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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

CARNAVAL É RELIGIÃO, MAS NÃO TEM NADA A VER COM A VERDADEIRA FÉ CRISTÃ

As mais variadas religiões sempre fizeram parte do imaginário do carnaval Foto: André Mello / Editoria de Arte


O artigo abaixo foi publicado no site do G1 e é de autoria de Stéfano Salles

CARNAVAL E RELIGIÃO: A MISTURA ENTRE FÉ E FOLIA

Relação ganha força após apoio da arquidiocese à Estácio de Sá

As mais variadas religiões sempre fizeram parte do imaginário do carnaval - André Mello / Editoria de Arte

POR STÉFANO SALLES

RIO - As cores do pavilhão carregado pela porta-bandeira, cortejada com elegância pelo mestre-sala, são as mesmas do padroeiro. No início do carnaval carioca, era possível reconhecer o orixá de cada agremiação apenas pelo ritmo do toque das caixas da bateria. Nos ensaios da atualidade, os sons ainda estão presentes e são comuns os pontos de umbanda e candomblé, entoados como proteção. As tradições transformaram as escolas de samba em bastiões de resistência da cultura africana, mas elas sempre se mantiveram abertas a fiéis de outros credos. Uma convivência que nem sempre fez por merecer nota 10 em harmonia.

Carnavalesco no xadrez

Proibida pela Arquidiocese do Rio, escultura do Cristo Mendigo arrebatou o público no carnaval de 1989, mesmo coberta por sacos de lixo - Arthur Cavalieri/7-2-1989 / Agência O Globo

Católico fervoroso, o carnavalesco Chico Spinosa não esquece o carnaval de 2000, quando uma escultura de Nossa Senhora dos Navegantes o levou para o xadrez da 4ª DP (Central). A imagem seria utilizada no desfile daquele ano, que tinha como enredo “Terra dos Papagaios... navegar foi preciso!”, mas foi contestada judicialmente pela Arquidiocese, que acusou o artista de vilipêndio de objeto de culto religioso.

— Foi uma loucura. A sala onde fiquei tinha banco, cadeira, mas também grades. Eu fiquei em uma cela! Saí duas horas depois, mas a escultura só foi liberada no dia seguinte, levada pela bateria da escola, que seguiu em procissão até o barracão, na Avenida Venezuela. Foi lindo — lembra Spinosa, crime com pena de um a 12 meses de detenção e multa. A obra acabaria fora da festa.

A tumultuada relação entre as escolas de samba e a Igreja Católica teve como clímax a proibição do Cristo Mendigo de Joãosinho Trinta, no desfile da Beija-Flor, em 1989. Naquele ano, o carnavalesco cobriu a escultura com sacos pretos e ela foi à avenida com a inscrição: “Mesmo proibido, olhai por nós”, e ficou com o segundo lugar. No desfile das campeãs, a escola tirou os plásticos e revelou a imagem, para delírio do público.

Arena de tradições

Baianas da Imperatriz Leopoldinense no desfile das campeãs de 2011 - Fabio Rossi /12-03-2011 / Agência O Globo

Além das referências às religiões de matriz africana, as escolas de samba preservam elementos de sua cultura, como o respeito à ancestralidade, visível na ala das baianas e na velha guarda. Os segredos dos desfiles, os carnavalescos escondem a sete chaves em seus barracões, como pais de santo que preservam do público não iniciado os fundamentos da religião. Durante o carnaval, os templos não abrem: é o lorogun, período de descanso que marca o início de um ano litúrgico.

Apesar de várias composições anteriores fazerem referências diretas e indiretas à africanidade, a primeira leva de sambas-enredo dedicados aos orixás e religiões do continente surgiu em 1975, com a Unidos da Tijuca, que apresentou na avenida a “Magia africana no Brasil e seus mistérios". No ano seguinte, o Império Serrano apresentou o enredo "A lenda das sereias, rainhas do mar", e há quem garanta que Iemanjá teria incorporado em diversos componentes da agremiação da Serrinha durante o desfile, o que teria atrapalhado a evolução e proporcionado um desfile mais lento. Professor da UFRJ respeitado nas áreas de pesquisa de carnaval e religiosidade, Luiz Antônio Simas não duvida, mas acha improvável.

— É impossível dizer se isso aconteceu, mas no carnaval há uma cultura de oralidade que propaga essas coisas. É um espaço muito propenso para fantasias. Também há quem diga que ocorreu algo semelhante com a Grande Rio em 1994, quando a escola fez uma homenagem à umbanda, com "Os santos que a África não viu". Essas histórias podem ser fruto da criatividade dos oradores, mas o certo é que, atualmente, ninguém faz um enredo desses sem tomar cuidados e ouvir um pai de santo — analisa.

Em harmonia com o além

O pai de santo Osmane d'Odé é diretor espiritual do Salgueiro e acompanha os trabalhos feitos na quadra e no barracão da escola, na Cidade do Samba - Guilherme Leporace / Agência O Globo

Mais do que acolher foliões, as escolas buscam fomentar a pluralidade religiosa. Este ano, o Salgueiro vai apresentar o enredo “A ópera dos malandros”, inspirado no espetáculo de Chico Buarque, repleto de referências a Zé Pelintra, entidade associada à boemia. Há dois anos, a escola tem um diretor espiritual: o pai de santo Osmane d’Odé. Ele guia a presidente Regina Celi nos momentos de indecisão e busca proteger a agremiação de turbulências.

— Não tem mistério: eu sou uma espécie de conselheiro da presidente e busco manter a escola equilibrada. Faço aconselhamento, banhos e ofereço ajuda espiritual, tudo o que um pai de santo faz, mas as decisões cabem sempre à presidente. O segredo está na simplicidade: não há o que inventar — ensina o líder religioso, que acompanha os trabalhos na quadra da escola e na Cidade do Samba.

