homem. É por este motivo que lemos que Jesus é tomado então, por ἐκθαμβεῖσθαι — ekthambeîsthai — sentir terror e ἀδημονεῖν — ademoneîn — estar duramente perturbado, estar fragmentado — literalmente horrorizado. Além disso, Jesus se refere ao Seu estado emocional como sendo de Περίλυπός — perílupós — estar cercado de tristeza ou dominado com pesar a ponto de a tristeza poder causar sua própria morte — ver verso 34.

Por este motivo, os tradutores sempre lutaram com esta passagem e a traduzem de diversas formas:

Almeida Revista e Atualizada: pavor e angustia

Bíblia na Linguagem de Hoje: tristeza e aflição*

Almeida Edição Contemporânea: pavor e angustia

Nova Versão Internacional: aflito e angustiado*

Almeida Corrigida e Revisada: pavor e angústia

A Bíblia de Jerusalém: pavor e angústia**

Nova Versão Fácil de Ler: angustiado e aflito*

Tradução Ecumênica: pavor e angústia**

Versão do Padre Antônio Pereira de Figueiredo: pavor e angustiar-se em extremo

A Bíblia Viva: profunda aflição e angústia*

Bíblia Alfalit: temor e angústia*

Tradução do Novo Mundo: atônito e muito aflito*

Versão de Cipriano de Valera em espanhol: “atemorizarse e angustiarse”

Versão de David Martin em francês: “effrayé et fort agite”

As traduções marcadas com asterisco são mais recentes. Note a tentativa de atenuar o sentido de pavor e horror substituindo-o por termos mais amenos! Mas nem todas as versões modernas atenuam o original. Estas estão marcadas com **.

Certamente essas palavras ecoam o —

Salmo 42:6—7

6  Sinto abatida dentro de mim a minha alma; lembro-me, portanto, de ti, nas terras do Jordão, e no monte Hermom, e no outeiro de Mizar.

7  Um abismo chama outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.


Seis dias antes Ele já havia sentido uma angústia semelhante como descrito em —

João 12:27

Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.

Mas àquela angústia Ele adiciona, agora, o pavor. O profeta Isaías nos diz que Jesus era —

Isaías 53:3

Desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer.

Então temos que perguntar: Por que todo este pavor e angústia? Seria porque Jesus sabia que naquele mesmo instante Judas o estava traindo e que em breve chegaria trazendo os soldados para prendê-lo? Ou seria por que Cristo sabia que Pedro iria negá-lo e traí-lo, que o Sinédrio iria condená-lo, que Pilatos iria sentenciá-lo, que seus inimigos iriam ridicularizá-lo e que, por fim, os soldados iriam torturá-lo e crucificá-lo? Certamente todas estas coisas devem ser consideradas como parte do cenário total. Mas como veremos, à medida que formos continuando, o fato que apavorava e angustiava Jesus era que, sendo ele o mais sensível dos homens, se via sendo direcionado para um isolamento cada vez maior. Muitos já haviam desistido de segui-lo — João 6:66. Em breve, seus próprios discípulos iriam abandoná-lo — Marcos 14:50. Mas pior de tudo mesmo, era a compreensão que, começando naquele momento, Ele estava caminhando de modo inexorável — que não se move a rogos; não exorável; implacável, inabalável — para ser abandonado pelo próprio Pai — Αββα — Abba. Na Cruz, na sua hora de maior angústia, Jesus nos revela o motivo do Seu pavor e da sua angústia ao clamar אֵלִי אֵלִי לָמָה עֲזַבְתָּנִי  — Eloíy, Eloíy, lamáh `azabettâniy — Deus meu, Deus meu! Porque me desamparaste? — ou abandonaste? — Marcos 15:34. Novamente temos ecos do —
Salmo 42:9

Digo a Deus, minha rocha: por que te olvidaste de mim? Por que hei de andar eu lamentando sob a opressão dos meus inimigos?

Jesus percebia claramente a intensidade da onda da “ira de Deus” que em breve se abateria sobre ele. E essa onda era provocada pelos nossos pecados! A compreensão da satisfação requerida pelas ofensas feitas à majestade eterna de Deus que implicaria, em última instância, ser completamente abandonado pelo Pai, é o motivo principal para Jesus se expressar de maneira tão veemente, usando termos duros como “pavor e angústia”; ou tendo necessidade de ser diretamente auxiliado por um anjo —

Lucas 22:43

Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava.

ou suando gotas de sangue —

Lucas 22:44

E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.

ou orando fervorosamente ao Pai —

Marcos 14:35—36

35 E, adiantando-se um pouco, prostrou-se em terra; e orava para que, se possível, lhe fosse poupada aquela hora.

36 E dizia: Aba, Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.

Os Salmos estão cheios de passagens que descrevem estes momentos. Vejamos algumas delas:

Salmos 18:4—5
Laços de morte me cercaram, torrentes de impiedade me impuseram terror. Cadeias infernais me cingiram, e tramas de morte me surpreenderam.

Salmos 42:7

Um abismo chama outro abismo, ao fragor das tuas catadupas; todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.

Salmos 55:4—5

Estremece-me no peito o coração, terrores de morte me salteiam; temor e tremor me sobrevêm, e o horror se apodera de mim.

Salmos 69:1—3

Salva-me, ó Deus, porque as águas me sobem até à alma. Estou atolado em profundo lamaçal, que não dá pé; estou nas profundezas das águas, e a corrente me submerge. Estou cansado de clamar, secou-se-me a garganta; os meus olhos desfalecem de tanto esperar por meu Deus.

Salmos 88:3

Pois a minha alma está farta de males, e a minha vida já se abeira da morte.

Salmos 116:3

Laços de morte me cercaram, e angústias do inferno se apoderaram de mim; caí em tribulação e tristeza.

Certamente nosso Senhor foi muito bem descrito pelo profeta Isaías quando disse:
“Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso - Isaías 53:3”.

CONTINUA...

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