A africanidade esteve presente no último título do Salgueiro, em 2009, quando a vermelho e branco contou a história do tambor.

O padre cai no samba

Fanático pelo Salgueiro, o padre Wagner Toledo desfila pela escola desde 2003 - Fabio Rossi / Agência O Globo

Osmane não é a única liderança espiritual respeitada no cotidiano do Salgueiro. O padre Wagner Toledo, da Igreja Santa Rita, desfila pela agremiação religiosamente desde 2003, quando a diretoria buscava um padre salgueirense para celebrar a missa de 50 anos da escola. Antes do seminário ele era componente da agremiação e chegou a duvidar da aptidão para a vida religiosa.

— Pensava: como posso ser padre com essa paixão pelo carnaval? Mas a inclinação falou mais alto. No seminário, não tinha televisão, rádio, nada para acompanhar os desfiles. Algumas vezes eu recebi liberação para acompanhar a apuração. A ansiedade era enorme — revela.

No início, a participação do padre nos desfiles foi vista com desconfiança, superada com a aproximação das personalidades do carnaval à igreja. Frequentemente, ele realiza as missas de aniversário da escola e de São Sebastião, padroeiro do Salgueiro, e de São Jorge, padroeiro da Estácio.

— Eu tenho consciência de que ali não sou apenas eu mesmo: estou representando a minha instituição. Então, ultimamente, tenho desfilado junto com a velha guarda. Quando acaba minha participação, vou para o camarote. As pessoas me tratam como padre mesmo: pedem bênçãos, beijam a minha mão e me afastam do tumulto — afirma.

Assistente de Toledo, Kenny Erik, de 21 anos, estuda para ser padre. Ele torcia pela Mocidade, mas trocou de paixão.

— Sou Salgueiro. O padre me converteu — garante.

Berço de transformações

Enredo da Estácio sobre São Jorge tem o aval da Arquidiocese do Rio, algo inédito no carnaval - Antônio Scorza / Agência O Globo

A umbanda esteve presente desde o início da Estácio de Sá. Em 1928, antes de fundar a Deixa Falar, que daria origem ao Leão, documentos históricos revelam que Ismael Silva teria consultado os orixás para a nova empreitada. A religião ainda goza de prestígio na quadra da agremiação, com espaço dedicado a ela, no qual uma mãe de santo oferece consultas à diretoria. Em 1975, com o nome de Unidos de São Carlos, foi a primeira a ter problemas com a igreja, que proibiu o uso de imagens sacras e quase inviabilizou o enredo "Festa do Círio de Nazaré", que amargou o 10º lugar.

Neste carnaval, a vermelho e branco apresentará o enredo “Salve Jorge! O guerreiro na fé”, concebido por Chico Spinosa, que assinará o desfile ao lado dos jovens Amauri Santos e Tarcísio Zanon, dupla responsável por trazer o Leão de volta para o Grupo Especial após nove anos. Devoto do santo guerreiro e diante de um novo desafio de um carnaval religioso, Spinosa foi em busca do apoio da arquidiocese que, pela primeira vez, permitiu que uma escola de samba homenageasse um de seus símbolos.

— O cardeal dom Orani Tempesta aprovou a homenagem, e nós prometemos um desfile respeitoso, sem nudez ou vulgaridade. Esse é um enredo desenvolvido em parceria com a arquidiocese, que fez vistorias ao nosso barracão, avaliou as fantasias e acompanhou o processo. Isto do entendimento do Papa Francisco, de que é necessário aproximar o sagrado do profano para diminuir a violência. Todos ficamos muito felizes: esse carnaval é a redenção do Cristo Mendigo — celebra, como um milagre.

Desfile de tolerância

O carnavaleso Tarcísio Zanon posa diante do carro Catedral de São Jorge, que reproduz imagens de afrescos bizantinos - Fabio Rossi / Agência O Globo

Apesar do aval da igreja, o sincretismo não ficou fora. Além de uma escultura de São Jorge com quase seis metros de altura, a escola vai levar para a avenida uma imagem de Ogum. Caçula entre os carnavalescos do Grupo Especial, Tarcísio Zanon, de 28 anos, lembra que, diferentemente da homenagem feita pelo Império da Tijuca em 2007, com “O intrépido Santo Guerreiro”, a Estácio levará para a Sapucaí uma história de devoção.

—São Jorge já foi mostrado de forma sincrética. Agora, nós vamos contar a história dele, do nascimento na Capadócia à fé dos cariocas. Tudo com muito respeito, mas sem abrir mão das mulheres sexys, que fazem parte da cultura da festa. Muito deste apoio da igreja se deve às orientações do Papa Francisco, que busca aproximar o sagrado do profano, e ao diálogo permanente aberto pelo cardeal dom Orani — explica.

O professor Luiz Antônio Simas entende que a concessão da arquidiocese é um reconhecimento à importância da cultura popular, que pode estar relacionado ao crescimento das igrejas neopentecostais. Para ele, o samba da Estácio não deixou de lado o sincretismo.

— As igrejas evangélicas estão ocupando o espaço dos terreiros e casas de santo das comunidades, e a igreja católica enxerga isto. Não dava mais para ir contra o carnaval e atrapalhar a manifestação cultural. O samba da Estácio tem elementos facilmente identificáveis pelos iniciados: fala de feijoada, a comida de Ogum, e de axé, a energia da construção no candomblé. São referências pouco explícitas, mas profundamente respeitosas a todos os credos — enaltece.

O artigo original poderá ser visto por meio desse link aqui:


Que Deus tenha misericórdia de todos.

Alexandros Meimaridis


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terça-feira, 19 de maio de 2015

RIVALIDADE RELIGIOSA NO BRASIL ESTÁ EM CRESCIMENTO


O avanço da rivalidade religiosa
LISTA—Terreiro em São Gonçalo (RJ): um dos 847 mapeados somente na região metropolitana da capital

O texto abaixo foi publicado no site da revista istoé e é de autoria de juliana alecrim

O avanço da rivalidade religiosa

Seguidores da umbanda e do candomblé são vítimas de preconceito, sobretudo dos evangélicos, e a Justiça e a polícia não estão preparadas para lidar com o crime
Juliana Dal Piva e Michel Alecrim



Uma característica atribuída ao povo brasileiro é a tolerância religiosa. O caldeirão de culturas que formou o País teria propiciado a convivência harmônica entre os diferentes credos, ao contrário de outras nações onde violentas disputas derramam sangue inocente. Na prática, porém, a realidade é outra. Seguidores das religiões afro-brasileiras sempre conviveram com a desconfiança alheia. Nos últimos tempos, há indícios de que a situação se agravou. Somente no Rio de Janeiro, são contabilizados, por ano, quase 100 casos de agressões morais ou físicas envolvendo intolerância religiosa em relação aos praticantes de umbanda e candomblé. “Em sua maioria esmagadora, os ofensores são membros das igrejas neopentecostais”, afirmou à ISTOÉ Henrique Pêssoa, delegado da 4a DP, no centro da cidade, que há três anos recebeu uma designação especial e pioneira no Brasil para cuidar de casos que envolvem crimes de viés religioso.

“Cada neopentecostal tem a missão de ganhar adeptos, é uma obrigação religiosa, daí o proselitismo. A missão é clara: divulgar e converter”, explica a antropóloga da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Sonia Giacomini, que pesquisa o tema há 20 anos. Ela diz que o intuito de arrebanhar mais e mais fiéis é bastante organizado. “Existe uma certa logística. Por exemplo, uma igreja é instalada onde havia um cinema pornô, pois ali seria uma área especial para fazer uma conversão, cheia de pessoas vulneráveis”, apontou.

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PRECONCEITO - Chamada de “macumbeira safada”, Elisângela Queiroz não conseguiu registrar a ocorrência numa delegacia

O problema é que a busca por fiéis transforma-se, às vezes, em perseguição. Na Ilha do Governador, na zona norte, há denúncias na 4ª DP de representantes de religiões afro-brasileiras contando que terreiros (os locais onde são realizadas as cerimônias de umbanda e candomblé) estavam sendo destruídos e seus líderes escorraçados da Ilha por traficantes evangélicos neopentecostais. “Ali, criamos a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) porque era extremamente necessário”, diz Ivanir dos Santos, membro da comissão. Este e outros 39 casos em todo o País foram denunciados em um relatório produzido pelo grupo que reúne 12 religiões e entregue ao presidente do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Martin I. Uhomoibai.

Entre as denúncias, está a da Associação da Resistência Cultural Afro-Brasileira Jacutá de Iansã, que não conseguiu abrir conta-corrente na agência Abílio Machado da Caixa Econômica Federal, em Belo Horizonte (MG). Os diretores contam que esperaram quatro meses para receber a seguinte resposta: o banco é livre para abrir conta de quem quiser, e não queria a associação como correntista. Em São Paulo, a Associação Beneficente de Oyá e Ogun acusa a prefeitura de discriminação por ter lacrado sua sede no bairro de Santa Mariana, sob a alegação de desrespeitar o zoneamento. Segundo eles, o desrespeito se deve unicamente ao fato de eles estarem no local. Até na considerada sincrética Salvador (BA), a prefeitura foi denunciada por ter destruído parcialmente o terreiro Oyá Onipo Neto no bairro de Imbuí. No processo, diz que o terreiro era vizinho à propriedade de um funcionário da prefeitura que não gostava da proximidade com o templo. Os três casos ocorreram em 2008 e ainda estão sendo investigados.

No Rio, um dos terreiros mais antigos do País, de 1908, foi derrubado recentemente. Funcionava no município de São Gonçalo, não muito longe da capital, em uma pequenina casa, que foi posta abaixo para a construção de um galpão. A iniciativa da demolição foi do dono do imóvel, o militar Wanderley da Silva, 65 anos, que desconhecia a importância do endereço. O problema, segundo lideranças religiosas regionais, não foi o ato dele e, sim, o da prefeita de São Gonçalo, Maria Aparecida Panisset (PDT), que teria ignorado os pedidos de umbandistas para salvar o local tombando-o. A prefeitura expediu uma nota dizendo que nada poderia fazer porque a casa era particular. Mas outro caso envolvendo a prefeita Maria Aparecida, que é frequentadora da Primeira Igreja Batista Renovada, provoca dúvidas entre os religiosos.

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NA MIRA - Cristiano Ramos, diante do Centro Espírita Caboclo Pena de Ouro, no Rio de Janeiro, que pode ser desapropriado.

Maria Aparecida estaria forçando a desapropriação de um local onde funciona outro histórico terreiro, o Centro Espírita Caboclo Pena de Ouro. O presidente da Casa, Cristiano Ramos, diz que a explicação oficial é a construção de um Complexo Poliesportivo no local – embora haja um centro esportivo com características semelhantes na região. O caso virou, em abril, uma disputa judicial. “Tentei negociar várias vezes, mas ninguém quis me ouvir”, diz Ramos, que alega não ter recebido informações sobre indenização até agora. Procurada por ISTOÉ, a prefeitura não deu retorno.

Muitas iniciativas para combater a perseguição ainda dependem de apoio governamental. Por exemplo, o tombamento de templos – que são pedidos e não são atendidos pelas prefeituras –, a morosidade na apuração de denúncias de perseguição e a falta de providências contra policiais que se recusam a investigar casos de intolerância. Para o delegado Henrique Pêssoa, saber a abrangência exata desse tipo de crime, que tem pena de um a três anos de reclusão e multa, é quase impossível. Os registros raramente são feitos de maneira correta e, além disso, a lei não costuma ser cumprida. A bancária Elisângela Queiroz descobriu isso na prática. Chamada de “macumbeira safada” por um colega de trabalho, ela procurou uma delegacia, mas recusaram o registro da ocorrência. “Chegaram a me dizer que era apenas uma briguinha”, contou ela.

Pesquisa recente da Fundação Getulio Vargas aponta que 0,35% da população declarou ser praticante de religiões afro-brasileiras. O teólogo Jayro de Jesus acredita que é muito mais e até estima um crescimento de quase 70% no número de terreiros nos últimos 30 anos. “Acho que as pessoas estão sendo segregadas e, por isso, não tiveram a altivez de se autodeclarar nos censos”, afirma. Ele faz parte do grupo que está discutindo o mapeamento dos terreiros existentes no Brasil, com apoio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A expectativa é de que os trabalhos comecem no início do próximo ano e durem até 2013. Em um levantamento feito em 2011, foram localizados até agora, somente na região metropolitana do Rio, 847 terreiros. Com os dados obtidos, o próximo passo será a implementação de um Plano Nacional de Proteção Religiosa. Para impedir a propagação de conflitos movidos pela religião, é preciso agir rápido.

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A reportagem original poderá ser vista por meio do seguinte link:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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quinta-feira, 23 de abril de 2015

CULTO A DEUS OU AOS ORIXÁS?





O vídeo abaixo tem vários indicativos de que se trata de uma igreja evangélica:

1. O Nome: Igreja Apostólica El Roí.

2. Um púlpito típico de igreja evangélica.

3. A presença de um menorá ou castiçal judaico.

4. A presença de uma cópia da arca da aliança.

5. Etc.

O título do vídeo é: Corinhos de Fogo e Mistério e tem duas versões.

Os vídeos poderão ser visto por todos por meio desses links aqui:

Uma versão breve está aqui:



Uma versão mais longa está aqui:



O leitor deve assistir os vídeos e tirar suas própria conclusões se isso é mesmo um culto de louvor e adoração a Deus.

A anarquia introduzida pelo pentecostalismo, que já dura 100 anos, e que tem causado tantos males ao povo de Deus, mostra sua verdadeira cara através dessa Igreja dita Apostólica que usa um dos nomes do Deus Santo e que é Bendito eternamente.

Que Deus nos livre de tanta abominação é nossa sincera oração.

Alexandros Meimaridis

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terça-feira, 24 de março de 2015

RELIGIÕES AFRO-BRASILEIRAS CONQUISTAM ADEPTOS DA CLASSE MÉDIA


As religiões afro conquistam a classe média

O artigo abaixo foi publicado pelo site da revista ISTOÉ. O autor é Paulo Rocha.

As religiões afro conquistam a classe média

Os cultos de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, atraem cada vez mais a população escolarizada do País

Paula Rocha (paularocha@istoe.com.br)

Em uma noite fria na cidade de São Paulo, um grupo composto por advogados, engenheiros, médicos e empresários se reúne em um salão amplo e bem iluminado no segundo andar de um prédio, na zona leste da capital. Vestidos de branco e carregando flores e velas, cada um deles está ali por motivos distintos, mas com um objetivo em comum: louvar os orixás – divindades africanas – e oferecer seus corpos como “casa” temporária para espíritos de caboclos e outras entidades. Esse ritual, ou “gira” na linguagem da umbanda, acontece quinzenalmente ao som de tambores e cânticos e sob a orientação do médium Rubens Saraceni, sacerdote umbandista. Além das profissões de prestígio dos frequentadores, outro detalhe chama a atenção: entre os mais de 200 médiuns, de ambos os sexos, presentes naquela noite, apenas três eram negros. A superioridade branca desse terreiro é um sintoma da nova composição de fiéis das religiões afro-brasileiras. Antes frequentados majoritariamente por pessoas de origem humilde, baixa escolaridade e negros — grupo ligado à origem desses ritos —, os cultos de matriz africana, como a umbanda, o candomblé e a religião dos orixás (leia quadro com as características de cada religião abaixo), conquistam cada vez mais a classe média branca e escolarizada do País. Segundo os últimos dados do IBGE, 47% dos adeptos das religiões afro no Brasil são brancos e 13% do total de fiéis têm nível superior completo — índice acima da média nacional, de 11%.


A advogada Flora de Almeida, 29 anos, é o retrato desse crescente tipo de devoto. Criada por pais católicos não praticantes, ela sempre sentiu falta de professar uma religião. “Mas não me sentia à vontade em instituições cheias de dogmas e regras nas quais não acredito”, diz Flora. Em 2012, enquanto enfrentava o término de um relacionamento amoroso, ela decidiu buscar apoio na umbanda, fez um curso e começou a trabalhar em um terreiro. Meses depois, no entanto, conheceu o candomblé e se apaixonou. Hoje ela é “filha” do sacerdote Armando de Ogum e ainda está assimilando os conceitos de sua nova fé. “É como se eu voltasse a ser criança. Tenho que aprender tudo do zero, e é um aprendizado muito bonito. Fui acolhida dentro de uma família”, diz.

As religiões de matriz africana chegaram ao Brasil entre os séculos XVI e XIX, trazidas pelos escravos, alguns deles sacerdotes, que eram traficados para cá. Como, naquela época, a única religião aceita no País era o catolicismo, os devotos dos orixás tiveram que se comportar como cristãos, frequentando ritos e cultuando santos católicos. Dessa mistura entre tradição africana e influência europeia nasceu o candomblé – que une a devoção aos orixás com conceitos da religião católica – e posteriormente a umbanda, misto de culto aos orixás, com preceitos kardecistas e crenças indígenas. “As religiões afro-brasileiras nasceram marginalizadas e, ao longo do tempo, foram estabelecendo laços com pessoas influentes, que ajudavam a diminuir o preconceito na sociedade em geral”, diz Reginaldo Prandi, professor-sênior do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro “Mitologia dos Orixás”. “As pessoas de classe média e alta já vêm se integrando aos cultos afro há muito tempo, mas são discretas devido às suas posições sociais”, conta o sacerdote Rubens Saraceni. “Mas essa integração, principalmente à umbanda, cresce cada vez mais.”

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Na esteira do aumento do grau de instrução dos fiéis das religiões afro surgiram escolas e cursos de umbanda e candomblé, que ensinam os conceitos teológicos por trás das atividades praticadas nos centros religiosos. Já existe até uma faculdade de teologia umbandista reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), a Faculdade de Teologia Umbandista (FTU). Outro setor que prospera com a inserção dos mais abastados nos cultos de matriz africana é o do comércio de artigos afro. Só a loja Mãe África, considerada a maior do País, oferece mais de dois mil itens em 340 m2 de área — o mais caro deles, uma peça em bronze que reproduz uma rainha iorubá (grupo étnico africano), custa R$ 15 mil. “A ideia de que as religiões afro são coisa de gente pouco instruída ou pobre está totalmente errada”, diz Prandi. “Hoje, a camada mais pobre do Brasil, a base da pirâmide, é, em sua maioria, evangélica.”

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Nascida em uma família de classe média católica e com ascendência oriental, a empresária Juliana Ogawa, 37 anos, presenciou de perto a mudança no perfil dos fiéis afro. Aos 13 anos, levada por um tio, ela procurou a umbanda pela primeira vez, atrás de uma cura ou explicação para as dores de cabeça que sentia constantemente, e que não foram diagnosticadas. Durante os sete anos seguintes, ela se dedicou à religião, descobriu-se médium, mas abandonou os rituais, procurou outras formas de exercer sua espiritualidade e só voltou para a umbanda em 2009. “Antes, era raríssimo encontrar alguém com ensino superior. Hoje, todas as pessoas da casa que frequento têm terceiro grau completo”, conta Juliana. Assumir sua opção religiosa, no entanto, não é mais fácil atualmente do que há duas décadas. “O preconceito ainda existe e parece até pior do que antes, por conta do avanço dos evangélicos neopentecostais, que são contra os cultos afro”, diz ela. “Os neopentecostais tratam as religiões de matriz africana como inimigas e esse intenso combate contribui para a evasão dos mais humildes”, acrescenta Prandi.

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Os novos fiéis de classe média, por sua vez, fazem questão de não esconder sua religiosidade. Caso do médico Rogério Pascale, 38 anos, seguidor da religião dos orixás há sete anos. Toda vez que cumprimenta o Babá King, sacerdote do Templo Oduduwa, em Mongaguá (SP), o clínico geral se ajoelha e encosta a testa no chão, em sinal de reverência, mesmo que esteja dentro do hospital em que trabalha. “Nessa religião não há julgamento e respeitamos as pessoas pelo que elas são”, diz Pascale. “Aqui não importa quem ganha mais ou menos. Somos todos iguais.”

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Fotos: João Castellano/Ag. Istoé; FELIPE GABRIEL
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quarta-feira, 11 de março de 2015

JUVENTUDE E FÉ

 
CONEXÃO Evangélicos, Thiago de Lima e Fernanda Freire seguem os preceitos de sua igreja com alegria e convicção

O artigo abaixo foi publicado pelo site da Revista ISTOÉ. O mesmo é de autoria de Rodrigo Cardoso.

A fé da juventude
Estudos inéditos revelam como os jovens se relacionam com Deus e apontam um descrédito das religiões
RODRIGO CARDOSO Foto: MURILLO CONSTANTINO Colaboraram: Hugo Marques e Renata Cabral

O jovem brasileiro dá mais valor à fé do que às igrejas. Ele escolhe professar uma determinada religião por iniciativa própria, não por orientação familiar ou costume. E tem uma relação de intimidade com Deus, sem o temor e a distância tão presentes nas gerações anteriores. Essas são as principais tendências observadas por respeitados especialistas do País, comprovadas por estudos recentes — ainda inéditos e aos quais ISTOÉ teve acesso. Esses estudos revelam que o perfil religioso da população está sofrendo alterações significativas e definitivas. Mais: isso ocorre acima de tudo por conta da atitude religiosa manifestada pela juventude do que pela filiação dela a qualquer religião.

Um dos dados mais reveladores é o da pesquisa do teólogo Jorge Claudio Ribeiro, da Pontifícia Universidade Católica (PUC)), de São Paulo. Ele ouviu 520 universitários de 17 a 25 anos e, com os resultados, acaba de concluir o livro Religiosidade jovem, ainda na esteira do lançamento. No estudo, a categoria "jovens sem religião" soma 32% dos entrevistados — um percentual infinitamente superior aos números do censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que indicam 7,3% da população. Desse total, 12,2% se dizem agnósticos ou ateus e 19,8%, crentes sem religião.

É esta última categoria, dos crentes sem religião, que está revolucionando a maneira como o brasileiro se relaciona com suas crenças. "O espírito buscador do jovem não procura uma instituição religiosa que o enquadre, mas uma doutrina onde ele se encontre", diz a antropóloga Regina Novaes, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para a juventude, explica, a fé está em alta; a religião, não.

Uma das maiores autoridades no assunto, Regina assina - junto com o sociólogo Alexandre Brasil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro - um dos artigos no estudo Juventudes: outros olhares sobre a diversidade, uma extensa e criteriosa publicação elaborada em parceria com a Unesco e o Ministério da Educação (MEC). Confeccionado a partir de uma pesquisa da Unesco que ouviu dez mil pessoas de 15 a 29 anos em 26 Estados brasileiros, ele coloca uma luz sobre o comportamento de católicos, evangélicos, espíritas, adeptos da umbanda e do candomblé e dos não religiosos.

Sem dogmas e com camisinha

Umbandista atuante há quatro anos, o paulista André Aguirre Rocha, 23 anos, carrega preservativo na carteira desde os 13 anos e afirma que nunca transou sem camisinha. Segundo a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, de 2004, os adeptos das religiões afro (candomblé e umbanda) são os que mais afirmam ter usado camisinha na última relação sexual (71%). Estudante do curso de teologia umbandista, ele conta que sua religião prega o uso do preservativo como forma de prevenção. "Não existe dogmatismo. A umbanda não nega nada a ninguém", diz.

       

Crente e sem religião, a paulista Andrea Bahni, 22 anos, diz acreditar na existência de um Deus, mas critica a orientação do catolicismo contra o aborto e o uso de preservativos e abomina a prática evangélica de arrecadação de dinheiro por meio de cartão de crédito e débito. Por tudo isso, mantém-se distante de qualquer filiação religiosa, mesmo tendo experimentado várias doutrinas nesse universo de pluralidade que se apresenta nos dias de hoje.

ENTREGA Coral do Santuário de São Judas Tadeu, em São Paulo: relação pessoal com Deus

Dos 13 aos 17 anos, Andrea foi adepta da religião wicca (também chamada de bruxaria). Considerava a existência do Deus Sol e do Deus Lua, até que, ao assistir a um culto evangélico, passou a acreditar em Jesus Cristo. A nova crença, no entanto, não a impede de aceitar o fato de haver vida após a morte e reencarnação, preceitos difundidos pelo espiritismo. Universitária do curso de moda, Andrea já tomou passe em centro espírita, mas, hoje, manifesta sua religiosidade em uma igreja católica perto de sua casa, que frequenta vez ou outra, ou em conversas diárias com o "Papai do Céu" dentro de casa.

MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ

A existência de bricolagens religiosas como a de Andrea e a ausência de vínculos religiosos só são possíveis porque a convicção de que a fé só poderia ser vivida dentro de uma religião, como ocorria em gerações anteriores, não existe mais. Por meio de um questionário, o teólogo Ribeiro verificou a adesão e a rejeição do jovem a algumas crenças. Ele rejeita, por exemplo, o fato de que as pessoas devam ter só uma religião e seguir as orientações dela e está de acordo com a idéia de que ter fé é mais importante do que seguir doutrinas rígidas. "A juventude tem fé não porque é bonito, mas porque precisa, ajuda a propor projetos e avançar na vida", diz o professor da PUC.

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ  

20 minutos diários com Deus

Andrea Bahni não acredita na história de Adão e Eva, mas lê a Bíblia e conversa com Deus por cerca de 20 minutos todos os dias. Estudante de moda de 22 anos, ela já foi da religião wicca (bruxaria), frequentou o espiritismo e a igreja evangélica e, hoje, se diz uma crente sem religião. "Evangélicos já quiseram me converter. Diziam que eu não podia fumar, que balada é lugar do demônio", conta. "As igrejas induzem os fiéis a pensar como eles querem." Para o teólogo Ribeiro, os jovens têm certo respeito pelas religiões e uma crítica às ações das igrejas.

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉ

A fé da juventude, portanto, é algo prático, mais antropológico e menos teologal. Religiosidade jovem, que será lançado este ano, mostra que apenas 19,9% das pessoas frequentam algum ritual religioso pelo menos uma vez por semana, 30,5% nunca participaram e 33% o fazem só em ocasiões especiais, como batizados, casamentos ou missas de sétimo dia.
Isso ocorre porque o jovem da atualidade busca uma crença mais como um indivíduo emancipado e menos como o filho que segue a tradição familiar. Assim como vai atrás de um lugar no mundo, ele procura algo em que acredite profundamente. "A juventude não trata a religião como costume, cultura, mas como algo que tem a ver com escolha", diz a antropóloga Regina. Foi por vontade própria que Aparecida Luiza da Silva decidiu ser católica praticante. Ainda pequena, aprendeu com a mãe a rezar o Pai Nosso e a Ave Maria, mas nunca tinha sido levada por ela à missa. Aos 11 anos, foi a uma igreja acompanhada de vizinhos e, desde então, passou a pedir para a mãe levá-la à missa todo final de semana.

Virgem sim. Beata não

Ela lê a Bíblia todos os dias, vai à missa três vezes por semana, mas não se diz beata. Católica praticante há 11 anos, Aparecida Luiza da Silva, 24, frequenta baladas e barzinhos e gosta de dançar forró, mas, mesmo nesses lugares, não deixa de testemunhar sua fé por meio de sua atitude e entusiasmo. Ela se diz de acordo com todas as orientações sexuais do catolicismo. "Tudo que é bom é para ser vivido, mas no momento certo. Quero casar virgem", diz ela.  

MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ
MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ

Hoje, aos 24 anos, Aparecida trabalha no Santuário de São Judas Tadeu, em São Paulo, participa do coral da igreja, sai à rua visitando casas para dar seu testemunho cristão e segue as orientações sexuais da doutrina católica. "Não sou beata. Frequento barzinho, danço forró em casas noturnas e já tive namorados", diz ela. "Mas não sou a favor de 'ficar', não quero ser objeto de prazer de ninguém. Vou casar virgem, sexo só depois do casamento." Segundo uma recente pesquisa feita pela socióloga Silvia Fernandes, professora do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), apenas 26,1% dos jovens católicos pensam como Aparecida em relação à castidade.

O estudo denominado Juventude, religião e política na Baixada Fluminense levantou, entre outras questões, o que jovens católicos e evangélicos freqüentadores de igrejas da Baixada Fluminense pensam sobre o sexo antes do casamento. Apresentado em um congresso em Birminghan (Inglaterra) e ainda inédito no Brasil, ele mostra que, entre as mil pessoas ouvidas, os evangélicos são mais conservadores — 88,9% são contrários à prática. Seguidora da doutrina batista, a paulista Fernanda Almeida Freire, 17 anos, afirma que pretende se iniciar sexualmente apenas depois de trocar alianças. A adolescente, que se converteu aos 12 anos por vontade própria, vai à igreja todo final de semana, faz parte de dois ministérios e já preteriu uma viagem à Disney por um acampamento de jovens de sua crença. "Leio a Bíblia e acredito no que está escrito. Por isso, sigo os ensinamentos do Senhor", diz ela.

ALEXANDRE SANTANNA/AG. ISTOÉ
ALEXANDRE SANTANNA/AG. ISTOÉ     

Hormônios domados e muita conversa

Equilibrar as orientações religiosas e os hormônios à flor da pele é uma busca diária do carioca David Bessa, 23 anos. Consultor de uma importadora de cervejas e frequentador da igreja Bola de Neve, ele convenceu a noiva a abdicar da vida sexual que tinham em nome da fé. "Percebo que estamos acabando com os problemas pela conversa, em vez de tentar resolvê-los na cama", conta ele, que é contra a legalização do aborto. Pentecostais como David são os menos favoráveis à descriminalização do aborto, segundo a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira (12%).

Entre os católicos, pontua Silvia, a identidade religiosa está se dissociando de uma necessária obediência doutrinal. Reflexo, em parte, da crise moral pela qual a Igreja Católica passa por reafirmar tradições antigas e não avançar no discurso em relação a novos desafios da modernidade, como célula—tronco, pílula anticoncepcional e uso de preservativo. "O papa esteve no Brasil e veio falar em castidade. Intrometer — se na vida sexual do jovem é um pouco demais! O catolicismo está há décadas de distância da prática real", reclama o teólogo Ribeiro.

Em suas pesquisas com universitários, ele verificou que os pais de seus entrevistados eram mais católicos que os filhos. Enquanto 42,5% dos jovens se diziam católicos, 57,7% dos pais e 60,6% das mães afirmaram o mesmo. Essa crise na transferência geracional da fé, no entanto, não faz do ateísmo (a negação de Deus) o grande beneficiado. São os crentes sem religião que crescem: 19,8% dos entrevistados estão nessa categoria, enquanto pais e mães somam 12,3% e 6,7%, respectivamente.

Amar ao próximo. Do mesmo sexo

Suellen Rodrigues Róbias se tornou kardecista aos nove anos. Hoje, aos 21, é coordenadora de evangelização de 120 crianças no Centro Espírita André Luiz, em Brasília, e participa de mesas de orações para curar os males dos enfermos. Ela, que tem amigos homossexuais, se diz totalmente favorável à legalização da união de pessoas do mesmo sexo, com casamento no cartório. "Quando Jesus falou em amar o próximo, significa amar também a pessoa do mesmo sexo." Os kardecistas são os que mais aprovam a legalização desse tipo de relacionamento (73%), de acordo com a pesquisa Perfil da Juventude Brasileira, de 2004.

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ
ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

É fato que no campo religioso, hoje, há muitas outras formas não institucionais de espiritualidade, como esotéricas, holísticas, nova era, e não raro se encontram em uma mesma família quatro, cinco religiões presentes. Os símbolos religiosos, antes difundidos na igreja e no âmbito familiar, circulam mais por outras áreas de domínio público, como em blogs sobre religião, nas camisetas dos jogadores de futebol e em feirinhas. Até na moda. Tudo isso facilita o espírito buscador do jovem e sua adesão ao estado de "religioso sem religião".

Nesse universo, é socialmente possível — algo impensável em épocas passadas — um jovem ir à missa de manhã e meditar em um templo budista à noite. "Na juventude é o momento de se experimentar. E, hoje, também se experimenta religião", enfatiza a pesquisadora Regina.


O artigo original do site da Revista ISTOÉ poderá ser visto por meio do seguinte link:


Que Deus abençoe a todos.

Alexandros Meimaridis

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Desde já agradecemos a todos.   

quinta-feira, 20 de março de 2014

PREFEITURA DO RIO FAZ ACORDO COM ANIMISTAS PARA SE PROTEGER DE CHUVAS DURANTE A COPA



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Graças à Deus que vivemos num país laico. Mas como podemos perceber tal laicidade não vale quando os interesses envolvem as religiões animistas e afro brasileiras.

Já tivemos a oportunidade de falar nesse blog acerca do projetado macumbódromo a ser construído na cidade do Rio de Janeiro. Nossos artigos poderão ser vistos por meio dos links abaixo:



Agora, de acordo com uma notícia publicada pelo site UOL a prefeitura do Rio assinou um acordo com uma entidade que representa um índio estadunidense já morto que, segundo alegam, teria poder para interferir nas condições climáticas.

Segue a notícia do site do UOL

Prefeitura do Rio conta até com espírito de cacique contra chuvas na Copa

Tiago Dantas, do UOL, em São Paulo
 

Prefeito do Rio e cobra Coral



Região do Estádio Maracanã ficou alagado com a forte chuva de hoje pela manhã no Rio Foto: Daniel Ramalho / Terra
Chuvas alagam entorno do Maracanã

Uma forte chuva no Rio de Janeiro causou o alagamento do entorno do Maracanã, estádio da final da
Copa do Mundo de 2014.  

Todo evento realizado a céu aberto, como um jogo de futebol ou um show de música, está sujeito a danos causados pelas chuvas. Mas talvez não no Rio de Janeiro. A cidade encontrou uma fórmula para evitar que temporais estraguem a festa de encerramento da Copa do Mundo, em 13 de julho, e os Jogos Olímpicos, em 2016. E, para isso, conta com a ajuda do espírito de um índio norte-americano, que seria capaz de interferir nos fenômenos meteorológicos.

A Prefeitura do Rio mantém, desde 2005, um convênio de custo zero com a FCCC (Fundação Cacique Cobra Coral). A organização é administrada pela médium Adelaide Scritori, que afirma ser capaz de receber o espírito do próprio cacique desde os 7 anos. Por meio de suas habilidades mediúnicas, Adelaide trabalha para "minimizar catástrofes que podem ocorrer em razão dos desequilíbrios provocados pelo homem na natureza", segundo suas próprias palavras.

Os trabalhos espirituais de Adelaide, chamados de "operações" pela FCCC, levam o espírito do cacique a fazer algo como um bloqueio atmosférico, que impede, por exemplo, que nuvens de chuva cheguem a determinada região e sejam desviadas para outro lugar. Toda operação, porém, deve ter um motivo maior do que evitar a chuva em um evento, segundo o diretor de assuntos corporativos da fundação e marido de Adelaide, Osmar Santos.

"Fomos chamados para atuar no carnaval do Rio. Os desfiles aconteceram no domingo e na segunda. O carnaval, por si só, não interessa à fundação. Qual o problema de chover no desfile? Mas pensamos em aproveitar a oportunidade para mandar chuvas para São Paulo, que está enfrentando problemas de estiagem. E foi o que foi feito", afirma Santos. Segundo ele, a operação da FCCC fez com que chovesse perto da cabeceira do sistema Cantareira.

A prefeitura de São Paulo também já teve convênio com a FCCC, em 2005. Mas, segundo Santos, o governo municipal não fez sua parte, o que levou a fundação a suspender o acordo. É assim que a FCCC mantém seus contratos com o poder público: eles são gratuitos, mas o governo precisa se comprometer a e investir em obras anti-enchente. O Ministério de Minas e Energia e os governos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina já foram clientes do cacique.

Atualmente, segundo Santos, a FCCC tem contratos em 17 países. Os clientes privados, sim, têm que pagar pelos serviços. Os valores não são revelados. Na lista figura, por exemplo, o COI (Comitê Olímpico Internacional). Foi esse contrato que levou Adelaide e seu marido para Sochi, na Rússia, para assegurar que não haveria chuva na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Inverno.

O mesmo serviço foi prestado em Londres, em 2012, de acordo com o diretor de assuntos corporativos da FCCC. "Havia risco de chuva, mas fizemos uma intervenção. Em volta do estádio, só tinha nuvens negras, mas não caiu chuva na abertura. A chuva foi desviada para a Espanha, onde os agricultores estavam passando por um período de estiagem", afirma Santos.

"Com o Rio já trabalhamos para diminuir as chuvas na época da reforma do Maracanã, para não atrasar os trabalhos", diz o porta-voz da fundação. "Vamos atuar no encerramento da Copa no Rio, com certeza. E, depois, nas Olimpíadas." A Prefeitura do Rio confirmou que mantém o contrato com a FCCC, já que o convênio é gratuito. A administração municipal disse que "consulta" a fundação antes de grandes eventos, como réveillon e carnaval. Mas não admitiu que os serviços serão usados na Copa e nas Olimpíadas.

Bush, Galileu e Abraham Lincoln

A FCCC não é só uma organização religiosa. A fundação mantém um departamento de meteorologia para monitorar as mudanças climáticas. Por outro lado, as habilidades mediúnicas de Adelaide extrapolam o possível controle sobre o tempo. O site da fundação mostra um email que a médium diz ter enviado à Casa Branca em 3 de agosto de 2001, alertando o então presidente George W. Bush de uma possível catástrofe que aconteceria em Nova York e Washington nos próximos dias. Em 11 de setembro, as Torres Gêmeas foram atacadas.

Segundo Adelaide, antes de ajudar a coordenar eventos meteorológicos, o espírito foi parte de uma lista de encarnações que inclui o físico e matemático italiano Galileu Galilei, que viveu no século XVI, e o presidente norte-americano Abraham Lincoln, que aboliu a escravidão no século XIX. A FCCC foi criada em 1931 pelo pai de Adelaide, Ângelo Scritori, que também era médium.

A reportagem original do site UOL poderá ser vista por meio desse link aqui:


Quanto aos chamados evangélicos são motivo de zombarias generalizadas seja qual for a proposta que fizerem. Mas quem liga para isso? Afinal de contas os evangélicos são rotulados como sendo "loucos", conforme vimos numa das novelas da Rede Globo. É lógico que entendemos que existem terríveis lobos nos meio do povo evangélico, gente sem caráter e que deseja apenas explorar a fé das pessoas, especialmente as mais simples. Mas é bo que se diga que tais pessoas existem em todos os lugares, especialmente em todas as religiões.

Então é assim. Existe todo um empenho para se coibir toda e qualquer atividade dos cristãos, mas para animistas e macumbeiros os canais estão livres e abertos com contratos e tudo mais. É o besteirol politizado em sua essência. Mas o Senhor Deus, Criador e único controlador verdadeiro do tempo está vendo tudo isso e certamente dará uma resposta conforme for da sua Santa vontade e ninguém poderá questioná-lo ou impedí-lo, além do mais em se tratando de questões metrológicas.

Que Deus abençoe a todos

Alexandros Meimaridis

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